DESOBSESSÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A luz da oração - pág.164 02 - Auto desobsessão - pág. 25
03 - Bezerra de Menezes - pág. 94 04 - Boa Nova - pág. 51
05 - Caminho, Verdade e vida - pág. 49, 55,135 06 - Ciência e espiritismo - pág.144
07 - Correntes de luz - pág. 131 08 - Depoimentos vivos - pág. 191
09 - Desobsessão - toda a obra 10 - Diálogo com as sombras - pág. 11
11 - Entre o amor e a guerra - pág. 252 12 - Estude e viva - pág. 128
13 - Fonte viva - pág. 363 14 - Grilhões partidos - pág. 121, 210
15 - Libertação - pág. 46, 141

16 - Lampadário Espírita - pág. 83

17 - No limiar do infinito - pág. 137 18 - O centro Espírita - pág. 7, 56
19 - O céu e o inferno - pág. 341 20 - O consolador - pág. 138
21 - O Evangelho S. o espiritismo - pág. 415 22 - Oferenda - pág. 132
23 - Pontos e contos - pág. 73 24 - Síntese de o novo testamento - pág. 102

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DESOBSESSÃO – COMPILAÇÃO

04 - Boa Nova - Humberto de Campos - pág. 51

A LUTA CONTRA O MAL
De todas as ocorrências da tarefa apostólica, os encontros do Mestre com os endemoninhados constituíam os fatos que mais impressionavam os discípulos. A palavra "diabo" era então compreendida na sua justa acepção. Segundo o sentido exato da expressão, era ele o adversário do bem, simbolizando o termo, dessa forma, todos os maus sentimentos que dificultavam o acesso das almas à aceitação da Boa Nova e todos os homens de vida perversa, que contrariavam os propósitos da existência pura, que deveriam caracterizar as atividades dos adeptos do Evangelho.

Dentre os companheiros do Messias, Tadeu era o que mais se deixava impressionar por aquelas cenas dolorosas. Aguçavam-lhe, sobremaneira, a curiosidade de homem os gritos desesperados dos espíritos malfazejos, que se afastavam de suas vítimas sob a amorosa determinação do Mestre Divino. Quando os pobres obsidiados deixavam escapar um suspiro de alívio, Tadeu volvia os olhos para Jesus, maravilhado de seus feitos. Certo dia em que o Senhor se retirara, com Tiago e João, para os lados de Cesaréia de Filipe, uma pobre demente lhe foi trazida, a fim de que ele, Tadeu, anulasse a atuação dos Espíritos perturbadores que a subjugavam. Entretanto, apesar de todos os esforços de sua boa-vontade, Tadeu não conseguiu modificar a situação. Somente no dia imediato, ao anoitecer, na presença confortadora do Messias, foi possível à infeliz dementada recuperar o senso de si mesma.

Observando o fato, Tadeu caiu em sério e profundo cismar. Por que razão o Mestre não lhes transmitia, automaticamente, o poder de expulsar os demônios malfazejos, para que pudessem dominar os adversários da causa divina? Se era tão fácil a Jesus a cura integral dos endemoninhados, por que motivo não provocava ele de vez a aproximação geral de todos os inimigos da luz, a fim de que, pela sua autoridade, fossem definitivamente convertidos ao reino de Deus? Com o cérebro torturado por graves cogitações e sonhando possibilidades maravilhosas para que cessassem todos os combates entre os ensinamentos do Evangelho e os seus inimigos, o discípulo inquieto procurou avistar-se particularmente com o Senhor, de modo a expor-lhe com humildade suas ideias íntimas.

Numa noite tranquila, depois de lhe escutar as pon­derações, perguntou-lhe Jesus, em tom austero:— Tadeu, qual o principal objetivo das atividades de tua vida?Como se recebesse uma centelha de inspiração superior, respondeu o discípulo com sinceridade:— Mestre, estou procurando realizar o reino de Deus no coração.— Se procuras semelhante realidade, por que a reclamas no adversário em primeiro lugar? Seria justo esqueceres as tuas próprias necessidades nesse sentido? Se buscamos atingir o infinito da sabedoria e do amor em Nosso Pai, indispensável se faz reconheçamos que todos somos irmãos no mesmo caminho!...

