COMBATI O BOM COMBATE
BIBLIOGRAFIA
01- HÁ SOLUÇÃO, SIM!, pag. 91 02 - O SEGREDO DAS BEM AVENTURANÇAS, pag. 76

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COMBATI O BOM COMBATE – COMPILAÇÃO

01 COMBATI O BOM COMBATE

O homem no mundo
Dilton Pereira

Podemos, por um determinado tempo de nossa vida material, que pode ser de maior ou menor duração, viver de forma descuidada, indiferente, sem a menor noção de solidariedade, vivendo somente para nós, esquecidos de tudo e de todos que nos cercam. Uma vida egoísta, onde tudo que interessa são as satisfações de nossas vontades, e nada mais.

Mas... existe sempre um mas... na vida de cada um - chega para todos aquele momento em que se acende uma luzinha vermelha em nossas mentes, e passamos a nos perguntar: "Afinal, quem realmente sou eu? O que estou fazendo no mundo? De onde vim? Para onde vou? Qual a minha destinação?"

São perguntas que brotam na mente de todos, uma a uma, em determinado momento da vida. Essas considerações, essas perguntas que passam a martelar a mente do ser humano, podem demorar a chegar, mas chegam. Para atingir este estágio, o homem pode consumir mesmo muitas existências - de forma que, de experiência em experiência, de luta em luta, de queda em queda, vai moldando seu caráter.

Em um dos muitos diálogos com seus discípulos, Jesus exortou a todos: "Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai Celestial". Evidentemente, o Mestre não queria, com tal exortação, dizer que todos podem chegar à perfeição do Pai Celestial. Deus é um só, é único, é onipotente, é a causa primária de todas as coisas, e a criatura jamais poderá igualar-se ao Criador.

O que certamente Jesus quis dizer é que todos possuímos dentro de nós um potencial de crescimento espiritual que nós mesmos desconhecemos, e que muito, muito mesmo, poderemos fazer, dentro daquilo que Ele pregou e exemplificou.

Mas... como chegar a esse estágio de perfeição relativa face à perfeição absoluta de Deus?

As lutas a que somos compelidos a enfrentar no mundo, as desavenças, as incompreensões, as atitudes alheias que nos chocam, as pessoas, com grau de parentesco ou não, que gozam de nossa intimidade, que vivem conosco o dia-a-dia, e que tantas vezes agem de forma a agredir ou contrariar nosso modo de ser e pensar, são outros tantos obstáculos a impedir ou retardar nosso esforço no bem.

Como vencer tudo isso, como superar tantos obstáculos, se a vida material nos oferece tão somente algumas dezenas de anos de existência? Cinqüenta, sessenta, oitenta ou até mesmo cem anos constituem um espaço de tempo muito pequeno para que tenhamos condições de atingir um grau tal de tolerância, de paciência, tamanha capacidade de perdão, para amar os que nos odeiam, perdoar os que nos ofendem, abraçar os que nos traíram, compreender no irmão faltoso o irmão necessitado de compreensão e carinho.

Foi para responder tantas perguntas, esclarecer tantas dúvidas, que Allan Kardec, sob a orientação de Espíritos superiores, codificou a Doutrina Espírita, interpretando com clareza o pensamento de Jesus. Não resta a menor dúvida que, baseando-nos no raciocínio simplista de uma só existência, torna-se praticamente impossível conciliar alguns ensinamentos de Jesus com a realidade da vida, ao passo que, com a reencarnação, sublime concessão de Deus para com todos os seus filhos faltosos, tudo se esclarece, tudo se torna de fácil entendimento. Com a Lei dos Renascimentos, já não somos os condenados ao sofrimento eterno.

Todos nós, Espíritos falíveis, estamos sujeitos a cometer erros, e somente a certeza da reencarnação nos fortalece para prosseguir a caminhada. O próprio Apóstolo Paulo, num rasgo de humildade, exclamou: "Sinto que faço o mal que não quero, mas não faço o bem que desejo", sintetizando, naquele momento, as dificuldades que encontramos pelo caminho. Mas, para demonstrar que temos condições de superar todos os obstáculos da caminhada. afirmou em outra ocasião: "Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração". E exortando os discípulos a atitudes corajosas, afirmou: "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos". E no final da jornada, afirmou: "Combati o bom combate, terminei minha tarefa, conservei a fé".

