BONDADE
BIBLIOGRAFIA
01- A sombra do olmeiro - pág. 114 02 - Allan Kardec - vol 1 pág. 93
03 - Ave luz - pág. 118 04 - Ceifa de Luz- pág. 165
05 - Depois da morte - pág. 279 06 - Do País da luz - vol II - pág. 98
07 - Encontro marcado - pág.32 08 - Estude e Viva - pág. 48, 84, 102
09 - Falando à Terra- pág.186, 198 10 - Lázaro redivivo - pág. 46
11 - Nas pegadas do Mestre - pág. 111 12 - O Espírito da Verdade- pág. 21, 183
13 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. XIII 14 - O Livro dos Espíritos - q. 13, 55, 98, 107, 108
15 - Os funerais da Santa Sé - pág. 46, 159

16 - Palavras do alvorecer - pág. 144

17 - Parnaso do além túmulo - pág. 331 18 - Passos da vida - pág. 88
19 - Pérolas do além - pág. 35 20 - Técnica da mediunidade - pág. 55
21 - Trilha de Luz - pág. 53  

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BONDADE – COMPILAÇÃO

05 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 279

XLVIII — DOÇURA, PACIÊNCIA, BONDADE
Se o orgulho é o germe de uma multidão de vícios, a caridade produz muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a prudência. Ao homem caridoso é fácil ser paciente e afável, perdoar as ofensas que lhe fazem. A misericórdia é companheira da bondade. Para uma alma elevada, o ódio e a vingança são desconhecidos. Paira acima dos mesquinhos rancores, é do alto que observa as coisas. Compreende que os agravos humanos são provenientes da ignorância e por isso não se considera ultrajada nem guarda ressentimentos. Sabe que perdoando, esquecendo as afrontas do próximo aniquila todo germe de inimizade, afasta todo motivo de discórdia futura, tanto na Terra como no espaço.

A caridade, a mansuetude e o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às vilanias e às perfídias: promovem nosso desprendimento progressivo das vaidades terrestres e habituam-nos a elevar nossas vistas para as coisas que não possam ser atingidas pela decepção. Perdoar é o dever da alma que aspira à felicidade. Quantas vezes nós mesmos temos necessidade desse per-dão? Quantas vezes não o temos pedido? Perdoemos a fim de sermos perdoados, porque não poderíamos obter aquilo que recusamos aos outros. Se desejamos vingar-nos, que isso se faça com boas ações. Desarmamos o nosso inimigo desde que lhe retribuímos o mal com o bem. Seu ódio transformar-se-á em espanto e o espanto, em admiração. Despertando-lhe a consciência obscurecida, tal lição pode produzir-lhe uma impressão profunda. Por esse modo, talvez tenhamos, pelo esclarecimento, arrancado uma alma à perversidade.

O único mal que devemos salientar e combater é o que se projeta sobre a sociedade. Quando esse se apresenta sob a forma de hipocrisia, simulação ou embuste, devemos desmascará-lo, porque outras pessoas poderiam sofrê-lo; mas será bom guardarmos silêncio quanto ao mal que atinge nossos únicos interesses ou nosso amor-próprio. A vingança, sob todas as suas formas, o duelo, a guerra, são vestígios da selvageria, herança de um mundo bárbaro e atrasado. Aquele que entreviu o encadeamento grandioso das leis superiores, do princípio de justiça cujos efeitos se repercutem através das idades, esse poderá pensar em vingar-se?

Vingar-se é cometer duas faltas, dois crimes de uma só vez; é tornar-se tão culpado quanto o ofensor. Quando nos atingirem o ultraje ou a injustiça, imponhamos silêncio à nossa dignidade ofendida, pensemos nesses a quem, num passado obscuro, nós mesmos lesamos, afrontamos, espoliamos, e suportemos então a injúria presente como uma reparação. Não percamos de vista o alvo da existência que tais acidentes poderiam fazer-nos olvidar. Não abandonemos a estrada firme e reta; não deixemos que a paixão nos faça escorregar pelos declives perigosos que poderiam conduzir-nos à bestialidade; encaminhemo-nos com ânimo robustecido. A vingança é uma loucura que nos faria perder o fruto de muitos progressos, recuar pelo caminho percorrido.

