BATISMO
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 29 02 - A vingança do judeu - pág. 23, 47, 58
03 - Allan Kardec - vol. I - pág. 31 04 - Caminho verdade e vida - pág. 331
05 - Cristianismo e espiritismo - pág. 61, 86 06 - De Jesus para as crianças - pág. 111
07 - Dramas da obsessão - pág. 66 08 - Escrínio de luz - pág. 35
09 - Expiação - pág. 178 10 - História do Espiritismo - pág. 39
11 - Jesus o verbo do pai- pág. 47, 49, 56 12 - Magnetismo espiritual- pág. 179
13 - Mão de luz - pág. 117 14 - Na seara do Mestre - pág. 131
15 - Na sombra e na luz - pág. 221

16 - Nas pegadas do Mestre - pág. 22

17 - O Batismo - toda a obra 18 - O céu e o inferno - cap. II-6
19 - O consolador- pág. 175 20 - O espírito do cristianismo- pág. 164
21 - O redentor - pág. 70 22 - O trabalho dos mortos - pág. 157
23 - Os milagres de Jesus - III 24 - Parábolas e ensinos de Jesus - pág. 170, 275
25 - Personagens do espiritismo - pág. 113 26 - Pureza doutrinária - pág. 96
27 - Síntese de o Novo Testamento - pág.46,47 28 - Vida e atos dos apóstolos -pág. 91, 103, 167

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BATISMO – COMPILAÇÃO

01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J.HERCULANO PIRES - PÁG. 29

(..)O problema da religião no Espiritismo tem provocado discussões e controvérsias infindáveis, porque essa doutrina não se apresenta como religião no sentido comum do termo. Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi, adotava a posição de seu mestre no tocante à classificação das religiões. Pestalozzi admitia a existência de três tipos de religião: a animal ou primitiva, a social e a espiritual. Mas recusava-se a chamar esta última de religião, dando-lhe a designação de moralidade.

Isso porque a religião superior ou espiritual, segundo ele, só era professada individualmente pela criatura que superava o ser social e desenvolvia em si o ser moral. Kardec recusou-se a falar em Religião Espírita, sustentando que o Espiritismo é doutrina científica e filosófica, de consequências morais. Mas deu a essas consequências enorme importância ao considerar o Espiritismo como desenvolvimento histórico do Cristianismo, destinado a restabelecer a verdade dos princípios cristãos, deformados pelo processo natural de sincretismo-religioso que originou as igrejas cristãs.

Essa posição espírita manteve a doutrina e o movimento doutrinário em posição marginal no campo religioso. Para os espíritas, entretanto, a posição da doutrina não é marginal, mas superior, pois o Espiritismo representaria o cumprimento da profecia evangélica da Religião em espírito e verdade, que se desenvolveria sob a égide do próprio Cristo. A religião espírita não se organizou em forma de igreja, não admite sacramentos nem admitiu nenhuma forma de autoridade religiosa de tipo sacerdotal.

Não há batismo, nem casamento religioso no Espiritismo, nem confissões ou indulgências. Todos esses formalismos são considerados como de origem pagã e judaica. Entende-se o batismo como rito de iniciação, que Jesus substituiu pelo batismo do espírito, sendo este considerado como a iniciação no conhecimento doutrinário, feita naturalmente pelo estudo da doutrina, sem nenhum ato ritual. Admite-se também que o batismo do espírito, segundo o texto do Livro de Atos dos Apóstolos sobre a visita de Pedro à casa do centurião Cornélius, no porto de Jope, pode completar-se, nos médiuns, quando se verifica espontaneamente, com o desenvolvimento da mediunidade.

Essa posição espírita no campo religioso causou numerosas dificuldades aos espíritas no tocante às relações de instituições doutrinárias com os poderes oficiais, particularmente para a declaração de religião em documentos oficiais, para o resguardo dos direitos escolares em face do ensino religioso, para a declaração de religião nos recenseamentos da população, até que medidas oficiais reconheceram esses direitos.

10 - HISTÓRIA DO ESPIRITISMO - ARTHUR CONAN DOYLE - PÁG. 39

(...)Swedenborg resume o assunto dizendo que quando se comunicava com os Espíritos, durante uma hora respirava profundamente, "tomando apenas a quantidade de ar necessária para alimentar os seus pensamentos". De lado essa peculiaridade, Swedenborg era normal durante as suas visões, conquanto preferisse, na ocasião, estar só. Parece que teve o privilégio de examinar várias esferas do outro mundo e, conquanto as suas idéias sobre teologia tivessem marcado as suas descrições, por outro lado a sua imensa cultura lhe permitiu excepcional poder de observação e de comparação. Vejamos quais os principais fatos que suas jornadas nos trouxeram e até onde eles coincidem com os que, desde então, têm sido obtidos pelos métodos psíquicos.

