DUPLO ETÉRICO
BIBLIOGRAFIA
01- Alquimia da mente - pág. 45 02 - As potências ocultas do homem - pág. 198
03 - Busca do campo espiritual pela ciência - pág. 102 04 - Correlações Espírito-Matéria - pág. 16,24, 34
05 - Da alma humana - pág. 35, 46, 64, 91, 117, 139 06 - Desenvolvimento mediúnico - pág. 22, 52, 62
07 - Espírito, perispírito e alma - pág. 66, 223 08 - Forças sexuais da alma - pág. 36
09 - Gestação sublime intercâmbio - pág. 107 10 - Manual Dic.Bas.do Espiritismo - pág. 32
11 - Mãos de luz - pág. 77, 97, 212 12 - Mediunidade e medicina - pág. 40
13 - O Livro dos Espíritos - q. 141 14 - O passe Espírita - pág. 84
15 - O que é a morte? - pág. 114

16 - Pureza doutrinária - pág. 58

17 - Saúde e espiritismo - pág. 37, 40, 59, 82 18 - Sexo sublime tesouro - pág. 17
19 - Tambores de Angola - pág. 33 20 - Veladores da luz - pág. 50

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

DUPLO ETÉRICO – COMPILAÇÃO

13 - O Livro dos Espíritos - allan Kardec - questão. 141

Perg. 141 - Há qualquer coisa de certo na opinião dos que pensam que a alma é externa e envolve o corpo?
- A alma não está encerrada no corpo, como o pássaro numa gaiola. Ela irradia e se manifesta no exterior, como a luz através de um globo de vidro ou como o som em redor de um centro sonoro. É por isso que se pode dizer que ela é externa, mas não como um envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios: um, sutil e leve, o primeiro que chamas perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado, que é o corpo.

14 - O passe Espírita - Luiz Carlos M. de Gurgel - pág. 84

CAPÍTULO IV DUPLO ETÉRICO
Segundo André Luiz19, todas as agregações celulares emitem radiações e essas radiações se articulam, através da cooperação funcional, formando em torno dos corpos que as exteriorizam algo que ele denomina tecidos de força. Na obra referida encontramos ainda: "Todos os seres vivos (...), dos mais rudimentares aos mais complexos, se revestem de um "halo energético" que lhes corresponde à natureza. No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo (...)".

O duplo etérico é, pois, um corpo fluídico, que se apresenta como uma duplicata energética do indivíduo, interpenetrando o seu corpo físico, ao mesmo tempo em que parece dele emergir. O duplo etérico emite, continuamente, uma emanação energética que se apresenta em forma de raias ou estrias que partem de toda a sua superfície. Ao conjunto dessas raias é que, geralmente, se denomina aura interna.

E justamente a aura interna que parece ser captada nas fotografias Kirlian dos seres vivos. A aparência da aura interna varia bastante de pessoa para pessoa, principalmente quanto à intensidade e à coloração. Numa mesma pessoa, suas características podem se modificar entre um ponto e outro do organismo e também em função da saúde, da alimentação, dos sentimentos, enfim, das condições gerais em que se encontra o indivíduo.

As raias que formam a aura interna das pessoas variam também quanto à sua intensidade e amplitude. A amplitude, em geral, é maior nas extremidades do corpo, muito embora, mesmo nestes pontos, não chegue além de um ou dois centímetros. Após o ponto em que as estrias da aura interna se extinguem, verifica-se, ainda, por mais de uma dezena de centímetros, já sem acompanhar perfeitamente a forma do corpo, uma luminosidade difusa, que parece envolver a pessoa num casulo vaporoso de formato ovóide. Essa luminosidade, que também se origina das emanações do duplo etérico, é chamada aura externa, ou, simplesmente aura.

