CÉREBRO
BIBLIOGRAFIA
01- A AGONIA DAS RELIGIÕES, pag. 112 02 - A EVOLUÇAO ANIMICA, pag. 96
03 - A INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL, pag. 29 04 - A LOUCURA SOB NOVO PRISMA, pag. 97
05 - A VIDA ALÉM DO VÉU, pag. 37 06 - ALLAN KARDEC - VOL 1, pag. 180
07 - ALQUIMIA DA MENTE, pag. 87, 111 08 - ANÁLISE DAS COISAS, pag. 55, 75
09 - ANTOLOGIA DO PERISPÍRITO, pag. 551, 636 10 - APÓS A TEMPESTADE, pag. 78

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CÉREBRO – COMPILAÇÃO

01 - CÉREBRO

O cérebro, a inteligência e o espírito
Bernardino da Silva Moreira

O cérebro é o meio que expressa a inteligência no mundo material, por isso a maioria dos estudiosos da mente humana, faz da inteligência um atributo do cérebro. A questão para eles se resume em indagações como estas: cérebro menor é sinônimo de inteligência menor? Um cérebro maior é garantia de uma inteligência maior?

Bem sabemos, como espíritas, que: “a inteligência é um atributo essencial do espírito”, daí podemos concluir que o corpo físico é apenas “o envoltório do Espírito”, porque “o espírito conserva os atributos da natureza espiritual”. O corpo físico é o instrumento que o espírito se utiliza para “o exercício das faculdades”, mas, não podemos esquecer que as faculdades do espírito “depende dos órgãos que lhes servem de instrumento”.

Há uma diferença essencial entre a ciência materialista e a ciência espírita, pois, enquanto a primeira faz do cérebro o excretor da inteligência, a Segunda faz do cérebro apenas um instrumento do espírito, que é o ser inteligente individualizado.

Cientes de que “os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da alma”, e que esta manifestação “se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos órgãos”, voltaremos às indagações iniciais: cérebro menor é sinônimo de inteligência menor? Um cérebro maior é garantia de uma inteligência maior? Vamos aos exemplos: o assustador Tyrannosaurus Rex tinha 8 toneladas de peso e apenas 200 centímetros cúbicos (200 gramas) de volume cerebral; o pesadão Brachiosaurus, 87 toneladas e 150 gramas de cérebro; o Stegosaurus na leveza de suas 2 toneladas tinha apenas 30 gramas de cérebro. Entre os dinossauros mais inteligentes estavam os Saurornithoides, que tinha cérebros que pensavam em geral 50 gramas para uma massa corporal de mais ou menos 50 quilos, o que os situa próximo ao avestruz.

Estudos e experiências realizadas com chimpanzés, revelaram nessa espécie da ordem dos primatas, uma inteligência bastante aguçada. Entre os vários exemplos citaremos dois bastante expressivos: o chimpanzé Sultan era capaz de conectar dois bastões a fim de alcançar uma banana de outra forma inacessível. Em Tenerife, dois chimpanzés foram observados maltratando uma galinha: um deles estendia o alimento para a ave, incentivando-a a aproximar-se; enquanto isso, o outro arremetia golpes contra ela com um pedaço de arame que escondera nas costas. A galinha recuava, mas logo se aproximava novamente – e novamente era atingida.

Dois psicólogos, Beatrice e Robert Gardner, da Universidade de Nevada, sabendo que a faringe e a laringe do chimpanzé não são apropriadas à linguagem humana, tiveram uma brilhante idéia: ensinar a um chimpanzé uma linguagem americana de sinais, conhecida por seu acróstico AMESLAN (American sign language) e às vezes por “linguagem americana de surdos e mudos”. Conclusão: existe hoje uma vasta biblioteca de conversas descritas e filmadas utilizando o AMESLAN e outras linguagens com chimpanzés estudados pelos Gardner e por outros outros.

