ÊXTASE
BIBLIOGRAFIA
01- A AGONIA DAS RELIGIÕES, pag. 82 02 - A MEDIUNIDADE E A LEI, pag. 236
03 - A PERSONALIDADE HUMANA, pag. 294 04 - A VIDA ALÉM DO VÉU, pag. 39
05 - ALLAN KARDEC - VOL 2, pag. 92, 148 06 - AS POTÊNCIAS OCULTAS DO HOMEM, pag 129
07 - CONVERSANDO SOBRE A MORTE, pag. 46 08 - DINÂMICA PSI, pag. 69

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

ÊXTASE – COMPILAÇÃO

01 - ÊXTASE

Sonambulismo, êxtase e dupla vista

Apresentamos nesta edição o tema no 121 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.

Questões para debate

1. O que caracteriza o sonambulismo?

2. No sonambulismo, como o indivíduo está dormindo, quem é que age?

3. Que é o êxtase?

4. Em que consiste o fenômeno da dupla vista?

5. Existe alguma relação entre o sonho, o sonambulismo e o fenômeno da dupla vista?

Texto para leitura

No sonambulismo, é a alma do sonâmbulo que se movimenta e age
1. O sonambulismo, o êxtase e a dupla vista, a exemplo do sono, da catalepsia e da letargia, enquadram-se no capítulo que trata da emancipação da alma, como podemos ver na principal obra de Kardec, “O Livro dos Espíritos”.

2. No sonambulismo, o que o caracteriza é o fato de o indivíduo, embora dormindo, poder movimentar-se e agir, utilizando o seu próprio corpo material, como se estivesse acordado. Ele se levanta, caminha e pratica atos próprios de sua vida com absoluta segurança e perfeição. Outra característica do fenômeno é o fato de perder o sonâmbulo, ao acordar, a lembrança do que fez dormindo.

3. No sonambulismo, analogamente ao que ocorre durante o sono, o Espírito do sonâmbulo se desprende e, uma vez emancipado, passa a ver com os olhos espirituais, com a particularidade de que, embora desprendido do corpo físico, continua exercendo uma força sobre ele. E o faz com grande segurança, como provam os fatos, a ponto de subir em telhados e caminhar à beira de precipícios, sem se acidentar. A respeito disso, Gabriel Delanne relata em seu livro “O Espiritismo perante a Ciência” alguns fatos muito interessantes, como o caso de um farmacêutico de Pavia que durante o sono levantava-se da cama e ia ao laboratório de sua farmácia, onde continuava a preparar as receitas ainda não atendidas.

4. Se o indivíduo continua a agir dormindo e tendo os olhos fechados, que se pode deduzir, senão que é sua alma quem age? E, de fato, assim o é porque, ao emancipar-se, o Espírito pode utilizar com maior facilidade as percepções que lhe são próprias, tal como nos ensina o Espiritismo quando diz que o sonambulismo natural é um estado de independência do Espírito mais completo do que o sonho, que não passaria, segundo os instrutores espirituais, de um estado de sonambulismo imperfeito.

O êxtase é uma forma de sonambulismo mais apurado
5. O sonambulismo pode ser induzido artificialmente pelos magnetizadores e o pioneiro dessa prática foi o médico austríaco Franz Anton Mesmer, que buscava nessa experiência uma forma de terapia alternativa. Em casos tais, pode o sonâmbulo entrar em contato com outros Espíritos que lhe transmitem o que devem dizer e suprem, desse modo, a sua incapacidade. O fato se verifica principalmente nas prescrições médicas e há muitos relatos na literatura espírita dando conta de que, às vezes, o Espírito do sonâmbulo “vê” o mal e outro Espírito lhe indica o remédio, caracterizando uma forma de ação mediúnica na qual o sonâmbulo é o instrumento de outras inteligências desencarnadas.

6. Outra modalidade de emancipação da alma é o êxtase, que é, segundo o Espiritismo, um sonambulismo mais apurado, porquanto a alma do extático é ainda mais independente.

