ESPÍRITO
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 25, 39, 55, 58, 106 02 - A alma é imortal - pág. 23, 226
03 - A evolução anímica - pág. 234 04 - A levitação - pág. 30, 115
05 - A pluralidade dos M. Habitados - pág. 277 06 - A reencarnação na Bíblia - pág. 85
07 - A vida além do véu - pág. 187 08 - Animais nossos irmãos - pág. 41
09 - Antologia do Perispírito - ref. 93, 108 10 - Boa Nova - pág. 64
11 - Caminho, verdade e vida - pág. 41, 149 12 - Catecismo Espírita - pág. 45 21ª lição
13 - Como vivem os Espíritos - toda a obra 14 - Contos e apólogos - pág. 125
15 - Cristianismo e Espiritismo - pág. 284

16 - Curso Dinâmico de Espiritismo - pág. 13, 119

17 - Da alma humana - pág. 35, 199 18 - Emmanuel - pág. 38, 78, 137, 170
19 - Espíritos, Perisp. e alma - toda a obra 20 - Evolução em dois mundos - pág. 52
21 - Fonte viva - pág. 75 22 - Guia do Espiritismo - pág. 21, 30
23 - Justiça Divina - pág. 69 24 - Missionários da luz - pág. 126
25 - No invisível - pág. 46 26 - O céu e o inferno - pág. 29,175
27 - O espírito e o tempo - toda a obra 28 - O fenômeno Espírita - pág. 102,213
29 - O evangelho S.o Espiritismo - pág. 113, 123, 270 30 - O grande enigma - pág. 214
31 - O Livro dos Espíritos - q. 21, 76, 223, 558 32 - O passe Espírita- pág. 80
33 - O porquê da vida - pág. 20 34 - Obras Póstumas - pág. 41
35 - Pão Nosso - pág. 163, 175 36 - Sexo e Evolução - pág. 36
37 - Correnteza de luz- pág. 49, 55  

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ESPÍRITO – COMPILAÇÃO

01- A agonia das religiões - José Herculano Pires - pág. 25, 39, 55, 58, 106

CAPÍTULO V - DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA
Para melhor entender-se a expressão Deus, em espírito e matéria, que usei no capítulo anterior, — e melhor entender-se também o problema da experiência de Deus no tempo — julgo necessário tratar dos princípios da cosmogonia espírita, na qual se integra a teoria da gênese e formação do espírito. O contra-senso da afirmação bíblica de que Deus criou o mundo do nada, que tanto trabalho deu aos teólogos, é explicado na revelação espírita pela teoria da Trindade Universal. Deus, o Ser Absoluto, é a fonte de toda a Criação. Existindo essa fonte solitária, é logicamente necessário admitir-se um meio em que ela existia. Esse meio, que seria o espaço vazio, foi considerado o nada. Para tratar do Absoluto num plano relativo, como o nosso, é preciso usar expressões relativas.

A concepção espírita do mundo não admite a existência do nada. O Universo é pleno — é uma plenitude — não havendo nele nenhuma possibilidade de vácuo. Essa teoria espírita da plenitude está hoje sendo confirmada pela pesquisa científica do Cosmos. As regiões siderais que poderíamos julgar vazias mostram-se como campos de forças, carregadas de energias que escapam aos nossos sentidos. Esse pré-universo energético seria o que Buda definiu como o mundo sempre existente, que nunca foi criado. Pitágoras, em sua filosofia matemática, considerou Deus como o número 1 que desencadeou a década. O UM, número primeiro, existia imóvel e solitário no Inefável (naquilo que para nós seria o nada) e nesse caso o nada seria a imobilidade absoluta. Houve em certo momento cósmico, não se pode saber como nem porquê, um estremecimento do número l, que assim produziu o 2 e a seguir os demais números até o 10.

Completando-se a década, tivemos o Todo, a Criação se fizera por si mesma, o Universo surgira e com ele o tempo. É claro que não dispomos de recursos para investigar as origens primeiras, e essas teorias não passam de tentativas de explicações lógicas, destinadas a nos proporcionar uma base alegórica ou hipotética para uma possível concepção do mistério da Criação. O Espiritismo sustenta a possibilidade de conhecermos a verdade a respeito, quando houvermos desenvolvido as potencialidades espirituais que nos elevarão acima da condição humana. Enquanto não chegarmos lá, essas hipóteses devem servir para mostrar-nos que dispomos de capacidade para ir além dos limites do pensamento dialético, além do conhecimento indutivo baseado no jogo dos contrastes.

Assim sendo, não podemos aceitar a alegoria bíblica da Criação ao pé da letra, como verdade revelada, nem contestá-la orgulhosamente com a arrogância do materialismo. Na posição do crente temos a ingenuidade e na posição do materialista temos a arrogância do homem, esse pedacinho de fermento pensante, como dizia o Lobo do Mar de Jack London. O espiritualismo simplório e o materialismo atrevido são os dois pólos da estupidez humana. O bom-senso, que é a regra de ouro do Espiritismo, nos livra da estupidez e nos oferece a possibilidade de chegarmos à sabedoria sem muito barulho e disputas inúteis.

Partindo do pressuposto de que o mundo deve ter uma origem e aceitando a idéia de que foi criado por Deus — pois assim o afirmam todos os Espíritos Superiores que se referem ao assunto e que revelam uma sabedoria superior à nossa — o Espiritismo admite que a fonte inicial é uma inteligência cósmica. Mas porque uma inteligência e não apenas um centro de forças casualmente aglutinadas no caos primitivo? Porque o Universo se mostra organizado inteligentemente em todas as suas dimensões, até onde podemos observá-lo. Seria ilógico, absurdo, supormos que essa inteligência da estrutura universal, que se manifesta em minúcias ainda inacessíveis à pesquisa científica, desde as partículas atômicas até aos genes biológicos e seus códigos admiráveis, seja o resultado de um simples acaso.

