EQUILÍBRIO
BIBLIOGRAFIA
01- A constituição divina - pág. 26 02 - A educação S. o Espiritismo - pág. 71
03 - Caminho, verdade e vida- pág. 65, 157, 355 04 - Convites da vida - pág. 59, 117, 150
05 - Depoimentos vivos - pág. 77 06 - Depois da morte - pág. 116
07 - Do país da luz - vol. i-pág. 201, vol.iv-pág. 102, 129 08 - Estude e viva - pág. 52
09 - Falando à Terra - pág. 43, 195, 212 10 - Florações evangélicas - pág. 77
11 - Fonte viva - pág. 53, 301 12 - Lampadário Espírita - pág. 73
13 - Mãos de luz - pág. 34 14 - Nas pegadas do Mestre - pág. 72
15 - O consolador- pág. 104

16 - O Espírito da Verdade - pág. 81

17 - O Livro dos Espíritos - q.466, 685, 728,812 18 - O ser e a serenidade - pág. 24
19 - Pão Nosso - pág. 25, 113, 123 20 - Passos da vida - pág. 14, 59
21 - Segue-me - pág. 85 22 - Senzala - pág. 216
23 - Universo e vida - pág. 86 - v-11 24 - Vinhas de luz - pág. 43

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

EQUILÍBRIO – COMPILAÇÃO

03 - Caminho, verdade e vida- Emmanuel - pág. 65, 157, 355

25 - TENDE CALMA
"E disse Jesus: Mandai assentar os homens." — (João, 6:10.)
Esta passagem do Evangelho de João é das mais significativas. Verifica-se quando a multidão de quase cinco mil pessoas tem necessidade de pão, no isolamento da natureza. Os discípulos estão preocupados. Filipe afirma que duzentos dinheiros não bastarão para atender à dificuldade imprevista.

André conduz ao Mestre um jovem que trazia consigo cinco pães de cevada e dois peixes. Todos discutem.
Jesus, entretanto, recebe a migalha sem descrer de sua preciosa significação e manda que todos se assentem, pede que haja ordem, que se faça harmonia. E distribui o recurso com todos, maravilhosamente. A grandeza da lição é profunda.
Os homens esfomeados de paz reclamam a assistência do Cristo. Falam nEle, suplicam-lhe socorro, aguardam-lhe as manifestações.

Não conseguem, todavia, estabelecer a ordem em si mesmos, para a recepção dos recursos celestes. Misturam Jesus com as suas imprecações, suas ansiedades loucas e seus desejos criminosos. Naturalmente se desesperam, cada vez mais desorientados, porquanto não querem ouvir o convite à calma, não se assentam para que se faça a ordem, persistindo em manter o próprio desequilíbrio.

71. PARA TESTEMUNHAR
"E vos acontecerá isto para testemunho". - Jesus (Lucas, 21:13)
Naturalmente que o Mestre não folgará de ver seus discípulos mergulhados no sofrimento. Considerando, porém, as necessidades extensas dos homens da Terra, compreende o caráter indispensável das provações e dos obstáculos. A pedagogia moderna está repleta de esforços seletivos, de concursos de capacidade, de testes da inteligência.

O Evangelho oferece situações semelhantes. O amigo do Cristo não deve ser uma criatura sombria à espera de padecimentos; entretanto, conhecendo a sua posição de trabalho, num plano como a Terra, deve contar com dificuldades de toda sorte. Para os gozos falsificados do mundo, o Planeta está cheio de condutores enganados.

Como invocar o Salvador para a continuidade de fantasias? Quando chamados para o Cristo, é para que aprendamos a executar o trabalho em favor da esfera maior, sem ovidarmos que o serviço começa em nós mesmos. Existem muitos homens de valor cultural que se constituiram em mentores dos que desejam mentirosos regalos no plano físico.

No Evangelho, porém, não acontece assim. Quando o Mestre convida alguém ao seu trabalho, não é para que chore em desalento ou repouse em satisfação ociosa. Se o Senhor te chamou, não te esqueças de que já te considera digno de testemunhar.

170. DOMÍNIO ESPIRITUAL
"Não estou só, porque o Pai está comigo". - Jesus (João, 16:32)
Nos transes aflitivos a criatura demonstra sempre onde se localizam as forças exteriores que lhe subjugam a alma. Nas grandes horas de testemunho, no sofrimento ou na morte, os avarentos clamam pelas posses efêmeras, os arbitrários exigem a obediência de que se julgam credores, os supersentimentalistas reclamam o objeto de suas afeições.

Jesus, todavia, no campo supremo das últimas horas terrestres, mostra-se absoluto senhor de si mesmo, ensinando-nos a sublime identificação com os propósitos do Pai, como o mais avançado recurso de domínio próprio. Ligado naturalmente as mais diversas, no dia do Calvário não se prendeu a nenhuma delas.

Atendia ao governo humano lealmente, mas Pilatos não o atemoriza. Respeitava a lei de Moisés; entretanto, Caifás não o impressiona. Amava enternecidamente os discípulos; contudo, as razões afetivas não lhe dominam o coração. Cultivava com admirável devotamento o seu trabalho de instruir e socorrer, curar e consolar; no entanto, a possibilidade de permanecer não lhe seduz o espírito.

O ato de Judas não lhe arranca maldições. A ingratidão dos beneficiados não lhe provoca desespero. O pranto das mulheres de Jerusalém não lhe entibia o ânimo firme. O sarcasmo da multidão não lhe quebra o silêncio. A cruz não lhe altera a serenidade. Suspenso no madeiro, roga desculpas para a ignorância do povo.

Sua liçãode domínio espiritual é profunda e imperecível. Revela a necessidadede sermos "nós mesmos", nos transes mais escabrosos da vida, de consciência tranquila elevada à Divina Justiça e de coração fiel dirigido pela Divina Vontade.

06 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 116

(..) Do trabalho dos seres e das coisas depreende-se uma aspiração para o Infinito, para o perfeito. Todos os efeitos divergentes na aparência convergem realmente para um mesmo centro, todos os fins coordenam-se, formam um conjunto, evolutem para um mesmo alvo. E esse alvo é Deus, centro de toda a atlvldade, fim derradeiro de todo o pensamento e de todo o amor. O estudo da Natureza mostra-nos, em todos os lugares, a ação de uma vontade oculta. Por toda parte a matéria obedece a uma força que a domina, organiza e dirige.