7. Se no sonho e no sonambulismo o Espírito anda em giro pelos mundos que nos rodeiam, no êxtase pode penetrar em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que lhe seja, porém, lícito ultrapassar certos limites. Aliás, se o Espírito em êxtase os transpusesse, partir-se-iam os laços que o prendem ao corpo material.

8. Pondo-se em contato com lugares e entidades tão elevados, é fácil entender que um resplendente e incomum fulgor chega a cercar o extático, produzindo-lhe um indefinível bem-estar, que lhe permite gozar antecipadamente a beatitude celeste que somente em estados semelhantes pode vislumbrar.

A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma
9. A dupla vista, igualmente chamada de segunda vista, é o nome que se dá ao fenômeno pelo qual certas pessoas, em perfeito estado de vigília, conseguem perceber cenas e fatos passados a distância ou exclusivamente na esfera espiritual.

10. Kardec perguntou aos instrutores espirituais se existe alguma relação entre o sonho, o sonambulismo e o fenômeno da dupla vista. Responderam os imortais que tudo isso é uma só coisa. O que se chama dupla vista é o resultado da libertação do Espírito sem que o corpo esteja adormecido. A dupla vista ou segunda vista, afirmam eles, “é a vista da alma”.

11. Exemplos desses fatos existem inúmeros na literatura espírita, especialmente nos clássicos. Um deles é o que se passou com o vidente sueco Swedenborg, que podia ver e descrever com precisão Espíritos e cenas do mundo espiritual.

12. A história registra também muitos casos dessa ordem, como o ocorrido com Apolônio de Tiana, que, estando a ensinar a seus discípulos em praça pública, interrompeu-se de repente, na atitude ansiosa de quem espera alguma grave ocorrência, e em seguida anunciou o assassínio de Domiciano, morto sob o punhal de um liberto.

Respostas às questões propostas
1. O que caracteriza o sonambulismo?

R.: O que o caracteriza é o fato de o indivíduo, embora dormindo, poder movimentar-se e agir, utilizando o seu próprio corpo material, como se estivesse acordado. Ele se levanta, caminha e pratica atos próprios de sua vida com absoluta segurança e perfeição. Outra característica do fenômeno é o fato de perder o sonâmbulo, ao acordar, a lembrança do que fez dormindo.

2. No sonambulismo, como o indivíduo está dormindo, quem é que age?

R.: É sua alma que age.

3. Que é o êxtase?

R.: O êxtase é outra modalidade de emancipação da alma, uma espécie de sonambulismo mais apurado, porquanto a alma do extático é ainda mais independente.

4. Em que consiste o fenômeno da dupla vista?

R.: A dupla vista, igualmente chamada de segunda vista, é o nome que se dá ao fenômeno pelo qual certas pessoas, em perfeito estado de vigília, conseguem perceber cenas e fatos passados a distância ou exclusivamente na esfera espiritual.

5. Existe alguma relação entre o sonho, o sonambulismo e o fenômeno da dupla vista?

R.: Sim. Todos eles são formas de ocorrências derivadas da emancipação da alma. O que se chama dupla vista é o resultado da libertação do Espírito sem que o corpo esteja adormecido. A dupla vista ou segunda vista, afirmam eles, “é a vista da alma”.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 425 a 431, 439, 447 e 455.

O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, item 172.

Magnetismo Espiritual, de Michaelus, pp. 8 a 10.

O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, pp. 88 a 94.

Dicionário Enciclopédico Ilustrado, de João Teixeira de Paula, pp. 42 e 43.

02 - ÊXTASE

LE073 - Estudo Sintetico do Livro dos Espiritos
LIVRO DOS ESPIRITOS- Allan Kardec. Da Emancipacao da Alma.
Parte Segunda. Capitulo VIII. Perguntas 439 a 446.
Tema: Extase

a) O extase é um sonambulismo mais apurado, neste caso a alma do extatico é ainda mais independente.

b) O espirito do extatico ve e compreende a felicidade dos mundos superiores, e por isto gostaria de permanecer neles, embora, haja mundos em que não seja permitida presença de espiritos que não sejam ainda bastante depurados.

c) O extatico quando ve a sua posição futura melhor exprime o desejo de deixar a Terra, e faz esforços para romper os laços que o prendem ao planeta.