Em “Os animais e o homem”, inserido em “O Livro dos Espíritos”, na questão 593, Kardec pergunta: “Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto?” Eis a resposta dos Espíritos superiores, surpreendente para a época: “Ainda aí há um sistema. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada.” É inegável a diferença entre dinossauros e chimpanzés; enquanto nos primeiros o instinto é dominante, nos segundos, além dos instintos há inteligência, que apesar de ser limitada, se comparada a do homem, é surpreendente pela vontade que denotam ao expressar suas ações.

Há 3 milhões de anos, existia uma série de indivíduos bípedes com grande variedade de volume craniano, um deles, o qual L.S.B. Leskey, o estudioso anglo-queniano do homem primitivo, chamou Homo habilis, tinha um volume cerebral aproximadamente de 700 centímetros cúbicos (700 gramas).

Os homens e mulheres modernos têm caixas cranianas com o dobro do volume das do Homo habilis, isto é, a massa cerebral do homem contemporâneo gira em torno 1.375 gramas.

Um recém-nascido normal possui, em média 350 gramas de massa cerebral (cerca de 12% da massa corporal), isto é, 23% do tamanho do cérebro do adulto; com um ano de idade, 500 gramas. O cérebro, principalmente o córtex cerebral, continua a crescer rapidamente nos três primeiros anos de vida – o período de mais rápido aprendizado. O crescimento total não se completa antes de vinte e três anos de idade.

Se uma massa cerebral maior é um indício de maior inteligência, uma massa cerebral é indício de inteligência menor? Pelo que vimos parece que sim.

O cérebro da mulher contemporânea tem cerca de 150 centímetros cúbicos (150 gramas) a menos que o homem. Quando os aspectos culturais e a educação da criança são levadas em consideração, não existem indícios concretos de diferenças globais na inteligência entre sexos. Por conseguinte, a diferença de 150 gramas de massa cerebral nos seres humanos deve ser desprezível. Existem diferenças análogas na massa cerebral adultos de diferentes etnias humanas (os orientais, em média, possuem cérebros ligeiramente maiores do que os do homem branco); considerando-se que não foram demonstradas diferenças de inteligência sob condições controladas, segue-se a mesma conclusão. A discrepância entre os tamanhos de cérebros de Lorde Byron (2.200 gramas) e Anatole France (1.100 gramas) sugere que, neste campo, a diferença de muitas centenas de gramas pode ser irrelevante em termos funcionais. Não podemos prever a inteligência de uma pessoa, de forma alguma, medindo o tamanho do seu cérebro. Contudo, como demonstrou o biólogo americano Leigh Van Valen, especialista em evolução, os dados disponíveis sugerem uma correlação boa entre o tamanho do cérebro e a inteligência.

O Espiritismo e a Ciência se complementam, pois, as leis do mundo espiritual e as leis do mundo material são faces de uma realidade comum. A Ciência precisa do Espiritismo, tanto quanto o Espiritismo precisa da Ciência; isolados, não chegarão a um resultado final e se perderão no labirinto de hipóteses insustentáveis. Na questão 370 de “O Livro dos Espíritos”, temos a solução para os problemas criados pelo reducionismo materialista:

“Da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento do cérebro e o das faculdades morais e intelectuais?

- Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, NÃO SÃO OS ÓRGÃOS QUE DÃO AS FACULDADES, E SIM ESTAS QUE IMPULSIONAM O DESENVOLVIMENTO DOS ÓRGÃOS.

(Publicado na REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, Ano LXXVII, Nº 01, Pág. 17, Fevereiro, 2002).

02 - CÉREBRO

FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Programa: Ciência Espírita.
Inteligência e instinto. O pensamento.

