DEPRESSÃO
BIBLIOGRAFIA
01- BUSCA DO CAMPO ESPIRITUAL PELA CIÊNCIA, pag. 165 02 - COMUNICAÇÃO EFICAZ, pag. 67
03 - DEPRESSÃO , toda a obra 04 - ESPIRITISMO E CRIMINOLOGIA, pag. 32
05 - FISIOLOGIA TRANSDIMENSIONAL, pag. 179 06 - MINHA DOCE CASA ESPÍRITA, pag. 47

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DEPRESSÃO– COMPILAÇÃO

01 - DEPRESSÃO

Nostalgia e Depressão

As síndromes de infelicidade cultivada tornam-se estados patológicos mais profundos de nostalgia, que induzem à depressão.
O ser humano tem necessidade de auto-expressão, e isso somente é possível quando se sente livre.
Vitimado pela insegurança e pelo arrependimento, torna-se joguete da nostalgia e da depressão, perdendo a
liberdade de movimentos, de ação e de aspiração, face ao estado sombrio em que se homizia.
A nostalgia reflete evocações inconscientes, que parecem haver sido ricas de momentos felizes, que não mais se experimentam. Pode proceder de existências transatas do Espírito, que ora as recapitula nos recônditos profundos do ser. lamentando, sem dar-se conta, não mais as fruir; ou de ocorrências da atual.
Toda perda de bens e de dádivas de prazer, de júbilos, que já não retornam, produzem estados nostálgicos. Não obstante, essa apresentação inicial é saudável, porque expressa equilíbrio, oscilar das emoções dentro de parâmetros perfeitamente naturais. Quando porém, se incorpora ao dia-a-dia, gerando tristeza e pessimismo, torna-se distúrbio que se agrava na razão direta em que reincide no comportamento emocional.
A depressão é sempre uma forma patológica do estado nostálgico.
Esse deperecimento emocional, fez-se também corporal, já que se entrelaçam os fenômenos físicos e psicológicos.
A depressão é acompanhada, quase sempre, da perda da fé em si mesmo, nas demais pessoas e em Deus... Os postulados religiosos não conseguem permanecer gerando equilíbrio, porque se esfacelam ante as reações aflitivas do organismo físico. Não se acreditar capaz de reagir ao estado crepuscular, caracteriza a gravidade do transtorno emocional.
Tenha-se em mente um instrumento qualquer. Quando harmonizado, com as peças ajustadas, produz, sendo
utilizado com precisão na função que lhe diz respeito. Quando apresenta qualquer irregularidade mecânica, perde a qualidade operacional. Se a deficiência é grave, apresentando-se em alguma peça relevante, para nada mais serve.
Do mesmo modo, a depressão tem a sua repercussão orgânica ou vice-versa. Um equipamento desorganizado não pode produzir como seria de desejar. Assim, o corpo em desajuste leva a estados emocionais irregulares, tanto quanto esses produzem sensações e enarmonias perturbadoras na conduta psicológica.
No seu início, a depressão se apresenta como desinteresse pelas coisas e pessoas que antes tinham sentido
existencial, atividades que estimulavam à luta, realizações que eram motivadoras para o sentido da vida.
À medida que se agrava, a alienação faz que o paciente se encontre em um lugar onde não está a sua realidade.
Poderá deter-se em qualquer situação sem que participe da ocorrência, olhar distante e a mente sem ação, fixada na própria compaixão, na descrença da recuperação da saúde. Normalmente, porém, a grande maioria de depressivos pode conservar a rotina da vida, embora sob expressivo esforço, acreditando-se incapaz de resistir à situação vexatória, desagradável, por muito tempo.
Num estado saudável, o indivíduo sente-se bem, experimentando também dor, tristeza, nostalgia, ansiedade, já que esse oscilar da normalidade é característica dela mesma. Todavia, quando tais ocorrências produzem infelicidade, apresentando-se como verdadeiras desgraças, eis que a depressão se está fixando, tomando corpo lentamente, em forma de reação ao mundo e a todos os seus elementos.
A doença emocional, desse modo, apresenta-se em ambos os níveis da personalidade humana: corpo e mente.
O som provém do instrumento. O que ao segundo afeta, reflete-se no primeiro, na sua qualidade de
exteriorização.
Idéias demoradamente recalcadas, que se negam a externar-se - tristezas, incertezas, medos, ciúmes, ansiedades - contribuem para estados nostálgicos e depressões, que somente podem ser resolvidos, à medida que sejam liberados, deixando a área psicológica em que se refugiam e libertando-a da carga emocional perturbadora.
Toda castração, toda repressão produz efeitos devastadores no comportamento emocional, dando campo à instalação de desordens da personalidade, dentre as quais se destaca a depressão.