Algum dia, quando houvermos deixado a Terra, talvez abençoemos esses que foram inflexíveis e intolerantes para conosco, que nos despojaram e nos cumularam de desgostos; abençoá-los-emos porque das suas iniqüidades surgiu nossa felicidade espiritual. Acreditavam fazer o mal e, entretanto, facilitaram, nosso adiantamento, nossa elevação, fornecendo-nos a ocasião de sofrer sem murmurar, de perdoar e de esquecer. A paciência é a qualidade que nos ensina a suportar com calma todas as impertinências. Consiste em extinguirmos toda sensação, tornando-nos indiferentes, inertes para as coisas mundanas, procurando nos horizontes futuros as consolações que nos levam a considerar fúteis e secundárias todas as tribulações da vida material.

A paciência conduz à benevolência. Como se fossem espelhos, as almas reenviam-nos o reflexo dos sentimentos que nos inspiram. A simpatia produz o amor; a sobranceria origina a rispidez. Aprendamos a repreender com doçura e, quando for necessário, aprendamos a discutir sem excitação, a julgar todas as coisas com benevolência e moderação. Prefiramos os colóquios úteis, as questões sérias, elevadas; fujamos às dissertações frívolas e bem assim de tudo o que apaixona e exalta. Acautelemo-nos da cólera, que é o despertar de todos os instintos selvagens amortecidos pelo progresso e pela civilização, ou, mesmo, uma reminiscência de nossas vidas obscuras.

Em todos os homens ainda subsiste uma parte de animalidade que deve ser por nós dominada à força de energia, se não quisermos ser submetidos, assenhoreados por ela. Quando nos encolerizamos, esses instintos adormecidos despertam e o homem torna-se fera. Então, desaparece toda a dignidade, todo o raciocínio, todo o respeito a si próprio. A cólera cega-nos, faz-nos perder a consciência dos atos e, em seus furores, pode induzir-nos ao crime. Está no caráter do homem prudente o possuir-se sempre a si mesmo, e a cólera é um indício de pouca sociabilidade e muito atraso. Aquele que for suscetível de exaltar-se, deverá velar com cuidado as suas impressões, abafar em si o sentimento de personalidade, evitar fazer ou resolver qualquer coisa quando estiver sob o império dessa terrível paixão.

Esforcemo-nos por adquirir a bondade, qualidade inefável, auréola da velhice, a bondade, doce foco onde se reaquecem todas as criaturas e cuja posse vale essa homenagem de sentimentos oferecida pelos humildes e pelos pequenos aos seus guias e protetores. A indulgência, a simpatia e a bondade apaziguam os homens, congregando-os, dispondo-os a atender confiantes aos bons conselhos; no entanto, a severidade dissuade-os e afugenta. A bondade permite-nos uma espécie de autoridade moral sobre as almas, oferece-nos mais probabilidade de comovê-las, de reconduzi-las ao bom caminho. Façamos, pois, dessa virtude um archote com o auxílio do qual levaremos luz às inteligências mais obscuras, tarefa delicada, mas que se tornará fácil com um sentimento profundo de solidariedade, com um pouco de amor por nossos irmãos.

08 - Estude e Viva - André Luiz e Emmanuel - pág. 48, 84, 102

Troca incessante
Todos estamos situados em extenso parque de oportunidades para trabalho, renovação, desenvolvimento e melhoria. Dentre aquelas que segues no encalço, como sendo as que te respondem às melhores aspirações, detém, quanto possível, a oportunidade de auxiliar.
Tempo é comparável a solo. Serviço é plantação. Ninguém vive deserdado da participação nas boas obras, de vez que todos retemos sobras de valores específicos da existência. Não somente disponibilidades de recursos materiais, mas também de tempo, conhecimento, amizade, influência. Não percas por omissão. «Colherás o que semeias», velha verdade sempre nova.

