AMOR
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 119 02 - A constituição divina- pág. 134
03 - A reencarnação na Bíblia- pág. 44 04 - A vida além do véu - pág.104
05 - As aves feridas na Terra voam - pág. 51 06 - Boa Nova - pág. 33, 82
07 - Contos desta e doutras vidas - pág. 63 08 - Escrínio de luz - pág.131
09 - Estante da vida - pág. 65 10 - O exilado - pag. 14, 171
11 - O pensamento de Emmanuel - pág. 117 12 - Palavras de vida eterna- pág. 21, 81, 139
13 - Religião dos Espíritos - pág.133, 169, 197 14 - Renúncia - pág. 200
15 - Rumo certo - pág. 117

16 - Saúde e Espiritismo - pág. 150, 313

17 - Sinal verde - pág. 63 18 - Universo e vida- pág. 56, 77
19 - Vinha de luz - pág. 21 20 - Visão espírita da educação - pág. 24, 68
21 - O Evangelho S. o Espiritismo - pág. 141 22 - Mais perto - pág. 33
23 - Estudos Espíritas - 146 24 - Oferenda

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

AMOR – COMPILAÇÃO

06 - Boa Nova - Humberto de Campos - pág. 33, 82

AMOR E RENÚNCIA
O manto da noite caía de leve sobre a paisagem de Cafarnaum e Jesus, depois de uma das grandes assembléias populares do lago, se recolhia à casa de Pedro em companhia do apóstolo. Com a sua palavra divina havia tecido luminosos comentários em torno dos mandamentos de Moisés; Simão, no entanto, ia pensativo como se guardasse uma dúvida no coração.
Inquirido com bondade pelo Mestre, o apóstolo esclareceu:
— Senhor, em face dos vossos ensinamentos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Canaã? Não se tratava de uma festa mundana? O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula?

Jesus compreendeu o alcance da interpelação e sorriu.
— Simão — disse ele —, conheces a alegria de servir a um amigo?
Pedro não respondeu, pelo que o Mestre continuou:
— As bodas de Canaã foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os a todos. Os afetos d'alma, Simão, são laços misteriosos que nos conduzem a Deus. Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração uma sala iluminada onde eles se sintam tranquilos e ditosos. Tenhamos sempre júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia com a sombra dos pesares! As mais belas horas da vida são as que empregamos em amá-los, enriquecendo-Ihes as satisfações íntimas.

Contudo, Simão Pedro, manifestando a estranheza que aquelas advertências lhe causavam, interpelou ainda o Mestre, com certa timidez:— E como deveremos proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando nos retribuam com ingratidão? Jesus pôs nele o olhar lúcido e respondeu:
— Pedro, o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro. A compreensão de um amigo deve ser para nós a maior recompensa. Todavia, quando a luz do entendimento tardar no espírito daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. Ainda que todos os nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários, ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderiam privar da alegria infinita de lhes haver dado alguma coisa!...

E com o olhar absorto na paisagem crepuscular, onde vibravam sutis harmonias, Jesus ponderou, profeticamente:
— O vinho de Canaã poderá, um dia, transformar-se no vinagre da amargura; contudo, sentirei, mesmo assim, júbilo em sorvê-lo, por minha dedicação aos que vim buscar para o amor do Todo-Poderoso. Simão Pedro, ante a argumentação consoladora e amiga do Mestre, dissipou as suas derradeiras dúvidas, enquanto a noite se apoderava do ambiente, ocultando o conjunto das coisas no seu leque imenso de sombras. Muito tempo ainda não decorrera sobre essa conversação, quando o Mestre, em seus ensinos, deixou perceber que todos os homens, que não estivessem decididos a colocar o Reino de Deus acima de pais, mães e irmãos terrestres, não podiam ser seus discípulos.

No dia desses novos ensinamentos, terminados os labores evangélicos, o mesmo apóstolo interpelou o Senhor, na penumbra de suas expressões indecisas:
— Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas anteriores observações, relativamente aos laços sagrados entre os que se estimam?! Sem deixar transparecer nenhuma surpresa, Jesus es­clareceu:
— Simão, a minha palavra não determina que o homem quebre os elos santos de sua vida; antes exalta os que tiverem a verdadeira fé para colocar o poder de Deus acima de todas as coisas e de todos os seres da criação infinita. Não constitui o amor dos pais uma lembrança da bondade permanente de Deus? Não representa o afeto dos filhos um suave perfume do coração?! Tenho dado aos meus discípulos o título de amigos, por ser o maior de todos.

O Evangelho — continuou o Mestre, estando o apóstolo a ouvi-lo atentamente — não pode condenar os laços de família, mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de Deus. O Reino do Céu no coração deve ser o tema central de nossa vida. Tudo mais é acessório. A família, no mundo, está igualmente subordinada aos imperativos dessa edificação. Já pensaste, Pedro, no supremo sacrifício de renunciar? Todos os homens sabem conservar, são raros os que sabem privar-se. Na construção do Reino de Deus, chega um instante de separação, que é necessário se saiba suportar com sincero desprendimento. E essa separação não é apenas a que se verifica pela morte do corpo, muitas vezes proveitosa e providencial, mas também a das posições estimáveis no mundo, a da família terrestre, a do viver nas paisagens queridas, ou, então, a de uma alma bem-amada que preferiu ficar, a distância, entre as flores venenosas de um dia!...

Ah! Simão, quão poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranquilo, ou dos braços adorados de uma afeição, por amor ao reino que é o tabernáculo da vida eterna! Quão poucos saberão suportar a calúnia, o apodo, a indiferença, por desejarem permanecer dentro de suas criações individuais, cerrando ouvidos à advertência do céu para que se afastem tranquilamente!... Como são raros os que sabem ceder e partir em silêncio, por amor ao reino, esperando o instante em que Deus se pronuncia! Entretanto, Pedro, ninguém se edificará, sem conhecer essa virtude de saber renunciar com alegria, em obediência à vontade de Deus, no momento oportuno, compreendendo a sublimidade de seus desígnios. Por essa razão, os discípulos necessitam aprender a partir e a esperar onde as determinações de Deus os conduzam, porque a edificação do Reino do Céu no coração dos homens deve constituir a preocupação primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças centrais do espírito!...

