FENÔMENOS ESPÍRITAS
BIBLIOGRAFIA
01- A alma é imortal - pág. 251 02 - A clarividência - pág. 88
03 - A Gênese - cap. XIII 04 - Agenda Cristã - pág. 146
05 - Caminho, verdade e vida - pág. 45, 271 06 - Conduta Espírita - pág. 105
07 - Cristianismo e Espiritismo - pág. 285, 301 08 - Depois da morte - pág. 158
09 - Emmanuel - pág. 81, 183 10 - Fatos Espíritas - pág. 19
11 - Fenômenos Espíritas e anímicos - toda a obra 12 - Fonte viva - pág. 213
13 - Guia do Espiritismo - pág.23 14 - Jesus, o verbo do pai - pág. 25
15 - Luz no lar - pág. 115

16 - Mediunidade - pág. 91

17 - Nas pegadas do Mestre - pág. 194 18 - O consolador - pág. 141
19 - O espirito e o tempo - pág. 203 20 - O Fenômeno Espírita - toda a obra
21 - O que é a morte - pág.51 22 - Pontos e contos - pág. 15
23 - Reencarnação e vida- pág. 240 24 - Religião dos Espíritos - pág. 149, 157
25 - Roteiro - pág. 103 26 - Seara dos médiuns - pág.87, 209
27 - Seareiros de volta - pág. 128 28 - Sintese de o novo Testamento - pág.251
29 - Vinha de luz - pág. 267 30- Vozes do grande além - pág. 232

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FENÔMENOS ESPÍRITAS – COMPILAÇÃO

05 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 45, 271

128. DADIVAS ESPIRITUAIS ;
"E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem ressuscite dentre os-mortos."— (MATEUS, 17:9.)
Se o homem necessita de grande prudência nos atos da vida comum, maior vigilância se exige da criatura, no trato com a esfera espiritual.

É o próprio Mestre Divino quem no-lo exemplifica. Tendo conduzido Tiago, Pedro e João às maravilhosas revelações do Tabor, onde se transfigurou ao olhar dos companheiros, junto de gloriosos emissários do plano superior, recomenda solícito: "A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dos mortos."

O Mestre não determinou a mentira, entretanto, aconselhou se guardasse a verdade para ocasião oportuna. Cada situação reclama certa coisa de conhecimento. Sabia Jesus que a narrativa prematura da sublime visão poderia despertar incompreensões e sarcasmos nas conversações vulgares e ociosas. Não esqueçamos que todos nós estamos marchando para Deus, salientando-se, porém, que os caminhos não são os mesmos para todos.

Se guardas contigo experiência espiritual, indubitavelmente poderás usá-la, todos os dias, utilizando-a em doses apropriadas, a fim de auxiliares a cada um dos que te cercam, na posição particularizada em que se encontram; mas não barateies o que a esfera mais alta de concedeu, entregando a dádiva às incompreensões criminosas, porque tudo o que se conquista do Céu é realização intransferível.

06 - Conduta Espírita - André Luiz - pág. 105

29. PERANTE O FENÔMENO
No desenvolvimento das tarefas doutrinárias, colocar o fenômeno mediúnico em sua verdadeira posição de coadjuvante natural da convicção, considerando-o, porém, dispensável, na construção moral a que nos propomos. A Doutrina Espírita é luz inalterável.

Conduzir as possibilidades de divulgação do Espiritismo, em qualquer setor, no trabalho da evangelização, conferindo-lhe preferência sobre a ação fenomeológica. Ante os imperativos da responsabilidade moral, todo fenômeno é secundário.

Atingir outros estados de compreensão das verdades que nos enriquecem a fé, acatando as aspirações dos metapsiquistas, dos parapsicólogos e dos estudiosos acadêmicos em geral, sem, contudo, comprometer-se, demasiado, com os empreendimentos que lhes digam respeito. Viver segundo o Evangelho - eis a nossa necessidade fundamental.

Jamais partilhar de assembléias espíritas visando unicamente a sucessos espetaculares. As manifestações mediúnicas não são a base essencial do Espiritismo.

Descentralizar a atenção das manifestações fenomênicas havidas em reuniões de que participe, para deter-se no sentido moral dos fatos e das lições. Na Mediunidade, o fenômeno constitui o envoltório externo que reveste o fruto do ensinamento.

"Irmãos, não sejais meninos no entendimento..." - Paulo ( I Coríntios, 14:20)

07 - Cristianismo e Espiritismo - Léon Denis - pág. 285, 301

N° 7. OS FENÔMENOS ESPÍRITAS NA BÍBLIA
Muito se tem insistido sobre as proibições de Moisés, contidas no Êxodo, no Levítico e no Deuteronômio. É inspirados em tais proibições que certos teólogos condenam o estudo e a prática dos fatos espíritas. Mas o que Moisés condena são os mágicos, os adivinhos, os áugures, numa palavra, tudo o que constitui a magia, e é que o próprio espiritualismo moderno também condena. Essas práticas corrompiam a consciência do povo e lhe paralisavam a iniciativa; obscureciam nele a idéia divina, enfraquecendo a fé nesse Ente supremo e onipotente que o povo hebreu tinha a missão de proclamar. Por isso não cessavam os profetas de o advertir contra os encantamentos e sortilégios que o perdiam.

As proibições de Moisés e dos profetas tinham apenas um fim: preservar os hebreus da idolatria dos povos vizinhos. É possível também que não visassem senão o abuso, o mau uso das evocações, porque, apesar dessas proibições, são abundantes na Bíblia os fenómenos espíritas. O papel dos videntes, dos oráculos, das pitonisas, dos inspirados de toda ordem é ali considerável. Lá não vemos Daniel, por exemplo, provocar, por meio da prece, fatos mediúnicos? (Daniel, K, 21.) O livro que traz o seu nome é, entretanto, reputado inspirado.
Como poderiam as proibições de Moisés servir de argumento aos crentes dos nossos dias, quando, nos três primeiros séculos da nossa era, nisso não viam os cristãos o menor obstáculo às suas relações com o mundo invisível?

Dizia S. João: "Não acrediteis em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus." (l João, TV, 1.) Não há aí uma proibição; ao contrário. Os hebreus, cuja crença geral era que a alma do homem, depois da morte, era restituída ao scheol, para dele jamais sair (Job, X, 21, 22), não hesitavam em atribuir ao próprio Deus todas essas manifestações. Deus intervém a cada passo, na Bíblia, e às vezes mesmo em circunstâncias bem pouco dignas dele. Era costume consultar os videntes sobre todos os fatos da vida intima, sobre os objetos perdidos, as alianças, os empreendimentos de toda ordem. Lê-se em Samuel I, cap. K, v. 9:

"Dantes, quando se ia consultar a Deus, dizia-se: Vinde, vamos ao vidente. - Porque os que hoje se chamam profetas, chamavam-se videntes." O sumo-sacerdote mesmo proferia julgamentos ou oráculos mediante um objeto de natureza desconhecida, chamado urim, que colocava sobre o peito. (Êxodo, XXVIII, 30. - Números, XXVTI, 21.) Por uma singular contradição nos que negavam as manifestações das almas, ia-se muitas vezes evocar os mortos, admitindo desse modo os fatos, depois de haver negado a causa que os produzia. É assim que Saul faz evocar o Espírito de Samuel pela pitonisa de Êndor I Samuel, XXVIII, 7-14.)162

De tais narrativas resulta que, não obstante a ausência de toda noção sobre a alma e a vida futura, a despeito das proibições de Moisés, entre os hebreus alguns acreditavam na sobrevivência e na possibilidade de comunicar com os mortos. Daí a explicar a desigualdade de inspiração dos profetas e seus frequentes erros, pela inspiração dos Espíritos mais ou menos esclarecidos, não há mais que um passo. Como o não deram os autores judaicos? E, entretanto, não havia outra explicação. Sendo Deus a infinita sabedoria, não é possível considerar proveniente dele uma doutrina que descura de fixar o homem sobre um ponto tão essencial como o dos seus destinos além-túmulo; ao passo que os Espíritos não são senão as almas dos homens desencarnados, mais ou menos puras e esclarecidas, não possuindo sobre as coisas senão limitado saber.