Nenhuma cabeça bem-pensante poderia admitir isso. A teoria espírita — teoria e não hipótese, pois esta já provou a sua validade através de todas as pesquisas possíveis — pode ser resumida neste axioma doutrinário: Não há efeito inteligente sem causa inteligente, e a grandeza do efeito corresponde à grandeza da causa. Colocando assim o problema, sua equação se torna clara. O Espiritismo a elabora em termos dialéticos: a fonte inicial, Deus, existindo num meio ao inefável, constituído de matéria dispersa no espaço, emite o seu pensamento criador que aglutina e estrutura a matéria. Temos assim a Trindade Universal que as religiões apresentam de maneira antropomórfica. Essa trindade não é formada de pessoas, mas de substâncias regidas por uma possível Inteligência, constituindo-se assim: Deus, Espírito e Matéria.

O espírito que a constitui não é uma entidade definida, mas o pensamento de Deus que se expande no Cosmos em forma de substância. Essa substância espiritual penetra o oceano de matéria rarefeita, dispersa, e aglutina suas partículas, estruturando-as para a formação das coisas e dos seres. Da tese espiritual e da antítese material resulta a síntese do real, do mundo criado por um poder inteligente.(..)

CAPITULO VII - DO PRINCÍPIO INTELIGENTE
Tratei até agora da relação direta do pensamento de Deus com a matéria. Essa relação é necessária, da mesma maneira que é necessária a relação direta do pintor com o quadro que ele executa, e portanto do trabalho que ele realiza no quadro, orientado pelo seu pensamento. Na verdade, o seu pensamento se projeta no quadro e ali se materializa, passa do plano do inteligível para o plano do sensível. Ao completar sua obra, cessa a relação direta ou ativa, mas permanece a relação passiva ou indireta. Assim, a relação direta caracteriza o ato de pintar, ou de criar. Pode-se alegar a existência de intermediários: as mãos, a palheta e o pincel, a tinta. Mas convém lembrar que todos esses instrumentos fazem parte da obra em execução, sobre a qual o pensamento do pintor atua diretamente.

Na ação de Deus sobre a matéria o processo é o mesmo. O pensamento divino aglutina a matéria, dando-lhe estrutura, através da qual temos a passagem do pensamento do plano do inteligível para o plano do sensível. Uso a divisão de Platão neste sentido: o inteligível é o intelecto divino e o sensível é o plano do sensório, das sensações humanas. Dessa maneira, Deus materializa o seu pensamento para atingir a sensibilidade do campo material em que o homem vai ser criado. No fiat ou ato inicial da criação temos a ação direta e ativa do pensamento divino estruturando a matéria. Uma vez formada essa estrutura, surge um elemento novo que é designado pela expressão princípio inteligente. O pensamento divino ligado à matéria adquire autonomia, sem com isso desligar-se da fonte que o alimenta.

Transforma-se na mônada, elemento básico e estrutural da matéria, de que são compostas as próprias partículas atômicas. A palavra mônada procede de Pitágoras, foi empregada por Platão como idéia e desenvolvida modernamente por Leibniz e Renouvier como uma substância inteiramente simples pura indivisível e refratária a qualquer influência exterior. A mônada é dotada de uma força interior que a transforma, de potencialidades que se desenvolvem continuamente e de capacidade de percepção e vontade. As mônadas são diferentes entre si no tocante a essas potências internas.

Estas correlações filosóficas são necessárias para entender-se o que è o princípio inteligente da concepção espírita. Trata-se, como se vê, do princípio básico de toda a realidade, responsável pela formação dos reinos da Natureza, pelo desenvolvimento da vida e de todas as faculdades vitais e anímicas dos seres. O admirável poder de intuição dos gregos captou não só a existência dos átomos, como também a das mônadas, que a Ciência atual já está conseguindo atingir nas profundezas da misteriosa estrutura da matéria, na pesquisa sobre as partículas atômicas. A teoria espírita do princípio inteligente é explicada de maneira sintética no "O Livro dos Espíritos". No item 23 dessa obra lemos o seguinte: Que é o espírito? É o princípio inteligente do Universo. Seguem-se outras explicações nas quais a inteligência se define como um atributo essencial do espírito. Geralmente confundimos a substância (espírito) com a inteligência, que é seu atributo.

Colocado assim o problema, parece-me explicada a razão pela qual os Espíritos Superiores não esmiuçaram essa questão fundamental. Na própria tradição filosófica, desde bem antes da era cristã, já dispúnhamos dos elementos necessários de intuições capazes de nos fornecerem os dados para uma equação futura. Faltava-nos, porém, o desenvolvimento, que só mais tarde poderia ocorrer, das pesquisas científicas em profundidade. Atualmente já podemos compreender com mais clareza a dinâmica do processo criador. A teoria filosófica da manada, que antes poderia ser considerada como simples hipótese inverifïcável, adquire hoje a condição de uma teoria científica ao alcance da comprovação pela pesquisa.

Teorias como a do físico inglês Dirac, por exemplo, segundo a qual o Universo está mergulhado num oceano de elétrons livres, ou a dos físicos soviéticos, de que esse oceano parece ser de uma luz violácea proveniente dos primórdios da criação, mostram-nos as possibilidades novas que as pesquisas espaciais estão abrindo nesse campo. O mesmo se pode dizer da teoria dos campos de força que preenchem todo o espaço sideral. É evidente que, diante dessas novas posições conceptuais, toda a nossa cultura entra em crise, prenunciando o advento de um novo mundo. A inteligência humana se abre para dimensões mais amplas e profundas da realidade universal, exigindo a reformulação de conceitos e estruturas culturais envelhecidas. Não podemos mais pensar em Deus como uma figura humana, nem do ponto de vista formal, nem do substancial.

