DECEPÇÕES
BIBLIOGRAFIA
01- CELEIRO DE BENÇÃOS, pag. 49 02 - CORAGEM, pag. 11, 51, 119
03 - ENCONTRO DE PAZ, pag. 19 04 - ESCRÍNIO DE LUZ, pag. 83
05 - FONTE VIVA, pag. 61, 143 06 - NO MUNDO MAIOR, pag. 189
07 - PÃO NOSSO, 123 08 - SEGUE-ME, pag. 81

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

DECEPÇÕES – COMPILAÇÃO

01 - DECEPÇÕES

Você já teve alguma decepção na vida?

Dificilmente alguém passa pela existência sem sofrer uma desilusão, ou ter alguma surpresa desagradável em algum momento da caminhada.

Podemos dizer que o sabor de uma decepção é amargo e traz consigo um punhal invisível que dilacera as fibras mais sutis da alma.

Isso acontece porque nós só nos decepcionamos com as pessoas em quem investimos nossos mais puros sentimentos de confiança e amor.

Pode ser um amigo, a quem entregamos o coração e que, de um momento para outro, passa a ter um comportamento diferente, duvidando da nossa sinceridade, do nosso afeto, da nossa dedicação, da nossa lealdade...

Também pode ser a alma que elegemos para compartilhar conosco a vida, e que um dia chega e nos diz que o amor acabou, que já não fazemos mais parte da sua história... que outra pessoa agora ocupa o nosso lugar.

Ou alguém que escolhemos como modelo digno de ser seguido e que vemos escorregando nas valas da mentira ou da traição, desdita que nos infelicita e nos arranca lágrimas quentes e doloridas, como chama que queima sem consumir.

Enfim, só os nossos amores são capazes de nos ferir com a espada da decepção, pois os estranhos não têm esse trágico poder, já que seus atos não nos causam nenhuma impressão.

Assim, vale a pena algumas reflexões a esse respeito para que não nos deixemos atingir pela cruel espada da desilusão.

Para tanto, podemos começar levando em conta que, assim como nós, nossos amores também não são perfeitos.

E que, geralmente, não nos prometem santidade ou eterna fidelidade. Nunca nos disseram que seriam eternamente a mesma pessoa e que jamais nos causariam decepções.

Nós é que queremos que sejam como os idealizamos.

Assim nos iludimos. Mas só se desilude quem está iludido.

Importante que pensemos bem a esse respeito, imunizando a nossa alma com o antídoto eficaz do entendimento.

Importante que usemos sempre o escudo do perdão para impedir que os atos infelizes dos outros nos causem tanto sofrimento.

Importante, ainda, que façamos uso dos óculos da lucidez, que nos permitem ver os fatos em sua real dimensão e importância, evitando dores exageradas.

A ilusão é como uma névoa que nos embaraça a visão, distorcendo as imagens e os fatos que estão à nossa frente.

E a decepção nada mais é do que perceber que se estava iludido, enganado sobre algo ou alguém.

Assim, se você está amargando a dor de uma desilusão, agradeça a Deus por ter retirado dos seus olhos os empecilhos que lhe toldavam a visão.

Passe a gostar das pessoas como elas são e não como você gostaria que elas fossem.

Considere que você também já deve ter ferido alguém com o punhal da decepção, mesmo não tendo a intenção, e talvez sem se dar conta disso.

Por todas essas razões, pense um pouco mais e espante essa tristeza do olhar... Enxugue as lágrimas e siga em frente... sem ilusões.

* * *

Aprenda a valorizar nas pessoas suas marcas positivas.

Lembre-se de que cada um dá o que tem, o que pode oferecer.

Uns oferecem o ácido da traição, o engodo da hipocrisia, o fel da ingratidão, pois é o que alimentam na alma.

Mas, seja você a cultivar em seu jardim interior as flores da lealdade, do afeto, da compreensão, da honestidade, para ofertar a todos aqueles que cruzarem o seu caminho.

Seja você alguém incapaz de ferir ou provocar sofrimentos nos seres que caminham ao seu lado.

Redação do Momento Espírita.

