BURILAMENTO
BIBLIOGRAFIA
01- Fonte viva - pág. 35 02 - Livro da esperança - pág. 214
03 - Nascer e renascer - pág. 67 04 - No mundo maior - pág. 77, 78
05 - Passos da vida - pág. 15 06 - Rastros de Luz - pág. 29
07 - Bênção de paz - pág.32 08- Ceifas de Luz

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

BURILAMENTO – COMPILAÇÃO

01- Fonte viva - Emmanuel - pág. 35

11- GLORIFIQUEMOS - "Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre". Paulo (Filipenses, 4:20)

Quando o vaso de retirou da cerâmica, dizia sem palavras: - Bendito seja o fogo que me proporcionou a solidez.
Quando o arado se ausentou da forja, afirmava em silêncio: -Bendito seja o malho que me deu forma.
Quando a madeira aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz: -Bendita seja a lâmina que me cortou cruelmente, preparando-me a beleza.
Quando a seda luziu, formosa, no templo, asseverava no íntimo:- Bendita seja a feia lagarta que me deu vida.

Quando a flor se entreabiu, veludosa e sublime, agradeceu, apressada: -Bendita a terra escura que me encheu de perfume.
Quando o enfermo recuperou a saúde, gritou feliz: - Bendita seja a dor que me trouxe a lição do equilíbrio.
Tudo é belo, tudo é grande, tudo é santo na casa de Deus. Agradeçamos a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina.

A alvorada é maravilha do céu que vem após a noite na Terra. Que em todas as nossas dificuldades e sombras seja nosso Pai glorificado para sempre.

03 - NASCER E RENASCER - EMMANUEL - PÁG. 67

BURILAMENTO: Diante da Vida Universal, pontilhada de constelações, cuja grandeza nos escapa, por agora, à compreensão, imaginemos o homem primitivo a contemplar da insipiência de sua taba uma cidade superculta, povoada de escolas e santuários, oficinas e monumentos.

Decerto que semelhante visão lhe encorajaria o estímulo ao progresso, mas o exoneraria do dever de aprimorar-se na própria educação, antes de qualquer arrancada às eminências entrevistas. Indispensável, estejamos alertas no aperfeiçoamento que nos é necessário, antes de tentar a ascensão à Espiritualidade Superior. A Terra, em seus múltiplos círculos de ação, simboliza para nós, desencarnados, a universidade preciosa, congregando variados cursos de evolução.

A dor e a dificuldade, o trabalho e a provação, em suas esferas de serviço, representam matérias abençoadas em cuja assimilação, ser-nos-á possível, efetuar o próprio burilamento, à feição do diamante que, aprisionado ao cascalho, reclama o esmeril que o dilacera, convertendo-se, por fim, na pedra formosa e rara, suscetível de refletir as magnificências da luz.

Nosso problema essencial, por enquanto, é o de nossa própria adaptação às Leis Divinas, de que Jesus Cristo, ainda e sempre, é o nosso exemplo maior. Semelhante adaptação se constitui de humildade e de amor, para que a Sabedoria Celeste encontre em nós a justa ressonância.

Contemplando as estrelas e indagando acerca dos mundos sublimes, não nos esqueçamos da própria sublimação, a fim de que, transformados, um dia, em estrelas conscientes no campo da vida, possamos em qualquer parte retratar o Eterno Bem, realizando com a nossa simples presença a exaltação do Senhor.