Sua inspiração, projetando-se nos profetas, devia necessariamente traduzir-se por ensinos, ora opulentos e elevados, ora vulgares e eivados de erros. Em muitos casos mesmo deveram eles ter em conta, em suas revelações, as necessidades do tempo e o estado de atraso do povo a que eram dirigidos. Pouco a pouco as crenças dos judeus se ampliaram e se completaram ao contacto de outros povos mais adiantados em civilização. A idéia da sobrevivência e das existências sucessivas da alma, vinda do Egito e da índia, penetrou na Judéia. Os saduceus increpavam os fariseus de terem assimilado dos orientais a crença nas vidas renascentes da alma. Esse fato é afirmado pelo historiador Josefo (Antig. Jud., l, XVIII). Os essênios e os terapeutas professavam a mesma doutrina. Talvez existisse mesmo, desde essa época na Judéia, como se provou mais tarde, ao lado da doutrina oficial, uma doutrina secreta, mais completa, reservada às inteligências de escol.

Como quer que seja, voltemos aos fatos espíritas mencionados na Bíblia, os quais estabelecem as relações dos hebreus com os Espíritos dos mortos, em condições análogas às que são hoje observadas. Do mesmo modo que em nossos dias, os seus médiuns, a que eles chamavam profetas, eram como tais reconhecidos em razão de uma faculdade especial (Números, XII, 6), às vezes latente e que exigia um desenvolvimento particular semelhante ao ainda hoje praticado nos grupos espíritas, como o vemos a respeito de Josué, que Moisés "instrui" pela imposição das mãos (Números, XXVII, 15-23:) Esse fato se reproduz muitas vezes na história dos apóstolos.

Semelhante à dos médiuns, a lucidez dos profetas era intermitente. "Os mais esclarecidos profetas - diz Lê Maistre de Sacy, em seu comentário do livro I dos Reis - nem sempre possuem a faculdade de arroubo na profecia." (Ver também Isaías, XXIX,'10.) Tal qual como hoje, as relações mediúnicas custavam por vezes a se estabelecer: Jeremias espera dez dias uma resposta à sua súplica, (fer., XLII, 7.) Outros exploravam sua pretensa lucidez, dela fazendo tráfico e ofício. Lê-se em Ezequiel, capítulo XIII, 2, 3 e 6: "Filho do homem, dirige as tuas profecias aos profetas de Israel que se metem a profetizar, e dirás a estes que profetizam por sua cabeça: Aí dos profetas insensatos que seguem o seu próprio espírito e não vêem nada!

"...Eles vêem coisas vãs e adivinham a mentira, dizendo: o Senhor assim o disse, sendo que o Senhor os não enviou: e eles perseveram em afirmar o que uma vez disseram." (Ver também Miquéias, III, que Jeremias, V, 31.) Ver "Depois da morte", cap. 1. Na antiguidade judaica, muitas vezes se recorria à música para facilitar a prática da mediunidade. Eliseu reclama um tocador de harpa para poder profetizar (II Reis, III, 15), e a obscuridade era considerada propícia a essa ordem de fenômenos. "O eterno quer assistir na obscuridade", diz Salomão, falando do lugar santo, por ocasião da consagração do Templo (Crôn., II, VI, 1) , e é, com efeito, no santuário que se dão muitas vezes, as manifestações: aí se mostra a "nuvem" (II, Paralip., v, 13,14), e nele vê Zacarias o anjo que lhe prediz o nascimento de seu filho. (Lucas, 1,10 e seguintes.)

A música era igualmente empregada para acalmar as pessoas atuadas por algum mau Espírito, como o vemos com Saul, que a harpa do jovem David aliviava. (I, Samuel, XVI, 14-23.) Apreciando em seu valor o dom da mediunidade, aplicavam-se então, como ainda hoje, a desenvolvê-la, com a diferença apenas de que o que hoje se faz limitadamente entre os espíritas, se praticava outrora em maior escala. Já no deserto, Moisés, aquele grande iniciado, havia comunicado o dom da profecia a setenta ancião de Israel (Números, XI), e mais tarde, na Judéia, se contavam diversas escolas de profetas, ou, por dizer diversamente, de médiuns em Betei, Jericó, Gargala, etc. A vida que aí se levava, toda de recolhimento, de meditação e prece, predispunha para as influências espirituais. Certos profetas prediziam o futuro; outros falando ao povo por inspiração, lhe excitavam o zelo religioso e o exortavam a uma vida moralizada.

As expressões de que se serviam para indicar que se achavam possuídos pelo Espírito fazem lembrar o modo por que esses fenômenos continuam a produzir-se em nossos dias."O peso, ou o Verbo do Senhor está sobre mim. O Espírito do Senhor entrou em mim. Eu vi, e eis o que diz o Senhor." Recordemos que, nessa época, toda inspiração era considerada diretamente proveniente da Divindade. "O espírito caiu sobre ele", diz ainda a Escritura a respeito de Sansão, cuja mediunidade tinha o característico da impetuosidade. (Juizes, XV, 14.) Quanto aos fenômenos em si mesmo, um exame, por pouco demorado que seja, das narrativas bíblicas, nos provará que eram idênticos aos que hoje se obtêm.

Passemo-los rapidamente em revista, começando pelos que, tendo primeiro chamado a atenção em nossos dias sobre o mundo invisível, simbolizam ainda, aos olhos de certos observadores muito superficiais ou pouco iniciados, o fato espírita em si mesmo; queremos falar dos movimentos de objetos sem contacto. A Bíblia (IV Reis, VI, 6), nos refere que Eliseu faz vir à superfície, lançando um pedaço de madeira à água, o ferro de um machado que nela havia caído. Da levitação, esse mesmo Eliseu transportado "para o meio dos cativos que viviam junto do rio Chobar" (Ez., III, 14, 15), e Filipe que subitamente desaparece aos olhos do eunuco e se encontra novamente em Azot (Atos, VIII, 39, 40), são exemplos notáveis. A propósito de escrita mediúnica, pode citar-se a das tábuas da lei (Êxodo, XXXII, 15,16; XXXIV, 28). Todas as circunstâncias em que essas tábuas foram obtidas provam exuberantemente a intervenção do mundo invisível.