Ainda não havia anoitecido. Jesus, porém, deu por concluídas as suas explicações, enquanto as mãos calosas do apóstolo passavam, de leve, sobre os olhos úmidos. Dando o testemunho real de seus ensinamentos, o Cristo soube ser, em todas as circunstâncias, o amigo fiel e dedicado. Nas elucidações de João, vemo-lo a exclamar:
— "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai!" E, na narrativa de Lucas, ouvimo-lo dizer, antes da hora extrema:
— "Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão."
Ninguém no mundo já conseguiu elevar, à altura em que o Senhor as colocou, a beleza e a amplitude dos elos afetivos, mesmo porque a sua obra inteira é a de reunir, pelo amor, todas as nações e todos os homens, no círculo divino da família universal. Mas, também, por demonstrar que o reino de Deus deve constituir a preocupação primeira das almas, ninguém como ele soube retirar-se das posições, no instante oportuno, em obediência aos desígnios divinos. Depois da magnífica vitória da entrada em Jerusalém, é traído por um dos discípulos amados; ne­gam-no os seus seguidores e companheiros; suas ideias são tidas como perversoras e revolucionárias; é acusado como bandido e feiticeiro; sua morte passa por ser a de um ladrão.

Jesus, entretanto, ensina às criaturas, nessa hora suprema, a excelsa virtude de retirar-se com a solidão dos homens, mas com a proteção de Deus. Ele, que transformara toda a Galiléia numa fonte divina; que se levantara com desassombro contra as hipocrisias do farisaísmo do tempo; que desapontara os cambistas, no próprio templo de Jerusalém, como advogado enérgico e superior de todas as grandes causas da verdade e do bem, passa, no dia do Calvário, em espetáculo para o povo, com a alma num maravilhoso e profundo silêncio. Sem proferir a mais leve acusação, caminha humilde, coroado de espinhos, sustendo nas mãos uma cana imunda à guisa de cetro, vestindo a túnica da ironia, sob as cusparadas dos populares exaltados, de faces sangrentas e passos vacilantes, sob o peso da cruz, vilipendiado, submisso.

No momento do calvário, Jesus atravessa as ruas de Jerusalém, como se estivesse diante da humanidade inteira, sem queixar-se, ensinando a virtude da renúncia por amor do Reino de Deus, revelando por essa a sua derradeira lição.

08 - Escrínio de luz - Emmanuel - pág.131

CARIDADE CONOSCO
À frente do companheiro que avança em tua companhia na senda redentora, não te refugies na indiferença. Ajuda-o com a tua palavra estimulan­te e estarás colocando a fraternidade no vaso da própria mente.
Se surpreendido pelo ataque dos maledicentes e dos ingratos, não te associes à revolta. Ampara-os com o esquecimento de todo mal e estarás cultivando a paciência no solo da própria alma.
Diante dos choques desferidos sobre o teu sentimento pelos maus, não te confies à desesperação. Fortalece-te para auxiliá-los, quando a oportunidade de cooperação amiga voltar novamente e estarás entronizando o verdadeiro amor no imo do próprio ser.
Quando a dificuldade ou o problema te buscarem à porta, não abraces a mentira brilhante da fuga. Esforça-te por recebê-los dignamente, incorporando-lhes as lições à tua economia sentimental e estarás enriquecendo o teu imperecível tesouro de experiências.

Perante a deserção de alguém, não te cristalizes no pranto inativo e preguiçoso. Prossegue no trabalho que o Alto te confiou e estarás engrandecendo a fé, no templo de tuas melhores aspirações.
Se a maldade se aproxima, tecendo comentário aleivoso e cruel, não te entregues à onda escura do verbo desvairado e infeliz. Usa palavras de bondade e entendimento e estarás plantando a virtude, no campo da própria vida.

Se a cólera e a incompreensão te requisitarem o espírito a duelos torpes e inúteis, não caias no nível de sombra em que se expressam. Socorre os interlocutores com silêncio ou com o serviço e es­tarás cultuando a humildade no domicílio dos próprios ideais.
É preciso recordar o impositivo da caridade conosco, porque o nosso coração é uma taça que ainda trazemos repleta do veneno de nossos impulsos primitivistas, por tigrina recordação de outras eras.

Purifiquemos, auxiliemos, esperemos, sirvamos, toleremos e humilhemo-nos, praticando a renúncia construtiva, na compreensão e na aplicação dos deveres que nos unem ao Evangelho do Cristo e lavaremos o velho cálice de nossas emoções, substituindo os tóxicos da vaidade e do orgulho, da treva e do egoísmo, pela Agua Viva do Infinito Bem que passará, então, a jorrar de nossa vida, para benefício de todos.
Caridade com os outros é dar o que retemos.
Caridade conosco é dar de nós.


12 - Palavras de vida eterna- Francisco Cândido Xavier - pág. 21, 81, 139

AMOR E TEMOR
"O perfeito amor lança fora o temor." (I JOÃO, 4:18.)
Para que nossa alma se expanda sem receio, através das realizações que o Senhor nos confia, não basta o imperfeito amor que estipula salários de gratidão ou que se isola na estufa do carinho particular, reclamando entendimento alheio.

É necessário rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção.
O imperfeito amor, procurando o gozo pró­prio no concurso dos outros, é quase sempre o egoísmo em disfarce brilhante, buscando a si mesmo nas almas afins para atormentá-las sob múltiplas formas de temor, quais sejam a exigência e o ciúme, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e da frustra­ção.

O perfeito amor, contudo, compreende que o Pai Celeste traçou caminhos infinitos para a evolução e aprimoramento das alrrias, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender e ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações queridos, no degrau de luta que lhes é próprio.

Para que te libertes, assim, das algemas do medo, não basta te acolhas no anseio de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros, segundo as disposições do amor incompleto. É indispensável saibas amar, com abnegação e ternura, entre a esperança incansável e o serviço incessante pela vitória do bem, sob a tutela dos quais viverá sempre amado, segundo o amor equilibrado e perfeito, pela força divina que nos ergue triunfante, dos abismos da sombra para os cimos da luz.

O AMOR TUDO SOFRE "Tudo sofre..." — Paulo. - (I CORÍNTIOS, 13:7.)
O noticiário terrestre reporta-se diariamente a desvarios cometidos em nome do amor.
Homicídios são perpetrados publicamente.
Suicídios sulcam de pranto e desolação a rota de lares esperançosos.
Furto, contenda, injúria e perversidade apa­recem todos os dias invocando a inspiração do sentimento sublime.
Mulheres indefesas, homens dignos, jovens promissores e infelizes crianças, em toda a parte, sofrem abandono e aflição sob a legenda celeste.