Verificou que o outro mundo, para onde vamos após a morte, consiste de várias esferas, representando outros tantos graus de luminosidade e de felicidade; cada um de nós irá para aquela a que se adapta a nossa condição espiritual. Somos julgados automaticamente, por uma lei espiritual das similitudes; o resultado é determinado pelo resultado global de nossa vida, de modo que a absolvição ou o arrependimento no leito de morte têm pouco proveito. Nessas esferas verificou que o cenário e as condições deste mundo eram reproduzidas fielmente, do mesmo modo que a estrutura da sociedade. Viu casas onde viviam famílias, templos onde praticavam o culto, auditórios onde se reuniam para fins sociais, palácios onde deviam morar os chefes.

A morte era suave, dada a presença de seres celestiais que ajudavam os recém-chegados na sua nova existência. Esses recém-vindos passavam imediatamente por um período absoluto repouso. Reconquistavam a consciência em poucos dias, segundo a nossa contagem. Havia anjos e demônios, mas não eram de ordem diversa da nossa: eram seres humanos, que tinham vivido na Terra e que ou eram almas retardatárias, como demônios, ou altamente desenvolvidas, como anjos.
De modo algum mudamos com a morte. O homem nada perde pela morte: sob todos os pontos de vista é ainda um homem, conquanto mais perfeito do que quando na matéria. Levou consigo não só as suas forças, mas os seus hábitos mentais adquiridos, as suas preocupações, os seus preconceitos.

Todas as crianças eram recebidas igualmente, fossem ou não batizadas. Cresciam no outro mundo; jovens lhes serviam de mães, até que chegassem as mães verdadeiras. Não havia penas eternas. Os que se achavam nos infernos podiam trabalhar para a sua saída, desde que sentissem vontade. Os que se achavam no céu não tinham lugar permanente: trabalhavam por uma posição mais elevada. Havia o casamento sob a forma de união espiritual no mundo próximo, onde um homem e uma mulher constituíam uma unidade completa. E' de notar-se que Swedenborg jamais se casou. Não havia detalhes insignificantes para a sua observação no mundo espiritual. Fala de arquitetura, do artesanato, das flores, dos frutos, dos bordados, da arte, da música, da literatura, da ciência, das escolas, dos museus, das academias, das bibliotecas e dos esportes.

Tudo isso pode chocar as inteligências convencionais, conquanto se possa perguntar por que toleramos coroas e tronos e negamos outras coisas menos materiais. Os que saíram deste mundo velhos, decrépitos, doentes, ou deformados, recuperavam a mocidade e, gradativamente, o completo vigor. Os casais continuavam juntos, se os seus sentimento recíprocos os atraíam. Caso contrário, era desfeita a união. "Dois amantes verdadeiros não são separados pela morte, de vez que o Espírito do morto habita com o do sobrevivente, até à morte deste último, quando se encontram e se unem, amando-se mais ternamente do que antes".

18 - O CÉU E O INFERNO - ALLAN KARDEC - CAP. II ÍTEM 6

(..)5. — Este estado de coisas é entretido e prolongado por causas puramente humanas, que o progresso fará desaparecer. A primeira é a feição com que se insinua a vida futura, feição que poderia contentar as inteligências pouco desenvolvidas, mas que não conseguiria satisfazer a razão esclarecida dos pensadores refletidos. Assim, dizem estes: "Desde que nos apresentam como verdades absolutas princípios contestados pela lógica e pelos dados positivos da Ciência, é que eles não são verdades." Daí, a incredulidade de uns e a crença dúbia de um grande número.

A vida futura é-lhes uma idéia vaga, antes uma probabilidade do que certeza absoluta; acreditam, desejariam que assim fosse, mas apesar disso exclamam: "Se todavia assim não for! O presente é positivo, ocupemo-nos dele primeiro, que o futuro por sua vez virá." E depois, acrescentam, definitivamente que é a alma? Um ponto, um átomo, uma faísca, uma chama? Como se sente, vê ou percebe? É que a alma não lhes parece uma realidade efetiva, mas uma abstração.