d) Se abandonar-mos o extatico a si mesmo ele pode abandonar definitivamente o corpo (desencarnar), e por isto é necessario charma-lo, por meio de tudo que possa prende-lo a este mundo e sobretudo, fazendo-lhe ver que se quebrasse a cadeia que o prende aqui, seria o meio de não ficar la, onde ve que seria feliz.

e) O que o extatico ve, é real para ele, mas como seu espirito esta preso à ideias terrenas, ele pode ver à sua maneira, ou exprimir-se de acordo com seus preconceitos e com as ideias com que foi criado, ou com as do assistentes, de maneira a ser melhor compreendido.

f) Com relação às revelaçoes dos extaticos, eles podem frequentemente se enganar, sobretudo se quer penetrar naquilo que deve permanecer misterio para o homem, porque pode expressar suas ideias ou se tornar joguete de espiritos
enganadores, que aproveitam seu entusiasmo para fascina-lo.

g) No sonambulismo e no extase, o homem pode ter contato com a vida passada e vida futura, devendo ser estudado estes fenomenos.

h) Aqueles que estudam os fenomenos do sonambulismo e extase de boa fé nao podem acomodar-se ao materialismo.

PERGUNTAS PARA ESTUDO E DEBATE VIRTUAL.

1 - Pode o espirito do extatico penetrar em mundos
superiores ?

2- Pode-se confirar em todas as revelaçoes dos extaticos ?

3 - Como fazer o extatico retornar ao corpo fisico e porque
devemos fazer isto ?

4 - O extatico pode esquecer da lei de conservaçao ?


03 - ÊXTASE

Idéias Principais:

O sonambulismo é um estado de independência do Espírito, mais completo do que no sonho, estrado em que maior amplitude adquirem suas faculdades.

O êxtase é um sonambulismo mais apurado. A alma do extático ainda é mais independente.

O Espírito, no êxtase, penetra em um mundo desconhecido, a dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação.

A emancipação da alma se verifica às vezes no estado de vigília e produz o fenômeno conhecido pelo nome de segunda vista ou dupla vista, que é a faculdade graças a qual quem a possuir vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos.

Mostra a experiência que os sonâmbulos também recebem comunicações de outros Espíritos. Isto se verifica principalmente nas prescrições médicas. O Espírito do sonâmbulo vê o mal, outro lhe indica o remédio.

Se durante os fenômenos de emancipação da alma o Espírito recebe instruções de outros Espíritos, ocorre aí um fato mediúnico, caso contrário, se as instruções são fornecidas pelo próprio Espírito emancipado, não se caracteriza, efetivamente, um fenômeno mediúnico, mas a ocorrência de um fato anímico.


Síntese do Assunto:

Em roteiros anteriores estudamos a emancipação da alma que se observa durante o sono natural, bem como, nos estados letárgico e cataléptico.

Mas, ela ocorre ainda em muitos outros, notadamente naqueles a que se convencionou chamar sonambulismo e êxtase, e também no singular fenômeno da dupla vista. Estudaremos os três últimos fenômenos a seguir:

Sonambulismo – O que caracteriza este estado é que nele o individuo embora dormindo, se movimenta e procede como se estivesse acordado. Levanta-se, caminha e pratica atos próprios de sua vida habitual com absoluta segurança e perfeição. Caracteriza-se ainda por perder o sonâmbulo, ao acordar, a lembrança do que fez dormindo. Gabriel Delanne, em sua obra “O Espiritismo Perante a Ciência”, refere a história de um jovem padre que se levantava todas as noites, ia à escrivaninha, compunha sermões e tornava a deitar.

Quando ele terminava uma página, lia-a alto, de princípio a fim. (Se se pode chamar leitura esta ação sem o concurso dos olhos).

