ANIMISMO
BIBLIOGRAFIA
01- A ALMA É IMORTAL, pag. 136, 147, 256 02 - A EVOLUÇAO ANIMICA, pag. toda a obra
03 - A MISSÃO DE ALLAN KARDEC, pag. 142 04 - A REENCARNAÇÃO, pag. 36, 192
05 - ALQUIMIA DA MENTE, pag. 194, 225 06 - ANÁLISE DAS COISAS, pag. 49
07 - ANIMISMO E ESPIRITISMO - VOL. I, pag. 24, 226 08 - ANTOLOGIA DO PERISPÍRITO, pag. 544
09 - AS POTÊNCIAS OCULTAS DO HOMEM, pag. 391 10 - CADERNOS DOUTRINÁRIOS, pag. 69
11 - CAMINHO VERDADE E VIDA, 335 12 - CELEIRO DE BENÇÃOS, pag. 26

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

ANIMISMO – COMPILAÇÃO

01 - ANIMISMO

O termo "animismo" aparenta ter sido desenvolvido inicialmente pelo cientista alemão Georg Ernst Stahl, por volta de 1720, para se referir ao "conceito de que a vida animal é produzida por uma alma imaterial"1 . Uma das redefinições mais famosas do termo foi feita pelo antropólogo inglês Sir Edward B. Tylor, em 1871, na obra Primitive Culture (A Cultura Primitiva) .

Pelo termo Animismo, Tylor designou a manifestação religiosa imanente a todos os elementos do Cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, fungos, vegetais) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite); é um princípio vital e pessoal, chamado de ânima, o qual apresenta significados variados:
cosmocêntrica significa energia;
antropocêntrica significa espírito;
teocêntrica significa alma;

Consequentemente, todos esses elementos são passíveis de possuirem: sentimentos, emoções, vontades ou desejos e até mesmo inteligência. Resumidamente, os cultos animistas alegam que: "Todas as coisas são vivas", "Todas as coisas são conscientes", ou "Todas as coisas têm ânima".

O Animismo possui três simples regras:
Tudo no Cosmo tem ânima;
Todo o ânima é transferível;
Tudo ou todo que transfere ânima não perde a totalidade de seu ânima, mas quem ou que o recebe perde parte ou a totalidade de seu ânima, o qual será tomado pelo ânima doador.

A partir da década de 1950, o termo deixa de ser utilizado pela Antropologia por ser considerado muito genérico, uma vez que se aceita que elementos animistas estão presentes em quase todas as religiões.

Atualmente, discute-se quais foram historicamente os primeiros cultos que deram origem a todas as religiões e a todos os deuses. Alguns historiadores e cientistas defendem a tese de que foram os mitos politeístas, enquanto outros afirmam que foram os cultos animistas.

Na literatura espírita, o termo animismo é usado para designar um tipo de fenômeno produzido pelo próprio espírito encarnado, sem que este seja um instrumento mediúnico da ação espiritual e sim o artífice dos fenômenos em questão. De forma mais específica, outros autores, a citar Therezinha Oliveira, costumam utilizar-se desta nomeação para designar o fenômeno em que o médium revive suas próprias recordações do pretérito, expressando-as muitas vezes nas próprias reuniões mediúnicas. Por ser ele o autor das palavras ditas, este fenômeno anímico muitas vezes é mal visto devido à possibilidade de mistificação e pela ausência do espírito comunicante, não sendo, desta forma, um fenômeno mediúnico.

Para melhor entendimento desse fenômeno, podem-se usar as denominações utilizadas pelo estudioso espírita Hermínio Miranda, quais sejam, a de chamarmos o espírito, que, segundo o Espiritismo, em sua existência infinita, tem um número incontável de experiências na matéria, de individualidade, enquanto cada uma das existências do mesmo é uma personalidade.

Dessa forma, admitida a pluralidade das existências, conclui-se que a individualidade deve possuir um conhecimento imensamente superior ao de cada uma de suas personalidades, pois soma ao conhecimento da atual personalidade tudo o que aproveitou das que representou nas existências pregressas. Todavia, estas palavras não devem ser interpretadas como sendo uma personalidade isolada, diversa em cada existência física. O espírito é artífice de si mesmo, e progride continuamente, a partir das experiências encarnatórias, apresentando uma ascensão moral e intelectual contínua que soma-se a cada encarnação.

