EVOLUÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A CAMINHO DA LUZ, pag. 26 02 - A EVOLUÇAO ANIMICA, pag. 70, 120
03 - A EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIG. pag, 108 04 - A LOUCURA SOB NOVO PRISMA, pag. 79
05 - A MANSÃO RENOIR, pag. 169 06 - A MATÉRIA PSI, pag. 40
07 - A NOVA FÍSICA E O ESPÍRITO, pag. 74 08 - A REENCARNAÇÃO, 68, 311

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

EVOLUÇÃO – COMPILAÇÃO

01 - EVOLUÇÃO

Evolução (também conhecida como evolução biológica, genética ou orgânica), no ramo da biologia, é a mudança das características hereditárias de uma população de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem e se diversifiquem ao longo do tempo.

Do ponto de vista genético, evolução pode ser definida como qualquer alteração no número de genes ou na frequência dos alelos de um ou um conjunto de genes, em uma população, ao longo das gerações. Mutações em genes podem produzir características novas ou alterar características que já existiam, resultando no aparecimento de diferenças hereditárias entre organismos. Estas novas características também podem surgir da transferência de genes entre populações, como resultado de migração, ou entre espécies, resultante de transferência horizontal de genes. A evolução ocorre quando estas diferenças hereditárias tornam-se mais comuns ou raras numa população, quer de maneira não-aleatória através de selecção natural ou aleatoriamente através de deriva genética.

A selecção natural é um processo pelo qual características hereditárias que contribuem para a sobrevivência e reprodução se tornam mais comuns numa população, enquanto que características prejudiciais tornam-se mais raras. Isto ocorre porque indivíduos com características vantajosas tem mais sucesso na reprodução, de modo que mais indivíduos na próxima geração herdam estas características.1 2 Ao longo de muitas gerações, adaptações ocorrem através de uma combinação de mudanças sucessivas, pequenas e aleatórias nas características, mas significativas em conjunto, em virtude da seleção natural dos variantes mais adequados - adaptados - ao seu ambiente.3 Em contraste, a deriva genética produz mudanças aleatórias na frequência das características numa população. A deriva genética reflete o papel que o acaso desempenha na probabilidade de um determinado indivíduo sobreviver e reproduzir-se.

Espécie pode ser definida como o agrupamento dos espécimes capazes de compartilhar material genético - usualmente por via sexuada - a fim de reproduzirem-se gerando descendência fértil. No entanto, quando uma espécie é separada em várias populações que por algum motivo não mais se possam cruzar, mecanismos como mutações, deriva genética e a selecção de características novas provocam a acumulação de diferenças ao longo de gerações, diferenças que, acumuladas, podem implicar desde curiosidades biológicas como os denominados aneis de espécies até a emergência de espécies novas e distintas.4 As semelhanças entre organismos sugere que todas as espécies conhecidas descenderam de um ancestral comum (ou pool genético ancestral) através deste processo de divergência gradual.

Estudos do registro fóssil permitem reconstruir de forma satisfatoriamente precisa o processo de evolução da vida na Terra, desde os primeiros registros de sua presença no planeta - que datam de 3,4 mil milhões de anos atrás - até hoje 5 . Tais fósseis, juntamente com o reconhecimento da fabulosa diversidade de seres vivos atrelada - a grande maioria hoje extinta - já em meados do século dezanove mostravam aos cientistas que as espécies encontram-se cronologicamente relacionadas, e que essas mudam ao longo do tempo.6 7 Contudo, os mecanismos que levaram a estas mudanças permaneceram pouco claros até o reconhecimeno científico de que o próprio planeta tem uma história geológica muito rica - implicando mudanças ambientais constantes - e até a publicação do livro de Charles Darwin - A Origem das Espécies - detalhando a teoria de evolução por selecção natural.8 O trabalho de Darwin levou rapidamente à aceitação da evolução pela comunidade científica.

