COMPLEXO DE CULPA
BIBLIOGRAFIA
01- ENFOQUES CIENT. NA DOUT. ESP., pag. 66, 132 02 - FREUD E AS MANIFESTAÇÕES DA ALMA, pag. 197
03 - LASTRO ESPIRITUAL NOS FATOS CIENT.pag. 133 04 - SEXO SUBLIME TESOURO, pag. 129

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

COMPLEXO DE CULPA – COMPILAÇÃO

01 - COMPLEXO DE CULPA

Perceba que nossa vida é repleta de medos; temos medo de tudo, de viver, de morrer, de não se feliz e se somos felizes, de deixarmos de ser felizes, medo de errar, de não dar conta de nossas obrigações, do que virá depois da morte, dos castigos da lei de Deus etc etc.
E todos os medos, todos sem exceção, vem de sermos ignorantes. Se tivéssemos sabedoria suficiente, isto é, se conhecêssemos a verdade, como disse Jesus, todos os medos deixariam de existir, pelo fato de que essa verdade nos libertará de todas nossas dependências.
Tudo, todos os sofrimentos, todos os desacertos que praticamos, vêm exatamente da ignorância. Se vc soubesse que alguma coisa é errada, assim mesmo a faria? Se vc conhecesse perfeitamente as conseqüências que advirão de ações incorretas, assim mesmo as praticaria? Ninguém é culpado ou responsável por errar pelo fato de nem mesmo saber que o que está fazendo é errado. Se até mesmo a justiça dos homens divide as transgressões em culposas e dolosas, como operará a infinita justiça e o infinito amor divinos?

Cito a amiga:
“A questão é a seguinte, quando fazemos algo errado e só nos damos conta depois de um tempo, bate o arrependimento que vem associado com o sentimento de culpa”.
Veja, amiga, se vc só se dá conta depois de um tempo é que ao fazer desconhecia que fazia errado, concorda? Então qual o motivo de se arrepender de ter feito alguma coisa que, talvez no momento em que a fez, a considerasse correta? Há culpa em se fazer algo errado, por ignorar o que se está fazendo? É evidente que não; pois errou por ignorância e ninguém é culpado por ainda ser ignorante...

Cito a amiga:
“Para algumas pessoas que se cobram demais esse sentimento pode ferir muito”.
Veja que, pelo que dissemos acima, não há culpas; como, então, haver cobranças?!...

Cito vc:
“Ouvi... e li... que é errado ficar nos culpando, que isso pode causar um desequilíbrio”.
Pode despertar, talvez, algum complexo de pensamentos de culpas, remorsos, medos... mas coloque em sua cabeça que fomos criados, todos sem exceção, em total ignorância, e que ainda estamos em certo nível de ignorância que, esta escola, que é a vida, não nos ensinou a superar; as circunstancias da vida não nos ensinaram a ir a um nível de maior compreensão e conhecimento; por isso erramos, mas sem qualquer culpa ou responsabilidade...

Cito a amiga:
“... não consigo entender como desvincular o sentimento de arrependimento do de culpa, e muito me pergunto, além da pessoa ter feito algo errado ainda se acha no direito de se absolver?”
Pelo que conversamos acima não há nada de que se absolver, pois não há culpas...

Cito vc:
“O que Deus espera de nós? Arrependimento e culpa na consciência? Ou arrependimento e fingir que nada aconteceu?”
Não há do que se arrepender! Não é até absurdo alguém buscar se arrepender de algo que fez sem saber que era errado?!...

Cito vc:
“Li... que podemos nos tornar obsessores de nós mesmos e assim atrair mais absessores, que usarão de nossas fraquezas para escravizar nossas consciências...”.
Como vimos acima, não há culpas e, por esse motivo, não haverá qualquer obsessor.

Cito vc:
“... entender se um erro que trouxe arrependimento ainda em vida, se esse erro nos trará carmas futuros e se também esse erro nos prenderá no umbral por algum tempo?”
Minha amiga, talvez vc não tenha tido ainda tempo suficiente de estudar, pesquisar, comparar... Se bem observar e questionar vai perceber que “todos” os “pecados” que cometemos são fruto de nossa ignorância e nunca um amor infinito puniria alguém por ser ignorante...

02 - COMPLEXO DE CULPA

Sentimento de culpa
10/09/2003 - Li toda a obra de Kardec, a apostila do Curso de Introdução ao Espiritismo e várias obras psicografadas, ouço a Rádio Boa Nova e freqüento semanalmente um Centro Espírita. Já me considero um espírita, embora "imperfeito", mesmo me comportando bem em relação à ética e à moral. Mas gosto de fazer o que a maioria das pessoas fazem (viagens, praia, pequenos excessos...). E me sinto culpado por isso. Esse sentimento de culpa procede?

Não, esse sentimento de culpa não procede.

Estamos num mundo que tem as suas exigências e as vezes temos até que fazer pequenos sacrifício para cumprir nossa obrigações sociais. Ler, passear, ir ao cinema, viajar, passar alguns dias na praia ou no campo, são coisas naturais da vida. Talvez você possa pensar que o dinheiro que você gasta nesses passatempos poderia ser dado a um pobre ou a uma instituição de caridade.

Poderia sim, mas além de não resolver esses problemas o deixaria com a vivência de um frade trapista. Viva com naturalidade. Não cometa grandes abusos, mas não tente viver isolado do mundo.

Lembre-se das palavras de Paulo de Tarso: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém. Se você compreender bem a Doutrina Espírita, verá que ela é uma doutrina alegre, sadia. Seja alegre, ame a vida, as pessoas. Divirta-se com equilíbrio, sem abusos. Seja honesto, pacífico e tire os grilos da cabeça. Não é a tristeza, a reclusão, a cabeça baixa, o medo, que o santificarão.

Para tranqüilizá-lo lembre-se que ao viajar, ir para a praia, ao cinema, alugar fitas, comprar discos CDs, roupas bonitas, você estará ajudando a manter o emprego de várias pessoas. Mas lembre-se de ser honesto em todas as circunstância da sua vida.