Desse modo, na manifestação anímica, o médium pode expressar muitos conhecimentos que ele, enquanto encarnado, não possui. Daí decorre, muitas vezes, que não há como se saber se uma manifestação é anímica ou realmente mediúnica, ocorrendo esta última tão somente quando o espírito que se comunica não é o que está encarnado, ou seja, não é o médium, e sim uma individualidade desencarnada, um espírito. Os fenômenos espíritas (produzidos por um espírito) podem ser divididos em dois grupos: os fenômenos anímicos (quando é produzido pelo encarnado, com suas próprias faculdades espirituais, sem o uso dos sentidos físicos, graças à expansão de seu perispírito; os fenômenos mediúnicos, produzidos por um espírito por intermédio do médium. Ainda segundo Therezinha de Oliveira, quanto maior o grau de expansão do perispírito, mais expressivo poderá ser o fenômeno anímico, pois o encarnado poderá desfrutar mais de maior liberdade em relação ao corpo, passando a atuar mais como um espírito liberto.

Entretanto, mostra-se difícil separar o fenômeno anímico do mediúnico, pois: 1 - São as próprias capacidades anímicas dos médiuns que os fazem instrumentos para a atuação dos espíritos; 2 - Nem sempre podemos definir, com precisão, se o fenômeno está ou não sendo provocado ou coadjuvado por espíritos. Na grande maioria das vezes, o que ocorre é um estado intermediário com maior ou menor participação do espírito encarnado no médium em relação ao espírito desencarnado que por ele se expressa.

02 - ANIMISMO

Animismo
Martins Peralva

Revestem-se de profunda sabedoria e oportunidade as palavras do Assistente Àulus, no capitulo «Emersão do passado», quando afirma que muitos espíritos «vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem».

Efetivamente essa é a verdade.

Muitos companheiros se mostram incapazes de remover os obstáculos criados pelo animismo, destruindo, assim, magnífica oportunidade de ajudarem elementos que, buscando os centros espíritas nessas condições, poderiam, posteriormente, contribuir em favor dos necessitados.

Que é Animismo?

Essa pergunta deve ser colocada em primeiro plano, no presente capítulo, como ponto de partida para as nossas singelas considerações.

Animismo é o fenômeno pelo qual a pessoa arroja ao passado os próprios sentimentos, «de onde recolhe as impressões de que se vê possuída».

A cristalização da nossa mente, hoje, em determinadas situações, pode motivar, no futuro, a manifestação de fenômenos anímicos, do mesmo modo que tal cristalização ou fixação, se realizada no passado, se exterioriza no presente.

A lei é sempre a mesma, agora e em qualquer tempo ou lugar.

Muitas vezes, portanto, aquilo que se assemelha a um transe mediúnico, com todas as aparências de que há a interferência de um Espírito, nada mais é do que o médium, naturalmente o médium desajustado, revivendo cenas e acontecimentos recolhidos do seu próprio mundo subconsciencial, fenômeno esse motivado pelo contato magnético, pela aproximação de entidades que lhe partilharam as remotas experiências.

No fenômeno anímico o médium se expressa como se ali estivesse, realmente, um Espírito a se comunicar.

O médium nessas condições deve ser tratado «com a mesma atenção que ministramos aos sofredores que se comunicam» .

Por isso, a direção de trabalhos mediúnicos pede, sem nenhuma dúvida, muito amor, compreensão e paciência - virtudes que, somadas, dão como resultado aquilo que os instrutores classificam como «TATO FRATERNO», a fim de que não sejam prejudicados os que em tais condições se encontram.

Se o dirigente de sessões mediúnicas não é portador de sincera bondade, acreditamos que pouco ou nenhum benefício receberá o médium no agrupamento.

O médium inclinado ao animismo é um vaso defeituoso, que «pode ser consertado e restituído ao serviço», pela compreensão do dirigente, ou destruído, pela sua incompreensão.

Reajustado, pacientemente, com os recursos da caridade evangélica, pode transformar-se em valioso companheiro.