Não menos comprobativa é a inscrição traçada, por u'a mão materializada, em uma das paredes do palácio durante um festim que dava o rei Baltasar. (Daniel, capítulo V.) Poder-se-ia considerar como fenômenos de transporte o maná de que se alimentam os israelitas em sua jornada para Canaã, o pão e vaso d'água, colocados ao pé de Elias, quando despertou, por ocasião de sua fuga pelo deserto (I Reis, XIX, 5 e 6) etc. Todos os fenômenos luminosos hoje observados têm igualmente seus paralelos na Bíblia, desde a simples irradiação perispirítica notada em Moisés (Er., XXXIV, 29, 30), e no Cristo (transfiguração), e a produção de luzes (Atos, II, 3, e 3) , até as aparições completas que não se contam na Bíblia, tão frequentes são. A mediunidade auditiva tem numerosos representantes na Judéia: os repetidos chamados dirigidos ao jovem Samuel (I Reis, III), a voz que fala a Moisés (Êxodo, XIX, 19) a que se faz ouvir na ocasião do batismo do Cristo (Lucas, III, 22) , como a que o glorifica pouco antes da sua morte (João, XII, 28), são outros tantos fatos espíritas.

As curas magnéticas são inúmeras. Ora a prece e a fé reforçam a ação fluídica, como no caso da filha de Jairo (Lucas, VIII, 41, 42,49-56), ora a força magnética intervém só por si, sem participação da vontade (Marcos, V, 25-34), ou ainda se obtém a cura por imposição das mãos, ou por meio de objetos magnetizados (Atos, XIX, 11-12). A mediunidade com o copo d'água igualmente se encontra nessas antigas narrativas. Que é, de fato, a taça de que José se servia (Gênesis, XLIV, 5) "para adivinhar", senão o vulgar copo d'água, ou a esfera de cristal, ou qualquer outro objeto que apresente uma superfície polida em que os médiuns atuais vêem desenhar-se quadros que são os únicos a perceber?

Na Bíblia podem-se ainda notar casos de clarividência, compreendendo, então, como hoje, sonhos, intuições, pressentimentos, formas ou derivados da mediunidade que, em todos os tempos, foram grandemente numerosos e se reproduzem agora às nossas vistas.
Digamos ainda uma palavra da inspiração, esse afluxo de elevados pensamentos que vem do alto e imprime às nossas palavras algo de sobre-humano. Moisés, que apresentava todos os gêneros de mediunidade, profere, em diferentes lugares, cânticos inspirados ao Eterno, como por exemplo, o do capítulo XXXII do Deuteronômio. Um caso notável, assinalado nas Escrituras, é o de Balaão. Esse mago caldeu cede às reiteradas solicitações do rei de Moab, Balac, e vem dos confins da Mesopotâmia para amaldiçoar os israelitas. Sob a influência de Jeová é obrigado, repetidas vezes, a elogiar e abençoar esse povo, com decepção cada vez maior de Balac.

Os homens da Judéia, esses profetas de ânimo impetuoso, experimentaram também os benefícios da inspiração, e graças a esse dom, a esse sopro que anima os seus discursos, é que a antiga Bíblia hebraica deve ter sido muito tempo considerado o produto de uma revelação divina. Predendeu-se desconhecer as numerosas falhas que nela se patenteiam aos olhos de um observador sem preconceitos, a insuficiência, a puerilidade dos conselhos, ou dos ensinos implorados a Deus (GÊn, XXV,22, REIS, IX,6; IV Reis, I i-4; I Reis XXX, 1-8), quando nos censurariam, com razão, de tratar dessas coisas nos grupos espíritas. Esquecem-se as crueldades aprovadas, mesmo quase recomendadas por Jeová, os escabrosos detalhes, finalmente tudo o que, nesse livro, nos revolta ou provoca a nossa reprovação, para não ver a expressão de uma fé viva e passional, que espera o reino da justiça, senão para a geração contemporânea, que só a esperança ampara e fortifica, ao menos para as gerações futuras. (...)


08 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 158

XVIII — FENÓMENOS ESPIRITAS
Entre todas as provas de que existe no homem um princípio espiritual sobrevivente ao corpo as mais frisantes são fornecidas pelo fenômeno do espiritualismo experimental ou Espiritismo. Os fenômenos espíritas, considerados, a princípio, como puro charlatanismo, entraram no domínio da observação rigorosa e, se certos sábios ainda os desdenham, rejeitam e negam, outros, não menos eminentes, os estudam, verificando sua importância e realidade. Na América e em todas as nações da Europa, sociedades psicológicas fazem disso o objeto constante de seus estudos.

Tais fenômenos, já o vimos, produziram-se em todos os tempos. Outrora, estavam envolvidos em mistério e só eram conhecidos por pequeno número de pesquisadores. Hoje, universalizam-se, produzem-se com uma persistência e uma variedade de formas que confundem a Ciência moderna.

Newton disse: "É loucura acreditar que se conhecem todas as coisas, e é sabedoria estudar sempre." Não só todos os sábios, mas também todos os homens sensatos têm o dever de estudar esses fatos que nos patenteiam uma face ignorada da Natureza, de remontar às causas e de deduzir as suas leis. Esse exame só pode fortificar a razão e servir ao progresso, destruindo a superstição em sua origem, porque a superstição está sempre pronta a apoderar-se dos fenômenos desprezados pela Ciência, a desfigurá-los e atribuir-lhes caráter sobrenatural ou miraculoso.

A maior parte das pessoas que desdenham estas questões ou que, tendo-as estudado, o fizeram superficialmente, sem método, sem espírito de coerência, acusa os espíritas de interpretarem mal os fenômenos, ou, pelo menos, de deduzirem conclusões prematuras. A esses adversários do Espiritismo responderemos que já é alguma coisa ganha o fato de eles se apegarem à interpretação dos fenômenos e não à sua realidade. Efetivamente, os fenômenos verificam-se e não se discutem.

A sua realidade é atestada, como vamos ver, por homens do mais elevado caráter, por sábios de alta competência, de nome aureolado por seus trabalhos e descobertas. Mas, não é preciso ser sábio de primeira ordem para averiguar a existência de fenômenos que, caindo debaixo dos sentidos, são, portanto, sempre verificáveis. Qualquer pessoa, com alguma perseverança e sagacidade, colocando-se nas condições necessárias, poderá observar esses fatos e formar sobre eles uma opinião esclarecida.

XIX — TESTEMUNHOS CIENTÍFICOS

Foi no seio da grande Confederação americana, em 1850, que, pela primeira vez, as manifestações espíritas atraíram a atenção pública. Pancadas faziam-se ouvir em vários aposentos, móveis deslocavam-se sob a ação de uma força invisível, mesas agitavam-se e feriam ruidosamente o solo. Tendo um dos espectadores tido a idéia de combinar as letras do alfabeto com o número de pancadas, estabeleceu-se uma espécie de telegrafia espiritual e a força oculta pôde conversar com os assistentes.

Disse ser a alma de uma pessoa conhecida que tinha vivido no país, entrou em minudências muito exatas sobre a sua identidade, vida e morte, e relatou particularidades que dissiparam todas as dúvidas. Outras almas foram evocadas e responderam com a mesma precisão. Todas se diziam revestidas de um corpo fluídico, invisível aos nossos sentidos, porém que não deixava de ser material.

Rapidamente, multiplicaram-se as manifestações, que, pouco a pouco, se foram estendendo por todos os Estados da União. De tal sorte preocuparam a opinião, que certos sábios, acreditando ver nelas uma causa de perturbação para a razão e paz pública, resolveram observá-las de perto, a fim de demonstrarem o seu absurdo.

Foi assim que o juiz Edmonds, Presidente do Supremo Tribunal de Nova York e Presidente do Senado, e o professor de Química, Mapes, da Academia Nacional, foram levados a se pronunciarem sobre a realidade e o caráter dos fenômenos espíritas. Suas conclusões, formuladas depois de rigoroso exame, constam em obras importantes, e por elas está declarado que tais fenômenos eram reais e que só podiam ser atribuídos à ação dos Espíritos. (...)