03 - COMPLEXO DE CULPA

Autoperdão: Felicidade Sem Culpa

Nazareno Feitosa

Livro Tormentos da Obsessão: Espíritas sofrendo no mundo espiritual, na maioria, casos de auto-obsessão por perfeccionismo e sent. de culpa.

CULTURA DA CULPA: fruto do nosso orgulho

Autoflagelações na igreja primitiva (autochicotear-se) acreditando que isso fosse agradável a Deus. Jesus nunca afirmou isso. Nos convidou para o amor. A psicologia moderna diz que as palavras "culpa" e "pecado" deveriam ser abolidas do dicionário. Não servem para nada, só nos atrapalham. Aprendemos tanto com os erros quanto com os acertos. O erro só pode ser considerado um fracasso, quando não tiramos dele um aprendizado útil. (H) A culpa é provocada pelo nosso orgulho. Quanto maior o orgulho, maior o sentimento de culpa.
Até em algumas mensagens espíritas a cultura da culpa se infiltrou
Para julgarmos uma comunicação mediúnica, devemos analisar quem é (ou foi) o espírito comunicante, e quem é o médium, posto que muitas vezes, continuamos com as mesmas crenças que nutríamos em vidas passadas. No Evangelho Seg. o Espiritismo, há comunicações de espíritos que foram da igreja antiga, como Santo Agostinho, São Luís, São Vicente de Paulo, Adolfo (bispo de Argel), João (bispo de Bordéus), etc. Alguns deles (ou os médiuns), falaram em termos que refletem alguns atavismos e concepções ultrapassadas, como "Deus castiga", "Deus pune", que promovem o sentimento de culpa. (DF)
Ao passo que no Livro dos Espíritos (p. 13) as entidades venerandas nos apresentam um Deus perfeito, soberanamente justo e bom, e não um Deus vingativo, ou que castiga seus filhos. Afirmam que o mal que sofremos é criação nossa (colhemos o que semeamos). E que Deus só permite que colhamos o mal que nós mesmos plantamos, por que sabe que dele nascerá um bem maior. Que o sofrimento não é a regra do universo, mas uma exceção, própria de mundos ainda atrasados como o nosso (talvez haja tanto sofrimento na Terra porque parece que é o único remédio que funciona contra o nosso imenso orgulho).

SOMOS NOSSOS PRÓPRIOS JUÍZES

L.E. p. 621: "Onde estão escritas as leis de Deus? R.: Na consciência."
Não é Deus quem nos condena. Nos condenamos ou nos absolvemos.

SENTIMENTO DE CULPA: UM "PLUGUE" PARA A OBSESSÃO

Só existe obsessão, porque somos "obsediáveis". Nós oferecemos o "plugue", a "tomada" que são as imperfeições morais - egoísmo, orgulho, inveja, etc - e ainda o sentimento de culpa, que permitem o processo obsessivo, baixando nosso padrão vibratório.
Melhor do que espantar as moscas, é curarmos a ferida. (CX)
"Podemos ter 200 obsessores e não ser obsediados" (SR)
A importância da reforma íntima. Podemos fazer quantas desobsessões quisermos, se não nos perdoarmos, além de nos auto-obsediarmos, continuaremos atraindo outras entidades, por sintonia.
A alegria é um atributo dos espíritos nobres. Fco. de Assis era o “cantor da alegria”; Chico Xavier adorava contar “causos” divertidos.
Os maiores palestrantes que conheço são todos alegres e espirituosos.

PERDOE-SE

Se não nos perdoarmos, como vamos conseguir cumprir o maior mandamento (amar a Deus... como a si mesmo)? Como vamos conseguir nos amar? Se Jesus nos ensina a perdoar os inimigos, por que não deveríamos perdoar a nós mesmos?
DEUS SABIA: Deus, perfeito e onisciente, sabia que nós iríamos errar. Se ele não quisesse que errássemos, teria nos criado “anjos perfeitos”, e não espíritos simples e ignorantes, que aprendemos com os milênios de evolução (H). O erro faz parte do processo evolutivo.
“INFÂNCIA” ESPIRITUAL: Como é que Deus nos perdoa, mesmo com tantas imperfeições? Estamos ainda na "infância espiritual", somos crianças, espiritualmente. Quem não perdoa o filhinho traquinas? (DF)
Nós ainda não “sabemos”, não introjetamos o conhecimento. (H)
Saber que é bom ser bom, não nos transforma em pessoas boas.
"Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem"
Deus permite a convivência de "lobos" com "ovelhas" na Terra
Quem colocaria raposas e galinhas juntas no mesmo local?
Deus, sabendo das nossas inúmeras imperfeições, que dentre nós há ainda "lobos", e "ovelhas", se nos colocou todos juntos, certamente sabia o que poderia acontecer. Há uma explicação para isso no L.E. Primeiramente, isso só ocorre nos mundos de prova e expiação, como ainda é a Terra. Nos mundos mais evoluídos, só há espíritos bons, porquanto os espíritos atrasados foram enviados para outros mundos. Essa é a interpretação do juízo final que Jesus ensinou. Aqui, junto aos maus, os bons aprendem a perdoar, a compreender, a amar, são provas para seu adiantamento. Os maus, por sua vez, recebem a educação e o exemplo dos bons para se melhorarem. Não somos tão "lobos", nem tão "cordeiros" assim. Os "cordeiros" de hoje, provavelmente foram os "lobos" de ontem, e precisam despertar. No nosso atual estágio evolutivo, o orgulho ainda é tão grande que o único remédio que funciona conosco ainda é o remédio amargo do sofrimento. Mas ele não é um fim em si mesmo. Só é necessário para despertamos para o amor. Deus não nos criou para sofrermos, mas para amar e sermos amados.
"As flores despertam somente com o alvorecer, o nascer do sol. Mas as pedras, elas precisam da dinamite para despertar." (JA)
CONTO: “O Bendito Aguilhão” de Humberto de Campos

SE NÃO FÔSSEMOS NÓS, PROVAVELMENTE OUTRO FARIA

Nosso modo de pensar atrai nossas experiências, pois pensar é um contínuo ato de escolher. (H) Deus sendo infinitamente justo e bom não permite injustiças. Assim, aquela pessoa que prejudicamos atraiu aquela experiência dolorosa. Nós fomos os responsáveis, mas poderia ter sido qualquer outro. Ela só sofreu aquilo porque atraiu tal experiência e talvez no passado, tenha cometido a mesma falta.
"Na Terra, há injustos, mas não há injustiçados" (Raul Teixeira)
Aceitamos algumas provas antes de reencarnar - L.E. p. 258
Se, antes de reencarnar, aceitamos passar por aquelas determinadas provas e expiações, que importa se foi o fulano ou beltrano o instrumento? Perdoe-o, ele foi somente instrumento para nossa elevação moral. Se não fosse ele, possivelmente seria outro, porque atraímos as experiências pelas quais precisamos passar.