02 - DECEPÇÕES

Decepções. Ingratidão. Afeições destruídas
"O Livro dos Espíritos" Questões 937 e 938
Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Nádia Rodrigues
Rio de Janeiro – RJ
18/01/2003

Dirigente do Estudo:
Andréia Azevedo - Safiri

Oração Inicial:

<Adriana> Bons amigos espirituais que acompanham nossos trabalhos na Internet nós lhes pedimos que inspirem o palestrante desta noite a fim de que a mensagem trazida seja para nós, aprendizes sempre um complemento a mais
seja objeto para nossa reflexão, seguida de propostas de mudança e que nossos corações sejam preparados para receber este estudo de forma plena
Que nosso bom mestre Jesus nos abençoe agora e sempre, que assim seja

Mensagem Introdutória:
INGRATIDÕES

Muito raro nos corações, por enquanto, o sentimento da gratidão. O semblante afável, a voz melodiosa, a atitude gentil no ato da solicitação do auxílio, quase sempre se convertem em sisudez, verbetes duros, gestos bruscos no momento de retribuir. Gratidão prescreve altruísmo, amplitude de espírito, riqueza de emoções. Como o egoísmo prossegue triunfante, em grande número de pessoas, estas, mesmo quando sentem as expressões do reconhecimento repontarem no imo, se asfixiam, vencidas por controvertidos estados íntimos. Algumas alegam que não sabem retribuir, que se constrangem, sentem receio, envergonham-se... E olvidam que é sempre mais feliz aquele que dá, felicitando-se, também quem retribuir sentimentos, gestos ou palavras. Retribuir com ternura, com expressões de afeto, com gestos de simpatia fraternal em testemunhos de solidariedade constituem formas de gratidão no seu sentido nobre. Não apenas por meio de moedas, objetos, utensílios deve ser a preocupação dos que se beneficiaram junto a alguém, buscando exteriorizar ou traduzir gratidão de que se sentem possuídos. Sê tu quem doa reconhecimento, quem resgata a dívida da gratidão pela fidelidade, afeição e respeito a quem te foi ou te é útil. Nunca esqueças o bem que recebeste, embora se modifiquem os quadros da vida em relação a ti ou a quem te beneficiou. Se alguém te retribui com a ingratidão o bem que doaste, exulta. É sempre melhor receber a ingratidão do que exercê-la em relação ao próximo. Se ofertaste carinho e bondade, sustentando a alegria nos corações alheios e te retribuem com azedume ou indiferença, alegra-te. O ingrato é alguém que enlouquece a longo prazo. Se te sentes tentado à decepção, porque o bem que fazes se demora sem a resposta dos que o fruem, rejubila-te. A árvore não se nega a doar aos malfeitores do caminho novos frutos, após ser apedrejada por eles. Não te constitua modelo aquele que delinqüe pela ingratidão ou que te esquece o benefício vencido pela soberba. O bem que faças é bem em triunfo no teu coração. Receber o retributo seria diminuir-lhe a significação do que realizaste. Bendize, assim, os ingratos e ora por eles, porquanto estão em piores condições do que supões e se puderes, ajuda-os mais, pois a felicidade é sempre maior naquele que cultiva o amor e a misericórdia, jamais em quem recebe e esquece, beneficia-se e despreza o benfeitor. Joanna de Ângelis
Do Livro: Leis Morais da Vida
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
Editora: LEAL

Exposição:

<Nadia_Rodrigues> Boa noite, que a doce paz de Jesus, continue em nossos corações Atualmente vivemos com vários sentimentos no qual achamos difícil retirar que são: Decepções, Orgulho, Melindres, Magoas, Ingratidões e etc... E de repente diante de todos esses sentimentos queremos uma resposta positiva dos bem feitores amigos e de todos que nos cercam, para a solução dos nossos problemas. Por que achamos que tudo vem dos outros. Quando somos atingidos em qualquer situação. Imediatamente deixamos nos envolver por um desses sentimentos e nos achamos fragilizados pelo mesmo. Então poderemos dizer. O que será decepção e a ingratidão? Diante dos nossos problemas, diríamos: Decepção é tudo aquilo que não foi efetuado através dos nossos objetivos e a ingratidão seria o fruto ou a filha do egoísmo. Achamos constantemente que não somos egoísta por que fazemos alguma coisa para alguém, estamos estudando, procurando entender os outros e até mesmo renunciando os nossos próprios objetivos. Então queridos amigos, ser egoísta é um do sentimento mais fortes e mais difícil de vencer. Mais não impossível. Por que somos considerados pedras precisando serem lapidadas aos poucos, para que esse sentimento seja totalmente extirpado do nosso caminhar. Saberemos que não será em uma ou duas reencarnações e sim, várias. Vivemos presos na questão de dar e receber, a querer dos outros tudo que o nosso interior idealiza, porém esquecemos de analisar que sendo espírito imperfeito e não estando em vigilância, deixamos esse sentimento egoísta continuar no nosso caminhar. E ai queridos companheiros que a ingratidão fala mais alto, por que não conseguimos ver no nosso próximo, as condições que no momento eles tem a nos oferecerem. Cobramos deles uma perfeição imediata, esquecendo que eles estão no mesmo mundo em que nos encontramos. Com isto, lembraremos uma história do nosso inesquecível Chico. Certa vez, como de costume fazendo o culto no lar na sombra do abacateiro com o nosso irmão convidado Divaldo Pereira, aproximaram-se vários companheiros para a realização do mesmo. E uma delas ao iniciar o evangelho, levantou-se e começou a ofender a Chico. Divaldo que estava ao seu lado começou a ficar irritado imediatamente, pediu que a senhora respeitasse o momento que estava sendo conduzido. Ao término do trabalho, Divaldo falou para Chico: Chico como você pode calar-se diante de tantas ofensas? E Chico responde: Enquanto a senhora me ofendia, eu sentia as flores que Ismael enviava para nós naquele momento. E a sim companheiros, analisávamos de imediato. Mas, isso é Chico. Porém, através do grande esforço de vencer as suas más inclinações, na contribuição para o bem, com os estudos, praticando rigorosamente o Evangelho e colocando todo amor é que ele conseguiu vencer. Cabe a todos nós a exercitar constantemente a nossa modificação deixando que o amor que temos como semente dentro de nós se expande de tal ponto, fazendo nos sentir essa modificação. As decepções e ingratidões continuarão, enquanto não fizermos a nossa parte, não culpemos os outros das nossas falhas e estendamos sempre as nossas mãos e os nossos ouvidos, a nossa boca, para acalentar, escutar, falar realmente o que hoje buscamos através do Evangelho e externar o que no fundo do nosso coração estamos tentando agir, que é o amor. O amor é o sentimento que nos eleva, nos modifica e nos faz feliz. Mesmo sabendo que a felicidade plena não é deste mundo. Muita paz para todos.