04 - No mundo maior - André Luiz - pág. 77, 78

(...) O infortunado deixou pender a cabeça sobre um dos ombros dela, demonstrando infinita confiança, e murmurou infantilmente: - Mãe do Céu, ninguém na Terra jamais me falou assim...Via-se-lhe o alívio, através do semblante feliz. Cipriana animou-o, bondosa, e explicou:- É imprescindível aquietes a mente afogueada, depositando nas mãos do Senhor as antigas angústias. A essa altura, voltei a Calderaro meu olhar comovido e notei que as lágrimas não brotavam exclusivamente dos meus olhos. O companheiro tinha-as abundantes a lhe deslizarem na face calma. Tocado por minha silenciosa indagação, falou-me com voz apenas perceptível:

- Praza a Deus, André, possamos também aprender nos amar, adquirindo o poder de transformar os corações. A emissária, que parecia não se dar conta de nossa presença, avançou para o verdugo, sustentando Pedro nos braços, como se lhe fora um filho doente. O perseguidor aguardou-a, ereto e altivo, revelando-se insensível às palavras que nos haviam dominado os corações. A missionária, longe de intimidar-se, aproximou-se, tocando-o quase, e falou, humilde:

- Que fazes tu, Camilo, cerrado à comiseração? O algoz, demonstrando incompreensível frieza, retorquiu, cruel:- Que pode fazer uma vítima como eu, senão odiar sem piedade?- Odiar? - tornou Cipriana, sem se alterar. Sabes a significação de tal atitude? As vítimas inacessíveis ao perdão e ao entendimento soem ultrapassar a dureza e a maldade dos precitos, provocando horror e compaixão. Quantos se valem desse título, para pôr de manifesto as monstruosidades que lhes povoam o ser! quantos se aproveitam da hora de irreflexão de um amigo ignorante ou infeliz, para encetar séculos de perseguição no inferno da ira!

A condição de vítima não te confere santidade; vales-te dela para semear, na própria senda, ruína e miséria, treva e destroços. Sem dúvida, Pedro feriu-te em momento de insânia, perdido de ilusão na mocidade turbulenta; no entanto, pai de família que foste, homem refletido e prudente que aparentavas ser, não encontraste no espírito mínima réstia de piedade fraternal para desculpá-lo. Há vinte anos instilas em torno de ti a peçonha da víbora, na postura do famulento chacal. Podendo conquistar a láurea dos vencedores com o Cristo, preferiste o punhal da vingança, ombreando-te com os malfeitores endurecidos. Onde esbarrarás, meu filho, com teus sentimentos desprezíveis? em que muralha de angústia serás algemado pela Justiça de Deus?

Dos olhos de Cipriana escorriam grossas lágrimas. Camilo vacilava entre a inflexibilidade e a capitulação. Extrema palidez cobria-lhe o rosto, e, quando nos pareceu que ia proferir uma resposta a esmo, a missionária dirigiu-se ao meu orientador, pedindo-lhe com humildade:- Calderaro, meu amigo, ajude-me a conduzi-los. Sigamos até ao lar de Pedro, onde Camilo atenderá nossos rogos. Meu companheiro não hesitou. Voltando-se para mim, obtemperou:- A Irmã transportará Pedro com os próprios recursos, mas o outro, terrivelmente escravizado aos pensamentos inferiores e às intenções criminosas, é pesado de carregar: conduzamo-lo nós ambos.
Dando-lhe nossos braços, Calderaro à direita e eu à esquerda, reparei que o paciente não reagia; compreendendo, talvez, a inanidade de qualquer rebeldia, deixava-se levar sem protesto.

Colocamo-nos, assim, em jornada rápida. Em breves minutos penetrávamos confortável residência, onde uma senhora, na sala de estar, tricotava, junto de dois filhos pequeninos. A conversação doméstica era doce, cristalina. - Mamãe - dizia o menorzinho - onde está o Neneco? - Voltou ao serviço.- E Celita?- No colégio.- E Marquinhos?- Também.- Eu queria "todo o mundo" aqui em casa- Para quê? - indagou a genitora, sorrindo.

