AVARENTO
BIBLIOGRAFIA
01- Ceifa de luz - pág. 151 02 - Convites da vida - pág. 44
03 - Correlações espírito-matéria - pág. 27 04 - Dinheiro - pág. 85
05 - Do país da luz - vol 3 pág. 143 06 - O Livro dos Espíritos - q 102, 133,261,399, 901
07 - Parábolas e Ensinos de Jesus- pág. 81 08 - Parábolas evangélicas - pág. 71
09 - Pérolas do além - pág. 30 10 - Poetas redivivos - pág. 146
11 - Reencarnação e vida- pág. 271 12 - Seareiros de volta- pág. 25
13 - Segue-me - pág. 73 14 - Sintese de o novo Testamento - pág. 74
15 - Vinhas de luz - pág. 115

16 - Voltas que a vida dá - pág. 3

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AVARENTO – COMPILAÇÃO

04 - Dinheiro - Emmanuel - pág. 85

15 - Avareza
O avarento dos bens materiais é credor de reprovação, mas o avarento do amor é digno de lástima. O primeirose esconde num poço dourado, o segundo mergulha-se nas sombras do coração.

O sovina da fortuna amoedada retém pedras, metais e papéis de valor convencional, que a vida substitui na provisão de recursos à comunidade, mas o sovina da alma retém a fonte da felicidade e da paz, da esperança e do bom ânimo que constitui alimento indispensável à própria vida.

O primeiro teme gastar bagatelas e arroja-se à enfermidade e à fome. O segundo teme difundir os conhecimentos superiores de que se enriquece e suscita a incompreensão, ao redor dos próprios passos.

O sovina da riqueza física encarcera-se no egoismo. O sovina das bênçãos da alma gera a estagnação onde se encontra, envolvendo-se ele mesmo em nevoeiro perturbador.

Ainda que não possuas dinheiro com que atender às necessidades do próximo, não olvides o tesouro de dons espirituais que o Senhor te situou no cerne da própria alma.

Auxilia sempre.

Mais se faz útil quem mais se dedica aos semelhantes amparando-lhes a vida.

As casas bancárias e as bolsas repletas podem guardar a fria correção dos números sem consciência, mas o coração daquele que ama é sol a benefício das criaturas, convertendo a dificuldade e a dor, a desventura e a escassez em recursos prodigiosos, destinados à humana sustentação.

06 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 102, 133, 261, 399, 901

Perg. 102: Décima classe: Espíritos impuros - são inclinados ao mal e o fazem objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, insuflam a discórdia e a desconfiança e usam todos os disfarces para melhor enganar. Apegam-se às pessoasde caráter bastante fraco para cederem ás suas sugestões, a fim de as levar à perda, satisfeitos de poderem retardar o seu adiantamento, ao fazê-las sucumbir ante as provas que sofrem. Nas manifestações, reconhecem-se esses Espíritos pela linguagem: a trivialidade e a grosseria das expressões, entre os Espíritos como entre os homens, são sempre um índice de inferioridade moral, se não mesmo intelectual.

Perg. 261 - O Espírito, nas provas que deve sofrer para chegar à perfeição, terá de experimentar todos os gêneros de tentações? Deverá passar por todas as circunstâncias que possam provocar-lhe o orgulho, o ciúme, a avareza, a sensualidade, etc.. - Certamente não, pois sabeis que há os que tomam, desde o princípio, um caminho que os afasta de muitas provas. Mas aquele que se deixa levar pelo mau caminho corre todos os perigos do mesmo. Um Espírito pode pedir a riqueza e esta lhe ser dada; então, segundo o seu caráter, poderá tornar-se avarento ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda entregar-se a todos os prazeres da sensualidade. Mas isso não quer dizer que ele devia cair forçosamente em todas essas tendências.

Perg. 399 - Sendo as vicissitudes da vida corpóreaao mesmo tempo uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, da natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se o gênero da existência anterior? - Muito frequentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou. Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências instintivas são um índice mais seguro, porque as provas que um Espírito sofre, tanto se referem ao futuro quanto ao passado.

Perg. 901 - De dois avarentos, o primeiro se priva do necessário e morre de necessidade sobre o seu tesouro; o segundo é avaro só para os demais e pródigo para consigo mesmo; enquanto recua diante do mais ligeiro sacrifício para prestar um serviço ou fazer uma coisa útil, nada lhe parece muito para satisfazer aos seus gostos e às suas paixões. Peçam-lhe um favor, e estará sempre de má vontade, ocorra-lhe, porém, uma fantasia, e estarás sempre pronto a satisfazê-la. Qual deles é o mais culpável e qual terá o pior lugar no mundo dos Espíritos? - Aquele que goza. É mais egoísta do que avarento. O outro já recebeu uma parte de sua punição.

