AMOR AO PRÓXIMO
BIBLIOGRAFIA
01- A EDUCAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO, pag 155 02 - A EVOLUÇAO ANIMICA, pag. 72
03 - AFINAL, QUEM SOMOS?, pag. 59 04 - AGENDA CRISTÃ, pag. 92
05 - AVE CRISTO, pag. 129 06 - CAMINHO VERDADE E VIDA, 31, 97, 209
07 - CATECISMO ESPÍRITA, pag. 3 08 - CHÃO DE FLORES, pag. 112
09 - CORAGEM, pag. 105 10 - CRISTIANISMO E ESPIRITISMO, 249
11 - DE JESUS PARA AS CRIANÇAS, pag. 25 12 - DEPRESSÃO, pag.173
13 - DO PAÍS DA LUZ (Volume I I), pag. 127 14 - DOENÇAS DA ALMA, 224

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AMOR AO PRÓXIMO – COMPILAÇÃO

01 - AMOR AO PRÓXIMO

III – Caridade e Amor ao Próximo


886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

— Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Comentário de Kardec: O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem possível, que desejaríamos que nos fosse feito. Tal é o sentido das palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como irmãos”.

A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações com os nossos semelhantes, quer se trate de nossos inferiores, iguais ou superiores. Ela nos manda ser indulgentes, porque temos necessidade de indulgência, e nos proíbe humilhar o infortúnio, ao contrário do que comumente se pratica. Se um rico nos procura, atendemo-lo com excesso de consideração e atenção, mas se é um pobre, parece que não nos devemos incomodar com ele. Quanto mais, entretanto, sua posição é lastimável, mais devemos temer aumentar-lhe a desgraça pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar o inferior aos seus próprios olhos, diminuindo a distância entre ambos.

887. Jesus ensinou ainda: “Amai aos vossos inimigos”. Ora, um amor pelos nossos inimigos não é contrário às nossas tendências naturais, e a inimizade não provém de uma falta de simpatia entre os Espíritos?

— Sem dúvida não se pode ter, para com os inimigos, um amor terno e apaixonado. E não foi isso que ele quis dizer. Amar aos inimigos é perdoá-los e pagar-lhes o mal com o bem. É assim que nos tornamos superiores; pela vingança nos colocamos abaixo deles.

888. Que pensar da esmola?

_ O homem reduzido a pedir esmolas se degrada moral e fisicamente: se embrutece. Numa sociedade baseada na lei de Deus e na justiça, deve-se prover a vida do fraco, sem humilhação para ele. Deve-se assegurar a existência dos que não podem trabalhar sem deixá-los à mercê do acaso e da boa vontade.

888 – a) Então condenais a esmola?

— Não, pois não é a esmola que é censurável, mas quase sempre a maneira por que ela é dada. O homem de bem, que compreende a caridade segundo Jesus, vai ao encontro do desgraçado sem esperar que ele lhe estenda a mão.

A verdadeira caridade é sempre boa e benevolente; tanto está no ato quanto na maneira de fazê-la. Um serviço prestado com delicadeza tem duplo valor; se o for com altivez, a necessidade pode fazê-lo aceito, mas o coração mal será tocado.

Lembrai-vos ainda de que a ostentação apaga aos olhos de Deus o mérito do benefício. Jesus disse: “Que a vossa mão esquerda ignore o que faz a direita”. Com isso, ele vos ensina a não manchar a caridade pelo orgulho.

É necessário distinguir a esmola propriamente dita da beneficência. O mais necessitado nem sempre é o que pede: o temor da humilhação retém o verdadeiro pobre, que quase sempre sofre sem se queixar. É a esse que o homem verdadeiramente humano sabe assistir sem ostentação.

Amai-vos uns aos outros, eis toda lei, divina lei pela qual Deus governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados, e a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica.

Não olvideis jamais que o Espírito, qualquer que seja o seu grau de adiantamento, sua situação como reencarnado ou na erraticidade, esta sempre colocado entre um. superior que o guia e aperfeiçoa e um inferior perante o qual tem deveres iguais a cumprir. Sede, portanto, caridosos, não somente dessa caridade que vos leva a tirar do bolso o óbolo que friamente atirais ao que ousa pedir-vos, mas ide ao encontro das misérias ocultas. Sede indulgentes para com os erros dos vossos semelhantes. Em lugar de desprezar a ignorância e o vício, instruí-os e moralizai-os. Sede afáveis e benevolentes para com todos os que vos suo inferiores; sede-o mesmo para com os mais ínfimos seres da Criação, e tereis obedecido à lei de Deus. (São Vicente de Paulo.)