Entretanto, só o, egoísmo, traduzindo apego da alma ao bem próprio, é que patrocina os golpes da delinquência, os enganos da posse, os erros da impulsividade e os desacertos da pressa... Apenas o egoísmo gera ciúme e despeito, vingança e discórdia, acusação e cegueira.
O amor, longe disso, sabe rejubilar-se com a alegria dos corações amados, esposando-lhes as lições e as dificuldades, as dores e os compromissos. Não se atropela, nem se desmanda.

Abraça no sacrifício próprio, em favor da felicidade da criatura a quem ama, a razão da própria felicidade. Por esse motivo, no amor verdadeiro não há sinal de qualquer precipitação conclamando à imoderação ou à loucura.

O apóstolo Paulo afirmou divinamente inspirado: - "O amor tudo sofre..." E, de nossa parte, acrescentaremos: - O amor genuíno jamais se desregra ou se cansa porque realmente sabe esperar.

PERDÃO -REMÉDIO SANTO "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem..." — Jesus. - (LUCAS, 23:34.)
Toda vez que a moléstia te ameaça, recorres necessariamente aos remédios que te liberem da apreensão.
Agentes calmantes para a dor... Sedativos para a ansiedade...
Em suma, à face de qualquer embaraço físico, procuras reabilitar as funções do órgão lesado.
Lembra-te de semelhante impositivo e recorda que há pensamentos enfermiços de queixa e mágoa, de prevenção e antipatia, a te solicitarem adequada medicação para que se te restaure o equilíbrio.
E se nas doenças vulgares reclamas despreocupação, em favor da cura, é natural que nos achaques do espírito necessites de esquecimento para que se te refaçam as forças.
O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na luta cotidiana.

Tanto quanto não deves conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não mantenhas aversão e rancor na própria alma.
te aborreçam, perdoa a quantos quantos te firam.
Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.
Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.
É por isso que Jesus, o Emissário Divino, crucificado pela perseguição gratuita, rogou a Deus, ante os próprios algozes:
— "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem..."
E, deixando os ofensores nas inibições próprias a cada um, sustentou em si a luz do amor que dissolve toda sombra, induzindo-nos à conquista da luz eterna.

13 - Religião dos Espíritos - Emmanuel - pág.133, 169, 197

Sexo e amor - Reunião pública de 7-8-59 Questão n° 201
Ignorar o sexo em nossa edificação espiritual seria ignorar-nos.
Urge, no entanto, situá-lo a serviço do amor, sem que o amor se lhe subordine.
Imaginemo-los ambos, na esfera da personalidade, como o rio e o dique na largueza da terra.
O rio fecunda. O dique controla. O rio espalha forças. O dique policia-lhes a expansão. No rio, encontramos a Natureza. No dique, surpreendemos a disciplina.

Se a corrente ameaça a estabilidade de construções dignas, comparece o dique para canalizá-la proveitosamente, noutro nível. Contudo, se a corrente supera o dique, aparece a destruição, toda vez que a massa líquida se dilate em volume. Igualmente, o sexo é a energia criativa, mas o amor necessita estar junto dele, a funcionar por leme seguro. Se a simpatia sexual prenuncia a dissolução de obras morais respeitáveis, é imprescindível que o amor lhe norteie os recursos para manifestações mais altas, porquanto, sempre que a atração genésica é mais poderosa que o amor, surgem as crises de longo curso, retardando o progresso e o aperfeiçoamento da alma, quando não lhe embargam os passos na loucura ou na frustração, na enfermidade ou no crime.

Tanto quanto o dique precisa erguer-se em defensiva constante, no governo das águas, deve guardar-se o amor em permanente vigilância, na frenação do impulso emotivo. Fiscaliza, assim, teus próprios desejos. Todo pensamento acalentado tende a expressar-se em ação. Quase sempre, os que chegam ao além-túmulo sexualmente depravados, depois de longas perturbações renascem no mundo, tolerando moléstias insidiosas, quando não se corporificam em desesperadora condição inversiva, amargando pesadas provas como consequências dos excessos delituosos a que se renderam.

A maneira de doentes difíceis, no leito de contenção, padecem inibições obscuras ou envergam sinais morfológicos em desarcordo com as tendências masculinas ou femininas em que ainda estagiam, no elevado tentame de obstar a própria queda em novos desmandos sentimentais. Ama, pois, e ama sempre, porque o amor é a essência da própria vida, mas não cogites de ser amado. Ama por filhos do coração aqueles de quem, por enquanto, não podes partilhar a convivência mais íntima, aprendendo o puro amor fraterno que Jesus nos legou.

Mas, se a inquietação sexual te vergasta as horas, não te decidas a aceitar o conselho da irresponsabilidade que te inclina a partir levianamente «ao encontro de um homem» ou «ao encontro de uma mulher», muitas vezes em perigoso agravo de teus problemas.
Antes de tudo, procura Deus, na oração, segundo a fé que cultivas, e Deus que criou o sexo em nós, para engrandecimento da criação, na carne e no espírito, ensinar-nos-á como dirigi-lo.

Ao sol do amor - Reunião pública de 7-9-59 Questão n° 569
Brilhando por luz de Deus, ainda mesmo nas regiões em que a escuridade aparentemente domina, o amor regenera e aprimora sempre.
Podem surgir grandes malfeitores abalando a ordem pública, mas, enquanto existirem pais e mães responsáveis e devotados, o lar fulgirá no mundo, cooperando para que se dissolva a lama da delinquência na charrua do suor ou na fonte das lágrimas. Podem surgir crianças-problemas e jovens transviados de todos os matizes, mas, enquanto existirem professores dignos do nome bendito que carregam, erguer-se-á a escola por santuário da educação.

Podem surgir doentes agoniados em todas as estâncias da vida, mas, enquanto existirem cientistas consagrados ao socorro dos semelhantes, levantar-se-á o hospital, como pouso da Bênção Divina para a redenção dos enfermos. Podem surgir criminosos de todas as procedências, gerando reações populares pelos delitos em que estejam incursos, mas, enquanto existirem juizes compreensivos e humanos, destacar-se-á o instituto correcional por cidadela do bem, onde as vítimas da sombra retornem de novo à luz.

Podem surgir empreiteiros do ateísmo e do ódio, da intolerância e da guerra, como verdadeiros alienados mentais, mas, enquanto existirem sacerdotes e missionários da fé, com bastante abnegação para ajudar e perdoar, luzirá o templo, nas diversas confissões religio­sas do mundo, como autêntica oficina de acrisolamento da alma. É justificável, portanto, que a afeição não repouse, além da morte. Para lá da fronteira de cinza, agiganta-se o traba­lho para todos os corações acordados ao clarão do amor sem mácula.

