CONFLITOS
BIBLIOGRAFIA
01- AUTODESCOBRIMENTO UMA BUSCA INT., pag 33 02 - CONVERSA FIRME, pag. 85
03 - DO PAÍS DA LUZ (Volume I I I), pag. 85 04 - DO PAÍS DA LUZ (Volume I), pag. 98
05 - IDE E PREGAI, pag. 9 06 - MEREÇA SER FELIZ, pag. 99
07 - NOVAS MENS. DE SCHEILLA PARA VOCÊ, pag. 55 08 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS, q. 272
09 - OFERENDA, pag. 103 10 - RENOVAR-SE E VIVER, pag. 96
11 - RUMOS LIBERTADORES, pag. 28 12 -

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CONFLITOS – COMPILAÇÃO

01 - CONFLITOS

Conflito

Antigamente, o duelo surgia por hábito deplorável, desfigurando o caráter e enodoando a cultura.

Empenhavam-se antagonista, com a presença de testemunhas, em golpes violentos, legalizando o homicídio em nome da honra.

O progresso aboliu semelhante nódoa de nossa face, todavia, o conflito continua em outras modalidades, a dentro de nossa vida.

Não mais a característica fulminante, dos apetrechos de matar ou ferir, mas o golpe em câmara lenta que o ódio e a incompreensão, a ignorância e a crueldade arremessam por onde passam, gerando perturbações e enfermidade.

Por toda parte, vemos o duelo mental torturando e aniquilando criaturas, mantido por nossas atitudes delituosas de uns para com os outros, quando não se exprime, sem forma perceptível aos sentidos comuns, à feição da troca de dardos invisíveis, penetrando corações, arrojando-os, muitas vezes, aos tormentos do hospício ou à vala da morte.

Fujamos de toda idéia que signifique discórdia e maledicência, ciúme e desespero, maldade e intolerância, porquanto, as imagens desse teor, a fluirem constantes de nossa fonte mental, possuem vitalidade própria, corporificando-se com a persistência de nossas irreflexões repetidas e atingindo o objetivo de nossas projeções, a operarem desajuste e flagelação regressando a nós mesmos, em lamentável retorno, trazendo-nos de volta, a aflição e o infortúnio que tivermos causado.

O amor é Lei Universal, mas a Justiça nos segue, serena e inexorável, para que todos nós tenhamos no caminho o justo pagamento de nossas próprias obras.


Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Viajor

02 - CONFLITOS

Conflitos Psicológicos

Manuel Portásio Filho

O homem é um ser complexo que, ao nascer, traz consigo uma bagagem imensa, enriquecida por suas vivências e experiências positivas, que constituem a somatória dos seus valores evolutivos, mas também crivada de passagens menos felizes, traumáticas, difíceis de lidar. De qualquer forma, ele não é uma tábula rasa, uma folha em branco, como pensavam alguns filósofos. Apenas, ao reencarnar, esquece-se do passado, relega-o à instância do inconsciente, e começa uma nova caminhada, como se do zero partisse, o que lhe dá maior liberdade de ação.

Os problemas de antanho, todavia, os da esfera psíquica, permanecem pendentes, pois não se resolvem com o “simples” esquecimento nem com o iniciar uma nova experiência carnal.

Na verdade, somos herdeiros de nós mesmos, andarilhos do tempo, arrastando as pesadas correntes dos nossos erros e insucessos, que vincam cada nova existência na matéria. Conquistamos a liberdade à custa de ingentes sacrifícios, mas ainda não sabemos lidar com ela em toda a extensão de benefícios que nos oferece. Descobrimos o prazer e nos exasperamos por ver escaparem as melhores oportunidades de experimentá-lo nobremente.

Amealhamos conhecimentos que mais nos confundem e atemorizam quando não sabemos interpretar o significado dos fatos mais comezinhos da existência. E nossa fé esvazia-se diante do brilho das ilusões mundanas e dos vaticínios irracionais de todos os tempos.

A encarnação é dada ao Espírito para o seu progresso e crescimento; ninguém encarna para o mal, para o sofrimento, para a infelicidade, para o castigo. Ela visa a conquista da felicidade, que é mais descoberta do que aquisição. A encarnação significa uma volta à carne, à matéria, com vistas à superação de problemas, ascensão moral e aprofundamento do processo de autodescoberta; mas, acima de tudo, para uma espiritualização, cada vez maior, do ser. Contudo, encarnados, acabamos por nos embrenharmos na selva selvaggia do materialismo, da luta pelo ter e do culto do corpo, não bastassem nossos dramas existenciais e conflitos pessoais, que, no mais das vezes ficam escamoteados pela inocência da roupagem infantil.