O cérebro é o órgão do corpo humano que expressa a inteligência do Espírito, daí a Ciência considerar a inteligência como um atributo do cérebro. O Espiritismo entende que a inteligência é atributo do Espírito. Entretanto, conforme o enfoque, mais ou menos materialista das ciências e das escolas filosóficas, a questão é comprexa. Alguns conceitos podem, talvez, esclarecer o assunto.
1. O que é inteligência?
Uma conceituação ampla mostra que inteligência pode ser definida como a capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair idéias, compreender idéias e linguagens e aprender. Embora pessoas leigas geralmente percebam o conceito de inteligência sob um escopo muito maior, na Psicologia, o estudo da inteligência geralmente entende que este conceito não compreende a criatividade, a personalidade, o caráter ou a sabedoria. Para a Biologia a capacidade de sobrevivência da espécie humana, adaptação ao ambiente, aprendizagem e raciocínio associativo-criativo e ou pensamento abstrato são características da inteligência do seres humanos. Todos estudiosos do assunto concordam que a inteligência se desenvolve pelo exercício. Os fatores genéticos influenciam a manifestação e aperfeiçoamento da inteligência. Da mesma forma, algumas doenças mentais e neurológicas, obsessões e traumatismos. As drogas dificultam ou impedem a expressão da inteligência. Atualmente, o conceito de inteligência está muito associado ao de "inteligência social": a pessoa inteligente bem sucedida é discutida, especialmente em seus aspectos sociais.
O relatório americano, assinado por 52 pesquisadores de inteligência, e publicado em 1994, afirma que inteligência é "uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender idéias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta - 'pegar no ar', 'pegar' o sentido das coisas ou 'perceber'
Os estudos sobre inteligência tiveram como base os testes psicométricos, sendo que o mais conhecido é o do “QI” (Quociente de Inteligência). Os testes de QI medem a inteligência cognitiva. Os psicólogos, porém, têm evitado elaborar definições de inteligência com base nesses testes, considerando-os mais um slogan do que um conceito científico, sobretudo em razão das implicações históricas: reação ao darwinismo, segregacionismo nazi-fascista e a idéia de supremacismo anglo-saxão à moderna sociobiologia. Entretanto, tais testes têm seu valor e não devem ser totalmente desprezados, sobretudo porque se faz, hoje, inúmeros cruzamentos com outros testes e análises mais precisas de fatores envolvidos na testagem. O conceito de quociente de inteligência foi adotado pelo psicólogo norte-americano Louis Terman, em 1915. O QI é calculado de acordo com a fórmula: QI = IM/IC x 100 em que IM é a «idade mental» (a idade em que uma criança média é capaz de desempenhar determinadas tarefas) e IC é a «idade cronológica». Daí o fato de uma pessoa média possuir um QI de 100.
1.1 Inteligências múltiplase Inteligência emocional
Nas propostas de alguns investigadores, a inteligência não é uma, mas consiste num conjunto de capacidades relativamente independentes. O psicólogo Howard Gardner, na Universidade de Havard-USA, desenvolveu a Teoria das múltiplas inteligências classificando, num primeiro momento, a inteligência em sete componentes diferentes: lógico-matemática, linguística, espacial, musical, cinemática, intra-pessoal e inter-pessoal. Daniel Goleman e outros investigadores desenvolveram o conceito de Inteligência emocional e afirmam que esta inteligência é pelo menos tão importante como a perspectiva mais tradicional de inteligência. Para Howard Gardnerinteligência seria : "um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura".Gardner explica também que as inteligências não são objetos que podem ser contados, e sim, potenciais que poderão ser ou não ativados, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, seus professores e outros. Entretanto, Gardner não apresenta respostas convincentes a respeito da Inteligência Existencial ou Espiritual, analisada por outros estudiosos. Embora o autor se sinta interessado, ele conclui que “o fenômeno é suficientemente desconcertante e a distância das outras inteligências suficientemente grande para ditar prudência - pelo menos por ora”.
A Inteligência Emocional é um tipo de inteligência que envolve as habilidades para perceber, entender e influenciar as emoções. Foi introduzida e definida por John D. Mayer e Peter Salovey, mas o conceito foi popularizado pelo jornalista por Daniel Goleman (1995). Inteligência emocional, chamada também EI, é medida freqüentemente como um Quoficiente de inteligência Emocional ou um QE emocional. QE descreve uma habilidade, uma capacidade, ou uma habilidade de perceber, para avaliar, e controlar as emoções de si mesmo, de outro, e dos grupos. As principais pesquisas científicas na área da inteligência são: A relevância da inteligência psicométrica com o senso comum de inteligência
• A inteligência aplicada no dia-a-dia.
• O impacto dos genes e do ambiente na inteligência humana
• Raça e inteligência
• Sexo e inteligência
2. Há diferença entre inteligência e intelecto?
Existe sim. Inteligência é faculdade ou capacidade de conhecer, compreender e aprender. Pode também ser conceituada como a capacidade de apreender e organizar dados, fatos e acontecimentos em circunstâncias para as quais de nada servem o instinto, a aprendizagem e o hábito. A inteligência se desenvolve pelo intelecto. Intelecto/intelectualidade é capacidade pensante inerente ao ser humano que viabiliza o desenvolvimento da inteligência. No ser humano a intelectualidade se desenvolve pelo pensamento continuo.Os animais têm uma inteligência primitiva (pensamento descontínuo), mas não possuem intelecto ou intelectualidade, propriamente dita. O aprendizado se baseia no instinto e no hábito (automatismo). Sendo assim, o homem primitivo tinha inteligência (possuidor de pensamento contínuo), mas não intelectualidade (poucos conhecimentos). O gênio possui uma inteligência elevada em razão da do alto grau de intelectualidade que possui. O gênio representa forte evidência à teoria reencarnatória.
A palavra intelecto foi constantemente usado pelos filósofos com dois sentidos: a) genérico como capacidade de pensar associada à inteligência (Platão, Aristóteles) que difere dos sentidos (Tomás de Aquino); b) como capacidade técnica ou particular de pensar, considerada como algo que se fixa no intelecto (Fichte). O intelecto pode ser sinônimo de intuição (Aristóteles); de intuir os princípios do raciocínio (Tomas de Aquino); razão ou raciocínio (Kant); capacidade operante (Bergson). A inteligência, como capacidade primordial, é objeto do(ou serve de base pelo) intelecto (Aristóteles) ou “atividade pura”, segundo Kant. Dessa forma , a inteligência compreende por meio do intelecto.

