DÉFICIT DE ATENÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- INFÂNCIA E MEDIUNIDADE, PAG. 71 02 -

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DÉFICIT DE ATENÇÃO – COMPILAÇÃO

01 - DÉFICIT DE ATENÇÃO

O distúrbio de déficit de atenção (DDA) ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Quando pessoas que têm DDA tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao invés de aumentar (como nos sujeitos do grupo de controle de cérebros normais). Assim sendo, pessoas que sofrem de DDA mostram muitos sintomas, como fraca supervisão interna, pequeno âmbito de atenção, distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento.
O DDA tem sido de particular interesse para mim nos últimos 15 anos pois, dois dos meus três filhos têm essa síndrome. Eu digo às pessoas que entendo mais de DDA do que gostaria. Através de uma pesquisa feita com SPECT (tomografia computadorizada por emissão de fóton único) na minha clínica, com imagens cerebrais e trabalho genético feito por outras, descobrimos que o DDA é basicamente uma disfunção geneticamente herdada do córtex pré-frontal, devido, em parte, a uma deficiência do neurotransmissor dopamina.
Aqui estão algumas das características comuns do DDA, que claramente ligam essa doença ao córtex pré-frontal.

Quanto mais você tenta, pior fica
A pesquisa mostrou que quanto mais as pessoas que têm DDA tentam se concentrar, pior para elas. A atividade no córtex pré-frontal, na verdade, desliga, ao invés de ligar. Quando um pai, professor, supervisor ou gerente põe mais pressão na pessoa que tem DDA, para que ela melhore seu desempenho, ela se torna menos eficiente. Muitas vezes, quando isso acontece, o pai, o professor ou chefe interpretam o ocorrido como um decréscimo de performance, ou má conduta proposital, e daí surgem problemas sérios. Um homem com DDA de quem eu tratei disse-me que sempre que seu chefe o pressionava para que fizesse um trabalho melhor, seu desempenho piorava muito, ainda que estivesse tentando melhorar. A verdade é que quase todos nós nos saímos melhor com elogios. Eu descobri que isso é essencial para pessoas com DDA. Quando o chefe as estimula a fazer melhor de modo positivo, elas se tornam mais produtivas. Quando se é pai, professor ou supervisor de alguém com DDA, funciona muito mais usar elogio e estímulo do que pressão. Pessoas com DDA saem-se melhor em ambientes que sejam altamente interessantes ou estimulantes e relativamente tranqüilos.

Pequeno âmbito de atenção
Um âmbito de atenção pequeno é a identificação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa, pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes, interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa consiga focalizar e se concentrar. Uma criança com DDA pode se sair muito bem em uma situação interpessoal e desmoronar completamente em uma sala de aula com trinta crianças. Meu filho que tem DDA, por exemplo, costumava levar quatro horas para fazer um dever de casa que levaria meia hora, muitas vezes se desligando da tarefa. Mas se você lhe der uma revista sobre estéreo de carros, ele a lê rapidamente e se lembra de cada detalhe. Pessoas com DDA têm dificuldade em prestar atenção por muito tempo em assuntos longos, comuns, rotineiros e cotidianos, como lição de casa, trabalho de casa, tarefas simples ou papelada. O terreno é terrível e uma opção nada desejável para elas. Elas precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex pré-frontal.
Muitos casais adultos me dizem que, no começo de seu relacionamento, o parceiro com DDA adulto conseguia prestar atenção à outra pessoa durante horas. O estímulo de um novo amor ajudava-o a se concentrar. Mas quando a "novidade" e a excitação do relacionamento começavam a diminuir (como acontece com quase todos os relacionamentos), a pessoa com DDA tinha muito mais dificuldade em prestar atenção e sua capacidade de escutar falhava.

Distração e hiperatividade
Como já mencionei acima, o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do cérebro, sossegando os dados advindos do meio, de modo que você possa se concentrar.
Quando o córtex pré-frontal está com hiperatividade, ele não desencoraja adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, como resultado, estímulos em demasia bombardeiam o cérebro. A distração fica evidente em muitos locais diferentes para uma pessoa com DDA. Na classe, durante reuniões, ou enquanto ouve um parceiro, a pessoa com DDA tende a perceber outras coisas que estão acontecendo e tem dificuldade em se concentrar na questão que está sendo tratada.
As pessoas que têm DDA tendem a olhar pelo quarto, desligar-se, parecer aborrecidas, esquecer-se de para onde vai a conversa e interrompê-la com uma informação totalmente fora do assunto. A distração e o pequeno âmbito de atenção podem também fazer com que elas levem muito mais tempo para completar seu trabalho.