- Sabe, mamãe? para rezarmos por papai, a senhora reparou, ontem à noite, como estava aflito e abatido? A jovem matrona transluziu certa angustia olhos, mas objetou, em tom firme:- Confiemos em Deus, meu filhinho. O médico comendou-nos tranquilidade, e estou convencida que a Providência nos ouvirá.Lançou inteligente olhar sobre a criança e acentou:- Vá distrair-se, Guilherme; vá brincar. O pequeno Guilherme, porém, descanso o braço direito sobre um livro de primeiras letras, cismando como se indiretamente percebesse nossa presença, enquanto a senhora súbito abandonava o tricô, para chorar num quarto, a distância.

Acompanhávamos a cena, comovidos, Cipriana se dirigiu a Camilo, desapontado:- Continuemos. Efetivamente, nosso amigo subtraiu-se a vida física, noutro tempo, contraindo assim dolorosa dívida; entretanto, a voz deste menino devotado à prece não te sensibiliza o espírito endurecido? Este é o lar que o Pedro criminoso instituiu para criar o Pedro renovado... Aqui trabalha ele, exaustivamente, para retificar-se perante a Lei. Compreendendo a responsabilidade terrível, assumida com o golpe que te aplicou sem reflexão, meteu ombros a uma atividade desordenada e incessante, derruindo os centros físicos. Antes dos cinquenta anos, no corpo terrestre, revela evidentes sinais de decrepitude. Se cometeu falta grave, tem feito o possível por erguer-se, numa vida nobre e útil. Amparou devotada mulher no instituto do casamento, deu refúgio a cinco filhinhos, esforçando-se por norteá-los para o bem, através do trabalho honesto e do estudo edificante.

Sem dúvida, Pedro cresceu no conceito dos amigos, galgou posição de abastança material; todavia, sabe agora, de experiência própria, que o dinheiro não soluciona problemas fundamentais do destino e que o elevado conceito que possamos conseguir dos outros nem sempre corresponde à realidade. Não obstante todas as vantagens conquistadas no âmbito material, tem vivido enfermo, infortunado, aflito... Apesar disto, tem a seu crédito o serviço realizado com boas intenções, o reconhecimento de uma companheira que o nobilita e as preces de cinco filhos agradecidos.

Quanto a ti, que fizeste? Faz precisamente vinte anos que não abrigas outro propósito senão o de extermínio. O desforço detestável tem sido o objeto exclusivo de teus intuitos destruidores. Teu sofrimento, agora, nasce da volúpia da vingança. Vale a pena ser vítima, receber a palma santificante da dor, para descer tanto na escala da vida? A benfeitora fez breve pausa, fitou-o compadecidamente, e prosseguiu:- Contudo, Camilo, nossa palavra enérgica não se faz ouvir neste santuário, à laia de juízo irrecorrível. És, acima de tudo, nosso irmão, credor de nosso afeto, de nossa estima leal. Com o te visitar, nosso objetivo é ajudar-te. Talvez recuses nossa aliança fraterna, mas confiamos em tua regeneração.

Também nós, ein épocas remotas, demoramos no desfiladeiro fatal, a que te conduziste. Passamos longo tempo, na atitude da serpente venenosa, concentrada em si mesma, aguardando o ensejo de exterminar ou de ferir. No entanto o Senhor Todo Misericordioso nos ensinou que a verdadeira liberdade é a que nasce da perfeita obediência às Suas leis sublimes, e que só o amor tem suficiente poder para sal­var, elevar e remir. Somos todos irmãos, suscetíveis das mesmas quedas, filhos do mesmo Pai... Não te falamos, pois, como anjos, senão como seres humanos regenerados, em peregrinação aos Círculos Maiores!

Havia tal inflexão de carinho naquelas ternas e sábias considerações, que o perseguidor, dantes frio e impassível, prorrompeu em pranto. Malgrado tal modificação, alçou o indicador na direção de Pedro e exclamou:- Quero ser bom, e, todavia, sofro! Confrangem-me atrozes padecimentos. Se Deus é compassivo, por que me deixou ao desamparo?! Aqueles soluços, a explodirem-lhe da alma torturada, feriam-me fundo o coração. Como não chorar também, ali, ante aquela cena simbólica? Camilo e Pedro, entrelaçados no crime e no resgate, não representavam todos nós, os seres humanos falíveis? Cipriana, tolera­te e maternal, não personificava a Compaixão Divina, sempre inclinada a ensinar com o perdão e a corrigir através do amor?