14 - Sintese de o novo Testamento - Mínimus - pág. 74

A avareza - Luc, 12:13 a 21

Disse-lhe um homem do meio da multidão: Mestre, dize a meu irmão que divida comigo a herança. -"Homem - respondeu-lhe Jesus -, quem me constituíu juiz ou partidor entre vós?" - E disse ao povo: - "Acautelai-vos e preservai-vos de toda avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância dos bens que possui" - Em seguida lhes propôs esta Parábola: -"Havia um homem riquíssimo cujas terras produziram abundantes frutos; e que pensava consigo mesmo: que hei de fazer, não tendo onde armazenar os meus frutos? - Disse afinal: farei isto: demolirei os meus celeiros, construirei outros maiores e aí amontoarei toda a minha colheita e os meus bens.

Então direi a minha alma: Alma, tens em depósito grande quantidade de bens para largos anos; repousa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite mesmo virão exigir-te a tua alma, e as coisas que amontoaste para quem serão? - Assim acontece a quem entesoura para si, e não é rico relativamente a Deus".

Parábola do rico e de Lázaro: Luc, 16:19 a 31:

"Havia um homem rico que se vestia de púrpura e finíssimo linho, e se banqueteava magnificamente todos os dias. Um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas, jazia à sua porta, desejoso de saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Morreu o mendigo, e foi transportado pelos anjos ao seio de abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.

No Hades, estando em tormentos, ergueu os olhos e viu ao longe a Abraão, e Lázaro no seu seio. E pôs-se a clamar: Pai Abraão, tem compaixão de mim e manda a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque sofro tormentos nesta chama. Mas Abraão lhe replicou: Meu filho, lembra-te de que recebeste os teus bens durante a vida, e de que Lázaro males padeceu; agora, porém, ele é consolado e tu em tormentos.

Além disto, grande abismo existe entre nós e vós, de modo que os que querem passar, daqui para vós, não podem; como também não se pode passar de lá para cá. -Suplicou o rico: Pai, eu te rogo, então, que o mandes a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, a fim de os avisar e não suceda virem eles também para este lugar de tormento.

Abraão lhe retrucou: Eles tem Moisés e os Profetas; que os ouçam. Não, Pai Abraão - retornou o rico - mas, se algum defunto for ter com eles, hão de arrepender-se. Respondeu-lhe Abraão: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tão pouco acreditarão, ainda que alguém se levantasse dentre os mortos.

15 - Vinhas de luz - Emmanuel - pág. 115

52 - AVAREZA - "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui". (Lucas, 12:15)

Fujamos à retenção de qualquer possibilidade sem espírito de serviço. Avareza não consiste apenas em amealhar o dinheiro nos cofres da mesquinhez. As próprias águas benfeitoras da Natureza, quando encarceradas sem preocupação de benefício, costumam formar zonas infecciosas. Quem vive à cata de compensações, englobando-as ao redor de si, não passa igualmente de avaro infeliz.

Toda avareza é centralização doentia, preparando metas de sofrimento. Não basta saber pedir, nem basta a habilidade e a eficiência em conquistar. É preciso adquirir no clima do Cristo, espalhando os benefícios da posse temporária, para que a própria existência não constitua obstáculo à paz e à alegria dos outros.

Inúmeros homens, atacados pelo vírus da avareza, muito ganharam em fortuna, autoridade e inteligência, mas apenas conseguiram, ao termo da experiência, a perversão dos que mais amavam e o ódio dos que lhes eram vizinhos. Amontoaram vantagens para a própria perda. Arruinaram-se, envenenando, igualmente, os que lhes partilharam as tarefas no mundo.

Recordemos a palavra do Mestre Divino, gravando-a no espírito. A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor.

16 - Voltas que a vida dá - Espíritos diversos - pág. 3

VOLTAS QUE A VIDA DÁ
Meu amigo Ricardo Teixeira de Melo, homem pru­dente e habilidoso, conseguiu à custa de enorme economia juntar fortuna regular. Esforçara-se durante muito tempo no trabalho árduo e a riqueza, coroando-lhe os esforços, o ajudara a estabelecer-se com rendosa indústria manufatureira. Entretanto, apesar de estar financeiramente bem, Ricardo não modificou sua maneira de ser. Habituara-se à poupança e ao controle excessivo dos mil réis sem dar-se conta de que já podia usufruir de maior conforto e menos preocupação com a manutenção de sua família.

E assim, ele vigiava o horário dos empregados, na fábrica, calculando o custo dos minutos perdidos nos atrasos comuns durante o serviço. Em casa, não permitia o menor deslise no orçamento magro, jamais propiciando aos familiares o conforto e as vezes as coisas mais necessárias. Quando a esposa, aborrecida, aludia à sua vantajosa situação financeira, ele dizia:— Você que pensa! Eu é que sei dos compromissos e responsabilidades! Não. Não posso gastar de maneira alguma. E a mulher tristemente remendava ao máximo as roupas da família e fazia tremenda ginástica para não sair do magro orçamento doméstico.