Mães esquecidas na legenda do túmulo transformam-se em anjos invisíveis de renúncia, ao pé de filhos desmemoriados e ingratos, para que não resvalem de todo nas tenebrosidades do abismo; esposas renascidas do nevoeiro carnal apoiam companheiros desorientados no infortúnio, para que se restaurem no tálamo doméstico; filhos, desligados do corpo físico, tornam, despercebidos, à convivência dos pais, arrebatando-os às tentações do desânimo ou do suicídio, e arautos de idéias renovadoras sustentam-se, em espírito, ao lado daqueles que lhes continuam as obras.

Se te encontras, assim, em tarefas de sacrifício, não recalcitres contra os aguilhões que te acicatam as horas, consciente de que a matemática do destino não nos entrega problemas de que não estejamos necessitados. Humilha-te e serve, desculpa e edifica, diante dos que se fazem complicados instrumentos de tua dor. A prova antecipa o resgate, a luta anuncia a vitória e a dificuldade encerra a lição. E embora se te situem as esperanças no agressivo espinheiro do sofrimento, ama os que te não compreendem e ora pelos que te injuriam, porque a Lei conhece o motivo pelo qual cada um deles te cruza os passos, e erguer-te-á o ânimo, aqui e além da Terra, para que prossigas no apostolado do amor, em perpetuidade sublime.


Justiça e amor - Reunião pública de 9-10-59 Questão n° 876
Sempre que te reportes à justiça, repara que Deus a fez assistida pelo amor, a fim de que os caídos não sejam aniquilados. Terás contigo a lógica indicando-te os males e o entendimento inspirando-te o necessário socorro aos que lhes sofrem o assédio. Onde passes, compadece-te dos vencidos que contemples à margem. .. Muitos pranteiam as ilusões que lhes trouxeram arrependimento e remorso e muitos se levantam ainda sobre os próprios enganos, à maneira de trapezistas inconscientes, ensaiando o último salto ao precipício da morte.

Dir-te-ão alguns não precisarem de teu consolo, fugindo-te à presença, com receio da verdade que te brilha na boca, e outros, que descreram do poder renovador do trabalho, preferem rolar no vício, descendo, mais cedo, os degraus do sepulcro. Além deles, porém, surgem outros... Os que desanimaram em plena luta, recolhendo-se ao frio da retaguarda, os que enlouqueceram de sofrimento, os que perderam a fé por falta de vigilância, os que se transviaram à mingua de reconforto e os que se abeiram do suicídio, tomados pelo superlativo do desespero.

Tentando dar-lhes remédio, ergue o mundo peniten­ciárias e hospitais, reformatórios e manicômios; no entanto, para ajudá-los, confere-te o Cristo a flama do amor no santuário do coração. Todos esses padecentes da estrada têm algo para ensinar. Os que tombam esmagados de aflição induzem-te ao serviço pelo mundo melhor, e os que se arrojam a monstruosos delitos falam, sem palavras, em louvor do equi­líbrio de que dispões, auxiliando-te a preservá-lo. Não permitas que a justiça de tua alma caminhe sem amor, para que se não converta em garra de violência.

Ao pé dos maiores celerados da Terra, Deus colocou mães que amam, embora esses filhos desditosos de sua bênção lhes transformem a vida em fonte de lágrimas. Diante, pois, dos vencidos de todas as condições e de todas as procedências, não mostres desprezo, nem grites anátema. Não lhes conheces a história desde o princípio e não percebes, agora, a causa invisível da dor que os degrada. Ora e auxilia em silêncio, porque não sabes se amanhã raiará teu instante de abatimento e de angústia, e manda a regra divina façamos aos outros aquilo que desejamos nos seja feito.

Justiça sem amor é como terra sem água. Recorda que o próprio Cristo, reconhecendo que os vencedores do mundo habitualmente se inclinam à vaidade — perigosa armadilha para quedas maiores —, preferiu nascer na palha dos que vagueiam sem rumo, viver na dificuldade dos menos felizes e morrer na cruz reservada às vítimas do crime e aos filhos da escravidão.


17 - Sinal verde - André Luiz - pág. 63

Em matéria de felicidade convém não esquecer que nós transformamos sempre naquilo que amamos. Quem se aceita como é, doando de si à vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como espera ser.

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros. A alegria do próximo começa muitas vezes no sorriso que você lhe queira dar.

A felicidade pode exibir-se, passear, falar e cominicar-se na vida externa, mas reside com endereço exato na consciência tranquila. Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no trabalho em favor dos semelhantes o processo de reparação desse ou daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.

Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz. Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é a usina geradora da felicidade.

Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o seu coração para vida nova. Quando o céu estiver em cinza, a derrmar-se em chuva, medite na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim.

19 - Vinha de luz - Emmanuel - pág. 21

Em silêncio - "Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos do Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus" - Paulo (Efésios, 6:6)

Se sabes, atende ao que ignora, sem ofuscá-lo com a tua luz. Se tens, ajuda ao necessitado, sem molestá-lo com tua posse. Se amas, não firas o objeto amado com exigências. Se pretendes curar, não humilhes o doente.

Se queres melhorar os outros, não maldigues ninguém. Se ensinas a caridade, não te trajes de espinhos para que teu contacto não dilacere os que sofrem. Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou. É muito fácil servir à vista. Todos querem fazer procurando o apreço dos homens.

Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas.

Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero de Cristo, no divino silêncio do espírito... Vai e serve. Não te deêm cuidado as fantasias que confundem os olhos da carne e nem te consagres aos ruídos da boca.

Faze o bem, em silêncio. Foge às referências pessoais e aprendamos a cumprir, de coração, a vontade de Deus.

21 - O Evangelho S. o Espiritismo - Allan Kardec - pág. 141

Instruções dos Espíritos - A Lei de Amor - Lázaro - Paris, 1862

O amor resume toda a Doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruido e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei do amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais.

Feliz aquele que, sobrelevando-se à Humanidade, ama com imenso amor os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina — amor — fez estremece rem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palaví do alfabeto divino. Ficai atentos, porque essa palavra levanta a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, vencendo a morte, revela homem deslumbrado o seu patrimônio intelectual. Mas já não é mais aos suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve agora resgatar o homem da matéria.