Ouvindo as palavras do verdugo, a missionária observou: - Quem de nós, meu amigo, poderá apreender toda a significação do sofrimento? Indagas a razão por que permitiu o Senhor atravessasses tão dura prova... Não será o mesmo que interrogar o oleiro pelos motivos que o compelem a cozer o delicado vaso em calor ardente, ou inquirir do artista os propósitos que o levam a martelar a pedra bruta, para a obra-prima de estatuária? Camilo, a dor expande a vida, o sacrifício liberta-a. O martírio é problema de origem divina. Tentando solvê-lo, pode o espírito elevar-se ao píncaro resplandecente ou precipitar-se em abismo tenebroso; porque muitos retiram do sofrimento o óleo da paciência, com que acendem a luz para vencer as próprias trevas, ao passo que outros dele extraem pedras e acúleos de revolta, com que se des­penham na sombra dos precipícios.

Notando que o desventurado chorava amargamente, Cipriana continuou, depois de breve silêncio:- Chora! Desabafa-te! O pranto de compunção tem miraculoso poder sobre a alma ferida. Calou-se a emissária por minutos. Seus olhos muito lúcidos pareciam agora vaguear em paisagem distante...Recolheu Camilo, quase maquinalmente, nos braços, conservando os contendores conchegados ao peito, qual se lhes fora mãe comum.Transcorrido algum tempo, dirigiu carinhoso olhar ao algoz de Pedro e prosseguiu:
- Comentas o mal que te feriu, invocas a Providência com expressões desrespeitosas... Ó meu filho, cala o dom de falar quando não puderes servir ao bem. Vivi igualmente na Terra e não padeci quanto devia, considerado o tesouro da iluminação espiritual que recebi do Céu pela dor. Perdi meus sonhos, meu lar, meu esposo, meus filhos!

O Senhor mos deu, o Senhor mos retomou. Meus dois rapazes foram assassinados numa guerra civil, em nome de princípios legais; minhas duas filhas, seduzidas pelo fascínio do prazer e do ouro, escarneceram de minhas esperanças e permanecem na esfera sombria, emaranhadas em perigosas ilusões. O esposo era o único amigo que me restava; entretanto, quando a lepra acometeu minha carne, abandonou-me também, empolgado por visível horror. Desprezaram-me todas as afeições, fugiram os favores do mundo; contudo, enquanto meus membros se desatavam do corpo que se corrompia, quando me achava relegada ao extremo desamparo dos que me eram caros, robustecia-se dentro em mim o cântico da esperança. Minhalma glorificava o Senhor da Vida Triunfante...

Concedera-me Ele, um dia, todas as graças da saúde e da mocidade, retomando, em seguida, esses bens, que eu guardava por empréstimo. Privou-me dos entes queridos, desfez-me o equilíbrio orgânico, enviou-me a fome e a dor; no entanto, quando a minha solidão se fez amarga e completa, minha fé elevou-se mais clara e mais viva... Que necessitava eu, miserável mulher, senão padecer, para santificar a esperança? que não precisarei ainda, para lograr o acesso às fontes superiores? quem somos nós, senão vaidosos vermes com inteligência mal aplicada, aos quais se tem de mil modos manifestado a Misericórdia Infinita, mas em vão?