Perguntas/Respostas:

1.<Adriana> quando temos uma relação rompida, seja ela de que nível for, e onde houve um desgaste de chances, e há uma dificuldade de se voltar ao normal, uma vez que os limites foram ultrapassados... como podemos trabalhar esta relação sem necessariamente que haja uma reaproximação visto que as identificações desapareceram?

<Nadia_Rodrigues> Em primeiro lugar, analisamos até que ponto fomos os colaboradores para esse rompimento, em seguida, procuramos consertar ou melhor modificar aquilo que vimos de errado em nós e quanto ao outro de imediato a prece seria o primeiro passo para modificar os limites ultrapassados e haver uma reaproximação de forma esclarecedora.

Oração Final:

<Taigi> Jesus amigo, companheiro de todas as horas, muito te agradecemos pela oportunidade que nos concede.
Que saibamos compreender o valor do trabalho, da tolerância, da fraternidade.
Que a Tua paz esteja presente em nossos espíritos, que a fraternidade seja o móvel das nossas ações. conceda-nos uma semana de paz,
de harmonia em nossos lares,
Que seja em Teu nome, em nome doa espiritualidade amiga, que nos ampara,
mas sobretudo em nome de Deus,
a finalização de mais uma reunião de estudos pelo canal Espiritismo

03 - DECEPÇÕES

“(...) A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, (...).” – Delphine de Girardin[1] [1]

Todo mundo que se encontra reencarnado na Terra, de uma forma ou de outra, já se viu às voltas com as decepções ocasionadas por experiências que não deram certo. Os malogros nas expectativas geram em nosso íntimo um sentimento de frustração capaz de nos levar às lágrimas ou até mesmo, se formos descuidados, a um quadro de desequilíbrio emocional.

A reação diante das desilusões varia de acordo com o nível de consciência, de quem as experimenta, com relação à dinâmica da vida. Existem pessoas que, em suas análises descabidas, se revoltam e põem-se a culpar terceiros de seus insucessos; alguns também dizem ser por causa dos Espíritos desencarnados o mau resultado de seus empreendimentos. Muitos se revoltam, abandonam as crenças que “deveriam” – no seu mesquinho entendimento – facilitar-lhes o acesso às coisas boas da Terra.

Ainda há aqueles que se crêem perseguidos pelo azar ou que pensam terem nascido para sofrer – lançam mão da idéia distorcida do “carma” –, deixando-se conduzir por pensamentos de masoquismo e lamentação onde, muito provavelmente, desencarnados infelizes se satisfazem associando-se ao campo mental de suas invigilantes vítimas.

Outros, porém, quando atravessam qualquer surpresa desagradável, embora sofram, chorem porque são gente e sintam uma tristeza decorrente do fato infeliz, que num primeiro momento parece significar o naufrágio de seus sonhos, aproveitam o saber espírita que já internalizaram para entender o porquê de suas aflições presentes. Estes estabelecem mediante a prece um alargar dos horizontes sobre sua reencarnação atual, e se candidatam a concretizar um belo roteiro de fé, renúncia e coragem, rumo às alternativas para atingirem o tentame que tanto anelam.