Todas as forças cósmicas reduzem-se ao movimento, e o movimento é o Ser, é a Vida. O materialismo explica a formação do mundo pela dança cega e aproximação fortuita dos átomos. Mas viu-se alguma vez o arremesso ao acaso das letras do alfabeto produzir um poema? E que poema o da vida universal! Já se viu, de alguma sorte, um amálgama de matérias produzir, por si mesmo, um edifício de proporções imponentes, ou um maquinismo de rodas numerosas e complicadas? Entregue a si mesma, nada pode a matéria. Inconscientes e cegos, os átomos não poderiam tender a um fim. Só se explica a harmonia do mundo pela intervenção de uma vontade. É pela ação das forças sobre a matéria, pela existência de leis sábias e profundas, que tal vontade se manifesta na ordem do
Universo.

Objetam multas vezes que nem tudo na Natureza é harmónico. Se produz maravilhas, dizem, cria também monstros. Por toda parte o mal ladeia o bem. Se a lenta evolução das coisas parece preparar o mundo para tornar-se o teatro da vida, cumpre não perder de vista o desperdicio das existências e a luta ardente dos seres. Cumpre não esquecer que tempestades, tremores de terra, erupções vulcânicas desolam algumas vezes a Terra, e destroem, em poucos momentos, os trabalhos de várias gerações. Sim, sem dúvida, há acidentes na obra da Natureza, mas tais acidentes não excluem a ideia da ordem e de um desígnio; ao contrário, apoiam a nossa tese, pois poderíamos perguntar por que nem tudo é acidente.

A apropriação das causas aos efeitos, dos meios aos fins, dos órgãos entre si, sua adaptação às circunstâncias, às condições da vida são manifestas. A indústria da Natureza, análoga em bastantes pontos e superior à do homem, prova a existência de um plano, e a ativldade dos elementos que concorrem para a sua realização denota uma causa oculta, Infinitamente sábia e poderosa. A objeção sobre o fato de existirem monstros provém de uma falta, de observação. Estes mais não são que germes desviados. Se, ao sair, um homem quebra uma perna, torna-se por isso responsável a Natureza ou Deus? Assim também, em consequência de acidente, de desordens sucedidas durante a gestação, os germes podem sofrer desvio no útero materno. Estamos habituados a datar a vida desde o nascimento, desde a aparição à luz, e, entretanto, ela tem o seu ponto de partida muito mais longe.

O argumento arrancado à existência dos flagelos tem por origem uma falsa interpretação do alvo da vida. Não deve esta trazer-nos somente vantagens; é útil, é necessário que nos apresente também dificuldades, obstáculos. Todos nós nascemos e devemos morrer, e, no entanto, admlramo-nos de que certos homens morram por acidente! Seres passageiros neste mundo, de onde nada levamos para além, lamentamo-nos pela perda de bens materiais, de bens que por si sós se teriam perdido em virtude das leis naturais! Esses acontecimentos espantosos, essas ca­tástrofes, esses flagelos trazem consigo um ensino. Lembram que da Natureza não devemos só esperar coisas agradáveis, mas, principalmente, coisas propícias à nossa educação e ao nosso adiantamento; que não estamos neste mundo para gozar e adormecer na quietação, mas para lutar, trabalhar, combater.

Demonstram que o homem não foi feito unicamente para a Terra, que deve olhar mais alto, dar-se às coisas materiais em justos termos, e refletir que seu ser não se destrói com a morte. A doutrina da evolução não exclui a das causas primárias e das causas finais. A alta idéia que se pode fazer de um ordenador é supô-lo formando um mundo capaz de se desenvolver por suas próprias forças, e não por uma intervenção incessante, por contínuos milagres.

A Ciência, à proporção que se adianta no conhecimento da Natureza, tem conseguido fazer recuar a idéia de Deus, mas esta se engrandece, recuando. O Ser eterno, do ponto de vista teórico, tornou-se tão majestoso como o Deus fantástico da Bíblia. O que a Ciência derruiu para sempre foi a noção de um Deus antropomorfo, feito à imagem do homem, e exterior ao mundo físico. Porém, a essa noção veio substituir uma outra mais elevada, a de Deus, imanente, sempre presente no seio das coisas. Para nós, a idéia de Deus não mais exprime hoje a de um ser qualquer, porém, sim, a do Ser que contém todos os seres.

O Universo não é mais essa criação, essa obra tirada do nada de que falam as religiões. É um organismo imenso animado de vida eterna. Assim como o nosso corpo é dirigido por uma vontade central que governa os seus atos e regula os seus movimentos, do mesmo modo que através das modificações da carne nos sentimos viver em uma unidade permanente a que chamamos Alma, Consciência, Eu, assim também o Universo, debaixo de suas formas cambiantes, variadas, múltiplas, reflete-se, conhece-se, possui-se em uma Unidade viva, em uma Razão consciente, que é Deus.

08 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 52

Tua prosperidade
Tua prosperidade não transparece unicamente da face material do teu dinheiro, das tuas posses, da tua casa, dos teus bens. Ela se compõe das experiências que ajuntaste, de alma transida, ante as incompreensões que te cercaram as horas. Forma-se dos conhecimentos nobilitantes que amealhaste pelo estudo perseverante com que te habilitas ao privilégio de minorar a fadiga e o sofrimento dos irmãos que te acompanham à retaguarda, sem luz que os norteie... Ergue-se das palavras temperadas de prudência e de amor que as provações atravessadas com paciência te acumularam no escrínio da alma, transfigurando-te em socorro aos caídos...

Eleva-se dos gestos de compaixão, que amontoaste à custa das disciplinas a que te submeteste em favor dos que amas, pelas quais adquiriste o tato capaz de arredar a discórdia no nascedouro...Avoluma-se nas migalhas de tempo, que sabes extrair das obrigações retamente cumpridas, para que te não falte a oportunidade de trabalhar no amparo aos menos felizes...

Tua prosperidade brilha nos exemplos de fraternidade com que dignificas a vida, nas demonstrações de altruísmo com que suprimes a crueldade, nos testemunhos de fé renovadora com que levantas os tíbios ou nos atos de humildade com que desarmas a delinquência.
Reparte com o próximo os valores que trans­portas no espírito.Aquele que verdadeiramente serve, distribui sem nunca empobrecer-se. Quem mais deu e quem mais dá sobre a Terra è Jesus-Cristo, cuja riqueza verte, infinita, dos tesouros do coração.


11 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 53, 301

19. APASCENTA: "Apascenta as minhas ovelhas". - Jesus (João 21:27)
Significativo é o apelo do Divino Pastor ao coração amoroso de Simão Pedro para que lhe continuasse o apostalado. Observando na Humanidade o seu imenso rebanho, Jesus não recomenda medidas drásticas em favor da disciplina compulsória. Nem gritos, nem xingamentos. Nem cadeia, nem forca. Nem chicote, nem vara. Nem castigo, nem imposição. Nem abandono aos infelizes, nem flagelação aos transviados.