Foi, então, a vez de Camilo ajoelhar-se. Do tórax de Cipriana partia radioso feixe de luz, que lhe atravessava o coração, qual venábulo de luar cristalino. O infeliz, genuflexo agora, beijava-lhe a destra, num transporte comovente de gratidão, rociando-a de lágrimas.- Sim - disse ele, chorando - não me falaríeis desta maneira, se me não amásseis! Não são vossas palavras que me convencem..senão o vosso sentimento que me tansmuda! E, como acontecera a Pedro, também gritou: -Mãe do Céu, libertai-me de minhas próprias paixões! Desfechai-me as algemas que eu mesmo forjei..quero fugir de minhas sinistras recordações..quero partir, esquecer, empenhar-mena luta regeneradora, recomeçando a trabalhar! (...)

06 - Rastros de Luz - Espíritos Diversos - pág. 29

BURIL DA ALMA: A vida vai transcorrendo com naturalidade. Os momentos de alegria e tristeza mesclam-se compondo pacientemente o livro maravilhoso das nossas existências, deixando cicatrizes que, pouco a pouco, vão emoldurando nossas almas. Nós, seres humanos, evidenciando claramente as nossas fraquezas para com as nuances do espírito, muitas vezes, vemo-nos aceitando passiva e displicentemente a interferência envolvente do mundo instintivo em nossas vidas.

Os dias, meses, anos deslizam céleres, o tempo se esvai, porém, algumas vezes, nos parcos instantes de que dispomos para nós mesmos, para nossas mais profundas meditações, apercebemo-nos de que estamos vivendo e interagindo robotizados, afinizados com os ditames da matéria que sutilmente vão nos transformando em pessoas solitárias e frias, cúmplices fiéis do orgulho, erigindo-o como o césar absoluto das nossas atitudes e decisões.

Estes fugazes momentos, na maioria das vezes, não são suficientes para nos fazer emergir em busca da luz e continuamos como verdadeiros autistas espirituais, admitindo e vivificando os desacertos, como se fossem imaculadas virtudes. Seduzidos pelo brilho e pelas gloríolas mundanas, deixamo-nos arrastar pelas correntezas enganosas das falsas virtudes que fatalmente nos conduzirão ao lago viscoso e obscurecido das ilusões, onde espíritos viciosos e acomodados se deleitam usufruindo os prazeres efêmeros que nunca lhes trarão a felicidade e, em vão, buscam encontrar.

Triste engano.
Ao pensarmos que estamos a caminho do éden, distanciamo-nos dele, perdendo-o nos horizontes da incompreensão, do orgulho, da vaidade, do desamor. . . Imaginamo-nos luzir, resplandecer perante o mundo que nos envolve, mas olvidamo-nos ingenuamente de que a verdadeira luz somente poderá emergir do âmago das nossas almas desbravando, pouco a pouco, a floresta densa e negregosa dos nossos desenganos.

Atribuímo-nos valores que somente os olhos nublados pela vaidade podem enxergar e que, de fato, não possuímos, fazendo-nos acreditar naquilo que, na realidade, não somos. Entretanto, como generosa mãe, a ampulheta do tempo não pára e inexorável e sutilmente somos conduzidos pelas mãos caridosas do Cristo Jesus e, através da desilusão, retroagimos e buscamos o verdadeiro sentido das nossas vivências neste planeta Terra que, tão carinhosamente, nos acolhe. É, através da dor, repudiada e desprezada por nós, humanos, que nossos corações vão sendo burilados, adquirindo gradativamente a beleza do amor, que se faz reluzir através do magnetismo das nossas presenças.

Nossos olhos, como por encanto, adquirem novo brilho, nosso olhar a mansuetude e a compreensão de que, há muito, não projetamos em direção daqueles que conosco caminham, lado a lado, nesta Terra abençoada. Nossa voz passa a emitir sons maravilhosos que acariciam, balsamizam, fazendo com que nossas palavras sejam envoltas no néctar aveludado da gentileza e da fraternidade. Nossos ouvidos, outrora impacientes e críticos, aprendem compassivamente a escutar, guardando para si somente os tesouros e a beleza dos sons e vocábulos emitidos por todos aqueles que se dignam nos dirigir a palavra.