09 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 81, 183

XIV - A SUBCONSCIÊNCIA NOS FENÔMENOS - PSÍQUICOS
Todas as teorias que pretendem elucidar os fenômenos mediúnicos, alheios à Doutrina Espiritista, pecam pela sua insuficiência e falsidade. Em vão, procura-se complicar a questão com termos rebuscados, apresentando-se as hipóteses mais descabidas e absurdas, porquanto os conhecimentos hodiernos da Física, da Fisiologia e da Psicologia não explicam fatos como os de levitação, de materialização, de natureza, afinal, genuinamente espírita.

Para a ciência anquilosada nas concepções dogmáticas de cada escola, a fenomenologia mediúnica não deve constituir objeto de ridículo e de zombaria, mas sim um amontoado de materiais preciosos à sua observação.

Felizmente, se muitos dos pesquisadores criaram os mais complicados sistemas elucidativos, cheios de extravagância nas suas enganadoras ilações, alguns deles, desassombradamente, têm colaborado com a filosofia espiritualista para a consecução dos seus planos grandiosos, que implicam a felicidade humana.

A SUBCONSCIÊNCIA

A subconsciência, tão investigada em vosso tempo, não elucida os problemas dos chamados fenômenos intelectuais. Os estudos levados a efeito sobre essa câmara escura da mente são ainda mal orientados e, apesar disso, muitas teorias apressadas presumem explicar todo o mediunismo com a sua estranha influência sobre o "eu" consciente. De fato, existem os fenômenos subliminais; todavia, a subconsciência é o acervo de experiências realizadas pelo ser em suas existências passadas.

O Espírito, no labor incessante de suas múltiplas existências, vai ajudando as séries de suas conquistas, de suas possibilidades, de seus trabalhos; no seu cérebro espiritual organiza-se, então, essa consciência profunda, em cujos domínios misteriosos se vão arquivando as recordações, e a alma, em cada etapa da sua vida imortal, renasce para uma nova conquista, objetivando sempre o aperfeiçoamento supremo.

O OLVIDO TEMPORÁRIO

O esquecimento, nessas existências fragmentárias, obedecendo às leis superiores que presidem ao destino, representa a diminuição do estado vibratório do Espírito, em contacto com a matéria. Esse olvido é necessário, e, afastando-se os benefícios espirituais que essa questão implica, à luz das concepções científicas, pode esse problema ser estudado atenciosamente.

Tomando um novo corpo, a alma tem necessidade de adaptar-se a esse instrumento. Precisa abandonar a bagagem dos seus vícios, dos seus defeitos, das suas lembranças nocivas, das suas vicissitudes nos pretéritos tenebrosos. Necessita de nova virgindade; um instrumento virgem lhe é então fornecido. Os neurônios desse novo cérebro fazem a função de aparelhos quebradores da luz; o sensório limita as percepções do Espírito, e, somente assim, pode o ser reconstruir o seu destino. Para que o homem colha benefícios da sua vida temporária, faz-se mister que assim seja.

Sua consciência é apenas a parte emergente da sua consciência espiritual; seus sentidos constituem apenas o necessário à sua evolução no plano terrestre. Daí, a exiguidade das suas percepções visuais e auditivas, em relação ao número inconcebível de vibrações que o cercam.

AS RECORDAÇÕES

Todavia, dentro dessa obscuridade requerida pela sua necessidade de estudo e desenvolvimento, experimenta a alma, às vezes, uma sensação indefinível... é uma vocação inata que a impele para esse ou aquele caminho; é uma saudade vaga e incompreensível, que a persegue nas suas meditações; são os fenômenos introspectivos, que a assediam frequentemente.

Nesses momentos, uma luz vaga da subconsciência atravessa a câmara de sombras, impostas pelas células cerebrais, e, através dessa luz coada, entra o Espírito em vaga relação com o seu passado longínquo; tais fatos são vulgares nos seres evolvidos, sobre quem a carne já não exerce atuação invencível.

Nesses vagos instantes, parece que a alma encarnada ouve o tropel das lembranças que passam em revoada; aversões antigas, amores santificantes, gostos aprimorados, de tudo aparece uma fração no seu mundo consciente; mas, faz-se mister olvidar o passado para que se alcance êxito na luta.

10 - Fatos Espíritas - William Crookes - pág. 19

FENÔMENOS ESPÍRITAS - OBSERVADOS POR WILLIAM CROOKES
Durante os anos de 1870-73 e publicados pela primeira vez no "Quartely Journal of Science" de janeiro de 1874.
Assim como um viajante que explora um país longínquo, cujas maravilhas não fôssem até então conhecidas senão por notícias e contos de caráter vago e pouco exato, assim, desde quatro anos procedo assiduamente a pesquisas em uma região das ciências naturais que oferece ao homem de ciência um solo quase virgem.

Do mesmo modo que o viajante percebe nos fenômenos naturais de que pode ser testemunha a ação das forcas governadas por leis naturais, onde outros não vêem senão a intervenção caprichosa de deuses ofendidos, assim me esforcei por esboçar a operação das leis e das forças da natureza onde outros não têm visto mais que a ação de seres sobrenaturais, sem dependência de qualquer lei e sem obediência a qualquer força senão a da sua livre vontade.

O viajante, nas suas excursões longínquas, depende inteiramente da boa vontade e da proteção dos chefes e dos que exercem a medicina no meio das tribos entre as quais pára; igualmente, nas minhas pesquisas, não somente recebi em grau assinalado o auxílio dos que possuíam os poderes especiais, que eu procurava examinar, mas ainda contraí sólidas e sérias amizades com muitos homens, reputados diretores de opinião, e deles recebi a hospitalidade.

Como o viajante envia a seu país, quando acha ocasião para isso, uma narração concisa dos seus progressos, narração que é recebida muitas vezes com a incredulidade ou a zombaria, porque necessariamente essa narração não tem nenhuma ligação com tudo o que lhe pôde dar origem; também, em duas ocasiões, reuni e publiquei fatos que me pareciam admiráveis e precisos, mas tendo deixado de descrever as suas fases preliminares — o que teria sido necessário para conduzir o espírito público à apreciação do fenômeno e para mostrar que ele se ligava a outros fatos observados — esses fatos também não somente encontraram a incredulidade, mas ainda deram origem a muitas apreciações malévolas.

E, enfim, como o viajante que, tendo terminado as suas explorações, volta aos seus antigos colaboradores, e reúne todas as suas notas, classifica-as, e as põe em ordem a fim de dar ao público uma narração encadeada, assim, chegando ao termo desta investigação, classifiquei e reuni todas as minhas observações espalhadas, para as apresentar ao público sob a forma de um volume.

Os diversos fenômenos que venho atestar são tão extraordinários e tão inteiramente opostos aos mais enraizados pontos do credo científico — entre outros a universal e invariável ação da força de gravitação — que mesmo agora, recordando-me dos detalhes de que fui testemunha, há antagonismo em meu espírito entre minha razão, que diz ser isso cientificamente impossível, e o testemunho de meus sentidos da vista e do tato — testemunho corroborado pelos sentidos de todas as pessoas presentes — que me dizem não serem testemunhos mentirosos visto que eles depõem contra as minhas idéias preconcebidas.