A fidelidade, a coragem e a perseverança do Grande Apóstolo foram a mola propulsora do Cristianismo no mundo, e poderão ser, também, a mola propulsora do nosso crescimento espiritual.

Texto extraído do Jornal "Macaé Espírita" - maio e junho/98.

(Jornal Mundo Espírita)

02 - COMBATI O BOM COMBATE

No Bom Combate

"Combati o bom combate, acabei a carreira,
guardei a fé."
Paulo (II Timóteo 4:7)

Nas lides da evolução, há combate e bom combate.

No combate, visamos aos inimigos externos. Brandimos armas, inventamos ardis, usamos astúcias, criamos estratégias e, por vezes, saboreamos a derrota de nossos adversários, entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmo.

No bom combate, dispomo-nos a lutar contra nós próprios, assestando baterias de vigilância em oposição aos sentimentos e qualidades inferiores que nos deprimem a alma.

O combate chumba-nos o coração à crosta da Terra, em aflitivos processos de reajuste na Lei de causa e efeito.

O bom combate liberta-nos o espírito para a ascensão aos planos superiores.

Paulo de Tarso, escrevendo a Timóteo, nos últimos dias da experiência terrestre, forneceu-nos preciosa definição nesse sentido. Ele, que andara em combate até ao encontro pessoal com o Cristo, passou a viver no bom combate desde a hora da entrevista com o Mestre.

Até ao caminho de Damasco, estivera em função de louros mundanos, ávido de dominações transitórias, mas, desde o instante em que Ananias o recolheu enceguecido e transtornado, entrou em subalternidade dolorosa.

Incompreendido, desprezado, apedrejado, perseguido, encarcerado várias vezes, abatido e doente, jamais deixou de servir à causa do bem que abraçara com Jesus, olvidando males e achaques, constrangimentos e insultos.

Ao término, porém,da carreira de semeador da verdade, o ex-conselheiro do Sinédrio, aparentemente arrasado e vencido, saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador.

Fonte: LIVRO: "Palavras de Vida Eterna"
Autor Espititual: Emmanuel
Psicografada por: Médium: Chico Xavier

03 - COMBATI O BOM COMBATE

Paulo, o apóstolo

Jornal Mundo Espírita,Setembro de 2000.