Nosso semblante, muitas vezes, rude e agressivo, nosso sorriso de desdém e desconfiança, metamorfoseados pelo buril da dor, passam a exalar simpatia, brandura e amizade, externando o clima interior que perfuma nossa alma. Nossos braços atrofiados ao longo do corpo, anestesiados pelo torpor do desânimo e do orgulho, abrem-se carinhosamente em forma de cruz redentora do Cristo Jesus, agasalhando todos aqueles que ainda se encontram enregelados pela ausência do amor. Nossas mãos tensas e frias distendem-se, aquecem-se, fortalecem-se, auxiliando, acarinhando, os corações ; revolvidos de compaixão e caridade.

Nossos passos cambaleantes e indecisos adquirem novas forças e encontram o caminho definitivo, rumando decididamente em direção dos combalidos, amainando suas angústias, levando carinho, otimismo e amor aos seus corações desesperados e premidos pela solidão. Nossa mente, outrora, ensandecida pelos miasmas que o mundo exala, envolvida pelo pessimismo destrutivo dos que desconhecem a Justiça Divina, através da dor, transforma-se em fonte viva a espargir benesses para toda a humanidade sedenta de reconhecimento e comiseração e, ainda, tão distante de Jesus. Equilibrados mental e emocionalmente nossos caminhos tornam-se menos ásperos, nossas noites menos escuras, nosso porvir mais esperançoso.

Nossas decisões pautadas no discernimento, bom senso e justiça exaltam as heranças recebidas suave e carinhosamente pela presença do Divino Peregrino do Amor em nossos corações. A sabedoria, doce e melifluamente penetra e se aloja em nossos espíritos, transformando a pedra bruta que éramos no cristal translúcido e luminescente a emanar raios coloridos de compaixão e amor em todas as direções, buscando esta humanidade tão sofrida e, ainda em grande parte, mumificada e enredada pelo egoísmo contumaz.
Transformamo-nos! Pouco a pouco, vamos adquirindo uma tênue luz interior que passa a nos iluminar e, também, a todos aqueles que conosco caminharem e, envolvidos no mais puro dos sentimentos, humildemente, agradecidos ao Pai da Vida dizemos-lhe do imo das nossas almas: "Bendita seja a dor!"

07 - BÊNÇÃO DE PAZ - EMMANUEL - PÁG. 32

BURILAMENTO

"Meu pai trabalha até agora e eu trabalho também." - Jesus (João, 8:17)

Muitas vezes entregas-te a melancólicas reflexões em torno de transformações espirituais que inutilmente intentaste.

Desde o máximo de abnegação ao filho estremecido para quem planejaste luminoso futuro, sem conseguir talvez arrancá-lo à rebeldia em que persiste; ofertaste a própria consciência aos pais queridos, ornamentando-lhes o caminho de auxílio e ternura, e, provavelmente, nem de leve pudeste arredá-los da discórdia a que jazem atrelados por longo tempo; situaste todo o coração no carinho por esse ou aquele companheiro, aguardando-lhes em vão qualquer concurso nas tarefas edificantes que te felicitam a alma; empenhaste os mais nobres sentimentos na melhoria deste ou daquele grupo de entes amados, seja no lar ou na organização de serviço a que te afeiçoas, e, por maior o esforço despendido, nada colheste até agora, senão amargura e negação.

Em meio do trabalho absorvente costumas interromper as próprias atividades, indagando de ti mesmo se vale a pena continuar no esforço renovador... Semelhante introdução ao desespero comumente aparece porque, em muitas ocasiões, experimentas o desencanto de quem cava num monte de pedras procurando debalde o fio dágua que lhe foge à sede, ou a fadiga de quem cruza o deserto, em todas as direções, sem achar caminho para a vanguarda libertadora.

Ainda assim, persevera nos bons propósitos e colabora, quanto possível, pela consecução dos objetivos de fraternidade e aprimoramento a que devemos todos visar.