VIVÊNCIA ou ATENÇÃO PLENA (filosofia zen budista)

Esteja “presente”, aproveitando cada momento da vida. Não se pré-ocupar, não “morrer de véspera”. Confiança em Deus. Por que as crianças são tão felizes? Porque vivem o momento presente, não se inquietam com o dia de amanhã.
É irracional analisar o passado – o que poderíamos ter feito. Nós não podemos mudar uma vírgula sequer do que fizemos.
O maior presente que recebemos: o “momento presente”.
“O espírito que fica preso ao passado não progride. Se eu não deixo o passado passar, ele vira presente!” (H)
"O trabalhador que lança mão da charrua (arado), e olha para trás, não é digno do Reino dos Céus" (__).
Nada de “arrependimentos mórbidos”, mas sim trabalho no bem.
O arrependimento deve ser momentâneo, e não durar muitos anos.

NOSSO “KARMA” É DINÂMICO

“Kardec nunca usou a palavra ‘karma’, na codificação, indicando que o karma é dinâmico. O bem que faço modifica o nosso “karma” (DF)
“O amor (a caridade) cobre a multidão de pecados” (Pedro)
“O bem que fazemos é nosso advogado em qualquer parte” (E)
O importante é dar o melhor de si, tentar ser melhor a cada dia.
Mesmo imperfeitos, podemos fazer grandes obras.
Exemplos de renovação de Paulo de Tarso e Maria Madalena.

ESQUECIMENTO DAS NOSSAS OFENSAS

Se, para o nosso próprio bem, vamos esquecer tudo o que fizemos, queiramos ou não, no momento da próxima reencarnação, por que não colaborarmos com o progresso, esquecendo agora mesmo? Deus nos faz esquecer tudo, mas ficamos teimando, querendo lembrar.
Imaginemos um encontro com Jesus. Ele nos daria um sermão, nos condenando, ou nos perdoaria, estendendo-nos a mão?

ALGUNS POSSÍVEIS EQUÍVOCOS NAS INTERPRETAÇÕES

Alguns companheiros citam a passagem: “A quem muito foi dado, muito será cobrado”, esquecendo do restante do Evangelho.
A melhor interpretação, para nós, foi a de Kardec, que completou: “Mas será muito dado também, se souberem bem aproveitar” (nós esquecemos o fim da frase, porque “adoramos” o lado negativo das coisas). Ao analisarmos uma frase, não utilizemos apenas a interpretação literal. Devemos fazer como no direito: ver quem disse, para quem, em que contexto, se está de acordo com a Constituição, códigos, etc. Temos que interpretar uma lei de acordo com todo o ordenamento jurídico, todo o conjunto de leis. Naquele episódio, Jesus falava para um fariseu. Analisemos essas passagens com um cuidado ainda maior, pois Ele foi muito enérgico com eles. Confrontemos com essa outra: “A quem tem (fé, conhecimento) lhe será dado, e a quem não tem (fé, conhecimento), até o pouco que tem, lhe será tirado.”

A IMPORTÃNCIA DO TRABALHO NO BEM

L.E. p.1000: “... Só por meio do bem se repara o mal”. L.E. p. 770-A: Fazer a maior soma de bem do que de mal constitui a melhor expiação”.
Jesus nos ensinou parábolas lindas, falando das recompensas “grande será o seu galardão (recompensa) no Reino dos Céus”, etc. como a do Semeador: “Aquele que semeia saiu a semear... e a semente, caindo em solo fértil produzirá 30 por um, sessenta por um e alguns grãos, cento por um”. Falou-nos da misericórdia infinita do Pai, como a do filho pródigo, da alegria do reencontro da ovelha perdida. Por que esquecemos dessas parábolas lindas? A palavra “bem-aventurados” significa “felizes”. Jesus veio falar das felicidades que nos aguardam.
“O meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. Se estiver pesado demais, reflitamos sobre o assunto. Não será o perfeccionismo, nos castigando?
L.E. p.909: O esforço é bem pequeno. Mas quão poucos o fazem!

AS TRÊS REGRAS SÃO: DISCIPLINA, DISCIPLINA, DISCIPLINA

Seria um equívoco de interpretação? Quem disse isso? Emmanuel. Para quem? Para Chico. Não foi para nós, para quem ainda está valendo o mandamento mais sublime de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (amor incondicional, sem julgamentos). Emmanuel disse isso para Chico, porque ele já era “todo amor”, e precisava de uma disciplina rigorosíssima para escrever 412 livros e ser um exemplo para o mundo, porque era extremamente assediado.
OBS: A disciplina é muito importante, em especial para os médiuns.
“Se você não acredita em disciplina, observe um carro sem freio” (AL)

SOMOS INSTRUMENTOS, TANTO NO BEM, COMO NO MAL

Incoerências do mov. Esp.: Quando fazemos algo bom, somos apenas instrumentos dos bons espíritos. Mas, se é assim, por que quando fazemos o mal, também não dizemos que fomos apenas instrumentos? Afinal, qual a influência dos espíritos em nossas vidas? L.E. p. 459: "Mais do que supondes, comumente, são eles que vos dirigem".
OBS: Isso não nos isenta de responsabilidades, porque temos o livre-arbítrio. Escolhemos sintonizar com aquela faixa vibratória. Daí a importância do "Vigiai (os vossos pensamentos) e orai, a fim de não cairdes em tentação". Mas, certamente, somos instrumentos utilizados por obsessores que muitas vezes têm responsabilidades maiores que a nossa. Num mundo mais elevado, sem a influência deles, não erraríamos tanto. Portanto, não somos tão maus assim como imaginamos. Mas também não somos ainda tão bons como o nosso orgulho nos faz crer. Nós não nos conhecemos. Portanto, como podemos nos julgar? Estaremos sendo injustos, queiramos ou não.