Incompreendido, pode ser vitimado pela obsessão.

Nos fenômenos psíquicos, comuns nos agrupamentos mediúnicos, há, por conseguinte, de se fazer a seguinte distinção:

Fatos anímicos
Fatos espiríticos
Fatos anímicos são, como já acentuamos, aqueles em que o médium, sem nenhuma idéia preconcebida de mistificação, recolhe impressões do pretérito e as transmite, como se por ele um Espírito estivesse comunicando.

Fatos espiríticos ou mediúnicos, propriamente ditos, são aqueles em que o médium é, apenas, um veículo a receber e transmitir as idéias dos Espíritos desencarnados ou. ... encarnados.

O estudo e a observação ajudam-nos a fazer tal distinção.

Uma pessoa encarnada também pode determinar uma comunicação mediúnica, isto é, fazer que o sensitivo lhe assimile as ondas mentais e as reproduza pela escrita ou pela palavra.

Em face da lei de sintonia, pessoas adormecidas igualmente podem provocar comunicações mediúnicas, uma vez que, enquanto dormimos, nosso Espírito se afasta do corpo e age sobre terceiros, segundo os nossos sentimentos, desejos e preferências.

Voltemos, porém, às considerações em torno da necessidade de os dirigentes e colaboradores do setor mediúnico se munirem de recursos evangélicos, a fim de que as tarefas assistenciais, a seu cargo, apresentem aquele sentido edificante e construtivo que é de se almejar nas atividades espiritistas cristãs.

Vejamos a conclusão de André Luiz, ante as ponderações de Àulus e o exame do caso da senhora objeto da assistência do grupo do irmão Raul Silva:

«Mediúnicamente falando, vemos aqui um processo de autêntico animismo. Nossa amiga supõe encarnar uma personalidade diferente, quando apenas exterioriza o mundo de si mesma.»

A fixação mental - assunto abordado no capitulo próprio, neste livro - provoca o animismo.

Imaginemos, agora, o que pode ocorrer se uma criatura em tais condições busca um núcleo mediúnico onde apenas funciona o intelectualismo pretensioso, seguido da doutrinação periférica, sem o menor sentido de fraternidade!

Ao invés de compreensão, tal criatura encontrará, sem dúvida, a ironia e a má vontade, acompanhadas, via de regra, do comentário maledicente.

Ao invés de companheiros interessados no seu reajustamento, encontrará verdugos fantasiados de doutrinadores.

Ao invés do socorro que se faz indispensável, ver-se-á defrontada, impiedosamente, por companheiros, às vezes até bem intencionados, que, em nome da «verdade», ou melhor, das «suas verdades», não lhe compreenderão o aflitivo problema.

Ouçamos o Assistente Àulus:

«Por isso, nessas circunstâncias, é preciso armar o coração de amor, a fim de que possamos auxiliar e compreender. Um doutrinador cem TATO FRATERNO apenas lhe agravaria o problema, porque, a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno, ao invés de socorro providencial. Primeiro é preciso remover o mal, para depois fortificar a vitima na sua própria defesa.»

O doutrinador usará sempre do carinho fraterno, fazendo que as suas palavras, dirigidas ao espírito do próprio médium, levem o melhor que a sua alma prosa oferecer.

A consolação e a prece, seguidas do esclarecimento edificante, são os recursos aplicáveis ao caso.

Recorramos ao livro «Nos Domínios da Mediunidade», reproduzindo-lhe alguns tópicos relativos ao assunto:

«Solucionados diversos problemas alusivos ao programa da noite, eis que uma das senhoras enfermas cai em pranto convulsivo, exclamando:

- Quem me socorre? quem me socorre ?!...

E comprimindo o peito com as mãos, acrescentava em tom comovedor:

- Covarde? porque apunhalar, assim, uma indefesa mulher? serei totalmente culpada? meu sangue condenará o seu nome infeliz...»

Lembremos que André Luiz e Hilário, em companhia do assistente Àulus, visitam o grupo dirigido pelo irmão Raul Silva, e que a cena acima descrita aparece no capitulo «Emersão do passado».

Notemos que todos os indícios revelam, à primeira vista, as características de uma comunicação mediúnica; Contudo, estamos apenas diante de um autêntico fenômeno de animismo.