Os entes que lhes são caros, reduzidos ao estado de átomos no seu modo de pensar, estão perdidos, e não têm mais a seus olhos as qualidades pelas quais se lhes fizeram amados; não podem compreender o amor de uma faísca nem o que a ela possamos ter. Quanto a si mesmos, ficam mediocremente satisfeitos com a perspectiva de se transformarem em mônadas. Justifica-se assim a preferência ao positivismo da vida terrestre, que algo possui do mais substancial. É considerável o número dos dominados por este pensamento.

6. — Outra causa de apego às coisas terrenas, mesmo nos que mais firmemente crêem na vida futura, é a impressão do ensino que relativamente a ela se lhes há dado desde a infância. Convenhamos que o quadro pela religião esboçado, sobre o assunto, é nada sedutor e ainda menos consolatório. De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há para tais desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o que mais atroz é, não lhes aproveita o arrependimento.

De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem. Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida ao nada, não deixa de ser de uma fastidiosa monotonia. É por isso que se vê, nas figuras que retraíam os bem-aventurados, figuras angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade.

Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva ideia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem ignorante — de senso moral obtuso —, esteja ao mesmo nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que meditem.(..)

19 - O CONSOLADOR - EMMANUEL - PÁG. 175 - PERG. 298

Perg. 298 - Considerando que as religiões invocam o Evangelho de Mateus para justificar a necessidade do BATISMO em seus característicos cerimoniais, como deverá proceder o espiritista em face desse assunto? - Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de maternidade, devem compreender que o BATISMO, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto santificado da família. Longe de quaisquer cerimônias de natureza religiosa, que possam significar uma continuação dos fetichismos da Igreja Romana, que se aproveitou do símbolo evangélico para a chamada venda dos sacramentos, o espiritista deve entender o batismo como o apelo do seu coração ao Pai de Misericórdia, para que os seus esforços sejam santificados no trabalho de conduzir as almas a ele confiadas no instituto familiar, compreendendo, além domais, que esse ato de amor e de compromisso divino deve ser continuado por toda a vida, na renúncia e no sacrifício, em favor da perfeita cristianização dos filhos, no apostalado do trabalho e da dedicação.

20 - O ESPÍRITO DO CRISTIANISMO - CAIRBAR SCHUTEL - ÍTEM 29 - PÁG. 164 - A SIMPLICIDADE DE ESPÍRITO

"Traziam-lhe também as crianças para que as tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam aos que as traziam. Mas Jesus, chamando-as para junto de si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais; pois dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: Aquele que não receber o Reino de Deus como um menino, de maneira alguma entrará nele." (Lucas, xvm, 15-1?)
"Então lhe traziam alguns meninos para que os tocasse; e os discípulos repreenderam aos que os trouxeram. Mas Jesus, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os meninos, não os impeçais; porque dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: Aquele que não receber o Reino de Deus como um menino, de modo algum entrará nele. E abraçando os meninos, os abençoava, pondo as mãos sobreeles." (Marcos, X, 13-16)


Deus criou os Espíritos simples e ignorantes e lhes concedeu os meios de progresso e perfeição. É preciso que haja ignorância para que haja aperfeiçoamento, de cujo trabalho vem o mérito de cada um; e o aperfeiçoamento não se faz sem simplicidade. Os Espíritos simples são por isso bem-aventurados. As bem-aventuranças são as remunerações da simplicidade. Os vaidosos, os arrogantes, não podem ter simplicidade, sendo por isso condenados por suas idéias preconcebidas.

Jesus usou as crianças como símbolo, ou antes, como personificação da simplicidade; elas são, quando em sua inocência, a representação da simplicidade de espírito. Sabem que não sabem, e se esforçam para saber, perguntando, inquirindo aqui e ali. Não têm opinião preconcebida, nem se arrogam títulos de mestres e doutores; costumam respeitar as convicções, e, quando estas lhes parecem disparatadas, indagam os motivos e procuram tirar deduções, as que lhes pareçam justas. A simplicidade de espírito é uma das grandes prerrogativas, indispensável à aquisição do Reino de Deus. Por que os escribas, os fariseus, os doutores da Lei, os religiosos de então repeliram a Doutrina de Jesus, chegando a ponto de pedir a morte do Filho de Deus?