Foi em Tarso, na Cilícia, um importante centro mercantil e intelectual do mundo romano que nasceu entre os anos 5 e 10 da Era Cristã, uma criança que recebeu o nome de Saulo. Seus pais, embora judeus, gozavam dos privilégios da cidadania romana. Privilégios que podiam ser conseguidos pelos habitantes das províncias de duas formas: como recompensa por serviços prestados ou pelo desembolso de vultuosa quantia. Nos primeiros anos, ele freqüentou a Sinagoga onde aprendeu nos textos sagrados até a aritmética. Um escravo o acompanhava todos os dias, carregando-lhe a pasta com os utensílios escolares. Sentado ao chão, com as pernas cruzadas, o menino Saulo ensaiou as primeiras letras, gravando-as com um estilete de ferro sobre uma tabuinha coberta com uma camada de cera. Como a tradição prescrevia ensinar um trabalho útil às crianças, Saulo aprendeu a tecer pano de barraca, usando uma fazenda áspera e durável, entremeado com pelos de cabra. Adolescente ainda seguiu para Jerusalém, onde se tornou discípulo do grande Gamaliel, no Templo de Salomão, preparando-se para ser um devoto rabino. Ele mesmo na Epístola aos Gálatas afirma: "... e me avantajava no judaísmo sobre muitos da minha idade e linhagem , pelo extremo zelo às tradições de meus pais." Ardoroso defensor de Moisés, Saulo desencadeou séria perseguição aos homens do Caminho. E considerou seu primeiro grande triunfo contra o Nazareno a lapidação do jovem Estêvão. Emmanuel descreve na obra "Paulo e Estêvão", em detalhes, toda sua dor e vergonha, ao se dar conta que Estêvão não era outro senão o irmão da sua amada noiva Abigail, que viria a morrer 8 meses depois. É, no entanto, a caminho de Damasco, na Síria, levando cartas que lhe autorizavam a prender outros tantos seguidores de Jesus, que Saulo foi surpreendido, em pleno meio-dia, pela luz imensa daquele a quem perseguia. "Saulo, Saulo, por que me persegues? ", diz-lhe a voz. Nas entrelinhas, pode-se ler: "Por que, Saulo, se és o vaso escolhido para levar a minha palavra a todas as gentes?" Tendo vislumbrado a luz, ele se ergue da areia entrou na cidade e aguardando, sem comer ou beber, orando e meditando . Ao terceiro dia, o Senhor mandou a certo judeu convertido, chamado Ananias, que fosse ter com Paulo e impor-lhe as mãos para recobrar a vista. O Senhor garantiu a Ananias, o qual tinha receio de encontrar-se com o grande perseguidor, que este, quando em oração, já o tinha visto aproximar-se dele. Portanto, Ananias obedeceu. Paulo confessou a sua fé em Jesus, recobrou a vista, e recebeu o batismo; e daqui em diante, com a energia que o caracterizava, e com grande espanto dos judeus, começou a pregar nas sinagogas que Jesus era o Cristo, Filho de Deus vivo, 9 10-22. Tal é a narrativa da conversão de Saulo de Tarso.Começou para Saulo a jornada de trabalho e o calvário das dores. Após o exílio de 3 anos, no deserto de Dan, ele retornou para pregar a Boa Nova. Aquele Jesus a quem tanto perseguira na pessoa dos seus seguidores, tornou-se seu Senhor. Quando empreendeu a viagem a Damasco ele era o orgulhoso Saulo, cujo nome significa aquele a quem se pede, solicita algo, orgulhoso. Ao se erguer, após a queda do cavalo e a visão extraordinária do Cristo, ele se ergueu transformado. Era o escravo. "Que queres que eu faça, Senhor?", é o que roga. Por isso mesmo, haveria de trocar seu nome para Paulo, posteriormente, que significa modesto, pequeno, humilde. Pode-se dividir o seu apostolado em três grandes viagens. Na primeira, partindo de Antioquia com Barnabé e Marcos, foi à ilha de Chipre, depois à Panfília e à Pisídia. Deixou núcleos implantados em Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derme, retornando a Jerusalém. Na segunda grande viagem, em companhia de Silas e Timóteo, atravessou a pé toda a Ásia menor, e , com Lucas chegou até a Macedônia. As pequenas igrejas foram se formando em Filipes, Tessalônica, Beréia. Ele chegou até a Grécia. Na primavera de 53, saiu de Corinto, voltou a Jerusalém e Antioquia. Na terceira viagem percorreu a Frígia e a Galácia. Permaneceu dois anos em Éfeso, depois regressou à Macedônia e Corinto. Retornando a Jerusalém foi preso, remetido a Cesaréia e, apelando para César, chegou a Roma, depois de um naufrágio na ilha de Malta. Estima-se que ele tenha percorrido em sua longa marcha nada menos de 20.000 km a pé, ou seja, metade do comprimento da linha do Equador. Sob a inspiração de Jesus, tendo a servir de intermediário o próprio Estêvão, na espiritualidade, Paulo escreveu as epístolas, cartas cheias de ternura aos companheiros das comunidades nascentes, também carregadas de orientações: duas aos Tessalonicenses , em Corinto, em 52-54; 1ª aos Coríntios , de Éfeso, em 57; 2ª aos Coríntios, de Filipos, em 57; aos Gálatas e aos Romanos, de Corinto, em 57; aos Filipenses, aos Efésios, aos Colossenses e a Filémon, de Roma, em 62; aos Hebreus, em 63 ou 64, da Itália; 1ª a Timóteo, em 64 ou 65, a Tito em 64 ou 65, e a 2ª a Timóteo, em 66, de Roma. Mais de uma vez foi apedrejado, açoitado, maltratado. Padeceu fome, frio, privações. Por amor a Jesus, ele tudo aceitou e afirmou portar no corpo "as marcas do Cristo". Decapitado, fora dos muros de Roma, no ano de 67, por ordem do Imperador Nero, ele adentrou a espiritualidade. Quando a Terceira Revelação se apresentou na Terra, ei-lo participando da equipe do Espírito de Verdade, deixando seus palavras em O Evangelho segundo o espiritismo, nos capítulos X, item 15(1) ( sobre o perdão , em Lyon, em 1861) e capítulo XV, item 10 (2)( Fora da caridade não há salvação, em Paris, em 1860). Igualmente, respondendo a questão de número 1009 de O livro dos espíritos(3), a respeito da eternidade das penas, junto a dissertações de Santo Agostinho, Lamennais e Platão.

