EXPIAÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A evolução anímica - pág. 220 02 - A mansão Renoir - pág. 171
03 - A reencarnação - pág. 171 04 - Almas que voltam - pág. 48
05 - Amor e ódio - pág. 92 06 - Após a tempestade - pág. 133
07 - As aves feridas na Terra voam - pág. 18 08 - Boa Nova - pág. 96
09 - Catecismo espírita - pág. 77 10 - Celeiro de bênçãos - pág.127, 145
11 - Contos desta e doutra vida - pág. 163 12 - Emmanuel - pág. 28
13 - Espiritismo e vida eterna - pág. 78, 93 14 - Expiação - toda a obra
15 - Fonte viva - pág. 73

16 - Justiça Divina - pág. 179

17 - Laços eternos - toda a obra 18 - Na era do Espírito - pág. 38
19 - Nascer e renascer - pág. 35, 43 20 - No mundo maior - pág. 95
21 - O céu e o inferno - pág. 2ª parte cap. viii 22 - O consolador - pág. 144
23 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. iii, 13 24 - O Livro dos Espíritos - intr. vi. q. 113, 132, 167
25 - O problema do ser do destino e da dor - pág. 304 26 - Obras póstumas - pág. 215
27 - Poetas redivivos - pág. 29 28 - Religião dos Espíritos - pág. 61, 65
29 - Reencarnação e vida- pág. 24, 28 30 - Sexo e evolução - pág. 117
31 - Universo e vida - pág. 80 32 - Vozes do grande além - pág. 187

 

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EXPIAÇÃO – COMPILAÇÃO

01- A evolução anímica - Gabriel Delanne - pág. 220

Na subjugação, antigamente chamada possessão, o domínio do Espírito é completo. O subjugado é um instrumento absolutamente dócil às sugestões do Espírito, que chega mesmo a não lutar contra esse poder oculto, quer física, quer moralmente falando. Torna-se-lhe, assim, inteiramente passivo. A vontade do obsessor avassalou, substituiu totalmente a sua vontade. Com mais um pouco, acabará perdendo a noção de si mesmo, passando a crer-se um personagem célebre, um reformador do mundo, etc.

Numa palavra: tornar-se-á louco, pois não é impunemente que a influência perturbadora se exerce por longo tempo e, uma vez sobrevindo as lesões do cérebro, a moléstia torna-se incurável. Pode o enfermo apresentar diversos tipos de subjugação. Assim que, às vezes, a subjugação é apenas moral e, neste caso, o indivíduo tomará as resoluções mais extravagantes, até contrárias aos seus interesses, ou ilegais, firmemente convicto de estar procedendo com absoluto bom senso. De caráter material, a subjugação pode apresentar modalidades bem diferentes.

Allan Kardec conheceu um homem, nem jovem nem bonito, que, impelido pelo Espírito obsessor, ajoelhava-se aos pés de todas as moças. Outro, sentia nas costas e nos tornozelos uma pressão tão forte que o levava a genuflectir-se e beijar o chão, em plena rua, diante de todo o mundo. Este homem era tido por louco, mas ainda não o era, por isso que percebia o seu estado e com isso muito sofria. O hipnotismo veio dar-nos a chave destes fenômenos. O indivíduo obedece, mais ou menos passivo, a quem o imergiu nesse estado; não pode oferecer resistência eficaz à sugestão, sejam quais forem as consequências que lhe possam daí advir.

Suponhamos que essa situação se prolongue por semanas, meses, anos, e teremos as desordens físicas, difíceis de curar, mesmo depois de afastado o Espírito obsessor. Ver o que se registra sobre os convulsionários de Salnt--Médard, os tremedores de Cévennes, os iluminados, os predicadores da Suécia, etc., constantes de "L'Histoire dês Sciences occultes", de Salvest, e de "L'Histoire contemporaíne du Merveilleux", de L. Figuier.

Até agora, ignorava-se que uma causa espiritual extra-orgânica pudesse originar a loucura e, consecutivamente, desordens encefálicas; de sorte que, cuidando apenas do corpo, negligenciava-se quanto ao Espírito. O Espiritismo veio demonstrar a necessidade de um tratamento moral do enfermo, coincidente com a intervenção junto do obsessor, e mais, que, em muitos casos, se a lesão não for irremediável, torna-se possível restituir ao alienado o seu vigor orgânico e, com ele, a razão. Os médicos têm o dever de estudar nossa doutrina, uma vez que sua profissão obriga-os a investigar todos os meios de sarar os enfermos.

Mais tarde, quando a fenomenologia espírita estiver mais conhecida, muitas formas de loucura, até agora reputadas incuráveis, poderão ceder a uma terapêutica já não sistematicamente materialista. O voluntário abandono a que relegam a causa psíquica da enfermidade é o que faz que a Ciência se torne impotente, tantas vezes. Não diremos que se não tenha procurado tratar a loucura do ponto de vista intelectual, o que seria passar atestado de ignorância. O que pretendemos dizer é que se tem tomado uma falsa direção, deixando de cogitar da parte condizente ao obsessor, isto é, do hipnotizador desencarnado.

A este é que importa rechaçar, antes de tudo o mais, com os recursos preconizados pelo Espiritismo. Isto feito, vencida estará a maior dificuldade e não restará mais que reparar o corpo, tarefa que incumbe naturalmente à medicina, desde que, como acima dissemos, as degradações orgânicas não sejam de maior vulto. Voltando a tratar da loucura em suas relações com a hereditariedade, é incontestável que, em muitos casos, ela é devida a uma lesão do sistema nervoso e manifesta-se em certas fases da vida, provindo dos pais, por vias hereditárias. Neste caso, não há que presumir se trate de Espíritos obsessores. Trata-se do próprio organismo viciado, deteriorado, e que destruído por influência alcoólica, de sorte que, na criança, o cérebro não ocupa toda a caixa óssea. Outras vezes, as convulsões dos ascendentes transmudam-se em histeria, ou epilepsia nos descendentes.

Cita-se um caso de hiperestesia paterna (desenvolvimento doentio da sensibilidade), que se estendeu aos netos e produziu a mania, a hipocondria, a histeria, as convulsões, os espasmos. .. Casos são estes abundantes, que a teoria da reencarnação expiatória explica satisfatoriamente. Vamos dar alguns exemplos: O perispírito não é criador, é simplesmente organizador da máquina; mas, se a hereditariedade apenas lhe faculta materiais viciados ou incompletos, ele é incapaz de os regenerar e sempre restam partes do cérebro forradas à sua influência.