A senhora enferma, com a mente cristalizada no pretérito, identifica-se com cenas desagradáveis, às quais está diretamente ligada.

«Ante a aproximação de antigo desafeto, que ainda a persegue de nosso plano, revive a experiência dolorosa que lhe ocorreu, em cidade do Velho Mundo, no século passado.»

É ainda Àulus quem explica:

«Sem dúvida, em tais momentos, é alguém que volta do pretérito a comunicar-se com o presente, porque, ao influxo das recordações penosas de que se vê assaltada, centraliza todos os seus recursos mnemônicos tão somente no ponto nevrálgico em que viciou o pensamento. Para o psiquiatra comum é apenas uma candidata à insulinoterapia ou ao eletrochoque; entretanto, para nós, é uma enferma espiritual, uma consciência torturada, exigindo AMPARO MORAL E CULTURAL para a renovação intima, única base sólida que lhe assegurará o reajustamento definitivo.»

Esse amparo moral, a que alude o Assistente, podemos defini-lo como paciência, carinho e consolo.

O cultural ser-lhe-á ministrado pelo estudo evangélico e doutrinário que, além do esclarecimento, operar-lhe-á a modificação dos centros mentais, reajustando-lhe a mente.

E, concluindo, é oportuno perguntemos :

Podem os serviços mediúnicos prescindir do Evangelho e da Doutrina?

A resposta cada um a encontrará na própria consciência...

(Retirado de "Estudando a Mediunidade" - FEB)

03 - ANIMISMO

“ENTRE OS BAKONGOS”

Tenho lido muitos artigos de estudos missiológicos e de religiões sobre animismo. Falando mais no campo missiológico, o animismo é classificado como a sexta religião presente e crescente (2,88% da população), o que leva os missiólogos a classificá-la como religião menor.

Os mesmos estudos indicam que essa religião, aparentemente menor no contexto mundial, acaba sendo a terceira religião da África, praticada por 20% da população do continente.

Não quero afirmar categoricamente que estas estatísticas estão corretas, devido até às dificuldades de se fazer um senso exato das religiões hoje, em razão do crescimento e dificuldades geopolíticas mundiais, em particular, da África.

Meu artigo não visa a abranger a África toda. Se esta fosse a idéia, faria mais no contexto da cultura bauto, que eu conheço e estudo.

Vou limitar-me a falar do animismo na cultura dos bakongos, isto é, os povos do norte de Angola, Brazavile, e República do Congo (ex-Zaire).

Apesar de ser angolano de naturalidade e nacionalidade, sou Kikongo, no contexto de tribo e língua.

Tenho considerado grosseria missionários que ficam 3, 4, 5, ou até 15 anos em uma região da África, escreverem uma matéria baseada naquele contexto e a reputa como realidade africana. Peço perdão a esses missionários e que respeitem mais a África. A África é um continente de 47 países e milênios de história.

Vamos ao assunto e deixemos estas polêmicas para outro momento.

I – O animismo entre os Bakongos se confunde com a pessoa de Deus

Existe uma característica comum entre os Bakongos, que os leva a uma prática animista. É o conflito da alma e do divino. Acredita-se que a alma é pecadora até a morte. Depois da morte toda alma é pura e se torna intercessora dos parentes em vida, ganhando então o conceito divino.

Há crença tradicional que tenta apontar para o seguinte: que a alma de quem morre se ajunta aos ancestrais no céu, atuando ao mesmo tempo na região da origem da tribo. Ao mesmo tempo, tais ancestrais se tornam objetos de preces e invocações para ajudarem na saúde, economia, governo. São-lhes atribuídos poderes de promover a vida ou a morte.

A partir daí surge o conceito religioso que me leva a acreditar na existência do animismo e fazer a afirmação do primeiro subtítulo.

II – As fontes da divulgação do animismo entre os bakongos

1 A fonte oral e religiosa

São contos orais recheados de testemunhos passados de geração a geração, sobre acontecimentos bons ou ruins, que se deram na tribo, clã, ou certa região, com a intervenção de espíritos. Tal conto vira crença religiosa, ganha símbolos, gestos e ocupa espaço no tempo para sacríficio.

