DISCERNIMENTO
BIBLIOGRAFIA
01- Bíbilia - ireis 13V18 02 - Contos e Apólogos - pág. 65
03 - Deus na natureza - pág. 206 04 - Estude e viva - pág. 29, 102, 166,210
05 - Florações evangélicas - pág. 73, 115 06 - Fonte viva - pág. 151
07 - Mecanismos da mediunidade - pág. 95 08 - Médiuns e mediunidades - pág. 55
09 - O Livro dos Espíritos - q 464, 661 10 - Otimismo - pág. 21
11 - Palingênese a grande lei - pág. 65 12 - Pureza doutrinária - toda a obra
13 - Relicário de luz - pág. 84 14 - Revista espírita - 1860 - pág. 134
15 - Seara dos médiuns - pág. 173

16 - Vozes do grande além - pág. 28

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DISCERNIMENTO – COMPILAÇÃO

04 - ESTUDE E VIVA - EMMANUE E ANDRÉ LUIZ - PÁG. 29, 102, 166, 210

Tua mensagem
Tua mensagem não se constitui apenas do discurso ou do título de cerimônia com que te apresentas no plano convencional; é a essência de tuas próprias ações, a exteriorizar-se de ti, alcançando os outros. Sem que percebas, quando te diriges aos companheiros para simples opiniões, em torno de sucessos triviais do cotidiano, estás colocando o teu modo de ser no que dizes; ao traçares ligeira frase, num bilhete aparentemente sem importância, derramas o conteúdo moral de teu coração naquilo que escreves; articulando referência determinada, posto que breve, apontas o rumo de tuas inclinações; em adquirindo isso ou aquilo, entremostras o próprio senso de escolha; elegendo distrações, patenteias por elas os interesses que te regem a vida íntima...Reflete na mensagem que expedes, diariamente, na direção da comunidade. As tuas idéias e comentários, atos e diretrizes voam de ti, ao encontro do próximo, à feição das sementes que são transportadas para longe das árvores que as produzem. Cultivemos amor e justiça, compreensão e bondade, no campo do espírito. Guarda a certeza de que tudo quanto sintas e penses, fales e realizes é substância real de tua mensagem às criaturas e é claramente pelo que fazes às criaturas que a lei de causa e efeito, na Terra ou noutros mundos, te responde, em zelando por ti.
Consciência e conveniência
As boas soluções nem sempre são as mais fáceis e as manifestações corretas nem sempre as mais agradáveis. A trilha do acerto exige muito mais as normas do esforço maior que as saídas circunstanciais ou os atalhos do oportunismo. Nos mínimos atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você faça, busque primeiro a substância «post-mortem» de que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame será superficial e sem consequências produtivas para o seu espírito. Hoje como ontem, a criatura supõe-se em caminho tedioso tão-só quando lhe falta alimento espiritual aos hábitos. Alegria que dependa das ocorrências do terra-a-terra não tem duração. Alegria real dimana da intimidade do ser. Não há espetáculo externo de floração sem base na seiva oculta.

Meditação elevada, culto à prece, leitura superior e conversação edificante constituem adubo precioso nas raízes da vida. Ninguém respira sem os recursos da alma. Todos carecemos de espiritualidade para transitar no cotidiano, ainda que a espiritualidade surja para muitos, sob outros nomes, nas ciências psicológicas de hoje que se colocam fora dos conceitos religiosos para a construção de edifícios morais. À vista disso, criar costumes de melhoria interior significa segurança, equilíbrio, saúde e estabilidade à própria existência. Debaixo de semelhante orientação, realmente não mais nos será possível manter ambiguidade nas atitudes. Em cada ambiente, a cada hora, para cada um de nós, existe a conduta reta, a visão mais alta, o esforço mais expressivo, a porta mais adequada. Atingido esse nível de entendimento, não mais é lícita para nós a menor iniciativa que imponha distinção indevida ou segregação lamentável, porque a noção de justiça nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para com todos na edificação da harmonia comum.