Nem lamentações, nem desepero. "Pedro, apascenta as minhas ovelhas!" Isso equivale a dizer: - Irmão, sustenta os companheiros mais necessitados que tu mesmo. Não te desanimes peranta a rebeldia, nem condenes o erro, do qual a lição benéfica surgirá depois. Ajuda ao próximo, ao invés de vergastá-lo. Educa sempre. Revela-te por trabalhador fiel.

Sê exigente para contigo mesmo e ampara os corações enfermiços e frágeis que te acompanham os passos. Se plantares o bem, o tempo se incumbirá da germinação, do desenvolvimento, da florescência e da frutificação, no instante oportuno. Não analises, destruindo. O inexperiente de hoje pode ser o mentor de amanhã. Alimenta a "boa parte" do teu irmão e segue para diante. A vida converterá o mal em detritos e o Senhor fará o resto.

134. BUSQUEMOS O EQUILÍBRIO: "Aquele que diz permanecer nele, deve também andar como ele andou." - João. (João 2:6)
Embora devas caminhar sem medo, não te cases à imprudência, a pretexto de cultivar desassombro. Se nos devotamos ao Evangelho, procuremos agir segundo os padrões do Divino Mestre, que nunca apresentam lugar à temeridade. Jesus salienta o imperativo da edificação do Reino de Deus, mas não sacrifica os interesses dos outros em obras precipitadas.

Aconselha a sinceridade do "sim, sim - não, não", entretanto, não se confia à rudeza contundente. Destaca as ruínas morais do farisaísmo dogmático, todavia, rende culto à Lei de Moisés. Reergue Lázaro do sepulcro, contudo, não ali­menta a pretensão de furtá-lo, em definitivo, à morte do corpo. Consciente do poder de que se acha investido, não menospreza a autoridade política que deve reger as necessidades do povo e ensina que se deve dar "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".

Preso e sentenciado ao suplício, não se perde em bravatas labiais, não obstante reconhecer o de-votamento com que é seguido pelas entidades angélicas. Atendamos ao Modelo Divino que não devemos esquecer, desempenhando a nossa tarefa, com leal­dade e coragem, mas evitemos o arrojo desnecessá­rio, que vale por leviandade perigosa.

Um coração medroso congela o trabalho. Um coração temerário incendeia qualquer ser­viço, arrasando-o.
Busquemos, pois, o equilíbrio com Jesus e fugiremos, naturalmente, ao extremismo, que é sempre o escuro sinal da desarmonia ou da violência, da perturbação ou da morte.

12 - Lampadário Espírita - Joana de Ângelis - pág. 73

Se a dúvida, a respeito da imortalidade, te espicaça a mente, sombreando tuas convicções de receio e angústia, interroga o amor, e ele te responderá com segurança que nada perece senão para se transformar e renascer sob outra modalidade, com novas características. Se a suspeita se insinua, utópica, no conforto moral que haures no intercâmbio espiritual com os que transpuseram a vala de cinza e lama, inquire o amor e ele te afirmará que ninguém, que ame, esquecerá os amores que ficaram, onde quer que se encontrem.

Diante dos prepotentes do gozo, que parecem es­carnecer dos objetivos espirituais que acalentas, indaga do amor e ele te explicará quanto à loucura que o prazer encerra, quando destituído de legitimidade. Diante dos poderosos e frios depositários da vã cultura, que menosprezam as informações cristãs e espíritas que te enriquecem a vida, pergunta ao amor e identificarás, por ele, o nivelamento da matéria que veste todos os homens, mesmo quando parecem eretos...

Fita os que muito amaram e amando permanecem depois que partiram os seus amados, e compreenderás que aqueles que se mantêm vigorosos e confiantes assim estão porque esperam o reencontro, abraçados que seguem, desde hoje, pelos que tiveram o corpo decomposto, mas não se extinguiram...Mortos estão os usuários da rebeldia, os campeões da corrupção, os enclausurados no primitivismo em que se comprazem. Nada vêem e possuem olhos, nada escutam, embora detentores de caixa acústica, nada compreendem, apesar de portadores da máquina racional...

Fixaram-se no que preferem como princípio, meio e fim da viagem física. Enlouqueceram, conquanto a aparência enganosa da sanidade. As plantas carnívoras têm luxuriantes contornos e atraem, vigorosas... A metástase cancerógena se disfarça, muitas vezes, com síndromes desconcertantes... O entorpecente aniquilador da sensibilidade parece inócuo.. A noite estrelada parece um dossel salpicado de gemas pequeninas... Parecem, mas não são!...Conversando com o amor em todo lugar onde se revela, aprenderás a cantar felicidade, descobrindo a alegria plena nas pautas da convicção esposada, como normativa de vida espiritual.

Ouvirás com ele a voz de Jesus, há dois mil anos, apascentando os caídos, desiludidos, enfermos, ignorantes e sofredores de todo o jaez, pelos difíceis roteiros da elevação moral. Acompanharás, também, com ele, a balada de Francisco de Assis, sobre o irmão sol, a irmã água, o irmão fogo, o irmão jumento...Identificarás o Excelso Governador do Universo em toda a parte, fazendo germinar o grão no adubo e formar-se a galáxia na nebulosa colossal. ..

Porque o amor possui a linguajem clara e insofismável da verdade consoladora, luminativa e transcendental que tudo explica, tudo elucida, tudo realiza. Atenazado, portanto, pela dúvida ou pelo desânimo, vigiado pela suspeita ou pelo medo, malsinado pelo desdém ou pelo escárnio, desacreditado pelo desprezo ou pelo reproche dos que a si se arrogam o direito da felicidade e somente a si se permitem a melhor conquista, não te inquietes nem te perturbes.

O «Colosso de Rodes», imponente e majestoso, foi tragado por inesperado terremoto.
A dominadora Cleópatra deixou-se fulminar por pequenino ofídio. Tibério César, que dominou o mudo do seu tempo e em cuja governança transcorreu a tragédia da Cruz, partiu, também, da Terra, enlanguecido e acovardado, conduzido pelo veículo da desencarnação. Consulta o amor sempree a todo o instante e o amor te ensinará a amar tudo e todos, amando-te também e fazendo-te harmonia em ti mesmo, na sinfonia da vida indestrutível, que reflete o amor incessante do Nosso Pai Celestial.

16 - O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - pág. 81

NA SAÚDE, NA DOENÇA - Cap. XVII — Item 11
Em toda circunstância, trate a própria saúde, prevenindo-se da doença com os recursos encontrados em você mesmo. Cada dia é novo ensejo para adquirirmos enfermidade ou curar nossos males. O melhor remédio, antes de qualquer outro, é a vontade sadia, porque a vontade débil enfraquece a imaginação e a imaginação doentia debilita o corpo. Doença do corpo pode criar doença da alma e doença da alma pode acarretar doença do corpo.