Em todos os lugares, há quem te espere a cooperação. Aparentemente aqueles que te recorrem aos préstimos contam apenas com o apoio que lhes é necessário, seja um gesto de amparo substancial, uma nota de solidariedade, uma palavra de bom ânimo ou um aviso oportuno. Entretanto, não é só isso. A vida é troca incessante. Aqueles a quem proteges ser-te-ão protetores. Socorres o pequenino desfalecente; é possível seja ele, mais tarde, o amigo prestimoso que te guarde a cabeceira no dia da enfermidade. O transeunte anônimo a quem prestas humilde favor pode ser em breve o elemento importante de que dependerás na solução de um problema.

O poder do amor, porém, se projeta mais longe. Doentes que sustentaste, nas fronteiras da morte, formarão entre os amigos que te assistem do Plano Espiritual. E ainda mesmo o auxílio desinteressado que levaste a corações empedernidos na delinquência, quando não consigas tocá-los de pronto, te granjeará a colaboração dos benfeitores que os amam, conquanto ignorados e desconhecidos .

Todos nós, os espíritos em evolução no educandário do mundo, nos assemelhamos a viajores demandando eminências que nos conduzam à definitiva sublimação. Ninguém na Terra efetua viagem longa sem o auxílio de pontes, desde o viaduto imponente à pinguela simples, para a travessia de barrancos, depressões, vales ou abismos. Por mais regular se nos mostre a jornada, chega sempre o instante em que precisaremos de alguém para transpor obstáculo ou perigo. Construamos pontes de simpatia com o material da bondade. Hoje alguém surge, diante de nós, suplicando apoio. Amanhã, diante de alguém, surgiremos nós.

Nosso concurso
Com efeito, o nosso concurso na obra do bem possui características marcantes:
É sempre oportuno.
Nunca se torna excessivo.
Apresenta valor específico.
Recebe beneplácito superior.
Demonstra-nos o desejo de acertar.
Constitui experiência sempre nova.
Mostra campo ilimitado de manifestação.
Não precisa impor nem condicionar.
Revela hoje o amanhã melhor.
Significa chamamento à cooperação dos outros.
Carreia o progresso.
Preenche-nos o tempo de maneira ideal.
Valoriza a vida de todos.
Sustenta o equilíbrio comum.
Constrói para sempre.

Estenda mão amiga às tarefas do bem anônimo, pois quem viaja na Terra dá e recebe invariavelmente os dons da alegria ou os tóxicos da tristeza que semeia por onde passa, na peregrinação para a Vida Eterna.

Doações espirituais
Feliz daquele que destaca uma parcela do que possui, a benefício dos semelhantes! Bem-aventurado aquele que dá de si próprio! Através de todos os filtros do bem, o amor é sempre o mesmo, mas, enquanto as dádivas materiais, invariavelmente benditas, suprimem as exigências exteriores, as doações de espírito interferem no íntimo, dissipando as trevas que se acumulam no reino da alma. Dolorosa a tortura da fome, terrível a calamidade moral.

Divide o teu pão com as vítimas da penúria, mas estende fraternas mãos aos que vagueiam mendigando o esclarecimento e o consolo que desconhecem. Não precisas procurá-los, de vez que te cercam em todos os ângulos do caminho... São amigos e por vezes te ferem com supostas atitudes de crueldade, quando apenas te esmolam conforto, comunicando-te, em forma de intemperança mental, as chamas de sofrimento que lhes calcinam os corações; categorizam-se por adversários e criam-te problemas, não por serem perversos, mas porque lhes faltam ainda as luzes do entendimento ; aparecem por pessoas entediadas, que dispõem de todas as vantagens humanas para serem felizes, mas a quem falta uma voz verdadeiramente amiga, capaz de induzi-las a descobrir a tranquilidade e a alegria, através da sementeira das boas obras; surgem na figura de criaturas consideradas indesejáveis e viciosas, cujo desequilíbrio nada mais é que a expectativa frustrada do amparo afetivo que suplicaram em vão!...


Para atender aos que carecem de apoio físico, é preciso bondade; no entanto, para arrimar os que sofrem necessidades da alma, é preciso bon­dade com madureza. Se já percebes que nem todos estamos no mesmo degrau evolutivo, auxilia com a tua palavra ou com o teu silêncio, ou com o teu gesto ou com a tua decisão no plantio da união e da concór­dia, da esperança e do otimismo, no terreno em que vives!...