Na década de 1930, a selecção natural darwiniana foi combinada com a hereditariedade mendeliana 13 em uma síntese moderna, onde foi feita a ligação entre as unidades de evolução - os genes - e o mecanismo central de evolução - fundado na deriva genética e selecção natural. Tal teoria, denominada Síntese Evolutiva Moderna e detentora de um grande poder preditivo e explanatório, por oferecer uma unificadora e inigualável explicação natural para toda a diversidade da vida na Terra, tornou-se o pilar central da biologia moderna

02 - EVOLUÇÃO

Espiritismo e evolução
Bernardino da Silva Moreira

Aristóteles (384-322 a.C.) classificava os animais em duas categorias: inferiores e superiores. Os animais superiores (aves,peixes, mamíferos) nascem de seus semelhantes, os inferiores (insetos, crustáceos, moluscos) surgem por geração espontânea. Mosquitos e sapos brotariam nos pântanos. De matérias em putrefação apareceriam as larvas.

Na Idade Média, a Bíblia era misturada a teorias fantasiosas que diziam que da carcaça de um cavalo morto nasciam vespas, de uma mula geravam vespões e os ratos nasciam do queijo.

Havia uma receita que dizia: Tome um vitelo. Mate o animal e enterre-o, deixando somente os chifres fora da terra. Deixo-o assim durante um mês. Serre depois os chifres e sairão centenas de abelhas.

O naturalista inglês, Rose, anunciava eruditamente: “Duvidar que as vespas e abelhas nascem do estrume das vacas, é duvidar da experiência, da razão e do bom-senso. Mesmo animais complicados, como ratos, não precisam de pai e mãe. Se alguém tiver dúvidas, vá ao Egito, e lá verá as quantidades de camundongos que infestam os campos – nascidos da lama do rio Nilo – para grande calamidade dos habitantes!”

Em 1668, o italiano Francesco Redi com dois frascos de vidro, um pedaço de gaze e alguns pedaços de carne provou o engano da teoria da geração espontânea, mas, infelizmente foi esquecido.

Na questão 46 de “O Livro dos Espíritos” a chamada geração espontânea é explicada com a existência do gérmen primitivo que, em estado latente, espera o momento próprio para desabrochar, o que convenhamos, reforça as experiências científicas realizadas pelo embriologista alemão Kaspar Friedrich Wolff em 1759, que mostrou que em embriões em ovos de galinha não havia nenhuma estrutura pré-formada, mas sim, massa de matéria viva, o que foi um golpe fatal na teoria da pré-formação, que dizia que a anatomia estava pré-formada dentro do óvulo (ou do espermatozóide). Diziam alguns teólogos da douta Igreja que no ovário de Eva havia 200.000.000 gerações pré-formadas para posteridade.

O criacionismo que advogou a tese de que as espécies são fixas, isto é, imutáveis e criadas por um ato especial da criação, ficou cada vez mais desacreditado pela Ciência que avançava com os estudos e experiências de Lamarck (1744-1829) e de Charles R. Darwin (1809-1882).

Em 1864,o químico e biologista francês Louis Pasteur, reabilita o italiano Francesco Redi, com suas experiências em frascos com “pescoço de cisne” provando que no ar ou nos alimentos, não há nenhum “princípio ativo” e conclui que a vida não é gerada espontaneamente, pois a vida se origina de outro ser vivo preexistente.

Em 1936, Alexander Oparin propõe que a partir de gases da atmosfera primitiva formam-se os primeiros compostos orgânicos que evoluem naturalmente até originarem os primeiros seres vivos. Anos depois, Oparin diz que as moléculas protéicas existentes na água se agregam na forma de coacervados (complexos de proteína). Essas estruturas, apesar de não serem vivas, têm propriedades osmóticas e podem se unir, formando outro coacervado mais complexo. Da evolução destes coacervados, surgem as primeiras formas de vida.

Nas questões 43, 44 e 45 de “O Livro dos Espíritos”, a Quimiossíntese e a teoria dos coacervados de Alexander Oparin é prenunciada pelos Espíritos superiores, com palavras diferentes, mas com a mesma idéia. No livro “A Gênese”, no cap. X, item 25, Allan Kardec com a maestria pedagógica de sempre, enriquece as questões com exemplos esclarecedores.

Hoje são reconhecidos cinco processos para a dinâmica evolutiva: mutação genética, variação na estrutura e número de cromossomos, recombinação genética, seleção natural e isolamento reprodutivo. As mutações e recombinações fornecem material para a variabilidade de características. A seleção natural elimina os mutantes inaptos. O isolamento reprodutivo limita a direção evolutiva criando barreiras de infertilidades entre indivíduos de espécies muito diferentes.