CONSOLADOR OU CONDENADOR PROMETIDO ?

O Espiritismo é um consolador, e não um condenador.
Vem nos ensinar que o amor (a caridade) cobre a multidão de pecados. Por que muito amou, seus pecados foram perdoados.
O significado da palavra “Evangelho” = Boa Nova, boa notícia.
Jesus veio anunciar o Reino de Deus, falar das felicidades que nos aguardam, da pluralidade dos mundos habitados, afirmando:
“Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não o fosse eu já vo-lo teria dito. Mas eis que me vou adiante de vós, a fim de vos preparar o lugar e retornarei, para que aí onde eu estiver, vós estejais também.”
Jesus nos ama do jeito que somos, porque sabe que ainda temos limitações, e que o Pai não nos exige algo que ainda não podemos dar.
Ainda erramos muito e continuaremos errando. Ainda não somos anjos, a natureza não dá saltos. Nossa evolução é lenta e gradual. Não sejamos hipócritas, exigindo dos outros o que ainda não podem dar.
Conceito de “espírita” para Allan Kardec (ESE).
Jesus repetiu 2x: “Misericórdia quero, e não sacrifício” (Mt 9:13 e 12:7)
A natureza não dá saltos. Seremos, sim, um dia, espíritos puros, mas não iguais. Não nos transformaremos em “Chicos” ou “Ghandis”. É uma prova de humildade reconhecer isso. Cada um tem uma missão própria. Nada na criação é desprezível, pois tudo é criação divina. Cada um irá dar frutos no seu devido tempo. (H).
LE p. 559: Na construção de um edifício não são necessários tanto o mais simples operário como o mais ilustre arquiteto?
Estória: Lampião ajudando no mundo esp. a Bezerra de Menezes. (MM)

SE FORMOS PARA O UMBRAL?

O que faremos se despertarmos no umbral? Ficar nos lamentando e nos consumindo em remorsos, frutos do nosso orgulho, ou iremos fazer algo produtivo por lá? Há algum tempo, se eu fosse para o umbral, iria ficar lá recostado, imóvel, me culpando e me lamentando. Hoje, se ainda for passar uns dias por lá, vou fazer algo diferente: convidar a todos para ler o evangelho, fazer ESDE, palestras, montaremos grupos de auxílio, etc. Por que não? "Floresça onde for plantado" (DF)
Chico disse que queria ir para o CEU = “Centro Espírita do Umbral”

IMPORTÂNCIA DO AUTOCONHECIMENTO PARA O AUTO-AMOR

Qual seria a pergunta mais importante do Livro dos Espíritos? Para alguns, está em um dos 4 livros que o compõem: “As Leis Morais”. Ém sua última questão, Allan Kardec pergunta às entidades benfeitoras:

L.E. p. 919: Qual o meio mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

R- Um sábio da antiguidade já vo-lo disse: “Conhece-te a ti mesmo.”
Orgulho: o Pai de todos os vícios, porque é o maior obstáculo - nos impede de ver nossos defeitos, impedindo nosso aperfeiçoamento.
Nosso sistema de “crenças” equivocadas nos faz sofrer. Precisamos descobrir as potencialidades divinas que possuímos.
Conhecendo-se através das doenças: Livro A doença como caminho.
Uma das melhores ferramentas: o Pathwork de Eva Pierrakos
Onde se encontra a felicidade?
Conhecemos muito do mundo material. Temos as ciências, a física, a química, a medicina, a biologia, a tecnologia, etc. Nós, espíritas, através das obras de espíritos como André Luís, Manoel Philomeno de Miranda, e outros, conhecemos muito do mundo espiritual. Mas não é em nenhum desses dois mundos que iremos encontrar a felicidade.
O mundo que precisamos conhecer é o nosso mundo íntimo. (H)
O Reino de Deus está dentro de vós. (JC)

Autoconhecimento e Auto-obsessão:

Quase toda obsessão tem no fundo uma auto-obsessão. (H)
A “tentação” é a projeção de tendências infelizes que ainda trazemos, que se exteriorizando, em forma de pensamentos materializados, atraem mentes que se harmonizam conosco. (CX)
Descubramos o que há em nós que está atraindo aquelas experiências
Nossa máscara é fruto do nosso orgulho: queremos parecer melhores.
Qual o vício que Jesus mais condenou? A hipocrisia (a máscara).
A auto-imagem idealizada (máscara) segundo o Pathwork.

JESUS VEIO PARA OS "PECADORES"

Ele veio especialmente para os "pecadores". Acercou-se de coletores de impostos (Mateus), de prostitutas (Madalena), de corruptos (Zaqueu), etc., sendo criticado pelos fariseus, que diziam que Ele andava com pessoas de má vida. Para quem Jesus apareceu primeiro? Não foi para Pedro, a quem confiou seu rebanho, nem para João, o discípulo muito amado, mas fez questão de aparecer para uma "pecadora", Maria Madalena, que era desprezada pelos apóstolos.
"Deus não faz acepção de pessoas" (PT)
Auto-Aceitação: “Nós estamos assim, mas não somos assim.” (DF)
Somos espíritos destinados à perfeição e à felicidade supremas.
Lei do progresso: Nós estamos a cada dia melhores. (LE)
AUTO-AMOR: “Amar ao próximo como a si mesmo”
Só posso dar aquilo que tenho. Se não me amo, como posso amar?
Humildade não é inferioridade, não é se depreciar. É não ser dono da verdade. Cuidar do corpo e do espírito (ESE). O caminho do meio (budismo). Cuidar da aparência, sem excessos, é equilíbrio (AA).
Relaciono-me com os outros do mesmo modo que comigo. (H)