É imprescindível, portanto, que o paciente entre em contato com o seu conflito, que o libere, desse modo
superando o estado depressivo.
Noutras vezes, a perda dos sentimentos, a fuga para uma aparência indiferente diante das desgraças próprias ou alheias, um falso estoicismo contribuem para que o fechar-se em si mesmo, se transforme em um permanente estado de depressão, por negar-se a amar, embora reclamando da falta de amor dos outros.
Diante de alguém que realmente se interesse pelo seu problema, o paciente pode experimentar uma explosão de lágrimas, todavia, se não estiver interessado profundamente em desembaraçar-se da couraça retentiva, fechando-se outra vez para prosseguir na atitude estóica em que se apraz, negando o mundo e as ocorrências desagradáveis, permanecerá ilhado no transtorno depressivo.
Nem sempre a depressão se expressará de forma autodestrutiva, mas com estado de coração pesado ou preso, disfarçando o esforço que se faz para a rotina cotidiana, ante as correntes que prostram no leito e ali retêm.
Para que se logre prosseguir, é comum ao paciente a adoção de uma atitude de rigidez, de determinação e desinteresse pela sua vida interna, afivelando uma máscara ao rosto, que se apresenta patibular, e podem ser percebidas no corpo essas decisões em forma de rigidez, falta de movimentos harmônicos...
Ainda podemos relacionar como psicogênese de alguns estados depressivos com impulsos suicidas, a conclusão a que o indivíduo chega, considerando-se um fracasso na sua condição, masculina ou feminina, determinando-se por não continuar a existência. A situação se torna mais grave, quando se acerca de uma idade especial, 35 ou 40 anos, um pouco mais, um pouco menos, e lhe parece que não conseguiu o que anelava, não se havendo realizado em tal ou qual área, embora noutras se encontre muito bem. Essa reflexão autopunitiva dá gênese a estado depressivo com indução ao suicídio.
Esse sentimento de fracasso, de impossibilidade de êxito pode, também, originar-se em alguma agressão ou
rejeição na infância, por parte do pai ou da mãe, criando uma negação pelo corpo ou por si mesmo, e, quando de causa sexual, perturbando completamente o amadurecimento e a expressão da libido.
Nesse capítulo, anotamos a forte incidência de fenômenos obsessivos, que podem desencadear o processo depressivo, abrindo espaço para o suicídio, ou se fixando, a partir do transtorno psicótico, direcionando o paciente para a etapa trágica da autodestruição.
Seja, porém, qual for a gênese desses distúrbios, é de relevante importância para o enfermo considerar que não é doente, mas que se encontra em fase de doença, trabalhando-se sem autocomiseração, nem autopunição para reencontrar os objetivos da existência. Sem o esforço pessoal, mui dificilmente será encontrada uma fórmula ideal para o reequilíbrio, mesmo que sob a terapia de neurolépticos.
O encontro com a consciência, através de avaliação das possibilidades que se desenham para o ser, no seu
processo evolutivo, tem valor primacial, porque liberta-o da fixação da idéia depressiva, da autocompaixão,
facultando campo para a renovação mental e a ação construtora.
Sem dúvida, uma bem orientada disciplina de movimentos corporais, revitalizando os anéis e proporcionando estímulos físicos, contribui de forma valiosa para a libertação dos miasmas que intoxicam os centros de força.
Naturalmente, quando o processo se instala - nostalgia que conduz à depressão - a terapia bioenergética (Reich, commo também a espírita), a logoterapia (Viktor Frankl), ou conforme se apresentem as síndromes, o concurso do psicoterapeuta especializado, bem como de um grupo de ajuda, se fazem indispensáveis.
A eleição do recurso terapêutico deve ser feita pelo paciente, se dispuser da necessária lucidez para tanto, ou a dos familiares, com melhor juízo, a fim de evitar danos compreensíveis, os quais, ocorrendo, geram mais
complexidades e dificuldades de recuperação.
Seja, no entanto, qual for a problemática nessa área, a criação de uma psicosfera saudável em torno do paciente, a mudança de fatores psicossociais no lar e mesmo no ambiente de trabalho constituem valiosos recursos para a reconquista da saúde mental e emocional.
O homem é a medida dos seus esforços e lutas interiores para o autocrescimento, para a aquisição das paisagens emocionais.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco

02 - DEPRESSÃO


A ABORDAGEM ESPÍRITA DA DEPRESSÃO

O que é, por que e como ela surge.
Médicos e renomados médiuns espíritas ensinam como vencer este mal.

Por Erika Silveira

Um estado de tristeza constante que persiste por mais de quinze dias consecutivos, queda de energia, vontade e interesse; alterações no apetite, sono e desejos sexuais, podem significar os primeiros sintomas de uma crise de depressão. É um problema que atinge um número cada vez maior de pessoas nos tempos atuais, mas como prevenir e combater este mal da vida moderna?

Nesta entrevista, o médico neuropsiquiatra e psicoterapeuta, dr. Franklin Antonio Ribeiro, dirigente do Grupo Espírita Hosana Krikor e membro do Núcleo de Estudos dos Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER), do Instituto de Psiquiatria da USP, esclarece quais são seus principais agentes causadores e como a ciência e a doutrina espírita podem trabalhar juntas.

A depressão pode ocorrer em qualquer idade?

Acontece em todas as idades, inclusive na infância. Uma tese apresentada em um congresso de psicanálise em Roma, no ano de 1953, mostrou que a falta de carinho e atenção pode causar depressão. A experiência foi realizada com 165 meninos que conviveram com as mães durante pelo menos seis meses e depois se afastaram por algum motivo. No primeiro mês, os bebês começavam a chorar mais, se tornavam tristes e mantinham distanciamento das pessoas que se aproximavam. No segundo, já não tinham a mesma qualidade no ganho de peso e altura e no terceiro, se as mães não retornassem, passavam a adquirir infecções com maior facilidade. Alguns chegavam a falecer. No caso das mães voltarem, os bebês se curavam da depressão. Isso mostra que o amor é um elemento valioso para tratar o problema.

A depressão pode ocorrer também na adolescência, tendo como sintoma mais comum a irritabilidade, aliás, o número de jovens com depressão vem aumentando devido ao uso exagerado do álcool e das drogas. O álcool é o maior agente depressor de todos. Mexe com o sistema controlador do humor, levando o indivíduo a ter alterações de comportamento. À principio, o álcool desinibe, por isso a maioria das pessoas gosta de beber, só que se houver predisposição genética, pode ocorrer a dependência.

Já na terceira idade, ocorre alteração de memória. O esquecimento exagerado é um sinal no idoso.

Como a depressão é analisada do ponto de vista médico, humanístico e espiritual?

A depressão tem várias faces. Do ponto de vista humanístico, o amor, desde a infância, é fator primordial e começa dentro da família. Se há uma relação sincera entre os parceiros, a criança vai crescer dentro de um lar estruturado, mesmo com todas as dificuldades naturais de uma relação humana. O indivíduo aprende desde cedo a lidar com a insatisfação, com as crises, com o respeito, amizade, desprendimento e outros aspectos importantes nos relacionamentos.

Muitas vezes, se a pessoa está com a auto-estima baixa, sem autoconfiança, desanimada, desinteressada, sem prazer na vida e sente que alguém se interessa por ela, sua imunidade melhora muito. O ser humano precisa se sentir reconhecido. Sem isso, começa a sentir uma sensação de vazio e angústia.