Uma pergunta só dar-nos-á reconforto: se Jesus, há milênios, trabalha por nós, para que tenhamos o pequenino clarão de conhecimento com que hoje tentamos dissipar as sombras que ainda trazemos, por que desanimar na obra de amparo aos que amamos, se apenas agora começamos a servir no terreno da luz?

NO REINO DA ALMA

"Por este motivo te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti, pela imposição de minhas mãos". - Paulo (II Timóteo 1:6)

Numerosos os companheiros que pagam ou reclamam concurso alheio para que se lhes desenvolvam determinadas qualidades espirituais. Ginásticas, regimes dietéticos, penitências, austeridades místicas... Sem dúvida, semelhantes processos de educação do corpo e da mente valem por precioso concurso ao despertamento da vida interior, sempre que empregados de intenção e pensamento voltados para os interesses superiores do espírito. Mas não bastam.

A palavra do Evangelho, através do apóstolo Paulo, é suficientemente esclarecedora. Ele se reporta à colaboração dos passes magnéticos, ministrados por ele mesmo, em favor do discípulo; entretanto, não o exonera da obrigação de acordar, em si e por si próprio, os talentos de que é portador.

O convívio com um amigo da altura moral do convertido de Damasco, as preces e ensinamentos do lar, os apelos doutrinários e o amparo externo constantemente recebido não desligavam Timóteo do dever de estudar e aprender, trabalhar e servir, a fim de BURILAR os seus dons de alma e acioná-los na construção da própria felicidade pela extensão do bem.

Pensemos nisso e saibamos receber reconhecidamente os auxílios que a bondade alheia nos proporcione, aproveitando-os em nosso benefício, mas lembrando sempre que o auto-aperfeiçoamento, para que a luz do Senhor se nos retrate no coração e na vida, será resultado de esforço nosso, ação individual de que não poderemos fugir.

08 - CEIFA DE LUZ - EMMANUEL

NO BURILAMENTO ÍNTIMO

"Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim" - Jesus, (Mateus, 24:46)

Suspiramos por burilamento pessoal; entretanto, para atingí-lo, urge não esquecer as disciplinas que lhe antecedem a formação. À vista disso, recordemos que a essência da educação reside nas diretrizes de vida superior que adotamos para nós mesmos. Daí, o impositivo de cultivar-se o hábito:

- de ser fiel ao desempenho dos próprios deveres;
- de fazer o melhor que pudermos, no setor de ação em que a vida nos situe;
- de auxiliar a outrem, sem expectativa de recompensa;
- de aperfeiçoar as palavras que nos escapem da boca;
- de desculpar incondicionalmente quaisquer ofensas;
- de nunca prejudicar a quem quer que seja;
- de buscar a "boa parte" das situações e das pessoas, olvidando tudo o que tome a feição de calamidade ou de sombra;
- de procurar o bem com a disposição de realizá-lo;
- de nunca desesperar;
- de que os outros, sejam quais forem, são nossos irmãos e filhos de Deus, constituindo conosco a família da Humanidade.

Para isso, é forçoso lembrar, sobretudo, que a alavanca da sustentação dos hábitos enobrecedores está em nós e somente vale se manejada por nós.

LEMBRETE: BURIL: s.m. escultura e gravação. instrumento com ponta de aço, para cortar e gravar em metal; lavrar pedra, etc..

BURILAR: v.tr.dir. Gravar ou lavrar com buril. Rendilhar

BURILAMENTO: (DE NOSSA ALMA): Significa que com o passar do tempo (das encarnações: a Natureza é lenta e contínua) no mundo espiritual e aqui na Terra vamos vivendo (passamos por) todos os tipos de experiências que permitirão darmos uma FORMA, MOLDAR o nosso SER de acordo com os acordes de DEUS (somos todos Espíritos imortais, perfectíveis).

Edivaldo