Diz-se que o homem, no seu início, tem apenas instintos. Aquele pois, que os instintos dominam, está mais próximo do ponto de partida que do alvo. Para avançar em direção ao alvo, é necessário vencer ele os instintos a favor dos sentimentos, ou seja, aperfeiçoar estes, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são germinação e os embriões dos sentimentos. Trazem consigo o gresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados são os que, libertando-se lentamente de sua crisálida, permanem subjugados pêlos instintos.

O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do trabalho atual. E mais que aos bens terrenos, vos conduzirá à gloriosa elevação. Será então que, compreendendo a lei do amor, que une todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes.


FÉNELON Bordeaux, 1861
9. O amor é de essência divina. Desde o mais elevado at mais humilde, todos vós possuís, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. É um fato que tendes podido constatar mi vezes: o homem mais abjeto, o mais vil, o mais criminso, tem um ser ou um objeto qualquer uma afeição viva e ardente, à prova de todas as vicissitudes, atingindo frequentemente alturas sublimes.
Diz-se por um ser ou um objeto qualquer, porque existem, vós, indivíduos que dispensam tesouros de amor, que lhes transborda do coração, aos animais, às plantas, e até mesmo aos objetos materiais. Espécies de misantropos a se lamentarem da Humanidade em geral, resistem à tendência natural da alma, que busca em seu redor afeição e simpatia. Rebaixam a lei do amor à condição do instinto.
Mas, façam o que quiserem, não conseguirão sufocar o germe vivaz que Deus depositou em seus corações, no ato da criação. Esse germe se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência, e embora frequentemente comprimido pelo egoísmo, é a fonte das santas e doces virtudes que constituem as afeições sinceras e duradouras, e que os ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência humana.

Há algumas pessoas a quem repugna a prova da reencarnação, pela idéia de que outros participarão das simpatias afetivas de que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afeto vos torna egoístas. Vosso amor se restringe a um círculo estreito de parentes ou de amigos, e todos os demais vos são indiferentes. Pois bem: para praticar a lei do amor, como Deus a quer, é necessário que chegueis a amar, pouco a pouco, e indistintamente, a todos os vossos irmãos. A tarefa é longa e difícil, mas será realizada. Deus o quer, e a lei do amor é o primeiro e o mais importante preceito da vossa nova Doutrina, e é ela que deve um dia matar o egoísmo, sob qualquer aspecto que se apresente, pois além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: "Amai ao vosso próximo como a vós mesmos"; ora, qual é o limite do próximo? Será a família, a seita, a nação? Não: é toda a Humanidade! Nos mundos superiores, é o amor recíproco que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam. E o vosso planeta, destinado a progresso que se aproxima, para a sua transformação social, verá seus habitantes praticarem essa lei sublime, reflexo da própria Divindade.

Os efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste princípio: "Não façais aos outros o que quereis que os outros vos façam, mas fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes."
Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de malgrado, ao verdadeiro amor. Este é um imã a que ele não poderá resistir, e o seu contato vivifica e fecunda os germes dessa virtude, que estão latentes em vossos corações. A Terra, morada de exílio e de provas, será então purificada por esse fogo sagrado, e nela se praticarão a caridade, a humildade, a paciência, a abnegação, a resignação, o sacrifício, todas essas virtudes filhas do amor.

Não vos canseis, pois, de escutar as palavra de João Evangelista. Sabeis que, quando a doença e a velhice interromperam o curso de suas pregações, ele repetia apenas estas doces palavras: "Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros!"
Queridos irmãos, utilizai como proveito essas lições: sua prátid é difícil, mas delas retira a alma imenso benefício. Crede-me, fazei} sublime esforço que vos peço: "Amai-vos", e vereis, muito em bre\ a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu, em que as almas justos virão gozar o merecido repouso.

SANSÃO - Membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863

10. Meus queridos condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem pela minha voz: Amai muito, para serdes amados! justo é este pensamento, que nele encontrareis tudo quanto consola e acalma as penas de cada dia. Ou melhor: fazendo isso, de maneira vos elevareis acima da matéria, que vos espiritualizardes antes mesmo de despirdes o vosso corpo terreno. Os estudos espíritas ampliaram a vossa visão do futuro, e tendes agora uma certeza:' do vosso progresso para Deus, com todas as promessas que cor pondem às aspirações da vossa alma. Deveis também elevar-vos alto, para julgardes sem as restrições da matéria, e assim não condenardes o vosso próximo, antes de haverdes dirigido o vosso pena mento a Deus.

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, prol consciencioso, para fazer aos outros aquilo que deseja para si mesmo. É buscar em torno de si a razão íntima de todas as dores que brunham o próximo, para dar-lhe alívio. Ë encarar a grande família humana como a sua própria, porque essa família todos vós ireis reencontrar um dia em mundos mais adiantados, pois os Espíritos que constituem são, como vós, filhos de Deus, marcados na fronte, se elevarem ao infinito. É por isso que não podeis recusar aos vos irmãos aquilo que Deus vos deu com liberdade, pois, de vossa parte seríeis muito felizes se vossos irmãos vos dessem aquilo de que tendes necessidades. A todos os sofrimentos, dispensai, pois, uma palavra de ajuda e de esperança, para vos fazerdes todo amor e todo justiça.

Crede que estas sábias palavras: "Amai muito, para serdes amados", seguirão o seu curso. Esta máxima é revolucionária e segue uma rota firme e invariável. Mas vós já haveis progredido, vós que me escutais: sois infinitamente melhores do que há cem anos; de tal maneira vos modificastes para melhor, que aceitais hoje sem repulsa uma infinidade de idéias novas sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente teríeis rejeitado. Pois daqui a cem anos aceitareis também, com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderam entrar na vossa cabeça.

Hoje, que o movimento espírita avançou bastante, vede com e rapidez as idéias de justiça e de renovação, contidas nos ditados dos Espíritos, são aceitas pela metade das pessoas inteligentes. É que essas idéias correspondem ao que há de divino em vós. É que estais preparados por uma semeadura fecunda: a do último século, que implantou na sociedade as grandes idéias do progresso. E como tudo se encadeia, sob as ordens do Altíssimo, todas as lições recebidas e assimiladas resultarão nessa mudança universal do amor ao próximo.

Graças a elas, os Espíritos encarnados, melhor julgando e melhor sentindo, dar-se-ão as mãos até os confins do vosso planeta. Todos se reunirão, para se entenderem e se amarem, destruindo todas as injustiças, todas as causas de desentendimento entre os povos.
Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto no "O Livro dos Espíritos", produzirá o grande milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida: "Amai muito, para serdes amados!"

