CARÁTER
BIBLIOGRAFIA
01- Convites da vida - pág. 157 02 - Críticas e reflexões em torno da moral Esp. - pág. 45
03 - Falando à Terra - pág. 14 04 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 36
05 - Hipnotismo e Mediunidade - pág. 100 06 - Justiça Divina - pág. 113
07 - Mãos de Luz- pág. 163 08 - Nas pegadas do Mestre - pág. 237
09 - O Livro dos Espíritos - Introd. X, XIII, q 101, 211,216 10 - O mestre na Educação - pág. 105
11 - O problema do ser e do destino e da dor - pág. 355 12 - Na escola do Mestre - pág. 133

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CARÁTER – COMPILAÇÃO

06 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 113

DOENÇAS DA ALMA - Reunião pública de 7-8-61 - 1ª parte, cap. VII - ítem 7

Na forja moral da luta em que temperas o caráter e purificas o sentimento, é possível acredites estejas sempre no trato de pessoas normais, simplesmente porque se mostrem com a ficha de sanidade física. Entretanto, é preciso pensar que as moléstias do espírito também se contam.

O companheiro que te fala, aparentemente tranquilo, talvez guarde no peito a lâmina esbraseada de terrível desilusão. A irmã que te recebe, sorrindo, provavelmente carrega o coração ensopado de lágrimas. Surpreendeste amigos de olhos calmos e frases doces, dando-te a impressão de controle perfeito, que soubeste, mais tarde, estarem caminhando na direção da loucura.

Enxergaste outros, promovendo festas e estadeando poder, a escorregarem, logo após, no engodo da deliquência. É que as enfermidades do espírito atormentam as forças da criatura, em processos de corrosão inacessíveis à diagnose terrestre. Aqui, o egoísmo sobreia a visão; ali, o ódio empeçonha o cérebro; acolá, o desespero mentaliza fantasmas; adiante, o ciúme converte a palavra em látego de morte...

Não observes os semelhantes pelo caleidoscópio das aparências. É necessário reconhecer que todos nós, espíritos encarnados e desencarnados em serviço na Terra, ante o volume dos débitos que contraímos nas existências passadas, somos doentes em laboriosa restauração.

O mundo não é apenas a escola, mas também o hospital em que sanamos desequilíbrios recidivantes, nas reencarnações regenerativas, através do sofrimento e do suor, a funcionarem por medicação compulsória. Deixa, assim, que a compaixão retifique em ti próprio os velhos males que toleras nos outros.

Se alguém te fere ou desgosta, debita-lhe o gesto menos feliz à conta da moléstia obscura de que ainda se faz portador. Se cada pessoa ofendida pudesse ouvir a voz inarticulada do Céu, no instante em que se vê golpeada, escutaria, de pronto, o apelo da Misericórdia Divina: "Compadece-te!".

Todos somos enfermos pedindo alta. Compadeçamo-nos uns dos outros, a fim de que saibamos auxiliar. E mesmo que te vejas na obrigação de corrigir alguém - pelas reações dolorosas das doenças da alma que ainda trazemos -, compadece-te mil vezes antes de examinar uma só.

09 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Introd. X, XIII, q 101, 211,216, 385, 521, 582

X—A LINGUAGEM DOS ESPÍRITOS E O PODER DIABÓLICO
Entre as objeções, algumas são mais consideráveis, pelo menos na aparências, porque se baseiam na observação de pessoas sérias. Uma dessas observações refere-se à linguagem de certos Espíritos, que não parece digna da elevação atribuída aos seres sobrenaturais. Se quisermos reportar-nos ao resumo da Doutrina, atrás apresentado, veremos que os próprios Espíritos ensinam que não são iguais em conhecimentos nem em qualidades morais, e que não se deve tomar ao pé da letra tudo o que dizem.

Cabe às pessoas sensatas separar o bom do mau. Seguramente os que deduzem, desse fato, que tratamos com seres malfazejos, cuja única intenção é a de nos mistificar, não conhecem as comunicações dadas nas reuniões em que se manifestam Espírito superiores, pois, de outra maneira, não pensariam assim. É pena que o acaso tenha servido tão mal a essas pessoas, não lhes mostrando senão o lado mau do mundo Espírita, pois não queremos em lugar dos bons, os Espíritos mentirosos ou esses cuja linguagem é de revoltante grosseria.

Poderíamos concluir, quando muito, que a solidez dos seus princípios não é bastante forte para preservá-las do mal, e que encontrando um certo prazer em lhes satisfazer a curiosidade, os maus Espíritos, por seu lado, aproveitam-se disso para se introduzirem entre elas, enquanto os bons se afastam. Julgar a questão dos Espíritos por esses fatos seria tão pouco lógico com o julgar o CARÁTER de um povo pelo que se diz e se faz numa reunião de alguns estabanados, ou gente de má fama, a que não comparecem os sábios nem as pessoas sensatas.