A aura é uma espécie de chapa fotográfica sensível em que todos os estados de espírito se fixam com suas mínimas características. Ela é a nossa "fotosfera psíquica", que, apresentando coloração variável, de conformidade com o teor da onda mental que emitimos, retrata, através de cores e imagens, todos os nossos sentimentos e pensamentos, mesmo os mais secretos. É justamente o duplo etérico a principal fonte a fornecer o componente fluídico para produção das formas-pensamento, a respeito de que falamos em capítulo anterior.

Os nossos pensamentos, que, conforme já vimos, são produtos do Espírito, interagem com o envoltório fluídico que nos cerca, produzido principalmente pelas emanações do duplo etérico. Assim são plasmadas as formas-pensamento, que adquirem uma espécie de "vida" própria. Essas formas-pensamento — nossas criações mentais — são verdadeiros "pacotes fluídicos" que, a partir do momento em que se exteriorizam para o ambiente, ficam ao sabor das forças de atração e repulsão que regem os deslocamentos de fluidos.

Sempre que, através dos nossos pensamentos e sentimentos, entramos em ressonância vibratória com um destes "pacotes", ele é imediatamente atraído e, ao atingir-nos, será parcialmente, ou totalmente, assimilado pelo nosso organismo, produzindo em nós efeitos de conformidade com suas características vibratórias específicas: os bons causando bem-estar, os maus induzindo toda sorte de desequilíbrios.

17 - Saúde e espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 37, 40, 59, 82

Concepção Múltipla dos Corpos Espirituais
Na continuidade da revelação espírita, foram recebidas mensagens e realizados experimentos que indicavam a existência de uma pluralidade de corpos espirituais, correspondendo, portanto, aos vários shacras ou koshas (corpos) das doutrinas hinduístas. Dr. Antônio J. Freire registra uma comunicação mediúnica, obtida pelo coronel Albert de Rochas, ditada pelo Espírito Vincent, que, apresentando-se como um espírito extraterrestre, "afirmava que o perispírito é constituído por uma série de invólucros, mais ou menos eterizados, de que os habitantes do Mundo astral se vão desfazendo sucessivamente à medida que se elevam na escala da evolução, não sendo embutidos uns sobre os outros como os tubos dum telescópio, mas interpenetrando-se em todas as suas partes" (1956:96). Como assinalamos acima, as investigações dos grandes magnetizadores levaram à admissão dessa pluralidade de corpos espirituais.

Corpos Espirituais na Obra de Allan Kardec

Investiguemos os textos kardecistas para verificar a existência de algum elemento que tenha antecipado as revelações posteriores.
Ao definir o perispírito, em O Livro dos Espíritos descreveu-o como sendo um laço que liga o Espírito ao corpo físico. Kardec, em lhe perquirindo a natureza, afirmou ser ele constituído de eletricidade, de fluido magnético animalizado, de fluido nervoso, de matéria inerte (LÊ/54, 65, 74.1 e a nota 257; RE/1858, dez.), semi-material (LÊ/94, 135; LM/74.13, 75), "matéria elétrica ou de outra tão sutil quanto esta". É evidente que tais palavras não são sinônimas, e que Kardec procurava abarcar do modo mais amplo a natureza do perispírito, dando a entender a existência de uma constituição plúrima, como se pode deduzir da assertiva de tratar-se de um fluido nervoso.

Se o perispírito se constitui também de fluido nervoso, o Espírito o conduziria, em desencarnando, para o mundo espiritual? Ë' evidente que não, o Espírito terá que desvencilhar-se dele ao abandonar o corpo. Se o perispírito é constituído também de matéria inerte, é justo pensar que esta não acompanharia o corpo espiritual, após a morte do corpo físico. Segundo o Espírito lirasto, o fluido vital é apanágio exclusivo do encarnado (LM/ 98); o Espírito, no fenômeno mediúnico, impele (poussé), dirige o fluido vital fornecido pelo médium (LM/77). Se Kardec considerou essa terminologia, então deve entender-se que, de alguma sorte, ele reconhecia um compósito na natureza do perispírito, enquanto encarnado, ao afirmar, no item 77 de O Livro dos Médiuns, que ele é formado por fluido vital, o elemento que é apanágio do homem. Sendo este o elemento que animaliza a matéria (LÊ/62; G/X: 17), desfazendo-se após a morte do corpo, como elemento constituinte do perispírito (LÊ/70; G/ X: 16), transmissível em parte entre os indivíduos (LÊ/70 nota), devemos identificá-lo como a substância que, exteriorizada, denominamos de ectoplasma.