O conflito é da natureza humana; nasceu no homem, com o advento do livre-arbítrio, da consciência de si mesmo, da memória e da mediunidade, e terá que ser resolvido pelo homem, o Espírito encarnado. Ninguém poderá atingir os escalões mais elevados da vida cósmica enquanto não resolver seus conflitos - problemas criados pelo próprio homem desde os primeiros degraus da escada evolutiva - porque os valores psicológicos erguem-se das experiências humanas vividas anteriormente, em forma, principalmente, de tendências e conflitos, que correm o risco de agravar-se com as possíveis feridas e cicatrizes da infância, ainda tão comuns neste mundo de expiação e provas, onde os pais, Espíritos igualmente em luta com os seus próprios desajustes e desafios, na sua infância, nem sempre receberam a educação e os cuidados necessários.

Como bem assinala Joanna de Ângelis, “estes são tormentosos dias de crises: morais, de valores, de consciências, de responsabilidades, de emoções, de esperanças, de significados existenciais...” (O Amor Como Solução, cap. 18). Os conflitos estão por toda parte; no Oriente e no Ocidente, no hemisfério Norte e no Sul, em forma de guerras, de convulsões sociais, de crises econômicas, de negligência no campo da educação, de avanço no consumo de drogas, de banalização do sexo, de crimes contra a vida (liberação da prática do aborto, prática da eutanásia, aumento dos casos de suicídio no mundo) etc. Por isso, as crises mais gritantes são aquelas que se desenrolam no campo íntimo do psiquismo de cada ser humano, vazio de realizações interiores.

Então, os conflitos psicológicos têm origem nos comportamentos mais aberrantes do homem, que despreza os valores inerentes à sua natureza espiritual para ficar com as condutas desencadeadoras de ansiedades e angústias, ligadas ao cultivo das ilusões do mundo em todas as épocas, gerando uma herança pesada, que ressurge sempre, enquanto necessidade de corrigenda, apoiada sobre os ombros de cada um de nós.

03 - CONFLITOS

Uma das coisas mais comuns no ser humano é a insatisfação. Esse espinho da insatisfação acompanha o homem, desde as mais longínquas idades e costuma gerar conflitos.

Mas, ao lado da insatisfação, existem dúvidas que geram insatisfações. Há ansiedades em função das insatisfações. Em verdade, percebemos na criatura humana, um número muito grande de conflitos.

Esses conflitos vazam da intimidade do ser e acabam contaminando as coisas feitas por esse ser.

Encontramos nas criaturas humanas, em cada um de nós, os mais variados tipos de conflitos, que costumam se manifestar nas intensidades mais diversas.

Encontramos aqueles que têm, por exemplo, conflitos relativamente ao seu biótipo.

Há pessoas que se acham feias e, porque se acham feias, passam a se punir, a se castigar ou a buscar uma série de supostas atenuantes para sua suposta feiura.

Por causa desse sentimento de feiura, elas têm autoestima baixa, porque a criatura que se julga feia, não tem coragem de sair, de se arrumar, de encontrar um namorado, uma namorada, de ir a festas porque estará sempre supondo que alguém não gosta da sua expressão.

Há aqueloutros que sofrem conflitos, que vivem conflitos, ainda por causa do biótipo, não propriamente por se acharem feios, mas por se acharem gordos, magros demais, baixos demais, altos demais.

Por mais incrível que isso possa parecer, os indivíduos se atormentam por quaisquer dessas situações.

Aqueles que são gordos demais ou que se acham gordos demais poderiam bem imaginar-se numa outra situação. Entre as classes melhor aquinhoadas, não se diz que alguém está gordo, se diz que alguém está forte e a simples palavra mudada de gordo para forte dá uma outra expressividade.

Aquelas criaturas que se acham gordas demasiadamente passam a usar preto, se vestem de preto, porque se diz nos mundos da moda, nos campos da moda, que preto emagrece.

Se isso fosse verdade não se venderiam outras cores no mundo. Em realidade, a cor escura diminui a visão do contorno, mas a criatura continua portando a mesma massa.

Desse modo por que se atormentar porque o corpo é maior do que o convencional?

Mas, qual é o convencional? Estabelecemos que o convencional é ser magro e aí temos os problemas das anorexias com as modelos, com os modelos. Encontramos tantos problemas porque as pessoas desejam ser magras e outras porque são magras.

Quem é magro se acaba de tomar substâncias, de comer alimentos, na tentativa de mudar o processamento glandular, celular e engordar.

E quem é gordo se acaba de fazer dietas da lua, do sol, da água, de Beverly Hills para perder massa.

Os conflitos são os mais variados. Mas há aqueles que têm conflitos porque são baixinhos e usam saltos tenebrosos. Saltos que lhes deformam a coluna vertebral, que lhes causam problemas gravíssimos de postura.