Estabelecidos por nós, em nós mesmos, os limites de consciência e conveniência, aprendemos que felicidade, para ser verdadeira, há de guardar essência eterna. Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além do plano físico, de que nos servirá qualquer euforia alicerçada na ilusão? De que nos vale o compromisso com as exterioridades humanas, quando essas exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a desencarnação não poupa a ninguém? Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que nos conduza a elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito, de vez que receberemos de retorno, na aduana da morte, todo o material que despachamos com destino aos outros, durante a jornada terrestre. Não basta para nenhum de nós o contentamento de apenas hoje. É preciso saber se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também regozijo depois.

Acidentados da alma
Compadeceste dos caídos em moléstia ou desastre, que apresentam no corpo comovedoras mutilações. Inclina-te, porém, com igual compaixão para aqueles outros que comparecem, diante de ti, por acidentados da alma, cujas lesões dolorosas não aparecem. Além da posição de necessitados, pelas chagas ocultas de que são portadores, quase sempre se mostram na feição de companheiros menos atrativos e desejáveis. Surgem pessoalmente bem-postos, estadeando exigências ou formulando complicações, no entanto bastas vezes trazem o coração sob provas difíceis; espancam-te a sensibilidade com palavras ferinas, contudo, em vários lances da experiência, são feixes de nervos destrambelhados que a doença consome; revelam-se na condição de amigos, supostos ingratos, que nos deixam em abandono, nas horas de crise, mas, em muitos casos, são enfermos de espírito, que se enviscam, inconscientes, nas tramas da obsessão; acolhem-te o carinho com manifestações de aspereza, todavia, estarão provavelmente agitados pelo fogo do desespero, lembrando árvores benfeitoras quando a praga as dizima; são delinquentes e constrangem-te a profundo desgosto, pelo comportamento incorreto; no entanto, em múltiplas circunstâncias, são almas nobres tombadas em tentação, para as quais já existe bastante angústia na cabeça atormentada que o remorso atenaza e a dor suplicia...

Não te digo que aproves o mal, sob a alegação de resguardar a bondade. A retificação permanece na ordem e na segurança da vida, tanto quanto vige o remédio na defesa e sustentação da saúde. Age, porém, diante dos acidentados da alma, com a prudência e a piedade do enfermeiro que socorre a contusão, sem alargar a ferida. Restaurar sem destruir. Emendar sem proscrever. Não ignorar que os irmãos transviados se encontram encarcerados em labirintos de sombra, sendo necessário garantir-lhes uma saída adequada. Em qualquer processo de reajuste, recordemos Jesus que, a ensinar servindo e a corrigir amando, declarou não ter vindo à Terra para curar os sãos.

Aspectos da dor
Os soluços de dor são compreensíveis até o ponto em que não atingem a fermentação da revolta, porque, depois disso, se convertem todos eles em censura infeliz aos planos do Céu.
A enfermidade jamais erra o endereço para as suas visitas.
As lágrimas, em verdade, são iguais às palavras. Nenhuma existe destituída de significação.
Somente chega a entender a vida quem compreende a dor.
A evolução regula também o sofrimento das criaturas e nelas se evidencia mais superficial ou mais profunda, conforme o aprimoramento de cada uma.
Se você pretende vencer, não menospreze a possibilidade de amargar, algumas vezes, a aflição da derrota como lição no caminho para o triunfo.
Aprende melhor quem aceita a escola da provação, porquanto, sem ela, os valores da experiência permaneceriam ignorados.
A dor não provém de Deus, de vez que, segundo a Lei, ela é uma criação de quem a sofre.