Porque, sem nenhuma simplicidade de espírito, vaidosos dos seus conhecimentos, orgulhosos do seu saber, não percebiam a ignorância em que se achavam das coisas divinas e se julgavam possuidores de toda a verdade. Jesus, abençoando as crianças e acariciando-as, mostrou que mais vale ser ignorante e simples, do que presumir-se de sábio sem simplicidade. E assim como um "odre velho" não pode suportar um "vinho novo", por estar impregnado do velho licor, também é preciso que o homem se torne simples, isto é, ponha de lado as crenças avoengas que recebeu por herança, para analisar, sem preconceito, o Cristianismo que a ninguém veio impor os seus preceitos, mas apresentar-se a todos como a única Doutrina capaz de nos dar a perfeição, se a estudarmos e a compreendermos em espírito e verdade.

Nas passagens acima, de Lucas e Marcos, Jesus faz também uma ligeira alusão à reencarnação, como um dos meios de nos desembaraçarmos das idéias preconcebidas desde a infância, e nos tornarmos aptos para a boa recepção da Verdade, consubstanciada nos princípios redentores do Cristianismo. De modo que "aquele que não receber o Reino de Deus como um menino, de maneira alguma entrará nele". Aquele que não receber o Reino de Deus com simplicidade, humildade c boa vontade de se aproximar de Deus, não entrará nele.
(ESTE É O BATISMO ESPIRITUAL)

21 - O REDENTOR - EDGARD ARMOND - CAP. 14 - OS COSTUMES DA ÉPOCA - PÁG. 71

Todos os pátios do grande Templo sempre regurgitavam de gente e, no meio da turba, circulavam os sacerdotes menores, vestidos de branco, os levitas e demais auxiliares do Templo, descalços, silenciosos, e atentos à rigorosa disciplina a que estavam sujeitos. As horas da noite eram cantadas por sacerdotes especiais que, para cada uma, entoavam melodia diferente e a guarda se revezava rigorosamente nos períodos determinados. Havia três categorias de sacerdotes com atribuições especiais: o sumo-sacerdote, os sacerdotes de graus maiores e os sacerdotes menores, encarregados, mais especialmente, dos serviços internos, que se subordinavam diretamente ao sgan (diretor) do Templo. Além disso havia ainda os trombeteiros, os supervisores do serviço interno, os acendedores de lâmpadas, as tecedeiras, os sacrificadores, os fiscais dos sacrifícios, os inúmeros acólitos e auxiliares do complicado cerimonial; enfim, um exército de servidores que vivia no Templo e do Templo, todos diretamente subordinados ao referido sgan, a seu turno direíamente subordinado ao poderoso sumo-sacerdote.

Os sacerdotes mercadejavam com muitas coisas: animais (bois, carneiros, pombos) destinados aos holocaustos; perfumes, óleos, arômatas, utilizados nas cerimónias de purificação; moedas estrangeiras trazidas pelos peregrinos e negociantes, em permuta com moeda nacional. Cobravam os tributos devidos ao Templo, tanto em dinheiro como em espécies, pois os israelitas eram obrigados a pagar dízimos, bem como entregar parte da primeira colheita de suas plantações e a primeira cabeça do gado de seus rebanhos. Negociavam ainda com a carne dos animais sacrificados, bem como com o seu sangue, que corria para os fundos do Templo em canalizações apropriadas. O holocausto ritual dependia do ato que se celebrava; no caso, por exemplo, da purificação das mulheres, por parto (30 dias após, sendo menino e 60 dias, sendo menina), o sacerdote tomava as vítimas do sacrifício (cabritos ou pombos, segundo os recursos da família), abria-lhes o pescoço e aspergia o altar com o sangue, enquanto jogava uma parte sobre o braseiro, para que a fumaça subisse ao Deus. Este holocausto se denominava "oferta queimada". Se o holocausto era de expiação ou de ação de graças, o sacerdote tomava uma das aves e a arrojava viva ao braseiro.

A farinha para o pão ritual, as ervas para os arômatas, o incenso, os óleos, o linho para as vestes do sacerdote e tudo o mais de uso deles, era considerado como sagrado e só podia ser fornecido pelos sumo-sacerdotes, para o que o Templo mantivesse fabricações próprias sempre que possível. Os judeus usavam e abusavam de perfumes e no próprio Templo havia alambique para a fabricação. Magdalena, a hetaira famosa, que se transformou, mais tarde, em devotada e fervorosa discípula de Jesus, no tempo em que morava em Jerusalém, possuía no seu horto do Jardim das Oliveiras, uma fábrica de essências e óleos perfumados, para uso de sua casa e seus inúmeros admiradores. Todos os dízimos, oferendas, donativos, vendas de produtos consumidos nos holocaustos, inclusive os de carne e sangue para adubo, redundavam em benefício da classe sacerdotal elevada, enquanto os sacerdotes menores arcavam com todo o peso dos serviços, vivendo dificultosamente ou de propinas mesquinhas.