Ora, tão complexa é a vida mental, o jogo de faculdades tais como memória, ideação, imaginação, julgamento, etc.; e tão íntima é a sua ligação, que a deficiência de uma só faculdade entrava a manifestação das outras. E, daí, as desordens a que aludimos. Guitras também nos conta o seguinte: — Um homem acometido de loucura tem filhos normais, que exercem cargos públicos com muito critério. Isto, bem entendido, de começo, porque, aos 20 anos, ficam loucos. Sobre 22 casos de loucura hereditária, Aubanel e Thoré notaram episódios deste gênero.

Famílias há cujos membros, salvo raras exceções, são atingidos da mesma espécie de loucura. De uma feita, internaram-se, no mesmo dia, três parentes, num hospício de Filadélfia. No de Connecticut, havia um louco que era o undécimo da família. Lucas refere-se a uma senhora que era o oitavo, e o mais curioso é que o mal manifestava-se na mesma idade, através de sucessivas gerações. Um negociante suíço viu morrerem-lhe dois filhos loucos, ao completarem os 19 anos. Uma senhora enlouqueceu de parto aos 25 anos, e teve uma filha que enlouqueceu na mesma idade, depois de repetidos partos. Em dada família, pai, filho e neto suicidaram-se aos 50 anos (Esquirol).

Nada obstante todos estes fatos que acabamos de citar, a hereditariedade intelectual não se faz regra, pois se nota que são as enfermidades e não as faculdades propriamente ditas que se transmitem por via seminal. As qualidades inatas são muito mais frequentes, em que pesem às numerosas exceções. Foi o que sustentou o Dr. P. Lucas, cuja opinião compartilhamos, visto sabermos que o Espírito, ao encarnar, traz a sua individualidade, quase sempre diferente da dos pais. Não vemos, às vezes, homens de gênio nascidos de troncos medíocres?

E, por outro lado, celerados oriundos de famílias honestas? A lei da reencarnação explica perfeitamente estas anomalias aparentes, visto que neste estudo, como em todos os que afetam o físico e o moral, importa não nos colocarmos num ponto de vista exclusivista, sob pena de ficarmos sempre adstritos a um só lado da questão. O sábio que só encara a matéria engana-se tão redondamente quanto o espiritualista que só enxerga o Espírito.

Ao Espiritismo cabe esclarecer a Ciência, dilatando-lhe os domínios até ao mundo invisível. Diremos, portanto, que o Espírito, encarnando, traz consigo, incontestavelmente, as aquisições de vidas anteriores, mas é preciso termos em conta as disposições orgânicas, que podem ser favoráveis ou prejudiciais ao desenvolvimento das faculdades inatas.

Eis o que, a respeito, diz o Dr. Moreau (de Tours), que não admite a hereditariedade senão do ponto de vista fisiológico, quando afirma ser a transmissão hereditária das falhas orgânicas que produz as moléstias mentais nos descendentes. Outra coisa não dizemos nós, embora divergindo, em absoluto, do Dr. Moreau, quanto à natureza do princípio inteligente. (..)

03 - A reencarnação - Gabriel Dellane - pág. 171

Uma expiação
Terminemos esta curta resenha dos casos experimentais, citando o relatório existente nos arquivos do Centro da cidade de Huesca, dirigido por Domingo Montreal. Ele é bastante instrutivo, como se vai ver. "De 1881 a 1884, encontrava-se nas ruas de Huesca um indivíduo conhecido pelo nome de louco Suciac. Vestia-se de modo burlesco, falava só, ora corria sem destino, ora caminhava solenemente, e não respondia a nenhuma das perguntas que lhe eram dirigidas. Por fim, como se tornasse perigoso, submeteram-no a estreita vigilância.

Na mesma cidade, formou-se um grupo de estudos espíritas, entre pessoas de cultura média, sendo Domingo Montreal, presidente, e Sanchez Antônio, médium. Este último apresentava uma particularidade, é que, inteiramente iletrado, escrevia muitas vezes sem pontuação e outras com perfeição extrema, longas comunicações. O presidente resolveu evocar o Espirito do louco, na ocasião em que ele parecia dormir, e obteve dele muitas mensagens. Enfim, o louco Suciac morreu e, espontaneamente, pouco depois, deu pelo médium iletrado Antônio uma mensagem, afirmando que tinha sido Senhor de Sangarren; que tivera uma conduta culpável e que a vida, no curso da qual o conhecêramos, lhe tinha sido imposta como expiação.

Afirmou que acharíamos a confirmação de suas palavras nos arquivos ainda existentes no seu antigo castelo. Fui, em companhia de Severo Lain e de Marvallo Ballestar à antiga morada senhorial, onde nos responderam que não havia traço de arquivos. Grandemente desapontados, reunimo-nos em sessão, para dar conta do resultado de nossa missão. Antônio escreveu, então, que, se voltássemos ao castelo, encontraríamos perto do fogão da cozinha, em um esconderijo, os documentos que desejávamos. Assim o fizemos, e, tornados a Sangarren, obtivemos a permissão de sondar a parede, e, com grande espanto nosso, encontramos, em um pequeno reduto, uma série de pergaminhos.

Trouxemo-los para Huesca, onde foram traduzidos pelo Professor Oscariz e confirmavam em todos os pontos as afirmações do Espírito."Nesse caso, ainda a lei moral se exerce de maneira indiscutível, e os documentos, descobertos em seguida às indicações do Espírito do louco, estabelecem a muito grande probabilidade de suas afirmações, no que concerne à sua existência passada. Vimos, no curso do capítulo precedente e deste, que a memória não é uma faculdade tão instável, como poderia parecê-lo à primeira vista. É perfeitamente exato que não conservamos a lembrança integral de todos os acontecimentos, que nos sobrevieram no curso de nossa vida, visto que o esquecimento é uma condição essencial para que o Espírito não seja embaraçado pela inumerável multidão de lembranças insignificantes.

Mas, contrariamente ao em que geralmente se crê, a perda das lembranças não é absoluta. Todas as sensações visuais, auditivas, tácteis, cenestésicas, que têm agido em nós, ficam gravadas, de maneira indelével, na parte permanente de nós mesmos, a que os sábios chamam subconsciência, e os espiritistas, perispírito. Essas sensações, temo-lo averiguado, podem renascer espontaneamente, ou durante o sono sonambúlico natural ou provocado. Cada estado anterior da existência atual renasce com um frescor e uma intensidade, que equivalem à realidade. Parece, pois, que cada período da vida deixa, na trama fluídica do corpo espiritual, impressões sucessivas inapagáveis, formadas por associações dinâmicas estáveis, que se vão superpondo sem confundir-se, mas cujo movimento vibratório diminui à medida que o tempo se escoa, até o momento em que essas sensações ou lembranças caem abaixo do limiar da consciência espírita.

