CLONAGEM
BIBLIOGRAFIA
01- A EVOLUÇAO ANIMICA, pag. 95 02 - A REENC. COMO LEI BIOLÓGICA, pag182
03 - GENÉTICA E ESPIRITISMO, 77, 109 04 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS, 336
05 - SAÚDE E ESPIRITISMO, 346, 359 06 -

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CLONAGEM – COMPILAÇÃO

01 - CLONAGEM

Espiritismo e Clonagem Humana
Gilberto Schoereder e Alex Alprim

A possibilidade de se criar cópias exatas de seres humanos pela clonagem é um tema que vem despertando polêmica em todos os setores da sociedade. Para nos estendermos na visão espírita sobre o assunto, conversamos com o médium, pesquisador e autor espírita, Eurípedes Kühl.

Natural de Igarapava, São Paulo, Eurípedes Kühl é médium psicógrafo e autor de dezoito livros espíritas, três ainda inéditos. Oito livros são de autores espirituais. Kühl é um estudioso e pesquisador da doutrina dos espíritos, além de um trabalhador dedicado às obras do centro espírita que freqüenta. Ali, além da psicografia semanal, é responsável pelo curso de médiuns e médium passista, realizando ainda palestras e cursos espíritas em outros centros.

Ele começou a publicar livros em 1989, depois de 15 anos de exercícios psicográficos, quando um espírito amigo informou-o que estava na hora de partir para algo maior. Para Eurípedes, “psicografar é tarefa gratificante, pois além de um fraternal envolvimento com o autor espiritual, os personagens (no caso dos romances) criam vida própria, tornam-se meus companheiros”. No caso de textos não psicografados, ele diz que certamente tem sido muito ajudado, por meio da inspiração, e que sente a aproximação de espíritos técnicos no assunto que está enfocando. Assim, quando se depara com alguma dificuldade, a solução surge de forma impressionante, com muitas fontes de pesquisa.

Pedimos a Eurípedes Kühl, que já tem quatro livros publicados pela Petit Editora (www.petit.com.br), que respondesse algumas perguntas a respeito da clonagem humana sob o ponto de vista do Espiritismo. O tema vem levantando muita polêmica, tanto no meio espírita quanto nos demais setores da sociedade e, a cada dia, torna-se mais importante discuti-lo. Kühl diz que, como espírita e simples estudioso do tema, seu pensamento é o de que o Espiritismo, que sempre acatou os avanços da ciência, só contempla a clonagem terapêutica como benéfica à humanidade.

O tema “clonagem de seres humanos” vem sendo cada vez mais discutido, em todos os setores da sociedade. Como o Espiritismo vê essa questão?

A clonagem dos seres humanos, ora em discussão (e proibição) mundial, vê-a o Espiritismo como inegável avanço científico-tecnológico. Não obstante, situa-a no escorregadio rol moral do progresso, pelo que só pela Lei Divina do Amor deve ser empregada. Assim, apenas o bom senso poderá ser o árbitro da utilização dos métodos de clonagem – exclusivamente para fins terapêuticos, jamais, reprodutivos.

O senhor disse, numa entrevista, que o Espiritismo vê a genética como “subsidiária da vida e, como tal, sob responsabilidade de mensageiros do plano espiritual. No tempo certo, a humanidade recebe tais avanços”. Isso pode significar que quaisquer avanços com relação à clonagem são bem-vindos?

Sim: da clonagem terapêutica.

O senhor também afirmou que está registrado em O Livro dos Espíritos, questão 19, que os segredos da ciência foram dados ao homem para o seu progresso, mas jamais ele poderá ultrapassar os limites estabelecidos por Deus. Como determinar esses limites?

A Natureza – obra de Deus – é mãe dadivosa, que protege todos os seres vivos e como tal, ao sofrer injúrias, pelos descaminhos dos seus filhos, impõe-lhes limites, pela lei de ação e reação, devolvendo-lhes os mesmos resultados, a título de preciosa lição. A teratologia em 95% a 98,5% das tentativas de clonagem reprodutiva nos parece limite indiscutível. Mais que limite: vigorosa proibição!

Esses limites incluem a impossibilidade de clonar outros seres humanos?

Embora cientificamente viável, a clonagem reprodutiva de seres humanos, a nosso ver, para ser alcançada, promove descarte de impressionante quantidade de embriões, o que se enquadra em descaminho, já que nada acrescenta à vida, sendo falso o ufanismo de tê-la criado, o que não é verdade, eis que o homem manipula células, mas não consegue criar uma única.