Emergência
Perfeitamente discerníveis as situações em que resvalamos, imprevidentemente, para o domínio da perturbação e da sombra.
Enumeremos algumas delas com as quais renteamos claramente, com o perigo da obsessão: cabeça desocupada; mãos improdutivas; palavra irreverente; conversa inútil; queixa constante; opinião desrespeitosa; tempo indisciplinado; atitude insincera; observação pessimista; gesto impaciente; conduta agressiva; comportamento descaridoso; apego demasiado; decisão facciosa; comodismo exagerado. Sempre que nós, os lidadores encarnados e desencarnados com serviço na renovação espiritual, nos reconhecermos em semelhantes fronteiras do processo obsessivo, proclamemos o estado de emergência no mundo íntimo e defendamo-nos contra o desequilíbrio, recorrendo à profilaxia da prece.
Imagens
Egoísmo, gás mortífero, tende sempre a ocupar todo o espaço que se lhe oferece. Intoxica e faz sofrer.
Lisonja, beberagem da invigilância, adapta-se ao recipiente da intenção que a conserva. Embriaga e cria a frustração.
Sinceridade, aço moral, demonstra forma determinada e resistência própria, útil às construções duradouras.
Construções materiais — tatuagens efêmeras na crosta ciclópica do Planeta.
Construções espirituais — duradouros aperfeiçoamentos na estrutura íntima do Espírito.
Da semente brota a haste da planta.
Do ovo nasce o corpo do animal.
Da consciência desabrocha a diretriz do destino.
Bem, calor da Vida. Há bons e maus condutores de calor. A condutibilidade do bem, entre os homens, demonstra o valor de cada um. Virtudes aparentes — metais comuns no homem, que se alteram ante a ventania das ilusões terrenas.
Virtudes reais — metais preciosos no Espírito, que não se corrompem ante as lufadas das tentações humanas, sustentando a vida eterna.

Médiuns iniciantes
No intercâmbio espiritual, encontramos vasto grupo de companheiros, carecedores de especial atenção — os médiuns iniciantes. Muitas vezes, fascinados pelo entusiasmo excessivo, diante do impacto das revelações espirituais que os visitam de jato, solicitam o entendimento e o apoio dos irmãos experimentados, para que não se percam, através de engodos brilhantes. Induzamo-los a reconhecer que estamos todos à frente dos Espíritos generosos e sábios, à feição de cooperadores, perante autoridades de serviço, que nos esperam o concurso eficiente e espontâneo. Não nos compete avançar sem a devida preparação, conquanto supervisionados por mentores respeitáveis e competentes. Tanto quanto para nós outros, para cada médium urge o dever de estudar para discernir, e trabalhar para merecer. Tão-só porque os seareiros da mediunidade revelem facilidades para a transmissão de observações e mensagens, isso não os exime da responsabilidade na apresentação, condução e aplicação dos assuntos de que se tornam intérpretes. Indispensável se capacitem de que a morte não altera a personalidade humana, de modo fundamental. Acesso à esfera dos seres desencarnados, ainda jungidos ao plano físico, é semelhante ao ingresso em praça pública da própria Terra, onde enxameiam Inteligências de todos os tipos.

Admitido a construções de ordem superior, o médium é convidado ao discernimento e à disciplina, para que se lhe aclarem e aprimorem as faculdades, cabendo-lhe afastar-se do «tudo querer» e do «tudo fazer» a que somos impelidos, nos todos, quando imaturos na vida, pelos que se afazem à rebeldia e à perturbação. Ajudemos os médiuns iniciantes a perceber que na mediunidade, como em qualquer outra atividade terrestre, não há conhecimento real onde o tempo não consagrou a aprendizagem, e que todos os encargos são nobres onde a luz da caridade preside as realizações. Para esse fim, conduzamo-los a se esclarecerem nos princípios salutares e libertadores da Doutrina Espírita. Médiuns para fenômenos surgem de toda parte e de todas as posições. Médiuns para a edificação do aprimoramento e da felicidade, entre as criaturas, são apenas aqueles que se fazem autênticos servidores da Humanidade.