— Senhor, os espíritos do mal são também nossos irmãos? — inquiriu, admirado, o apóstolo.— Toda a criação é de Deus. Os que vestem a túnica do mal envergarão um dia a da redenção pelo bem. Acaso, poderias duvidar disso? O discípulo do Evangelho não combate propriamente o seu irmão, como Deus nunca entra em luta com seus filhos; aquele apenas combate toda manifestação de ignorância, como o Pai que trabalha incessantemente pela vitória do seu amor, junto da humanidade inteira.— Mas, não seria justo — ajuntou o discípulo, com certa convicção — convocarmos todos os gênios malfazejos para que se convertessem à verdade dos céus? O Mestre, sem se surpreender com essa observação, disse:

— Por que motivo não procede Deus assim?... Porventura, teríamos nós uma substância de amor mais sublime e mais forte que a do seu coração paternal? Tadeu, jamais olvidemos o bom combate. Se alguém te convoca ao labor ingrato da má semente, não desdenhes a boa luta pela vitória do bem, encarando qualquer posição difícil como ensejo sagrado para revelares a tua fidelidade a Deus. Abraça sempre o teu irmão. Se o adversário do reino te provoca ao esclarecimento de toda a verdade, não desprezes a hora de trabalhar pela vitória da luz; mas segue o teu caminho no mundo atento aos teus próprios deveres, pois não nos consta que Deus abandonasse as suas atividades divinas para impor a renovação moral dos filhos ingratos, que se rebelaram na sua casa. Se o mundo parece povoar-se de sombras, é preciso reconhecer que as leis de Deus são sempre as mesmas, em todas as latitudes da vida.

É indispensável meditar na lição de Nosso Pai e não estacionar a meio do caminho que percorremos. Os inimigos do reino se empenham em batalhas sangrentas? Não olvides o teu próprio trabalho. Padecem no inferno das ambições desmedidas? Caminha para Deus. Lançam a perseguição contra a verdade? Tens contigo a verdade divina que o mundo não te poderá roubar, nunca. Os grandes patrimônios da vida não pertencem às forças da Terra, mas às do Céu. O homem, que dominasse o mundo inteiro com a sua força, teria de quebrar a sua espada sangrenta, ante os direitos inflexíveis da morte. E, além desta vida, ninguém te perguntará pelas obrigações que tocam a Deus, mas, unicamente, pelo mundo interior que te pertence a ti mesmo, sob as vistas amoráveis de Nosso Pai.

Que diríamos de um rei justo e sábio que perguntasse a um só de seus súditos pela justiça e pela sabedoria do reino inteiro? Entretanto, é natural que o súdito seja in­quirido acerca dos trabalhos que lhe foram confiados, no plano geral, sendo também justo se lhe pergunte pelo que foi feito de seus pais, de sua companheira, de seus filhos e irmãos. Andas assim tão esquecido desses problemas fáceis e singelos? Aceita a luta, sempre que fores julgado digno dela e não te esqueças, em todas as circunstâncias, de que construir é sempre melhor. Tadeu contemplou o Mestre, tomado de profunda admiração. Seus esclarecimentos lhe caíam no espírito como gotas imensas de uma nova luz.

— Senhor — disse ele —, vossos raciocínios me iluminam o coração; mas, terei errado externando meus sentimentos de piedade pelos espíritos malfazejos? Não devemos, então, convocá-los ao bom caminho?— Toda intenção excelente — redarguiu Jesus — será levada em justa conta no céu, mas precisamos compreender que não se deve tentar a Deus. Tenho aceitado a luta como o Pai ma envia e tenho esclarecido que a cada dia basta o seu trabalho. Nunca reuni o colégio dos meus companheiros para provocar as manifestações dos que se comprazem na treva; reuni-os, em todas as circunstâncias e oportunidades, suplicando para o nosso esforço a inspiração sagrada do Todo-Poderoso. O adversário é sempre um necessitado que comparece ao banquete das nossas alegrias e, por isso, embora não o tenha convocado, convidando somente os aflitos, os simples e os de boa-vontade, nunca lhe fechei as portas do coração, encarando a sua vinda como uma oportunidade de trabalho, de que Deus nos julga dignos.