Os que assim julgam estão na situação de um estrangeiro que, chegando a uma grande cidade pelo seu pior arrebalde, julgasse toda a população da cidade pelos costumes e a linguagem desse bairro mesquinho. No mundo dos Espíritos há também desníveis sociais; se aquelas pessoas quisessem estudar as relações entre os Espíritos elevados ficariam convencidas de que a cidade celeste não contém apenas a escória popular. Mas, perguntam elas, os Espíritos elevados chegam até nós?Responderemos: não permaneçais no subúrbio; vede observai e julgai; os fatos estão aí para todos. A menos que a essas pessoas se apliquem estas palavras de Jesus: "Têm olhos e não vêem, têm ouvidos e não ouvem". (...)

XIII - AS DIVERGÊNCIAS DE LINGUAGEM
Estas observações levam-nos a dizer algumas palavras sobre outra dificuldade, referente à divergência de linguagem dos Espiritos. Sendo os Espíritos muito diferentes uns dos outros, quanto ao conhecimento e à moralidade, é evidente que a mesma questão pode ser resolvida por eles de maneira contraditória, de acordo com suas respectivas categorias, como o fariam entre os homens, um sábio, um ignorante ou um brincalhão de mau gosto. O essencial é saber a quem nos dirigimos.

Mas, acrescentam, como se explica que os Espíritos reconhecidos como superiores não estejam sempre de acordo?Diremos inicialmente que além da causa já assinalada,há outras que podem exercer certa influência sobre a natureza das respostas, independendente da qualidade dos Espíritos. Este é um ponto capital, cuja explicação obteremos pelo estudo. Eis porque dizemos que estes estudos requerem atenção contínua, observação profunda e, sobretudo, como aliás todas as ciências humanas, a continuidade e a perseverança.

Necessitamos de anos para fazer um médico medíocre e três partes da vida para fazer um sábio, mas quer-se obter em algumas horas a Ciência do infinito! Que ninguém, portanto, se iluda: o estudo do Espiritismo é imenso; liga-se a todas as questões metafísicas e de ordem social; é todo um mundo que se abre diante de nós. Será de espantar que exija tempo, e muito tempo para a sua realização?

Questão 101: Carcteres gerais: Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões consequentes. Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem. Nem todos são essencialmente maus; em alguns há mais leviandade. Uns não fazem nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, revelam a sua inferioridade. Outros pelo contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo.

O Caráter desses Espíritos se revela na linguagem. Todo Espírito que, nas suas comunicações, traz um pensamento mau, pode ser colocado na terceira ordem; por conseguinte, todo mau pensamento que nos for sugerido provém de um Espírito desta ordem.

Perg. 211 - De onde vem a semelhança de caráter que existe frequentemente entre os irmãos e que se sentem felizes de estar juntos, sobretudo entre gêmeos? - Espíritos simpáticos, que se aproximam pela similitude de seus sentimentos e que se sentem felizes de estar juntos.

Perg. 215 - De onde vem o caráter distintivo que se observa em cada povo? - Os Espíritos também formam famílias pela similitude de suas tendências, mais ou menos purificadas, segundo a sua elevação. Pois bem: um povo é uma grande família em que se reúnemEspíritos simpáticos. A tendência se unirem, que têm os membros dessas famílias, é a origem da semelhança que determina o caráter distintivo de cada povo. Acreditas que Espíritos bons e humanos procurarão um povo duro e grosseiro? Não. Os Espíritos simpatizam com as coletividades, como simpatizam com os indivíduos. Procuram o seu meio.

Perg. 216 - O homem conserva, em suas novas existências, os traços do caráter moral das existências anteriores? - Sim, isso pode acontecer. Mas ao melhorar-se, ele se modifica. Sua posição social também pode não ser a mesma. Se de senhor ele se torna escravo, suas inclinações serão muito diferentes e teríeis dificuldades em reconhecê-lo. O Espírito sendo o mesmo, nas diversas encarnações, suas manifestações podem ter, de uma para outra, certas semelhanças. Estas, entretanto, serão modificadas pelos costumes da nova posição, até que um aperfeiçoamento notável venha a mudar completamente o seu caráter, pois de orgulho e mau pode tornar-se humilde e humano, desde que se haja arrependido.

Perg. 385 - Qual o motivo da mudança que se opera no seu caráter a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica? - É o Espírito que retoma a sua natureza e se mostra tal qual era. Não conheceis o mistério que as crianças ocultam em sua inocência; não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão; e no entanto as amais e acariciais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal maneira, que o amor de uma mãe por seus filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outros seres. De onde vêm essa doce afeição, essa terna complacência que até mesmo os estranhos experimentam por uma criança? Vos sabeis?