Uma questão que também vem sendo bastante discutida nos meios espirituais em geral – não apenas no Espiritismo, mas em diversas religiões do planeta – é a questão da alma do clone. Como ocorreria o processo, segundo o Espiritismo?

A alma de um clone humano – se algures este houver – será aquela que, sob supervisão das leis divinas, máxime a da reencarnação, será destinada a esse corpo terreno, para vivenciar experiências, nas mesmas condições físicas que lhe seriam propiciadas pelas premissas de uma existência material normal. Tais premissas, consentâneas a um programa reencarnatório pré-estabelecido (em função do nível moral daquele que vai reencarnar), visam sempre à evolução espiritual do ser.

Existe alguma diferença com relação à gestação normal de um ser humano?

Imaginamos que a gestação de um clone seria similar àquela que a gestante experimenta sob fecundação assistida.

Como o espírito que vai reencarnar se une ao corpo criado, ou clonado?

A união espírito-corpo ocorre no instante da fecundação, sob orientação de desígnios superiores, contidos nas leis da Vida, cuja aplicação estão a cargo de Espíritos protetores – verdadeiros ministros de Deus.

O senhor chegou a dizer que a clonagem, ainda que seja um fato científico extraordinário, em se tratando de indivíduos, é algo terrivelmente perigoso. Em que sentido é perigoso?

O perigo é representado pelos prejuízos de ordem física e moral: sabe-se que a cada 100 tentativas, no mínimo 95 não prosperarão, deixando um rastro de abortos e mortes de gestantes; as cinco gestações que eventualmente prosperarem não garantirão vida saudável para os clones, a começar pelo previsível envelhecimento celular precoce.

Quais as conseqüências para a humanidade?

Pode o homem manipular óvulos e espermatozóides, mas jamais poderá determinar que alma irá habitar num eventual clone. No caso, não poderá nem o geneticista, nem os pais, nem quem quer que seja, “escolher” a alma que irá habitar no resultado de uma clonagem humana reprodutiva. Assim, a clonagem humana reprodutiva pode descambar para a vaidade de alguém querer uma “cópia mais nova de si mesmo” (que, aliás, terá alma diferente da do “original”), ou alguma empresa de biotecnologia clonar pessoas para serem utilizadas como banco de órgãos para transplantes.

Sob o ângulo científico, a clonagem é uma conquista notável, uma vez que nos dá a chance de ir além de nossos “limites” orgânicos. O senhor acredita que estamos próximos de um novo salto evolucionário?

Lembramos que a aviação começou com balões, evoluiu para os aeroplanos, depois para as aeronaves a jato, hoje culminando com veículos espaciais. A clonagem, para nós, está a bordo de um figurativo 14-Bis (tem muito a progredir, mas já está dando os primeiros passos). O progresso é infinito!

Com tantos preconceitos surgindo a todo o momento na sociedade moderna, como o senhor vê, do ponto de vista espírita, as possíveis implicações morais e sociais daqueles que forem considerados “filhos” das técnicas de clonagem?

Como ainda não existem clones humanos (ao menos pelo que se saiba, exceção do fictício personagem Léo, da novela O Clone, recém-exibida), apenas lucubramos que uma pessoa nascida como “filha” de clonagem terá imensas dificuldades sociais para administrar sua existência, a começar pelo monitoramento médico a que estará permanentemente submetida. Onde essa pessoa se apresentar estará sob o foco da curiosidade popular e de desencontrados comentários, tendentes a desestabilizar-lhe a paz. Pela filosófica certeza espírita de que “Deus não põe cruz em ombro errado”, podemos refletir que se alguém vier a passar por esse desconforto, estará apenas em processo de resgate, por ter infligido problema similar ao próximo, em vida(s) passada(s).

Imagina-se que, quando estiverem totalmente disponíveis, as técnicas de clonagem humana estarão acessíveis apenas a grupos restritos, ou seja, quem tiver muito dinheiro para cobrir os custos de qualquer tratamento na área. Como o Espiritismo vê essa questão?