JESUS, A ALEGRIA DOS HOMENS

Jesus era um homem simples, espontâneo. Nas bodas de Caná, transformou água em vinho. Se Jesus fosse um puritano, um hipócrita, teria dito: O que? Mais vinho para esses beberrões? Ele, ao contrário, atendeu o pedido de sua mãe, levando alegria para os convidados.
Os maus de hoje, serão os bons de amanhã. (E)
Os espíritos mais renitentes no crime serão salvos das garras do mal, se invocarem verdadeiramente o amparo do Senhor. (E)
Deus nunca está pobre de misericórdia. (_)
Há mais alegrias no Reino dos Céus quando uma ovelha desgarrada retorna ao rebanho do que quando chegam 99 justos”. Jesus é o bom Pastor:Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
O bom pastor conhece cada uma de suas ovelhas pelo nome.
Nenhuma das ovelhas que o meu Pai me confiou se perderá. (JC)
Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo todos vós. (Sl 82:6)
Podeis fazer tudo o que faço, e muito mais! Brilhe a vossa luz!
FIM – Que Jesus, com sua alegria e seu amor, nos ilumine a todos!

OBS: Esse texto não é definitivo. Não são afirmações peremptórias, mas sim questionamentos. Trata-se apenas de uma palestra intuída, ainda não revisada. Há afirmações que precisam ser confirmadas por outros médiuns, conforme nos ensina Kardec. Gostaríamos de receber críticas, correções e contribuições para o tema: Como levar mais alegria para as casas espíritas?

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:

KARDEC - O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo
DIVALDO FRANCO: CDs Divaldo Responde 2; Perdão e Autoperdão;
MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA: Tormentos da Obsessão;
ERMANCE DUFAUX – Wanderley S. Oliveira - “Reforma Íntima Sem Martírio”; “Mereça Ser Feliz Superando as Ilusões do Orgulho”; www.inede.com.br
HAMMED - Fco. do Esp. Santo Neto - Os Prazeres da Alma; As Dores da Alma; Renovando Atitudes; Conviver e Melhorar; Um Modo de Entender.

04 - COMPLEXO DE CULPA

Culpa, Arrependimento e Reparação Sob a Ótica Espírita

Pergunta nº 1002: O que deve fazer aquele que, no último momento, na hora da morte, reconhece as suas faltas, mas não tem tempo para repará-las? É suficiente arrepender-se, nesse caso?
Resposta dos Espíritos — O arrependimento apressa a sua reabilitação, mas não o absolve. Não tem ele o futuro pela frente, que jamais se lhe fecha?
Texto retirado do ‘Livro dos Espíritos’ (Livro Quarto – Cap. 2 – Item VI)


Jean-Jacques Rousseau, um dos grandes nomes do iluminismo, nasceu em Genebra, no ano de 1712. Não conheceu sua mãe, pois devido a complicações do parto, veio a falecer dias após seu nascimento. Quando completou dez anos de idade, seu pai envolveu-se em uma discussão com pessoa importante da cidade, e, com receio de represálias, fugiu, deixando o filho para ser educado por um tio. Segundo seus biógrafos, o fato de Rousseau não ter conhecido a mãe, marcou-o, profundamente.

Tornou-se, na vida adulta, compositor auto-didata, teórico político, filósofo e escritor. Contribuiu amplamente para as grandes reformas ocorridas na América e na Europa, no século XIX, com seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, sendo ainda um dos colaboradores da famosa Enciclopedie, de Diderot e D´Alembert. Escreveu vários livros, influenciando diversas culturas e gerações. Foi um daqueles homens que não passam despercebidos, pois possuía conhecimentos bastante avançados para sua época – visões que romperam com os paradigmas vigentes, trazendo transformações importantíssimas para o panorama do mundo ocidental.

Um de seus escritos, de estrondoso sucesso, chama-se ‘Emílio, ou Da Educação’. Nesta obra, Rousseau cria um personagem fictício, de nome Emilio e vai, no transcorrer de seus escritos, contando ao leitor sobre a forma como ele educa este personagem. O objetivo de Emílio é “formar um homem livre; e o verdadeiro amor pelas crianças…”.Hoje esta obra é vista não apenas como uma referência obrigatória para todos os educadores [pais, professores, etc], mas, acima de tudo, como uma lição de vida.

Entretanto, Rousseau, este mesmo homem, filósofo, escritor, teve seus cinco filhos. E os abandonou, a todos, em orfanatos.
No prefácio de sua obra, o tradutor assim comenta:

“Como levar a sério um livro sobre a educação escrito por um homem que abandonou os cinco filhos que teve com Thérese Levasseur? Esta questão prévia, repetida pelos jovens leitores de ontem e de hoje, deve ser colocada, não para ser ela própria levada a sério, mas para que nos desvencilhemos dela de uma vez por todas. Rousseau é daqueles que acham que não há covardia pior do que o abandono dos filhos que se teve o prazer de fazer. Escreveu Rousseau em sua obra Emilio: “Um pai, quando gera e sustenta filhos, só realiza com isso um terço de sua tarefa. Ele deve homens à sua espécie, deve à sociedade homens sociáveis, deve cidadãos ao Estado. Todo homem que pode pagar essa dívida tríplice e não paga é culpado, e talvez ainda mais culpado quando só paga pela metade. Quem não pode cumprir os deveres de pai não tem direito de tornar-se pai. Não há pobreza, trabalhos nem respeito humanos que os dispensem de sustentar seus filhos e de educá-los ele próprio.Leitores, podeis acreditar do que digo. Para quem quer que tenha entranhas e desdenhe tão santos deveres, prevejo que por muito tempo derramará por sua culpa lágrimas amargas e jamais se consolará disso”. (Emílio, Livro 1).