O apóstolo humilde sorriu, saciado em sua fome de conhecimento, porém acrescentou, preocupado com a impossibilidade em que se via de atender eficazmente à vítima que o procurara:— Senhor, vossas palavras são sempre sábias; entretanto, de que necessitarei para afastar as entidades da sombra, quando o seu império se estabeleça nas almas?!...— Voltamos, assim, ao início das nossas explicações — retrucou Jesus —, pois, para isso, necessitas da edificação do reino no âmago do teu espírito, sendo este o objetivo de tua vida. Só a luz do amor divino é bastante forte para converter uma alma à verdade. Já viste algum contendor da Terra convencer-se sinceramente tão-só pela força das palavras do mundo? As dissertações filosóficas não constituem toda a realização.

Elas podem ser um recurso fácil da indiferença ou uma túnica brilhante, acobertando penosas necessidades. O reino de Deus, porém, é a edificação divina da luz. E a luz ilumina, dispensando os longos discursos. Capacita-te de que ninguém pode dar a outrem aquilo que ainda não possua no coração. Vai! Trabalha sem cessar pela tua grande vitória. Zela por ti e ama a teu próximo, sem olvidares que Deus cuida de todos. Tadeu guardou os esclarecimentos de Jesus, para re­tirar de sua substância o mais elevado proveito no futuro.

No dia seguinte, desejando destacar, perante a comunidade dos seus seguidores, a necessidade de cada qual se atirar ao esforço silencioso pela sua própria edificação evangélica, o Mestre esclareceu aos seus apólogos singelos, como se encontra dentro da narrativa de Lucas: — "Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando, e não o achando diz: — Voltarei para a casa donde saí; e, ao chegar, acha-a varrida e adornada. Depois, vai e leva mais sete Espíritos piores do que ele, que ali entram e habitam; e o último estado daquele homem fica sendo pior do que o primeiro." Então, todos os ouvintes das pregações do lago compreenderam que não bastava ensinar o caminho da verdade e do bem aos Espíritos perturbados e malfazejos; que indispensável era edificasse cada um a fortaleza luminosa e sagrada do reino de Deus, dentro de si mesmo.

05 - Caminho, Verdade e vida - Emmanuel - pág. 49, 55,135

17 - POR CRISTO
"E se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta." — Paulo. (FILÊMON, 1:18.)
Enviando Onésimo a Filêmon, Paulo, nas suas expressões inspiradas e felizes, recomendava ao amigo lançasse ao seu débito quanto lhe era devido pelo portador. Afeiçoemos a exortação às nossas necessidades próprias. Em cada novo dia de luta, passamos a ser maiores devedores do Cristo.

Se tudo nos corre dificilmente, é de Jesus que nos chegam as providências justas. Se tudo se desenvolve retamente, é por seu amor que utilizamos as dádivas da vida e é, em seu nome, que distribuímos esperanças e consolações. Estamos empenhados à sua inesgotável misericórdia. Somos dEle e nessa circunstância reside nosso título mais alto.

Por que, então, o pessimismo e o desespero, quando a calúnia ou a ingratidão nos ataquem de rijo, trazendo-nos a possibilidade de mais vasta ascensão? Se estamos totalmente empenhados ao amor infinito do Mestre, não será razoável compreendermos pelo menos alguma particularidade de nossa dívida imensa, dispondo-nos a aceitar pequenina parcela de sofrimento, em memória de seu nome, junto de nossos irmãos da Terra, que são seus tutelados igualmente?

Devemos refletir que quando falamos em paz, em felicidade, em vida superior, agimos no campo da confiança, prometendo por conta do Cristo, porquanto só Ele tem para dar em abundância. Em vista disso, caso sintas que alguém se converteu em devedor de tua alma, não te entregues a preocupações inúteis, porque o Cristo é também teu credor e deves colocar os danos do caminho em sua conta divina, passando adiante.

20 - O COMPANHEIRO
"Não devias tu igualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?"— Jesus. (MATEUS, 18:33.)
Em qualquer parte, não pode o homem agir, isoladamente, em se tratando da obra de Deus, que se aperfeiçoa em todos os lugares.
O Pai estabeleceu a cooperação como princípio dos mais nobres, no centro das leis que regem a vida.
No recanto mais humilde, encontrarás um companheiro de esforço.