AMOR MATERNAL E FILIAL: O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 890 a 892

O lar é a morada material temporária, onde muitos Espíritos antagônicos reencarnam amparados pela tutela do amor maternal, sentimento instintivo, comum tanto para os homens como para os animais, embora nestes tal amor seja limitado às necessidades de sobrevivência de cada espécie; esta limitação explica o fato do amor maternal entre os animais se extinguir tão logo os filhotes se desprendam da mãe.

No homem, contudo, este amor persiste por toda a vida e comporta um devotamento e uma abnegação que constituem virtudes (LE 890). Muito embora o amor maternal seja um sentimento inerente à Lei Natural, existem mães que repelem seus filhos, já a partir do nascimento; nestes casos, trata-se de circunstâncias especiais que dizem respeito tão somente à Lei de Causa e Efeito. Às vezes trata-se de uma provação escolhida pelo Espírito reencarnante, ou então é uma expiação, se aconteceu de, em vidas passadas, ele ter sido um mau pai ou mãe.

Em todos os casos, a mãe que rejeita o filho desde tenra idade é porque seu Espírito é inferior a tal ponto de criar obstáculos para o filho, concorrendo para o seu fracasso na prova por ele escolhida. Aos pais cabe, portanto, o dever de fazer todos os esforços no sentido de conduzir os filhos ao bem, independentemente dos desgostos que este lhe causem, pois muitas vezes apenas refletem o resultado de maus hábitos que os próprios pais deixaram que os filhos adquirissem; aos filhos cabe o dever de honrar seus pais e nessa convivência fraterna, tanto o amor maternal quanto o filial serão decorrência natural da Lei de Justiça, Amor e Caridade.

22 - MAIS PERTO - EMMANUEL - PÁG. 33

Não olvides que o Amor é a base de nossa sustentação nos menores passos da vida. Ele abarca em si todos os recursos da própria natureza em que te desenvolves, alimentando-te o ser e abençoando-te os dias. Observa-o no Sol que mantém a estabilidade do mundo...

No mundo que te oferece o pão da subsistência... No ar que te assegura o alento corpóreo... No alento corpóreo que te garante o aprendizado... Palpita na experiência que te auxilia o crescimento espiritual e ampara-te com o obstáculo que é medida de tua força...

Brilha nos dons que te conferem esperança e consolo, na palavra que te ensina, no amigo que te socorre, no companheiro que te levanta e no adversário que é sempre um valioso instrutor no campo da experiência..

Pelo amor, entraste na Terra e lhe desfrutas os bens, por ele trabalhas e te devotas à construção do futuro, dele aguardando a vitória que te polariza os sofrimentos e os sonhos.

Junto dele, ergueste o templo do lar, tecendo os elos suaves da família consanguínea em que te consagras à luta redentora e, com ele, penetrarás o segredo maravilhoso do sacrifício, esquecendo a ti mesmo, em favor daqueles que te povoam o coração..

É o amor à luz que te arrebatará ao assédio das sombras, a verdade que te dissipará as ilusões e o braço amigo que te conduzirá às eminências da Grande Vida.

Não permitas que semelhante bênção cintile apenas em teu pensamento ou em tua boca... Responde ao Amor que te ama em todos os ângulos do caminho, servindo aos outros infatigavelmente, e, mais cedo do que possas presumir, será tua alma por ele convertida em rutilante estrela, refletindo-lhe o brilho eterno...

23 - ESTUDOS ESPÍRITAS - JOANA DE ÂNGELIS - PAG. 146

AMOR

Múltiplas, através dos tempos, hão sido as conceituações do amor. Variando desde as exaltações grandiloquentes aos excelsos ideais da Humanidade, tem descido aos mais vis es¬tágios da sensualidade desgovernada e criminosa.
Inspirando guerras de religião, como devotamento a Deus, ou levantando nações contra agressores infelizes, sua mensa¬gem tem transitado das explosões bárbaras às culminâncias da santificação.
Para uns significa o alvo legítimo das nobres emoções do sentimento elevado; para outros, é impulso grotesco da carne, em conúbio com a ambição desatrelada e a posse insaciada.
Empédocles, por exemplo, motivado pela vitalidade pode¬rosa do amor, definiu-o como a "força que preside à ordem no mundo", incidindo, sem dúvida, no conceito de que a Divinda¬de é amor, enquanto a Criação resulta de um ato de amor.
Já Heráclito, desapercebido da transcendência do amor, informava que o amor tem como estímulo os contrastes, sem mais significativas consequências.
Sócrates, na sua doutrina Maiêutica, distinguia-o pela fei¬ção divina — aquela que reúne tudo e todos — e pela expres¬são vulgar — como corrupção, aquela que abastarda os ho¬mens e os vence inexoravelmente.
A doutrina hedonista, de Epicuro, não conseguiu situá-lo além das exigências de natureza fisiológica e sensual, anima-lizando-o apenas.
Zenão tornou-o pelo ideal de beleza, que engendra a for¬ça estoica da libertação dos sentidos mais grosseiros, elevan¬do o ser.
Plutarco descobriu-lhe as exteriorizações em forma de paixão arrastadora como de fervor enobrecido.
Os modernos pensadores das linhas utilitaristas, os sen¬sualistas e existencialistas reduzem-no ao apetite sexual, des¬concertando o equilíbrio dos centros genésicos, e, estimula¬dos pela ideia da libido freudiana, não fazem honesta distinção entre o fator eminentemente reprodutor no uso do sexo e a perversão do abuso, no prazer anestesiante das imposições glandulares.
Os santos, os heróis da abnegação, os apóstolos da Ciên¬cia, da Arte, do Humanismo e da Fé, no entanto, nele encontra¬ram sempre o élan de enobrecimento e a força superior que os sustentaram nas ingentes batalhas que empreenderam pela beleza, pela vida, pelo progresso, pelo engrandecimento dos homens.
Jesus exalçou-o à maior culminância, lecionando-o pela vivência e assim reformulando os ideais e os conceitos éticos até então vigentes, conclamando a que todos se amassem, mesmo em relação com os inimigos e verdugos, por serem exatamente esses os mais carecentes da força persuasiva e poderosa do amor.
Com a dinâmica do amor, Ele revitalizou as esperanças humanas e inaugurou um reino ideal de paz e fraternidade que, lentamente, vem dominando a Terra, fazendo desde ago¬ra antever-se a possibilidade de felizes e prósperos dias para todas as criaturas do futuro.
O amor, sem dúvida, é hálito divino fecundando a vida, pois que, sem o amor, a Criação não existiria.
Nos vórtices centrais do Universo o amor tem caráter pre¬ponderante como força de atração, coesão e repulsão que mantém o equilíbrio geral.