Desde que as coisas são assim, que o Espírito é indestrutível e que é nele que se encarnam os arquivos de toda a vida mental e física, é natural supor que, se damos a esse corpo fluídico movimentos vibratórios análogos aos que ele registrou em qualquer momento de sua existência, far-se-á renascer, do mesmo passo, todas as lembranças concomitantes desse período do passado. Foi o que sucedeu, como vimos, nas experiências de Richet, Bourru e Burot, Pitres e outros. É lógico, pois, prosseguir a regressão da memória até além dos limites da vida atual de um paciente, por meio da ação magnética. Assim fizeram os espiritistas e os sábios de que falei neste capítulo. Sem dúvida, os resultados não são sempre satisfatórios, de vez que nem todos os pacientes se acham aptos a fazer renascer o passado.

Isto se deve a causas múltiplas, e a principal resulta, ao que parece, do que se poderia chamar a densidade perispiritual, isto é, a imperfeição relativa desse corpo fluídico, cujas vibrações não podem achar a intensidade necessária para ressuscitar o passado, de maneira suficiente, mesmo com o estímulo artificial do magnetismo. Acontece, por vezes, entretanto, que, durante o estado de sono ordinário, a alma, exteriorizada temporariamente do corpo, encontra, momentaneamente, condições favoráveis para que o renascimento do passado possa produzir-se. Pode suceder que essa renovação seja acidental, como em relâmpagos, no estado normal.

Assiste-se, então, a uma revivescência de imagens antigas que dão àquele que as experimenta a impressão de que já viu cidades ou paisagens, ainda que nunca lá fosse. São estes casos que vou estudar nos capítulos seguintes, e ver-se-á que eles também, se apresentam grande variedade, podem, entretanto, ser compreendidos e entrar facilmente no quadro da memória integral, admitindo-se que esta reside no corpo espiritual que acompanha a alma durante todo o curso de sua evolução contínua. (..)

08 - Boa Nova - Humberto de Campos - pág. 96

14 - A LIÇÃO A NICODEMOS
Em face dos novos ensinamentos de Jesus, todos os fariseus do templo se tomavam de inexcedíveis cuidados, pelo seu extremado apego aos textos antigos. O Mestre, porém, nunca perdeu ensejo de esclarecer as situações mais difíceis com a luz da verdade que a sua palavra divina trazia ao pensamento do mundo. Grande número de doutores não conseguia ocultar o seu descontentamento, porque, não obstante suas atividades derrotistas, continuavam as ações generosas de Jesus beneficiando os aflitos e os sofredores. Discutiam-se os novos princípios, no grande templo de Jerusalém, nas suas praças públicas e nas sinagogas. Os mais humildes e pobres viam no Messias o emissário de Deus, cujas mãos repartiam em abundância os bens da paz e da consolação. As personalidades importantes temiam-no.

É que o profeta não se deixava seduzir pelas grandes promessas que lhe faziam com referência ao seu futuro material. Jamais temperava a sua palavra de verdade com as conveniências do comodismo da época. Apesar de magnânimo para com todas as faltas alheias, combatia o mal com tão intenso ardor, que para logo se fazia objeto de hostilidade para todas as intenções inconfessáveis. Mormente em Jerusalém que, com o seu cosmopolitismo, era um expressivo retrato do mundo, as ideias do Senhor acendiam as mais apaixonadas discussões. Eram populares que se entregavam à apologia franca da doutrina de Jesus, servos que o sentiam com todo o calor do coração reconhecido, sacerdotes que o combatiam abertamente, convencionalistas que não o toleravam, indivíduos abastados que se insurgiam contra os seus ensinos.

Todavia, sem embargo das dissensões naturais que precedem o estabelecimento definitivo das idéias novas, alguns espíritos acompanhavam o Messias, tomados de vivo interesse pelos seus elevados princípios. Entre estes, figurava Nicodemos, fariseu notável pelo coração bem formado e pelos dotes da inteligência. Assim, uma noite, ao cabo de grandes preocupações e longos raciocínios, procurou a Jesus, em particular, seduzido pela magnanimidade de suas ações e pela grandeza de sua doutrina salvadora. O Messias estava acompanhado apenas de dois dos seus discípulos e recebeu a visita com a sua bondade costumeira. Após a saudação habitual e revelando as suas ânsias de conhecimento, depois de fundas meditações, Nicodemos dirigiu-se-lhe respeitoso:

— Mestre, bem sabemos que vindes de Deus, pois somente com a luz da assistência divina poderíeis realizar o que tendes efetuado, mostrando o sinal do céu em vossas mãos. Tenho empregado a minha existência em interpretar a lei, mas desejava receber a vossa palavra sobre os recursos de que deverei lançar mão para conhecer o Reino de Deus! O Mestre sorriu bondosamente e esclareceu:
— Primeiro que tudo, Nicodemos, não basta que tenhas vivido a interpretar a lei. Antes de raciocinar sobre as suas disposições, deverias ter-lhe sentido os textos. Mas, em verdade devo dizer-te que ninguém conhecerá o Reino do Céu, sem nascer de novo.

— Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? — interrogou o fariseu, altamente surpreendido. — Poderá, porventura, regressar ao ventre de sua mãe? O Messias fixou nele os olhos calmos, consciente da gravidade do assunto em foco, e acrescentou:
— Em verdade, reafirmo-te ser indispensável que o homem nasça e renasça, para conhecer plenamente a luz do reino!...— Entretanto, como pode isso ser? — perguntou Nicodemos, perturbado.— És mestre em Israel e ignoras estas coisas? — inquiriu Jesus, como que surpreendido. — É natural que cada um somente testifique daquilo que saiba; porém, precisamos considerar que tu ensinas. Apesar disso, não aceitas os nossos testemunhos.

Se falando eu de coisas terrenas sentes dificuldades em compreendê-las com os teus raciocínios sobre a lei, como poderás aceitar as minhas afirmativas quando eu disser das coisas celestiais? Seria loucura destinar os alimentos apropriados a um velho para o organismo frágil de uma criança. Extremamente confundido, retirou-se o fariseu, ficando André e Tiago empenhados em obter do Messias o necessário esclarecimento, acerca daquela lição nova. Jerusalém quase dormia sob o véu espesso da noite alta. Silêncio profundo se fizera sobre a cidade. Jesus, no entanto, e aqueles dois discípulos continuavam presos à conversação particular que haviam entabulado. Desejavam eles ardentemente penetrar o sentido oculto das palavras do Mestre. Como seria possível aquele renascimento? Não obstante os seus conhecimentos, também partilhavam da perplexidade que levara Nicodemos a se retirar fundame te surpreendido.