Impulsividade
A falta de controle do impulso faz com que muitas pessoas que têm DDA se metam em enrascadas. Elas podem dizer coisas inadequadas para os pais, amigos, professores, outros empregados, ou clientes. Uma vez eu tive um paciente que foi despedido de 13 empregos, porque tinha dificuldade em controlar o que dizia. Ainda que realmente quisesse manter vários dos empregos, de repente punha para fora o que estava pensando, antes de ter a oportunidade de processar o pensamento. Decisões mal pensadas são ligados à impulsividade. Em vez de pensar bem no problema, muitas pessoas que sofrem de DDA querem uma solução imediata e acabam agindo sem pensar. De modo similar, a impulsividade faz com que essas pessoas tenham dificuldade de passar pelos canais estabelecidos do trabalho. Elas freqüentemente vão direto ao topo para resolver os problemas, em vez de seguir o sistema. Isso pode causar ressentimento dos colegas e supervisores imediatos. A impulsividade pode também levar a condutas problemáticas como mentir (diz a primeira coisa que vem a cabeça), roubar, ter casos e gastar em excesso. Eu tratei de muitas pessoas com DDA que sofriam da vergonha e da culpa oriundas desses comportamentos.
Nas minhas palestras costumo freqüentemente perguntar ao público: "Quantas pessoas aqui são casadas?". Uma grande porcentagem da platéia levanta as mãos. Depois eu pergunto: "É útil dizer tudo o que pensa em seu casamento?". O público ri, porque todos sabem a resposta. "Claro que não", eu continuo. "Os relacionamentos requerem tato”. Mesmo assim, devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, muitas pessoas que têm DDA dizem a primeira coisa que vem à mente. E, em vez de pedir desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justificar por que fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento inteiro “.

A busca do conflito é freqüente para o hiperativo
Muitas pessoas que sofrem de DDA inconscientemente buscam o conflito como uma maneira de estimular seu próprio córtex pré-frontal. Eles não sabem que fazem isso. Não planejaram fazer isso. Negam que fazem isso. E ainda assim o fazem. A relativa falta de atividade e estímulo do córtex pré-frontal anseia por mais atividade. Entrar em hiperatividade, desassossego, e ficar cantarolando são formas de auto-estimulação. Outro modo de as pessoas com DDA "tentarem ligar seus cérebros" é provocando confusão. Se elas conseguem que seus pais ou cônjuges tornem-se agitados ou gritem com elas, isso pode aumentar a atividade de seus lobos frontais e ajudá-las a sentirem-se mais sintonizadas. Novamente este não é um fenômeno consciente. Mas parece que muitas pessoas que têm DDA ficam viciadas em confusão.
Uma vez tratei de um homem que ficava quieto atrás de um canto de sua casa e pulava de repente para assustar sua esposa na hora em que ela fosse entrar. Ele gostava da mudança que obtinha com os gritos dela. Infelizmente para sua esposa, ela ficou com arritmia, devido aos sustos repetidos. Tratei de muitos adultos e crianças com DDA que pareciam sentir-se motivados fazendo seus animais de estimação ficar bravos, fazendo brincadeiras irritantes ou provocando-os.
Os pais de crianças com DDA comumente relatam que seus filhos são peritos em deixá-los bravos. Uma mãe me contou que, quando ela acorda de manhã, ela promete que não vai gritar nem ficar brava com seu filho de oito anos. Ainda assim, invariavelmente, na hora que ele vai para escola, já ouve pelo menos três brigas e os dois se sentem péssimos. Quando expliquei à mãe sobre a necessidade inconsciente que a criança tem de estimulação, ela parou de gritar com ele. Quando os pais param de oferecer estimulação negativa (gritos, surras, sermões, etc), diminui o comportamento negativo dessas crianças. Sempre que você se sentir como esses pais, pare e fale o mais suavemente que possa. Desse modo, você está ajudando seu filho a largar o vício de arranjar confusão e ao mesmo tempo colaborando para baixar sua própria pressão sangüínea.