Erasto, portanto, não estava referindo-se ao fluido vital no sentido em que, algumas vezes, empregou-o André Luiz, como Unido de Espíritos desencarnados, fluido pertencente ao corpo astral, segundo a terminologia que adota (vide, por ex., Ali, 1957:70 - "Colaboram com fluidos vitais e elementos radiantes, altamente sublimados [...] )", referindo-se a colaboradores mediúnicos do mundo invisível. Alentando-se para esse elemento que nasce com o homem e desaparece logo após a sua morte, podemos deduzir que ele o constituinte do duplo etérico, a que também se referem os grandes magnetizadores, os teosofistas e as doutrinas orientais.

Na época não se empregava o termo duplo etérico, corpo ódico etc., mas ao escrever Kardec que o perispírito é constituído de matéria sutil, de matéria nervosa, de matéria inerte, evitentemente estava referindo-se ao perispírito como um corpo complexo, e não de natureza única. Outro indício dessa complexidade registra-se quando Kardec refere-se à evolução do perispírito. No capítulo IV de O Evangelho segundo o Espiritismo, o Espírito São Luís afirma que: "O próprio perispírito sofre transformações sucessivas; ele se eteriza cada vez mais até a depuração completa que constitui os Espíritos puros". Kardec já escrevera: "Nós sabemos que quanto mais eles se depuram, mais a essência do perispírito torna-se etérea; donde se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, isto é, à medida que o perispírito mesmo se torna menos grosseiro" (LÊ/257). E mais,"(...) Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo não tem análogo aqui em baixo" (idem). Em O Livro dos Médiuns (n. 55), anotou também que sua "natureza se eteriza, à medida que ele se de­pura e eleva na hierarquia".

É evidente que duas são as hipóteses para a compreensão dos textos: a) o perispírito tornar-se-ia mais leve, os fluidos menos grosseiros, porém a natureza seria idêntica, e nesse caso não seria necessária a referência a um corpo complexo; b) a eterização do perispírito é de tal ordem que ele abandona determinadas camadas, próprias de certas zonas invisíveis, quando é elevado na hierarquia espiritual, passando a viver em esferas mais altas; nesse último caso, teríamos, nas referências, indicações de uma natureza complexa para o perispírito. As duas hipóteses de compreensão não se excluem, porque as mensagens espirituais que têm sido recolhidas e a própria vidência deixam claro que o perispírito se mostra mais diáfano, mais luminoso, à medida que o Espírito se eleva. O que se põe como questão é se, ao elevar-se para zonas mais próximas da Terra, o Espírito conserva um corpo espiritual da mesma natureza, ou se realmente há uma mudança na sua estrutura, necessária à nova ambientação, o que levaria a admitir a possibilidade de uma complexidade na sua organização.

Em outras palavras, a "evolução do perispírito" não seria mais do que a própria modificação dos corpos espirituais. É claro que Kardec apenas ensaiava o estudo do perispírito (LM/ 51) e, portanto, não poderia conhecer tudo o que lhe dizia respeito (LM/3); os próprios Espíritos não foram muito expressos, quer tivesse sido porque preferissem dosar o ensino, como aliás sempre advertiram, quer porque a linguagem humana assinalava-lhes restrições óbvias, o que também sempre fize­ram questão de acentuar, ou, finalmente, porque a muitos dos comunicadores faltava-lhes conhecimento mais preciso do assunto, o que seria uma decorrência da relatividade dos própri­os Espíritos, conforme tantas vezes assinalou Kardec. No entanto, devemos recordar que no Ensaio Teórico da Sensação nos Espíritos, que constitui o item 257 de O Livro dos Espíritos, Kardec deu mostras de sua larga visão: partindo da eterização do perispírito ("quanto mais eles se depuram, mais a essência do perispírito torna-se etérea"), concluiu que as sensações do ambiente terrestre seriam inacessíveis para Espíritos muito elevados, o que só poderia ocorrer se a sua natureza fosse completamente diferente.