Em casa, ele pode chamar-se "pai" ou "filho"; no caminho, pode denominar-se "amigo" ou "camarada de ideal".
No fundo, há um só Pai que é Deus e uma grande família que se compõe de irmãos.
Se o Eterno encaminhou ao teu ambiente um companheiro menos desejável, tem compaixão e ensina sempre.
Eleva os que te rodeiam.
Santifica os laços que Jesus promoveu a bem de tua alma e de todos os que te cercam.

Se a tarefa apresenta obstáculos, lembra-te das inúmeras vezes em que o Cristo já aplicou misericórdia ao teu espírito. Isso atenua as sombras do coração.
Observa em cada companheiro de luta ou do dia uma bênção e uma oportunidade de atender ao programa divino, acerca de tua existência.
Há dificuldades e percalços, incompreensões e desentendimentos? Usa a misericórdia que Jesus já usou contigo, dando-te nova ocasião de santificar e de aprender.


15 - Libertação - André Luiz - pág. 46, 141

3 - Entendimento
O zimbório estrelado, aos raios liriais da Lua, espalhava em torno vibrações de beleza inexprimível, semeando esperança, alegria e consolo. Informado quanto aos objetivos que nos conduziriam à Crosta, com escalas por uma colônia purgatorial de vasta expressão, valeu-me da hora amena para aproveitar a convivência com o Instrutor, tentando arrancar-lhe observações que vinham sempre revestidas de preciosos ensinamentos.- É admirável pensar - aventurei respeitosamente - que se formam verdadeiras expedições em nossa esfera para atender a simples caso de obsessão...

- Os homens encarnados - redarguiu o orientador com certa vaguidade no olhar, qual se trouxesse a alma presa a imagens fugidias do pretérito não suspeitam a extensão dos cuidados que despertam em nossos círculos de ação. Somos todos, eles e nós, corações imantados uns aos outros, na forja de benditas experiências. No romance evolutivo e redentor da Humanidade, cada espírito possui capítulo especial. Ternos e ríspidos laços de amor e ódio, simpatia e repulsão, acorrentam-nos reciprocamente. As almas corporificadas na Crosta guardam-se em passageiro sono, com esquecimento temporário quanto às atividades pregressas. Banham-se no Estige dos antigos, cujas águas lhes facultam, durante certo tempo, valiosa segurança para retorno a oportunidades de elevação.

Todavia, enquanto se mergulham em olvido benéfico, demoramo-nos, por nossa vez, em abençoada vigília. Os perigos que nos ameaçam os entes amados de agora ou de épocas que o tempo consumiu, desde muito, não nos deixam impassíveis. Os homens não se acham sozinhos na estreita senda de provas salutares em que se confinam. A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos. - Esclarecido, com respeito à jovem senhora que nos cabia socorrer, aduzi, reverente: - A enferma, a cuja assistência fomos admitidos, está por exemplo em vosso passado espiritual...- Sim - confirmou Gúbio, humilde -, mas não fui designado para servir no caso de Margarida, a doente que nos compele à breve expedição do momento, apenas porque houvesse sido minha filha em eras recuadas.

Em cada problema de socorro, é imprescindível considerar as várias partes em jogo. Em virtude do enigma de obsessão que nos propomos resolver, somos levados a buscar todas as personalidades que compõem o quadro de serviço. Perseguidores e perseguidos entrelaçam-se, em cada processo de auxílio, em grande expressão numérica. Cada espirito é um importante em extensa região da corrente humana. Quanto mais crescemos em conhecimentos e aptidões, amor e autoridade, maior é o âmbito de nossas ligações na esfera geral. Almas existem que se vêem sob o interesse de milhões de outras almas. Enquanto os movimentos da vida se estendem, harmoniosos, sob os ascendentes do bem, as dificuldades não chegam a surgir; contudo, quando a perturbação se estabelece, não é fácil desfazer obstáculos, porque, em tais circunstâncias, é indispensável procedamos com absoluta imparcialidade, dando a cada um quanto lhe caiba.

O homem terrestre, mormente nos dias tormentosos, costuma ver somente o "seu lado", mas, acima da justiça comum, propriamente considerada, outros tribunais mais altos funcionam... Em razão disso, todos os casos de desarmonia espiritual na Terra movem aqui extensa rede de servidores que passam a tratá-los, sem inclinações pessoais, em bases do amor que Jesus exemplificou e, nessas ocasiões, prcparamo-nos a satisfazer todos os imperativos de trabalho salvacionista que a tarefa nos imponha ou proporcione, dentro das atividades que lhe são conexas. A essa altura da instrutiva conversação, chegamos a gracioso templo. Nesse doce recanto consagrado à materialização de entidades sublimes, a luz suave da noite calina como que se fazia mais bela. (...)