Foi justamente por sentir-se culpado que Rousseau escreveu Emilio (de 1757 a 1762). Não podemos pretender que o livro não tenha nada para nos ensinar porque seu autor não o colocou em prática. Para isso, seria necessário inverter a cronologia e proibir a Rousseau toda a oportunidade de um arrependimento sincero que busca a reparação. Afirmou o autor de Emílio: “Não escrevo para desculpar meus erros, mas para impedir meus leitores de os imitar”.

Jean-Jacques influenciou sobremaneira alguns pensadores, tais como Johann Pestalozzi, fundador da escola de Yverdun, na Suiça, mestre de Allan Kardec. Portanto, podemos dizer que Rousseau é o avô espiritual de Kardec nas questões da educação. Levando-se em conta de que o codificador da Doutrina Espírita [assim como Pestalozzi] era pedagogo, logo percebemos o quanto a obra Emílio foi importante para todos os três e tantos outros. E se Rousseau influenciou sobremaneira Kardec, nós outros, daqui deste lado do Planeta, 150 anos após Kardec, somos também influenciados por suas idéias fantásticas de educação através do amor e da liberdade.

Sabemos ainda, através dos escritos do final da vida de Jean-Jacques Rousseau, que ele tentou resgatar todos os seus filhos dos orfanatos, porém não teve sucesso. Portanto, de seu arrependimento e expiação vemos surgir a busca pela reparação, se não diretamente aos prejudicados, através de todos aqueles que beberem nas fontes de suas idéias renovadoras e, porque não dizer, maravilhosas.

O escritor Catulo da Paixão Cearense, em seu poema “A Dor e a Alegria” afirma que “a dor é como um relâmpago; no escuro assusta a gente, mas alumeia os caminhos.” Rousseau aprendeu o verdadeiro sentido desta frase, trezentos anos antes de ser pronunciada por Catulo.

Seguindo tal linha de pensamento, podemos afirmar que Rousseau não ficou estagnado no susto causado pela dor.Abriu os olhos, no momento em que ela clareava caminhos e soube seguí-los, com coragem. Ainda bem.

Uma outra história, mais antiga que a de Rousseau, mas que inspira nossos corações sobremaneira, fala sobre uma mulher nascida em uma época difícil, na cidade de Magdala. Chamava-se Maria. Contam-nos alguns evangelistas que carregava em seu psiquismo a presença de sete demônios, tendo sido curada por Jesus. Hoje, através da Doutrina Espírita, aprendemos que tais ‘demônios’ eram, na verdade, Espíritos ainda ignorantes, voltados temporariamente ao mal.

Afastaram-se de Maria sob a imposição Moral do Mestre, entretanto cabe-nos salientar que, se não voltaram a importuná-la, foi devido aos méritos que ela acumulou, através de sua reforma interior.

Humberto de Campos, no livro Boa Nova, conta-nos, de forma emocionante, a história do encontro entre Maria e Jesus. Ela, curvada pelo peso de sua culpa, carregando no íntimo muitas dores nascidas do remorso constante, abre seu coração atormentado. Jesus, o Grande Sábio, aponta novos caminhos: “Ame, Maria. Ame muito. Ame os filhos de outras mães... escolha a porta estreita...”.

Nada de acusações. Apenas um pedido: que amasse muito, sem nada esperar de volta.
Foi o que fez.

Após a crucificação de Jesus, decidiu seguir os discípulos na divulgação da Boa Nova. Entretanto, aqueles homens encharcados de preconceitos, negaram-lhe a companhia. Teve de ficar às margens do Tiberíades, em lágrimas, cheia de saudades e dor.

Foi quando viu chegarem na cidade diversos leprosos, em busca do Mestre. Não sabiam que Ele já não pertencia àquele mundo,queriam ouvir Sua voz, ouvir Seus ensinamentos e, quem sabe, conseguir a tão almejada cura.

Maria não hesitou. Buscou-os e, em todas as tardes passou a divulgar os ensinamentos que houvera aprendido com o amigo nazareno. Porém, em pouco tempo aquelas pessoas foram expulsas de Cafarnaum e ela, com o melhor sentimento de que dispunha, acompanhou-os para longe dali. Seguiu seus dias cuidando, diuturnamente, dos doentes, amparando-os, tentando minimizar suas dores, sua fome, sua tristeza.
Entretanto, depois de algum tempo percebeu manchas róseas em sua pele. Estava com hanseníase, também.

Sentindo que o final se abeirava, decidiu procurar pela mãe de Jesus, Maria, e por João - seus amigos diletos. Seguiu para Éfeso, mas não conseguiu adentrar a cidade, caindo pouco antes de sua entrada.

Logo após seu desencarne, viu-se novamente às margens do Mar da Galileia, encostada em uma grande árvore. Ao longe, aproxima-se Jesus, com os braços abertos, a dizer-lhe: “Maria, já passaste a porta estreita!...Amaste muito! Vem! Eu te espero aqui!”.

Duas histórias fantásticas, com pontos em comum: Rousseau e Maria, saíram do processo de remorso, arrependeram-se verdadeiramente e optaram pela reparação. Outro ponto que devemos destacar é que ambos, embora dentro de culturas essencialmente religiosas [ela era judia e ele protestante] e preconceituosas, conseguiram libertar-se das amarras teológicas. Ela porque bebeu nas fontes da Verdade, diretamente com Jesus. Recordemos que Ele afirmou “Conhecerás a Verdade e a Verdade vos libertará.” (João, 8:32). Foi o que ocorreu com Maria. Libertou-se do remorso e pode seguir em frente.
Ele [Rousseau] porque rompeu com as amarras dos dogmas. Mostrou-se em muitos momentos um protestante rebelado, desconfiado das interpretações eclesiásticas sobre os Evangelhos. Dizia sempre:"Quantos homens entre mim e Deus!", o que atraía a ira tanto de católicos como de protestantes.