Desenvolvimento

Um estudo filosófico do amor apresenta-o sob dois aspectos a considerar: o que procede das tendências eletivas e o das inclinações domésticas. No primeiro grupo estão as expressões do ideal ou manifestações platônicas, o que dimana da razão, o sensual, o fisiológico... E no outro, os da consanguinidade, tais: o amor familial, o conjugal...
O amor por eleição procede das fontes íntimas do sentimento e se expressa na oscilação variável dos impulsos imediatos, desde a brutalidade, em que se exterioriza, animalizado, até às excelentes manifestações do fervor estético e estésico, em que se sublima, nas culminâncias da santidade.
Desse modo, mesmo quando enlouquecido, enseja experiência de aprimoramento, transitando do campo das formas para as rutilâncias da renunciação.
Assim, o egoísmo, que se traduz como amor ao próprio eu, é enfermidade de largo porte, em cujo campo medram problemas e desaires de complexidades diversas.
A ambição resulta do desconcerto do amor, que desvaira.
A calúnia traduz a loucura do amor.
A renúncia representa a sublimação do amor.
A fraternidade exterioriza o amor que se espraia.
A autodoação manifesta o amor que encontrou Deus e se oferece ao próximo.
Há sempre lugar e oportunidade para o elevado exercício do amor. Inserto no espírito por herança divina, revela-se a princípio como posse que retém, desejo que domina, neces¬sidade que se impõe, a fim de agigantar-se, logo depois, em libertação do ser amado, compreensão ampliada, abnegação feliz, tudo fazendo por quem ama, sem imediatismo, nem tor¬mento, nem precipitação. Sabe esperar, consegue ceder, lobri¬ga entender sempre e sempre desculpar.
O amor é tudo. Resume-se em amar.
O trânsito das exteriorizações em que se expressa é caminho para as suas próprias culminâncias.

Jesus e Amor

Quantos precederam Jesus na condição de seus embaixadores, compreenderam-lhe o impositivo e alguns tentaram vivê-lo. Muitos que vieram depois, sob sua inspiração, conseguiram exemplificá-lo. Foi, porém, Ele quem o atingiu na mais pura exteriorização, fazendo de todas as suas horas, palavras, pensamentos e ações, atos de amor.
Grassando a hediondez da brutalidade, a se traduzir pela violência da força e mediante a vilania da corrupção, a vida de Jesus é uma resposta aos vencedores—vencidos em si mesmos, mantendo inalterada serenidade, com absoluto desinteresse pelas ilusões da transitoriedade física, de tal modo característica e real que reformulou o código vigente e reestruturou o pensamento dos dias porvindouros.
Amou os não amados sem se preocupar com os perseguidores dos fracos, fracos que também são em si mesmos.

Amou os vencidos sem recear os seus escravizadores, a seu turno escravos de outros senhores, que podem ser: paixões, posições ou engodos.
E quando instalou o primado do amor na Terra, deixou-se crucificar para adubar o solo das almas com o seu sacrifício, como a dizer que no amor se encontram o princípio e o fim de tudo e de todas as criaturas.

Estudo e meditação

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: "Amai-vos uns aos outros como irmãos."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. Questão 886.)

O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último, tendes, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. É fato, que já haveis podido comprovar muitas vezes, este: o homem, por mais abjeto, vil e criminoso, que seja, vota a um ente ou a um objeto qualquer viva e ardente afeição, à prova de tudo quanto tendesse a diminuí-la e que alcança, não raro, sublimes proporções.
(O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec. Cap. XI, item 9.)

24 - RESPEITO À VIDA - Oferenda

O respeito à vida se fundamenta na lei natural, a lei de amor.

Em todo lugar onde vige a vida do homem, cumpre o dever de respeitá-la, preservando-a.

Não somente consideração pela sua existência, como esforço bem dirigido por sustentá-la.

Respeito à natureza, aos minerais, aos vegetais, aos animais, ao homem...

A criança, que se acerca de ti, impõe-te o respeito que merece o futuro, nela em gérmen.

0 azedume, a rispidez, a impiedade, a dureza com que a receberes, dela farão o cidadão desventurado, que a intemperança moldou.

Ninguém tem o direito de espezinhar um ser em formação, sem incorrer no grave delito - que a Lei anota - de perturbar- lhe a marcha...

O jovem, que procura o teu apoio, é digno de respeito, porque em trânsito orgânico e psíquico, nele se insculpem os comportamentos que mais o atinjam.

As expressões da agressividade com que seja tratado, despertarão nele o réprobo que dorme e poderia ser vencido, fossem outras as atitudes com que o recebessem...

O adulto necessita de respeito.

O hábito de pensar e falar mal do próximo facilita a deteriorização do conceito em torno das criaturas, facilitando o descrédito e a desconsideração pelos outros.

Ninguém tem o direito de medir o comportamento de outrem pelas suas reações, nem julgar com os dados que se atribui possuir.

Aquele que parece censurável está sob injunções que pedem ajuda e caridade, não reprimenda e desrespeito.

O respeito à pessoa humana é impositivo cristão, dever que toda criatura é convidada a sustentar no relacionamento social.

Alguém em ignorância espera a claridade do conhecimento; em doença, a dádiva do medicamento; em abandono, o contributo da solidariedade; em qualquer circunstância, a competente ajuda.

Ajuda sempre!

O ancião, em combalimento, tem necessidade do respeito pela existência vencida a duras penas e do apoio que as fracas forças esperam da juventude e da madureza dos homens...

Respeito sempre!

Coloca-te na situação do outro; procura pensar como o outro; compenetra-te da posição do outro e compreenderás a alta significação do que é o respeito que gostarias de receber, como desejarias ser tratado.

Faze, então, conforme pretendes que façam contigo.

Jesus atendeu a uma mulher aturdida, sem sindicar-lhe o passado, nem examinar-lhe o presente; abençoou as criancinhas, sem selecioná-las por casta ou posição social; recebeu os enfermos do caminho sem inquiri-los quanto às causas das
suas mazelas; ouviu o ladrão na cruz sem interrogá-lo quanto aos motivos que o tornaram delinquente...

A todos ajudou, amoroso, valorizando e socorrendo cada um com profundo respeito pela vida, respeito pela criatura.

Joanna de Ângelis

24 - EXTREMOS DE AMOR - Oferenda

Exaltando o berço de palha humilde não esqueçamos a glória estelar da crucificação.