Supor que uma espécie de loucura ou de ilusão vem dominar subitamente um grupo de pessoas inteligentes e sensatas, que estão de acordo sobre as menores particularidades e detalhes dos fatos de que são testemunhas, parece-me mais incrível do que os próprios fatos que eles atestam. O assunto é muito mais difícil e mais vasto do que parece. Há cerca de quatro anos tive a intenção de consagrar um ou dois meses somente ao trabalho de certificar-me se certos fatos maravilhosos, dos quais eu tinha ouvido falar, poderiam sustentar a prova de um exame rigoroso.

Mas tendo logo chegado à mesma conclusão, como todo pesquisador imparcial, isto é, que "havia alguma coisa aí", não podia mais, eu, estudante das leis da natureza, recusar-me a continuar nessas pesquisas, qualquer que fosse o ponto a que elas me pudessem conduzir. Foi assim que alguns meses se tornaram em alguns anos, e, se eu pudesse dispor de todo o meu tempo, é possível que as experiências ainda prosseguissem.

Mas outros assuntos de interesse científico e prático reclamam agora a minha atenção; e como não posso consagrar a tais pesquisas o tempo que seria preciso e que mereceriam; como tenho plena confiança que daqui a alguns anos os homens de ciência estudarão esse assunto; como as ocasiões que possuo não são tão propícias quanto o eram há algum tempo, porque então o Sr. D. D. Home gozava boa saúde, a Srta. Kate Fox (agora a Sra. Jencken) não estava absorvida pelas suas ocupações domésticas e maternas; por todos esses motivos, vejo-me obrigado a suspender, neste momento, as minhas investigações.

Para obter franco acesso junto às pessoas plenamente dotadas da faculdade sobre as quais se baseiam as minhas experiências, era preciso um crédito maior do que aquele de que um investigador científico pode dispor. Para os seus adeptos mais convencidos, o Espiritismo é uma religião. Os médiuns, em muitos casos, membros da família, são guardados com grande cuidado, o que só com dificuldade um estranho compreenderia. Crendo seriamente e conscienciosamente na verdade de certas doutrinas que repousam sobre o que se lhes afigura como manifestações miraculosas, esses adeptos parecem acreditar que a presença de um investigador científico é uma profanação do santuário. Por favor pessoal, fui admitido mais de uma vez a assistir a reuniões que ofereciam antes o aspecto de uma cerimônia religiosa do que de uma sessão de Espiritismo.

Mas ser admitido, por favor, uma ou duas vezes, como um estranho teria sido autorizado a assistir aos mistérios d'Elêusis, ou um pagão a contemplar o santo dos santos, não é o meio de confirmar os fatos e descobrir-lhes as leis. — Satisfazer a curiosidade é bem diferente do proceder a uma busca sistemática. — Quanto a mim, procuro sempre a verdade. Em algumas ocasiões me permitiram, é certo, fazer verificações e impor condições; mas somente uma ou duas vezes me foi possível fazer sair a sacerdotisa do seu santuário, e, em minha própria casa, rodeado de amigos, aproveitar a ocasião de pôr à prova os fenômenos dos quais fui testemunha em outros lugares, em condições menos concludentes. As minhas observações a esse respeito aparecerão na obra que publicarei.

Seguindo o plano que adotei em outras circunstâncias — plano que, embora contrariando muito as idéias preconcebidas de certos críticos, me parecia, por boas razões, aceitável aos leitores do Quartely Journal of Science, — tinha eu a intenção de apresentar os resultados de meu trabalho sob a forma de um ou dois artigos para esse jornal. Mas, revendo as minhas notas, achei tal riqueza de fatos, tal superabundância de provas, tão esmagadora massa de testemunhos, que, para as pôr todas em ordem, era preciso encher vários números do Quartely.

É mister, pois, que atualmente me limite a dar um esboço dos meus trabalhos, reservando para outra ocasião as provas e os detalhes mais amplos. O meu fim principal será, pois, fazer conhecer a série das manifestações que se produziram em minha casa, em presença de testemunhas dignas de fé, e sob as condições dos mais severos exames que pude imaginar. Demais, cada fato que observei é corroborado por pessoas independentes, que o observaram em outros tempos e em outros lugares. Ver-se-á que todos esses fatos têm o caráter mais surpreendente, e que parecem inteiramente inconciliáveis com todas as teorias conhecidas da ciência moderna.

Tendo-me assegurado da sua realidade, seria uma covardia moral negar-lhes o meu testemunho, só porque as minhas publicações precedentes foram ridicularizadas por críticos e outras pessoas que nada em absoluto conheciam do assunto, e que tinham bastante critério para ver e julgar por si mesmas se esses fenômenos eram ou não verdadeiros. Direi simplesmente tudo o que vi e o que me foi provado por experiências repetidas e verificadas, e "tenho ainda necessidade de que me demonstrem não ser razoável esforçar-se uma pessoa por descobrir as causas de fenômenos inexplícados".

Primeiro que tudo devo retificar um ou dois erros que se acham implantados profundamente no espírito público. Um, o de ser a escuridão essencial à produção dos fenômenos. Isso não é exato. Exceto alguns casos nos quais a escuridão tem sido uma condição indispensável, como, por exemplo, nos fenômenos de aparições luminosas e em alguns outros, tudo o que narro produziu-se à luz. Nos poucos casos em que os fenômenos descritos foram produzidos na escuridão, tive muito cuidado de os mencionar; demais, quando alguma razão particular exigia a extinção da luz, os resultados que se manifestaram estiveram em condições de controle tão perfeitos que a supressão de um dos nossos sentidos não pôde realmente enfraquecer a prova fornecida.

Outro erro corrente consiste em crer que as manifestações só se podem produzir a certas horas e em certos lugares — em casa do médium, ou em horas combinadas previamente — e partindo dessa suposição errônea tem-se estabelecido uma analogia entre os fenômenos chamados espíritas e os passes dos prestidigitadores e mágicos que operam nos teatros, os quais se cercam de tudo o que pertence à sua arte.

Para fazer ver quanto tudo isso está longe de ser verdadeiro, não tenho necessidade senão de dizer que, afora algumas raras exceções, as centenas de fatos que me preparo para atestar, para serem imitados pelos meios físicos ou mecânicos conhecidos, desafiariam a habilidade de um Houdin, de um Bosco, de um Anderson, protegida por todos os recursos de máquinas engenhosas e da sua prática de longos anos. Essas centenas de fatos, produziram-se na minha própria casa, nas épocas por mim designadas, e em circunstâncias que excluiam absolutamente o emprego e o auxílio do mais simples instrumento.

Um terceiro erro é este: que o médium deve escolher a sua roda de amigos e companheiros que podem assistir à sessão; que esses amigos devem crer firmemente na verdade da doutrina, seja qual for, que o médium enunciar; que se imponham às pessoas de espírito investigador condições tais que impeçam completamente toda observação cuidadosa e facilitem a superstição e a fraude.

A isso posso responder afirmando que à exceção de alguns casos mui pouco numerosos de que se tratou em um parágrafo precedente (ver a nota n.° 2), caso que os motivos de exclusão, quaisquer que fossem, não serviam certamente de véu para o embuste, compus eu mesmo a minha roda de amigos, introduzi todos os incrédulos que me convieram, e geralmente impus condições escolhidas com cuidado por mim mesmo, para evitar toda possibilidade de fraude.