O que é instinto
Instinto é uma palavra usada para descrever disposições inatas em relação a ações particulares. Instintos geralmente são padrões herdados de respostas ou reações a certos tipos de situações ou características mecanizadas de determinadas espécies. Em humanos, eles são mais facilmente observados em respostas a emoções. As ações particulares executadas podem ser influenciadas pelo aprendizado, ambientes e princípios naturais. Alguns sócio-biólogos e etólogos têm tentado compreender o comportamento social humano e animal em termos de instinto. Psicanalistas afirmaram que o instinto se refere a forças motivacionais humanas (como sexo., alimento e agressão), especificadas no sistema límbico do cérebro. Atualmente, não se refere ao instinto como ‘forças motivacionais”, mas como impulso instintivo. Para os filósofos é um guia natural da conduta animal (inclusive a humana) não adquirido, não escolhido e pouco nada modificável nas diferentes espécies animais. O instinto tem caráter biológico porquanto se destina à preservação do indivíduo e da espécie e se vincula a uma estrutura orgânica determinada. Distingue-se de impulso por seu caráter estável. O instinto, do ponto de vista da Filosofia, tem uma conceituação metafísica (é a força que assegura a concordância entre a conduta animal e a ordem do mundo) e, segundo a Ciência, é uma disposição biológica. (Nicolla Abbagnano: Dicionário de Filosofia)

3. Inteligência e instinto segundo o Espiritismo

“A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um corpo pode viver sem a inteligência. Mas, a inteligência só por meio dos órgãos materiais pode manifestar-se. Necessário é que o espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la. A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades.