Que o padre não via nem lia com o auxílio dos olhos ficou provado por alguns de seus amigos que, querendo verificar se ele de fato dormia, puseram-se a vigiá-lo e, numa certa noite em que ele se levantara e estava escrevendo, interpuseram entre seus olhos e o papel um grosso cartão, o que o não impediu de continuar escrevendo, nem de ler depois tudo o que escrevera. O que acontece, pois, no sonambulismo, analogamente ao que ocorre no sono comum, é que o Espírito do sonâmbulo se desprende, sua alma se emancipa e passa a ver com os olhos do Espírito; com a particularidade de que, embora fora dele, continua exercendo uma força sobre o corpo caído em repouso, e que se manifesta por uma ação diretora totalmente por fora dos sentidos corporais, isto é, a alma vela enquanto o corpo dorme. E o faz com grande segurança, como provam os fatos – relatados por vários autores – de sonâmbulos que sobem a telhados, andam beirando precipícios, sem se acidentarem; outros que praticam atos profissionais, que exigem delicadas manipulações técnicas e sólidos conhecimentos científicos. O fato seguinte é muito interessante, extraído da obra citada de Gabriel Delanne: Um farmacêutico de Pavia, durante o sono levantava-se todas as noites e ia ao laboratório de sua farmácia continuar o preparo de receitas não acabadas durante o dia. Nesse labor noturno acendia fornos, preparava alambiques, retortas, vasos, manejava tubos de ensaio, tudo com maior prudência e perícia e sem que nunca lhe acontecesse qualquer acidente. As receitas, mandadas pelos médicos e não preparadas, buscava-as na gaveta fechada onde estavam, abria-a, colocava as receitas na mesa, empilhava-as e procedia uma a uma ao preparo das mesmas. Tomava a balança de precisão, escolhia os pesos e pesava com exatidão farmacêutica as doses mínimas das substâncias, que triturava, misturando-as com veículos adequados e punha-as em frascos ou pequenos pacotes, conforme a sua natureza, colocava os rótulos e dispunha tudo nas prateleiras em ordem, a fim de serem entregues aos clientes.

Como explicar, perguntamos, que esse homem fizesse tudo isso dormindo, de olhos fechados, lendo as receitas e executando-as com a maior precisão, senão admitindo-se que era a sua alma emancipada que lia, fora do corpo, com a visão do Espírito, como também era ela que dirigia as mãos em todas as manipulações feitas? O mais espantoso ainda e que dá vigoroso reforço a esta tese, é que o sonâmbulo pensa e raciocina claramente, ao agir em estado de desprendimento, conforme explicação dada pelo Dr. Esquirol, e reproduzido na citada obra de Gabriel Delanne: “Um farmacêutico se levantava todas as noites e preparava as poções cujas fórmulas se encontravam na mesa. Para verificar se havia discernimento por parte do sonâmbulo, ou apenas movimentos automáticos, um médico colocou no balcão da farmácia a nota seguinte:

Sublimado corrosivo 2 oitavas.

Água destilada 4 onças.

Para tomar de uma vez.

O farmacêutico levantou-se durante o sono e, como de hábito desceu ao seu laboratório; apanhou a receita, leu-a varas vezes, pareceu muito espantado e entabulou o seguinte monólogo que o autor da narrativa, oculto no laboratório escreveu palavra por palavra:

- É impossível que o doutor não se tenha enganado nesta fórmula; 2 grãos seriam bastantes; mas há aqui visivelmente escrito 2 oitavas, que são mais de 150 grãos. Isto é mais do que suficiente para envenenar 20 pessoas. Ele enganou-se indubitavelmente. Não preparo esta poção.

O sonâmbulo tomou em seguida, diversas prescrições que estavam na mesa, preparou-as, rotulou-as e colocou-as em ordem para serem entregues no dia seguinte”.

Esse fato mostra de modo exuberante que durante o estado de sonambulismo a alma do sonâmbulo vela com a mais ampla lucidez.

Nos fatos do sonambulismo tem-se, pois, a mais evidente prova da existência da alma humana como ser independente, causa real de todas as atividades psicológicas do homem; em suma, da alma humana como Espírito encarnado, para o qual o corpo físico é apenas o instrumento para as suas relações com o mundo material.

Teria o sonambulismo natural alguma relação com os sonhos?

Segundo os Espíritos da Codificação: “é um estado de independência do Espírito, mais completo do que no sonho, estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito”.