O deprimido tem equívocos em relação ao que pensa sobre si mesmo. O indivíduo não se conforma com aquilo que está podendo ser e o que gostaria de se tornar.

Do ponto de vista médico, a depressão é uma falta de neurotransmissores no cérebro, que necessita de medicamento, ou seja, de um controle químico.

Pelo ângulo espiritual, a culpa, o remorso, a mágoa e o ressentimento levam a pessoa a estados depressivos, podendo causar o desenvolvimento de doenças psicossomáticas e até mesmo câncer. Portanto, o amor e o perdão que a doutrina espírita tanto nos ensina são sentimentos também preventivos.

Quais são os tipos de depressão?

Na depressão primária o indivíduo nasce com falta de neurotransmissores e com doses de remédio e amor a depressão pode ser evitada. Lembramos também que a depressão recebe os fatores genéticos. Estudos com irmãos gêmeos comprovam o fato.

Na secundária, há fatores que podem desencadear a depressão como alguns medicamentos que afetam o humor, períodos pós-cirurgia, pós-parto, pré-menstruais, menopausa, entre outros.

O que fazer diante dos sintomas de uma depressão?

Primeiro procurar um médico psiquiatra para que não sejam tomados remédios ministrados de forma errada.. Cada paciente necessita de um antidepressivo específico. Se além do remédio, da terapia, dos cuidados com o sono, com a alimentação e das relações, o deprimido fizer um tratamento espiritual com passes magnéticos, água fluidificada e leitura do Evangelho, tanto melhor. O tratamento completo engloba o biológico, psicológico, social e espiritual.

Como prevenir?

Se o fator genético for muito forte, pode-se evitar os fatores psicológicos e espirituais. Psicologicamente, podemos ensinar a criança a lidar com a falta das coisas e das pessoas, estabelecendo limites. Educar é frustrar, porque a vida na Terra possui perda, dor, sofrimento e inevitavelmente passaremos por situações assim. Se formos educados desde cedo a enfrentar as situações, estaremos mais bem equipados. Se a cada sofrimento os pais derem um presente, ou de certa forma, satisfizerem o princípio do prazer o tempo inteiro, estarão criando seres inseguros, rebeldes, que aprenderão a ver na matéria a solução para seus problemas. Ao contrário disso, devem ensinar o princípio do perdão, da verdade, sinceridade, respeito, lealdade, companheirismo e diálogo.

A verdadeira prevenção está no autoconhecimento, no amor a si mesmo e ao próximo, tendo consciência de que os seres humanos são como são, e não da forma como gostaríamos que fossem. Só conseguimos compreender o outro, quando nos compreendemos, aprendendo a aceitar, a lidar com a insatisfação. Não há como prevenir depressão senão passarmos por nós mesmos. Deus está dentro de nós, então agradeça a Ele pela vida. Quando o temporal passa, surge um lindo sol.

A MEDITAÇÃO NO COMBATE À DEPRESSÃO

Apesar das técnicas de meditação serem ensinadas pelos orientais há séculos, estão sendo descobertas e utilizadas recentemente pelos ocidentais.

Humberto Pazian, autor do livro Meditação - Um Caminho para a Felicidade, relata em sua obra como os conceitos, técnicas e experiências na prática da meditação podem auxiliar as pessoas a se sentirem mais felizes e realizadas. “Se entendermos que uma perfeita interação entre corpo, mente e espírito, nos fará atingir a verdadeira felicidade e reconhecermos a meditação como um caminho para alcançá-la, só nos faltará um pouco de determinação para criarmos em nossas vidas uma pequena porta para que adentre a Grande Luz”, diz. Existem variados tipos e técnicas para meditarmos, como a meditação zen-budista, hindu etc. A seguir, Pazian esclarece alguns pontos básicos sobre meditação.

O que é meditação e seus principais benefícios?