— Por que tamanha admiração, em face destas verdades? — perguntou- lhes Jesus, bondosamente. — As árvores não renascem depois de podadas? Com respeito aos homens, o processo é diferente, mas o espírito de renovação é sempre o mesmo. O corpo é uma veste. O homem é seu dono. Toda roupagem material acaba rota, porém, o homem, que é filho de Deus, encontra sempre em seu amor os elementos necessários à mudança do vestuário. A morte do corpo é essa mudança indispensável, porque a alma caminhará sempre, através de outras experiências, até que consiga a imprescindível provisão de luz para a estrada definitiva no Reino de Deus, com toda a perfeição conquistada ao longo dos rudes caminhos. André sentiu que uma nova compreensão lhe felicitava o espírito simples e perguntou:

— Mestre, já que o corpo é como que a roupa material das almas, por que não somos todos iguais no mundo? Vejo belos jovens, junto de aleijados e paralíticos...— Acaso não tenho ensinado — disse Jesus — que tem de chorar todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo? Cada alma conduz consigo mesma o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência. Seria justo conceder-se uma segunda veste mais perfeita e mais bela ao espírito rebelde que estragou a primeira? Que diríamos da sabedoria de Nosso Pai, se facultasse as possibilidades mais preciosas aos que as utilizaram na véspera para o roubo, o assassínio, a destruição? Os que abusaram da túnica da riqueza vestirão depois as dos fâmulos e escravos mais humildes, como as mãos que feriram podem vir a ser cortadas. — Senhor, compreendo agora o mecanismo do resgate — murmurou Tiago, externando a alegria do seu entendimento. —

Mas, observo que, desse modo, o mundo precisará sempre do clima do escândalo e do sofrimento, desde que o devedor, para saldar seu débito, não poderá fazê-lo sem que outro lhe tome o lugar com a mesma dívida. O Mestre apreendeu a amplitude da objeção e esclareceu os discípulos, perguntando:— Dentro da lei de Moisés, como se verifica o processo da redenção?Tiago meditou um instante e respondeu:— Também na lei está escrito que o homem pagará "olho por olho, dente por dente".— Também tu, Tiago, estás procedendo como Nicodemos — replicou Jesus com generoso sorriso. — Como todos os homens, aliás, tens raciocinado, mas não tens sentido.

Ainda não ponderaste, talvez, que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Acima do "não adulterarás", do "não cobiçarás", está o "amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração e de todo o entendimento". Como poderá alguém amar o Pai, aborrecendo-lhe a obra? Contudo, não estranho a exiguidade de visão espiritual com que examinaste o texto dos profetas. Todas as criaturas hão feito o mesmo. Investigando as revelações do céu com o egoísmo que lhes é próprio, organizaram a justiça como o edifício mais alto do idealismo humano. E, entretanto, coloco o amor acima da justiça do mundo e tenho ensinado que só ele cobre a multidão dos pecados. Se nos prendemos à lei de talião, somos obrigados a reconhecer que onde existe um assassino haverá, mais tarde, um homem que necessita ser assassinado; com a lei do amor, porém, compreendemos que o verdugo e a vítima são dois irmãos, filhos de um mesmo Pai. Basta que ambos sintam isso para que a fraternidade divina afaste os fantasmas do escândalo e do sofrimento.

Ante as elucidações do Mestre, os dois discípulos estavam maravilhados. Aquela lição profunda esclarecia-os para sempre. Tiago, então, aproximou-se e sugeriu a Jesus que proclamasse aquelas verdades novas na pregação do dia seguinte. O Mestre dirigiu-lhe um olhar de admiração e interrogou:— Será que não compreendeste? Pois, se um doutor da lei saiu daqui sem que eu lhe pudesse explicar toda a verdade, como queres que proceda de modo contrário, para com a compreensão simplista do espírito popular? Alguém constrói uma casa iniciando pelo teto o trabalho? Além disso, mandarei mais tarde o Consolador, a fim de esclarecer e dilatar os meus ensinos.
Eminentemente impressionados, André e Tiago calaram as derradeiras interrogações. Aquela palestra particular, entre o Senhor e os discípulos, permaneceria guardada na sombra leve da noite em Jerusalém; mas, a lição a Nicodemos estava dada. A lei da reencarnacão estava proclamada para sempre, no Evangelho do Reino.


11 - Contos desta e doutra vida -Irmão X - pág. 163

35 - Talidomida
Na tela cinematográfica, junto da qual sentíamos a realidade sem distorção, o professor do Plano Espiritual exibiu dois pequenos documentários sobre o assunto que nos fora motivo a longo debate. 1939 -1943 — Surgiu à cena agitada metrópole européia. Em tudo, o clima de guerra. Desfiles militares de pomposa expressão. Na crista dos edifícios mais altos, bocas de fogo levantavam-se em desafio. Nas ruas, destacavam-se milhares de jovens em formações de tropa, ao rufar de tambores, ostentando símbolos e bandeiras. O povo, triste e apreensivo nas filas de suprimento, parecia desvairar-se de júbilo, nas paradas políticas, ovacionando oradores nas praças públicas. De vez em vez, sirenas sibilavam gritaria de alarme.

Aviões sobrevoavam, incessantemente, o casario enorme, lembrando águias metálicas, de atalaia nos céus, para desfechar ataques defensivos contra inimigos que lhes quisessem pilhar o ninho. Através de informações precisas, registrávamos os mínimos tópicos de cada conversação. De súbito, vimo-nos mentalmente jungidos a dilatado recinto, onde centenas de policiais e civis cochichavam na sombra. Articulam-se avisos. Ramifica-se a trama. Camionetas deslizam dentro da noite. Outros agrupamentos se constituem. Mais algum tempo e magotes de transeuntes se agregam num ponto só, formando vasta legião popular em operoso bairro de ascendência israelita. São paisanos decididos à rapinagem. Homens e mulheres de raciocínio maduro combinam o assalto em mira.

Madrugada adiante, quando a soldadesca selecionada desce dos veículos com a ordem de apressar famílias inermes, ei-los que invadem as residências judias, agravando o tumulto. Para nós que assistíamos ao espetáculo, transidos de dor, era como se fitássemos corsários da terra, no burburinho do saque. Mãos que retivessem anéis, pulsos que ostentassem adornos, orelhas ornamentadas de brincos e bustos revestidos de jóias sofriam golpes rápidos, muitos deles tombando decepados em torrentes sanguíneas. Alguém que aparecesse com bastante coragem de investir contra os malfeitores, cuja impunidade se garantia com a indiferença de quantos lhes compartilhavam a copiosa presa, caía para logo de pernas mutiladas, para que não avançasse em socorro das vítimas. E os quadros vivos se repetiam em outros lugares e em outras noites, com personagens diversas, nos mesmos delírios de violência.