Só podemos considerá-lo como o Ser Absoluto, como a Inteligência Suprema, mas assim mesmo sem lhe atribuir nenhuma das limitações humanas. Os teólogos do Cristianismo Ateu, da Teologia Radical da Morte de Deus, sentem isso na própria pele, mas faltam-lhes os dados para uma equação mais positiva do problema. Divagam através de suposições ameaçadoras e caem irremediavelmente num torvelinho de contradições. Se tivessem a humildade de consultar a Filosofia Espírita, essa pedra rejeitada da parábola evangélica, encontrariam nela a pedra angular do novo edifício a construir. O Espírito a que a Bíblia se refere em numerosos tópicos e que nos Evangelhos toma o nome de Espírito Santo é o Espírito de Deus em sua manifestação universal. A Criação tem dois aspectos, o material e o espiritual. O sopro de Deus é o espírito criado no fiat e o homem de barro, o Adão terreno, o ápice da criação nos mundos em desenvolvimento, como a Terra.

O sopro de Deus nas ventas do homem de barro, para infundir-lhe o princípio da vida e da inteligência, ë a ligação do espírito com a matéria na formação da mônada. No pensamento divino todo o quadro da criação estava presente desde o princípio. E tudo era perfeito. A perfeição do ideal constituía o modelo da realidade (o mundo da rés, das coisas) que devia projetar-se no Infinito. Por isso, as mônadas diferenciadas, com características específicas, seriam semeadas no espaço , para a germinação lenta, mas segura e contínua, dos conteúdos essenciais de cada uma delas. A mônada é a semente do ser, da criatura humana e divina que dela surgirá nas dimensões da temporalidade. Não se pode conceber, em nossa relatividade humana, mais grandiosa e perfeita concepção do ato criador. Podemos perguntar porque Deus, que é o supremo poder, precisa do tempo para realizar essa obra gigantesca.

Mas o Espiritismo ensina que a nossa relatividade decorre de necessidades nossas e não de Deus. O que para nós são séculos e milênios, para Deus pode ser apenas aquele instante que, para Kierkegaard, era o encontro do tempo com a eternidade. Um instante de profundidade e extensão imensas, que resume para o homem todas as suas existências nas duas dimensões do Universo que hoje nos são acessíveis: a espiritual e a material. É, sem dúvida, espantoso pensar, como Gustave Geley, que tudo quanto consideramos inconsciente, desde o grão de areia aos mundos que giram em torno dos sóis, possui a potencialidade da consciência em desenvolvimento no seu interior.

Mas quando compreendemos que a mônada, síntese de espírito e matéiriaé uma unidade infinitesimal, sobre a qual se apoia toda a realidade — o que corresponde à concepção atômica da Ciência em nossos dias — nossa mente começa a abrir-se para um entendimento superior. Se o poder do átomo nos espanta, a potencialidade da mônada nos aturdiria. E ambos esses poderes nada mais são do que fragmentos do poder de Deus. Quando pensamos nisso, a teoria do princípio inteligente começa a revelar-nos a grandeza da doutrina espírita.

E no entanto os seus fundamentos estão nos princípios evangélicos, sobre os quais milhares de teólogos, filósofos, místicos e pregadores escreveram e falaram sem cessar, numa catadupa de páginas e palavrórios ao longo de dois mil anos! Essa opacidade da inteligência humana, esse embotamento da capacidade de compreensão poderia fazer-nos descrer das potencialidades do princípio inteligente se não soubéssemos que o instinto gregário do homem o leva a" imitação e à repetição dos papagaios. (..)

02 - A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 23, 226

A China
Porventura, em nenhum povo o sentimento da sobrevivência foi tão vivo quanto entre os chineses. O culto dos Espíritos se lhes impôs desde a mais remota antiguidade. Cria-se no Thian ou Chang-si, nomes dados indiferentemente ao céu; mas, sobretudo, prestavam-se honras aos Espíritos e às almas dos antepassados. Confúcio respeitou essas crenças antigas e certo dia, entre os que o cercavam, admirou umas máximas escritas, havia mais de mil e quinhentos anos, sobre uma estátua de ouro, no Templo da Luz, sendo uma delas a seguinte:

"Falando ou agindo, não penses, embora te aches só, que não és visto, nem ouvido: os Espíritos são testemunhas de tudo." Vê-se que, no Celeste Império, os céus são povoados, como a Terra, não somente pelos gênios, mas também pelas almas dos homens que neste mundo viveram. A par do culto dos Espíritos, estava o dos antepassados. "Tinha por objeto, além de conservar a preciosa lembrança dos avós e de os honrar, atrair a atenção deles para os seus descendentes, que lhes pediam conselhos em todas as circunstâncias importantes da vida e sobre os quais supunha-se que eles exerciam influência decisiva, aprovando-lhes ou lhes censurando o proceder."

Nessas condições, é evidente que a natureza da alma tinha que ser bem conhecida dos chineses. Confúcio não concebia a "Como são vastas e profundas as faculdades dos Koúci-Chin (Espíritos diversos)! A gente procura percebê-los e não os vê; procura ouvi-los e não os ouve. Identificados com a substância dos seres, não podem ser dela separados. Estão por toda parte, acima de nós, à nossa esquerda, à nossa direita; cercam-nos de todos os lados. Entretanto, por mais sutis e imperceptíveis que sejam, eles se manifestam pelas formas corpóreas dos seres; sendo real, verdadeira, a essência deles não pode deixar de manifestar-se sob uma forma qualquer."