889. Não há homens reduzidos à mendicidade por sua própria culpa?

— Sem dúvida. Mas se uma boa educação moral lhes tivesse ensinado a lei de Deus, não teriam caído nos excessos que os levaram à perda. E é disso, sobretudo, que depende o melhoramento do vosso globo. (Ver item 707.)

02 - AMOR AO PRÓXIMO

Segundo o espiritismo, o amor é o sentimento por excelência. Jesus promoveu o amor a lei maior ao resumir toda a lei e os profetas nesses dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Somos partículas de Deus, então amar a Deus é deixar que Ele se manifeste através de nós. Quando isso acontece, sentimos o máximo amor à vida, nos amamos muito, amando a Deus. Quando amamos a Deus de todo o nosso coração amamos a nós mesmos.

Para amar o próximo como a nós mesmos, e para que esse amor seja considerável, é preciso que nos amemos. Quer dizer, esses dois mandamentos, os mais importantes de todos, o resumo de todo o ensinamento cristão, manda que você ame a você. Muito. Mas muito. Algum purista pode achar isso uma heresia. Por quê? Porque talvez interprete esse amor a si mesmo como algo puramente hedonista, o que não é o caso. Quando você sente que ama a Deus? Não é quando você acaba de dar o melhor de si em prol de uma causa digna? Não é quando valoriza as pequenas e grandes coisas da obra do Criador que outras tantas vezes passam despercebidas? Não é quando você ama, simplesmente ama? E amar só é possível quando se ama a si. O tamanho do amor que se tem para oferecer é o tamanho do amor que temos. Ninguém pode dar o que não tem.

Deus é dentro de nós, e nos deu o livre arbítrio para que tenhamos o poder de decisão. Decidimos se deixamos que Deus se manifeste ou não. Na maioria das vezes preferimos manifestar o personagem que criamos, este corpo a que atribuímos personalidade, caráter, mente, como se fosse tudo uma coisa só. Mas quando nos permitimos dar vazão à luz que jaz em nosso íntimo, a essa centelha divina permanentemente pronta a nos guiar, é Deus que se manifesta, e nós sentimos amor, e amamos a Deus, e amamos a nós mesmos. E amando a nós mesmos podemos amar nosso semelhante.

Aqui há uma distinção a fazer. Amar é uma coisa, gostar é outra. Uma das definições mais corriqueiras do amor diz que amar é gostar muito de algo ou alguém. Não é bem assim. Você ama seus inimigos? Jesus mandou. Claro que não quero comparar nossa qualidade de amor com a dele, mas você acha que mesmo ele amava seus inimigos com esse amor meloso e cor-de-rosa que alguns pregam da boca pra fora? Não é assim que os evangelhos o retratam. O que mais vemos é ele soltando o verbo pra cima dos fariseus e saduceus hipócritas.

Amar é desejar o bem, todo o bem possível, sem restrição. É perdoar de todo o coração, é querer a felicidade do próximo. Amar e gostar não são a mesma coisa. Como é que você vai gostar de um inimigo? Alguém com quem você não tem a mínima identificação, com quem você não concorda acerca de nenhum ponto de vista, com quem você não tem nada em comum. Sem falar que esse alguém pode ter lhe prejudicado terrivelmente. Que você perdoe, que deseje tudo de bom, que aprenda a conviver amistosamente se for necessário, mas gostar?!

Gostar é uma escolha, amar é obrigação. Devemos amar nossos semelhantes, e nos encaminhamos pra isso. Mas sempre iremos escolher do que ou de quem gostamos. Mesmo que vivêssemos já num mundo muito mais adiantado que o nosso, onde todas as pessoas fossem amáveis e reunidas conforme suas peculiaridades e anseios, haveria aqueles de quem realmente gostaríamos.