1949 -1953 — A tela passa a mostrar escuro vale no Espaço. Examinamos, confrangidos, milhares de seres humanos em condições deploráveis. Arrastam-se em desgoverno. Há quem- chore a ausência dos braços, quem lastime a perda dos pés. Possível, no entanto, identificar muitos deles. São os mesmos infelizes de 1939 a 1943, participantes das empresas de furto e morte, à margem da guerra. Desencarnados, supliciam-se no remorso que se lhes incrusta nas consciências. Carregando a mente vincada pelas atrocidades de que foram autores, plasmaram em si, nos órgãos e membros profundamente sensíveis do corpo espiritual, as deformidades que infligiram aos irmãos israelitas indefesos. Ainda assim, almas heróicas atravessam o nevoeiro e distribuem consolações.

Para que se refaçam, é preciso que reencarnem de novo, em breves períodos de imersão nos fluidos anestesiantes do plano físico. Necessário retomem a organização carnal, à maneira de doentes complicados que exigem regime carcerário para tratamento preciso.
Ensinamentos prosseguem ao redor do filme. Sofrerão, sim, mais tarde, as provas regenerativas de que se revelam carecedores, mas, por enquanto, são albergados por braços afetuosos de amigos, que se prontificam a sustentá-los, piedosamente, ou entregues a casais necessitados de filhinhos-problemas, a fim de ressarcirem dívidas do pretérito. A maioria dos implicados renasce no país em que se verificou o assombroso delito, e muitos deles, em vários pontos outros do mundo, ressurgem alentados por famílias hospitaleiras ou endividadas, que os aconchegam, para a benemerência do reajuste .

Certamente — comentou o instrutor, ao término da película —, certamente que nem todos os casos de malformação congênita podem ser debitados à influência da talidomida sobre a vida fetal. Em todos os tempos, consoante os princípios de causa e efeito, despontam crianças desfiguradas nos berços terrestres. O estudo, porém, que realizamos pela imagem esclarece com segurança o fenômeno das ocorrências de mâ-formação que repontaram em massa, entre os homens, nos últimos tempos. Achávamo-nos suficientemente elucidados; no entanto, meu velho amigo Luís Vilas indagou:

— Isso quer dizer então, professor, que a talidomida foi aplicada de acordo com a lei da reencarnação ?— Bem, bem — falou o mentor retratando a benevolência no semblante calmo —, a talidomida e a provação funcionaram em obediência à justiça, mas não será lícito esquecer que o lar e a ciência vigilante dos homens também funcionaram em obediência à Misericórdia Divina, que a tudo previu, a fim de que a administração daquele medicamento não ultrapassasse os limites justos. Compreenderam? Sim, recebêramos a chave para entender o assunto que envolvia dolorosa disciplina expiatória,e, à face da emoção que nos impunha silêncio, a lição foi encerrada.

15 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 73

29. SIRVAMOS
"Servindo de boa-vontade, como sendo ao Senhor, e não aos homens?" - Paulo (Efésios, 6:7)

Se legistas, mas não aplicas a Lei, segundo os desígnios do Senhor, que considera as necessidades de todos, caminhas entre perigosos abismos, cavados por tuas criações indébitas, sem recolheres os benefícios de tua gloriosa missão na ordem coletiva. Se administras, mas não observas os interesses do Senhor, na estrada em que te movimentas na posição de mordomo da vida, sofres a ameaça de soterrar o coração em caprichos escuros, sem desfrutares as bênçãos da função que exerces no ministério público.

Se julgas os semelhantes e não te inspiras no Senhor, que conhece todas as particularidades e circunstâncias dos processos em trânsito nos tribunais, vives na probabilidade de cair, espetacularmente, na mesma senda a que se acolhem quantos precipitadamente aprecies, sem retirares, para teu proveito, os dons da sabedoria que a Justiça conserva em tua inteligência.

Se trabalhas na cor ou no mármore, no verbo ou na melodia, sem traduzires em tuas obras a correção, o amor e a luz do Senhor, guardas a tremenda responsabilidade de quem estabelece imagens delituosas para consumo da mente popular, perdendo em vão, a glória que te enriquece os sentimentos.

Se foste chamado à obediência, na estruturação de utilidades para o mundo, sem o espírito de compreensão com o Senhor, que ajudou as criaturas, amando-as até o sacrifício pessoal, vives entre os fantasmas da indisciplina e do desânimo, sem fixares em ti mesmo a claridade divina do talento que repousa em tuas mãos. Amigo, a passagem pela Terra é aprendizado sublime. O trabalho é sempre o instrutor do aperfeiçoamento.

Sirvamos sem prender-nos. Em todos os lugares do vale humano, há recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. Sirvamos, em qualquer parte, de boa-vontade, como sendo ao Senhor e não às criaturas, e o Senhor nos conduzirá para os cimos da vida.

16 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 179

LUGARES DE EXPIAÇÃO
Reunião pública de 27-11-61 - 1ª parte, cap. iv, ítem 4

Múltiplas são as conceituações dos infernos exteriores. Para os hindus de várias legendas religiosas da antiguidade, a região do sofrimento, para lá do sepulcro, dividia-se em dezenas de secções, nas quais os Espíritos culpados experimentavam os martírios do fogo e da asfixia, dos botes de serpentes e aves famélicas, de venenos e martelos, lâminas e prisões.

Entre os chineses, acreditava-se que os condenados após o decesso, atravessavam privações e torturas, até cairem, exaustos, numa espécie de segunda morte, com o suposto aniquilamento do próprio ser. Egípcios possuíam aparatosos regimes de corrigenda para os mortos que fossem implacavelmente sentenciados a penas aflitivas, sob as vistas de Anúbis.

A crença popular grega admitia a existência de abismos insondáveis, além-túmulo, onde os maus eram atormentados por agonias cruéis.E, seguindo por vasta escala de concepções, a teologia relaciona infernos hebraicos, persas, romanos, escandinavos, muçulmanos e ainda os que são até hoje perfilhados pêlos diversos departamentos da atividade cristã.

Não ignoras que os sistemas de castigo, mentalizados para depois da morte, obedecem às idiossincrasias de cada povo, apresentando, por isso, variedades multiformes. E sabemos igualmente, em Doutrina Espírita, que existem outros infernos exteriores, a cercar-nos na Terra, entre os próprios espíritos encarnados.

Não longe de nós, vemos o inferno da ignorância, em que se debatem as inteligências sequiosas de luz, o inferno das necessidades primárias absolutamente desatendidas, o inferno dos entorpecentes, o inferno do lenocínio, o inferno do desespero e o inferno das crianças desamparadas, todos eles gerando os suplícios da sombra e da loucura, do pauperismo e da enfermidade, do abandono e da delinquência.