O budismo penetrou na China e lhe assimilou as antigas crenças. Continuou as relações estabelecidas com os mortos. Aqui está um exemplo dessas evocações e da aparência que toma a alma para se tornar visível a olhos mortais. O Sr. Estanislau Julien, que traduziu do chinês a história de Hiuen-Thsang, que viveu pelo ano 650 da nossa era, narra assim a aparição do Buda, devida a uma prece daquela santa personagem: "Tendo penetrado na caverna onde, animado de fé profunda, vivera o grande iniciador, Hiuen-Thsang se acusou de seus pecados, com o coração transbordante de sinceridade. Recitou devotamente suas preces, prosternando-se a cada estrofe. Depois de fazer uma centena dessas reverências, viu surgir uma claridade na parede oriental da caverna.

"Tomado de alegria e de dor, recomeçou ele as suas saudações reverentes e viu brilhar e apagar-se qual relâmpago uma luz do tamanho de uma salva. Então, num transporte de júbilo e amor, jurou que não deixaria aquele sitio sem ter visto a sombra augusta do Buda. Continuou a prestar-lhe suas homenagens e, ao cabo de duzentas saudações, teve de súbito inundada de luz toda a gruta e o Buda, em deslumbrante brancura, apareceu, desenhando-se-lhe majestosamente a figura sobre a muralha. Ofuscante fulgor iluminava os contornos da sua face divina. Hiuen-Thsang contemplou em êxtase, durante largo tempo, o objeto sublime e incomparável de sua admiração.

Prosternou-se respeitosamente, celebrou os louvores do Buda e espalhou flores e perfumes, depois do que a luz se extinguiu. O brâmane que o acompanhara ficou tão encantado quanto maravilhado daquele espetáculo. "Mestre, disse ele, sem a sinceridade da tua f é e o fervor dos teus votos, não terias presenciado tal prodígio." Essa aparição lembra a transfiguração de Jesus, quando se mostraram Moisés e Elias. Os Espíritos superiores têm um corpo de esplendor incomparável, por isso que a sua substância fluídica é mais luminosa do que as mais rápidas vibrações do éter.

10 - Boa Nova - Humberto de Campos - pág. 64

9 - VELHOS E MOÇOS

Não era raro observar-se, na pequena comunidade dos discípulos, o entrechoque das opiniões, dentro do idealismo quente dos mais jovens. Muita vez, o séquito humilde dividia-se em discussões, relativamente aos projetos do futuro. Enquanto Pedro e André se punham a ouvir os companheiros, com a ingenuidade de seus corações simples e sinceros, João comentava os planos de luta no porvir; Tiago, seu irmão, falava do bom aproveitamento de sua juventude, ao passo que o jovem Tadeu fazia promessas maravilhosas.— Somos jovens! — diziam. — Iremos à Terra inteira, pregaremos o Evangelho às nações, renovaremos o mundo!. ..

Tão logo o Mestre permitisse, sairiam da Galiléia, pregariam as verdades do reino de Deus naquela Jerusalém atulhada de preconceitos e de falsos intérpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem dispostos. Respiravam a longos haustos e supunham-se os únicos discípulos habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos. Por longas horas, questionavam acerca de suas possibilidades, apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E pensavam consigo: que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família e encarcerado nos seus pequeninos deveres? Mateus não estava igualmente enlaçado por inadiáveis obrigações de cada dia? André e o irmão os escutavam despreocupados, para meditarem apenas quanto às lições do Messias.

Entretanto, Simão, mais tarde chamado o "Zelote", antigo pescador do lago, acompanhava semelhantes conversações, humilhado. Algo mais velho que os companheiros, suas energias, a seu ver, já não se coadunavam com os serviços do Evangelho do Reino. Ouvindo as palavras fortes da juventude dos filhos de Zebedeu, perguntava a si mesmo o que seria de seu esforço singelo, junto de Jesus. Começava a sentir mais fortemente o declínio das forças vitais. Suas energias pareciam descer de uma grande montanha, embora o espírito se lhe conservasse firme e vigilante, no ritmo da vida. Deixando-se, porém, impressionar vivamente, procurou entender-se com o Mestre, buscando eximir-se das dúvidas que lhe roíam o coração.

Depois de expor os seus receios e vacilações, observou que Jesus o fitava sem surpresa, como se tivesse pleno conhecimento de suas emoções.— Simão — disse o Mestre com desvelado carinho —, poderíamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo, na ampulheta das inquietações humanas, quem seria o mais velho de todos nós? A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor uma promessa; o fruto é realização. Só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade!...

Ao passo que o discípulo lhe meditava os conceitos, com sincera admiração, Jesus prosseguia, esclarecendo:— Esta imagem pode ser também a da vida do espírito, na sua radiosa eternidade, apenas com a diferença de que aí as ramagens e as flores não morrem nunca, marchando sempre para o fruto da edificação. Em face da grandeza espiritual da vida, a existência humana é uma hora de aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora minúscula encerra o que existe no todo. É por isso que aí vemos, por vezes, jovens que falam com uma experiência milenária e velhos sem reflexão e sem esperança.— Então, Senhor, de qualquer modo, a velhice é a meta do espírito? — perguntou o discípulo, emocionado.— Não a velhice enferma e amargurada que se conhece na Terra, mas a da experiência que edifica o amor e a sabedoria.

Ainda aqui, devemos recordar o símbolo da árvore, para reconhecer que o fruto perfeito é a frescura da ramagem e a beleza da flor, encerrando o conteúdo divino do mel e da semente. Percebendo que o Mestre estendera seus conceitos em amplas imagens simbológicas, o apóstolo voltou a retrair-se em seu caso particular e obtemperou:— A verdade, Senhor, é que me sinto depauperado e envelhecido, temendo não resistir aos esforços a que se obriga a minhalma, na semeadura da vossa doutrina santa.— Mas, escuta, Simão — redarguiu-lhe Jesus, com serenidade enérgica —, achas que os moços de amanhã poderão fazer alguma coisa sem os trabalhos dos que agora estão envelhecendo?!... Poderia a árvore viver sem a raiz, a alma sem Deus?!

Lembra-te da tua parte de esforço e não te preocupes com a obra que pertence ao Todo-Poderoso. Sobretudo, não olvides que a nossa tarefa, para dignidade perfeita de nossas almas, deve ser intransferível. João também será velho e os cabelos brancos de sua fronte contarão profundas experiências. Não te magoe a palestra dos jovens da Terra. A flor, no mundo, pode ser o princípio do fruto, mas pode também enfeitar o cortejo das ilusões. Quando te cerque o burburinho da mocidade, ama os jovens que revelem trabalho e reflexão; entretanto, não deixes de sorrir, igualmente, para os levianos e inconstantes: são crianças que pedem cuidado, abelhas que ainda não sabem fazer o mel.

Perdoa-lhes os entusiasmos sem rumo, como se devem esquecer os impulsos de um menino na inconsciência dos seus primeiros dias de vida. Esclarece-os, Simão, e não penses que outro homem pudesse efetuar, no conjunto da obra divina, o esforço que te compete. Vai e tem bom ânimo!... Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste da noite; mas eu venho trazer ao mundo as claridades de um dia perene. Dando Jesus por terminado o seu esclarecimento, Simão, o Zelote, se retirou satisfeito, como se houvesse recebido no coração uma energia nova.

Voltando à casa pobre, encontrou Tiago, filho de Cleofas, falando à margem do lago com alguns jovens, apelando ardentemente para as suas forças realizadoras. Avistando o velho companheiro, o apóstolo mais moço não o ofendeu, porém fez uma pequena alusão à sua idade, para destacar as palavras de sua exortação aos companheiros pescadores. Simão, no entanto, sem experimentar qualquer laivo de ciúme, recordou as elucidações do Mestre e, logo que se fez silêncio, ao reconhecer que Tiago estava só, falou-lhe com brandura: - Tiago, meu irmão, será que o espírito tem idade? Se Deus contasse o tempo como nós, não seria ele o mais velho de toda a criação? (...)

11 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 41, 149


13 - QUE É A CARNE?
"Se vivemos em espírito, andemos também em espírito.'* — Paulo. (GALATAS, 5:25.)
Quase sempre, quando se fala de espiritualidade, apresentam-se muitas pessoas que se queixam das exigências da carne. É verdade que os apóstolos muitas vezes falaram de concupiscências da carne, de seus criminosos impulsos e nocivos desejos. Nós mesmos, frequentemente, nos sentimos na necessidade de aproveitar o símbolo para tornar mais acessíveis as lições do Evangelho. O próprio Mestre figurou que o espírito, como elemento divino, é forte, mas que a carne, como expressão humana, é fraca.

Entretanto, que é a carne? Cada personalidade espiritual tem o seu corpo fluídico e ainda não percebestes, porventura, que a carne é um composto de fluidos condensados? Naturalmente, esses fluidos, em se reunindo, obedecerão aos imperativos da existência terrestre, no que designais por lei de hereditariedade; mas, esse conjunto é passivo e não determina por si. Podemos figurá-lo como casa terrestre, dentro da qual o espírito é dirigente, habitação essa que tomará as características boas ou más de seu possuidor.

Quando falamos em pecados da carne, podemos traduzir a expressão por faltas devidas à condição inferior do homem espiritual sobre o planeta. Os desejos aviltantes, os impulsos deprimentes, a ingratidão, a má-fé, o traço do traidor, nunca foram da carne. É preciso se instale no homem a compreensão de sua necessidade de autodomínio, acordando-lhe as faculdades de disciplinador e renovador de si mesmo, em Jesus-Cristo. Um dos maiores absurdos de alguns discípulos é atribuir ao conjunto de células passivas, que servem ao homem, a paternidade dos crimes e desvios da Terra, quando sabemos que tudo procede do espírito.

67 - OS VIVOS DO ALÉM
"E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias." — (LUCAS, 9:30.)
Várias escolas religiosas, defendendo talvez determinados interesses do sacerdócio, asseguram que o Evangelho não apresenta bases ao movimento de intercâmbio entre os homens e os espíritos desencarnados que os precederam na jornada do Mais Além...
Entretanto, nesta passagem de Lucas, vemos o Mestre dos Mestres confabulando com duas entidades egressas da esfera invisível de que o sepulcro é a porta de acesso.

Aliás, em diversas circunstâncias encontramos o Cristo em contacto com almas perturbadas ou perversas, aliviando os padecimentos de infortunados perseguidos. Todavia, a mentalidade dogmática encontrou aí a manifestação de Satanás, inimigo eterno e insaciável.
Aqui, porém, trata-se de sublime acontecimento no Tabor. Não vemos qualquer demonstração diabólica e, sim, dois espíritos gloriosos em conversação íntima com o Salvador. E não podemos situar o fenômeno em associação de generalidades, porquanto os "amigos do outro mundo", que falaram com Jesus sobre o monte, foram devidamente identificados. Não se registrou o fato, declarando-se, por exemplo, que se tratava da visita de um anjo, mas de Moisés e do companheiro, dando-se a entender claramente que os "mortos" voltam de sua nova vida.

37 - CORRENTEZA DE LUZ - J. RAUL TEIXEIRA- PÁG. 49, 55

MEDO DE ESPÍRITOS

É dos tormentos humanos um dos mais antigos, a estrutura do medo, que perturba multidões. Filho da ignorância, apóia-se na insegurança que, gradualmente, lhe dá nutrientes perfeitos para infelicitar indefinidamente. Embora o medo esteja presente em todos os campos de atividade humana, é super expressivo quando se refere aos seres que já se desalojaram do corpo carnal. O medo dos mortos, ou dos Espíritos, chega às raias do desespero ou da loucura, sem que os portadores dessa anomalia atentem para a necessidade de mudança ou se animem para se impor o devido controle.

No circuito da crença espiritual, surge o que se convencionou chamar de lugares assombrados, porque neles os Espíritos aparecem, impressionando as mentes de um grande número de pessoas, que são as que mais padecem com o medo, do qual não se conseguem liberar.

Urge raciocine o indivíduo, verificando que os encarnados é que são minoria no mundo, onde os desencarnados vivem em multiplicada vantagem. O número de Espíritos livres do corpo, que vibram na psicosfera planetária, é quase cinco vezes maior, indicando que o número de seres invisíveis no Mais Além é quase o quíntuplo dos que estão estagiando no corpo biológico. Por que, então, o medo, se onde quer que esteja o homem, aí estará nos contatos, conscientes ou não, com uma verdadeira multidão de desencarnados?

As dimensões do mundo invisível interpenetram as do mundo material, como a água na esponja, influenciando-se reciprocamente, uma vez que os seres que estão no corpo denso vieram do campo diáfano e os que nesse se acham, dentro de algum tempo, nas brumas terrestres estarão. Quem são, pois, os Espíritos, senão os homens sem o corpo denso de matéria grosseira? Quem são os homens, senão os Espíritos vestidos no escafandro de carne, do qual se despegarão dentro de maior ou de menor tempo?

Medo, por quê? Na vasta Casa do Pai, todos somos irmãos, necessitando uns dos outros para que todos logremos a palma de ventura que hemos de alcançar quando superarmos as limitações infelizes que ainda nos caracterizam o íntimo.
A superstição tem contribuído com sua quota de barbaridades para a manutenção do medo. A irreflexão tem dado a sua oferta para a exploração do misterioso, que não é mais do que aquilo que se acha na sombra do desconhecido para cada ser.

O Espiritismo, que é a doutrina da lucidez e da liberdade real, oferece o seu contributo valioso para o aclaramento de tudo, retirando os indivíduos das valas do pavor injustificado. Areja a tua mente com estudos sérios sobre aquilo que desconheças e que te faça falta à elucidação. Ilumina o teu entendimento com a luz de amadurecidas meditações, a fim de que o teu conhecimento das questões da alma não se perca nas superficialidades que geram insegurança.

Deixa-te penetrar pela alegria de participares da inumerável prole do Criador, herdeiro das imensuráveis riquezas que vibram em todo o Cosmo. Alija do teu caminho tudo o que ressume superstição, pois o verdadeiro espírita, que é, a seu turno, o verdadeiro cristão, sabe que Jesus é o Senhor dos Espíritos, como o nomearam seus companheiros, pela autoridade moral de se revestia, pela grandeza da sua vida, uma vezque se mantinha em permanente estado de comunhão com o Pai.

Comunga também tu com a verdade que liberta e afasta-te das ruelas aparvalhantes do medo, aprendendo a te identificares com todos os Espíritos que, como tu mesmo, marcham para o Grande Amanhã da própria redenção, no seio de Deus. Tu és também Espírito. Vive dessa realidade e deixa que a vida perene, que estua em ti, exteriorize as bênçãos de coragem e entendimento para os que seguem contigo para a paz do futuro.

38 - O ESPIRITISMO APLICADO - ELISEU RIGONATTI

A - OS ESPÍRITOS

Quem são os espíritos?

Quando ouvimos falar de espíritos, vêm-nos à mente imagens vagas, quase que irreais; e concebemo-los sob as mais díspares formas. Precisamos modificar nossa concepção a respeito deles. E o primeiro passo que devemos dar para isso é convencer-nos de que também somos espíritos; não há diferença entre nós e eles.

Os espíritos se dividem em duas grandes categorias, que são: a dos espíritos encarnados e a dos desencarnados.

Pertencem à categoria dos espíritos encarnados os que usam um corpo de carne, por exemplo, nós mesmos. E à categoria dos espíritos desencarnados aqueles que já não usam o veículo físico, por exemplo, quem passou pelo fenômeno da morte.

Não se justifica, por conseguinte, essa idéia sobrenatural que fazemos dos espíritos. Pois, não somos espíritos nós também, ainda que encarnados? E dia mais, dia menos, seremos transferidos para o número dos desencarnados.

0 nome de espíritos, porém, é dado particularmente aos desencarnados. Quando encarnado, damos ao espírito o nome de alma.

B - A ORIGEM DOS ESPÍRITOS

Tanto quanto a origem do homem na face da Terra, a origem dos espíritos é também um problema apaixonante.

De onde proveio o homem?

De onde proveio o espírito?

Eis questões que ainda permanecem envoltas em mistério, sem embargo de os estudiosos apresentarem hipóteses mais ou menos plausíveis.

Entretanto o ignorarmos de onde se origina o espírito, de como ele se forma, não nos deve preocupar; isto não tolhe o progresso espiritual da humanidade.

Tudo em a seu tempo e um dia chegaremos a decifrar o que agora é um enigma para nós.

Lembrete: A Ciência ainda não chegou a um consenso, devido ao seu patamar ainda baixo, mas, somente o Espiritismo nos dá através dos Espíritos, esta resposta.

C - O FENÔMENO CHAMADO NASCIMENTO

Se não podemos permanecer indefinidamente encarnados, também não o poderemos como desencarnados.

Para prosseguirmos em nosso glorioso destino, temos necessidade premente de progresso. E para progredirmos, precisamos renascer. E assim nossa vida de encarnados alterna-se com a de desencarnados; vivemos ora no plano material, ora no espiritual.

Depois de uma temporada mais ou menos longa que vivermos como espíritos desencarnados, teremos de nos encarnar de novo. Aqui chegando, passaremos por provas, quais colegiais. 0 que tivermos aprendido como desencarnados, poremos em prática como encarnados. Se o conseguirmos, conquistaremos mais um grau de progresso e ficaremos libertados de um pouco mais de nossas imperfeições. Isso depende de nossa força de vontade e de nossa persistência, porque não é fácil abandonarmos hábitos errôneos e adquirirmos hábitos salutares, isto é, cultivarmos a virtude.

Portanto, é imprescindível que os pais eduquem os seus filhos, fazendo com que adquiram, desde pequeninos, hábitos salutares e virtuosos. Diz o ditado: "Mostra a teu filho o bom caminho que o seguirá também velhinho". Nada mais certo. Durante a infância, o espírito é maleável e recebe muito mais facilmente os ensinos que se lhe ministram e também é muito mais sensível aos exemplos que recebe.

Essa maleabilidade do espírito e essa sensibilidade que o tornam mais apto a receber novos ensinamentos, prendem-se ao fato de que "até aos sete anos, o espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo". Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais susceptível de renovar seu caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade, se encontrar nos pais legítimos representantes do colégio familiar". (Emanuel — 0 Consolador, 1ª edição da FEB.)

O nascimento é, por conseguinte, nossa nova volta a um corpo de carne.

D - AS MORADAS DOS ESPÍRITOS ENCARNADOS

Os espíritos encarnados habitam em mundos materiais, isto é, de matéria densa, compacta. Nós, por exemplo, somos habitantes da Terra que é um mundo material. E rolando no espaço infinito, há outros mundos materiais habitados como o nosso.

0 mundo que um encarnado habita, guarda íntima relação com o progresso moral que o encarnado já realizou. Assim, à medida que crescermos em moralidade, iremos conquistando gradativamente o direito de movimentarmo-nos em mundos de graus superiores ao nosso.

Suponhamos uma escola: para o aluno passar para uma classe mais adiantada é preciso que ele aprenda todas as matérias da classe em que está e demonstre aproveitamento.

A Terra atualmente é nossa escola; é através dos trabalhos que aqui executamos e das provas pelas quais passamos que adquirimos o direito de ingresso a mundos superiores ao nosso.

Todavia, numa escola os alunos não aprendem somente as lições; aprendem também a serem disciplinados e obedientes. E quando o aluno é recalcitrante, repete o ano tantas vezes quantas forem necessárias para se corrigir. Tal sucede conosco encarnados: alunos da escola terrena que somos, a ela voltaremos tantas vezes quantas forem necessárias para que deixemos de ser rebeldes e nos tornemos humildes e obedientes às leis divinas.

Como encarnados viveremos sempre no planeta que maiores probabilidades de progresso nos oferecer, segundo nossa capacidade de compreensão.

0 progresso moral nós o obteremos mediante nossa reforma íntima; esta é, no momento, a mais urgente e a rnais difícil tarefa que nos cabe executar. Reformando-nos intimamente, trabalhando com honestidade para a felicidade de nossos familiares, cumprindo nossos deveres o melhor possível, nós, quer como encarnados, quer como desencarnados, faremos jus à paz de que tanto necessitamos.

E - AS MORADAS DOS ESPÍRITOS DESENCARNADOS

Os espíritos desencarnados habitam colônias espirituais, as quais não são percebidas pelos nossos sentidos, dado a limitação que a matéria nos impõe. Essas colônias se acham ligadas aos mundos materiais a que pertencem os espíritos que as habitam.

A Terra, por exemplo, é circundada de um imenso número dessas colônias que se assemelham a grandes cidades, cheias de vida e de animação. Quando desencarnarmos, iremos viver numa dessas colônias.

As colônias espirituais que circundam a terra se dividem em três classes: as zonas purgatoriais, as colônias correcionais e as colônias de elevação.

As zonas purgatoriais, também chamadas umbral, são extensas regiões de trevas e de sofrimentos, onde o espírito que não soube fazer bom uso de sua encarnação, encontra-se ao desencarnar. Ali, entre prantos e ranger de dentes, o espírito purga os erros que cometeu na terra, até o dia em que manifeste desejos sinceros de corrigi-los.

As colônias correcionais são verdadeiras cidades de vida organizada, nas quais o espírito se prepara para reencarnar-se. Nelas o espírito rememora as encarnações passadas e traça os planos do futuro. E enquanto aguarda o dia de reencarnar-se, estuda e entrega-se a um trabalho edificante.

As colônias de elevação são moradas de espíritos que já atingiram o máximo de perfeição moral que a Terra lhes podia oferecer. Nelas os espíritos fazem um estágio preparatório antes de se transferirem para um mundo superior ou para voltarem à Terra em missões de grande alcance social, visando ao bem da humanidade.

Independente dessas colônias espirituais, existem os mundos espirituais, os quais são habitados por espíritos que não mais necessitam das reencarnações, em virtude do grande progresso que já realizaram.

F - A PERSONALIDADE DO ESPIRITO

0 espírito desencarnado conserva a mesma personalidade que teve na Terra quando encarnado. Assim, quando desencarnarmos, não seremos nem mais nem menos do que hoje somos; acompanham-nos para o lado de lá nossas boas e nossas más qualidades.

Contudo, como no mundo espiritual veremos as coisas tais quais elas são, sem o véu do orgulho a obscurecer-nos a razão, redobramos de esforços para vencer nossas más qualidades; porque compreenderemos que estas serão sempre um entrave â nossa real felicidade.

Modifiquemos, pois, daqui por diante, nossa concepção a respeito dos espíritos. Eles não são fantasmas cuja única ocupação é assombrar-nos; também não são todo-poderosos para atenderem aos nossos caprichos; não sabem tudo para responderem a todas nossas perguntas; e não vivem, sofredores, em infernos eternos; nem, ociosos, em paraísos inúteis.

G - O PROGRESSO

Através de nossas vidas sucessivas, ora num plano, ora noutro, qual o alvo a que devamos atingir?

Nosso alvo é a perfeição; atingi-la-emos pelas nossas lutas, dores, sacrifícios, trabalhos e estudos.

A perfeição consiste em conseguirmos a virtude e a sabedoria. A virtude disciplina nosso coração; e a sabedoria, o nosso cérebro.

0 Universo é a nossa universidade; e a Terra, presentemente, a nossa oficina. A universidade nos ensinará a sabedoria e a virtude; a oficina nos facultará as oportunidades de aplicarmos as lições.

Tal é o progresso.

H - TRANSFERÊNCIA DE MORADA

O Universo é dividido em número infinito de mundos; e cada um deles nos oferece determinados tipos de ensinamentos.

Quando tivermos progredido suficientemente num mundo, a ponto de não ter ele mais nada para nos ensinar, quer em virtudes, quer em sabedoria, ser-nos-á permitido o ingresso no mundo imediato superior, onde, como em nova classe de aulas, continuaremos nossos estudos e trabalhos.

Se um espírito demonstrar-se refratário às possibilidades de progresso que o seu mundo lhe oferece, é rebaixado a um outro condizente com seu estado. Não é um retrocesso: é simplesmente a volta a um plano equivalente à sua condição, depois de lhe terem sido concedidas oportunidades de elevação que não soube aproveitar.

E com relação às colônias espirituais que gravitam ao redor da Terra, o processo é o mesmo: cada vez que desencarnarmos, iremos para a que esteja de conformidade com o progresso que tivermos realizado em nossa última encarnação.

I - O PROGRESSO DO ESPIRITO ENCARNADO

Como progrediremos nós, espíritos encarnados? É pelo trabalho que progredimos.

Podemos dividir o nosso trabalho aqui na terra em cinco espécies:

1º - O trabalho para ganharmos honestamente o pão de cada dia.

2º - O trabalho para adquirirmos conhecimentos morais.

3º - O trabalho para conquistarmos conhecimentos intelectuais.

4 º - O trabalho para acumularmos conhecimentos espirituais.

5º - O trabalho para bem aplicarmos os nossos conhecimentos.

J - O PROGRESSO DO ESPIRITO DESENCARNADO

Não nos iludamos com nossa situação depois da morte. Não iremos encontrar um paraíso de ociosidade, nem um inferno de penas eternas. Encontraremos um mundo espiritual, onde continuaremos nossa vida de aprendizado, de trabalho e de progresso.

Tão logo desencarnarmos, seremos levados por nossos amigos e familiares para a colônia espiritual que nos for adequada. Lá, sob a orientação de mentores sábios, organizaremos nossa nova vida. E repartindo nosso tempo entre o estudo e o trabalho, prepararemos nossa futura reencarnação.

K - ESTACIONAMENTO DO ESPIRITO ENCARNADO

Um dos grandes perigos a que estamos expostos é o de estacionar, isto é, pararmos, atrasarmo-nos na marcha do progresso.

Todo o estacionamento é de consequências penosas pelo esforço que nos obrigará a despender na reconquista do tempo perdido.

Estacionamos quando não cumprimos os nossos deveres; quando não cultivamos nossa inteligência; quando nós nos entregamos à ociosidade, aos vícios, à maldade; quando somos indiferentes ao sofrimento alheio.

É mister, pois, que imponhamos a nós próprios severa vigilância para evitarmos o estacionamento o qual nos trará como consequência o pouco aproveitamento da reencarnação que nos foi concedida.

L - O ESTACIONAMENTO DO ESPIRITO DESENCARNADO

Assim como podemos estacionar, também o podem os espíritos desencarnados. Isso acontece quando o espírito, em lugar de aceitar sua situação de desencarnado, persiste em manter-se apegado à vida da qual a morte o afastou.

Muitos espíritos não querem abandonar a morada terrena e nela permanecem como se estivessem ainda encarnados; outros se revoltam; alguns se entregam a vinganças mesquinhas, ou à prática do mal, obsedando os encarnados, ou secundando-os em seus atos malignos; outros, enfim, entregam-se à preguiça e à inércia. Esses espíritos infelizes têm em sua frente um futuro tormentoso; o dia de se reencarnarem chegará infalivelmente; e como não cuidaram de se prepararem no mundo espiritual, terão na terra uma vida de dissabores e de sofrimentos.

Não julguemos, porém, que lhes falte amparo. Os irmãos superiores estão a adverti-los constantemente, convidando-os a abandonarem aquela vida inútil e sugerindo-lhes oportunidades de se elevarem; é questão só de obediência e um pouco de humildade.

Para que o espírito não estacione no mundo espiritual, há de se conformar com sua nova modalidade de vida, procurando tirar dela o máximo de proveito pelo trabalho assíduo e fecundo.

M - CUIDADOS ESPECIAIS PARA NAO ESTACIONAR

Tanto em nossa atual condição de encarnados, como em nossa futura de desencarnados, havemos de tomar precauções para não estacionar.

O cultivo do coração, isto é, dos bons sentimentos é fundamental.

Diz o venerando instrutor Emanuel que no coração situa-se o centro da vida; dele partem as correntes imperceptíveis do desejo. E o desejo através do pensamento se transforma em palavras e em atos. Por isso se nosso coração estiver educado pelos bons sentimentos, nossos pensamentos, palavras e atos serão puros, compelindo-nos ao progresso.

Continua ainda Emanuel ensinando que a religião é a força que alarga os potenciais do nosso sentimento e, por isso, a educadora por excelência de nossos corações. É no seio da fé santificante que encontraremos as regras de conduta e perfeição que necessitamos para que nossa vida na Terra não seja uma romagem inútil. É natural, pois, que contemos com a força religiosa, a qual edifica invisivelmente nosso caráter e nosso sentimento. (Emanuel, 0 Roteiro, pág. 43 e seg., 1? edição.)

Concluímos então que um de nossos cuidados para não estacionarmos é observar os preceitos de nossa religião, pondo-os em prática, visando a nossa reforma íntima e consequente aperfeiçoamento de nosso espírito.