Algumas atitudes que o orador espírita deve evitar:
Falar sem antes buscar a inspiração dos Bons Espíritos pelos recursos da prece.
Desprezar as necessidades dos circunstantes.
Empregar conceitos pejorativos, denotando desrespeito ante a condição dos ouvintes.
Introduzir azedume e reclamações pessoais nas exposições doutrinárias.
Atacar as crenças alheias, conquanto se veja na obrigação de cultivar a fé raciocinada, sem endosso a ritos e preconceitos.
Esquecer as carências e as condições da comunidade a que se dirige.
Censurar levianamente as faltas do povo e desconhecer o impositivo de a elas se referir, quando necessário, a fim de corrigi-las com bondade e entendimento .
Situar-se em plano superior como quem se dirige do alto para baixo.
Adotar teatralidade ou sensacionalismo.
Veicular consolo em bases de mentira ou injúria, em nome da verdade.
Ignorar que os incrédulos ou os adventícios do auditório são irmãos igualmente necessitados de compreensão quais nós mesmos.
Fugir da simplicidade.
Colocar frases brilhantes e inúteis acima da sinceridade e da lógica.
Nunca encontrar tempo para estudar de modo a renovar-se com o objetivo de melhor ajudar aos que ouvem.
Ensinar querendo aplausos e vantagens para si, esquecendo-se do esclarecimento e da caridade que deve aos companheiros.
«Ide e pregai o Reino de Deus», conclamou-nos o Cristo. E o Espiritismo, que revive o Evangelho do Senhor, nos ensina como pregar a fim de que a palavra não se faça vazia e a f é não seja vã.

07 - MECANISMOS DA MEDIUNIDADE -ANDRÉ LUIZ - PÁG. 95

Onda Mental- Onda hertziana - Examinando sumariamente as forças corpusculares de que se constituem todas as correntes atômicas do Plano Físico, podemos compreender, sem dificuldade, no pensamento ou radiação mental, a substância de todos os fenômenos do espírito, a expressar-se por ondas de múltiplas frequências. Valendo-nos de idéia imperfeita, podemos compará-lo, de início, à onda hertziana, tomando o cérebro como sendo um aparelho emissor e receptor ao mesmo tempo.
Pensamento e televisão - Recorrendo ainda a recursos igualmente incompletos, recordemos a televisão, cujos serviços se verificam à base de poderosos feixes eletrônicos devidamente controlados. Nos transmissores dessa espécie, é imperioso conjugar a aparelhagem necessária à captação, transformação, irradiação e recepção dos sons e das imagens de modo simultâneo. De igual maneira, até certo ponto, o pensamento, a formular-se em ondas, age de cérebro a cérebro, quanto a corrente de elétrons, de transmissor a receptor, em televisão. Não desconhecemos que todo Espírito é fulcro gerador de vida onde se encontre. E toda espécie de vida começa no impulso mental.

Sempre que pensamos, expressando o campo íntimo na ideação e na palavra, na atitude e no exemplo, criamos formas-pensamentos ou imagens-moldes que arrojamos para fora de nós, pela atmosfera psíquica que nos caracteriza a presença. Sobre todos os que nos aceitem o modo de sentir e de ser, consciente ou inconscientemente, atuamos à maneira do hipnotizador sobre o hipnotizado, verificando-se o inverso, toda vez que aderimos ao modo de ser e de sentir dos outros. O campo espiritual de quem sugestiona gera no âmbito da própria imaginação os esboços ou planos que se propõe exteriorizar, assemelhando-se, então, à câmara de imagens do transmissor vulgar, em que o iconoscópio, com o jogo de lentes adequadas, focaliza a cena sobre a face sensível do mosaico que existe numa das extremidades dele mesmo, iconoscópio, ao passo que um dispositivo explorador, situado na outra extremidade, fornece um feixe tênue de elétrons ou raio explorador que percorre toda a superfície do mosaico. Quando o raio explorador alcança a superfície do mosaico, desprende-se deste uma corrente elétrica de potência proporcional à luminosidade da região que está atravessando e, compreendendo-se que a maior ou menor luminosidade dos pontos diversos do mosaico equivale à imagem sobre ele mesmo refletida, perceberemos com facilidade que as variações de intensidade da corrente fornecida pelo mosaico equivalem à metamorfose das cenas em eletricidade, variações que respondem pelas modificações das cores e respectivos semitons.

As imagens arremessadas através do dispositivo de focalização da câmara, atingindo o mosaico, se fazem invisíveis ao olhar comum.
Nessa fase da transmissão, os vários pontos do mosaico acumulam maior ou menor corrente elétrica, segundo a porção de luz a incidir sobre eles. Somente depois dessa operação, que prossegue em variadas minudências técnicas, é que a cena passa ao transmissor da imagem, a reconstituir-se, através do cinescópio ou válvula da imagem, no aparelho receptor, válvula essa cujo funcionamento é quase análogo ao do iconoscópio, na transmissão, embora fisicamente não se pareçam.