Os sacerdotes declaravam imundos os produtos dos mercadores e camponeses que deixavam de pagar os tributos devidos ao Templo, os quais ficavam excomungados e, deles, por medo, se afastavam os compradores. Nos dias de Páscoa e outras festas nacionais, quando a cidade regurgitava de peregrinos vindos de todas as partes do mundo então conhecido onde havia colónias judaicas, e de mercadores estrangeiros, que para ali acorriam a negócios, a cidade transformava-se em um colossal mercado, do qual o Templo era o centro mais movimentado pelo vulto e complexidade dos interesses a ele vinculados. Ao redor do Templo e em seus pátios enxameavam os cambistas e os escribas, com penas de ganso presas atrás das orelhas, sentados às suas mesinhas baixas, vendendo escrita e pequenos rolos de papiros com transcrições das Escrituras, que usavam nos braços e, na testa, bolsinhas de couro contendo o "schema" (capítulos da Tora).

O Templo regurgitava de mesas, guichês, repartições na forma de tabiques e balcões, destinados a essas transações e recebimento de donativos, bem como de gente que entrava e saía, rebanhos de animais que chegavam para serem vendidos, ao mesmo tempo em que outros eram transportados para junto do Altar dos Sacrifícios, no Pátio dos Levitas. Em repartições próprias eram recebidas as dádivas espontâneas em dinheiro, para custeio de órfãos, alvarás para sacrifícios, como também havia celas denominadas de "caridade silenciosa e cega" que não possuíam funcionários atendentes, sendo os donativos jogados para dentro do balcão, por serem da classe daqueles que o Templo recusava, por impróprios ou insuficientes. Reinava em todo o Templo verdadeiro tumulto e um estridor contínuo, misturado de vozes humanas, lamentações, mugidos de animais, campainhas, disputas intermináveis de negócios e interpretações religiosas, coro e recitações de salmos, exposições de matéria religiosa pelos rabis mais populares no Pátio dos Gentios e outros rumores, enquanto sacerdotes hábeis e ligeiros, com seus aventais de couro, empastados de sangue, empunhando cutelos e macetes, abatiam uns após outros, os animais que vinham sendo trazidos para os holocaustos. Ambição, cobiça, prepotência, mistificação religiosa, tudo estava ali representado ern larga escala, oferecendo, do clero judeu, uma impressionante, porém desoladora impressão.

24- PARÁBOLAS E ENSINOS DE JESUS- CAIRBAR SCHUTEL - PÁG. 170

OS DOIS TESTAMENTOS E A REVOGAÇÃO DA LEI: "Não penseis que vim para revogar a lei e os profetas; não vim revogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo: passará o Céu e a Terra, mas de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til sem que tudo se cumpra". (Mateus, V - 17-18.)

Assim como não existem duas "leis" em vigor, uma em oposição à outra, também não podem existir dois "testamentos" em validade, ambos contradizendo-se, defraudando-se aniquilando-se. Existe a lei, existem os profetas; existiram os profetas e existiram a lei e os profetas. Jesus não veio revogar a lei e os profetas, mas cumprir; lembrar o cumprimento da lei, trabalhar pelo cumprimento da lei, ensinar o cumprimento da lei, impor o cumprimento da lei. Jesus é a luz do mundo: essa luz ilumina a lei, distingue-a do que não é lei, orientando todas as almas de um modo racional, inteligível, para cumprirem a lei, obedecerem a lei, praticarem as ordenações da lei.

Jesus é o caminho, a verdade e a vida: sendo sua principal missão cumprir a lei, a lei deve, forçosamente, limitar-se, circunscrever-se ao caminho que ele personificou, à verdade de que ele foi o paradigma, à vida de que deu o mais vivo exemplo. A lei está intimamente ligada à incomparável personalidade de Jesus. O que a Jesus não se liga, não se adapta, não se ajusta, não é lei; não é, portanto, caminho, não é verdade, não é luz, não é vida: é desvio, é falsidade, é morte, é treva. "De modo nenhum passará da lei um só i, ou um só til, sem que tudo se cumpra". A lei é eterna, é de todos os tempos, de todos os povos; o seu escopo é felicitar os homens unindo-os pelo mesmo ideal a Deus. O ideal é o amor. "O amor a Deus e ao próximo é a síntese, o resumo de toda a lei e os profetas".