Eles agem “(...) como bravos soldados que, longe de fugirem ao perigo, preferem as lutas dos combates arriscados à paz que não lhes pode dar glória, nem promoção!(...)[1][2] Aliás, uma certa canção do Sul já apontou: “Não tá morto quem peleia!”

Dessa forma, quem se dispõe a seguir em frente, buscando captar – à luz do Espiritismo – a lição que a dificuldade lhe traz, passa a desenvolver um comportamento otimista diante das ocorrências ruins, identificando as pedras do caminho como material para erguer uma estrada rumo ao seu ideal, porque compreende racionalmente que tudo conspira ao seu favor e se algo não aconteceu como o esperado, não obstante toda a sua dedicação e esforço, foi porque a Divina Providência não julgava fundamental para a sua evolução, como nos elucida o Espírito Joanes, através da psicografia de Raul Teixeira: “(...) coisa nenhuma é essencialmente importante para o seu progresso espiritual a não ser a sua sempre crescente integração no espírito da vida, (...).”[1][3]

Assim, dentro de uma resignação ativa, façamos o possível para depreender o que se passa conosco, senão especificamente, ao menos em linhas gerais e quando nosso sonho seja nobre e útil no “reino do espírito”, tenhamos perseverança, pois tudo correrá bem.

Nada de depressão! Nem tampouco de desespero ou inconformismo doentio. Ensina-nos Allan Kardec, ao comentar as causas das misérias humanas que “(...) A situação material e moral da Humanidade terrestre nada tem que se espante, desde que se leve em conta a destinação da Terra e a natureza dos que a habitam.”[1][4] Deste modo, podemos considerar a nossa Casa Planetária como uma escola onde precisamos galgar passo-a-passo seu currículo para, no tempo devido, avançarmos nos níveis de estudo e obtermos condições para realizar as tarefas exigidas pelo aprendizado adquirido.

Espíritos calcetas que somos, apresentamo-nos na Terra como alunos rebeldes em estado de repetência de experiências com vistas a um futuro promissor.

Essa é a possibilidade de um amanhã mais prazenteiro, que se inicia no presente momento no qual nos dispomos a aprender, crescer e conquistar uma vitória diferente da que o mundo materialista, promotor de um consumismo fanatizante propõe: uma vitória sobre nós mesmos, no tocante à libertação de nossos condicionamentos inferiores.

Para tanto, é preciso muita coragem porque nesses dias de disputas descabidas, de agressividade exacerbada nas mais diversas formas de sua danosa apresentação, compondo o horrendo espetáculo de nossa insistente animalidade, enfrentar a si mesmo, num esforço hercúleo de nos tornarmos criaturas melhores, promotoras da felicidade e do amor onde estivermos é um desafio descomunal, mas necessário aos que abraçamos o Espiritismo.

Então querido irmão ou irmã, não nos agastemos com qualquer forma de desânimo, recordemo-nos que o Pai sabe de tudo quanto precisamos para sermos felizes, jamais nos desamparando, concedendo-nos até mesmo um “(...) Espírito protetor de uma ordem elevada(...)[1][5] para nos inspirar ânimo e alegria em cada etapa de nossa jornada evolutiva, sendo este um ser amorável que não deixa de apostar em nossas potencialidades, fazendo-se conselheiro fiel e irmão constante no consolo de nossas aflições.

Caso estejamos enfrentando graves provações, sejam elas de afastamento dos seres queridos por motivos alheios à nossa vontade, enfermidades difíceis, uma perda qualquer, ou até mesmo a infelicidade de ver nossos sonhos projetados ao longo do tempo não se efetivarem, guardemos confiança na Providência Divina, que nos reserva sempre o que há de bom e verdadeiramente imprescindível.

Lembremo-nos sempre do Mestre de nossos corações quando ditou às almas sofridas pelas intempéries da existência corporal: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta.(...)”[1][6] E destarte, fiquemos alegres!

[1] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. V, item 24.

[2] Idem.

[3] TEIXEIRA, J. Raul. Para uso diário. Pelo Espírito Joanes. 3.ed.Niterói, RJ: Fráter, 2001; p. 43.

[4] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap III, item 6.

[5] O Livro dos Espíritos, questão 491.

[6] Mateus 6: 26.

Fonte: Revista Internacional de Espiritismo

04 - DECEPÇÕES

Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas. A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado. Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize. Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações.

Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real. Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromisso de infalibilidade para conosco. Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.

A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial. Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.

O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.

Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem. Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir.

Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho. Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam. Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.

Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos. Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais.

Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.

(Raul Teixeira)