(...) Instado por Sérgio, um gaiato rapaz que nos introduziu com maneiras menos dignas, Saldanha, o diretor da falange operante, veio receber-nos. Pôs-se a fazer gestos hostis, mas, ante a senha com que Gregório nos favorecera, admitiu-nos na condição de companheiros importantes. - O chefe deliberou apertar o cerco? - perguntou ao nosso Instrutor, confidencialmente. - Sim - informou Gúbio, de modo vago -, desejaríamos examinar as condições gerais do assunto e auscultar a doente.- A jovem senhora vai cedendo, devagarinho -esclareceu a singular personagem, indicando-nos vasto corredor atulhado de substâncias fluídicas detestáveis. Acompanhou-nos, um tanto solícito, mas desconfiado, e, em seguida a breve pausa, deixou-nos livre a entrada da grande câmara de casal.

A manhã resplandecia, lá fora, e o sol visitava o quarto, através da vidraça cristalina. Mulher ainda moça, mostrando extrema palidez nas linhas nobres do semblante digno, entregava-se a tormentosa meditação. Compreendi que atingíramos a intimidade de Margarida, a obsidiada que o nosso orientador se propunha socorrer. Dois desencarnados, de horrível aspecto fisionômico, inclinavam-se, confiantes e dominadores, sobre o busto da enferma, submetendo-a a compli­cada operação magnética. Essa particularidade do quadro ambiente dava para espantar. No entanto, meu assombro foi muito mais longe, quando concentrei todo o meu potencial de atenção na cabeça da jovem singularmente abatida. Interpenetrando a matéria espessa da cabeceira em que descansava, surgiam algumas dezenas de "corpos ovóides", de vários tamanhos e de cor plúmbea, assemelhando-se a grandes sementes vivas, atadas ao cérebro da paciente através de fios sutilíssimos, cuidadosamente dispostos na medula alongada.

A obra dos perseguidores desencarnados era meticulosa, cruel. Margarida, pelo corpo perispirítico, jazia absolutamente presa, não só aos truculentos perturbadores que a assediavam, mas também à vasta falange de entidades inconscientes, que se caracterizavam pelo veículo mental, a se lhe apropriarem das forças, vampirizando-a em processo intensivo. Em verdade, já observara, por mim, grande quantidade de casos violentos de obsessão, mas sempre dirigidos por paixões fulminatórias. Entretanto, ali verificava o cerco tecnicamente organizado. Evidentemente, as "formas ovóides" haviam sido trazidas pelos hipnotizadores que senhoreavam o quadro.
Com a devida permissão, analisei a zona física hostilizada. Reparei que todos os centros metabólicos da doente apareciam controlados.
(...)

16 - Lampadário Espírita -Joana de Ângelis - pág. 83

19.DESOBSESSÃ0

Se deseja ajudar aqueles que se encontram sob as vigorosas tenazes da obsessão, mergulha o espírito nos sublimes rios da oração, donde vertem as claridades consoladoras da paz, a fim de que não desfaleças no empreendimento almejado. Lidar com obsessos e obsessores é tarefa sacrificial que demanda paciência e humildade como normativas disciplinantes. Nem sempre conseguirás lograr resultados imediatos. Mister se faz confiar na Divina Providência e insistir.

O que te possa afigurar como libertação não passará, muitas vezes, de pausa para recidiva mais cruel, mais avassaladora. Um coração tranquilo e uma conduta reta devem oferecer-te bases de segurança para que te não enleies nas teias sutis e perigosas em que se enrodilham algoz e vítima, em processo de resgate punitivo. Diante de obsidiados, não consideres apenas o problema do encarnado. O companheiro sofredor, cuja aflição te punge o coração sensível, é alguém que a consciência da lei alcançou. E" imprescindível considerar a questão pelo ângulo do desencarnado. O cobrador de agora é o lesado de ontem. Imantados por necessidade evolutiva, jornadeiam ao longo do tempo, em processo recíproco de ajustamento psíquico.