Em razão disso, embora respeitando as crenças alheias, observemos as próprias ações, a fim de verificar o que estamos fazendo para extinguir os infernos que nos rodeiam. E, sobretudo, aprendendo e servindo, vigiemos o coração para que a prática do bem nos garanta a consciência tranquila, de vez que todos somos responsáveis pela nossa própria condição espiritual. Disse-nos o Cristo: «O reino de Deus está dentro de vós», ao que, de acordo com ele mesmo, ousamos acrescentar: e o inferno também.

19 - NASCER E RENASCER - EMMANUEL - PÁG. 35,43

EXPIAÇÃO: O problema da expiação não é privativo dos irmãos encarcerados nas enxovias do mundo. A justiça humana, em verdade, apenas corrige o companheiro infeliz que caiu, desprevenido, nas malhas do delito espetacular. Entretanto, nas reentrâncias de cada instituto doméstico, a crueldade oculta ergue trincheiras de ódio e separação, tanto quanto desabotoa tormentas de sangue e lágrimas, gerando as garras da enfermidade, tantas vezes mensageiras da morte.

Aqui é a ingratidão para com os entes mais caros, ali, é a calúnia retalhando a esperança alheia. Além, é a deserção do dever, fazendo com que os ombros do próximo sangrem, feridos, ao peso de cargas acumuladas; mais além, é a atitude agressiva, sustentada com dureza e paixão, exterminando a sementeira de paz naqueles que às vezes nos pedem unicamente um sorriso de bondade ou um desto de perdão para que se renovem perante Deus.

É aí, nesses redutos silenciosos da batalha de cada dia, que, muitas vezes enganamos e traímos, indiferentes à dor que implantamos naqueles que nos partilham a marcha, amealhando fel e inquietação, de mistura com as bênçãos de amor e trabalho que procuramos entesourar.

No entanto, a Justiça Divina sabe joeirar nossos atos. E, nós mesmos, embora o carinho dos benfeitores abnegados que nos acolhem, no Mais Além, sem recursos para desculpar-nos, na intimidade da consciência, suplicamos o recomeço renascendo na Terra, junto daqueles que se nos fazem credores nas trilhas da vida.

Sejam quais forem as nossas dificuldades no campo íntimo, saibamos aceitá-las de ânimo firme, incinerando no crematório da renúncia os nossos próprios desejos para que a felicidade dos outros nos assegure a própria felicidade, porquanto, conduzidos pela morte, ao império da Grande Luz, reconhecemo-nos, tais quais somos, aplicando a nós mesmos a lei do equilíbrio que determina a quem deve o reajuste preciso na base reta do ceitil por ceitil.

EXPIAÇÃO E EVOLUÇÃO: O traje tem o tipo da costura a que se filia, mas a pessoa que o veste nada tem de comum com o sinal da fábrica. O vaso revela o estilo do oleiro, no entanto, o líquido que carrega, não obstante guardar-lhe a contextura, é de essência diversa.

O corpo, igualmente, traz a marca dos pais que o entretecem na oficina da hereditariedade, todavia, na constituição psicológica, embora, muitas vezes, lhes comungue nas tendências. Cada criatura renasce, transportando consigo a herança dos próprios atos. Regenerações e tarefas que a desencarnação interrompe alcançam recomeço em existência seguinte.

A expiação alinha os quadros de enfermidade e infortúnio que começam do berço e a evolução desdobra realizações e esperanças que se entremostram na meninice. Justo compreender que há reencarnações, equivalendo a estágios de reajuste e resgate, iniciativa e continuidade, lição e sacrifício, com lutas correspondentes a ministérios e provas, dívidas e créditos, progresso e aperfeiçoamento, recuperação e missão.

A História nos apresenta rapazelhos prodígios, quanto Pascal, escrevendo um tratado das seções crônicas de Euclides, e Mozart, compondo uma ópera, um e outro, antes dos quinze anos de idade, na experiência física. Hoje como ontem, é possível encontrar, entre menores delinquentes as mais avançadas vocações para a crueldade, tanto quanto na rua, legiões de pobres crianças empolgadas no desequilíbrio.

Saibamos iluminar a mente infanto-juvenil na chama do conhecimento superior. Infância é o dia que alvorece. Mocidade é o dia em movimento. Educando-nos, para conseguir educar, conduziremos jovens e adultos à edificação do porvir, porque a morte, por escriturária da Justiça Divina, surgirá para cada um.

21 - O céu e o inferno - Allan Kardec- pág. 2ª parte cap. viii

CAPÍTULO VIII - EXPIAÇÕES TERRESTRES
Marcelo — o menino do n°4
Num hospital de província havia um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era difícil precisar. Designavam-no pelo n° 4. Inteiramente contorcido, já pela sua deformidade inata, já pela doença, as pernas se lhe torciam roçando polo pescoço num estado de tal magreza, que eram pele e ossos. O corpo, uma chaga; os sofrimentos, atrozes. Era oriundo de uma família israelita. A moléstia dominava aquele organismo, já de oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma inteligência notável, além de candura, paciência e resignação edificantes. O médico que o assistia, cheio de compaixão pelo pobre um tanto abandonado, visto que seus parentes pouco o visitavam, tomou por ele certo interesse. Achava-lhe um quê de atraente na precocidade intelectual.

Assim não só o tratava com bondade, como fazia leituras quando as ocupações lhe permitia e se admirava do seu critério na apreciação de coisas a seu ver superiores à compreensão da sua idade. Um dia disse-lhe o menino: "Doutor, tenha a bondade de me dar ainda uma vez aquelas pílulas ultimamente receitadas". Para que? replicou-lhe o médico, se já lhe ministrei o suficiente e maior quantidade pode fazer-lhe mal..."É que eu sofro tanto, que dificilmente posso orar a Deus para que me dê forças, pois não quero incomodar os outros enfermos que aí estão. Essas pílulas fazem-me dormir e, ao menos quando durmo, a ninguém incomodo."

Aqui está quanto basta para demonstrar a grandeza dessa alma encerrada num corpo informe. Onde teria ido essa criança haurir esses Sentimentos? Certamente não foi no meio em que se educou, além de que na Idade em que principiou a sofrer não possuía sequer o raciocínio. Tais sentimentos eram-lhe inatos; mas então porque se via condenado ao sofrimento, admitindo-se que Deus houvesse concomitantemente criado uma alma assim tão nobre e aquele mísero corpo — instrumento dos suplícios?É preciso negar a bondade de Deus, ou admitir a anterioridade de causa; isto é, a preexistência da alma e a pluralidade das existências.