Preocupação e concentração em hiperativos
Outra conduta de auto-estimulação comum em pessoas que têm DDA é se preocupar com ou se concentrar em problemas. O tumulto emocional gerado pela preocupação ou por estar aborrecido produz agente químico de estresse, que mantêm o cérebro ativo. Uma vez tratei de uma mulher que tinha depressão e DDA. Ela começava cada sessão me dizendo que iria se matar. Ela percebia que isso me deixava ansioso e parecia gostar de me dar os detalhes mórbidos de como o faria. Depois de conhecê-la bem, eu lhe disse:
"Pare de falar em suicídio. Eu não acredito que você vá se matar. Você ama seus quatro filhos e não posso acreditar que os abandonaria. Acho que você usa essa conversa como uma maneira de criar agitação. Sem que você saiba, seu DDA faz com que você brinque de ‘Vamos criar um problema’. Isso estraga qualquer alegria que você possa ter em sua vida".
No começo, ela ficou muito zangada comigo (outra fonte de conflito, eu disse a ela), mas confiava em mim o suficiente para, no mínimo, observar seu próprio comportamento. Diminuir sua necessidade de criar caso tornou-se o foco maior da psicoterapia.
Um problema significativo do uso da raiva, tumulto emocional e emoção negativa para auto-estimulação é isso que é danoso ao sistema imunológico. Os altos níveis de adrenalina produzidos pelo comportamento direcionado ao conflito diminuem a eficácia do sistema imunológico e aumentam a vulnerabilidade à doença. Eu vi provas dessa deficiência muitas e muitas vezes, na conexão entre o DDA e infecções crônicas e na maior incidência de fibromialgia, dor muscular crônica que se considera associada à imunodeficiência.
Muitas pessoas que têm DDA tendem a se meter em brigas constantes com uma ou mais pessoas, em casa, no trabalho ou na escola. Elas parecem escolher inconscientemente pessoas que são vulneráveis e travam batalhas verbais com elas. Muitas mães de filhos com DDA me disseram que tinham vontade de fugir de casa. Elas não agüentavam o tumulto constante de suas relações com as crianças com DDA. Muitas crianças e adultos com DDA têm tendência de deixar os outros sem graça por pouca ou nenhuma razão, o que conseqüentemente faz com que suas "vítimas" se distanciem deles e isso pode resultar em isolamento social. Elas podem ser os palhaços da classe na escola, ou os espertinhos no trabalho. Witzelsucht é o termo que a literatura da neuropsiquiatria usa para caracterizar "o vício em fazer brincadeiras de mau gosto". Esse vício foi descrito inicialmente em pacientes que tinham tumores no lobo frontal, especialmente do lado direito.

Desorganização, outra característica do hiperativo
Desorganização é outro marco importante do DDA. A desorganização inclui tanto o espaço físico, como salas, escrivaninhas, malas, gabinetes de arquivo e armários, quanto o tempo. Freqüentemente quando se olha para as áreas de trabalho de pessoas com DDA, é admirar que possam trabalhar ali. Elas tendem a ter muitas pilhas de "coisas"; a papelada é algo que freqüentemente elas têm muita dificuldade de organizar; e parece que têm um sistema de arquivo que só elas podem entender (e mesmo assim só nos dias bons). Muitas pessoas com DDA têm atrasos crônicos ou adiam as coisas até o último momento. Eu tive vários pacientes que compraram sirenes de companhias de segurança para ajudá-los a acordar. Imagine o que deviam pensar os vizinhos! Essas pessoas também tendem a perder a noção do tempo, o que contribui para que se atrasem.

Hiperativos começam muitos projetos, mas terminam poucos
A energia e o entusiasmo de pessoas com DDA muitas vezes as leva a começar muitos projetos. Infelizmente, pelo fato de serem distraídas e dado o seu pequeno âmbito de atenção, prejudicam sua capacidade de completá-los. Um gerente de uma estação de rádio me disse que ele começara cerca de 30 projetos especiais no ano anterior, mas havia completado uns poucos apenas. Ele me disse: "Estou sempre voltando para eles, mas tenho novas idéias que acabam atrapalhando". Também tratei de um professor que me disse que, no ano anterior ao que veio me consultar, ele começara 300 projetos diferentes. Sua esposa terminou seu pensamento dizendo que ele completara somente três.