Todos os fatos e considerações feitas até aqui se referem ao sonambulismo natural; isto é, àquele que se manifesta espontaneamente em alguns indivíduos. Há, porém, o sonambulismo induzido artificialmente, pelos magnetizadores, através do magnetismo animal. O sonambulismo magnético, como então é chamado, foi introduzido na França pelo médico austríaco Franz Anton Mesmer, atendendo a finalidades curadoras. Foi um dos discípulos de Mesmer, o Marquês de Puységur que descobriu o sonambulismo em indivíduos magnetizados.

Apesar de os sonâmbulos enxergarem com os olhos da alma, nem sempre vêem tudo, podendo se enganar a respeito. Isto ocorre conforme nos falam os Espíritos Superiores, porque “primeiramente aos Espíritos imperfeitos não é dado verem tudo e tudo saberem. Depois, quando unidos à matéria, não gozam de todas as suas faculdades de Espírito”.

É preciso considerar que os sonâmbulos podem entrar em relação com outros Espíritos “que lhes transmitem o que devem dizer e suprem a incapacidade que denotam. Isto se verifica principalmente nas prescrições médicas. O Espírito do sonâmbulo vê o mal, outro lhe indica o remédio”.

Neste caso, agindo o sonâmbulo sob orientação de outros Espíritos, caracteriza-se uma ação mediúnica, porque ele (o sonâmbulo) é instrumento de outras inteligências. É passivo e o que diz não vem de si. Em resumo, o sonâmbulo revela um fato anímico quando exprime o seu próprio conhecimento, enquanto que o médium sonambúlico expressa o conhecimento de outrem.

Com o passar do tempo, pesquisadores se dedicando ao estudo do sonambulismo descobriram que havia sonâmbulos lúcidos que liam através de corpos opacos; que postos em contato com uma pessoa doente, não só viam os órgãos internos enfermos, como ainda manifestavam os mesmos sintomas mórbidos; que viam com outras partes do corpo, as mãos, a barriga, etc., em suma, o que se chamou a transposição dos sentidos, mas que na verdade eram os sentidos da alma emancipada, em funcionamento. Enfim, sonâmbulos surgiram, pela ação magnética, que viam à distância, realizavam viagens, em que muitas vezes percebiam paisagens mais belas e admiráveis que as da Terra. O magnetismo deixou de ser um simples processo curativo e passou a ser também uma porta aberta para o que, então, se considerava como sobrenatural; tanto mais que muitos sonâmbulos percebiam também os Espíritos desencarnados, entravam em relação com eles e deles recebiam instruções morais e indicações terapêuticas, que transmitiam aos homens. Sob este aspecto, o sonambulismo foi verdadeiramente precursor do Espiritismo.

Vejamos agora o que se encontra em O Livro dos Espíritos.

“O chamado sonambulismo magnético tem alguma relação com o sonambulismo natural?”.

É a mesma coisa com a diferença só de ser provocado.

“Qual a causa da clarividência sonambúlica?”.

Já o dissemos. É a alma que vê.

“Qual a origem das idéias inatas do sonâmbulo e como pode falar com exatidão de coisas que ignora quando desperto, de coisas que estão mesmo acima de sua capacidade intelectual?”.

É que o sonâmbulo possui mais conhecimentos do que os que lhe supões. Apenas, tais conhecimentos dormitam, porque, por demasiado imperfeito, seu invólucro corporal não lhe consente rememorá-lo. Que é, afinal, um sonâmbulo? Espírito, como nós, e que se encontra encarnado na matéria para cumprir a sua missão, despertando dessa letargia quando cai em estado sonambúlico.

Êxtase – A ação magnética não se limita, como vimos, à produção de curas de enfermidades físicas. Seu alcance é muito maior, desatando os laços que prendem a alma ao corpo, favorecendo a sua penetração no mundo invisível. Mas há diversos graus no estado magnético, que vão dos mais leves estados de sono, passando pelo sonambulismo lúcido até um estado de quase total desprendimento da alma, que paira então em planos etéreos e felizes, estado esse que se chama êxtase. Consultemos, sobre o assunto, O Livro dos Espíritos.