Perg. 582 - Pode-se considerar a paternidade como uma missão? - É, sem contradita, uma missão. E ao mesmo tempo um dever muito grande, que implica,mais do que o homem pensa, sua responsabilidade para o futuro. Deus põe a criança sob a tutela dos pais para que estes a dirijam no caminho do bem, e lhes facilitou a tarefa, dando à criança uma organização débil e delicada, que a torna acessível a todas as impressões. Mas há os que mais se ocupam de endireitar as árvores do pomar e fazê-las carregar de bons frutos, do que de endireitar o caráter do filho. Se este sucumbir por sua culpa, terão de sofrer a pena, e os sofrimentos da criança na vida futura recairão sobre eles, porque não fizeram o que lhes competia para o seu desenvolvimento no caminho do bem.

 

12 - Na escola do Mestre - Vinícius (Pedro de Camargo) - pág. 133

30. - A CURA PELA FE
O caso que vamos tratar é narrado por três evangelistas, autores dos três primeiros livros do Novo Testamento, intitulados Evangelhos Sinópticos. Ouçamos como o descreve Marcos, no cap. V, versos 25 a 34.
— Ora, uma mulher, que durante doze anos padecia de uma hemorragia, e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos e gastado tudo quanto possuía, sem nada aproveitar, antes ficando cada vez pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás entre a multidão e tocou-Ihe a capa, porque, dizia: Se eu tocar somente as suas vestes, ficarei curada. No mesmo instante cessou a hemorragia, e sentiu no corpo que estava curada no seu flagelo. E Jesus, conhecendo logo por si mesmo a virtude que dele saíra, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem tocou as minhas vestes? Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e perguntas: Quem me tocou? Mas ele olhava ao redor para ver quem isto fizera. Então a mulher, receosa e trêmula, cônscia do que nela se havia operado, veio, se prostrou diante dele e declarou-lhe toda a verdade. E Jesus, lhe disse: Filha, à tua fé te curou; vai-te em paz, e fica livre do teu mal.

Geralmente, quando se fala em qualquer acontecimento em que entra em jogo a fé, todos imaginam que se trata de algo obtido sem esforço, sem trabalho nem porfias: uma dádiva do céu, uma graça, um favor, e mais que tudo isso uma distinção ou privilégio que a Providência houve por bem conceder discricionária e sumariamente a alguém. Se o caso é de cura, todos a encaram como alcançada graciosamente, num dado momento, independente dos antecendentes, isto é, sem ligação alguma com o passado da pessoa favorecida. Este conceito, apressamo-nos em declarar, sem receio de constestação, é erróneo, não condiz com a realidade do que podemos denominar — conquista da fé.

Que a fé seja um poder, uma expressão de força, todos concordam. Cumpre, porém, considerar que o poder é subjetivo, é abstrato, só se manifesta pelo que produz, portanto, pelas obras. Aí, no terreno concreto, é que a fé se revela com força capaz de incalculáveis realizações. A fé é uma virtude complexa, porque em sua estrutura entram vários elementos que, considerados isoladamente, são outras tantas virtudes que dela derivam, constituindo partes integrantes suas.
Para melhor esclarecimento sobre as características da fé, vamos meditar, escalpelando o caso desta mulher; pois assim apreendemos facilmente o que, talvez com justeza, possamos classificar de — psicologia da fé.

Reportemo-nos aos acontecimentos que precederam à cura da mulher hemorrágica. Ela vinha sofrendo essa enfermidade, havia doze anos. É um período bem longo para suportar semelhante moléstia. A despeito disso, a doente não desanimou, não se entregou ao desespero, não perdeu a esperança. Manteve-se em atitude otimista e corajosa, porfiando por conseguir a saúde perdida. Deu provas de resignação, paciência e humildade.

Dirão, talvez: Onde fui eu buscar semelhantes predicados para adornar o caráter dessa mulher? Responderei que não estou fantasiado, porém mantendo-me dentro da mais severa realidade. A vida dessa enferma, os seus antecedentes, os fatos positivos que com ela se passaram dão testemunho do que ora afirmamos.
E quereis, por acaso, testemunho mais valioso e menos insuspeito que aquele fornecido pelos fatos, pelo procedimento do indivíduo?
(..)

LEMBRETE:

1° - Caráter: As aquisições do passado permanecem latentes, não são destruídas; e como têm o seu fulcro, as suas raízes,no inconsciente, quanto mais longa tenha sido a trajetória da alma. Essas aquisições é que fazem o substrato do Espírito, isso que denominamos o CARÁTER, a marca própria de cada qual, assim como os seus pendores cada vez mais amplos para as ciências, artes, letras, indústrias. etc.. Há fatos irrecusáveis que o atestam, sem sombra de quaisquer dúvidas. Gabriel Delanne

2° - O caráter é a manifestação do poder da individualidade sobre a personalidade; sobrepondo-se aos desejos e às cobiças, que preconceitos e vícios da personalidade, o caráter forma-se e consolida-se (...) Vinícius

Caráter: s.m. Qualidade inerente a certos modos de ser ou estados; feitio moral; índole; cunho, distintivo moral. (Dicionário da Lingua Portuguesa)

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