Notas :
(1) (ESE, cap. X, item 15)- Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio; perdoar aos amigos é dar-lhesuma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era. Perdoai, pois, meus amigos, a fim de que Deus vos perdoe, porquanto, se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se usardes de rigor até por uma ofensa leve, como querereis que Deus esqueça deque cada dia maior necessidade tendes de indulgência? Oh! ai daquele que diz: "Nunca perdoarei", pois pronuncia a sua própria condenação. Quem sabe, aliás, se, descendo ao fundode vós mesmos, não reconhecereis que fostes o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por uma alfinetada e acaba por uma ruptura, não fostes quem atirou o primeiro golpe, se vos não escapou alguma palavra injuriosa, se não procedestes com toda a moderação necessária? Sem dúvida, o vosso adversário andou mal em se mostrar excessivamente suscetível; razão de mais para serdes indulgentes e para não vos tomardes merecedores da invectiva que lhe lançastes. Admitamos que, em dada circunstância, fostes realmente ofendido: quem dirá que não envenenastes as coisas por meio de represálias e que não fizestes degenerasse em querela grave o que houvera podido cair facilmente no olvido? Se de vós dependia impedir as conseqüências do fato e não as impedistes, sois culpados. Admitamos, finalmente, que de nenhuma censura vos reconheceis merecedores: mostrai-vos clementes e com isso só fareis que o vosso mérito cresça.
Mas, há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitas pessoas dizem, com referência ao seu adversário: "Eu lhe perdôo", mas, interiormente, alegram-se com o mal que lhe advém, comentando que ele tem o que merece.
Quantos não dizem: "Perdôo" e acrescentam: "mas, não me reconciliarei nunca; não quero tornar a vê-lo em toda a minha vida." Será esse o perdão, segundo o Evangelho? Não; o perdão verdadeiro, o perdão cristão é aquele que lança um véu sobre o passado; esse o único que vos será levado em conta, visto que Deus não se satisfaz com as aparências. Ele sonda o recesso do coração e os mais secretos pensamentos. Ninguém se lhe impõe por meio de vãs palavras e de simulacros. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é peculiar às grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e de inferioridade. Não olvideis que o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras.

Paulo, apóstolo. (Lião, 1861.)

(2) (ESE, capítulo XV, item 10) Fora da caridade não há salvação.Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa.
Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.
Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.

Paulo, o apóstolo. (Paris,1860.)