Existem diversas explicações e sentidos, de acordo com cada escola ou organização de estudos. No meu modo de entender, gosto de dizer que meditar é “estar” com Deus e isso traz paz e harmonia.

Quanto tempo a pessoa necessita para praticar?

Apenas como exemplo, Jesus “estava com Deus” todo o tempo e a sua vida é conhecida de todos nós pela sua grandeza.

Como estamos ainda no início de nossa caminhada evolutiva, alguns minutos pela manhã e pela noite, diariamente, são um excelente começo.

Como a meditação pode ajudar no tratamento da depressão?

A depressão não acontece de um dia para o outro, pois é um processo lento que vai se alojando e desarmonizando nosso ser. A prática da meditação vai trazendo novamente a harmonia e a eliminação do estresse que existe nesses casos, além de servir também como método preventivo.

Existem técnicas certas para meditar?

É só começar a buscar a presença Divina em todo o momento possível e sem dúvida a maneira mais apropriada chegará até você.

Ensine um exercício simples que as pessoas possam praticar se estiverem se sentindo cansadas e desanimadas.

Se possível, a pessoa deve acordar um pouquinho mais cedo do que o habitual, procurar um cantinho sossegado e sentar-se calmamente. Esquecer de tudo; horários, obrigações, tristezas e alegrias e concentre-se na respiração; inspirando e expirando com tranqüilidade. Observe seus pensamentos, mas não se fixe neles. Após um breve período pense em Deus, procurem senti-lo com todo o amor que haja em seu coração e se deixe levar por essa sensação indescritível.

Quais têm sido os benéficos relatados pelas pessoas que leram o livro e passaram a praticar?

São inúmeros casos que nos chegam de pessoas que mudaram suas vidas em vários sentidos após a prática regular da meditação. No meu caso, por exemplo, posso assegurar que para realizar o trabalho espiritual que entendo como minha tarefa, a meditação tem sido fundamental. Não sei se seria possível sem ela.

Como utilizar a prece aliada à meditação no auxílio ao combate à depressão?

Orar pedindo, acreditando na melhora, meditar com amor e fazer por merecer a cura buscando no Evangelho o caminho a seguir.

Deixe-nos uma mensagem.

Num estado crônico de depressão é sempre importante procurar o auxílio de um profissional, seja médico ou terapeuta habilitado, além da ajuda espiritual. Porque como foi dito, o quadro depressivo não surge de um momento para o outro e a meditação - que é o nosso desejo de “estarmos com Deus” - tem sido um excelente método preventivo, não só contra a depressão, mas contra todos os males que surgem ou atingem nossos espíritos.

DEPRESSÃO

Joanna de angelis / Divaldo Pereira Franco
Mensagem extraída da obra Receitas de Paz

03 - DEPRESSÃO

A Depressão na Visão Espírita
Reinaldo M. Macedo


Nossa formação acadêmica e experiência profissional não nos credencia a abordar o assunto tema dessa nossa reunião de estudo pelo lado profissional.

Mas nossa experiência com o atendimento fraterno e com o tratamento de saúde na Casa Espírita ao longo de alguns anos, nossos estudos pessoais (através das obras de autores como Joanna de Ângelis, Miramez, Divaldo P. Franco, Dr. Izaias Claro, Dr. Jason de Camargo, Dr. Milton Menezes, Dr. José Carlos Frutuoso, por exemplo) e por meio de participação em palestras com profissionais na área de Psicologia e Psiquiatria, nos dão condições, como espírita cristão que somos, de abordar perfeitamente os temas psicológicos que Jesus abordou... Afinal, o Evangelho de Jesus é público e está ao alcance de todos.

Jesus foi e prossegue sendo um psicoterapeuta por excelência. O que aconteceu ao longo da história é que o homem envolveu e atribuiu muitas vezes a uma mística e a uma pregação exclusivamente evangélica a mensagem de Jesus... Colocando-a muitas vezes alienada e longe das aflições humanas, inclusive nesse aspecto em particular que falamos hoje, ou seja a depressão.