A clonagem humana reprodutiva estará, sim, restrita aos ricos. É, aliás, o que ocorre com a fecundação assistida. Na nossa opinião, o Espiritismo não concorda com a clonagem reprodutiva, mas considera proveitosos os efeitos da clonagem terapêutica (hoje eleita por sete entre dez especialistas). Os beneficiários enquadram-se na Lei de Ação e Reação, sendo de supor-se que reuniram méritos na obtenção dessa graça, por término da provação ou expiação patológica que vinham sofrendo. Lembramos que Jesus, em meio à existência física de muitos cegos e paralíticos, curou alguns, mas não a todos. Inescapável que os agraciados eram disso merecedores.

Como lidar com a questão moral, que já existe no mundo hoje mesmo, independentemente da clonagem humana?

Submetendo todas as ações à ética cristã – evangelhoterapia!

O uso de células-tronco poderá conter chaves para vários tratamentos de doenças que, hoje, estão à margem dos progressos científicos. Contudo, esse material vem de embriões que não chegaram a se desenvolver, ou que foram impedidos de seguirem seu curso normal. Como o Espiritismo encara essa situação?

Células-tronco constituem, num primeiro passo, a bênção até aqui alcançada pelas pesquisas com a clonagem. Bênção incalculável, sublime. Seu emprego acena com a eliminação de praticamente quase todas as doenças. De forma alguma o Espiritismo concorda com a utilização de células-tronco embrionárias. Isso porque após a extração das células necessárias, o que restar de cada embrião será descartado, configurando-se o nefando crime do aborto, inadmissível para nós, espíritas. Contudo, Deus, na Sua bondade infinita, bem depressa já permitiu à ciência descobrir que todos os indivíduos, mesmo e principalmente os adultos, têm células-tronco em si mesmos, propiciando auto-emprego com rejeição “zero”, o que dispensa as alienígenas, vindas de embriões. Ampla reportagem no jornal Folha de S. Paulo (21/06/2002) dá conta que cientistas da Universidade de Minnesota, EUA, descobriram que células-tronco adultas da medula óssea podem se transformar em qualquer tipo de tecido, assim como suas equivalentes embrionárias.

O senhor crê que teremos clones de Cristo, Buda, Kardec? Como isso afetaria a espiritualidade na Terra? E se os clonados forem Hitler, Mussolini e outros que tiveram uma ação negativa no plano físico?

Não cremos que teremos clones de personagens históricas, boas ou más, pela simples razão de que o Espiritismo leciona que os Espíritos renascem com um programa vivencial: segui-lo ou não é decisão do livre-arbítrio individual. Mas, no caso, se a plantação é livre, já a colheita será obrigatória. Todos aqueles que agirem no bem, estarão progredindo e tendo novas oportunidades de assim proceder. Pelos postulados da Justiça Divina (que Jesus relembrou: “A cada um segundo suas obras”), os que numa existência prejudicaram o próximo, pelo remorso, quase sempre já a partir da existência em que causaram o mal ou na próxima, estarão destituídos de poder e vivenciando os duros embates do auto-reajustamento e da respectiva e subseqüente quitação. Registrou Allan Kardec, sob esclarecimento de Espíritos amigos, que “de cada mal Deus tira um bem”. Assim sendo, analisamos que os males sofridos pela humanidade, por ação de pessoas más, representam choque de retorno às vítimas, que se quitam, mas “notas promissórias” assinadas inconscientemente pelos agentes daqueles males, as quais, cedo ou tarde, terão que ser resgatadas, perante o tribunal da consciência.

Existem citações específicas de Allan Kardec com relação a uma situação como essa (da clonagem humana), ou situações semelhantes? Onde as pessoas podem procurar essas passagens para se instruírem mais sobre o ponto de vista do Espiritismo?

Se nós formos nos basear apenas na palavra clonagem, nada encontraremos em Kardec, especificamente. Mas, com Kardec, sem a menor dificuldade, deduzimos o quanto o Espiritismo tem de sabedoria, no seu tríplice aspecto Ciência, Filosofia e Religião: os desdobramentos científicos, filosóficos e religiosos da clonagem lá estão. Encontraremos na Codificação da Doutrina dos Espíritos várias premissas que nos ajudam a equacionar muito bem os fatos atuais ligados à clonagem:

– na questão da Ciência: em A Gênese, Capítulo I, nº 55, é de Kardec a afirmação: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”;

– na questão da Filosofia: em O Livro dos Espíritos, Capítulo VIII, “Da Lei do Progresso”, está registrado, no item 777, que “o homem tem que progredir incessantemente” (...); “porque Deus assim o quer”; mais à frente, no item 783, vemos: “Há o progresso regular e lento (da Humanidade)”; (...) “de tempos a tempos Deus sujeita (um) povo a um abalo físico ou moral que o transforma”; (...) “Aquele, porém, que eleva o pensamento acima da sua própria personalidade, admira os desígnios da Providência, que do mal faz sair o bem”;

– no aspecto Religião, interligando os dois planos, o material e o espiritual, sabemos nós que a vida se rege pelas leis da reencarnação, esta a cargo de Espíritos Siderais, como já dissemos, que controlam cada nascimento e cada morte (exceto as provocadas), em consonância com as demais Leis Morais.