Tudo o que inspira desamor a Deus e ao próximo, não é lei, nem provém da lei ou dos profetas; tudo o que divide, desune, desarmoniza a família humana, está fora da lei; tudo o que tolhe a liberdade, o livre exame, a compreensão, não está compreendido na lei. A lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade da compreensão da lei foi dada por Jesus Cristo; ele é a luz e a verdade. A lei não é de Moisés; se fosse, passaria com Moisés, tomo a lei de Moisés do dente por dente, olho por olho passou, para não mais voltar; não só desapareceram dela o i e o til, como também todo o valor, toda a potência, todos ns caracteres. Para que a lei se cumpra, é preciso que desapareçam todos os opressores que, constituindo-se guardas da lei, não a praticam, mas corrompem-na. Para que a lei se cumpra, é preciso que o Velho Testamento seja posto à margem, porque "Na verdade, nenhum outro fundamento pode ser posto entre o Céu e a Terra senão Jesus Cristo".

O maior dos profetas anuncia o maior dos enviados; o maior enviado exalta o ministério dos profetas, adstrito à lei sintetizada no amor a Deus e ao próximo. Os sacerdotes foram postos à margem, como infratores da lei; as igrejas de pedra estão fora de lei: delas não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada. (Lucas XXI, 6.) Os sacerdotes têm uma lei que não é a lei, assim como os cientistas e políticos têm uma lei, que não é a lei; suas igrejas, suas academias, seus palácios têm os seus mandamentos, mas estes mandamentos não constituem a lei de Deus, são mandamentos e ordenações que estão fora da lei: têm passado, estão passando e passarão para desaparecerem para sempre.

Não pode haver dois testamentos, não pode haver duas leis de Deus: há um só Deus, um só batismo, uma só fé, uma única verdade. A lei das sinagogas, dos templos, do monte, foi revogada pelo Cristo: "É chegada a hora, e agora é, em que não adorareis a Deus em Jerusalém, nem no Monte Garizim, mas sim em espírito e verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores". (João, IV, 21-24.) A lei das igrejas não é parte integrante da lei, ela é a mesma das sinagogas, dos templos, dos montes; a lei das igrejas foi denunciada como infração da lei, por Jesus Cristo A lei não passará, nem um i nem um til deixará de ter o seu cumprimento. O Espiritismo repete as palavras de Jesus: "Não pensem que vim revogar a lei e os profetas, não vim revogar, mas cumprir".

LEMBRETE:

1° - João batizava os homens na água, e Jesus no Espírito - e o batismo de Jesus é a vida do Espírito, porque seu batismo é a palavra - e as palavras de Jesus são espírito e vida. José Amigó Y Pellicer

2° - Esse batismo de fogo, pelo qual Jesus se mostrava ansioso, não era outra coisa senão a luta que os belos e nobres ideais do Cristianismo precisou enfrentar, e continua enfrentando, para que os privilégios, a tirania e o fanatismo venha a desaparecer da face da Terra, cedendo lugar a uma ordem social fundada na justiça, na liberdade e na concórdia. Rodolfo Caligaris

3° - O batismo com o Espírito Santo é a comunhão com os Espíritos elevados que velam por vós; mas, para chegar a essa comunhão, era preciso, ao tempo da missão terrena de Jesus, e o é ainda, ser puro, cheio de zelo, de amor e de fé, como o eram os apóstolos fiéis. Roustaing

4° - O batismo por meio da água, que João Batista administrou e que Jesus recebeu para ensinar pelo exemplo, comprovando assim que esse batismo não passava de uma figura, era, a um tempo, material e simbólico; material pela ablução do corpo; simbólico pelo arrependimento e pela humildade que a ablução consagrava e que tinham a proclamá-los a confissão pública que, diante de todos, cada uma fazia, em voz alta, dos seus pecados, isto é, de suas faltas, de suas torpezas, de todas as infâmias que podem germinar no coração humano. O batismo pela água era, pois, uma preparação para o batismo pelo Espírito Santo e pelo fogo, batisto este que vem de Deus e que o Cristo defere aos que dele se tornam dignos, concedendo-lhes a assistência e o concurso dos Espíritos purificados. Roustaing

5° - Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de paternidade, devem compreender que o batismo, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto santificado da família. Emmanuel

Edivaldo