A culpa no Ocidente – O Capitalismo e a Normose

Na atualidade, enfrentamos muitos dilemas quando analisamos a questão da culpa.
Cada vez mais tomamos consciência de como as teorias individualistas ocidentais estão equivocadas¹ no que se refere à realidade do ser. Tanto através da lente Espírita, como das ciências dita humanas, temos tido contato com outra realidade: a de que pertencemos ao todo, influenciando e sendo influenciados, num mar de experiências, onde tudo se modifica, continuamente, através das relações. Não é possível explicar o ser em separado do meio onde ele atua. Não podemos deixar de considerar o tempo histórico e a cultura onde está inserido, sob risco de cometermos erros crassos, subtraindo influências importantes e, pior, não reconhecendo sua real essência neste meio.

Com isso, já percebemos a urgência de um olhar mais holístico, vislumbrando o sujeito com todas as suas faces. O ser como sendo um sujeito bio-psico-sócio-espiritual, pois é o que somos, sendo que o Espírito, o ser imortal, criado simples e ignorante, com potencialidades de perfeição relativa e que vai, através de vidas sucessivas evoluindo, é sua essência, o seu verdadeiro eu, com o qual atua no mundo, através de sua porção biológica, com mecanismos psicológicos característicos, dentro de uma sociedade, em determinada cultura e em determinado tempo histórico.
Quando ampliamos este nosso olhar, vamos nos aproximando da realidade, e, com isso, podemos melhorar nosso entendimento, conseguindo, por conseqüência, refletir melhor sobre nossas ações e implicações destas em nossas vidas e no meio onde atuamos.
Na cultura judaico-cristã, o medo dos fiéis alimentou, por séculos, o poder de alguns, através do mecanismo da culpa. Neste contexto, já nascíamos culpados, afinal somos descendentes de um erro imperdoável: nossos ancestrais Adão e Eva que, num ato de muita insensatez, (pela visão religiosa tradicional) abdicaram do maior presente de Deus – o paraíso na Terra - trocando-o pelo fruto da árvore da sabedoria. Somos culpados por desejarmos algo saber. Sendo assim, a ignorância seria o melhor remédio, aceitando dogmas irrevogáveis e, lógico, inquestionáveis. Talvez aí pudéssemos fazer as pazes com Deus, por determinado tempo, desde que ainda contribuíssemos com algo, de preferência material, pela ‘Causa de Deus na Terra’.

Mas a nossa história com a culpa não pára por aí. Mulheres judias nascem impuras, afinal, menstruam e sequer podem orar como os homens, nos templos. Depois do ano 234 dC, quando criou-se a instituição católica, a culpa continuaria presente. Homens deveriam lutar nas ‘guerras santas’, trazendo ouro para a igreja e diminuindo o número de ‘infiéis’, através da espada. Se assim fizessem, poderiam dormir com a consciência tranqüila, pois estariam quites com Deus.
Hoje, a questão da culpa tornou-se ainda mais abrangente, de acordo com a ideologia vigente. No capitalismo, somos culpados se não juntamos capital. O fracasso consiste em não ser sucesso em seus negócios, nos estudos, na empresa, no consumo. Para as mulheres, mais que isso: fracassadas são as que não conseguem manter o padrão de beleza das modelos magérrimas das passarelas.

Jean-Yeves Leloup, o padre francês, autor do livro 'Normose, a Patologia da Normalidade', criou um conceito bastante interessante para definir o contexto atual. Chamou de “normose” tudo o que é aceito socialmente como sendo algo normal, mas que, porém, causa sofrimento, patologias e até mesmo a morte. As relações fluidas, o consumo exacerbado, a busca pelo padrão de beleza ideal, pelo sucesso, pelo poder, etc., faz com que boa parcela da população sofra, gerando sintomas de difícil solução. Somos culpados por não conseguirmos atingir a meta proposta, dentro deste padrão de normose atual. E, buscando encobrir a culpa, usamos máscaras sociais que nos fazem parecer. Parecemos não errar, parecemos ter, parecemos ser. Mas só parecemos. Todos erramos, nada possuímos [uma vez que tudo pertence a Deus e pode nos ser retirado a qualquer momento] e, neste caminho, sequer temos conhecimento de quem realmente somos.
Salientamos ainda que, se por um lado temos a questão da culpa como produto social, não é menos verdadeiro que temos tido contato, há mais de dois mil anos, com outras formas de pensamento que nos trazem reflexões sobre a situação do apego à matéria e o descaso com as questões do Espírito. Portanto, embora mergulhados numa ideologia marcante e opressora, não nos faltam opções filosóficas e religiosas neste contexto para que possamos analisar nosso modo de ser e agir no mundo e suas possíveis conseqüências.

O remorso como mecanismo de autopunição

Culpa é a consciência de um erro cometido através de um ato que provocou algum prejuízo [seja material ou moral] a si mesmo ou a outrem. A consciência do erro traz-nos sofrimento. E tal sentimento pode ser vivenciado de duas formas: saudável ou patologicamente.

Chamaremos de culpa saudável aquela que nos leva ao arrependimento sincero e que, embora revestido de dor, impulsiona o ser à reparação.

Na origem da palavra, arrependimento quer dizer mudança de atitude, ou seja, atitude contrária, ou oposta, àquela tomada anteriormente. Ela origina-se do grego - Metanóia (Meta=Mudança, Nóia=Mente) - Arrependimento quer dizer, portanto, mudança de mentalidade.

Temos, então, no processo saudável, primeiro o diagnóstico do erro. Sem este, impossível seguirmos adiante sem acumularmos mais débitos. Pessoas que se mantém com a consciência adormecida, ao acordarem resgatam dores maiores, acumuladas devido à cegueira espiritual em que se comprazem. Importante ressaltar que nenhum filho está às margens do Amor do Pai Celestial. Todos temos, em diversas oportunidades e em variados contextos, contato com as verdades do Mundo Maior. Preciso é que a boa vontade surja no cenário, sob risco de ficarmos derrapando na estrada evolutiva além do necessário, colhendo dores tardias. É preciso que exista o arrependimento sincero. Ou seja, a mudança de mentalidade.

Diagnosticamos o erro e não desejamos mais praticá-lo. Porém, não ficaremos apenas na luta pela não repetição do mal cometido, sentindo a dor da expiação [a dor sentida pela dor causada]. Iremos além: no terceiro [e imprescindível] passo, seguiremos em direção à reparação.

