CATALEPSIA
BIBLIOGRAFIA
01- A alma é imortal - pág. 291 02 - A Gênese - cap. XIV ítem 29
03 - A levitação - pág. 149 04 - Análise das coisas - pág. 102
05 - Antologia do Perispírito - ref. 324 06 - Antônio de Pádua - pág. 113
07 - Hipnotismo e Espiritismo - pág.11,15, 56, 105 08 - Hipnotismo e Mediunidade - pág. 164
09 - Jesus perante a cristandade - pág. 139 10 - Magnetismo espiritual - pág. 200, 283
11 - Memória da loucura - pág. 110 12 - Messe deamor - pág. 16
13 - O céu e o Inferno- p2 cap VIII Antonio B 14 - O Livro dos Espiritos - pág. q 422
15 - O Espiritismo - pág. 91

16 - O trabalho dos mortos - pág. 203

17 - Os milagres de Jesus - pág. X 81 18 - Quando voltar a primavera - pág. 118
19 - Recordações da mediunidade - pág. 11, 21. 64 20 - Reencarnação e vida - pág. 102
21 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 172 22 - Saúde e Espíritismo - pág. 105
23 - Síntese de o novo Testamento - pág. 80 24 - Voltas que a vida dá - pág. 50

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CATALEPSIA – COMPILAÇÃO

01- A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 291

A vontade
A palavra vontade dá lugar às vezes a mal-entendidos, decorrentes, sem dúvida, de não se ter bastante cuidado em distinguir a intenção ou o desejo de fazer uma coisa do poder de a executar. Quando um indivíduo paralítico das pernas quer caminhar, é-lhe impossível mover os músculos da locomoção. Ele realmente quer, mas, em virtude de uma ação mórbida, sua vontade não se executa. Por outro lado, na linguagem médica, diz-se, a propósito de uma paralisia histérica, que a vontade está paralisada, para significar que não há, em realidade, da parte do doente, intenção ou desejo de mover os membros do corpo.

As dificuldades, porém, não se limitam ao emprego dessa palavra em dois sentidos opostos; as opiniões igualmente divergem, quando se lhe quer conhecer a natureza. Os materialistas, que fazem da sensação a base do espírito humano e que não admitem para a alma uma existência independente; que consideram as faculdades da alma simples produtos da atividade do cérebro, apenas vêem na vontade o termo final da luta de dois ou muitos estados opostos de consciência. Para essa escola, a vontade é uma resultante de atos físicos mais ou menos complexos. Carece de existência própria.

Nós, que sabemos ser a alma uma realidade com o poder de manifestar-se independente de toda matéria organizada, sustentamos que a vontade é uma faculdade do espírito; que ela existe positivamente como potência; que sua ação se revela claramente na esfera do corpo e que pode mesmo projetar a distância sua energia, como os fatos o vão demonstrar.

Ação da vontade sobre o corpo


É manifesta, para toda gente, a influência da vontade sobre os músculos: queremos levantar um braço, ele executa o movimento, constituindo esse ato um exemplo trivial da ação da alma sobre o corpo. Há, porém, casos notáveis em que o seu poder se exerce sobre partes do organismo que pareciam exclui das da sua dominação. Não é impossível que a vontade atue por ação dlreta sobro o coração e os músculos lisos da vida orgânica. Aqui está um exemplo.

Um distinto membro da Sociedade Real de Londres, o Sr. Fox, conseguia, por voluntário esforço, aumentar de dez a vinte por minuto os batimentos do seu pulso. Também o Sr. Hack Tuke fez a mesma experiência: pelo espaço de dois minutos mais ou menos, as pulsações, que a princípio eram regulares, se elevaram de 63 a 82. Pelo exercício, desenvolve-se o poder da vontade. Sabe-se, por narrativas autênticas, que os faquires podem, voluntariamente, pôr-se em estado cataléptico, fazer-se enterrar num subterrâneo e voltar à vida ao cabo de alguns meses de sepultamento. Este fato não é desconhecido na Europa. Poderíamos citar muitos casos de letargia voluntária, devidas ao coronel Townsend. O que se segue foi testemunhado por três doutores, os Srs. Chayne, Baynard e Skrine.

"O pulso, diz o Dr. Chayne, era bem acentuado, conquanto fraco e filiforme; o coração batia normalmente. O coronel deitou-se de costas e permaneceu calmo por alguns instantes. Notei que seu pulso enfraquecia gradativamente, até que, por fim, malgrado à mais minuciosa atenção, deixei de percebê-lo. O doutor Baynard, por seu lado, não conseguia perceber o menor movimento do peito e o Sr. Skrine não logrou notar a mais ligeira mancha produzida sobre o espelho reluzente por ele mantido diante da boca do coronel. Cada um de nós, a seu turno, lhe examinou o pulso, o coração e a respiração.