Células e peças - Com muito mais primor de organização, o cérebro ou cabine de manifestação do Espírito, tanto quanto possamos conhecer-nos, do ponto de vista da estrutura mental, em nossa presente condição evolutiva, possui nas células e implementos que o servem aparelhagens correspondentes às peças empregadas em televisão para a emissão e recepção das correntes eletrônicas, exteriorizando as ondas que lhe são características, a transportarem consigo estímulos, imagens, vozes, cores, palavras e sinais múltiplos, através de vias aferentes e eferentes, nas faixas de sintonia natural. As válvulas, câmaras, antenas e tubos destinados à emissão dos elétrons, ao controle dos elétrons emitidos, à formação dos feixes corpusculares e respectiva deflexão vertical e horizontal e a operações outras para que o mosaico ou espelho elétrico forneça os sinais de vídeo, equivalentes à metamorfose da cena em corrente elétrica, e para que a tela fluorescente converta de novo os sinais de vídeo na própria cena óptica, a exprimir-se nos quadros televisionados, - configuram-se, admiravelmente, nos recursos sensíveis do cérebro, sistema nervoso, plexos e glândulas endócrinas, enriquecidos de outros elementos sensoriais no veículo físico e psicossomático, cabendo-nos, ainda, acentuar que a nossa comparação peca demasiado pela pobreza conceptual, porquanto, em televisão, na atualidade, há conjuntos distintos para emissão e recepção, quando o Espírito, na engrenagem individual do cérebro, conta com recursos avançados para serviços de emissão e recepção simultâneos.

Alavanca da vontade - Reconhecemos que toda criatura dispõe de oscilações mentais próprias, pelas quais entra em combinação espontânea com a onda de outras criaturas desencarnadas ou encarnadas que se lhe afinem com as inclinações e desejos, atitudes e obras, no quimismo inelutável do pensamento. Compreendendo-se que toda partícula de matéria em movimentação se caracteriza por impulso inconfundível, fácil ser-nos-á observar que cada Espírito, pelo poder vibratório de que seja dotado, imprimirá aos seus recursos mentais o tipo de onda ou fluxo energético que lhe define a personalidade, a evidenciar-se nas faixas superiores da vida, na proporção das grandezas morais, do ponto de vista de amor e sabedoria, que já tenha acumulado em si mesmo. E para manejar as correntes mentais, em serviço de projeção das próprias energias e de assimilação das energias alheias, dispõe a alma, em si, da alavanca da vontade, por ela vagarosamente construída em milênios e milênios de trabalho automatizante. A princípio, adstrita aos círculos angustos do primitivismo, a vontade, agarrada ao instinto de preservação, faz do Espírito um inveterado monomaníaco do prazer inferior. Avançando pelo terreno inicial da experiência, aparece o homem qual molusco inteligente, sempre disposto a fechar o circuito das próprias oscilações mentais sobre si mesmo, em monoideísmo intermitente.

Vontade e aperfeiçoamento - A memória e a imaginação, ainda curtas, limitam a volição do homem a simples tendência que, no fundo, é aspecto primário da faculdade de decidir. Ele mesmo opera a retração da onda mental que o personaliza, repelindo as vibrações que o inclinem ao burilamento sempre difícil e à expansão sempre laboriosa, para deter-se no reino afetivo das vibrações que o atraem, onde encontra os mesmos tipos de onda dos que se lhe assemelham, capazes de entreter-lhe a egolatria, no gregarismo das longas simbioses em repetidas reencarnações de aprendizagem. A civilização, porém, chega sempre. O progresso impõe novos métodos e a dor estilhaça envoltórios. As modificações da escolha acompanham a ascensão do conhecimento. A vontade de prazer e a vontade de domínio, no curso de largos séculos, convertem-se em prazer de aperfeiçoar e servir, acompanhados de autodomínio.