Vida atribulada nem sempre significa vida bem vivida. Conquanto a existência em torno possa mostrar-se febricitante e turbilhonária, resguarde-se contra as intempéries emocionais no clima íntimo do próprio ser, ajudando e servindo com alegria aos menos felizes, na certeza de que o enfermeiro diligente conserva a integridade mental, muito embora convivendo, dia a dia, com dezenas de enfermos em grandes desequilíbrios. Somos parte integrante da farmácia do nosso próximo.

Observe as reações que a sua presença provoca no semelhante e pacifique aqueles com quem convive, não só pela palavra, mas até mesmo pela aparência e pelas atitudes, pois com a simples aproximação funcionamos como tranquilizadores ou excitantes de quem nos cerca, aliviando ou agravando os seus padecimentos físicos e morais...Muitas doenças nascem da suspeita injustificável. Seja sincero com você e com os outros na apreciação de sintomas que se reportem a desajustamentos orgânicos, tratando de assuntos dessa natureza, sem alarde e sem exagero.

O maior restaurador de forças é a consciência reta que asserena as emoções. Se o leito de dor é agasalho imposto ao seu corpo enfermo, lembre-se de que a meditação é santuário invisível para o abrigo do espírito em dificuldade e que a prece refunde e sublima as energias da alma. Doença é contingência natural, inevitável às criaturas em processo de evolução; por isso, esforce-se por abolir inquietações quanto a problemas de saúde física, atendendo ao equilíbrio orgânico e confiando na Vontade Superior.
André Luiz


17 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 466, 685, 728, 812

Perg. 466 - Por que permite Deus que os Espíritos nos incitem ao mal? - Os Espíritos imperfeitos são os instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens no bem. Tu, sendo Espírito, deves progredir na ciência do infinito, e é por isso passas pelas provas do mal até chegar ao bem. Nossa missão é a de ter pôr no bom caminho, e quando más influências agem sobre ti, és tu que as chamas, pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em teu auxílio no mal, quando tens a vontade de o cometer; eles não podem ajudar-te no mal senão quando tu desejas o mal. Se és inclinado ao assassínio, pois bem! terás uma nuvem de Espíritos que entreterão esse pensamento em ti; mas também terás outros, que tratarão de te influenciar para o bem, o que faz que se requilibre a balança e te deixe senhor de ti.

Perg. 685 - O homem tem direito ao repouso na sua velhice? - Sim, pois não está obrigado a nada, senão na proporção de suas forças.

Perg. 685a- Mas o que fará o velho que precisa trabalhar para viver e não pode? - O forte deve trabalhar para o fraco; na falta da família, a sociedade deve ampará-lo: é a lei da caridade.
Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, tomas as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. (..)

Perg. 728- A destruição é uma Lei da Natureza? - É necessário que tudo se destrua, para renascer e se regenerar; porque isso a que chamais destruição não é mais que a transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

Perg. 728a - O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos com fins providenciais? - As criaturas de Deus são os instrumentos de que ele se serve para atingir os seus fins. Para se nutrirem, os seres vivos se destroem entre si, e isso com o duplo objetivo de manter o equilíbrio da reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e de utilizar os restos do invólucro exterior. Mas é apenas o invólucro que é destruído, e esse invólucro não é mais do que acessório, não a parte essencial do ser pensante, pois este é o princípio inteligente, indestrutível, que se elabora por meio das diferentes metamorfoses por que passa.

Perg. 812 - Se a igualdade das riquezas não é possível, acontece o mesmo com o bem-estar? - Não; mas o bem-estar é relativo e cada um poderia gozá-lo, se todos se entendesse bem...Porque o verdadeiro bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade e não em trabalhos pelos quais não se tem nenhum gosto. Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. O equilíbrio existe em tudoe é o homem quem o perturba.

19 - Pão Nosso - Emmanuel - pág. 25, 113, 123

7. A SEMENTE: "E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão de trigo ou de outra qualquer semente". - Paulo (I Corintios, 15:37)

Nos serviços da Natureza, a semente reveste-se, aos nossos olhos, do sagrado papel de sacerdotisa do Criador e da Vida. Gloriosa herdeira do poder divino, coopera na evolução do mundo e transmite silenciosa e sublime lição, tocada de valores infinitos, à criatura.
Exemplifica sabiamente a necessidade dos pontos de partida, as requisições justas de trabalho, os lugares próprios, os tempos adequados. Há homens inquietos e insaciados que ainda não conseguiram compreendê-la. Exigem as grandes obras de um dia para outro, impõem medidas tirânicas pela força das ordenações ou das armas ou precada dia lhe podem oferecer e saberia vigiar, com acentuado valor, os patrimônios próprios.

Indubitável que as paisagens se modificarão incessantemente, compelindo-nos a enfrentar surpresas desagradáveis, decorrentes de nossa atitude inadequada, na alegria ou na dor; contudo, representa impositivo da lei a nossa obrigação de prosseguir diariamente, na direção do bem.

A ansiedade tentará violentar corações genero­sos, porque as estradas terrenas desdobram muitos ângulos obscuros e problemas de solução difícil; entretanto, não nos esqueçamos da receita de Pedro. Lança as inquietudes sobre as tuas esperanças em Nosso Pai Celestial, porque o Divino Amor cogita do bem-estar de todos nós. Justo é desejar, firmemente, a vitória da luz, buscar a paz com perseverança, disciplinar-se para a união com os planos superiores, insistir por sintonizar-se com as esferas mais altas. Não olvides, porém, que a ansiedade precede sempre a ação de cair.

56. ÊXITOS E INSUCESSOS - "Sei viver em penúria e sei também viverem abundância". - Paulo (Felipenses, 4:12)

Em cada comunidade social, existem pessoas numerosas, demasiadamente preocupadas quanto aos sucessos particularistas, afirmando-se ansiosas pelo ensejo de evidência. São justamente as que menos se fixam nas posições de destaque, quando convidadas aos postos mais altos do mundo, estragando, desastradamente, as oportunidades de elevação que a vida lhes confere.

Quase sempre, os que aprenderam a suportar a pobreza é que sabem administrar, com mais propriedade, os recursos materiais. Por esta razão, um tesouro amontoado para quem não trabalhou em sua posse é, muitas vezes, causa de crime, separatividade e perturbação. Pais trabalhadores e honestos formarão nos filhos a mentalidade do esforço próprio e da cooperação afetiva, ao passo que os progenitores egoístas e descuidados favorecerão nos descendentes a inutilidade e a preguiça.