Com esses elementos iniciais, podemos tecer algumas considerações sobre o problema dos corpos espirituais na obra de André Luiz, procurando aclarar alguns detalhes que parecem importantes.
Os Corpos Espirituais na Obra de André Luiz
Na obra de André Luiz, psicografada pelo médium Francis­co Cândido Xavier, há, a partir de seu primeiro livro - Nosso Lar, (a 1a edição é do ano de 1943), no qual relata suas primeiras experiências no mundo espiritual -, referência a vários corpos espirituais: duplo etérico, ao corpo astral, ao corpo mental e ao corpo causal.

TERMINOLOGIA

Inicialmente, devemos lembrar que André Luiz utiliza o termo perispírito em sentido estrito, para significar, tão-somente, o segundo corpo após o organismo físico, que sobreviverá, com algumas diferenças, a este. Ele utiliza os termos corpo astral, corpo espiritual e psicossoma como sinônimos. Para os outros corpos, utiliza vocábulos consagrados entre os magnetizadores e espiritualistas - duplo etéreo, corpo mental e corpo causal. Não se refere à existência de outros corpos que correspondessem aos denominados corpos (ou alma) moral, intuitivo e consciencial, isto é, os Aerossomas V, VI e VII da classificação de Charles Lancelin. A divergência pode tornar-se uma simples questão de palavras, se encararmos o perispírito como sendo um corpo complexo, formado, por assim dizer, de "camadas", sintetizando assim todos os corpos espirituais. Essa é a posição de António I. Freire: a concepção clássica do ternário humano não implica necessariamente a homogeneidade do perispírito (1956:95). As palavras pouco importam aos Espíritos, competindo ao homem formular uma linguagem que elimine controvérsias (LÊ/28).

Duplo Etérico
O eminente Leopoldo Cirne (1870-1941), em Doutrina e Prática do Espiritismo - 1° volume (1920:79 a 91), já deduzia, das experiências de materialização, a existência de um corpo invisível no ser encarnado, distinto do perispírito, que poderia subsistir por algum tempo após a morte física, mas não permaneceria definitivamente ligado ao Espírito desencarnado, a que denominou de corpo etéreo, duplo astral, corpo astral, corpo esse que seria responsável pela possibilidade de materialização dos Espíritos. Depois, na obra O Homem Colaborador de Deus, publicada em 1949, após a sua morte, manteve seu ponto de vista sobre a existência de um corpo não-físico além do perispírito, não o designando mais de duplo (corpo) astral, mas apenas de corpo etéreo, inseparável do corpo físico durante a vida (p.18 s).

No livro Nos Domínios da Mediunidade (1955:90), André Luiz diferencia o perispírito - a que denomina também de corpo astral, corpo espiritual e psicossoma - do duplo etérico, cuja natureza, esclarece como sendo de "um conjunto de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne" (...), "formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal por ocasião da morte renovadora". (LE:70)

O duplo etérico não é mais do que o corpo vital, também denominado de corpo ódico e corpo ectoplásmico, exatamente o que cede o ectoplasma para a produção de efeitos físicos. Nas ocorrências de materialização, por exemplo, ele pode desdobrar-se a partir do corpo físico, permitindo ao Espírito comunicante uma sobreimposição, quando a manifestação ocorre com a sua apropriação por parte daquele, ou pode apenas ceder o ectoplasma disforme que possibilita ao Espírito construir um corpo. No primeiro caso, o Espírito materializado guarda uma certa parecença com o médium, o que tem proporcionado a críticos apressados a alegação de fraude (Bozzano, s.d:139-144).