2 A fonte mística

Sabemos que em toda a cultura semítica, até mesmo no Ocidente, os sonhos têm um peso psicológico e religioso muito forte.

Entre os bakongos, sonhos de idoso ou “ancião” e de juvenis têm uma consideração profética, como meio pelo qual Deus e os Espíritos se comunicam com os vivos. O ancião não é só respeitado, mas também em certas situações, reverenciado, principalmente quando é chefe de clã ou um orador pacifista. Juvenis são considerados puros, sem malícia.

Para além dos sonhos, são considerados também fenômenos de aparições espirituais, que na maioria se dão com mulheres e lavradores.

3 – A fonte psicológica “medo”

Por nascer numa família cristã, ofereceu-me o conhecimento da cultura e a base do argumento de atribuir ao medo outra fonte de difusão do ANIMISMO na cultura Africana “BAKONGOS”. É o medo que leva a apontar lugares com assombrações ou com manifestações de fantasmas. Quando isso acontece, os animistas vão oferecer sacrifícios orientados por seus líderes, ou invocam tal espírito para se manifestar através de médium, para informação do que querem. Assim surgem preceitos animistas que suscitam grandes oposições entre cristãos, animistas e muitas vezes intelectuais que não acreditam nestas coisas, e essa situação gera confrontos espirituais terríveis.

III – Lugares e objetos venerados

Esta fonte tem três vertentes na cultura dos KIKONGOS, por ser uma cultura oral e conseqüentemente cheia de segredos.

PRIMEIRO: Existem (lugares como) árvores, por exemplo: os anciãos não deixam contar, não por crença espiritual. Às vezes são lugares onde eles se encontram para conversar assim como as praças e clubes do Ocidente.

SEGUNDO: Pode ser aquela árvore uma divisão territorial de fazenda, ou aldeias de clãs, que fizeram aliança e começaram morar juntos. Tem mais uma conotação de “documento”.

TERCEIRO: Pode representar um túmulo de um personagem, ou ali se esconderam coisas de um partido político, armamento, farda, bijuterias, por falta de Banco em determinados lugares.

Acontece que o jovem, africano para ter acesso a essas informações, precisa idade; a posição da tribo etc.

Logo, o que é difundido para a juventude ou o estrangeiro é : aquele lugar ou tal objeto é sagrado. Com o passar de alguns anos, cria-se aquele enigma que ninguém desvenda, e aquilo vira santuário.

Posso concluir parcialmente este artigo afirmando que ética e o catecismo animista consistem na força do obscurantismo espiritual que forma um sistema de terror psicológico espiritual, que abre portas para uma atuação de Satanás na vida dos homens em todas as esferas. Tenho-me apercebido de muitas crenças brasileiras no espiritismo ou baixo- espiritismo. Para mim tudo é do diabo. No Brasil nada mais é senão fruto de lendas animistas já desvendadas na África, que deixaram de ser objetos de holocausto e adoração. Com isso concluímos: O medo é a fé do diabo; o obscurantismo é o seu catecismo, e a mentira é a sua cruz.

A saída é: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (Jo 8,32).

04 - ANIMISMO

“Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhe congelarem preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras “mistificação inconsciente ou subconsciente” para batizar o fenômeno. - “Nos Domínios da Mediunidade” – capítulo 22, Emersão do Passado – André Luiz/ Francisco Cândido Xavier

O tema animismo continua sendo alvo de muitas incompreensões e, como assevera André Luiz no trecho acima, converte-se em um impedimento determinante na caminhada de aprendizado de inúmeros médiuns.

Quantos foram os trabalhadores que abandonaram os serviços da mediunidade por conta da velha pergunta: será que isso é meu ou dos espíritos?

Sem resposta que ofereça segurança, muitos deixaram a tarefa alegando desconforto com suas produções. Alguns porque achavam que eram criações de sua inteligência, outros porque gostariam de uma autenticidade a toda prova naquilo que produzem, embasados em um conceito de que mediunidade legítima é aquela em que se é mensageiro daquilo que não é do conhecimento do médium.
Emmanuell, o benfeitor espiritual, no livro “Seara dos Médiuns”, capítulo Tua Parte, através de Francisco Cândido Xavier, diz: “Toda produção medianímica é a soma do mensageiro espiritual com o médium e as influências do meio.”