(3) (LE, pergunta 1009)- Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade? "Interrogai o vosso bom-senso, a vossa razão e perguntai-lhes se uma condenação perpétua, motivada por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus.
Que é, com efeito, a duração da vida, ainda quando de cem anos, em face da eternidade?
Eternidade! Compreendeis bem esta palavra? Sofrimentos, torturas sem-fim, sem esperanças, por causa de algumas faltas! O vosso juízo não repele semelhante idéia? Que os antigos tenham considerado o Senhor do Universo um Deus terrível, cioso e vingativo, concebe-se. Na ignorância em que se achavam, atribuíam à divindade as paixões dos homens. Esse, todavia, não é o Deus dos cristãos, que classifica como virtudes primordiais o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas. Poderia Ele carecer das qualidades, cuja posse prescreve, como um dever, às Suas criaturas? Não haverá contradição em se Lhe atribuir a bondade infinita e a vingança também infinita? Dizeis que, acima de tudo, Ele é justo e que o homem não Lhe compreende a justiça. Mas, a justiça não exclui a bondade e Ele não seria bom, se condenasse a eternas e horríveis penas a maioria das suas criaturas. Teria o direito de fazer da justiça uma obrigação para Seus filhos, se lhes não desse meio de compreendê-la? Aliás, no fazer que a duração das penas dependa dos esforços do culpado não está toda a sublimidade da justiça unida à bondade? Aí é que se encontra a verdade desta sentença: "A cada um segundo as suas obras."

Santo Agostinho

04 - COMBATI O BOM COMBATE

OS DISCÍPULOS DE JESUS

A vinda de Jesus à Terra foi prevista com a antecedência de séculos, e quase todos os profetas e iniciados da Antigüidade falaram sobre a vinda de um messias, que iria redimir a humanidade e salvar os que estivessem em pecado. Moisés já havia mostrado ao povo de Israel um Deus que queria ser temido, e agora Jesus iria mostrar o mesmo Deus, mas que queria ser amado e, principalmente, respeitado.

Para cumprir sua missão aqui na Terra, Jesus escolheu doze companheiros de sua terra natal, a saber:

Pedro, André, Tiago, Tiago Menor, João, Judas, Mateus, Felipe, Bartolomeu, Tomé e Simão.

Na verdade, a escolha dos doze apóstolos foi fruto da observação contínua de Jesus junto à multidão que o seguia, reconhecendo neles a predestinação para, juntamente com ele, participar da tarefa missionária da evangelização daquele povo tão sofrido, devido às guerras constantes com os seus vizinhos, pela posse das terras.

Os apóstolos foram educados por Jesus, que lhes ensinou as virtudes da renúncia, da humildade, do trabalho e da abnegação, proferindo muitos discursos que os apóstolos assimilaram com sofreguidão, a fim de prepará-los para a missão evangélica que com o tempo percorreria o mundo.

É importante ressaltar que os apóstolos de Jesus eram homens normais como nós, com todos os problemas inerentes à vida cotidiana e, portanto, não eram nem sábios nem santos, mas pessoas que, desde o início da pregação do Cristo, se mostraram interessadas em aprender; além disso, afinaram-se com Jesus de imediato, como se já existisse um magnetismo de vidas passadas.

Os doze apóstolos, no entanto, não foram os únicos discípulos de Jesus, porque outros companheiros se juntaram à comitiva que acompanhava o divino Mestre. Entre eles, Zaqueu, o avarento, renovado pelo Cristo; Maria de Magdala, que Jesus tirou das garras da prostituição; Nicodemos, o doutor da lei, a quem o Mestre ensinou o verdadeiro Reino de Deus; Lázaro, que foi reavivado depois de um ataque letárgico; Marta e Maria, irmãs de Lázaro; o centurião de Cafarnaum, que teve o servo curado; a mulher hemorroíssa, curada após tocar as vestes de Jesus, inteiradas de energias fluídicas.

O cego de Jericó, que voltou a enxergar; o paralítico da mão mirrada de Cafarnaum; Estêvão, o primeiro mártir do Cristianismo; Gamaliel, um doutor da lei que abandonou tudo para seguir Jesus; um dos dez leprosos, que, depois de curado, voltou para agradecer, e finalmente o Apóstolo Paulo, indiscutivelmente o maior de todos, o mais fiel, o mais ardoroso, o mais combatente, o mais sincero e mais leal de todos os seguidores do Cristo, imprimindo a si mesmo uma disciplina difícil de ser imitada, ao ponto de dizer, ao final de sua triunfante vitória sobre si mesmo:

"Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé. Não sou eu mais quem vive, mas o Cristo é que vive em mim".

Djalma Santos