“Que diferença há entre o êxtase e o sonambulismo?”.

O êxtase é um sonambulismo mais apurado. A alma do extático ainda é mais independente.

E Kardec acrescenta ainda sobre este palpitante assunto: “No sonho e no sonambulismo, o Espírito anda em giro pelos mundos terrestres. No êxtase, penetra em mundos desconhecidos, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que, todavia, lhe seja licito ultrapassar certos limites, porque, se os ultrapassasse totalmente, se partiriam os laços que o prendem ao corpo. Cerca-o, então, resplendente e desusado fulgor, inebriam-no harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível bem-estar o invade; goza antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade.

Dupla Vista – Posto que raro, há também, inteiramente fora de qualquer influência magnética, casos em que cerros indivíduos, em perfeito estado de vigília conseguem perceber, no instante mesmo em que ocorrem, cenas e fatos passados a distância. É o fenômeno da dupla vista.

Haveria, pois, alguma relação entre sonho, sonambulismo e o fenômeno de dupla vista?

“Tudo isso é uma só coisa. O que se chama dupla vista é ainda resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo seja adormecido. A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma”.

Como exemplos dessa faculdade são comumente citados os casos de Swedenborg que, em Estocolmo, assistiu e descreveu com precisão e em todo o seu desenvolvimento a um incêndio que ocorria em localidade muito distante, bem como o de Apollônio de Tyana que, estando a ensinar seus discípulos em praça pública, estes o viram de repente interromper-se, na atitude ansiosa de quem espera alguma grave ocorrência e em seguida anuncia o assassinato de Domiciano, que caia sob o punhal de um liberto.

04 - ÊXTASE

IV. Emancipação da Alma

26. O desprendimento pode produzir-se no estado de vigília e em diversos graus, não dispondo o corpo, de maneira completa, da sua atividade normal; há sempre uma absorvência, um desapego mais ou menos completo das coisas terrestres. Ele não dorme; anda, age; mas os olhos fitam sem ver os objetos. Percebe-se bem que a alma não está aí.

Como no sonambulismo, ela vê as coisas distantes, tem percepções e sensações, que nos são desconhecidas e, às vezes, tem a presciência de futuros acontecimentos pelas relações que os prendem às coisas presentes. Penetrando no mundo invisível, vê os Espíritos, entretém-se com eles, e pode transmitir-nos os seus pensamentos. O esquecimento, quando volta ao estado normal, é quase constante; mas às vezes tem uma lembrança mais ou menos vaga, como no sonho.(24)

27. O desprendimento da alma amortece, às vezes, as sensações físicas até produzir uma verdadeira insensibilidade, podendo então suportar, com indiferença, as mais vivas dores. Essa insensibilidade provém do desprendimento do perispírito, agente transmissor das sensações corpóreas. O Espírito ausente não sente os ferimentos do corpo.

28. A faculdade emancipadora da alma, na sua mais simples manifestação, produz o que se chama o sonho acordado. Dá também a certas pessoas a presciência, que constitui os pressentimentos. Em mais elevado grau, produz o fenômeno da chamada segunda vista, dupla vista, ou sonambulismo em estado de vigília.(25)

29. O êxtase é a emancipação da alma no grau máximo. "No sonho e no sonambulismo, a alma erra pelos mundos terrestres; no êxtase, penetra num mundo desconhecido, no mundo dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem, todavia, poder ultrapassar certos limites, que ela não poderia transpor sem quebrar totalmente os laços que a prendem ao corpo. Cercam-na um brilho resplandecente e desusado fulgor, enlevam-na harmonias que na Terra se desconhecem, invade-a indefinível bem-estar; dado lhe é gozar antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que põe um pé no limiar da eternidade. No êxtase, é quase completo o aniquilamento do corpo; já não resta, por assim dizer, senão a vida orgânica e percebe-se que a alma lhe está presa apenas por um fio, que mais um pequeno esforço faria partir-se." (O Livro dos Espíritos, n. 455.)