Os últimos pensamentos daquela criança, ao desencarnar, foram para Deus e para o caridoso médico que dela se condoeu. Decorrido algum tempo foi o seu Espírito evocado na Sociedade de Paris, e deu a seguinte comunicação:"A vosso chamado, vim fazer com que a minha voz se estenda para além deste círculo, tocando todos os corações. Oxalá seu eco se faça ouvir na solidão, e lhes lembre que as agonias da Terra tem por premissas as alegrias do céu; que o martírio não é mais do que a casca de um fruto deleitável, dando coragem e resignação.

Essa voz lhes dirá que, sobre o catre da miséria, estão os enviados do Senhor, cuja missão consiste na exemplificação de que não há dor insuperável, desde que tenhamos o auxílio do Onipotente e dos seus bons Espíritos. Essa voz lhes fará ouvir lamentações de mistura com preces, para que lhes compreendam a harmonia piedosa, bem diferentes da de outros coros de blasfêmias. Um dos vossos bons Espíritos, grande apóstolo do Espiritismo, cedeu-me o seu lugar por esta noite. Por minha vez, também me compete dizer alguma coisa acerca do progresso da vossa Doutrina, que deve auxiliar aqueles que entre vós encarnam, para ensinar a sofrer. O Espiritismo será a pedra de toque; os padecentes terão o exemplo e a palavra e então as imprecações se transformarão em gritos de alegria e lágrimas de contentamento".

P. Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos não eram expiação de faltas anteriores...
R. Não seria uma expiação direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes tão mísero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera aduladores e cortesãos, fora fútil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado; reneguei a Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra.
Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta última encarnação, suportei-os eu anteriormente por toda uma existência que andou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a graça do Senhor, o qual me confiou muitas missões, inclusive a última, que bem conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depuração. Santo Agostinho, pelo médium com o qual habitualmente se comunica na Sociedade.

Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha missão é consolar e não instruir. Há porém aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas e essas terão prazer com a minha presença. Marcelo.
Instruções do Guia do Médium
Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de misérias e lágrimas, quantos gemidos dados! E como era resignado... e como a sua alma lobrigava já então o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No além-túmulo pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava também por aqueles que não tinham resignação no sofrimento, pelos que trocavam preces por blasfêmias!

Foi-lhe lenta a agonia, mas terrível não lhe foi a hora do trespasse; certamente os membros convulsos contorciam-se, oferecendo aos assistentes o espetáculo de um corpo disforme a revoltar-se contra o destino, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, anjo bom lhe pairava por sobre o leito mortuário e lhe cicatrizava o coração. Depois esse anjo arrebatou nas asas brancas essa alma tão bela a escapar-se de tão horripilante corpo, e foram estas as palavras pronunciadas: "Glória a Vós, Senhor, meu Deus!" E a alma subiu ao Todo-Poderoso, feliz e exclamou: Eis-me aqui, Senhor; deste-me por missão exemplificar o sofrimento... terei suportado dignamente a provação?

Hoje, o Espírito da pobre criança sobressai, paira no Espaço, vai do fraco ao humilde, e a todos diz: — Esperança e coragem. Livre de todas as impurezas da matéria, ele aí está junto de vós a falar-vos, a dizer-vos não mais com essa voz fraca e lastimosa, porém agora firme: "Todos que me observaram, viram que a criança não murmurava; hauriram naquele exemplo a calma para os seus males e seus corações se tonificaram na suave confiança em Deus, que outro não era o fim da minha curta passagem pela Terra". Santo Agostinho

N.B.: EMBORA APRESENTADO UM SÓ; EXISTEM MUITOS CASOS DESCRITOS.


23 - O Evangelho S. o Espiritismo - ALLAN KARDEC - cap. iii, 13

MUNDOS DE EXPIAÇÕES E DE PROVAS - SANTO AGOSTINHO Paris, 1862
13. Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz.

14. Não obstante, não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação. As raças que chamais selvagens constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que então, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato com Espíritos mais avançados. Vêm, a seguir, as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em progresso. Essas são, de modo, as raças indígenas da Terra, que se desenvolveram a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos.

Os Espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir, como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação no mal, que os tornava causa perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, o os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. Ë por isso que os Espíritos punidos se ontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuírem a sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso.

15. A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos Itxpiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os Espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, na sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito.

24 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - intr. vi. questões. 113, 132, 167, 178, 246, 266, 399, 602, 931,998

Perg. 132 - Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos? - Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição. Para uns é uma expiação para outros uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea: nisto é que está a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da criação. É para executá-la que ele toma um aparelho em cada mundo, em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E desta maneira, concorrendo para a obra geral, também progride.

Perg. 167 - Qual é a finalidade da reencarnação? - Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde estaria a justiça?

Perg. 178 - Os Espíritos podem renascer corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram? - Sim, quando têm uma missão a cumprir, para ajudar o progresso; e então aceitam com alegria as tribulações dessa existência, porque lhes fornecem um meio de se adiantarem.

Perg. 246 - Os Espíritos precisam de luz para ver? - Vêem pela luz própria, sem necessidade de luz exterior, para eles não há trevas, a não ser aquelas em que podem encontrar-se por expiação.

Perg. 266 - Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas? - Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando ele está liberto da matéria, cessa a ilusão, e a sua maneira de pensar é diferente.

O homem, submetido na Terra à influência das idéias carnais, só vê nas suas provas o lado penoso. É por isso que lhe parece natural escolher as que, do seu ponto de vista, podem subsistir com os prazeres materiais. Mas na vida espiritual ele compara os prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê, e então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O Espírito pode escolher a prova mais rude e, em consequência, a existência mais penosa, com a esperança de chegar mais depressa a um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar mais rapidamente. Aquele que deseja ligar o seu nome à descoberta de um país desconhecido não escolhe um caminho coberto de flores, pois sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera, se for feliz.

Perg. 399 - Sendo as vicissitudes da vida corpórea ao mesmo tempo uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, da natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se o gênero da existência anterior? - Muito frequentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou. Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências instintivas são um índice mais seguro, porque as provas que um Espírito sofre, tanto se refere ao futuro, quanto ao passado.

Chegado ao termo que a Providência marcou para a sua vida errante, o Espírito escolhe por si mesmo as provas às quais deseja submeter-se para apressar o seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência que acredita mais apropriado a lhe fornecer os meios, e essas provas estão sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se nelas triunfa, ele se eleva; se sucumbe, tem de recomeçar. O Espírito goza sempre do seu livre-arbítrio. É em virtude dessa liberdade que, no estado de Espírito, escolhe as provas da vida corpórea, e no estado de encarnado delibera o que fará ou não fará, escolhendo entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzí-lo à condição de máquina.Integrado na vida corpórea, o Espirito perde momentaneamente a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. Não obstante, tem às vezes uma vaga consciência, e elas podem mesmo lhe ser reveladas em certas circunstâncias. Mas isto não acontece senão pela vontade dos Espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil, e jamais para satisfazer uma curiosidade vã.