A evolução do homem é estudada pela Paleoantropologia, disciplina científica que tem origem no século passado, com as descobertas de pedra e fósseis e com a Teoria da Evolução das Espécies apresentada por Charles R. Darwin.

Um dos fatores essenciais para o desenvolvimento da Paleoantropologia é a demonstração das semelhanças anatômicas entre o homem e macacos, como gorilas e chimpanzés, feita por Darwin e discípulos como Thomas Henry Huxley (1825-1895) e Ernest Haeckel (1834-1919). Surge assim a noção de que ancestrais humanos teriam formas parecidas com as dos símios. Não há, porém, apenas um “elo perdido” (um animal a meio caminho entre o homem e o macaco) ancestral entre homens e macacos, como rapidamente foi popularizado. Os pesquisadores descobriram muitos fósseis de antigos primatas (ordem de mamíferos em que se incluem homens e macacos) e sua ordenação em uma seqüência evolutiva é complexa.

Comentando sobre esta questão, Allan Kardec no livro “A Gênese”, no cap. XI, item 15, analisa a “Hipótese sobre a origem do corpo humano”:

“Da semelhança que há nas formas exteriores entre o corpo do homem e do macaco, concluíram alguns fisiologistas que o primeiro é apenas uma transformação do segundo. Nada aí há de impossível, nem o que, se assim for, afete a dignidade do homem. Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais adequadas ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal. Em vez de se fazer para o Espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto. Vestiu-se então da pele do macaco, sem deixar de ser Espírito humano, como o homem não raro se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem.

Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese, de modo algum posta como princípio, mas apresentada apenas para mostrar que a origem do corpo em nada prejudica o Espírito, que é o ser principal, e que a semelhança do corpo do homem com o do macaco não implica paridade entre o seu Espírito e o do macaco.”

No séc. XX, a teoria darwinista foi sendo adaptada a partir de descobertas da Genética. Essa nova teoria, chamada de sintética ou neo darwinista, é a base da moderna Biologia. A explicação sobre a hereditariedade das características dos indivíduos deve-se a Gregor Mendel (1822-1884), em 1865, mas sua divulgação só ocorre no séc. XX. Darwin desconhecia as pesquisas de Mendel. A síntese das duas teorias foi feita nos anos 30 e 40. Entre os responsáveis pela fusão estão os matemáticos Jonh Burdon Haldane (1892-1964) e Ronald Fisher (1890-1962), os biólogos Theodosius Dobzhansky (1900-1975), Julian Huxley (1887-1975) e Ernest Mayr (1904-). A teoria neo darwinista diz que mutações e recombinações genéticas causam as variações entre indivíduos sobre as quais age a seleção natural.

E para concluir, voltaremos ao livro “A Gênese”, cap. 11, item ’16, nas palavras do mestre Allan Kardec:

“Admitida essa hipótese (que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos humanos), pode-se dizer que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto.melhorados os corpos,pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto. Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie, e o Espírito humano procriou corpos de homem, variantes do primeiro molde em que ele se meteu. O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco.”

Natura non facit saltus!

(Publicado no CORREIO FRATERNO DO ABC, Ano XXX, Nº 319, Agosto de 1997)

03 - EVOLUÇÃO

Evolução

O conceito de evolução é parte fundamental do pensamento contemporâneo. Diante de sua relativa simplicidade e importância, parece impossível que há muito tempo não fosse uma idéia corrente. No entanto, evolução é um fato muito recente em todo o pensamento científico, filosófico e religioso.

A antiga tradição ocidental não considerava a evolução. Tanto a tradição grega como a judaico-cristã não avaliavam a natureza, o ser humano e a vida sob a perspectiva de modificação ao longo do tempo.

O conceito de Evolução também não foi considerado na Idade Média. A religião, em particular, atribuía ao ser humano uma criação especial, um ato da vontade de Deus e símbolo de seu poder e sabedoria. Criado à imagem de Deus, o homem não poderia se modificar ou ser comparado aos animais. A natureza teria sido criada para servir aos homens. Predominava a idéia de um tempo anterior de grandes realizações, uma idade de ouro, e, a seguir, a decadência. A crença na expulsão do paraíso reforçava essa noção. O passado teria sido melhor.

Mesmo durante o Renascimento (séculos XV e XVI), considerava-se que, apesar da criatividade e inventividade reinantes, os antigos continuavam sendo uma referência, que estava sendo retomada, mas não superada.