Paulo de Tarso, na lição à igreja de Filipos, réfere-se ao precioso imperativo do caminho no quei se reporta ao equilíbrio, demonstrando a necessidade] do discípulo, quanto à valorização da pobreza e da fortuna, da escassez e da abundância. O êxito e o insucesso são duas taças guardando elementos diversos que, contudo, se adaptam às mesmas finalidades sublimes. A ignorância humana, entretanto, encontra no primeiro o licor da embriaguez e no segundo identifica o fel para a desesperação. Nisto reside o erro profundo, porque o sábio extrairá da alegria e da dor, da fartura ou da escassez, o conteúdo divino.


51. SOCORRE A TI MESMO: "Pregando o Evangelho do reino e curando todas as enfermidades". - (Mateus,9:35)

Cura a catarata e a conjuntivite, mas corrige a visão espiritual de teus olhos. Defende-te contra a surdez, entretanto, retifica o teu modo de registrar as vozes e solicitações variadas que te procuram. Medica a arritmia e a dispneia, contudo, não entregues o coração à impulsividade arrasadora. Combate a neurastenia e o esgotamento, no entanto, cuida de reajustar as emoções e tendências.
Persegue a gastralgia, mas educa teus apetites à mesa. Melhora as condições do sangue, todavia, não o sobrecarregues com os resíduos de prazeres inferiores.

Guerreia a hepatite, entretanto, livra o fígado dos excessos em que te comprazes. Remove os perigos da uremia, contudo, não sufoques os rins com os venenos de taças brilhantes. Desloca o reumatismo dos membros, reparando,! porém, o que fazes com teus pés, braços e mãos. Sana os desacertos cerebrais que te ameaçam, todavia, aprende a guardar a mente no idealismo superior e nos atos nobres.

Consagra-te à própria cura, mas não esqueças a pregação do Reino Divino aos teus órgãos. Eles são vivos e educáveis. Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito para a inutilidade.


23 - Universo e vida - Áureo - pág. 86 - v-11

11. EQUILÍBRIO VITAL
O perispírito de um encarnado não tem maiores problemas de alimentação, porque além dos princípios atmosféricos de que se beneficia, através dos condutos respiratórios do aparelho corporal, se nutre natural e automaticamente dos recursos vitais do patrimônio sanguíneo do corpo carnal, a que fortemente se radica. O problema de alimentação do corpo espiritual surge com a desencarnação, porque então o psicossoma precisa nutrir-se por seus próprios meios, de maneira direta, o que nem sempre consegue fazer com facilidade, por insciência ou indisciplina da mente, ou em razão da grande densidade fluídica de sua própria tessitura estrutural.

De notar, neste capítulo, que no mundo chamado físico, ou material, tudo é como se fosse dúplice ou, melhor dizendo, como se tivesse duas faces ou aspectos, ou ainda, num modo de dizer talvez mais apropriado, como se existisse em duas dimensões vibratórias de um mesmo plano: — o da matéria propriamente dita e o da antimatéria. A bipolaridade é lei geral a manifestar-se naturalmente na universalidade dos fenômenos físicos ocorrentes em nosso orbe.

Já assinalamos, em página anterior, que a multiplicidade de aspectos e de níveis a serem considerados, no que tange ao problema da alimentação dos desencarnados terráqueos, impede analisemos a questão de qualquer ponto de vista bitolado e estreito. E como não pretendemos aqui senão registrar alguns apontamentos ligeiros, a respeito de um ou outro pormenor significativo das realidades sob nossa observação, dispensamo-nos de qualquer generalização acerca deste assunto. Desejamos apenas alertar a atenção dos companheiros estudiosos para certos fatos, como o de ser a sensação de fome e certas compulsões viciosas alguns dos mais frequentes detonadores de atividades parasitárias obsessivas e até predatórias de muitos espíritos desencarnados, sobre os encarnados e sobre recém-desencarnados que lhes caem sob o jugo.

Geralmente, porém, não se trata de vampirismo unilateral puro e simples, mas de complexos fenômenos de simbiose, caracterizando situações que, em razão disso, impedem tratamentos sumários, exigindo ação paciente e cautelosa dos benfeitores espirituais, cujo senso de responsabilidade não se permite intempestividades arbitrárias e injustas. Se a natureza não dá saltos e a evolução não se improvisa; se, além disso, todos os seres têm o mesmo fundamental direito à existência, e, pois, à alimentação de que carecem para mante-la; então, não nos podemos esquecer de que é no equilíbrio dos contrários que a lei natural fundamenta a ordem que sustenta a vida. Assim, cada ser dará compulsoriamente daquilo que tem, àquele outro que precisa, para, por sua vez, conseguir o de que necessita e daquele outro pode, em troca, obter.

Obsessivos comensais de lares que os sustentam transformam-se, em razão disso, em seus defensores naturais, atendendo assim a necessidades próprias. A associação de interesses é regra de conduta que a divina lei de amor impõe naturalmente em toda parte. Disso se infere que, ainda aí, como em tudo mais, o bem sempre prevalece, de tal modo que todo mal nele se anula e dissolve. Imaginar coisa diversa implica supor o absurdo de uma limitação à completa e substancial vitória da vontade absoluta de Deus, que é, afinal, o Soberano Bem, onipresente e eternamente ativo.

24 - Vinhas de luz - Emmanuel - pág. 43

16. TU, PORÉM - "Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina." — Paulo. (Tito, 2:1.)
Desde que não permaneças em temporária inibição do verbo, serás assediado a falar em todas as situações. Convocar-te-ão a palavra os que desejam ser bons e os deliberadamente maus, os cegos das estradas sombrias e os caminheiros das sendas tortuosas. Corações perturbados pretenderão arrancar-te expressões perturbadoras. Caluniadores induzir-te-ão a caluniar. Mentirosos levar-te-ão a mentir. Levianos tentarão conduzir-te à leviandade. Ironistas buscarão localizar-te a alma no falso terreno do sarcasmo. Compreende-se que procedam assim, porquanto são ignorantes, distraídos da iluminação espiritual. Cegos desditosos sem o saberem, vão de queda em queda, desastre a desastre, criando a desventura de si mesmos.

Tu, porém, que conheces o que eles desconhecem, que cultivas na mente valores espirituais que ainda não cultivam, toma cuidado em usar o verbo, como convém ao Espírito do Cristo que nos rege os destinos. É muito fácil falar aos que nos interpelam, de maneira a satisfazê-los, e não é difícil replicar-lhes como convém aos nossos interesses e conveniências particulares; todavia, dirigirmo-nos aos outros, com a prudência amorosa e com a tolerância educativa, como convém à sã doutrina do Mestre, é tarefa complexa e enobrecedora, que requisita a ciência do bem no coração e o entendimento evangélico nos raciocínios. Que os ignorantes e os cegos da alma falem desordenadamente, pois não sabem, nem vêem ... Tu, porém, acautela-te nas criações verbais, como quem não se esquece das contas naturais a serem acertadas no dia próximo.