Compreender e compreender para a sustentação da lavoura do bem que se cobrirá de frutos para a felicidade geral. Não te digas em solidão para fazer tanto... Refletindo em nossos deveres, ante as doações espirituais, lembremo-nos de Jesus. Nos dias de fome da turba inquieta, reunia-se o Divino Mestre com os amigos para beneficiar a milhares; entretanto, na hora do extremo sacrifício, quando lhe cabia socorrer as vítimas da ignorância e do ódio, da violência e do fanatismo, ele sozinho fez o donativo de si mesmo, em favor de milhões.

Desportos
Se há esportes que auxiliam o corpo, há esportes que ajudam a alma...
A marcha do dever retamente cumprido.
A regata de suor no trabalho.
O exercício do devotamento ao estudo.
O salto do esforço, acima dos obstáculos.
A maratona das boas obras.
O torneio da gentileza.
O mergulho no silêncio, diante da injúria.
O nado da paciência nas horas difíceis.
A ginástica da tolerância perante as ofensas.
O voo do pensamento às esferas superiores.
A demonstração de resistência moral nas pro­vas de cada dia.
Todos esses desportos do espírito podem ser praticados em todas as idades e condições. E creia que qualquer campeonato num deles será prêmio de luz em seu coração, a brilhar para sempre.

Acidentados da alma
Compadeces-te dos caídos em moléstia ou de­sastre, que apresentam no corpo comovedoras mu­tilações.
Inclina-te, porém, com igual compaixão para aqueles outros que comparecem, diante de ti, por acidentados da alma, cujas lesões dolorosas não aparecem. Além da posição de necessitados, pelas chagas ocultas de que são portadores, quase sem­pre se mostram na feição de companheiros menos atrativos e desejáveis.
Surgem pessoalmente bem-postos, estadeando exigências ou formulando complicações, no entanto bastas vezes trazem o coração sob provas difíceis; espancam-te a sensibilidade com palavras ferinas, contudo, em vários lances da experiência, são fei­xes de nervos destrambelhados que a doença con­some; revelam-se na condição de amigos, supostos ingratos, que nos deixam em abandono, nas horas
de crise, mas, em muitos casos, são enfermos de espírito, que se enviscam, inconscientes, nas tra­mas da obsessão; acolhem-te o carinho com ma­nifestações de aspereza, todavia, estarão provavel­mente agitados pelo fogo do desespero, lembrando árvores benfeitoras quando a praga as dizima; são delinquentes e constrangem-te a profundo desgos­to, pelo comportamento incorreto; no entanto, em múltiplas circunstâncias, são almas nobres tomba­das em tentação, para as quais já existe bastante angústia na cabeça atormentada que o remorso atenaza e a dor suplicia...
Não te digo que aproves o mal, sob a alegação de resguardar a bondade. A retificação permanece na ordem e na segurança da vida, tanto quanto vige o remédio na defesa e sustentação da saúde. Age, porém, diante dos acidentados da alma, com a prudência e a piedade do enfermeiro que socorre a contusão, sem alargar a ferida.
Restaurar sem destruir. Emendar sem pros­crever. Não ignorar que os irmãos transviados se encontram encarcerados em labirintos de sombra, sendo necessário garantir-lhes uma saída adequada.
Em qualquer processo de reajuste, recordemos Jesus que, a ensinar servindo e a corrigir amando, declarou não ter vindo à Terra para curar os sãos.

Aspectos da dor
Os soluços de dor são compreensíveis até o ponto em que não atingem a fermentação da re­volta, porque, depois disso, se convertem todos eles em censura infeliz aos planos do Céu.
A enfermidade jamais erra o endereço para as suas visitas. As lágrimas, em verdade, são iguais às palavras. Nenhuma existe destituída de significação.

Somente chega a entender a vida quem compreende a dor. A evolução regula também o sofrimento das criaturas e nelas se evidencia mais superficial ou mais profunda, conforme o aprimoramento de cada uma.