Mas todos aqueles que fizerem uma releitura do Evangelho à luz da Psicologia moderna, perceberão que Jesus na realidade antecipou-se à própria Psicologia.


Significados no Dicionário

Melancolia

1- Estado mórbido de tristeza e depressão. Estado de languidez e tristeza indefinida.

2- Afecção mental caracterizada por depressão em grau variável, sensação de incapacidade, perda de interesse pela vida... Podendo evoluir para ansiedade, insônia, delírio de auto-acusação e até a tendência ao suicídio. Lembramos aqui Judas Iscariotes que suicidou-se devido ao sentimento de culpa por ter denunciado Jesus e por não ter estrutura psicológica para reerguer-se dessa culpa.

Depressão

Distúrbio mental caracterizado por adinamia, desânimo, sensação de cansaço e cujo quadro muitas vezes inclui ansiedade em maior ou menor grau.

Adinamia

Estado de prostração física e/ou moral.

Breve Histórico sobre a Depressão

No século passado, a depressão era chamada de “melancolia” e também de “doença da afetividade”. A pessoa perde a afetividade pelos entes queridos.

Até então se acreditava que o ser humano pensava pelo fígado e amava com o coração (hoje, nós espíritas já sabemos que o espírito é quem governa o corpo e não o contrário).

Por isso é que o mal humor era encarado como um estado físico e se aproximava das chamadas “coisas do pensamento”.

Naqueles tempos, pensava-se que o fígado dos melancólicos estava saturado de fluidos doentes aos quais dava-se o nome de bílis negra, que era segregada pelo fígado devido aos maus pensamentos.

Até hoje usamos a expressão “preciso desopilar meu fígado” (ou seja, botar pra fora o mau humor, rir um pouco, etc.). Isso é uma prova do que ficou da cultura daquela época.

Acreditava-se que para o excesso de bílis-negra, a terapêutica indicada era a sangria, a ingestão de laxantes e de vomitórios... O que gerava alto índice de desidratação chegando a ser mortal... E também não trazia nenhum resultado confiável (vemos isso nos filmes de capa e espada).

Paralelamente, a vaso-constrição (que é o aperto ou relaxamento... agradável ou desagradável) que se sente quando temos boas ou más emoções... Era confundida com os sentimentos de amor e raiva... Um aperto no coração... Daí porque acreditava-se que “o coração era a sede do amor”.

Esses fatos, idéias e pensamentos se deram na Idade Média, até a metade do Século 16, após o início do pensamento renascentista (na época, Michelangelo pintava o teto da Capela Cistina e ele já dava claras mostras de sofrer de melancolia).

Mas no século 16, pela 1ª vez se usa a palavra Depressão.

A pessoa de Shakespeare, naquela época, era famosa também pela sua melancolia (vide a peça Hamlet).


Levando o Cérebro em Consideração

Mas no Século 17, começou-se a estudar e a se levar em consideração o cérebro humano... E desde aí o enfoque dado à depressão começou a mudar muito.

Um psiquiatra americano descobre que a qualidade de irrigação dos vasos sanguíneos dos neurônios cerebrais é responsável também pelos distúrbios neuróticos, pela esquizofrenia e por outras manifestações psicóticas.

No Século 19, temos personalidades famosas e depressivas como Leon Tolstoi e Schuman (músico famosíssimo que suicidou-se em plena crise depressiva).

No século 20, a Psiquiatria classifica depressão como Unipolar e Bipolar:

Unipolar - tristeza, desinteresse pela vida, prostração;
Bipolar - delírios, alucinações visuais e auditivas, síndrome de super-homem, etc.

Em 1940, descobre-se que o ser humano possui cerca de 5 bilhôes de neurônios. A expectativa de vida era de 40 anos de idade, e com 50 anos a pessoa já era considerada velha, praticamente incapaz de aprender.

Em 1950, com a invenção do microscópio eletrônico, descobre-se que o homem possui cerca de 50 bilhões de neurônios e dos quais morrem 15.000 por dia. A espectativa de vida sobe para 50 anos, e para 60 anos a chamada “velhice”.