Podem distinguir-se assim: lº, os seres inanimados, constituídos só de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2º, os seres animados que não pensam, formados de matéria e dotados de vitalidade, porém, destituídos de inteligência; 3º, os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhes outorga a faculdade de pensar.”( Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 71)

a fonte da inteligência, humana ou animal, é a Inteligência Universal (Op. Cit, questão 72). Todavia a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. (Op. Cit, questão 72-a). A inteligência independe do instinto, mas este, na verdade, pode ser considerado uma “espécie de inteligência”. Pelo instinto todos os seres provêem às suas necessidades.” (Op. Cit, questão 73).Nem sempre se consegue estabelecer-se uma linha de separação entre o instinto e a inteligência, porque muitas vezes se confundem, mas é possível identificar um ato instintivo e um ato inteligente. ((Op. Cit, questão 74). O instinto pode conduzir ao bem e representar um guia mais seguro. (Op. Cit, questão 75). A rzão (intelecto) pode enganar-se, sobretudo se falseada por má educação (aprendizados incorretos), pelo orgulho e pelo egoísmo. “ O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre arbítrio. (Op. Cit, questão 75-a).

“O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita, em que suas manifestações são quase sempre espontâneas, ao passo que as da inteligência resultam de uma combinação e de um ato deliberado. O instinto varia em suas manifestações, conforme às espécies e às suas necessidades. Nos seres que têm a consciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, isto é, à vontade e à liberdade.” (Op. Cit, questão 75-a).

“A inteligência se manifesta pelo pensamento. Através do pensamento, sobrevêm a vontade de agir, a consciência de si mesmo e a de sua individualidade em relação ao mundo que o cerca. É o cogito cartesiano: "Penso. Logo, existo!". Com os instrumentos do pensamento, da vontade e da consciência, agimos, incursionando, compulsoriamente, pelas vertentes das Leis Divinas, sob a tutela do livre arbítrio, na construção do próprio destino.

Quando nos referimos, pois, ao espírito, referimo-nos à inteligência e, por conseguinte, ao pensamento e à vontade. Como a inteligência é um atributo do espírito, deduz-se que nele está sediada a mente. Para o homem encarnado, os sistemas nervosos (cérebro, medula e nervos) do perispírito e do corpo denso são requintados aparelhos de manifestação das faculdades intelectuais da alma.” (Milton Santiago – Espiritismo e Medicina, n.º67 http://www.seareirosdejesus.com.br/esp-med/espmed.html)

03 - CÉREBRO

Entrevista à Revista Internacional de Espiritismo

RIE
QUANDO FOI FUNDADO E A QUE SE DESTINA O INSTITUTO DO CEREBRO DE CAMPINAS ?

O Instituto do Cérebro foi fundado em 1987 com o propósito de integrar profissionais das áreas de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia interessados em estudar o dilema da interação cérebro - mente tendo como paradigma a existência da alma. Com isto, permitimos que nossos profissionais e nossa clientela se sintam sem compromissos com as exigências acadêmicas que nos impede de se explorar por inteiro a transcendência do ser humano.

RIE
O INSTITUTO É UMA ENTIDADE ESPIRITA ?

Como Instituição não. É uma Clínica de Neurologia com os registros profissionais e sociais pertinentes à atividade médica tradicional.

RIE
E O SR É ESPIRITA ? QUAIS SÃO AS SUAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS ?