Mau humor e pensamento negativo em hiperativos
Muitas pessoas com DDA tendem a ser mal-humoradas, irritadiças e negativas. Como o córtex pré-frontal está pouco ativo, ele não pode moderar totalmente o sistema límbico, que fica hiperativo, levando a problemas no controle do humor. De outro modo sutil, como já mencionado, muitas pessoas com DDA preocupam-se com ou ficam superconcentradas em pensamentos negativos, como uma forma de auto-estimulação. Se não conseguem arrumar confusão com os outros no meio ambiente, buscam isso dentro de si mesmas. Elas freqüentemente têm uma atitude do tipo "o mundo está acabando", o que as distancia dos outros.
Antes o DDA era considerado um distúrbio de garotos hiperativos que o superariam antes da puberdade. Sabemos agora que a maioria das pessoas que têm DDA não supera os sintomas do distúrbio e que este, freqüentemente, ocorre em meninas e mulheres. Calcula-se que o DDA afete 17 milhões de norte-americanos. (DANIEL AMEN)


DANIEL AMEN é um neurocientista clínico e psiquiatra, e diretor médico da Clínica Amen para Medicina Comportamental em Fairfield, Califórnia. Amen é um perito reconhecido em relacionamento entre o cérebro e o comportamento e sobre o distúrbio de atenção deficiente (DDA). Ele é autor de vários livros.

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02 - DÉFICIT DE ATENÇÃO (DDA)

CVDEE

Pergunta: Existe relação entre as pessoas que possuem DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) e a Mediunidade?

Adenauer: O Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) com ou sem Hiper-atividade (TDAH) não está relacionado com a mediunidade.

O sintoma principal, em ambos os casos, é a dificuldade em se concentrar ou focar um objeto específico na atenção.

A consciência se volta para um novo objeto quando cessa o interesse pelo anterior. Há uma alternância de interesses, prejudicando o grau de concentração do indivíduo.

Com hiper-atividade, aparece outro sintoma que é a aceleração psicomotora, denunciando ainda mais a dificuldade de concentração.

O transtorno costuma aparecer na infância, dificultando a aprendizagem e a sociabilidade.

No adulto, dentre outros prejuízos, dificulta seu interesse e definição profissional.

A dificuldade de concentração com alterações psicomotoras também podem ser observada na depressão sem serem TDAH ou provocadas pela mediunidade.

A mediunidade é uma faculdade que proporciona ao indivíduo um grau maior de interação com o espiritual, não promovendo diretamente e necessariamente qualquer sintoma que se assemelhe a um transtorno psíquico.

Por vezes, a obsessão espiritual pode, em casos específicos, promover alterações na personalidade do indivíduo, dificultando a concentração e provocando aceleração motora, típicas do TDAH.

A diferença estará em outros sintomas associados à obsessão que não deixam dúvidas, tais como: alterações no sono, confusão mental, irritabilidade, etc.

03 - DÉFICIT DE ATENÇÃO (DDA)

TRANSTORNO DE DÉFICIT DA ATENÇÃO / HIPERACTIVIDADE (THDA)

Conceito, possíveis causas e tratamento

O tema solicitado é extremamente importante, tanto do ponto de vista “médico” quanto do ponto de vista “social” e “espiritual”...

Prevalência, conceito e possíveis causas do Transtorno Hiperactivo . Segundo o pediatra Dietrich Schultz o Transtorno Hiperactivo, hoje, “é diagnosticado em um número significativamente maior de pacientes: de acordo com a rigidez dos critérios utilizados, a frequência do diagnóstico pode variar entre 1% e 15% ! “. Segundo G.J. BALLONE (2003) “a prevalência do Deficit de Atenção e Hiperactividade está entre 3% e 5% em crianças em idade escolar e costuma ser mais comum em meninos do que em meninas. Em adolescentes de 12 a 14 anos, pode ser encontrado numa prevalência de 5,8%.”

Além da frequência relativamente alta, o tema envolve algumas polémicas médicas, principalmente quanto à etiologia, isto é, a(s) causa(s) e, há quase 4(quatro) décadas, um autor chegou a dizer, satiricamente, que a disfunção cerebral mínima constituía a "confusão neurológica máxima" (GOMES, A .R. Minimal cerebral dysfunction (maximal neurological confusion) – (Clin. Ped. 6:589, 1967). Hoje, parafraseando este autor, diremos nós: A DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA É A IGNORÂNCIA NEUROLÓGICA MÁXIMA; porque, desconhece-se DETALHES das causas.