É claro que um dia, num futuro distante, num mundo hoje inimaginável, quando todas as atribulações atuais não forem mais que uma névoa no passado da memória, o amor reinará. Mas estou me dirigindo a você, e não à posteridade. Perdoemos e sejamos mais tolerantes, por enquanto já tá de bom tamanho. Não acha?

03 - AMOR AO PRÓXIMO

Caridade e amor ao próximo


O verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como ensinou Jesus, traduz-se na benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições alheias e no perdão das ofensas recebidas; tem-se então que caridade é a expressão maior do amor pelo semelhante.

O amor e a caridade tornam-se uma extensão da Lei de Justiça, pois este amor ao próximo significa fazer-lhe todo o bem que cada um gostaria que lhe fosse feito; nenhuma criatura pode exigir do seu semelhante que seja tolerante, indulgente e bondoso, se ele mesmo não proceder da mesma forma para com os outros. Para acentuar ainda mais a necessidade deste amor, Jesus ainda disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". Este preceito manifesta-se tanto na prática da caridade material quanto na caridade moral. Muito embora o dever de todos seja o exercício constante de ambas, a caridade moral é mais difícil e, portanto, mais meritória que a caridade simplesmente material, porque exige de quem a pratica o verdadeiro sentimento de fraternidade, espírito de renúncia e tolerância, princípios contrários ao egoísmo e ao orgulho.

Deste modo, a caridade não se limita apenas aos aspectos materiais, mas abrange em sua essência a vida de relação em todos os pormenores de uma estrutura social, fundamentando-se a partir de algumas atitudes:
— Indulgência, que é a tolerância, a compreensão para com os defeitos do próximo, sem humilhar ou constranger também aquele que está em posição inferior, pois qualquer que seja nosso grau de evolução, estamos sempre colocados entre um superior que nos guia e nos aperfeiçoa, e um inferior, perante o qual temos deveres a cumprir. Não cabe a ninguém atirar a primeira pedra, pois todos são devedores, todos têm defeitos a corrigir, tentações a vencer, hábitos a modificar;

— Benevolência é a boa vontade em ajudar desinteressadamente os que precisam de ajuda, com verdadeiro afeto e respeito pelos seus problemas; é saber falar e ouvir, dando ânimo àquele que desfalece, ressaltando suas qualidades ao invés de apontar seus erros;

— Perdão no mais amplo sentido de esquecimento da falta recebida; perdoar cada ofensa quantas vezes se fizer necessário. Perdoar significa não somente esquecer o mal recebido, mas também não desejar nenhum mal a quem o pratica, inclusive aos "inimigos", dos quais não se deve guardar rancor ou desejo de vingança, mas procurar ajudar para que possam reparar os erros cometidos.

As palavras de Jesus "amai os vossos inimigos" induzem a uma reflexão: sendo o amor pelos inimigos contrário à própria natureza da condição humana, ainda pouco desenvolvida moralmente, é evidente que não se trata do mesmo amor que se tem pelos entes queridos. Amar os inimigos, da maneira como ensinou Jesus, é perdoar-lhes e pagar-lhes o mal com o bem; esta é a verdadeira caridade que caracteriza o homem do bem.

O homem reduzido a pedir esmolas se degrada moral e fisicamente: se embrutece (LE, 888); mas toda sociedade que estabelece suas leis sociais tendo como referência a Lei de Justiça. Amor e Caridade , saberá por certo prover as necessidades dos mais fracos, sem que estes se sintam humilhados pela sua inferioridade. A esmola em si não é um ato passível de reprovação, mas sim o modo como ela é praticada. Se o socorro prestado o for por mera ostentação de grandeza perante a sociedade, não haverá mérito algum, pois Jesus recomendou: "Que a sua mão esquerda ignore o que faz a sua mão direita"; por estas palavras ele ensinou a não macular o ato da caridade com o orgulho e a vaidade.

Portanto, a caridade, tal qual ensinou Jesus, consiste em amar uns aos outros, eis toda a lei, divina lei pela qual Deus governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados, e a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica (LE, 888a). O amor é, assim, a essência divina que habita em todas as criaturas, do átomo ao arcanjo, essência esta que em todos quer revelar-se, na unidade de sua natureza.

Bibliografia: ESE, Capítulo XV, itens 6 a 10