Aos poucos, porém, a perspectiva de que os antigos poderiam ser superados e o mundo aperfeiçoado foi ganhando destaque com a Revolução Científica do século XVII e com o Iluminismo do século XVIII.

Somente a partir do final século XVIII e principalmente durante o século XIX o conceito de evolução foi difundido, provocando um impacto sem precedentes em todo o sistema de pensamento ocidental. Praticamente, não houve área do conhecimento que tenha deixado de sofrer influência desse conceito, e o Espiritismo não foi exceção. Codificada na época em que os trabalhos de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace estavam recebendo grande divulgação, a Doutrina Espírita utilizou-se da evolução como um conceito chave para a compreensão da moral, da ética, do polissistema material e espiritual, da posição do ser inteligente diante da vida. Vale a pena ressaltar que Wallace, além de co-autor da teoria da evolução através da seleção natural, foi um grande estudioso do Espiritismo.

Evolução, portanto, é fundamental no conjunto de conceitos que compõe o Espiritismo. Sem essa idéia, o entendimento da Doutrina se torna prejudicado e grande parte de seu valor como ferramenta para o crescimento pessoal e social se perde. Quando se avalia o que os espíritas entendem por evolução, percebe-se uma grande quantidade de interpretações que são inadequadas e, muitas vezes, contradizem o próprio conjunto doutrinário.

Para muitas pessoas, evolução significa simplesmente progresso, modificação para melhor, de técnicas, de equipamentos, entre inúmeras outras coisas, numa perspectiva que valoriza mais os bens materiais. Uma crença ingênua que não considera obstáculos e dificuldades surgidos com a explosão tecnológica e as questões éticas.

Algumas vezes, evolução é considerada o caminho do comportamento adequado, com objetivo definido, geralmente revelado aos homens e para o qual todos devem convergir. Evoluir seria encontrar o caminho correto, o caminho único, a trilha. Evolução, considerada dessa maneira, é designada como unicista e linear.

A evolução também pode ser considerada como uma necessidade, um impulso interno em cada pessoa, ocorrendo de forma paulatina, indefectível e continuamente, quando, então, é conhecida como necessitarista e continuísta. Ou se pode considerar que evolução só ocorre quando seguidas as normas de comportamento ideal, determinadas externamente à pessoa e ao grupo. Ou ainda, considerar que evolução significa melhora em direção à perfeição representada pela natureza ou pela divindade.

Essas várias maneiras de abordar a evolução estão em contradição com o conceito de Livre-Arbítrio e, portanto, não podem ser consideradas como o entendimento adequado de evolução para o Espiritismo.

Para o Espiritismo, evolução e progresso não significam, necessariamente, a mesma coisa. Evolução não é simplista, não se limita aos aspectos materiais, mas envolve múltiplos aspectos, em um quadro de imensa complexidade.

Para a Doutrina, a evolução é pluralista, pois é considerada um processo aberto, com infinitas trajetórias possíveis. Não é linear, não há um caminho certo, mas tantos caminhos quanto o número de consciências que existem no Universo.

A evolução não é apenas individual, mas do grupo de pessoas, encarnadas e desencarnadas, ao qual se está ligado. Evoluir implica em mudar a mentalidade e a massa crítica do grupo social.

Evolução não se acaba, não se encerra, não há um fim, não há um lugar a ser alcançado, pré-determinado, aonde todos, necessariamente, terão que chegar. A evolução não é considerada continuísta nem necessitarista, pois o processo não depende de uma força propulsora interna independente. Depende, principalmente, da vontade e ocorre em diferentes intensidades, na dependência do empenho que cada pessoa apresenta no sentido de sua ocorrência. O espírito conhece mais (evoluiu mais) na medida em que assume atitudes que lhe propiciam mais experiências ou na medida em que se utiliza mais intensamente das situações que enfrenta.

Evolução, para a Doutrina Espírita, significa modificação de comportamento pelo acúmulo, associação e operação de experiências, conhecimentos, na medida em que os limites pessoais são ultrapassados, as potencialidades são desenvolvidas e ampliadas e as capacidades ou habilidades são colocadas a serviço das pessoas com as quais se convive.

Evolução é o objetivo da vida, significa ampliação da consciência de si mesmo, da consciência de sua ligação com todos os seres do Universo, da consciência do papel e da função que desempenha na estruturação inteligente do Cosmo e da consciência do significado de Deus.