Se me permitem, detalharemos um pouquinho mais essa questão da clonagem estar no Espiritismo, desde Kardec:

a. aspecto científico: em primeiro lugar, podemos, entre o passado e o futuro, estabelecer uma aliança espírita com a clonagem: esta, surgida nos fins do século XX, aquele, codificado em 1857 (com O Livro dos Espíritos). A aliança: a citação acima de A Gênese, Capítulo I, nº 55, a nosso ver foi uma prudente afirmação de Kardec, premonitória, algo semelhante com a de Jesus, quando prometeu o envio do Consolador, que para nós, espíritas, é o Espiritismo;

b. aspecto filosófico: Filosofia e Espiritismo se encontram na clonagem pela questão nº 8 de O Livro dos Espíritos: ali, esclareceram os Espíritos Siderais que não existe o acaso. Ora: consideramos que a clonagem, para aportar no planeta Terra, teve necessariamente permissão de Deus; e como ela (a clonagem terapêutica, enfatizamos) abre um fabuloso leque de possibilidades para o ser humano, indubitavelmente este está sendo o momento adequado para esse importante passo evolutivo;

c. aspecto religioso: aconteceu este encontro entre o Espiritismo e a clonagem, segundo mencionamos que na reencarnação cada ser renasce no planeta Terra trazendo consigo todo um repertório de providências que precederam ao seu nascimento. Vamos agora acrescentar que no caso de anomalias congênitas ou doenças eclodirem num determinado tempo da existência, se inserirmos a cura pela clonagem (a terapêutica, sempre) nesse contexto, como não aceitá-la, diante da certeza de que cessou tal expiação?

Se a clonagem humana está sendo permitida por Deus, os humanos que eventualmente venham a existir a partir dessa técnica também poderão ser médiuns? Imagine-se que a técnica se desenvolva a tal ponto que seja possível determinar certas características das pessoas, de modo que se pudesse ter uma legião de médiuns. Como encarar uma situação hipotética como essa?

A hipótese do geneticista determinar faculdades mediúnicas a eventuais clones não resiste à formulação do Espiritismo tendo em vista que tal atribuição é de responsabilidade exclusiva dos Espíritos protetores encarregados da reencarnação, que as adequam em razão do roteiro terreno pré-estabelecido a cada futuro médium. E isso se processa no “andar de cima”, no Plano Espiritual, jamais num laboratório.

02 - CLONAGEM

A Clonagem à luz do Espiritismo
José Lucas

A clonagem é um tema em foco nos dias que correm. Muito se especula sobre a possibilidade ou não de se conseguir um dia clonar ser humano.

Sobre este assunto, a clonagem humana, vejamos a opinião de Divaldo Pereira Franco, espírita, pedagogo, conferencista e médium muito respeitado mundialmente.

"A clonagem humana ainda é muito remota. Não nos deixemos empolgar com as notícias sensacionalistas que nos dão resultados de experiências muito válidas e respeitáveis, mas que ainda demorarão muito. É necessário que a nossa contribuição, do ponto de vista da confiança, esteja alicerçada na razão, e o espírita em particular, com respeito aos demais, religiosos ou não, deve estar bem "O Livro dos Espíritos", para não se deixar perturbar com facilidade por quaisquer idéias absurdas.

A problemática da clonagem vem sendo estudada há mais de 50 anos. Agora, uma experiência que nos trouxe "Dolly" (a ovelha clonada), demonstra a possibilidade de um animal clonado, de uma célula retirada da glândula mamária de um ser e fecundada com o DNA de outro. Mas há, ainda, muito espaço a percorrer, especialmente quando se constatou que a mãe de "Dolly" morreu.