Não penses no perseguidor como quem da enfermidade enxerga apenas a chaga purulenta a tresandar miasmas. Nem pretendas penetrar as raízes profundas da animosidade, a pretexto de elucidação. Unge-te de compaixão e ajuda a ambos, espíritos sofredores que são, em estreito comércio de dor. Se doutrinas os desencarnados nas experiências de assistência psíquica ou se aplicas passes nos enfermos, morigera-te e mantém o espírito pacífico. Em silêncio, distende bondade, compreendendo que todos, por enquanto, raríssimas exceções, somos espí­ritos endividados em batalha redentora.

.Serenado o processo obsessivo, raramente está liquidado o compromisso negativo. A interferência divina não anula débitos, pois que exige do convalescente espiritual o atestado, por atos, de trabalho edificante, em prol da paz geral.
Indispensável, portanto, a atuação direta do paciente, em exercícios de amor e luta, arrebentando amarras e desatando nós que o vinculam à retaguarda. A simples contemplação do medicamento não confere saúde ao paciente. A água cristalina, a regular distância da plântula, não lhe concede alimento vitalizante. A prece intercessória não resolve todas as distonias daqueles que pretendemos ajudar...

Assistindo atormentados espirituais, acende a lâmpada da esperança, mas oferta, também, o combustível do conhecimento espírita, para que a diretriz esclarecedora conceda segurança na libertação do espírito comprometido . Em qualquer mister de desobsessão a que te apliques, não esqueças de que eles, os que te ouvem, seguirão os teus passos sem que os vejas, sem que os ouças, vendo-te e ouvindo-te. Quase toda obsessão de hoje começou ontem... Pede ao perseguidor a dádiva do perdão e ao perseguido solicita a concessão do amor e do trabalho luarizantes, como prova de identificação com o bem. Invariavelmente o problema da obsessão é quesito atormentante do obsesso. Para que a paz assome à mente aflita sob vergastadas incessantes, faz-se necessária a cooperação do próprio obsidiado, que se deve dispor à renovação das paisagens íntimas com mudança de atitudes, norteando-as para as linhas diretivas e salutares do Evangelho.

Considerando os atormentados na senda humana por onde segues, lembra-te de Jesus. Ele não se impôs a ninguém. Não pretendeu transformar ninguém num só golpe. Semeou a sua mensagem de amor, amando sem queixas e sem imposições de qualquer natureza, espalhando, através da renunciação aos gozos terrenos, as bases da felicidade e da paz. E diante dos obsidiados, amando perseguidos e perseguidores, lecionou misericórdia, libertando os obsessos dos seus obsessores, dizendo-lhes, porém, com segurança e sem qualquer retórica: «Não tornes a pecar», como a afirmar que a saúde é bem que nasce no coração e se expande estuante por toda a parte.

20 - O consolador - Emmanuel - pág. 138

Perg. 231 - Considerando que numerosos agrupamentos espíritas se formam apenas para doutrinação das entidades perturbadas, do plano invisível, quais os mais necessitados de luz: os encarnados ou os desencarnados?

- Tal necessidade é comum a uns e outros. É justo que se preste auxílio fraterno aos seres perturbados e sofredores, das esferas mais próximas da Terra; entretanto, é preciso convir que os Espíritos encarnados carecem de maior porcentagem de iluminação evangélica que os invisíveis, mesmo porque, sem ela, que auxílio poderão prestar ao irmão ignorante e infeliz?

A lição do Senhor não nos fala do absurdo de um cego a conduzir outros cegos? Por essa razão é que toda reunião de estudos sinceros, dentro da Doutrina, é um elemento precioso para estabelecer o roteiro espiritual a quantos desejem o bom caminho. A missão da luz é revelar com verdade serena. O coração iluminado não necessita de muitos recursos da palavra, porque na oficina da fraternidade bastará o seu sentimento esclarecido no Evangelho.

A grande maravilha do amor é o seu profundo e divino contágio. Por esse motivo, o Espírito encarnado, para regenerar os seus irmãos da sombra, necessita iluminar-se primeiro.