Aqueles que são altos ficam tão complexados que começam a se envergar. Na Inglaterra, uma familiar real mandou cortar parte dos ossos das pernas para baixar um pouco a sua estatura. Conflitos.

Contudo, esses conflitos estão ao nível do corpo, das coisas externas, daquilo que se vê, daquilo que se observa, mas há diversos outros conflitos que estouram no íntimo da alma, se manifestam nas atitudes das criaturas e que ninguém sabe como é que eles nascem, de onde é que eles vêm e o que é que provocarão.

* * *

Nesse território dos conflitos, encontramos conflitos de outras ordens. Imaginemos o que vem a ser o conflito sexual nas pessoas. Terrível.

É muito comum que os indivíduos se debatam e isso é uma característica da Humanidade em geral, entre as pressões da sua libido, as pressões da sua imaginação, das suas fantasias, as pressões do seu passado, das suas bagagens, do seu passado espiritual, da sua bagagem ético-moral. Há aqueles que vivem o conflito da definição quanto à sua orientação sexual. Sentem pressões internas para a homossexualidade, mas têm horror porque a sociedade castiga a homossexualidade.

Pretendem ficar no território da heterossexualidade, mas fazendo fantasias homossexuais, bissexuais, multissexuais. Porque tudo isso corresponde a etapas no desenvolvimento da criatura humana.

Não é feio ser hetero, ser homo, ser bi. A criatura se encaixa no seu momento evolutivo.

Não é bonito ser hetero, ser homo, ser bi. O importante é que dirijamos a própria mente para o que precisamos fazer na Terra.

A dignidade, a honestidade, o trabalho por nós mesmos, a ajuda às pessoas e vamos disciplinando da maneira como conseguimos, como nos é mais fácil a expressividade da sexualidade.

É muito comum imaginar-se que a sexualidade está na genitália, na expressão genital. A sexualidade é uma força que está na mente, na alma, no íntimo das criaturas.

Muita gente que se manifesta exteriormente segundo uma característica sexual, digamos, da heterossexualidade, na sua fantasia interna onde a verdade existe, ela vibra em outra sintonia, lida com outras realidades e isso lhe gera conflito.

Devo ficar no armário? Como se diz popularmente, devo sair do armário? Devo me apresentar na praça pública? Pintar-me, não pintar-me, vestir-me opostamente?

Nada disso é sexualidade. Tudo isso faz parte do exibicionismo das pessoas. Porque há mulheres que se vestem de homens, há homens que se vestem de mulheres. Tudo isso faz parte do seu gosto por se fantasiar.

A nossa roupa é uma fantasia, é uma maneira que se escolhe para se apresentar no mundo.

Eu quero me vestir de roxo, de preto, de amarelo. Eu quero com mangas compridas, com mangas curtas. Eu quero com dez botões, com quinze botões. São fantasias.

A realidade mais verdadeira é a que pulsa dentro do ser. Os conflitos sexuais vão desde os problemas meramente psicológicos, que um analista ajudaria resolver, aos homicídios, aos suicídios, à suposição de que está sendo violado, de que está sendo traído, de que está sendo enganado.

Há os conflitos de ordem religiosa: Eu devo ou não devo ser religioso? O que é ser religioso? Adoto a religião A, a religião B ou a C? Curvo-me aos meus líderes religiosos, faço o que eles me mandam fazer e perco a minha liberdade de escolha? Será que eles de fato conversam com Deus?

Será que realmente eles são intermediários entre mim e Deus? Afinal de contas, devo repetir o que se diz na minha crença ou devo pensar por mim mesmo e ter a minha cabeça baseando-me na minha crença? Os conflitos.

Devo ser fanático? Aqueles que não creem como eu estão no inferno, estão perdidos? Mas os outros que creem diferente de mim alegam que eu também estou perdido. Em que patamar eu fico? Em que patamar me estabeleço?

É muito importante pensar nesses conflitos. De acordo com sua intensidade, eles precisam de um socorro, de uma ajuda. Às vezes, de uma ajuda profissional, de um psicólogo bem recomendado, bem estruturado, porque há vários muito desestruturados.

Precisamos do apoio de um médico, de um psiquiatra. O psiquiatra não é médico de loucos, é um médico que nos ajuda a não ficar loucos ou a tratar a insanidade que surja.

Muitas vezes, precisamos de um apoio do nosso líder religioso, uma conversa, um diálogo para que ele nos ajude a equilibrar as próprias tensões internas. No mundo, não há uma única pessoa que não viva conflitos, de quaisquer ordens.

Há aqueles conflitos que são do cotidiano: se como ou se não como, se vou ou se não vou. Mas há conflitos de ordem grave, que exigem uma resposta séria, uma busca por solução, seja em nível médico, em nível social, em nível psicológico mas, fundamentalmente, que seja uma resolução dentro de nós.

RAUL TEIXEIRA