25 - ESPIRITISMO: MEDO OU PRECONCEITO - HELENA CARVALHO

EQUILÍBRIO: Como evitar sofrimentos em vida e após a morte.

"Que todos os que têm coração ferido pelas vicissitudes e as decepções da vida, interroguem friamente a própria consciência !" ESE - A. Kardec

A - VICIAÇÕES MENTAIS

A mente viciada na produção de pensamentos negativos constitui-se num velho entrave para a manutenção do equilíbrio do ser humano. Toda a população do mundo praticamente sofre desse mal que é de modo geral o maior flagelo psíquico da humanidade sofredora.

Nossa preocupação com tudo, nosso desconhecimento dos mecanismos que regem a vida psíquica, nosso despreso pelos ensinamentos transmitidos pelas correntes espiritualistas que advertem as criaturas para a importância fundamental do pensamento, são os responsáveis pela má distribuição de nossas energias mentais que, desgovernadas, sem o mínimo critério, encarregam-se de disseminar o desequilíbrio ao ser humano que nada mais é, hoje em dia, que um necessitado ao extremo de recursos específicos para o mal que denominam "dos nervos". Todo mundo hoje em dia sofre de perturbação psíquica, estão todos carentes de calmantes, de remédios para dormir, de tratamentos com psicólogos, com psiquiatras, com especialistas em psicossomática.

Ê evidente que não podemos prescindir do Evangelho Cristão quando nos propomos a equilibrar nossa vida mental. Ainda que tragamos problemas antigos, de natureza cármica ou preocupações existenciais provocadas por desajustes familiares ou sociais, quando devotados aos preceitos do Evangelho temos a nosso favor toda uma estrutura normativa agindo como condicionante e como tônico para reforçar os golpes psíquicos e morais que recebemos (ou somos passíveis de receber) diariamente.

Dessarte, o fortalecimento mental também se dá pelos hábitos evangélicos da prece e da ligação com os planos superiores, o que facilita a manutenção de ideias sadias, otimistas, saneamento básico para toda psique necessitada de equilíbrio.

Se nos ligarmos a assuntos menos dignos e mantivermos desejos (ainda que não completamente conscientes) de prejuízo ao próximo estaremos fazendo convite em altos brados para que a população espiritual ajustada a tais desvios venha toda juntar-se a nós, aumentando nossa infeliz tendência e capacidade para a promoção do mal.

Lembremo-nos de que o pensamento cristaliza-se em formas, produzindo como que um verdadeiro "cinema" à nossa volta, com is imagens sucessivas movendo-se. . . durando algum tempo. Sendo formas infelizes e degeneradas, então, atraem Espíritos e outras produções desgarradas e do mesmo teor as quais se juntam às que formulamos.

Desse modo, podemos fazer idéia do que seja um "envoltório" psíquico de pessoa afeita à fermentação das idéias negativas. E se essa produção aumentar, estejamos seguros de que propiciará a instalação de uma auto-obsessão.

Dizer, nesses casos, que são os Espíritos que obsidiam essas criaturas, será trocar o efeito pela causa. Na realidade, nesses casos, são os encarnados que propiciam um clima específico para os pobres incautos disponíveis e sem objetivo, a vagar pela erraticidade.

São como que atraídos e apreendidos numa verdadeira teia de tecido espiritual deletério, como moscas apanhadas por aranha famélica (no caso, a aranha seria o encarnado posto em atividade pela emissão pegajosa e nauseante do pensamento pessimista).

Quando dizemos da necessidade de nos orientarmos quanto ao mundo espiritual e suas facetas importantíssimas, nós o fazemos com vistas ao nosso bem-estar.

Formas-pensamentos limpas, imagens cristalinas, favorecem a recepção e o engajamento de outras que se lhes assemelham condicionantes de sugestões sadias, de um raciocínio adequado e de soluções rápidas às necessidades cotidianas. Em outras palavras, a inteligência torna-se livre para seu total exercício, o humor certamente será outro, porque assim como a sintonia do cidadão lhe possibilita captar as ondas de pensamentos elevados, também seu organismo perispiritual se predispõe à assimilação das emanações fluídicas de zonas vibratoriais superiores que não se mesclam nem se confundem com a atmosfera terrena, de frequência pesada, comum à maioria dos encarnados.

Em vista disso, o que nos lembra a coerência da velha recomendação popular de que é sempre Moisés quem precisa esforçar-se para subir ao topo da montanha e não o inverso, nós é que devemos aprender a elevar-nos vibratroriamente até onde os fluidos superiores se encontram, projetando nosso Eu de encontro às fontes do Amor, estejam elas onde estiverem, pois o pensamento não tem barreiras e pode chegar, com auxílio da fé, até as altas regiões da Espiritualidade Maior.

B - O PIOR DOS VÍCIOS

Nos estágios inferiores da evolução espiritual encontramos Espíritos ainda muito apegados às viciações mentais de tal sorte que, obsidiados por eles mesmos, recusam-se a toda e qualquer ajuda, mormente das Correntes Socorristas que percorrem a Crosta e o Umbral, no atendimento aos inúmeros necessitados.

Muitos há que se deixam levar tão avante nesses processos desagregadores que com frequência obstam até mesmo à penetração em seus perispíritos dos fluidos regeneradores que através de processos especiais essas falanges caridosas tentam aplicar-lhes.

Pouco resultado obtêm, pois, os esforços dos bons obreiros desencarnados quando encontram criaturas enclausuradas dentro de si mesmas e totalmente infensas à ação saneadora dos socorristas.

Tal se passa também com os encarnados que se entregam ao mesmo tipo de viciação. Embora seja exclusivamente mental, este é um dos piores vícios de que padece a humanidade sofredora, sendo aquele que deve encabeçar a lista geral, em termos de prejuízos reais.

Nem sempre a conduta normal do homem é resposta negativa à pergunta que façamos sobre ser este ou aquele indivíduo portador e fomentador deste flagelo. Na realidade, difícil de detectar no campo físico, no espiritual, contudo, as criaturas viciadas são facilmente identificáveis pelo halo nauseante que lhes envolve o perispírito. Realmente, cercados de matéria mefítica, é como se fossem monturos deslocando-se e atraindo pelo quimiotropismo espiritual, elementos de duração efêmera, mas, em todo caso, com forma e capacidade de agregação, que vibram em sintonia com esse material viscoso.

Só quem tem acesso ao plano espiritual pelas vias mediúnica é que poderá, talvez, avaliar tal efeito.