24 - Síntese de o novo testamento - Mínimus - pág. 102

ESPÍRITOS IMPUROS QUE VOLTAM - (Mat, 12:43 a 45; Luc. 11:24 a 28)

"Quando o espírito impuro tem saído dum homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; não o encontrado, diz: Voltarei para minha casa, donde saí; e, ao chegar, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo mais sete espíritos piores do que ele (espíritos obsessores), e ali entram e habitam; o último estado daquele homem fica sendo pior que o primeiro. Assim acontecerá também a esta geração má".

Enquanto assim falava, uma mulher, do meio da multidão, levantou a voz e disse-lhe: -Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os seios que te amamentaram. Mas ele respondeu: -"Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam".

LEMBRETES:

Para nós Espíritas com pleno conhecimento do funcionamento do Mundo Espiritual, sabemos que não é nada fácil tratar de uma obsessão ou efetuar uma desobsessão. Ela é complicada por diversos motivos:

1° - Temos de avaliar sempre pelos dois ângulos: do encarnado (obsediado) e do desencarnado (obsessor).

2° - É imprescindível considerar a questão pelo ângulo do desencarnado. O cobrador de agora é o lesado de ontem. Imantados por necessidade evolutiva, jornadeiam ao longo do tempo, em processo recíproco de ajustamento psíquico.

3° - Há uma religião, a qual assisto de vez em quando pela televisão (que se intitulam "Sessão de Descarrego), que pratica a desobsessão como se obsessor fosse um mísero demônio, dizendo-se embuido da autoridade de Deus, para liberar o encarnado, acharcando o obsessor, proferindo cada impropério, pensando que assim resolverá o caso. Devemos nos lembrar sempre que somos todos companheiros de jornada, somos todos irmãos, e com este procedimento, ele pode estar dificultando mais e talvez aumentando a problemática pois, o obsessor pode achar uma brecha e partir para cima dele. Aí teremos dois problemas a resolver: o obsediado que chegou e quem tentou efetuar a desobsessão de modo inadequado.

4° - É necessário nestes casos que os encarnados que efetuarão a desobsessão sejam evoluídos espiritualmente e moralmente, façam uso sempre de orações solicitando ajuda do Plano Maior, e tendo sempre em mente que é necessário influir nos dois ao mesmo tempo para que se tenha efeito duradouro. Pois, aqui na FEESP, é normal aparecerem alcoólatras para receberem tratamento, mas, retirado o obsessor, ele acaba de sair e já se dirige para a padaria tomar aquele último trago, a famosa saideira, e com isto ele estará na mesma faixa vibratória do seu obsessor. Quer dizer, o tratamento só é válido se atingir a ambos.

5° - Ao obsessor cabe-nos evangelizar com toda as nossas forças e ajuda espiritual. Aplicando com humildade ao nosso irmão o Evangelho de Jesus.

6° - Ao obsediado cabe-nos mostrar que sem uma REFORMA ÍNTIMA, uma mudança íntima radical em sua vida, procurando tendo uma conduta de vida ilibada, continuará vibrando na mesma faixa dos Espíritos inferiores, com isto dando brecha as obsessões.

7° - Demonstrar ao obsediado, a necessidade de se passar pela dor, sendo abnegado, resignado, confiando e agradecendo sempre à Deus de lhe permitir a sua encarnação possibilitando-o a evoluir, porque a possibilidade de encarnação é muito concorrida visto que somos mais ou menos 6 bilhões encarnados e 18 bilhões desencarnados.

8° - Todos possuímos desafetos de existências passadas, e, no estágio de evolução em que ainda respiramos, atraímos a presença de entidades menos evolvidas, que se nos ajustam ao clima do pensamento, prejudicando, não raro, involuntariamente, nossas disposições e possibilidades de aproveitamento da vida e do tempo. A desobsessão vige, desse modo, por remédio moral específico, arejando os caminhos mentais em que nos cabe agir, imunizando-nos contra os perigos da alineação e estabelecendo vantagens ocultas em nós, para nós e em torno de nós, numa extensão que, por enquanto, não somos capazes de calcular, além de obtermos com o seu apoio espiritual mais amplos horizontes ao entendimento da vida e recursos morais inapreciáveis para agir, diante do próximo, com desapego e compreensão.

9° - Desobsessão é, em todos os sentidos, um processo de LIBERTAÇÃO, tanto para o algoz quanto para sua vítima, em qualquer plano que se situem.

Edivaldo

A PEQUENA FLOR DO CAMPO
LUIZ GONZAGA PINHEIRO