Em consequência, várias denominações foram propostas para o distúrbio e hoje a expressão “disfunção cerebral mínima” não é mais usada. Disfunção cerebral mínima? Lesão cerebral mínima? Transtorno de deficit de atenção / hiperactividade (TDAH) ou Transtorno hipercinético (TH)? O Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana (APA), em sua 4ª edição, o DSM-IV de 1994, vigente, denominou o transtorno como Transtorno de déficit de atenção / hiperactividade (TDAH). A Classificação Internacional de Doenças e do Comportamento, da Organização Mundial de Saúde, na sua 10ª. Edição, a CID – 10, classificou-o como Transtorno Hipercinético (TH).

Quadro clínico do TDAH ou TC. O DSM-IV assim caracteriza o “Transtorno de Deficit de Atenção / Hiperactividade”, em dois grupos: (1) INATENÇÃO: Pelo menos seis sintomas de inatenção devem persistir pelo menos por 6 meses em grau desadaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento; (2)- HIPERATIVIDADE - IMPULSIVIDADE: Pelo menos seis sintomas de hiperactividade e impulsividade devem persistir por pelo menos 6 meses, em grau desadaptativo ou inconsistente com o nível de desenvolvimento da criança. Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos de idade.

Enfim, são crianças extremamente inquietas, com atenção dispersa e impulsivas, e o diagnóstico baseia- se, a nosso ver, no exagero do componente psicomotor e por isso, concordamos com a CID-10, quando denomina o distúrbio como “Transtorno Hipercinético” (TH).

Além disso, o paciente com transtorno hipercinético apresenta, frequentemente, alterações no eletroencefalograma (EEG), embora não seja a regra. Para complicar ainda mais o problema, muitas vezes, o TH se associa com “deficiência mental”, “epilepsia” e até com “autismo infantil” -

Aspectos Fisiopatológicos do TH – O factor “genético”. O TH caracteriza-se, a nossa ver, fundamentalmente, por uma alteração funcional do cérebro como um todo, há uma “excitação” da “formação reticular”, uma região do cérebro responsável pelo despertar, pela “vigília” (ver ESQUEMA DO ENCÉFALO). Isso pode ser comprovado por alterações electroencefalográficas frequentes nestes pacientes; muitos, além da disfunção, são epilépticos, isto é, apresentam alterações electroencefalográficas específicas, enquanto que o TH revela alterações inespecíficas, frequentemente ondas sharp, que são ondas reveladoras de sofrimento cerebral. Enfim, não há dúvida de que o TH é um quadro predominantemente orgânico-cerebral, físico...

Estudos recentes sugerem que no Transtorno Hipercinético (TH) haja uma transmissão “genética” da doença, embora não se saiba precisamente como. Um estudo realizado na Colômbia (cf. MAURICIO ARCOS – BURGOS. “Discriminación de factores genéticos en el deficit de atención (DDA)", in site da Internet, 29/01/00, op. cit.) concluiu que "existe um gen maior que explica mais de 99,9% da variância do genótipo DDA" e que este gen é de "características dominantes e co-dominantes e tem uma penetrância de 30%.(...) quer dizer, uma estimativa próxima de 6% da população geral."

Aspectos psicológicos do TH – Tratamento farmacológico. Com o melhor conhecimento da bioquímica cerebral dos portadores do distúrbio, surgiram medicamentos para o tratamento.

O destaque do quadro clínico–psicológico do Transtorno hipercinético (TH) refere-se à “hiperactividade”, isto é, à “hipercinesia e à impulsividade” e, a nosso ver, o deficit de atenção é secundário à hiperactividade e à impulsividade.

Julgamos importante controlar tais sintomas através de medicamentos e, obviamente, eles só devem ser usados sob acompanhamento médico especializado e com DIAGNÓSTICO RIGOROSO. Tem sido usado, com muito sucesso, o “metilfenidato” ( Ritalina® ), uma substância paradoxalmente excitante da região cortical do cérebro, com isso inibindo a excitação sub-cortical, núcleo primário do distúrbio (não entraremos em detalhes, pois isto envolve aspectos fisiopatológicos difíceis de explicar num trabalho pequeno como este que estamos apresentando ao público).

Os “neurolépticos” também dão bons resultados, temos uma casuística, pequena, neste particular. Também os “tricíclicos” e a “clonidina” em particular têm sido usados com sucesso. Soubemos do relativo benefício medicamentoso no caso do filho de uma leitora nossa, através de um “tricíclico”, como informado por ela posteriormente ao nosso artigo publicado alhures...

O diagnóstico de TH estaria correcto? Há patologia associada (co-morbidade) ? Faltam-nos elementos para explicar este informe do Sr. leitor...