Todavia, no nosso planeta, as pessoas que apresentam quadros emaranhados de doenças formando encadeamentos mórbidos, são provavelmente portadores dessas viciações que se traduzem no corpo físico por um estado doentio crônico, de intoxicações permanentes.

Tornam-se as principais responsáveis pelo desencadeamento desses processos malsãos as grandes crises sociais, quando proliferam os vícios de toda sorte, exacerbados pela degenerescência moral: épocas de grande carestia, de flagelos sociais como as guerras, a peste, a fome, a miséria.

Desejando fugir desse estado de coisas as pessoas que não possuem a fé necessária passam a mascarar a vida, produzindo mentalizações onde todos os seus desejos são atendidos.

Embora as criações de ordem positiva sejam praticamente inofensivas, o mesmo não poderá dizer quando elas degenerem passando a idealizar o mal e morbidez.

Nem é preciso dizer que se não houver uma reação saneadora nesse sentido, as pessoas estão arriscadas a cair num estado depressivo violento que lhes trará a morte rápida e consequente incursão de seu perispírito pelas zonas umbralinas, onde o campo mental em desvario encontrará seu natural "habitat".

C - LUCROS ETERNOS DE PERDAS TEMPORÁRIAS

No livro AGENDA CRISTÃ, psicografado por Chico Xavier, André Luiz salienta que é preciso saber aproveitar ao máximo as experiências da vida, sejam elas quais forem, ainda mesmo que desagradáveis ou contundentes, extraindo das mesmas lições de caráter eterno, para nosso aproveitamento.

Destarte, em lugar de nos tornarmos irascíveis e desarticulados pela experiência difícil de possuir companheiros afeitos às brutalidades e às grosserias, por exemplo, aproveitêmo-la na totalidade arregimentando nossos esforços na oportunidade ímpar do treino amoroso. Agridem-nos? Exercitemos a paciência e o perdão. Detestam--nos? Sejamos cada vez mais serviçais, mais atentos. Treinemos nossa capacidade de superação.

Nada fica sem resposta. E ela haverá de vir, a seu tempo. Ainda que por enquanto não seja conseguido um resultado palpável, essa elaboração do edifício amoroso não deixará de se efetuar e quando a construção estiver pronta e seus ocupantes sentirem-se dentro da mesma, fatalmente cairão em si, percebendo a parte que lhes toca, em gratidão, de tudo quanto foi feito em torno deles, ainda que na época não o merecessem.

Jamais o produto de uma vida de dedicação ao próximo restringir-se-á ao seu promotor. A riqueza dos exemplos de fraternidade e de altruísmo se esparrama como um halo de luz intensa e fatalmente — cedo ou tarde — atingirá, para enriquecer, também, aqueles que estiverem ao seu alcance.

Tem havido casos de criaturas que se desencarnaram na condição de protegidos, sem nunca haverem retribuído aquilo que receberam e que, conscientizados, depois, desse estado de coisas (porque a morte tem esse poder), tornam-se prisioneiros desses ambientes onde exerceram seu despotismo e sua crueldade em face de seus benfeitores.

Então, enquanto o que doou suas energias amorosas durante a existência, desliga-se imediatamente com o desencarno, passando de maneira leve e feliz para o plano da Espiritualidade, aquele que nada fez senão exercitar suas leviandades e fraquezas permanece imantado ao terreno de suas atuações passadas, tentando a todo custo desfazer as tramas que sua incompetência moral criou.

É esse o sofrimento do Espírito e o responsável também pelo aparecimento das chagas que lhe abrem no corpo perispiritual e que o fazem muitas vezes enlouquecer de tanta dor; bem semelhantes às dores físicas que o encarnado sente na Terra, em face de certas doenças.

Esse sofrimento íntimo, no entanto, que acompanha o ser que muito errou, revela-se como Justiça do Criador pois, sem necessidade de qualquer tribunal exterior, Ele mantém Sua ordem e Sua harmonia, propiciando a cada filho transgressor os meios de auto-julgamento e de auto-punição que, a rigor, nada mais são que processos de reajuste às Leis transgredidas.

Nunca devemos supor que é Deus Quem pessoalmente se encarrega de punir o homem em queda ou em erro. Ao contrário, havendo deixado ao ser humano o livre-arbítrio, colocando-o em condições de se conduzir sozinho, a partir de certo grau de adiantamento, Ele terá dado condições a que o mesmo aprenda a viver por si, tornando-se gradativamente capaz de se refazer e de se adaptar às Leis eternas que regem a Harmonia Universal.

E, de estímulo em estímulo, de caráter generoso e expansivo em que os seres devem se externar à imagem e semelhança de seu Criador, passaremos todos, um dia, ao Mundo Maior, após haver aprendido a descobrir em cada obstáculo existencial um motivo a mais para obrigar-nos a crescer e transformar-nos em verdadeiros artífices da Vida e do Amor.

D - PAZ E SERENIDADE, SEMPRE.

Muitas vezes enfrentamos situações de grande peso vibratório que exigem de nós amplos recursos para não sucumbirmos. Há os que desesperam caindo na faixa negativa das lamentações, das queixas e das brigas. Outros, não. Sabedores de que tudo é passageiro neste mundo, olham os fatos como se estivessem de fora, como se aquilo que se passa não fosse propriamente com eles, usando de uma atitude impassível e neutra em face de certos acontecimentos, mantendo seu padrão vibratório inalterável, suportando os desencontros, pois, com grande equilíbrio.

É este domínio que se recomenda a todas as criaturas e em especial aos trabalhadores do Bem, aos quais a Misericórdia Divina atribuiu tarefas dignas, em Sua Seara.

Nenhum obreiro que se diga realmente servidor do Pai, pode estar se deixando envolver a todo instante por questiúnculazinhas familiares, dessas que costumam promover-se a todo instante nos lares não evangelizados e nos ambientes comuns de trabalho, onde esse mesmo Evangelho não é ainda aceito como tônica vivencial.

Se as pessoas não têm noção dos perigos a que se expõem deixando-se envolver por esses desequilíbrios da alma, ainda se admite que não se esforcem por ficar longe dos desajustes.

Porém, se já conhecem a Doutrina Espírita e além do mais, se são trabalhadores atuantes nos grupos de fraternidade, não deverão, de forma alguma deixar-se envolver, quer tomando partido, quer atuando emocionalmente dentro dos conflitos.

Pelos exemplos de paz e concórdia tanto no lar como no trabalho, o bom Espírita já deverá ter garantido para si uma razoável cota de respeito e consideração por parte de seus familiares e colegas.

Em sendo assim, deverá permanecer em seu posto como verdadeiro paladino dessa mesma paz, em defesa da qual construiu todo o seu mundo e longe do qual não pode, em sã consciência, viver e realizar-se.