Tendo-me assenhoreado pouco a pouco de algumas condições que facilitavam a produção dos fenômenos, as minhas pesquisas foram geralmente coroadas de igual êxito, e mesmo, em muitos casos, tive êxito superior ao que foi obtido em outras ocasiões, onde, em virtude de falsas ideias sobre a importância de algumas práticas insignificantes, as condições impostas podiam tornar menos fácil a descoberta da fraude.

Eu disse que a escuridão não é essencial. Entretanto, é fato bem conhecido que, quando a força é fraca, a luz muito viva exerce uma ação que contraria alguns fenómenos. A força do Sr. Home é bastante forte para subjugar essa influência contrária; assim, ele não admite escuridão nas suas sessões. Afirmo que, exceto duas vezes em que, para algumas experiências, a luz foi suprimida, tudo que testemunhei foi produzido por ele em plena claridade. Tive diversas ocasiões de experimentar a ação da luz provinda de diferentes fontes e de cores variadas: — a luz do Sol, luz difusa, luar, gás, lâmpada, vela, luz elétrica, luz amarela, homogênea, etc.

Os raios que contrariam as manifestações parece serem os da extremidade do espectro. Vou, agora, proceder à classificação dos fenômenos que observei, indo dos mais simples aos mais complexos, e dando rapidamente, em cada capítulo, uma exposição sumária de alguns dos fatos que vou expor. Os meus leitores deverão bem lembrar-se que, à exceção dos casos especialmente designados, as manifestações se realizavam em minha casa, à luz, e somente em presença de amigos meus e do médium.

No volume, que eu tenho em projeto, proponho-me a dar com minúcias todas as verificações que fiz, todas as precauções que tomei em cada ocasião, e os nomes de todas as testemunhas. Nesta memória tratarei delas superficialmente.

MOVIMENTO DE CORPOS PESADOS COM CON-TATO MAS SEM ESFORÇO MECÂNICO

Eis uma das formas mais simples dos fenômenos que observei. Ela varia em grau, desde o tremor de um aposento e do seu conteúdo, até a elevação ao ar de um corpo pesado, quando a mão está colocada em cima. Pode-se objetar que, ao se tocar uma coisa que está em movimento, é possível empurrá-la, atraí-la, ou levantá-la; provei, por experiência, que em casos numerosos isso não se verifica; mas, a título de provas, ligo pouca importância a esta classe de fenômenos, e só os menciono como preliminares de outros movimentos do mesmo gênero, produzidos porém, sem contato. (...)

11 - Fenômenos Espíritas e anímicos - Alfredo Miguel - toda a obra

1° PARTE - OS FENÔMENOS ANÍMICOS
A morte aparente — Letargia e catalepsia — O sinal irrecusável da morte verdadeira — Inumações prematuras — Quatro milhões de pessoas enterradas vivas. Nada é tão difícil de compreender quanto o que se ignora; nada é mais simples do que aquilo que se conhece. FLAMMARION
No seu número de 14 de janeiro de 1946, inseriu o vespertino baiano A Tarde um telegrama procedente de Ilhéus, dando conta de uma ocorrência sensacional, verificada na então vila de Olivença, daquele município. Era o caso de um indivíduo, que ali falecera e fora conduzido para o cemitério, a fim de ser inumado e que, no intervalo, enquanto o coveiro preparava a cova e os acompanhantes sorviam um trago de aguardente, subitamente ergueu-se do improvisado féretro e deitou a correr. O sobressalto e o pavor causados pelo estranho acontecimento, fizeram com que os circunstantes também se lançassem em disparada — exceção do coveiro que, homem prático, diz a notícia, para não perder o seu trabalho, resolveu enterrar simplesmente a rede...

O caso, como se vê, a par do natural espanto que provocou naquela boa gente, encerra algo de burlesco, que a muitos teria causado hilaridade. A nós, porém, o que nos interessa é o seu lado sério; por isso que, sob o título supra, vamos tratar, se bem que por alto, da questão das mortes aparentes, como premissa para uma demonstração da objetividade e sobrevivência da alma. Posto que só ventilado e debatido raras vezes perante o público leigo, parecendo, aliás, mirrado e desinteressante, o assunto, todavia, impõe-se por uma vastidão e relevância, existindo sobre ele uma copiosa bibliografia.

Os espíritas, estudiosos, particularmente, não devem desdenhá-lo, porque terão nele uma rica fonte de esclarecimentos. Explicando o que seja a morte aparente, escreveu o sábio professor Severino Icard, de Marselha, França, que desenvolveu amplamente a matéria em 18 volumes publicados:-A morte aparente não tem necessidade de definição, porque se explica por si mesma: é a vida sob a aparência da morte. De um modo geral, aí está o fenômeno elucidado nas duas linhas de um trocadilho.

Com efeito não há distinção a se fazer entre a pessoa que se encontra indubitavelmente morta e a que tenha a vitalidade sob forma latente, podendo em dado momento recobrá-la. O indivíduo caído nesse estado possui apenas a vida em suspenso; paralisada momentaneamente, se assim nos podemos exprimir. O espírito livrou-se do corpo pela eclosão da crise cataléptica; contudo, permanece ligado a ele por um laço fluídico, também chamado cordão de prata. A rutura completa deste liame é que ocasiona a desagregação molecular, ou decomposição dos órgãos vitais que, para Hartmann, é o único sinal evidente da morte verídica.

Uma pessoa acometida de letargia, ou catalepsia, não está, por conseguinte, privada de ouvir e ver o que se passa em seu derredor, embora impossível lhe seja exprimir o que está ouvindo e vendo. Essas percepções é o espírito que as tem, não as comunicando, entretanto, por não o permitir o estado provisoriamente anormal do corpo. Segundo Allan Kardec, a letargia e a catalepsia derivam do mesmo princípio, que é a perda temporária da sensibilidade e do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada. (Livro dos Espíritos, parte II, cap. VIII, nota).

Para bem conhecer e fixar essa causa, a ciência médica, por certo, terá ainda que avançar muito em suas investigações, e, não obstante, o seu êxito dependerá de ter em conta a importância e o estudo do fator espiritual, até aqui por ela menosprezado com altivez. É de notar que os estados letárgico e cataléptico, geralmente conhecidos, são os de natureza patológica, isto é, sintomáticos de uma doença grave; menos familiares ao vulgo são aqueles que podem ser provocados e suprimidos por uma ação hipnomagnética.

O Dr. A. A. Martins Velho, com a sua autoridade em assuntos de psiquismo experimental, mostra a diferença que distingue essas duas hipnoses; na letargia, escreve ele, o passivo tem o aspecto de uma pessoa que dorme profundamente. Os olhos fecham-se hermeticamente, o pescoço não pode suster a cabeça, todos os músculos estão lassos e inertes, como os de um morto. A insensibilidade cutânea é completa e absoluta. Pode ser picado com alfinetes, pode-se-lhe fazer uma operação cirúrgica, por mais dolorosa que seja, ele não a sentirá.

No estado cataléptico total, a rigidez é tal que, unindo-lhe as pernas e estendendo-lhe os braços ao longo do corpo, pode-se transformar o passivo num bloco inteiriço, colocando-lhe a cabeça sobre uma cadeira e os calcanhares em outra. Num interessantíssimo opúsculo que escreveu, o Dr. Francesco Zingaropoli, advogado e diretor da revista Mondo Occulto, de Nápoles, Itália, comprova eloquentemente essa verdade, citando um caso típico de insensibilidade física, ocorrido com a sonâmbula srta. Pina Vandi, com quem ele se dedicava a experiências na clínica do abalizado médico professor Domenico Antônio Tieri. Caída em transe cataléptico, o Dr. Zingaropoli submeteu-a a uma forte corrente elétrica e a moça não só permaneceu refratária ao choque, mas tendo o operador tomado contacto com ela, nada sentiu, o que prova que o corpo da sonâmbula se havia tornado um isolador.