Perg. 602 - Os animais progridem como o homem, por sua própria vontade ou pela força das coisas? - Pela força das coisas; e é por isso que, para eles, não existe expiação.

Perg. 931 - Por que as classes sofredoras são mais numerosas do que as felizes?- Nenhuma é perfeitamente feliz, pois aquilo que se considera a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responde ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas porque a Terra é um lugar de expiação. Quando o homem a tiver transformado em morada do bem e dos bons Espíritos, não mais será infeliz neste mundo, que será para ele o paraíso terrestre.

Perg. 998 - A expiação se realiza no estado corpóreo ou no estado de Espírito? - Ela se cumpre na existência corpórea, pelas provas a que o Espírito é submetido, e na vida espiritual pelos sofrimentos morais decorrentes do seu estado de inferioridade.

31 - Universo e vida - Hernani T. Sant'Anna - Espírito Áureo - pág. 80

7. INFECÇÃO E PURGAÇÃO
Acionados os mecanismos do gravador comum, a fita magnética vai sendo sensibilizada pelas vibrações sonoras que nela se registram. Quando termina a gravação, se se quer ouvir o que foi gravado, deve-se reenrolar a fita em sentido contrário. Mutatis mutandis, ocorre também assim com os registros da memória. Nela se vão gravando automaticamente todos os acontecimentos da vida, até que o choque biológico da desencarnação desata os mecanismos de revisão e arquivamento de todas as experiências gravadas ao longo da etapa existencial encerrada.

Acontece que nem sempre todas as experiências então revistas podem ser simplesmente arquivadas na memória profunda da mente, por não haverem sido por esta absorvidas. São os casos pendentes, ainda não encerrados, que traduzem, na maioria das vezes, realidades que a consciência não consegue aceitar. Essa rejeição consciencial gera conflito mental interno, ou indigestão psíquica, provocando no espírito o reconhecimento do erro e o consequente remorso, ou, o que é pior, a orgulhosa ou cega ratificação do erro, causadora de revolta e empedernimento.

De qualquer modo, a rejeição consciencial tem como inelutável consequência a não assimilação das concentrações energéticas correspondentes às formas-pensamentos que duplicam os fatos, mantendo-os "vivos" e atuantes na aura do espírito, à maneira de tumores autônomos, simples ou em rede, a afetarem o corpo espiritual e o lesarem. No caso do remorso, o tumor se transforma em abscesso energético, a exigir imediata drenagem; no caso do empedernimento, o tumor cria carnição e se estratifica, realimentado pela continuidade dos pensamentos-força da mente, arrastando o espírito a longas incursões nos despenhadeiros da revolta, onde não raro se transforma transitoriamente em demônio, a serviço mais ou menos prolongado das Trevas.

As operações de drenagem psíquica são dolorosas e variam de tempo e intensidade, caso por caso, mas resultam sempre na recuperação relativa do espírito para futuras retificações de conduta, sem prejuízo da continuidade, a breve trecho, de sua marcha evolutiva ascensional. Quando a revolta se cristaliza no monoideísmo, onde as idéias fixas funcionam como escoadouros de energia, em excessivo dispêndio de forgas vitais, pode o espirito chegar facilmente à perda do psicossoma, ovoidizando-se, caso em que se reveste tão-só da túnica energética mental, à maneira de semente em regime de hibernação. Chegue ou não a esse extremo, o espírito responderá, naturalmente, perante si mesmo, pêlos fulcros de lesões mento-psicofísicas que gera, para seu próprio prejuízo, imediato e futuro.

No que tange à drenagem a que nos referimos, importa consideremos que o pus energético a ser expelido decorre das transformações psicofísico-químicas das energias degeneradas que foram segregadas pela mente e incorporadas à economia vital do ser, representando forças ídeo-emotivas de teor e peso específicos. Necessário entendamos que as formas-pensamentos nem sempre são concentrações energéticas facilmente desagregáveis. Conforme a natureza ídeo-emotiva de sua estrutura e a intensidade e constância dos pensamentos de que se nutrem, podem tornar-se verdadeiros carcinomas, monstruosos "seres" automatizados e atuantes, certamente transitórios, mas capazes, em certos casos, de subsistir até por milênios inteiros de tempo terrestre, antes de desfazer-se.

Á expiação, de que fala a Doutrina Espírita, não é senão a purgação purificadora do mal que infeccionou o espírito. Este, através dela, restaura a própria saúde e se liberta das impurezas que o afligem e lhe retardam a felicidade. Notemos, porém, que os mecanismos expiatórios não obedecem a uma fórmula única. Se a dor dissolve o mal, o amor consegue transformá-lo. Lembremo-nos de que tudo o que existe é suscetível de servir ao bem, sob o comando soberano da mente espiritual. O mal, seja qual for a sua natureza, é sempre apenas uma degenerescência do bem, porque a essência de toda a Criação repousa na Suprema Perfeição do Amoroso Criador dos Universos.

LEMBRETES:

1° - Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são consequentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal. Allan Kardec

2° - O Espírito não pediu aquela encarnação, porque no seu estado de atraso e endurecimento, de obstinação no Mal, não seria capaz de compreender a necessidade de progredir, de ser bom (...) A vdia de expiação lhe é imposta pela Lei das leis! Não foi uma existência solicitada, pedida para fins de reabilitação. É uma encarnação imposta pelo Alto, com o fim misericordioso de despertar a criatura para as alegrias do Bem: Arrancar a alma às trevas e jogá-la às claridades do Amor. Fernando do Ó

3° - A felicidade real do Espírito culpado consiste no cumprimento exato da Lei de Ação e Reação, que faz cada Espírito sofer em si mesmo os danos causados ao próximo. Expiações dolorosas, no hoje, redundarão em paz da consciência no amanhã quando sofremos dentro dos preceitos evangélicos. Nenhum Espírito caminhará para a frente, na senda do aperfeiçoamento espiritual sem antes saldar suas dívidas com a Justiça Divina. Walter Barcelos

4° - A expiação é a primeira consequência da falta ou crime praticado, mediante a qual a consciência do criminoso acaba por despertar para o arrependimento. Antonio Luiz Sayão

5° - O caminho expiatório é um trilho de sofrimentos e reparações (..) Francisco Cândido Xavier

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