30. Como em nenhum dos outros graus de emancipação da alma, o êxtase não é isento de erros, pelo que as revelações dos extáticos longe estão de exprimir sempre a verdade absoluta. A razão disso reside na imperfeição do espírito humano; somente quando ele tem chegado ao cume da escala pode julgar das coisas lucidamente; antes não lhe é dado ver tudo, nem tudo compreender. Se, após o fenômeno da morte, quando o despreendimento é completo, ele nem sempre vê com justeza; se muitos há que se conservam imbuídos dos prejuízos da vida, que não compreendem as coisas do mundo visível, onde se encontram, com mais forte razão o mesmo há de suceder com o Espírito ainda retido na carne.

Há por vezes, nos extáticos, mais exaltação que verdadeira lucidez, ou melhor, a exaltação lhes prejudica a lucidez, razão por que suas revelações são com freqüência uma mistura de verdades e erros, de coisas sublimes e outras ridículas. Também Espíritos inferiores se aproveitam dessa exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza quando não há quem saiba governá-la, para dominar o extático e, para conseguirem seus fins, assumem aos olhos deste aparências que o aferram às suas idéias e preconceitos, de modo que suas visões e revelações não vêm a ser mais do que reflexos de suas crenças. É um escolho a que só escapam os Espíritos de ordem elevada, escolho diante do qual o observador deve manter-se em guarda.(26)

31. Há pessoas de perispírito tão identificado com o corpo, nas quais o desprendimento, até no momento da morte, só se opera com extrema dificuldade. São em geral as que têm levado uma vida muito material. Para elas a morte é a mais penosa possível, a mais cheia de longas e dolorosas angústias. Outras, porém, cuja alma se prende ao corpo por tênues laços, se desprendem sem comoção nem dificuldade, e muitas vezes antes da morte do corpo. Na hora extrema, já divisam o mundo para onde têm de ir, e anseiam pelo momento da completa libertação.

(24) A Psicologia e a Parapsicologia atribuem ao inconsciente as faculdades da alma em seus momentos de libertação. O conceito de inconsciente apareceu primeiramente no Espiritismo (Ver o livro Silva Mello e os Seus Mistérios, de Sérgio Vale - Lake) mas não é uma instância da personalidade e sim um campo de funções que escapa aos limites sensoriais. Kardec oferece aqui a explicação desse problema. E o faz com base nas numerosas experiências realizadas por ele na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e cujos relatos minuciosos podem ser lidos na Revista Espírita. Como se vê, Kardec admite dois tipos de percepção extra-sensorial: 1) o que provém da emancipação da alma, ou seja, dos momentos em que a alma se afasta do corpo; 2) o decorrente dos estados de ausência psíquica no estado de vigília, momentos de distração, de sonolência passageira e assim por diante. Assim, toda a fenomenologia paranormal que a Parapsicologia se empenha em explicar atualmente se reduz, para a Ciência Espírita, na capacidade permanente que a alma possui de se afastar do corpo, de se libertar da prisão sensorial orgânica. É a alma que vê e sente fora do corpo. Ver em O Livro dos Espíritos o capítulo intitulado Ensaio Sobre as Sensações nos Espíritos. (N. do Rev.)

(25) Temos neste tópico a explicação espírita da ação das drogas anestésicas e alucinógenas nos processos de percepção extra-sensorial. Essas drogas não possuem nenhum poder maravilhoso, não dão aos pacientes nenhum aumento de percepção orgânica. Agem apenas como o sono e os estados hipnóticos, bloqueando as vias comuns da percepção sensorial, o que permite ao espírito libertar-se da prisão do sensório. A palavra alma, no Espiritismo corresponde a espírito encarnado. Enquanto estamos vivos na Terra somos almas, espíritos revestidos de perispíritos animando um corpo animal. Depois da morte não somos mais almas, somos espíritos. (N. do Rev.)

(26) O Espiritismo prefere a comunicação mediúnica aos processos de desprendimento espiritual, no trato com o mundo invisível, porque a comunicação oferece maior segurança no exame dos fatos. O problema do condicionamento à crença, levantado por Richet e tratado por Ricardo Musso em seu livro En los limites de la Psicologia já havia sido colocado por Kardec de maneira precisa e esclarecedora, como se vê nesse tópico. (N. do Rev.)