No entanto, a sua função em relação à mediunidade não se limita a esses fenômenos, senão que diz respeito a toda espécie de fenômeno mediúnico. Tendo perdido, ao desligar-se do corpo físico pela desencarnação, o duplo etérico ou corpo vital, constituído dos fluidos vitais a que se referia Kardec, o Espírito dele necessita para a ligação com o médium, modo pelo qual recupera parcialmente o elemento perdido, o que lhe possibilita atuar sobre a matéria. Quando o médium se desdobra sem muita prática, acaba levando para fora do corpo físico o duplo etérico, e assim, ao vidente, aparece como se fosse um duplo do indivíduo, mas com deformações. Ele não poderá, por isso, distanciar-se do corpo físico mais do que de cinco a dez metros, pois a ultrapassagem desse campo causar-lhe-á a morte. Por outro lado, pode surgir ao vidente como um fantasma com cores diferentes do lado direito e esquerdo, e às vezes também com a cor azul.

Nas experiências do coronel Albert de Rochas com Eusapia Paladino em estado de hipnose, esta descreveu o aparecimento de um fantasma de cor azul, de cuja substância se serviria o Espírito John durante as reuniões. O fato confere com as explicações fornecidas por Katie King (Espírito), existentes no relatório de Florence Marryat, sobre a existência de um corpo do qual se servia, porém que lhe apresentava tal resistência passiva que não lhe era possível evitar os traços de semelhança com o médium, durante as materializações (Bozzano, idem:140). A Vidente de Prevorst (1820) denominou esse corpo de "espírito de nervos" ou "princípio de vitalidade nervosa", cuja função seria permitir a ligação do Espírito com o corpo. Uma sonâmbula do reverendo Werner (1840) também referiu-se a um "fluido nervoso", que seria indispensável para que a alma entrasse em relação com o corpo (Bozzano - idem:141s. Vide ainda Albert de Rochas d'Aiglun - Exteriorizacion de la Motilidad, p. 35).

O coronel De Rochas, Hector Durville, H. Baraduc e outros verificaram, durante as suas experiências de magnetização dos sensitivos, que estes descreviam o desdobramento de um duplo, um "fantasma ódico", que possuía uma cor azulada à esquerda e alaranjada à direita, estando ligado ao corpo físico por um cordão fluídico, fixado na região esplênica (Freire, 1956:51, 91s, 98, 116, 118; Lorenz, 1948:141s). André Luiz (NDM,1955:89s), descrevendo o fenômeno de desdobramento de um médium, fornece-nos alguns dados que permitem a comparação: "O médium, assim desligado do veículo carnal, afastou-se dois passos, deixando ver o cordão vaporoso que o prendia ao corpo somático".

"Enquanto o equipamento fisiológico descansava, imóvel, Castro, tateante e assombrado, surgia junto de nós, numa cópia estranha de si, porquanto além de maior em sua configuração exterior, apresentava-se azulada à direita e alaranjada à esquerda". "Submetido o médium" - esclarece André Luiz - "a operações magnéticas, recuou o duplo até o corpo; este 'engolira instintivamente certas faixas de força', e dentro em pouco, fora da matéria densa, pôde o médium apresentar-se normalmente" (isto é, em corpo astral - idem:90).
Essa deformidade existente na exteriorização do duplo foi observada por ME: "eu vi o corpo do médium, não o corpo físico, mas, sim, o fluídico; estava sentado, tinha, porém, uma instabilidade, isto é, ele se movia de forma instável e havia uma diminuição muito grande dos membros inferiores, e as pernas apresentavam-se curtas e disformes, projetando-se para o lado, era uma parte distorcida, como se visse uma sombra na parede e que, ao movimentar-se o corpo, tomasse a forma distorcida.