Aspectos Sociais do TH. O paciente com TH sofre, com certeza, diversos “preconceitos”, pois a Sociedade, em geral, tende a excluir uma pessoa com transtornos de comportamento, por não entendê-los, e passa a estigmatizar o paciente como "mal educado" (na infância) ou "mau carácter" (quando adulto). Quando os pais estão em desajustes conjugais, então, o problema se agrava, posto que só um deles em geral cuida do caso... Os pais de pessoas com tais transtornos que conseguirem vencer o bom combate, certamente, ao desencarnarem, observarão a grande evolução espiritual atingida. Mas aqueles pais que, por preconceito, negarem inconscientemente a doença de um filho, julgando-o uma nódoa na família, ou mesmo um filho mal-criado e por isso espancarem-no, ou, ainda, aqueles que abandonarem o filho, também serão atingidos pela “lei de causa e efeito”, e aqui retornarão, com certeza, para pagar seus débitos, terão de reassumir seus “compromissos reencarnatórios”...

Aspectos espirituais do TH. Como vimos, o TH é uma disfunção cerebral, física, que compromete o indivíduo levando-o à “hiperactividade”, isto é, à hipercinesia e à impulsividade. Ora, o livre-arbítrio dessa pessoa estará comprometido pela doença, portanto, o corpo não será dócil ao seu pensar, querer e sentir...Disseram os Espíritos Superiores em resposta à questão 122 de O Livro dos Espíritos, na sua parte inicial: "O livre-arbítrio desenvolve-se à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo....".

Sabendo que o comprometimento encefálico no TH é quase imperceptível, inclusive nos exames tomográficos, acreditamos que este distúrbio é uma oportunidade importante para a PROGRESSÃO ESPIRITUAL, tanto do paciente quanto da família... Dizem os Espíritos Superiores na resposta à questão 779 de O Livro dos Espíritos: "O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que OS MAIS ADIANTADOS AJUDAM OS OUTROS A PROGREDIR, PELO CONTACTO SOCIAL." (o grifo é nosso). Ou seja, é obrigação dos pais ajudar seus filhos e, principalmente, um filho com uma PROVA de difícil cumprimento, posto que o Espírito terá de agir num cérebro excitado.

A questão da aplicação de passes na própria residência. Não entraremos em polémica com o Sr. leitor, pois ela envolve, a nosso ver, aspectos distorcidos em relação à função do Centro Espírita... Só vou dizer o seguinte: uma pessoa acamada, com uma doença extremamente debilitante ficará desprovida dos benefícios do PASSE? O PASSE NÃO É UM RITUAL, QUE NECESSITE DIA E HORA MARCADOS... Os Espíritos estão à nossa volta, diuturnamente, e não somente dentro dos Centros Espíritas. JESUS não escolhia lugar para “curar” os enfermos, nem dia , nem hora, JESUS TAMBÉM CURAVA AOS SÁBADOS, o que era proibido pelos DOGMAS judaicos...

EPÍLOGO. Minha “intuição” diz que todos nós encarnados na Terra temos compromissos a saldar e que a pessoa que apresenta o Transtorno Hiperactivo é um Espírito que sofre o constrangimento da carne, não pode agir e reagir plenamente, em função de uma excitação cerebral. Embora corporalmente esteja predisposto a agir turbulentamente e com déficit de atenção, a experiência na carne serve para desenvolver o seu livre-arbítrio. É uma experiência semelhante àquela pessoa nas primeiras encarnações onde o Espírito está muito próximo da simplicidade e ignorância, das quais nos fala a Espiritualidade Maior na resposta à questão 133 de O Livro dos Espíritos... Enfim, é oportunidade para o paciente e os pais progredirem, cumprindo aquele comentário de KARDEC à questão 132 de O Livro dos Espíritos: "(...) tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza".

DEUS conduz essas pessoas “relevando” muitas falhas do Espírito, pois, conforme disse JESUS num trecho da PARÁBOLA DOS TALENTOS: "(...) Pois aquele que tem lhe será dado e lhe será dado em abundância, mas ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." (Mt 25,29). Aqueles, como o Sr. leitor, que estão abertos para a verdade, DEUS dará em abundância... Essa é a nossa “opinião pessoal”.

A determinação, a ternura e o amor de muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas. , é preciso que se ressalte este aspecto – a importância da figura materna para o bom desenvolvimento da criança problemática...

Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira