ÉTER
BIBLIOGRAFIA
01- A LEVITAÇÃO, pag. 17, 139 02 - A SUGESTÃO MENTAL, pag. 205
03 - AFINAL, QUEM SOMOS?, pag. 94, 368 04 - ANÁLISE DAS COISAS, pag. 34, 59
05 - ANTOLOGIA DO PERISPÍRITO, ref. 504, 824 06 - AS CASAS MAL ASSOMBRADAS, 318
07 - CIÊNCIA E ESPIRITISMO, pag, 31 , 36 08 - DINÂMICA PSI, pag. 47
09 - ENIGMAS DA PSICOMETRIA, pag. 44, 71 10 - ENTRE A MATÉRIA E O ESPÍRITO, pag. 143

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

ÉTER – COMPILAÇÃO

01 - ÉTER

Quando nos aproximávamos do Chico, era comum sentirmos perfumes a se irradiarem dele.

Como os odores mudassem, às vezes entremeados com o forte cheiro de éter, sabia-se que eram produzidos pela Espiritualidade, que se utilizava de suas faculdades.

O apóstolo Paulo, em mensagem do capítulo XV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, referindo-se aos homens que praticam a máxima "Fora da caridade não há salvação", afirma:

— Reconhecê-los-eis pelo perfume da caridade que espalham em torno de si.

Chico Xavier foi um deles.

Quando os perfumes não eram materializados, em torno do medianeiro permanecia o perfume de sua aura, que era percebido por todos aqueles dotados de maior sensibilidade.

Lembramo-nos de alguns fatos relacionados a essa faculdade em nossos contatos, entre eles o de uma senhora de nossa comunidade, que, estando na fila para se despedir do médium, viu outra senhora à sua frente retirar-se com o lenço perfumado. Quando chegou a sua vez, ela colocou um pequeno lenço em sua mão e, colando-a na mão do médium, pediu-lhe:

— Chico, me dê um pouco de perfume também.

Imediatamente ela sentiu sua mão umidecer-se e, quando a retirou, o lenço estava molhado, exalando suave perfume. Emocionada ela beijou-lhe a mão, e, como sempre ocorria, Chico retribuiu-lhe o gesto.

Depois de exibi-lo aos confrades que constataram o fenômeno, ela o guardou com cuidado e carinho.

O lencinho manteve os resquícios do perfume ainda por muitos dias.

Do livro Inesquecível Chico – Edição GEEM)

02 - ÉTER

Livro dos Espíritos (Livro Segundo - Cap. II - questões 23 a 28)

O que é o Espírito?
"O princípio inteligente do Universo."

Qual é a natureza íntima do Espírito?
"O Espírito não é fácil de analisar em sua linguagem. Para os homens não é nada, porque o Espírito não é algo palpável; mas para nós, é alguma coisa. Saibam-no bem, nenhuma coisa é o nada, e o nada não existe."

Espírito é sinônimo de inteligência?
"A inteligência é um atributo essencial do Espírito; mas um e outro confundem-se em um princípio comum, de sorte que, para os homens, passa a ser a mesma coisa."

O Espírito é independente da matéria ou é apenas uma propriedade dela, como as cores são propriedades da luz e o som, uma propriedade do ar?
"Tanto um como o outro são distintos; mas é necessária a união do Espírito e da matéria para dar a inteligência a esta."
Essa união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito? (Entendemos, aqui por Espírito, o princípio da inteligência, abstração feita às individualidades designadas por esse nome.)
"Ela é necessária para os encarnados, porque não são organizados para perceber o Espírito sem a matéria; seus sentidos não foram feitos para isso."

Pode-se conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?
"Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento."

Existiriam, assim, dois elementos gerais no Universo: a matéria e o Espírito?
"Sim, e acima de ambos, Deus, o Criador, pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material, falta acrescentar o fluido universal que representa um papel intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, densa demais para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora sob um certo ponto de vista, se pudesse considerá-lo como um elemento material, ele se distingue pelas propriedades especiais que possui. Se não fosse matéria positivamente, não haveria razão para que o Espírito não o fosse também. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria; suscetível, por suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do Espírito, de produzir a variedade infinita de coisas das quais os homens conhecem apenas uma diminuta parte. Esse fluido universal (2) ? , ou primitivo, ou elementar, sendo o agente que o Espírito emprega, é o princípio sem o qual a matéria estaria em estado perpétuo de dispersão e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá."

(2) Fluido Universal - o original francês utiliza a palavra Fluido Universal e não Princípio Universal. De acordo com o Oxford English Dictionary, não era incomum aos físicos da metade do século XIX utilizarem-se da palavra fluido com o sentido de tênue, sutil, imponderável, para todas as substâncias permeáveis, cuja existência foi admitida por conta dos fenômenos de calor, magnetismo e eletricidade. Em nossos dias, entretanto, fluido é mais comumente definido como uma substância líquida ou gasosa que corre ou se expande à maneira de um líquido ou gás, tomando a forma do recipiente em que está colocado. A escolha dos espíritos por determinadas terminologias, prendeu-se aos jargões científicos da época, mas a linguagem humana é dinâmica e vocábulos que hoje são correntes, podem facilmente se tornar obsoletos em poucas décadas. Assim, estender-se sobre a antiga terminologia (fluido), seria uma grave injustiça à idéia dos Espíritos, que é nova e corrente hoje como há 50 anos atrás, quando foi apresentada pela primeira vez. Interessante será apresentar a noção de um elemento fundamental, que transcende as estruturas conhecidas da matéria, o que leva-nos à lei de gravitação universal de Newton (Sir Isaac Newton, 1642-1727). De acordo com essa lei, cada partícula da matéria atrai qualquer outra partícula, estando tudo inter-relacionado. O que os Espíritos superiores parecem indicar é que a força gravitacional não pode resultar das partículas da matéria por ela mesma; ao invés, seria uma transformação ou teria a sua origem no fluido cósmico universal.
Podemos também traçar paralelos importantes da noção de fluido cósmico universal dos Espíritos com o trabalho de James C.Maxwell (1831-1879) e Albert Einstein (1879-1955). Na metade da década de 1860, a teoria do eletromagnetismo de Maxwell trouxe o magnetismo, a eletricidade e a luz à uma integrada estrutura matemática e apresentou aos físicos o conceito de campos, que acreditamos ser modificações de uma estrutura sutil, o éter. O fato de que o éter dissimula a detecção em experimentos laboratoriais, motivou Einstein a propor a Teoria da Relatividade em 1905, que, conquanto abstraindo a noção de éter, calculou o fenômeno eletromagnético em termos de campos isolados. Na visão de Einstein, campos são antimatéria ao natural. Uma questão importante permanece, entretanto: é possível haver campos ocorrendo dentro do nada? A descoberta deste meio sutil, no qual os campos desenvolvem a própria existência, e no qual os Espíritos superiores denominaram fluido cósmico universal, é em nossos dias, o objetivo central dos físicos teóricos.
Mais recentemente, o mecanismo do quântum tem oferecido uma visão alternativa para a teoria da Relatividade. Investigando os mais íntimos segredos da matéria, os físicos quânticos encontraram uma imensa quantidade de partículas bem menores dentro do átomo. Eles descobriram, também, que cada partícula tem seu próprio campo de matéria. Desta forma, os campos das chamadas partículas elementares da matéria podem ser considerados como campos fundamentais e juntamente com os campos eletromagnéticos e gravitacionais, os campos fundamentais da Natureza. Nesse sentido, as formas vivas constituídas de átomos, células, organismos e corpos seriam um complexo sistema de campos hierárquicos. Entretanto, o conhecimento de que essas partículas não são matéria nem vibração, ou que talvez eles sejam ambas as coisas, traz o desafio de identificação das forças que mantém a “atividade” dentro dos campos. A visão irrealizada de Einstein foi uma teoria de campos unificados que circundam os campos conhecidos pelos físicos: a matéria gravitacional, eletromagnética, e o quântum. Como o fluido cósmico universal, esta superforça teria a propriedade de trazer o universo ao nascimento, dando-lhe luz, energia, substância, e estrutura.
É juntamente com este background de conhecimentos que devemos entender o conceito de fluido cósmico universal. Os Espíritos superiores apresentaram esta noção de forma que pudesse ir ao encontro do conhecimento científico e a linguagem da época (1850), mas de forma que também permitisse ser compreendido no futuro (nos dias atuais). Certamente, deve ter sido seu desejo que cada geração criasse suas próprias pontes de acesso à interpretação dos conceitos e, desta forma, fazendo parte da busca da “compreensão da vida”. Fonte: KARDEC, Allan – The Spirit’s Book, Allan Kardec Educational Society, Philadelphia, USA, 1996. (N. do E.)
Esse fluido seria o que designamos pelo nome de eletricidade?
"Dissemos que ele é suscetível de inumeráveis combinações. Isso a que chamam fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil e que pode ser vista como independente."

Por que o próprio Espírito é alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusões designar esses dois elementos gerais pelas palavras: matéria inerte e matéria inteligente?
"As palavras nos importam pouco. A linguagem deve ser formulada de maneira a se tornar compreensível. As dissensões humanas surgem porque sempre há desentendimentos sobre as palavras, pois a linguagem humana é incompleta para as coisas que não lhes ferem os sentidos."

Um fato patente domina todas as hipóteses; vemos que a matéria não é inteligente; vemos um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão de ambas as coisas nos são desconhecidas. Que tenham ou não uma origem comum, com os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha sua existência própria ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade - é o que ignoramos. Elas nos parecem distintas, porque as admitimos como formando dois princípios constitutivos do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue pelos atributos essenciais: é a essa inteligência suprema que chamamos Deus.
O Evangelho Segundo o Espiritismo ( Meu reino não é deste Mundo - Cap. II)
A vida futura - A realeza de Jesus - O ponto de vista - Instruções dos Espíritos: Uma realeza terrena.

1. Voltando Pilatos ao pretório e tendo chamado Jesus, lhe disse: Tu és o rei dos judeus? - Jesus respondeu-lhe : Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, os meus ministros haveriam de combater para impedir-me de cair nas mãos dos judeus; mas por ora, o meu reino não é daqui. Pilatos, então, lhe disse: Tu és, então, rei? - Jesus respondeu: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para testemunhar a verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. (João, XVIII:33-37
A vida futura

2. Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que deve chegar a Humanidade, devendo ser o objeto das principais preocupações do homem sobre a Terra. Todas as suas máximas se voltam a esse grande princípio. Sem a vida futura, na verdade, a maior parte de seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que aqueles que não acreditam na vida futura, crendo que Ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris.
Este dogma pode ser considerado, então, como o ponto central do ensinamento do Cristo. É por isso que ele está colocado entre os primeiros, no início desta obra, pois deve ser o objetivo de todos os homens. Somente Ele pode justificar as anomalias da vida terrestre e harmonizar-se com a justiça de Deus.

3. Os judeus tinham idéias muito imprecisas no tocante à vida futura. Acreditavam nos anjos, que consideravam como os seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens, um dia, pudessem tornar-se anjos e participar da felicidade angélica. Segundo pensavam, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens da Terra, pela supremacia de sua nação no mundo, pelas vitórias sobre os seus inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram o castigo pela sua desobediência. Moisés não poderia dizer mais a um povo de pastores, ignorante, que precisava ser tocado antes de tudo pelas coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus veio lhes revelar que há um outro mundo, no qual a justiça de Deus segue seu curso. É esse mundo que ele promete àqueles que observam os mandamentos de Deus e no qual os bons encontrarão sua recompensa. Esse mundo é o seu reino onde se encontra em toda a sua glória, e para o qual voltará ao deixar a Terra.
Entretanto, apropriando o seu ensinamento ao estado dos homens de sua época, Jesus evitou de lhes dar o esclarecimento completo, que os deslumbraria sem instruir, pois eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de alguma forma, a vida futura como um princípio, como uma lei natural, à qual ninguém pode escapar. Todo cristão crê forçosamente na vida futura, mas a idéia que se faz dela é vaga, incompleta, e por isso mesmo falsa em muitos pontos. Para um grande número, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza decisiva. Daí as dúvidas e até mesmo a incredulidade.
O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em muitos outros, o ensinamento do Cristo, quando os homens se mostraram maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais um simples artigo de fé, ou uma hipótese. É uma realidade material, demonstrada pelos fatos. Porque são as testemunhas oculares que vêm descrevê-la em todas as suas fases e ocorrências, de tal maneira, que não apenas a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais comum pode fazer uma idéia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma como se representa um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal forma circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz daqueles que nela se encontram, que se diz apesar de tudo que não pode ser diferente, e que lá está realmente bem representada a justiça de Deus.

03 - ÉTER

Mesmerismo e Espiritismo
Jáder dos Reis Sampaio

É muito usual nos centros espíritas falar-se que o passe tem suas origens em Mesmer, contar-se sobre a tina das convulsões e que o médico vienense magnetizava a água. Estes são alguns dos aspectos do trabalho do mesmo que foi bem mais amplo e que marcou profundamente a Doutrina Espírita, seja em sua terminologia, seja nos princípios teóricos nos quais se baseia a sua prática.

Formação de Mesmer.
As opiniões sobre Franz Anton Mesmer (1734/1814) são controvertidas ainda hoje. Alguns o consideram charlatão, outros místico e biógrafos como Zweig são entusiastas em defender sua erudição e espírito científico, que afirma terem sido subvalorizados pelas instituições acadêmicas de sua época.

Sua formação intelectual foi ampla. Possuiu títulos acadêmicos em teologia, filosofia, direito e medicina. Prosseguiu estudando geologia, física, química, matemática, filosofia abstrata e música.

O Início da Clínica.
Mesmer iniciou seu trabalho clínico com magnetismo por volta de 1774, quando tornou-se moda usarem-se ímãs como terapêutica para as doenças do corpo. Entre os métodos inicialmente adotados, Mesmer aplicava diretamente ímãs sobre regiões enfermas, friccionava-as, colocava ímãs em bolsinhas de couro para que seus pacientes as usassem no pescoço, magnetizava água, taças, espelhos, vestidos, instrumentos musicais e outros objetos por fricção. Procurou um meio de acumular a energia magnética e conduzi-la. Construiu então o "baquet", ou cuba da saúde, que viria a ser conhecido como a tina das convulsões. Era um grande tanque de água em que "duas garrafas cheias de água magnetizada correm convergentes para uma barra provida de pontas condutoras móveis, das quais os pacientes podem aplicar algumas nas regiões doentes." (ZWEIG, 1956. p.37)

Posteriormente o médico vienense abandonaria os ímãs e escreveria um tratado sobre o "magnetismo animal", onde atribuiria às suas próprias mãos o desprendimento de uma força que curaria os males orgânicos e impregnaria objetos. "De todos os corpos da natureza é o próprio homem que atua com mais eficácia sobre o homem."

No mesmo ano em que redigiu seus primeiros escritos sobre o magnetismo animal (1776) ele defendeu uma tese sobre a ação dos astros sobre o homem através de um éter primordial.

Mesmeromania.
Um dos momentos importantes da clínica de Mesmer foi em Paris, na década de 80, quando o povo francês tomou-se daquilo que Zweig denomina "mesmeromania". As descrições dos biógrafos nos sugerem um misto de magnetização e misticismo. Mesmer montou três grandes cubas no seu pequeno hospital. Neste ambiente, tocava-se piano ou harmônio e Mesmer entrava na sala usando uma longa bata de seda lilás e carregando consigo um bastonete de ferro com o qual tocava as áreas afetadas dos pacientes. Enquanto caminhava pela câmara era freqüente o surgimento de convulsionários, principalmente no meio dos pacientes que se tratavam na cuba. É curioso destacar que os pacientes sob a ação do magnetizador eram chamados médiuns e o fato se deve à sua condição de meio de atuação do magnetismo animal.

Convulsionários.
Uma comissão científica composta por Lavoisier, Bailly, Jussieu, Guilhotin e Benjamim Franklin, pelo rei Luís, para pesquisar o fenômeno descreve os convulsionários como se vê:

"Uns se mostram tranqüilos; quietos e como enlevados; outros tossem, cospem, experimentam imensas dores, calor em todo o corpo e têm acessos de suor; outros são presas de convulsões extraordinárias em número, duração e força. Quando se manifestam em um deles, se transmite em seguida aos outros. A comissão as viu prolongarem-se por espaço de três horas, seguidas de expulsão pela boca de uma espécie de água turva e viscosa, devido à violência dos esforços. Observam-se nesses escarros algumas gotas de sangue.

Tais convulsões se caracterizam por irreprimíveis e repentinos movimentos dos membros e de todo o corpo, contrações na garganta, tremores na região abdominal (hipocôndrio) e na do estômago (epigástrio), perturbações e fixidez do olhar, gritos agudos, eructações, choros e acessos selvagens de riso. Seguem-se logo prolongados estados de cansaço e abatimento, languidez e prostração. O menor ruído inesperado os sobressalta em extremo e se tem observado que as mudanças de tom e compasso nas melodias que se interpretam ao piano influem nos enfermos, de modo que um crescendo os excita mais e aumenta a violência dos acessos nervosos.

Nada mais estranho do que o espetáculo dessas convulsões e quem não as viu não pode imaginá-las. Não pode também ninguém deixar de se surpreender ao ver, de uma parte, a calma perfeita de uma série de pacientes e, de outra a excitação dos restantes; os diversos incidentes que se produzem e a simpatia que reina entre eles; vêem-se enfermos que sorriem reciprocamente e conversam com grande delicadeza e afabilidade, o que abranda seus espasmos. Com sua força magnética Mesmer conserva-os subjugados e, se se acham num estado aparente de prostração, seu olhar e sua voz os reanimam num instante."

(ZWEIG, 1956. p.71)

Sonambulismo:
Junto aos convulsionários houve um outro tipo de reação, a dos médiuns sonambúlicos. Estes caíam em um estado semelhante ao sono e eram passíveis de sugestões. Mesmer, entretanto, não deu o devido valor a este fenômeno, valor que só veio a ser dado pelo Marquês de Puységur. Puységur estudou os médiuns sonambúlicos (latim: ambulo = passear, andar; somnus = sono) e descreveu coisas importantes sobre eles, como a inexplicável capacidade que possuem de andar de olhos fechados por lugares perigosos sem caírem ou acidentarem-se. Falou de um "sens interieur" ou uma dupla vista (no inglês: second sight). Os médiuns sonambúlicos podiam responder perguntas e um aprofundamento em suas faculdades acabou evoluindo para as chamadas reuniões mediúnicas do início do século XIX. Estas reuniões traziam muitos elementos do Mesmerismo, como a "cadeia" de participantes, popularmente conhecida nos dias de hoje como "corrente" ou "fechar a corrente", que era a colocação das pessoas ao lado da cuba da saúde.

Sucessores de Mesmer:
O trabalho de Mesmer desencadeou uma série de escolas que sucederam-no na tentativa de trabalhar com a ampla fenomenologia levada a público pela mesmeromania. Observam-se algumas tendências através do esquema abaixo:

1) Escola Fluidista. Explica os fenômenos pela exalação de uma substância nervosa corporal. Dos muitos ramos que esta escola possui podemos citar Deleuze, Reichembach, entre outros.

2) Escola Animista. Explica os fenômenos pela atuação da vontade sobre a consciência. Podemos citar os trabalhos de Barbarin (sugestão), James Braid (hipnose) e os desencadeados por eles como os de Charcot e Bernheim.

3) Escola Espiritualista. Explica os fenômenos pela ação de entidades extracorpóreas sobre a consciência. Podemos citar a Teosofia (Blavatsky) e o Espiritismo (Kardec).

Ressalva-se que as escolas não são mutuamente exclusivas, isto é, a explicação de uma escola não elimina a explicação de outras, embora alguns dos autores acima citados tivessem reduzido seu trabalho ao seu campo teórico e não dessem notícias dos outros.

O trabalho de Kardec cabe nas três classificações, uma vez que ele relativiza os fenômenos e atribui causas diferentes a fenômenos diferentes. A grande ênfase do seu trabalho, entretanto, reside no desenvolvimento da terceira hipótese, que ele desenvolve no sentido de diferenciá-la do seu objeto de trabalho e não buscando aprofundar-se nela.

Mesmer em Kardec.
As influências do mesmerismo na obra de Kardec são claras.

"Allan Kardec reconhece que o estudo do magnetismo despertou o seu interesse desde 1820; o que fez dizer a certos adversários do Espiritismo, como René Guenon, que os médiuns de Allan Kardec estavam hipnotizados pelo fundador do Espiritismo e que falavam segundo a vontade dele. (...) O magnetismo, escreve Kardec em 1858, preparou o caminho do Espiritismo e os rápidos progressos desta última doutrina são devidos, incontestavelmente, à vulgarização dos conhecimentos sobre a primeira. Dos fenômenos do magnetismo, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, não há mais que um passo..."

(MOREIL, 1986. p.47)

Uma primeira influência é a da terminologia. Kardec "redefiniu" muitos termos do magnetismo. Muitos leitores do Espiritismo acreditam que ele criou as palavras, mas não é verdade: Kardec criou conceitos novos. Palavras como espírito e médium são anteriores ao codificador. O sentido atribuído a elas por Kardec é que é singular à Doutrina Espírita; são conceitos a partir dos quais ela se constitui.

Médium, para o mesmerismo, é a pessoa que se coloca sob a ação do magnetizador. Para Kardec, "todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por este fato, médium." (Kardec, 1861. cap. XIV)

O termo médium sonambúlico cabe também às duas ciências com acepções diferentes. Para o mesmerismo este seria qualquer pessoa que entra em estado sonambúlico mediante a aplicação do magnetismo. Em Kardec os médiuns sonambúlicos seriam apenas os sonâmbulos capazes de acusar a presença de espíritos e servirem como seus intérpretes ou intermediários. (Kardec, 1861. § 172 a 174)

A noção de um éter primordial está presente em "O Livro dos Espíritos" e em "A Gênese", ampliada e discutida com o nome de "Fluido Universal ou Fluido Cósmico". Em ambos Kardec também trata de temas como letargia, sonambulismo, dupla vista, convulsionários e outros temas importantes ao mesmerismo.

Há três mensagens atribuídas a Mesmer, publicadas na Revista Espírita (1864, p.303 e 1865, p. 153).

Kardec publicou diversos artigos sobre o magnetismo na Revista Espírita. Neles, Kardec faz assertivas como: "O Espiritismo liga-se ao magnetismo por laços íntimos, como ciências solidárias." Ou então: "Os espíritos sempre preconizaram o magnetismo, quer como meio de cura, quer como causa primeira de uma porção de coisas..." Kardec queixou-se dos ataques desfechados por adeptos do mesmerismo em sua época contra o Espiritismo, defendeu os magnetizadores e seu tratamento à base de toques e passes magnéticos, defendeu-os também contra ações judiciais movidas por pacientes insatisfeitos. Relatou o tratamento pelo hipnotismo e descreveu o caso de pacientes tratados por Braid e Broca e por outros acadêmicos da época.

A incorporação dos "passes magnéticos" e da "água magnetizada" ao movimento espírita, não é uma mera transposição de práticas, uma vez que Kardec estudou e propôs a ação e intervenção dos espíritos no tratamento magnético, ampliando a noção de fluido.

O conhecimento do Mesmerismo e de outras doutrinas contemporâneas a Kardec facilitam o estudo da obra do codificador e nos permite fazer leituras mais precisas. Obviamente, o sentido atual de magnetismo, postulado pela Física, difere bastante do sentido do magnetismo de Mesmer. Ignorar este aspecto é perder o sentido de muitas afirmações do codificador. Muitos enganos cometidos por leitores e comentaristas desavisados, e muitas vezes polemistas contumazes, seriam mais facilmente esclarecidos se conhecêssemos melhor as nossas raízes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BALZAC, Honoré. Úrsula Mirouët. A comédia humana. (3ª ed bras) Rio de Janeiro: Globo, 1955. v.5, cap.6. Primeira edição francesa em 1841.
CASTELLAN, Yvonne. La metapsíquica. Buenos Aires, Editorial Paidós, 1955.
___________________ O Espiritismo.São Paulo: Saber Atual, 1961.
EDGE, H. et al. Foundations of parapsychology. London: Routledge & Kegan Paul Inc, 1986.
ESPECHIT, A. Aksakof versus Kardec. Correio Fraterno do ABC. São Paulo, suplemento literário, fev 87, p.3, mar 87, p.1, abr 87, p.4, mai 87, p.4.
FARIA, Osmard A. O que é hipnotismo. São Paulo: Brasiliense, 1986.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. (44ª ed. pop. bras.) Rio de Janeiro: FEB, 1978. Primeira edição francesa em 1857.
_____________ O livro dos médiuns.(40ª ed. bras.) Rio de Janeiro: FEB, 1978. Primeira edição francesa em 1861.
_____________ A gênese.(16ª ed. bras.) Rio de Janeiro: FEB, 1973. Primeira edição francesa em 1868.
KARDEC, Allan (Org.) Revista espírita.(1ª ed. bras.) São Paulo: EDICEL, 1986. Traduzido das edições francesas de 1858 a 1869.
MOREIL, André. Vida e obra de Allan Kardec. São Paulo, EDICEL, 1986.
WANTUIL, Zêus, THIESEN, Francisco. Allan Kardec. Rio de Janeiro: FEB, 1980. v.2.
ZWEIG, Stephan A cura pelo espírito. Rio de Janeiro: Delta, 1956.

04 - ÉTER

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo - CVDEE
Sala de Estudos André Luiz

Livro em estudo: Mecanismos da Mediunidade (Editora FEB)
Autor: Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier
e Waldo Vieira

3 - Fótons e fluido cósmico (III)


MECÂNICA ONDULATÓRIA _ Físicos dis­tintos não se sentiam dispostos a concordar com as novas observações de De Broglie, alegando que a teoria se mostrava incompatível com o fenômeno da difração e pediam que o sábio lhes fizesse ver a difração dos elétrons, de vez que não admitiam a existência de corpúsculos desfrutando proprieda­des que, a seu ver, eram exclusivamente caracte­rísticas das ondas.

Pouco tempo decorrido, dois cientistas ameri­canos projetaram um jato de elétrons sobre um cristal de níquel e registraram a existência da di-fração, de conformidade com os princípios de De Broglie.

Desde então, a mecânica ondulatória instalou-se na Ciência, em definitivo.

Mais da metade do Universo foi reconhecido como um reino de oscilações, restando a parte constituída de matéria igualmente suscetível de converter-se em ondas de energia.

O mundo material como que desapareceu, dan­do lugar a tecido vasto de corpúsculos em movi­mento, arrastando turbilhões de ondas em frequên­cias inumeráveis, cruzando-se em todas as direções, sem se misturarem.

O homem passou a compreender, enfim, que a matéria é simples vestimenta das forças que o servem nas múltiplas faixa da Natureza e que todos os domínios da substância palpável podem ser plenamente analisados e explicados em lingua­gem matemática, embora o plano das causas con­tinue para ele indevassado, tanto quanto para nós, as criaturas terrestre temporàriamente apartadas da vida física.

CAMPO1 DE EINSTEIN - Conhecemos a gama das ondas, sabemos que a luz se desloca em feixes corpusculares que denominamos _fótons_, não ignoramos que o átomo é um remoinho de for­ças positivas e negativas, cujos potenciais variam com o número de elétrons ou partículas de força em torno do núcleo, informarno-nos de que a energia, ao condensar-se surge como massa para trans­formar-se, depois, em energia; entretanto, o meio sutil em que os sistemas atômicos oscilam não pode ser eqüacionado com os nossos conhecimentos. Até agora, temos nomeado esse «terreno indefinível, como sendo o «éter»; contudo, Einstein, quando buscou imaginar-lhe as propriedades indispensáveis para poder transmitir ondas características de bi­lhões de oscilações, com a velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, não conseguiu acomodar as necessárias grandezas matemáticas numa fór­mula, porqüanto as qualidades de que essa maté­ria devia estar revestida não são combináveis, e concluiu que ela não existe, propondo abolir-se o conceito de «éter», substituindo-o pelo conceito de «campo».

Campo, desse modo, passou a designar o es­paço dominado pela influência de uma partícula de massa.

Para guardarmos uma ideia do princípio esta­belecido, imaginemos uma chama em atividade. A zona por ela iluminada é-lhe o campo peculiar. A intensidade de sua influência diminui com a dis­tância do seu fulcro, de acordo com certas propor­ções, isto é, tornando-se 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, etc., a revelar valor de fração cada vez menor, sem nunca atingir a zero, porque, em teoria, o campo ou região de influência alcançará o infinito.

A proposição de Einstein, no entanto, não re­solve o problema, porque a indagação quanto àmatéria de base para o campo continua desafiando o raciocínio, motivo pelo qual, escrevendo da esfera extra-fisica, na tentativa de analisar, mais acura­damente, o fenômeno da transmissão mediúnica, definiremos o meio sutil em que o Universo se equi­libra como sendo o Fluido Cósmico ou Hálito Di­vino, a força para nós inabordável que sustenta a Criação.


Muita paz a todos e bom estudo

Equipe CVDEE