A cor era esbranquiçada, era como um duplo do médium". A clarividente verificou que aplicaram uma espécie de "máscara" como a utilizada nos combates de esgrima, antes da tela final de proteção, algo branco, que dava a impressão de ser acolchoado, que tomava parte da testa até (mais ou menos) a boca. Ajustada a "máscara", "o duplo começou a tomar proporções corretas, todo o corpo (fluídico) se reajustou" (observação em 22/11/1989). É de notar-se, porém, que, ao invés de uma figura maior, o médium observou diminuição dos membros. No entanto, em outro registro, anotou: "vimos todo o rosto do médium ondulando como uma imagem desfocada, com uma coloração esbranquiçada, inicialmente".

Comparando-se a descrição de André Luiz com as referidas acima, no que se refere à coloração com que se apresenta o duplo etérico, notamos a divergência quanto à localização das cores azul e alaranjada (ou avermelhada). Em nosso grupo de trabalho, tinha sido também observada a luminosidade avermelhada à direita e a azulada a esquerda, o que não só coincidia com aquelas observações, mas também com as de Karagulla, registradas durante as pesquisas feitas com a notável clarividente Diana (Dora Kunz), a respeito dos pólos do imã. Segundo seu registro, o campo de energia da mão direita (avermelhada) e o pólo sul do imã com uma névoa de cor avermelhada repeliam-se, enquanto que quando segurava o mesmo pólo com a mão esquerda (azulada) ocorria uma atração entre os dois campos. Com o pólo norte, que apresentava uma névoa azulada, ocorreu exatamente o contrário: criou-se um campo de atração com a mão direita e de repulsão com a mão esquerda (1986:123sJ.

As cores dos pólos do imã correspondem à descrição feita pelo barão de Reichenbach acerca de uma experiência realizada em abril de 1774 com a senhorita Nowstuy em Viena: pólo sul - amarelo-avermelhado; pólo norte - azul. Corresponde também às experiências do dr. Luys (vide a respeito Albert de Rochas, 1971:4 e 6s). Haveria uma contradição com a descrição de André Luiz? É certo que o próprio dr. Luys apurou também que alguns sensitivos percebiam o lado direito com uma coloração azul (nos histéricos, violeta) e o lado esquerdo emitindo eflúvios vermelhos, o que coincide com o registro de André Luiz.

A solução da aparente contradição é dada pelo próprio dr. Luys: esclarece ele que os sensitivos muitas vezes invertem as colorações que atribuem aos fluidos, isto é, existem aqueles que vêem vermelho do lado direito e azul do lado esquerdo. Quando isso ocorre, fazem-no sempre do mesmo modo, apresentando-se também as cores dos pólos do imã igualmente alteradas, isto é, invertidas (De Rochas - idem:6, especialmente a nota n. 6). O duplo etérico sói também aparecer à vidência de modo distinto, como se a "pele" que o revestisse fosse retirada e se o enxergasse interiormente. Tivemos, há muito tempo, ocasião de observar ao lado de um médium, enquanto este expressava a comunicação de um Espírito sofredor, um duplo formado de fios finos com uma luminosidade como se fossem tubos de gás néon. Parecia-nos uma múmia, com a particularidade de que os fios eram finíssimos.

Acrescentaremos aqui observações realizadas por outros médiuns: "Comecei a ver o lado direito do médium, da cabeça até em baixo, era como se ele estivesse todo cheio de fios, que pareciam nervos, de uma substância alva, prateada. Eu não via o médium (o corpo físico), somente os fios" (registro do dia 14/10/87 por ME)."(...) aparecia uma formação branca como um 'casulo humano' com um ser todo enrolado por tênues fios brancos" (registro do dia 10/01/90 por DSF (...) percebi todo seu braço até o ombro repleto de canais finos (...). O contorno do braço era prateado" . A descrição coincide com a fornecida por Shaffica Karagulla e Dora Van Gelder Kunz (1989:30): "Para o clarividente, o corpo etérico parece uma teia luminosa de linhas finas brilhantes".