Desse modo, que as tormentas girem em torno de si, que sucumbam os desatinados entregues ao jogo perigoso das disputas, que adoeçam os mais fracos, nas rixas e nas tempestades fluídicas que eles próprios armam!

Tudo passará, não sem deixar certamente o seu saldo de estragos: pessoas doentes, com enxaquecas, com males estomacais, em desequilíbrio psicofísico.

Entretanto, o trabalhador do Bem continuará incólume, acobertado por sua serenidade constante, cuidando agora — isto sim — de socorrer os enfermos e os desajustados, não sem aproveitar a ocasião para lhes mostrar a inutilidade e a profunda estultícia do que os levou a gestos desatinados, despertando-os para os verdadeiros objetivos da existência.

Paz em meio da tormenta — eis o lema do verdadeiro construtor do Bem, que dessa forma se prepara na urgência da hora, para as grandes empreitadas evolutivas deste fim de século que exigirão dos servidores do Senhor, que estejam em equilíbrio, todo o seu contingente de recursos vitais e espirituais.

E - FASCINAÇÃO.

O aprendizado do ser humano não tem fim. Cada nível alcançado já representa um novo ponto de partida para meta mais alta a atingir.

Assim é que, nas lutas diárias, nossos pequenos deslizes não constituem um atestado de que "não há meios de melhorarmos" mas sim, de que estamos vigilantes, detectando como máquinas eficientes e em pleno funcionamento, os inúmeros erros que cometemos a todo instante.

Quando alguém se alarmar por esse fato, desfaçamo-lhes imediatamente o equívoco. Nada há de mal em notarmos erros e deficiências nossas. O perigo, ao contrário, está em imaginarmos que tudo corre maravilhosamente e que somos modelos de virtudes. Quanto a isso, sim, é que devemos nos preocupar, porque estaremos oferecendo provas de nossa flagrante desfaçatez. Principalmente pelo fato de que, se ninguém consegue permanecer a vida toda sem produzir erros consideráveis, que não se poderá afirmar quanto aos deslizes menores? !

Quando tal acontece, de nos imaginarmos incapazes de cometer enganos, é muito provável que nos falte, isto sim, o conhecimento de nós mesmos, a auto-observação, mantendo-nos como de costume entorpecidos, modorrados, às vezes até numa alienação total de tudo quanto se passa conosco.

Aqui, neste ponto, é que se iniciam os reais perigos para a criatura, principalmente se ela for médium militante mas sem a devida vigilância. Porque poderá estar sendo vítima daquilo que se denomina "Fascinação" e que Kardec estudou muito bem no "O Livro dos Médiuns", desequilíbrio que representa um enorme risco tanto para o que a sofre quanto para todos os do grupo de trabalho ao qual se filia.

A Fascinação é um estado obsessivo bastante grave, passível de acometer até mesmo médiuns de excelentes recursos intelectuais. Fá-lo acreditar em tudo quanto o "instrutor espiritual" afirma, até em teses cujo absurdo salta à vista de qualquer um.

Os sensitivos fascinados, com frequência, encontram-se sob a influência de Espíritos de más intenções, orgulhosos ou zombeteiros, geralmente de certa estatura cultural que, aproveitando-se de falhas do medianeiro (ou mesmo imaturidade, dentro do setor mediúnico) tanto na parte da erudição quanto na da moral, insuflam-lhes estranhas teorias, com termos difíceis, construções pomposas, que exaltam a vaidade dos incautos, os quais, frequentemente se revoltam contra os familiares, amigos e companheiros de Doutrina que tentam abrir-Ihes os olhos para o perigo flagrante.

Anos atrás, por exemplo, uma companheira nos confessava que um conhecidíssimo escritor de assuntos espiritualistas de quem seu marido era grande admirador e confrade, julgava-se na época (felizmente o obsidiamento não perdurou) julgava-se, dizíamos, a reencarnação do Cristo, com a adesão a essa insensatez, dos companheiros de seu núcleo, cada qual sentindo-se um dos doze apóstolos. Só não nos contou a boa criatura quem se afinara com a figura infeliz de Judas. ..

Quando esse estado de desequilíbrio é apenas individual, não há tanto perigo, pois outras pessoas podem manter-se vigilantes, evitando que se cometa algum desatino. Porém, tem havido casos de grupos inteiros, de certo vulto, sujeitarem-se ao domínio gravíssimo de entidades da Sombra, que passam a manejar todos — ou quase todos — os seus componentes, levando-os a atitudes frequentemente perigosas, tanto no aspecto individual quanto no coletivo.

Allan Kardec alerta-nos contra esses desvios, apontando como responsável por tal sujeição, o desinteresse de certos participantes e dirigentes espíritas pela evangelização que é, a rigor, indispensável e improrrogável.

Como se sabe, não basta uma pessoa bem intencionada na direção de uma Casa de Caridade. É preciso que os outros trabalhadores também se conscientizem de suas responsabilidades lembrando-se de que, como medianeiros, deverão ter-se como veículos afinados vibratoriamente com os mensageiros da Luz, cujos ensinamentos jamais poderão ser transmitidos por instrumentos humanos inadequados e pervertidos pelos excessos de imperfeições.

Quem se afiança intermediário no intercâmbio entre vivos e desencarnados, precisa ter certeza de que o faz para o Bem, veiculando as Belezas e Verdades advindas dos Planos Superiores e nunca como um porta-voz das Trevas que, servindo-se de sua invigilância e impropriedade, possam aproveitar o ensejo para disseminar ainda mais o Mal sobre o planeta, trazendo além de todos os prejuízos que tal fato desastroso acarretaria, a falsa idéia de que é o Espiritismo que espalha a ignorância e a loucura.

Cuidado, portanto, com o desserviço ao Senhor!

Cristãos, há milhares deles, segundo as estatísticas. Todavia, servos humildes e por isso mesmo conscientes e responsáveis, pouquíssimos.

Troquemos a quantidade pela qualidade, aprendendo com o Cristo, aquilo que não deve ser jamais esquecido: "ORAI E VIGIAI"!

LEMBRETE:

O equilíbrio retrata, em toda parte, a posição de maior ajuste alcançada pela criatura na Criação. Encontromo-lo nos mais variados ângulos de atividades do espírito, expressando vitória obtida à força de recapitulação e perseverança. Maria Celeste

O equilíbrio é o próprio valor, supremo fiel da vontade na balança da Vida, sopesando amor e sabedoria, bem e mal, em todas as frentes de nossa marcha para os objetivos supremos. Maria Celeste

O equilíbrio nasce da união fraternal e a união fraternal não aparece fora do respeito que devemos uns aos outros. ..Ninguém colhe aquilo que não semeia (...) Irmão X

Edivaldo