Ciclotron da vontade - Arremessa a criatura, naturalmente, a própria onda mental na direção dos Espíritos que penetraram mais amplos horizontes da evolução. Alcançando semelhante estágio de consciência, a vontade, no campo do Espírito, desempenha o papel do cíclotron no mundo da Química, bombardeando automaticamente os princípios mentais que se lhe contraponham aos impulsos. E é, ainda, com essa faculdade determinante que ela preside as junções de onda, junto àquelas que se proponha assimilar, no plano das sintonias, de vez que, quanto mais elevado o discernimento, mais livre se lhe fará a criação mental originária para libertar e aprisionar, enriquecer e sublimar, agravar os males ou acrescentar os próprios bens na esfera do destino.

09 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES: 464, 661

PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS
Perg. 456. - Os Espíritos vêem tudo o que fazemos?— Podem vê-lo, pois estais incessantemente rodeados por eles. Mas cada um só vê aquelas coisas a que dirige a sua atenção, porque eles não se ocupam das que não lhes interessam.
Perg. 457. - Os Espíritos podem conhecer os nossos pensamentos mais secretos?— Conhecem, muitas vezes, aquilo que desejaríeis ocultar a vós mesmos; nem atos, nem pensamentos podem ser dissimulados para eles.
Perg. 457-a. -Assim sendo, pareceria mais fácil ocultar-se uma coisa a uma pessoa viva, pois não o podemos fazer a essa mesma pessoa depois de morta?— Certamente, pois quando vos julgais bem escondidos, tendes muitas vezes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos vêem.
Perg. 458. - Que pensam de nós os Espíritos que estão ao nosso redor e nos observam?— Isso depende. Os Espíritos levianos riem das pequenas traquinices que vos fazem e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios lamentam as vossas trapalhadas e tratam de vos ajudar.
INFLUENCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE OS NOSSOS PENSAMENTOS E AS NOSSAS AÇÒES.
Perg. 459. - Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?— Nesse sentido, a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem.
Perg. 460. - Temos pensamentos próprios e outros que nos são sugeridos?— Vossa alma é um Espírito que pensa; não ignorais que muitos pensamentos vos ocorrem, a um só tempo, sobre o mesmo assunto e frequentemente bastante contraditórios. Pois bem: nesse conjunto há sempre os vossos e os nossos, e é isso o que vos deixa na incerteza, porque tendes em vós duas idéias que se combatem.
Perg. 461. - Como distinguir os nossos próprios pensamentos dos que nos são sugeridos ?— Quando um pensamento vos é sugerido, é como uma voz que vos fala. Os pensamentos próprios são, em geral, os que vos ocorrem no primeiro impulso. De resto, não há grande interesse para vós nessa distinção, e é frequentemente útil não o saberdes: o homem age mais livremente; se decidir pelo bem, o fará de melhor vontade; se tomar o mau caminho, sua responsabilidade será maior.
Perg. 462. - Os homens de inteligência e de gênio tiram sempre suas idéias de si mesmos?— Algumas vezes as idéias surgem de seu próprio Espírito, mas frequentemente lhes são sugeridas por outros Espíritos, que os julgam capazes de as compreender e dignos de as transmitir. Quando eles não as encontram em si mesmos, apelam para a inspiração; é uma evocação que fazem, sem o suspeitar.
Se fosse útil que pudéssemos distinguir claramente os nossos próprios pensamentos daqueles que nos são sugeridos, Deus nos teria dado o meio de fazê-lo, como nos deu o de distinguir o dia e a noite. Quando uma coisa permanece vaga é que assim deve ser para o nosso bem.
Perg. 463. - Diz-se algumas vezes que o primeiro impulso é sempre bom; isto é exato?— Pode ser bom ou mau, segundo a natureza do Espírito encarnado. E sempre bom para aquele que ouve as boas inspirações.
Perg. 464. - Como distinguir se um pensamento sugerido vem de um bom ou de um mau Espírito?— Examinai-o: os bons Espíritos não aconselham senão o bem; cabe a vós distinguir.
Perg. 465. - Com que fim os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal?— Para vos fazer sofrer como eles.
Perg. 465a. - Isso lhes diminui os sofrimentos?— Não, mas eles o fazem por inveja dos seres mais felizes.
Perg. 661 - Pode-se pedir eficazmente a Deus o perdão das faltas? - Deus sabe discernir o bem e o mal: a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtêm se não mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.