Allan Kardec, no livro O Céu e o Inferno, no código penal da vida futura, afirma que "o arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. (...) Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências".

Na culpa patológica temos, como resultado, apenas o remorso, num pensamento em circuito fechado, no qual o ser acredita [erroneamente] que, ao sentir a dor repetida está pagando pelo mal cometido, resgatando seus débitos. Triste ilusão, em que a pessoa que sofre mantem-se num monodeísmo, autoflagelando-se, sem conseguir libertar-se ou evoluir. Trata-se, aqui de um processo de congelamento evolutivo, uma trava psicológica que leva a sérias patologias da mente e do corpo se não percebidas e alteradas em pouco tempo.

No remorso o sujeito enclausura-se em sua dor, lamentando-se, acreditando não ser merecedor de nada bom, desistindo de lutar, de reparar para libertar-se. Não consegue perceber a função do erro e da dor na evolução de si próprio, estagnando em águas tormentosas, num continuo sofrer sem sentido. O remorso o faz sofrer, porém, não o liberta. Está acomodado na queixa e na lamentação. Mais amadurecido psicologicamente avançaria pelo caminho do auto-perdão e seguiria em direção à reparação.

Muitas vidas e a culpa inconsciente

Com o advento da Doutrina Espírita, adquirimos conhecimentos importantes, tais como o da reencarnação. Aprendemos, através dela, que vivemos vidas sucessivas, num continuum evolutivo, onde as experiências surgem como ferramentas preciosas, impulsionando o ser à melhoria constante. Neste processo, a dor pode ser comparada com o advento da febre no vaso orgânico, que assinala algum problema infeccioso que deverá ser diagnosticado para que possa ser tratado. Na alma, a dor tem o importante papel de nos alertar sobre algo moral que não vai bem.

Precisamos sair da postura persecutória em que freqüentemente nos alojamos, analisando a dor como uma inimiga. Muito ao contrário, ela deve ser vista como oportunidade de conhecimento, de entendimento de nós mesmos, para uma possível melhoria íntima real.

O que acontece é que, viciados neste ‘mal sofrer’, seguimos acumulando remorsos, distante ainda do objetivo maior, que é o de aprender com os erros, reparando-os e seguindo adiante, libertos.

Vamos acumulando, no psiquismo inconsciente, emoções relacionadas à culpa patológica, carregando, em vidas posteriores, problemas de difícil solução. Síndromes neuróticas podem estar intimamente ligadas a estas lembranças pretéritas, porém não acessíveis à consciência. Por exemplo: o medo terrível que algumas pessoas apresentam de estarem em posição de comando podem refletir erros do passado, quando precisaram lidar com a experiência do poder e faliram, devido a sua personalidade arrogante, abusiva ou intempestiva.

A Doutrina Espírita auxilia-nos sobremaneira na compreensão de todo esse processo, pois nos revela a anterioridade do Ser, onde muitas vezes está a gênese dos desequilíbrios do hoje.

Passamos a nos compreender como senhores de nossas ações e tendemos, portanto, à mudança, libertando-nos do remorso patológico, aprendendo a viver com mais responsabilidade.


E os que acabam de chegar ao Espiritismo?

Outro ponto que gostaríamos de citar é sobre os neófitos, os que chegam à Doutrina Espírita e começam a beber em suas fontes. Logo percebem a grandiosidade da Mensagem reveladora e em muitos casos, assustam-se e se esquivam de saber mais, amedrontados com a possibilidade de nunca conseguirem realizar seus ensinamentos.

Outros, que persistem um pouco mais, porém que ainda não compreenderam a Mensagem em toda a sua extensão, iniciam um processo autopunitivo complexo, sofrendo demasiadamente a dor oriunda de seu passado complicado.

Um exemplo: pessoas que fazem uso de drogas [mesmo as chamadas licitas], ao aprenderem o que ocorre com o corpo espiritual [perispírito], podem passar a sentir tremendas dificuldades intimas.

É preciso que se saiba que não importa o tamanho do problema ou do erro, mas nosso empenho sadio nas escolhas do hoje que redundarão num futuro diferente.

Não temos mais controle sobre o que já fizemos. Isso é passado. Mas podemos controlar o nosso próprio futuro e isso realmente depende de nós.

Os erros nos ajudam sobremaneira na compreensão sobre os novos caminhos que devem ser trilhados. São importantíssimos para nossa evolução. Não fará sentido para nós determinadas escolhas se não soubermos o porque decidi-las. A fé precisa ser raciocinada. Devemos saber por que precisamos mudar, como mudar e quando mudar.

E mesmo que não consigamos nos reformar em determinados aspectos, o que aprendemos é que precisamos tornar a tentar, tornar a tentar e tornar a tentar... setenta vezes sete vezes, se preciso for...

E se não tivermos a oportunidade de reparar o mal que fizemos com determinada pessoa, diretamente?

Busquemos não repetir o erro e amemos muito. Disse o apóstolo que “O amor cobre uma multidão de pecados”. (I Pedro, 4:8) É isso.

Recordemos que do erro de Rousseau e de Maria de Magdala, surgiram frutos maravilhosos. Embora sem conseguirem uma reparação direta com os prejudicados ainda naquela encarnação [no caso de Rousseau, os cinco filhos por ele abandonados], ambos optaram pelo exercício do amor desinteressado e com isso nos deixaram um belíssimo e importante legado que, se observado e levado a efeito, ajuda-nos em nossa caminhada, libertando-nos do remorso, impulsionando-nos ao acerto, ao bom caminho, conforme já nos indicava, há dois mil anos, Jesus, o Mestre por excelência.

E, mesmo que tenhamos de aguardar um tempo maior para conseguirmos oportunidade de reparação direta, não tenhamos dúvida de que, fortalecidos pelo amor em ação, conseguiremos ultrapassar barreiras íntimas, tornando-nos, por fim, benfeitores não apenas destes, mas de muitos outros que cruzarem nossos caminhos.

Por: Claudia Gelernter