Desta forma, os bens de Ricardo duplicavam sempre, sem que ele mudasse o padrão de vida a que desde jovem se habituara. Ao contrário, com o correr dos anos, foi ficando pior. Não tirava férias para melhor poder vigiar o negócio, era sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Não tinha por isso tempo para dedicar-se ao aconchego familiar. -Mal parava em casa. Desenvolvia enorme atividade no sentido de exercer o controle de tudo e assim a neurastenia tornou-se inevitável, e com ela o desequilíbrio orgânico. Mas, era inútil a insistência da família. Ricardo não descansava.

Certa madrugada, foi chamado às pressas. Irrompera violento incêndio em sua fábrica. Ninguém descobriu a causa do sinistro, entretanto, toda a indústria foi destruída. Sobrou, diante dos olhos esbugalhados e febris de Ricardo um amontoado de ruínas fumegantes. Nada pôde ser salvo, nem uma peça. E, como por medida econômica Ricardo não fizera o devido seguro contra incêndio, ficou positivamente na miséria. Em virtude do choque emocional, foi acometido de séria enfermidade, guardando leito por algum tempo. Quando melhorou, ficou com o braço direito imobilizado e inútil.

Incapaz de recomeçar a vida por questões psíquicas, além do defeito físico, Ricardo, sem recursos outros para viver, ficou na dependência dos filhos que viviam de modesto salário. Todavia, habituados ao pensamento de que o pai gastava pouco e porque ele nunca lhes dera dinheiro para as menores coisas, obrigando-os ao trabalho se precisassem de algo, não se sentiam na obrigação de serem pródigos para com ele.

Mas, ainda assim, enquanto os dois rapazes eram solteiros e residiam com os pais, as coisas se arranjaram regularmente, mas depois que se casaram e saíram de casa formando o seu próprio lar, a situação tornou-se calamitosa. Ricardo e a esposa, recebiam pequena mesada que mal dava para a modesta refeição e com seu precário estado de saúde Ricardo precisava de medicamentos cada vez mais caros. Seu corpo envelhecido requisitava -maior necessidade de agasalho.

E, se alguma vez engolindo a revolta interior ele se dirigia aos filhos solicitando aumento da magra pensão, ouvia invariavelmente: — Por agora é só o que posso dar. Tenho famflia a sustentar. O senhor não sabe minhas responsabilidades e os meus compromissos! Quando lhe morreu a companheira, nenhum dos dois abriu-lhe as portas do lar. Alegando necessidade de tratamento especializado e para melhor atendimento médico, internaram-no em um asilo de velhos.

Foi amargurado e triste que Ricardo retornou ao plano espiritual, depois de algum tempo de perturbação. Trazia um amontoado de queixas contra os familiares o que muito prejudicou seu pronto equilíbrio. Foi por isso visitado por amoroso instrutor desejoso de ajudá-los Diante do carinho e da atenção que foi objeto, Ricardo não conteve as lágrimas e com voz triste tornou:— Ai! meu amigo. Como é bom encontrar almas generosas no caminho! Infelizmente eu não tive essa sorte. Deus me deu por família criaturas sem coração que jamais se compadeceram da minha dor.

O mentor amigo, colocando, calmo, a mão sobre o braço do enfermo perguntou:— Mas... que fizeste para sanar o mal?— O que podia fazer? Velho, cansado, só e doente?— A essa altura pouco, realmente. Entretanto, tiveste inúmeras oportunidades, como pai, de construir o amor e a generosidade no coração dos teus filhos. A criança é uma plantinha tenra que cresce em tôrno da estaca que lhe serve de apoio, se esta for firme e justa, ela crescerá perfeita, na devida posição, Poréra, se for mal colocada, frouxa e indiferente, a planta proliferará irregularmente, será fraca e mirrada.

Tiveste durante o início da vida ocasião de ensinares os teus a serem generosos e bons e perdeste a oportunidade, valorizando apenas a posse efêmera do dinheiro que infelizmente não te ofereceu felicidade nem segurança; não encontravas tempo para tecer os laços duradouros da estima e da compreensão. Chamado à responsabilidade, Ricardo baixou a cabeça confuso. O Mentor prosseguiu: — Aceita as consequências dos teus atos com serenidade e paciência.

Se nada plantaste naqueles corações, se nada deste, como querias de lá tirar ou ter direito a alguma coisa? Valoriza a experiência e nunca é demais recordarmos os ensinamentos do Cristo quan­do nos advertiu: "Não vos afadigueis pela posse do ouro, que a traça corrói e a ferrugem consome, mas ajunteis tesouros no céu e sereis felizes".E, colocando a mão fraternalmente sobre seus ombros curvados terminou perguntando:— E queres maior riqueza e maior tesouro do que o amor de pai envolvendo e penetrando um coração de filho?
Marcos Vinícius