Em 1970, descobre-se que o ser humano possui não 50, mas 70 bilhôes de neurônios, e a Neurofisiologia conclui que por mais neurônios que percamos temos uma reserva técnica para mais 2 vidas cerebrais!

No entanto, nos dias atuais constata-se claramente que não existe a chamada “terceira idade”, mas sim a “melhor idade”, como diz com alegria Divaldo P. Franco numa de suas palestras.

No século 20, comprovamos isso, lembrando alguns exemplos de nomes tais como: Chico Xavier, Madre Tereza de Calcutá, Golda Meyer, Charles de Gaulle e tantos outros... Mas, certamente, os irmãos vão se lembrar de outros irmãos bem pertinho da gente que são exemplos de pessoas que vivem de bem com a vida...

Só é velho quem se considera velho, afirmam os bons espíritos... Ser velho é um “estado de espírito”... Confiram isso nas bibliotecas e nas livrarias das nossas Casas Espíritas...

Entre 1990 e 2000, descobre-se que o homem possui de 75 a 100 bilhôes de neurônios (Divaldo brinca que os homens possuem alguns bilhôes a mais... Mas que não servem para nada).

Conforme o Dr. Izaias Claro, as mulheres possuem fatores mais específicos do que o homem e que a predispõe à depressão... Numa abordagem muito simplista, são fatores psicológicos, fisiológicos, hormonais, emocionais...

Existe uma proporção registrada de cerca de 5 mulheres com depressão para cada homem. Mas esse número é muito relativo... Pois tem-se que considerar que as mulheres extravasam mais suas emoções, enquanto que os homens maquiam muito mais as suas próprias emoções...

Por questões sócio-culturais e outras, o homem busca compensações que mascaram a sua realidade emocional... Bares, futebol, esquinas, etc...

As mulheres buscam ajuda mais rápido... Os homens nem tanto... Os números falados e registrados são esses... Mas bem que poderiam ser outros...

A Inteligência

A inteligência nos foi dada por Deus para que pudessemos evoluir nos planos material e espiritual.

Toda essa tecnologia que estamos vendo no mundo é produto da inteligência do homem... E inteligência, nós espíritas já sabemos, é uma propriedade que pertence ao espírito e não ao corpo.

Não faz sentido evoluir somente na tecnologia e no plano material, porque isso limita a perspectiva do homem e da vida.

Um Pouco sobre os Neurônios

As teorias bioquímicas mostram o substrato bioquímico da depressão. Há hoje no mercado os antidepressivos que agem na recaptação da serotonina, por exemplo, e ela, mantendo um nível de ação mais prolongado sobre os neurônios em determinada área cerebral, equilibra o depressivo.

Por isso, vê-se por aí as pessoas falando sobre problemas cerebrais e neurônios, querendo justificar a depressão exclusivamente sob esse ângulo, colocando somente no cérebro físico a responsabilidade sobre a causa dessa doença.

Mas, no fundo, o estado bioquímico do indivíduo, é apenas reflexo da alma, reflexo de ações desta vida, ou de outras vidas, por causas diversas, como por exemplo, sentimentos de culpa, sentimentos de menos valia, covardia perante as lutas, suicídios passados, orgulho ferido, medo de enfrentar as provas, etc...

Se há alteração neuro-bioquímica, há necessidade de assistência médica especializada e de medicação, mas também de uma grande dose de esforço e vontade, para a alma voltar ao equilíbrio.

Com a medicação, temos a ação do medicamento agindo sobre o efeito que se manifesta no corpo... Mas com a perseverança da vontade, com o estudo, com a fé em Deus, com o trabalho no bem, se estará agindo sobre verdadeira causa, que está no espírito... Aí o equilíbrio retornará, o equilíbrio físico/psíquico.

A depressão, como vimos, tem a ver com humor, melancolia, emoções, sentimentos, afetos, tristeza, amor, desamor... E isso não é sentido no/e pelo cérebro... Esses sentimentos e sensações são território de domínio do espírito, e portanto requer uma revisão na conduta da pessoa e uma reforma íntima de atitudes diante da vida...