Porém, apesar das mais severas e rigorosas pesquisas, não nos foi possível descobrir o mais ligeiro sinal de vida." Iam os três retirar-se, convencidos de que o paciente morrera, quando um ligeiro movimento do corpo os tranquilizou. Pouco a pouco o coronel voltou à vida. Durara meia hora a letargia. Esse poder da alma sobre o corpo pode chegar até a vencer a enfermidade. Muitas vezes, uma vontade enérgica consegue restabelecer a saúde, com exclusão dos efeitos da imaginação ou da atenção. (...)

02 - A Gênese - Allan Kardec - cap. XIV ítem 29

29. -A matéria inerte é insensível; o fluido perispiritual o é também, mas ele transmite a sensação ao centro sensitivo que é o Espírito. As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no Espírito como um choque elétrico, por intermédio do fluido perispiritual, do qual os nervos parecem ser os fios. Poder-se-ia ainda admitir que, em certas circunstâncias, se produz, no próprio fluido perispiritual, uma modificação molecular que lhe tira temporariamente a propriedade de transmissão. Assim é que, frequentemente, no ardor do combate, um militar não percebe que foi ferido; que uma pessoa cuja atenção está concentrada sobre, um trabalho, não ouve o ruído que se faz ao redor dela. É um efeito análogo, porém, mais pronunciado, que ocorre em certos sonâmbulos, na letargia e na catalepsia. É assim, enfim, que se pode explicar a insensibilidade dos convulsionários e de certos mártires. (Revista Espírita, janeiro 1868: Estudo sobre os Aïssaouas.) A paralisia não tem, de nenhum modo, a mesma causa: aqui o efeito é todo orgânico; são os próprios nervos os fios condutores que não estão mais aptos para a circulação fluídica; são as cordas do instrumentos que estão alteradas.

30. - Em certos estados patológicos, quando o Espírito não está mais no corpo, e que o perispírito a ele não adere senão em alguns pontos, e corpo tem todas as aparências da morte, e se está na verdade absoluta, dizendo que a vida não se prende senão por um fio. Este estado pode durar mais ou menos tempo; certas partes do corpo podem mesmo entrar em decomposição, sem que a vida estiver definitamente extinta. Enquanto o último fio não estiver rompido, o Espírito pode, seja por uma ação enérgica de sua própria vontade, seja por um influxo fluídico estranho, igualmente poderoso, ser chamado ao corpo. Assim se explicam certos prolongamentos da vida contra toda probabilidade, e certas pretensas ressurreições. É a planta que desabrocha, às vezes, com uma única fibrila da raiz; mas quando as últimas moléculas do corpo fluídico se destacaram do corpo carnal, ou quando este ultimo está num estado de degradação irreparável, todo retorno à vida se torna impossível.

13 - O céu e o Inferno- Allan Kardec - p2 cap VIII Antonio B

Antônio B...- (Enterrado vivo — Pena de talião)
Antônio B..., escritor de estimadíssimo merecimento, que exercera com distinção e integridade muitos cargos públicos na Lombardia, pelo ano de 1850 caiu aparentemente morto, de um ataque apoplético. Como algumas vezes sucede em casos dessa natureza, a sua morte foi considerada real, concorrendo ainda mais para o engano os vestígios da decomposição assinalados no corpo. Quinze dias depois do enterro, uma circunstância fortuita determinou a exumação, a pedido da família. Tratava-se de um medalhão por acaso es­quecido no caixão.

Qual não foi, porém, o espanto dos assistentes quando, ao abrir este, notaram que o corpo havia mudado de posição, voltando-se de bruços e — coisa horrível — que uma das mãos havia sido comida em parte pelo defunto. Ficou então patente que o infeliz Antônio B... fora enterrado vivo e deveria ter sucumbido de desespero e por fome. Evocado na Sociedade de Paris, em agosto de 1861, a pedido de parentes, deu as seguintes explicações:

1. Evocação. Que quereis?

2. A pedido de um vosso parente, nós vos evocamos com prazer e sere­mos felizes se quiserdes responder-nos. R. -Sim, desejo fazê-lo.

3 Lembrai-vos dos incidentes da vossa morte? R. -Ah! Certamente que me lembro; mas por que avivar essa lembrança do castigo?

4. Efetivamente fostes enterrado por descuido? R. -Assim deveria ser, visto revestir-se a morte aparente de todos os carcterísticos da morte real; eu estava quase exangue.( Privado de circulação do sangue, descolaração da pele, privação do sangue).

-Não se deve, porém, imputar a ninguém um acontecimento que me estava reservado desde que nasci.

5. Incomodam-vos essas perguntas? Será mister lhe darmos fim? R. -Não. Podeis continuar.

6. Porque deixastes a reputação de um homem de bem, esperamos
que fosseis feliz.

R. -Eu vos agradeço, pois sei que haveis de interceder por mim. Vou fazer o possível para vos responder e, se não o puder fazer, o fará um dos vossos Guias por mim.