Se você pretende vencer, não menospreze a possibilidade de amargar, algumas vezes, a aflição da derrota como lição no caminho para o triunfo. Aprende melhor quem aceita a escola da provação, porquanto, sem ela, os valores da experiência permaneceriam ignorados. A dor não provém de Deus, de vez que, segundo a Lei, ela é uma criação de que a sofre.


12 - O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - pág. 21, 183

SIMPATIA E BONDADE
Gap. IX — Item 7
No plano infinito da Criação jamais encontraremos alguém que prescinda de dois derivados naturais do amor: a simpatia e a bondade.
A árvore frondosa e plena de vigor solicita o apoio do Sol e a solicitude do vento para conservar-se e estender as suas propriedades vitais. O animal, por mais inferior na escala dos seres, requer o carinho e a ternura da Terra, a fim de manter as próprias funções e aperfeiçoar o seu modo de ser, no meio em que se desenvolve. A criança e o jovem, a mulher e o homem, tornam-se enfermiços e infelizes, se não recebem o calor da bondade e da simpatia por alimento providencial na sustentação do equilíbrio e da saúde, da esperança e da paz que lhes são indispensáveis no esforço de cada dia.


Procura, pois, revestir as próprias manifestações, perante aqueles que te rodeiam, com os recursos da simpatia que ajuda e compreende, e da bondade que concede e perdoa, ampliando a misericórdia no mundo e fortalecendo a fraternidade entre todas as criaturas. Enriquece com o teu entendimento o patrimônio afetivo do companheiro e o companheiro auxílios originais e incessantes.
Envolve em tua generosidade fraterna a alma infeliz e desajustada, e nela descobrirás imprevistas nuanças do amor. Não desprezes a simpatia e a bondade ante as lutas alheias e a bondade e a simpatia nos outros abençoar-te-ão toda a vida.
emmanuel

BENEFÍCIO OCULTO
Gap. XIII — Item 3
"Não saiba vossa mão esquerda o que oferece a direita" é a lição de Jesus que constantemente nos sugere a sementeira do bem oculto. Entretanto, é preciso lembrar que se "nem só de pão vive o homem", não se alimenta a virtude tão-somente de recursos materiais. Acima do benefício que se esconde para ser mais seguro no campo físico, de modo a que se não firam corpos doentes e bocas famintas pêlos acúleos da ostentação, prevalece o amparo mudo às necessidades do sentimento, na esfera do espírito, a fim de que os tóxicos da maldade e os desastres do escândalo não arrasem experiências preciosas com o fogo da imprevidência.

Se percebeste no companheiro as escamas do orgulho ou da rebeldia, envolve-o no clima da humildade, socor­rendo-lhe a sede imanifesta de auxílio, e se presenciaste a queda de alguém, no caminho em que jornadeias, alon­ga-lhe os braços de irmão, para que se levante, sem exagerar-lhe os desajustes com a referência insensata.
Se um amigo aparece errado aos teus olhos, cala o verbo contundente da crítica, ajudando-o com a bênção da prece, e se o próximo surge desorientado e infeliz, em teus passos, oferta-lhe o favor do silêncio, para que se reequilibre e restaure.

Não vale encarecer cicatrizes e imperfeições, a pretexto de apagá-las no corpo das horas, porquanto leve chaga, tratada com desamor, é sempre ferida a cronificar-se no tempo. Distribui, desse modo, a beneficência do agasalho e do pão, evitando humilhar quem te recolhe os gestos de providência e carinho; contudo, não olvides estender a caridade do pensamento e da língua, para que o bálsamo do perdão anule o veneno do ódio e para que a força do esquecimento extinga as sombras de todo mal.

Emmanuel

13 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XIII

FAZER O BEM SEM OSTENTAÇÃO
1. Guardai-vos, não façais as vossas boas obras diante dos homens, com o fim de seres vistos por eles; de outra sorte não- tereis a recompensa da mão de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, derdes esmola, não façais tocar a trombeta diante de vós, como praticam os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados dos homens; em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas, quando derdes esmola, não saiba a vossa esquerda o que faz a vossa direita; para que a vossa esmola fique escondida, e vosso Pai, que vê o que fazeis em segredo, vos pagará. (Mateus, VI: 1-4.)