Sou espírita desde os sete anos de idade, tendo recebido esta orientação dos meus pais freqüentando centros espíritas de Uberaba onde nasci. Formei-me em medicina, também em Uberaba e, me especializei em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas de São Paulo. Fui professor nesta área, na UNICAMP, durante 30 anos tendo me aposentado em 1995 como Professor Titular de Neurocirurgia. Atualmente me dedico em tempo integral às atividades neurológicas do Instituto do Cérebro. Em todas atividades que exerci, particularmente como professor universitário, tive oportunidade de expressar com sinceridade e clareza meu pensamento espírita especialmente quando se tratava de analisar o porque do sofrimento humano. Trabalhando na neurologia com o cérebro e as doenças mentais, não ha como não se comprometer a importância e a segurança do espiritismo no esclarecimento da complexidade da mente e seus distúrbios.

RIE
COMO É FEITA A INTEGRAÇÃO MENTE CÉREBRO --CORPO/ESPIRITO ?

A Neurologia de hoje ainda não tem uma interpretação adequada para este dilema. Na interpretação oficial, acadêmica, a mente, é um simples produto emanante da atividade cerebral. É como se exigir que o relógio funcionando pudesse ser responsável pelo tempo. Neste sentido, o espiritismo fornece um paradigma mais adequado, não só por readmitir a mente como expressão do espírito, mas também por esclarecer que entre o cérebro e a mente existe um elemento intermediário, transdutor desta interação, que é o perispírito. A participação do perispírito permite a compreensão adequada para os fenômenos tanto dos que se processam no cérebro como, dos que emanam do espírito. O Livro dos Médiuns, o Livro dos Espíritos e as obras de André Luiz são definitivas para o esclarecimento destas questões.

RIE
NEUROLOGICAMENTE FALANDO COMO SE PROCESSA O FENOMENO MEDIUNICO ?

Allan Kardec reafirma várias vezes no Livro dos Médiuns que o fenômeno mediúnico se processa no cérebro do médium e sempre com a participação deste.
Como neurologista, posso, com a cautela necessária, sugerir que o fenômeno mediúnico é um processo de automatismo complexo, realizado através do cérebro do médium, sob a atuação de entidades espirituais que se sintonizam com o médium. Dispomos no nosso cérebro de centros de atividades automáticas para as diversas atividades motoras que nos permitem, por exemplo, falar fluentemente, escrever rapidamente, pintar ou dedilhar um instrumento musical. Estas áreas expressam suas atividades com pouca participação da consciência. Nenhum de nós quando fala, escreve ou digita um computador, precisa se deter para escolher letras , palavras ou frases. Uma vez estando treinados, este processo flui rapidamente pela nossa voz quando falamos ou pelas nossas mãos quando escrevemos. Desde que o médium possa deslocar seu foco de consciência, o espírito comunicante pode se ocupar dos núcleos de atividade automática do cérebro do médium e fazer transcorrer por ali os conceitos da sua mensagem. Esta interpretação traz diversos outros desdobramentos que, uma entrevista como esta, não tem espaço suficiente para discorrermos, mas, vale a pena meditarmos sobre eles.

RIE
E A OBSESSÃO ?

Acreditamos que a obsessão está presente numa grande maioria das perturbações da mente. As idéias fixas, as exigências sistemáticas que fazemos para nossos privilégios, os desvios de comportamento que nos conduzem à violência e à agressão contra o próximo, as querelas do dia a dia dentro ou fora de casa, são portas abertas para os processos de obsessão. E, é através do cérebro, perdendo o controle da nossa capacidade de decidir ou cedendo forças aos nossos instintos primitivos é que seremos dominados pelas entidades comprometidas com nosso passado.

RIE
QUAL O PAPEL DA EPIFESE ( OU GLANDULA PINEAL ) NESSES FENOMENOS ?

André Luiz destacou mais de uma vez a importância da pineal na sintonia da mente entre o médium e o espírito comunicante. A ciência neurológica, por enquanto, descreve a pineal com uma glândula de localização profunda no cérebro, relacionada com a pigmentação da pele, com o ritmo circadiano (dia e noite) e com o despertar do desenvolvimento dos caracteres sexuais genitais. Tem-se escrito muito sobre a melatonina secretada pela glândula pineal. Este hormônio tem uma ação relaxante, tranqüilizante, discreta o que tem servido para que, na literatura leiga, se propague uma série de propriedades que a nosso ver são balelas e panacéias sem fundamento.