O Natal é uma perene promessa, mas a Glória é uma grave advertência.

Na manjedoura inicia-se o messianato sublime, mas no acume do "morro da Caveira" desdobra-se a tragédia que Ele soube transformar em estrada venturosa para os que desejem segui-lO.

Na mansarda singela aparece aos homens; da cruz extenuante marcha para Deus.

A estrebaria é o nadir da humildade e a cruz é o zênite do sacrifício.

Transitando entre um e outro extremo de amor, toda uma via de abnegação.

Sua vida são os Seus feitos, Seu pensamento os Seus conceitos de luz.

Com um grão de mostarda, Ele compôs uma balada sobre a fé; com o feixe de varas, lecionou um tratado sobre a filosofia, a força da solidariedade e da união; utilizando-se de redes, propôs um poema à abundância junto ao mar; com grãos de trigo e com ramos de joio, entreteceu uma coroa de sabedoria com que nos adverte sobre a perseverança e os cuidados em torno da gleba a joeirar.

Uma dracma perdida na Sua voz é uma canção de esperança, quando encontrada por quem a busca; com incisão conclama à decisão entre Deus e Mamon; na severidade contra a hipocrisia, modulou uma patética sobre os túmulos caiados por fora, guardando podridão na intimidade.

E soube ativar a vida através da rearticulação de membros hirtos, de ouvidos moucos, de olhos apagados, de língua sem movimentação, através de uma sonata por meio da qual a Sua palavra se transformava em vida ante os que jaziam na limitação e na dor.

Senhor dos Espíritos, jamais se utilizou da potência de que era investido para os azorragar. Entrementes, abriu-lhes a alma com misericórdia, encaminhando-os ao Pai em nome de quem falava na jornada messiânica da Terra.

Seus amigos eram discípulos dúbios uns, débeis outros, fiéis alguns. Todos, porém, fascinados pela Sua pujante presença, pela Sua transparente bondade.

Jesus é um poema da vida, uma canção de amor. É a maior história dentro da História da Humanidade, que a ultrapassa.

*

Uma gruta e um céu descampado são os dois pontos culminantes de uma vida que não começou no berço nem se esvaiu numa cruz.

Por isso, diante dEle, todos nos sentimos fremir, tocados pela Sua magnânima presença que venceu os séculos de desolação, de dor, de crime, de hediondez, em que se tentou ocultá-L0 entre mentiras, fantasias e corrupções.

Ressurgindo desses escombros morais, Ele sempre saiu ileso qual o sol, Sol Divino que é, clarificando cada madrugada, após a mentirosa vitória da noite em triunfo efêmero.

Joanna de Ângelis

A FÉ E O AMOR

A FÉ E O AMOR

"Uma mulher que havia doze anos padecia de uma hemorragia e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos e gastado tudo o que possuía, sem nada aproveitar, antes ficando cada vez pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus veio por detrás entre a multidão e tocou-lhe a capa; porque dizia: se eu tocar somente as suas vestes, ficarei curada. E no mesmo instante cessou sua hemorragia, e sentiu no seu corpo que estava curada do seu flagelo.
"E Jesus disse-lhe: Filha, a tua fé te curou; vai-te em paz, e fica livre de teu mal".
(Marcos, V. 25-34.)


Sabedoria e santidade são os dois atributos para a aquisição da felicidade.

A luz dá sabedoria, a religião dá santidade, mas só o amor resume toda a lei e a profecia.

A esperança consola e anima; a caridade robustece e ampara; a fé salva; o amor anima todas estas virtudes; o amor é a lei.

Os homens titubeiam; a Humanidade degrada; tudo parece perdido como a nau batida pela tempestade! Eis que aparece o amor e faz ouvir sua voz convincente: tudo se acalma!

A bonança sucede à impetuosidade dos ventos e à fúria dos mares! A luz sucede às trevas como o dia sucede à noite!

Não há o que melhor manifeste a lei de Deus do que o amor. Seu nome, escrito unicamente com quatro letras, indica os quatro pontos cardeais da felicidade espiritual; suas letras são luzes; sua luz brilha mais e aquece melhor que o Sol!

A esperança está ligada à imortalidade, mas a fé é inseparável do amor.

A mulher enferma, cheia de fé, aproxima-se do Senhor, toca-lhe as vestes. "Assim fazendo, pensou: Ficarei curada do mal que há muitos anos me aflige". E o milagre efetuou-se!

Assim também sucederá a todos aqueles que tiverem fé e de Jesus se aproximarem: "O que me seguir não verá trevas".

Todos os que tiverem fé, e com fé buscarem vencer as dificuldades, triunfarão porque o amor coopera com a fé para abater barreiras, destruir domínios, aniquilar empecilhos e suprimir dificuldades.

"Se tiveres fé, disse Jesus, dirás a este monte: Passa-te para lá e ele passará".

"Se tiveres fé, dirás a esta figueira: Transplanta-te para além, e assim acontecerá".

A missão exclusiva de Jesus foi reviver os corações na fé, para que as almas cheguem às alturas do amor de Deus.

Em todas as suas excursões, o Mestre semeava fé, para que as gentes, com o seu produto, granjeassem os tesouros do amor.

É assim que, cultivando seus ensinos, nós alçaremos os mundos de luz que se movimentam no éter acionados pela vontade de Deus.

A luz dá sabedoria e salva; Jesus é o caminho, a verdade e a vida; o amor é a lei.

CAIRBAR SCHUTEL

LEMBRETE: O amor, como comumente se entende na Terra, é um sentimento, um impulso do ser, que o leva para outro ser com o desejo de unir-se a ele. Mas, na realidade, o amor reveste formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes. Princípio da vida universal, proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras, a intensidade ligada ao Poder Divino, foco ardente de toda a vida, de todo o amor. O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe.

Amor é o princípio que emana de Deus, a causa da vida, inspira a gratidão e o reconhecimento ao Criador, espraiando-se por todas as coisas, pela criação inteira, sob múltiplas formas. Amar ao próximo é uma consequência do amor a Deus. Toda a Doutrina ensinada pelo Cristo resume-se no Amor, a Lei Divina que abrange todas as outras.

1° - O maior sustentáculo das criaturas é justamente o amor. Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados da colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre do amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Emmanuel

2° - O amor é o laço de luz eterna que une todos os mundos e todos os seres da imensidade; sem ele, própria Criação Infinita não teria razão de ser, porque Deus é a sua expressão suprema... Irmão X

3° - O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo, com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para vida suprema. Irmão X

Edivaldo