04 - EVOLUÇÃO

Evolução e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

1) O que se entende por evolução?

Evolução significa desenvolvimento, volver para fora o que já está contido em algo. É o desenvolvimento, pela atualização das possibilidades, das potências já inclusas virtualmente em algo. É o processo das atualizações das potências dos seres.

2) Sob quais pontos de vista podemos ver a evolução?

A teoria da evolução pode ser vista sob a ótica biológica e metafísica. Do ponto de vista biológico, é a transformação das espécies vivas umas nas outras. Do ponto de vista metafísico, é o progresso do Universo, hipótese de muitas filosofias e doutrinas religiosas. Em termos da sociologia e da antropologia, a evolução está associada ao comportamento dos seres humanos e às mudanças estruturais da sociedade como um todo.

3) Baseando-nos na evolução biológica, o que diferencia o fixismo do transformismo?

O fixismo admite que as espécies não sofrem mudanças. Surgiram sobre a Terra, cada qual já adaptada ao ambiente onde foi criada. Não havendo necessidade de mudanças, as espécies permaneciam imutáveis desde o momento em que surgiram. O transformismo pressupõe que as espécies não permaneciam imutáveis, mas sofriam modificações. Esta teoria só pode ser aceita depois da vinda da Nova Ciência e do método teórico-experimental.

4) Qual a contribuição de Charles Darwin?

Charles Darwin (1809-1882), a bordo do Beagle, registrou inúmeras observações acerca da evolução das espécies. Chegou à conclusão que as espécies se transformavam através da seleção natural. Nesse caso, os indivíduos sofrem modificações espontâneas, mas sobrevivem apenas os mais aptos. Além disso, são esses indivíduos que podem se reproduzir e transmitir esses caracteres a seus descendentes.

5) Na Metafísica, o que se entende por evolucionismo?

O evolucionismo, mesmo se servindo dos resultados da teoria biológica, vai muito além. O evolucionismo foi assumido como esquema fundamental de muitas metafísicas, tanto materialistas quanto espiritualistas. A característica fundamental que essas metafísicas distinguem na evolução é o progresso. Para elas, evolução significa essencialmente progresso, e sempre otimista, ao contrário da evolução biológica, que não necessariamente é otimista. Spencer, com o seu homogêneo indiferenciado, e Bérgson, com o seu elã vital, deram as suas contribuições à compreensão do evolucionismo metafísico.

6) Em que se funda o progresso do Espírito?

Para o Espiritismo, o ponto alto da evolução do Espírito é o aparecimento do senso moral. Enquanto o princípio inteligente estagia no reino animal, o senso moral é quase nulo. Somente quando adquire a razão, o pensamento contínuo e o livre-arbítrio, na fase humana, é que começa a responder pelos seus atos. Daí, a responsabilidade de cada um pelo seu próprio progresso.

7) Qual a importância do livre-arbítrio no progresso do Espírito?

O Espiritismo mostra-nos que, no inicio da sua caminhada evolutiva, o Espírito não possui o livre-arbítrio, cuja escolha é deixada a cargo dos mensageiros do espaço. Somente quando desenvolveu o senso moral, foi capaz de responder pelos seus próprios atos. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que o ser humano não é fatalmente conduzido ao mal. "Ele pode, como prova ou expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas será sempre livre de agir como quiser. Assim, o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas; e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos". (Kardec, 1995, questão 872)

8) O progresso material e o progresso moral caminham juntos?

Allan kardec, em O Livro dos Espíritos, mostra-nos que o progresso intelectual nem sempre anda junto com o progresso moral. No longo prazo, porém, deverão equilibrar-se para que haja maior coerência das ações praticadas pelo ser humano. Nesse sentido, o Espírito Emmanuel adverte-nos que a sabedoria e amor são as duas asas que nos conduzirão ao progresso. Paralelamente, o Espírito André Luiz diz-nos que o ciclo de reencarnações somente terminará quando tivermos sedimentado as nossas ações nas máximas do Evangelho de Jesus.

9) Evoluímos somente na Terra?

Não. A lei do progresso é uma Lei Natural e, por isso, compulsória. Tanto os encarnados quanto os desencarnados estão sujeitos ao progresso, quer estejam ligados ou não ao Planeta Terra.