RIE
EXISTE REALMENTE ANIMISMO NO FENOMENO MEDIUNICO ?

Conforme dissemos acima, o fenômeno mediúnico, de efeito intelectual, se processa através do cérebro do médium. Isto implica em que sistematicamente, em toda manifestação mediúnica ocorre uma co-autoria no conteúdo da comunicação, independentemente de estar o médium consciente ou não de sua participação ou interferência. É clássico se dizer que em todo fenômeno mediúnico existe animismo ,assim como, em todo fenômeno anímico existe assistência espiritual, portanto, também um processo de mediunismo.

RIE
QUAL A EXPLICAÇÃO PARA AS CHAMADAS “ EXPERIENCIAS FORA DO CORPO “ ( OBE-OUT OF BODY EXPERIENCES ) ?

A literatura espírita é riquíssima em relatos de médiuns que vivenciaram estas experiências e muitos livros foram ditados a estes médiuns a partir destes desdobramentos conscientes do corpo espiritual. Psiquiatras americanos tem propagado as descrições destas experiências, cativando um público muito grande, seduzido por expressões novas, mas, que em sua essência nada acrescentam ao que já se conhece com mais profundidade nos livros espíritas como, por exemplo, os da excelente médium Yvone Pereira ( Memórias de um suicida, Recordações da Mediunidade, Devassando o Invisível, Nas telas do Infinito ).
O espírita estudioso sabe que estes fenômenos são perfeitamente possíveis quando se aprende que o perispírito pode se desprender com mais ou menos facilidades dos laços que o prende ao corpo e se deslocar vivenciando o cenário do mundo espiritual. Em algumas pessoas esta vivência pode se tornar consciente e se fixar nos centros de memória do cérebro físico. O que lhes permite descrever, com a capacidade que cada um tem de interpretar o que vivenciou, a experiência que teve “do outro lado” da vida.

RIE
E PARA OS CHAMADOS EQMs ( “EXPERIENCIAS DE QUASE MORTE “) ?

Pacientes vítimas de traumatismos cranianos, de parada cardíaca ou de acidentes anestésicos ao recuperarem a consciência tem referido percepções de cenários fora da realidade física onde se localizavam. Freqüentemente descrevem atravessar um túnel e posteriormente visualizarem lugares luminosos onde podem estar presente familiares ou possíveis entidades espirituais que os confortam, amparam e os estimulam a retomarem o corpo para continuarem a existência na Terra. Possivelmente estes indivíduos podem estar com seu cérebro alterado quimicamente pelo trauma ou por drogas usadas na ressuscitarão e de alguma maneira estas mudanças químicas facilitem sua excursão, quase sempre de curta duração, pelas dimensões do mundo espiritual.


RIE
QUAIS SÃO AS NOVIDADES NA ALIANÇA ENTRE A MEDICINA E O ESPIRITISMO ?

Na busca do Homem integral, o Espiritismo permite à Medicina, inserir em seus conceitos a existência da Alma e do corpo espiritual, da dinâmica das vidas sucessivas, das leis de ação e reação em termos morais para justificar as causas dos nossos sofrimentos, a importância do nosso equilíbrio mental através da boa conduta e da oração, o significado das leis de evolução biológica e espiritual, esclarecendo que todos estamos predestinados à perfeição na medida do nosso esforço individual para dominarmos nossas más tendências e que a doença é um processo de resgate do equilíbrio com nossas necessidades espirituais e uma oportunidade de iluminação e crescimento.
Temos visto nos últimos anos um interesse crescente por temas ligados à doutrina espírita, mesmo no meio universitário onde, freqüentemente, ha uma certa rejeição aos conceitos
espiritualistas.


Postado por Prof Dr Nubor Orlando Facure às 16:13