Usando a idéia de Emmanuell, temos assim uma equação que pode ser descrita dessa forma: PM= M+M+M
Considerando isso, temos a produção mediúnica assim dividida: 1/3 dos espíritos (mensageiro espiritual), 1/3 sob ação da influência do meio (especialmente a equipe mediúnica) e 1/3 sob total responsabilidade do médium.

Façamos uma escala (HIPÓTETICA) e não estaremos fugindo muito da realidade em afirmar que um médium quando muito bom (talvez seja o caso de Chico Xavier) 70% da produção é originalmente dos espíritos e 30% dele. Para nós, a maioria dos médiuns essa escala seria exatamente oposta, isto é, 70% nosso e 30% dos espíritos. Ainda assim, a escala vai aumentando o potencial anímico e diminuindo o potencial mediúnico, dependendo das condições do médium.

Por exemplo, um médium que não se aplique ao estudo, ao esforço de reeducar suas qualidades morais na conduta e que não investe em seu autoconhecimento, certamente a escala caminha para algo como 90% de animismo e 10% produção mediúnica ou até mesmo 100% de animismo. Embora seja necessário pontuar que filtragem mediúnica não depende de desenvolvimento moral. O mesmo não se da em relação aos seus frutos. Essa idéia é muito clara em O Livro dos Médiuns, questão 226, assim descrita:

1ª O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?
“Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium.”

Não é por outra razão que podemos ter fenômenos muito autênticos, de maneira esporádica, em médiuns que não se ocupem com seu crescimento, conquanto tais situações tendam a desaparecer ou mesmo descrescer na medida em que esses médiuns negligenciem sua educação interior.

Quem lê minhas anotações pode se assustar, mas mediunidade é assim mesmo. Não existe produção mediúnica sem animismo. O importante é que nós médiuns estejamos empenhados na nossa melhora moral e intelectual, para que a nossa parcela anímica contribua o mais próximo possível daquilo que os amigos espirituais esperam de nós. A isso chamamos de animismo construtivo, aquele que integra naturalmente o exercício da faculdade mediúnica. Ainda que interfira na forma, não adultera a idéia que origina do mundo espiritual. A embalagem pode mudar sem alterar a essência.

É muito importante que o médium aprenda como transformar o animismo em um aliado de sua atividade. Deixemos algumas sugestões:

•Que o grupo mediúnico partilhe uma visão sensata sobre como orientar os médiuns durante as reuniões de educação mediúnica, nas quais ele estará se habilitando a lidar de modo responsável, sincero e útil com o seu potencial à luz do Espiritismo e do Evangelho.

•Que o médium invista em seu autoconhecimento, sobretudo, dilatando sua inteligência emocional acerca de seu mundo pessoal, conhecendo melhor seus sentimentos, seus traumas, seus desafios e conquistas interiores.

•Que o médium estude bastante a mediunidade para compreender os mecanismos de produção e requisitos de segurança, para um exercício consciente da mesma.

•Que durante as atividades mediúnicas o médium anule seu senso crítico e se entregue de coração ao trabalho, deixando as análises e críticas para depois e, mesmo assim, que as faça com intuitos de aprimorar e não de se sentir envergonhado ou desanimado.

•Que o médium aprenda a desenvolver um dialogo saudável com os amigos espirituais, usando de toda lealdade com eles quando alguma dúvida surgir. Por exemplo, diga a eles: vocês podem me explicar a mensagem enviada a fulana, pois eu sabia das coisas que foram relatadas no texto? Era assim mesmo ou eu interferi de modo a alterar o que vocês desejavam?

Entretanto, é bom que se diga que tudo que o animismo costuma provocar na vida mental e emocional dos médiuns só se resolve mesmo é com tempo e experiência. É necessária a maturidade das forças mentais para que a bagagem dos anos conceda melhores níveis de aferição, e permita saber como lidar com animismo com sabedoria e elevação.
Por essa e muitas outras razões, você que é médium se entregue ao trabalho, prossiga confiante e o tempo vai lhe responder muitas questões que parecem sem solução. Wanderley O.