Assim sendo, não se pode verificar se ela é uma cópia absolutamente igual, porque não se tem como fazer a comparação. Ademais, desde o momento dessa clonagem até chegarmos às experiências humanas, teremos um longo caminho a percorrer.

Em 1960, nos EUA, um experiente estudioso apresentou a seguinte questão: "Se deixarmos que os seres deficientes vivam, iremos ter uma decadência genética. Se interrompermos a vida dos seres deficientes, já teremos uma decadência ética".

Para Theodosius Dobzhansky, que assim se expressou, a questão estava nestes dois termos: deixar viver o deficiente ou eliminá-lo? Mas faltava uma base essencial para o raciocínio dele (a ética).

Toda a vez que um indivíduo violenta uma Lei natural, sofre-lhe o efeito. Aí está o eco-sistema completamente comprometido e a Terra sofrendo as conseqüências climáticas.

A ética, naturalmente será apresentada para a genética.

A clonagem é um fenômeno natural. Na salamandra, quando se lhe amputa a cauda, ela se reconstrói completamente igual. Em determinados répteis, repete-se o fenômeno por automatismo da natureza. "Clone" significa ramo. Toda vez que retiramos um ramo de uma árvore, ela repete a imagem inicial.

Portanto, a clonagem é uma experiência muito digna, do ponto de vista genético.

Até chegarmos à construção de um homem "clonado", com personalidade, raciocínio, lucidez, devemos apenas aguardar, e não nos preocuparmos em demasia.

Perguntarão: e onde fica o Espirito?
Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, ele se fará presente. A fecundação "In Vitro" não substitui perfeitamente o organismo humano? Então, devemos considerá-la como um avanço.

Todavia, a ciência, através dos seus mais ilustres paladinos e governos, deverão estar vigilantes para o uso que se vai fazer da clonagem.

Na moderna proposta da clonagem, o delírio faz com que pessoas pensem na possibilidade de se criarem indivíduos descerebrados, que serão desenvolvidos até aos 15, 16 anos, e depois armazenados para transplantes de órgãos. É um delírio! Isso não nos deve preocupar. Outros acreditam que podem interferir no gene, no DNA e retirar a sensibilidade para fazerem indivíduos totalmente imunes à dor. Criarem um exército de homens e mulheres indiferentes ao sofrimento. Mas, tudo isso não passa de "ciência-ficção".

E se um dia se tornar realidade? Criaremos monstros que nos irão destruir, como é natural.

Toda vez que um indivíduo violenta uma Lei natural, sofre-lhe o efeito. Aí está o eco-sistema completamente comprometido e a Terra sofrendo as conseqüências.

Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, ele (o Espírito) se fará presente.

Mas, será possível que um dia se possa repetir o homem?

Aguardemos! Qualquer tentativa de se antecipar o fato é uma elucubração.

O Espiritismo é a ciência dos fatos. Allan Kardec disse textualmente: "À ciência cabe a tarefa dos fenômenos científicos. O Espiritismo não se envolverá nessa pesquisa científica. O Espiritismo aceita tudo o que a ciência comprova, mas não se detém onde a ciência pára. O Espiritismo estuda as causas, enquanto a ciência estuda os efeitos. No dia em que a ciência provar que os espíritos estão errados num ponto que seja, abandonaremos esse ponto e seguiremos a ciência".

É uma doutrina, portanto, profundamente vinculada à pesquisa, à investigação, à ciência através do seu trabalho intérmino para o processo da evolução.

Quando vimos a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, sofremos o terror da fissão nuclear. E no entanto aí estão os átomos para a paz.

Sabemos que o veneno mata, mas, quantas vidas o veneno cura? Está tudo no direcionamento da criatura humana. Dessa forma, tranqüilizemo-nos e aguardemos as investigações da ciência.

Pessoalmente, e os Espíritos que por mim se comunicam, não acreditamos que se possa clonar um ser humano, dando-lhe personalidade, lucidez, inteligência. Vamos aguardar".

(Extraído da revista "Presença Espírita", em artigo de Miguel Sardano).

Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, ele (o Espírito) se fará presente.

(Jornal Mundo Espírita de Fevereiro de 1998)

03 - CLONAGEM

Clonagem e Células Tronco

Em várias oportunidades temos ouvido questionamentos sobre a posição do Espiritismo a respeito da clonagem e do uso de células tronco.