2. E depois que Jesus desceu do monte, foi muita a gente do povo que o seguiu. E eis que, vindo um leproso, o adorava dizendo: Se tu queres, Senhor, bem me podes limpar. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o dizendo: Pois eu quero; fica limpo. E logo ficou limpa toda a sua lepra. Então lhe disse Jesus: Vê, não o digas a alguém; mas vai, mostra-te aos sacerdotes, e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhes servir de testemunho a eles. (Mateus, VIII: 1-4.)

3. Fazer o bem sem ostentação tem grande mérito. Esconder a mão que dá é ainda mais meritório, e o sinal incontestável de uma grande superioridade moral. Porque, para ver as coisas de mais alto que o vulgo, é necessário fazer abstração da vida presente e identificar-se com a vida futura. É necessário, numa palavra, colocar-se acima da Humanidade, para renunciar à satisfação do testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Aquele que preza mais a aprovação dos homens que a de Deus, prova que tem mais fé nos homens que em Deus, e que a vida presente é para ele mais do que a vida futura, ou até mesmo que não crê na vida futura. Se ele diz o contrário, age, entretanto, como se não acreditasse no que diz.

Quantos há que só fazem um benefício com a esperança de que o beneficiado o proclame sobre os telhados; que darão uma grande soma à luz do dia, mas escondido não dariam sequer uma moeda! Foi por isso que Jesus disse: "Os que fazem o bem com ostentação já receberam a sua recompensa." Com efeito, aquele que busca a sua glorificação na terra, pelo bem que faz, já se pagou a si mesmo. Deus não lhe deve nada; só lhe resta receber a punição do seu orgulho.

Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita é uma figura que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta. Mas, se existe a modéstia real, também existe a falsa modéstia, o simulacro da modéstia, pois há pessoas que escondem a mão, tendo o cuidado de deixar perceber que o fazem. Indigna paródia das máximas do Cristo! Se os benfeitores orgulhosos são depreciados pêlos homens, que não lhes acontecerá perante Deus? Eles também já receberam a sua recompensa na terra. Foram vistos; estão satisfeitos de terem sido vistos; é tudo quanto terão.

Qual será então a recompensa do que faz pesar os seus benefícios sobre o beneficiado, que lhe exige de qualquer maneira teste­munhos de reconhecimento, que lhe faz sentir a sua posição ao exaltar o preço dos sacrifícios que suportou por ele? Oh! para esse, não há nem mesmo a recompensa terrena, porque está privado da doce satisfação de ouvir bendizerem o seu nome, o que é um primeiro castigo para o seu orgulho. As lágrimas que estanca, em proveito da sua vaidade, em lugar de subiíem ao céu, recaem sobre o coração do aflito para ulcerá-lo. O bem que faz não lhe aproveita, desde que o censura, porque todo benefício exprobrado é moeda alterada que perdeu o valor.

O benefício sem ostentação tem duplo mérito: além da caridade material, constitui caridade moral, pois contorna a suscetibilidade do beneficiado, fazendo-o aceitar o obséquio sem lhe ferir o amor-próprio e salvaguardando a sua dignidade humana, pois há quem aceite um serviço, mas recusa a esmola. Converter um serviço em esmola, pela maneira por que é prestado, é humilhar o que o recebe, e há sempre orgulho e maldade em humilhar a alguém. A verdadeira caridade, ao contrário, é delicada e habilidosa para dissimular o benefício e evitar até as menores possibilidades de melindre, porque todo choque moral aumenta o sofrimento provocado pela necessidade.

Ela sabe encontrar palavras doces e afáveis, que põem o beneficiado à vontade diante do benfeitor, enquanto a caridade orgulhosa o humilha. O sublime da verdadeira generosidade está em saber o benfeitor inverter os papéis encontrando um meio de parecer ele mesmo agradecido àquele a quem presta o serviço. Eis o que querem dizer estas palavras: Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita.

14 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 13, 55, 98, 107, 108

Perg. 13 - Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos? -Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abrangertudo; mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois se tivesse uma de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.