Nos seus quase vinte livros que compôs sobre a magna tese, o Dr. Icard, retromencionado, demorou-se no exame de todos os sintomas que a ciência estabeleceu como evidência da morte real, concluindo por afirmar que todos os sinais conhecidos desta se encontram em idêntico grau na morte aparente. E vai mais longe o emérito cientista, asseverando que não existe nenhum sinal infalível, pelo qual se possa garantir que está verdadeiramente morta uma pessoa em quem hajam cessado as últimas manifestações da vitalidade orgânica.

Porque, na realidade, como ressalta o tradutor do livrinho de Zingaropoli, acima citado, em um apêndice que lhe pospôs, a morte não ocorre imediatamente depois que cessam os movimentos respiratórios e o ritmo cardíaco; do contrário ninguém seria trazido, de novo, à vida pela respiração artificial, como tem acontecido em casos de afogamento.

Por outro lado, a lição dos Espíritos nos ensina que a alma não abandona o corpo de súbito, como um pássaro cativo a que se abrisse a passagem na gaiola; o seu desprendimento se processa gradualmente e com uma lentidão.que varia conforme os indivíduos. Em uns é bastante rápido, podendo dizer-se que o momento da morte é o da libertação, com apenas algumas horas de diferença. Em outros, naqueles, sobretudo, cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido, durando algumas vezes dias, semanas e até meses.

Vem a propósito uma sentimental história, narrada pela escritora americana Florence Marryat, no seu livro Não há morte. Refere-se ela a um amigo seu, médium e noivo de uma jovem, arrebatada pela morte, de improviso. Antes mesmo que se efetuasse o seu funeral, a traspassada apareceu a seu noivo, pedindo que não a enterrasse antes de se patentearem os sinais da decomposição cadavérica, pois o seu espírito não se tinha totalmente separado do corpo. E este ficou no caixão, na casa de seus pais, durante três semanas, incorruptível, até que passado esse tempo, nova manifestação da jovem ao noivo esclareceu que o seu espírito se achava completamente desprendido e o seu despojo material podia baixar à sepultura.

É lícito, pois, concluir que só a decomposição do arcabouço carnal é o sinal irrecusável da morte verdadeira. Percebe-se, assim, o grave erro das inumações prematuras. No próximo capítulo aludiremos aos que se têm insurgido contra essa perigosa prática. Por agora meditemos na trágica revelação que nos faz o Dr. Simão Carleton, citado por Zingaropoli, segundo a qual em cada 30 mil inumações se encontra em média um caso de pessoa enterrada viva. Outrossim, os seus cálculos atestam que, do início da era cristã até nossos dias haveria, só na Europa, nada menos de 4 milhões de pessoas enterradas vivas.

A tortura sepulcral — Os primitivos cristãos e as inumações apressadas — Debatida a questão no Senado francês e no Parlamento italiano — Fatos que a História e o Evangelho registram — O alvitre do Dr. Hartmann tendente a evitar o eventual despertar dos supostos mortos.
".. .Na realidade estranhos fatos ocorrem, que não cabem nos quadros das ciências estabelecidas. Constituem para elas perturbações". OLIVER LODGE

Nossa imaginação é bem fraca para conceber o que seja a agonia de uma criatura humana a se debater num indizível e inútil desespero na escuridão lúgubre de um túmulo! O tardio despertar no negror da sepultura, ali onde os brados lancinantes da aflição se perdem sem que os seus ecos possam reboar cá fora, atraindo um providencial socorro, é, decerto, um suplício ainda mais atroz do que todas as torturas infligidas pelos carrascos da Santa Inquisição e pelos imoladores dos cristãos nos circos romanos.

Felizmente, graças ao elevado descortino de alguns pro-homens da ciência moderna, mirando sempre novas conquistas em seus labores beneméritos, esse horrível sofrimento tende a ser oportunamente remediado. Muito ajudará nisso a Medicina, quando sair dos estreitos lindes de suas concepções materialistas e se ocupar do estudo da alma espiritual, para conhecer a sua função criadora e suas propriedades. O vezo temerário e condenável de se proceder ao sepultamento do corpo, imediatamente após o óbito, é muito antigo e arraigado, ao que parece, no seio das primitivas comunidades cristãs.

O Novo Testamento consigna uma ocorrência pela qual se vê que semelhante prática era corrente naquela época. Lê-se, ali, que um homem de Jerusalém, por nome Ananias, vendera uma quinta e, ao invés de depositar nas mãos dos Apóstolos o seu custo integral, para ser repartido pelos necessitados, como era de praxe, fê-lo por metade, retendo consigo uma parte do preço. Repreendido por Pedro, o campônio caiu ali mesmo como morto; sem perda de tempo, amortalharam-no, levaram-no para fora e o sepultaram.

Decorrido apenas um intervalo de três horas, aparece a mulher de Ananias, não sabendo o que tinha sucedido; esta, ao receber idêntica reprimenda, desfalece e tomba por terra, sendo, incontinenti, levada para a cova onde jazia o corpo do marido. Inúmeros fatos constrangedores, como os que adiante citaremos, chamaram a atenção de cientistas e filantropos para o estudo da morte aparente, ganhando a questão vivo interesse, Indo repercutir no recinto dos parlamentos.

Assim é que, no remoto ano de 1866, um requerimento foi apresentado ao Senado francês, pedindo a alteração das leis concernentes à inumação dos mortos, leis essas que estabeleciam um prazo curto de vinte e quatro horas entre o trespasse e o enterro do corpo. Temos sob os olhos o livro de Samuel Smiles, Vida e Trabalho, que alude a esse acontecimento da história parlamentar da França. Em plenário, o cardeal Donnet, falando a favor da petição, exibiu um documento impressionante, que foi, nem mais nem menos, a narração do seu caso pessoal. (...)

2ª PARTE: OS FATOS ESPÍRITAS
A nossa imaginação se queda estarrecida diante da força entenebrecedora das idéias preconcebidas que arrastam os homens a afirmarem o oposto do que atestam os fatos. Ernesto Bozzano.
CHICO XAVIER E OS ESPÍRITOS
Estamos buscando e reunindo fatos espíritas, propriamente ditos, que nos chegam por via mediúnica; porém não faz parte do nosso plano de trabalho um estudo, ainda que superficial, sobre qualquer espécie de mediunidade. Tarefa desse porte incumbe aos competentes, e muitos, ao que sabemos, incursionaram nessa área, obtendo resultados apreciáveis. Sua páginas andam por aí, nas estantes particulares e nas livrarias espíritas.

A mediunidade é um vasto campo de investigações, e o que dela provém constitui um outro campo não menos extenso, devendo em ambos os pesquisadores conduzir-se isentos de preconceito ou idéias apriorísticas. Cremos que existem médiuns invigilantes, ou mistificadores, responsáveis pela contrafação de fenômenos aparentemente reais, que não resistem a um exame cuidadoso. Para distinguir o verdadeiro do falso é imprescindível lentidão na pesquisa e um agudo senso de discernimento. A verdade pura, sem jaca, neste terreno, não nos parece facilmente encontradiça, como se afigura aos despreparados, que agem com muita curiosidade e pouca prudência.