7. Podeis descrever-nos as vossas sensações daquele momento?

R. -Que dolorosa provação sentir-me encerrado entre quatro tábuas, to­lhido, absolutamente tolhido! Gritar! Impossível!
A voz, por falta de ar, não tinha eco! Ah! Que tortura a do infeliz que em vão se esforça para respirar num ambiente limitado! Eu era como um con­denado à boca de um forno, abstração feita do calor. A ninguém desejo um fim rematado por semelhantes torturas. Não, não desejo a ninguém um fim assim! Oh! Cruel punição de cruel e feroz existência! Não saberia dizer no que então pensava; apenas revendo o passado, vagamente entrevia o futuro.

8. Dissestes — cruel punição de feroz existência... Como se pode con­ciliar esta afirmativa com a vossa reputação ilibada?

R. -Que vale uma existência diante da eternidade?!
-Certamente procurei ser honesto e bom na minha última encarnação, mas eu aceitara um tal epílogo previamente, isto é, antes de encarnar. Ah! Por que interrogar-me sobre esse passado doloroso que só eu e os bons Espíritos enviados do Senhor conhecíamos? Mas, visto que assim é preci­so, dir-vos-ei que numa existência anterior eu enterrara viva uma mulher — a minha mulher, e por sinal que num fosso! A pena de talião devia ser-me aplicada. Olho por olho, dente por dente.
9. Agradecemos essas respostas e pedimos a Deus vos perdoe o passado, em atenção ao mérito da vossa última encarnação.
R. Voltarei mais tarde, mas, não obstante, o Espírito de Erasto completará esta minha comunicação. (...)

14 - O Livro dos Espiritos - Allan Kardec - questão 422

Perg. 422 - Os letárgicos e os catalépticos vêem e ouvem geralmente o que se passa em torno deles, mas não podem manifestá-lo; é pelos olhos e os ouvidos do corpo que o fazem?
- Não; é pelo Espírito; o Espírito está consciente, mas não pode comunicar-se.

Perg. 422a. - Por que não pode comunicar-se?
- O estado do corpo se opõe a isso. Esse estado particular dos órgãos vos dá a prova de que existe no homem alguma coisa além do corpo, pois este não está funcionando e o Espírito continua a agir.

Perg. 423. - Na letargia o Espírito pode separar-se inteiramentedo corpo, de maneira adar a este todas as aparências da morte, e voltar a ele em seguida?
-Na letargia o corpo não está morto, pois há funções que continuam a realizar-se; a vitalidade se encontra em estado latente, como na crisálida, mas não se extingue. Ora, o Espírito está ligado ao corpo enquanto ele vive; uma vez rompidos os laços pela morte real e pela desagregação dos órgãos, a separação é completa e o Espírito não volta mais. Quando um homem aparentemente morto volta à vida, é que a morte não estava consumada.

23 - Síntese de o novo Testamento - Mínimus - pág. 80

O FILHO DA VIÚVA DE NAIM - (Luc, 7:11 a 17)

Em dia subsequente dirigia-se Jesus para uma cidade chamada Naim, acompanhado dos seus discípulos e numeroso povo, quando, ao se aproximar da porta da cidade, avistou que levavam para fora um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva, e que vinha acompanhada por muita gente da cidade.

Vendo-a, o Senhor teve pena dela e lhe disse: - "Não chores".- aproximou-se e tocou o esquife; e, como parassem os que o conduziam, disse: - "Moço, eu te digo, levanta-te! - Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus o restituiu â mãe dele.

Aterraram-se todos e glorificaram a Deus, dizendo: Apareceu entre nós um grande profeta e Deus visitou seu povo. Correu notícia disto por toda a Judéia e circunvizinhança.

LEMBRETE:

1°. - CATALEPSIA: Na catalepsia simples ou vulgar, que é a mais comum entre as catalepsias provocadas, a pessoa se imobiliza, com a fisionomia impassível, com os olhos abertos e fixos. Nenhum batimento de pálpebras. Quase sempre fica absolutamente abolida ou, quando menos, consideravelmente diminuída, toda espécie de excitabilidade muscular reflexa. As extremidades articuladas, por falta de resistência, assumem extrema leveza; prestam-se a todos os movimentos possíveis que se lhes queira imprimir (flexibilidade cérea), e conservam, por tempo notável, a atitude que se lhes deu, embora sumamente incômoda e penosa. José Lapponi

2°. - CATALEPSIA COM FASCINAÇÃO: Se a atividade funcional do órgão da vista prevalece sobre a do sentido muscular, ou então se, durante a catalepsia, ou com uma luz viva, com um olhar imperioso, com um ruído ou por algum outro meio se consegue atrair, para si ou para alguma pessoa da reunião, a atenção do paciente, a dominá-lo com o olhar, como diz Bremaud, ter-se-á então a catalepsia com fascinação. José Lapponi

3°. - CATALEPSIA EXTÁTICA: Às vezes, na catalepsia persiste a atividade passiva da mente, conjunta a um certo grau de consciência e de memória, e exagerada atividade da imaginação. Tem-se então aquela forma de Catalepsia que se denomina extática ou Catochus ou Catalepsia espúria. José Lapponi

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