Conclusão: A Inteligência, portanto, não está no cérebro e se não está nele também não está nos neurônios em si!

Os estudos dos neurônios e das redes sinápticas (rede de conexão entre neurônios vizinhos) tem levado os cientistas a descobertas surpreendentes no conhecimento químico cerebral, chamando a atenção para os elementos neuroquímicos, porque é através deles que veiculam as mensagens não somente dentro do cérebro, mas também por todo o corpo humano!

Determinados distúrbios de comportamento são originados pelo excesso ou pela falta dessa ou daquela substância química no cérebro. Muitíssimo bem... Mas então qual o fator que determina esse excesso e a falta de substâncias químicas? O que dispara isso? Onde está o gatilho do disparo ou o freio da contenção? Quem é o sujeito que providencia excesso ou falta?

Exemplo:

Em 1984, na Universidade de Iowa nos Eua, um psiquiatra descobriu que no cérebro dos esquizofrênicos existe deficiência na metabolização (processamento) do aminoácido serina (que é encontrado na maioria dos alimentos que possuem proteínas).

Essa serina é a substância que equilibra a glicina, que regula o nível da dopamina.

A dopamina então acaba sendo produzida em excesso e surge então esquizofrenia.

Mas por que existe a essa deficiência da metabolização? A Ciência busca sempre, e cada vez mais, explicação para os fatos... E é por isso que:

- já existe a ABRAPE – Associação Brasileira dos Psicólogos Espíritas;
- já existe a AME – Associação Médico Espírita;
- o aumento de número de médicos e outros doutores na ciência que aderem a Ciência Espírita;
- já houve a fundação da UniEspírito – Universidade Internacional de Ciências do Espírito (www.uniespirito.com.br), que busca os pontos de encontro entre Filosofia, Ciência e Religião, abordando o homem de uma forma integral, ou seja, bio-psico-socio-espiritual, fundada em 25 de janeiro de 2004;
- já existem cerca de 100 hospitais espíritas no Brasil;
- o ESDE já é feito até pela Internet, e até em espanhol (www.espiritismo.cc);
- a partícula Deus já está em discussão (Boson de Higgs – átomo, elétrons, prótons, nêutrons e outras).

As provas estão aí... O Homem já começa a esbarrar fortemente com o perispírito e o espírito nas pesquisas científicas.

-> Ler parte do Livro Além da Matéria – Robson Pinheiro / Joseph Gleber

Necessidade do Tratamento Médico na Depressão

Enfatizamos com veemência que depressão requer cuidados médicos especializados... Existe necessidade de uma medicação bem dosada e muitas vezes combinada, controlada invidualmente pelos médicos para cada caso, visando a regularização do processo bioquímico do cérebro... Exigindo acompanhamento psicoterápico... Mas também requer cuidados espirituais...

Não somos só corpo... Somos espírito também... Já sabemos que o espírito comanda o corpo e que, por ser imortal, é preciso mudar pensamentos e atitudes para manter o equilíbrio da vida orgânica... Se algo estiver desequilibrado nela...

E é bom lembrar que a depressão também não está vinculada exclusivamente a quadros de influenciação externa obsessiva... (obsessão). Mas que, sem dúvida, podem e vão facilitar esse fato pelo estado de desequilíbrio vibracional em que pode ficar o paciente.

Sentimentos e Emoções

O cérebro é o veículo de expressão da mente... Ele transmite as ordens ao corpo material... Mas não é a própria mente.

Entre expressar e ser existe uma distância incomensurável.

Como sabemos, os neurocientistas vêm localizando no cérebro as regiões correspondentes à fala, à audição, à visão, ao paladar, ao controle dos movimentos, etc...

Já conseguiram descobrir o percurso até de algumas emoções, bem como o trabalho dos neurônios no comando dos agentes psíquicos resultantes dessa energética em movimento.

Descobriram também que dependendo da emoção ou do sentimento, o cérebro atua na produção de certos hormônios e substâncias químicas correspondentes ao tipo de função psíquica exercitada naquele momento.