Perg. 55 - Todos os globos que circulam no espaço são habitados? - Sim, e o homem terreno está longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crê em que Deus criou o Universo somente para eles.

Perg. 98 - Os Espíritos da segunda ordem só tem o desejo do bem, ou terão também o poder de o fazer? - Eles tem esse poder, de acordo com o grau de sua perfeição. Uns possuem a ciência; outros a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer.

Perg. 107 - Caracteres Gerais: Predomínio do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e seu poder de fazer o bem estão na razão do grau que atingiram: uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade; os mais adiantados juntam ao seu saber as qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, segundo sua ordem, os traços da existência corpórea, seja na linguagem, seja nos hábitos, nos quais se encontram até mesmo algumas de suas manias. Se não fosse assim seriam Espíritos perfeitos.

21 - TRILHA DE LUZ - EMMANUEL - PÁG. 53

SEJAMOS BONS

Não te aflijas com a perspectiva da perfeição de um dia para outro. As tarefas redentoras desconhecem o improviso.

Ergue-se a casa, tijolo a tijolo.
Forma-se o rio, gota a gota.
Constitue-se o tecido, fio a fio.

O Mestre, por isso mesmo, não espera do discípulo prodígios de santidade, num simples momento, de vez que a virtude não é flor ilusória no jardim sublimado da alma. Entretanto, se não podermos realizar o aprimoramento numa hora, devemos aprender a lição de bondade, dia a dia.

Sejamos bons para com aqueles que a Divina Bondade situou em nossos próprios passos, auxiliando-os na senda de elevação. Sejamos bons para com os que caíram na margem de nossa própria estrada, oferecendo-lhes o toque da nossa amizade ou encorajando-lhes o reerguimento com o sorriso de nossa compreensão.

Sejamos bons para com as vítimas da maldade, amparando-as sem ruído para que a maledicência emudeça e para que a calúnia imobilize as garras de treva. Sejamos bons para com os fracos que não podem ainda caminhar sem a neurastenia, sem a queixa e sem a lágrima, sustentanto-lhes o coração com os nossos braços fraternos.

Por onde passamos há sempre alguém que espera um pouco de carinho a fim de restaurar-se. Na harmonia da natureza a flor estende o perfume, a ave carreia a música, a fonte desliza servindo e a árvore produz reconforto e alegria exaltando o sol que mergulha na Terra em ondas ilimitadas de luz.

Por nossa vez ofereçamos a bondade a quem passa por nós ou a quem respira conosco e estaremos louvando a Infinita Bondade do Pai Celestial que, em todos os ângulos da vida, nos envolve em suas Bênçãos de Amor.

LEMBRETE:

1° - A bondade não endossa a preguiça, nem suprime o valor da necessidade de luta, na evolução das almas. Humberto de Campos

2° - A bondade é o amor que se desenvolve. João de Brito

3° - A bondade é o princípio da elevação. Mariano J. P. da Fonseca

4° - Onde luzir o verbo da bondade que auxilia e educa, aí se reflete, magnânima, a voz da Providência. André de Cristo

5° - Bondade que ignora é assim como o poço amigo em plena sombra, a dessedentar o viajor sem ensinar-lhe o caminho. Emmanuel

6° -
Vê-se a miséria desditosa
Perambulando numa praça;
Sob o seu manto de desgraça
Clama o infortúnio abrasador.

Eis que a Fortuna se lhe esconde;
E passa o gozo, muito ao largo;
E ela chora, ao gosto amargo,
O seu destino, a sua dor.

Mas eis que alguém a reconforta:
É a Bondade. Abre-lhe a porta!
E a fada, à luz dessa manhã,

Diz-lhes, a sorrir: -Tens frio e fome?
Pouco te importe qual meu nome,
Chega-te a mim: sou tua irmã.
João de Deus

7° - (...) A bondade também é força, e a mais poderosa e fecunda de todas, porque é força que constrói, é força que edifica. É com ela que removeremos os obstáculos e as pedras de tropeço do caminho da nossa evolução, na conquista de todos os bens, na escalada às regiões luminosas onde a Vida é eterna, e o amor, sem restrições nem intermitências, reina em todas as almas (...) Vinícius

Edivaldo