Evidentemente não podemos responder pelo Espiritismo, mas como espíritas podemos expressar nossa opinião, sem esquecer que o conhecimento científico não pára de se expandir e a cada dia novas descobertas podem tornar incompletas as opiniões que hoje nos parecem corretas. Nosso entendimento é baseado no aprendizado diário, nas orientações dos espíritos encarnados e desencarnados e na lógica que os princípios da Doutrina dos Espíritos nos oferece.

A pergunta mais comum, quando o tema vem à tona, tem sido: - “É possível clonar uma pessoa, ou seja, corpo e espírito?”.
A resposta a esta pergunta é não. A ciência já demonstrou que é possível clonar ou reproduzir um corpo como é o caso da famosa ovelha Dolly, porém, mesmo que chegássemos à clonagem humana, jamais poderemos clonar o espírito.

Não é possível assegurar que já sabemos com profundidade o que é o espírito, mas sabemos que não é fruto da criação humana. O corpo, este veículo material do qual nos servimos para a experiência terrena, se desenvolve a partir da soma do material genético de um pai e de uma mãe e está sujeito a um período de desenvolvimento, maturidade, decadência e decomposição. Figurativamente, assim como o mergulhador faz uso de equipamentos para permanecer por um tempo no ambiente submarino, o corpo físico, desenvolvido a partir de componentes densos, permite que o espírito encarnado se manifeste e se relacione no ambiente material enquanto perdure seu capital de vida.

O espírito é único, existe antes da formação do corpo com o qual irá compor o homem encarnado e continua existindo, consciente de si após o desligamento do corpo no processo que denominamos morte. Esta consciência é, aliás, uma das razões porque alguns espíritos têm dificuldade de acreditar que desencarnaram. Ainda não conhecemos a composição do espírito, mas sabemos que é imperecível. A Doutrina dos Espíritos nos alerta para o fato de que o espírito é o ator e portador da cultura, ou seja, acumula memória de vivências e convivências; de erros e acertos e de experiências cognitivas, emocionais e psicomotoras. Como o conhecimento está em contínua expansão e o espírito é seu revelador e portador, podemos concluir que o espírito é um ser em permanente evolução. Somente por estas razões já se pode concluir que não há como copiar parte de um processo e conseguir o todo.

No que diz respeito às células tronco, a questão que se coloca é a seguinte: - “O descarte ou a utilização de embriões congelados é diferente de um aborto?”.

Neste caso a resposta é sim. Os embriões desenvolvidos em laboratório podem ficar congelados por décadas e não haveria sentido em deter o processo evolutivo de um espírito prendendo-o a um embrião que pode nunca chegar a desenvolver um corpo. Assim sendo, apesar de haver espíritos, que potencialmente poderiam assumir a encarnação em um dos embriões no caso de implante, o descarte ou utilização de embriões congelados não implica em violação ética ou de transgressão das leis naturais de defesa da vida.

O interesse da ciência sobre este tema se deve ao fato de que as células-tronco têm uma capacidade especial, pois podem se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. As demais células geralmente só podem fazer parte de um tecido específico (por exemplo: células da pele só podem constituir a pele). Além disso, as células-tronco podem se auto-replicar, ou seja, podem gerar cópias idênticas de si mesmas e repor tecidos lesionados.

O benefício do uso de células-tronco de embriões não pode ser usado como justificativa para o aborto, pois neste caso já há um espírito associado ao feto desde o momento da concepção e sua remoção, constitui crime moral independente de qualquer cobertura legal.
A única opção onde a remoção do feto seria admissível é no caso de elevado risco de morte para a mãe. A razão para isso é o fato de que a mãe poderá criar uma nova oportunidade de encarne ao passo que a continuidade de uma gravidez de alto risco pode representar a interrupção das oportunidades de aprendizado tanto para a mãe quanto para o espírito que aguarda a oportunidade de voltar ao polisistema material.

O estudo transdisciplinar dos princípios da Doutrina dos Espíritos permite uma leitura nova sobre o significado da vida como oportunidade de continuidade de aprendizado. O debate lúcido e lógico das leis naturais pode levantar o véu que encobre várias áreas do conhecimento humano onde a ciência tem-se limitado a aceitar respostas balizadas pelos cinco sentidos conhecidos e onde algumas interpretações religiosas permanecem presas a dogmas e interesses cristalizados ao longo dos milênios. Neste ponto é importante lembrar a máxima de Jesus: “Conhecereis a verdade e esta vos libertará”.
Paulo Henrique Wedderhoff