Está porque ao Rev. George Vale Owen, Vigário de Oxford, Lancashire, na Inglaterra, "fez-se mister um quarto de século para que se convencesse: — dez anos de que a comunicação dos Espíritos era um fato, e quinze de que esse fato era verdadeiro e bom"
"Sir" Oliver Lodge, por sua vez, declara no seu Raymond: "A mim muitos anos de experiências me foram necessários para que eu admitisse como finalmente conclusivo o corpo de provas que reuni."

Os relatos que esses psiquistas fizeram, e se encontram nos livros que ambos publicaram, dir-se-ia o testemunho mais escrupuloso e fidedigno de quantos foram dados por outros homens honestos, que mantiveram colóquio com os mortos e desta verdade se certificaram por todos os meios práticos e científicos ao seu alcance.

Tenha-se em vista que uma atitude de prudente reserva, adotada pelos experimentadores conscienciosos, antes de se pronunciarem, em definitivo, com referência à comunicabilidade dos Espíritos, nunca é excessiva, e sim, perfeitamente justificável, pois revestem-se de maior valor e autoridade os seus pronunciamentos. De tal sorte que, lendo depoimentos como esses do Rev. Vale Owen e do cientista Oliver Lodge, ninguém, de boa fé, duvidará do que estes dois experimentadores afirmam, em relação aos seus contactos com os desencarnados. Tampouco do que escreveu Carlos Chiesa, escritor portenho, enunciando que, sem o dom outorgado aos médiuns não seria, talvez, possível chegar-se à certeza da imortalidade.

E hoje, como estamos vendo, esta certeza é matemática, tal como dois com mais dois são quatro. Graças a essa dádiva incomparável da Providência, que é a Mediunidade, os Espíritos livres das limitações da carne, estão por toda parte, com s sua presença e com os seus feitos, lavrando o seu protesto contra a morte. Há pessoas que acumulam várias modalidades medianímicas e, neste grupo, cremos poder incluir Francisco Cândido Xavier como o principal.

Desde criança ele via os Espíritos. Depois da desencarnação de sua genitora, esta apareceu-lhe muitas vezes, para orientá-lo e confortá-lo, pois na infância e na juventude a sua vida foi duramente atribulada. Como psicógrafo, o primeiro livro que Chico Xavier recebeu, todo em poesias, ditado por diversos autores, foi em 1927, sob o título "Parnaso de Além Túmulo". Chico contava então 16 anos de idade.

Daquela data em diante não mais parou de produzir, e a sua bibliografia, versando assuntos variadíssimos e complexos, em 1977, quando se festejou o seu cinquentenário de atividade lítero-mediúnica, subia a um total de 150 volumes. Esses livros todos atingiram a 570 edições, elevando-se a 4.726.500 exemplares, até a data acima mencionada. Se Chico recolhesse ao seu bolso a renda fabulosa desses livros, ele seria um dos maiores milionários do Brasil, senão o maior de todos. Porém, como os direitos autorais são inteiramente concedidos às editoras e instituições de beneficência social, Chico Xavier vive tão-somente dos minguados proventos da sua aposentadoria no cargo de escriturário, nível 8, do serviço público federal, pelo Ministério da Agricultura.

Chico Xavier possui todas as virtudes de um verdadeiro discípulo do Cristo, a começar por sua inexcedível humildade. E essas virtudes são inatas, muito embora possamos admitir que, nessas vintenas de anos, convivendo com os Espíritos, e dócil às exortações do seu sábio guia Emmanuel, elas se tenham desenvolvido e se fortalecido mais. Quando Leopoldo Machado esteve na Bahia, em 1942, promovendo conferências espíritas, não nos furtamos de o interpelar a respeito de Chico, por serem ambos muito amigos e Leopoldo constantemente o visitava. A resposta do bravo paladino, há mais de 20 anos na Espiritualidade, ele a resumiu nestas palavras: "Miguel, se na Terra existe alguma pessoa que mereça o qualificativo de santo, essa pessoa é certamente o médium Francisco Cândido Xavier."

Como dissemos, a mediunidade de Chico se desdobra em diversas modalidades. Além da psicografia, que é a usual, ele é vidente, auditivo, psicofônico, de efeitos físicos, de materialização, de línguas estrangeiras etc.. Aquiescendo a convite para visitar os Estados Unidos da América do Norte, Chico Xavier e o Dr. Waldo Vieira, grande médium também, empreenderam a excursão em 1965. Ali tiveram oportunidade de psicografar algumas mensagens em inglês, de amigos norte-americanos, desencarnados, sendo que dois deles se identificaram, para gáudio e surpresa dos assistentes.

Fenômeno dos mais curiosos é o da xenografia, que consiste na inversão da escrita da direita para a esquerda, e cuja leitura somente é possível colocando-a frente a um espelho. Temos aqui um belo livro, escrito pelo Sr. Luciano Napoleão da Costa e Silva, em homenagem aos 50 anos de labores mediúnicos do sensitivo de Uberaba, em cuja página 146 há um fac-simile dessa misteriosa escrita, obtida em 29 de março de 1937, por Chico Xavier, perante um auditório de cerca de 600 pessoas, reunido na Sociedade de Metapsíquica de São Paulo, para assistir a uma conferência do Dr. C. G. Shalders. Visando prevenir qualquer dúvida ou objeção posterior, o autógrafo foi grafado em papel timbrado de S. M. S. P. e previamente rubricado pelo conferencista e outro distinto personagem.

Em programa de tevê, milhões de espectadores no Brasil viram que as mensagens espirituais o famoso médium as obtém de um jato, com o lápis a deslizar celerernente sobre o papel. Mas cremos que era coisa inédita, e só agora se ficou sabendo, pelo livro do Sr. Luciano Napoleão que Chico Xavier tem o poder assombroso de psicografar até dois livros em um só dia. Ouçamos o que informa o Sr. Luciano:

"Em 1952, escreveu em dois dias, "Roteiro", de Emmanuel, com 172 páginas, e "Pai Nosso", de Meimei, com 104 páginas, respectivamente, nos dias 10 e 12. "Em 1963, escreveu também dois livros em dois dias: "Opinião Espírita", com 204 páginas, e "Sexo e Destino", com 360 páginas, ambos de André Luís, respectivamente, nos dias 2 e 4 de julho. "Em 31 de março de 1969, ele escreveu dois livros no mesmo dia: "Passos da vida", (Espíritos diversos), com 156 páginas, e "Estante da Vida" (Irmão X), com 184 páginas, portanto, um livro em apenas meio dia."

É óbvio que no mundo nenhum escritor existe, por mais portentoso e veloz que seja na produção literária, capaz de alcançar esse inacreditável recorde. Chico Xavier, não somente realizou a proeza fantástica, como não sentiu o menor cansaço mental ou físico — exatamente porque funcionou como mero instrumento dos Espíritos.

Aliás é público e notório que ele, no tocante à instrução escolar, não passou além do curso primário. No entanto, quando fala agradecendo as homenagens que lhe prestam, a sua palavra fluente empolga e impressiona. A mesma segurança e maleabilidade vocabular, também é manifesta quando o vemos, através do vídeo, respondendo a todas as perguntas de seus interlocutores. O sopro de inspiração do seu Guia Emmanuel assegura ao Chico essas estrondosas vitórias.

É sem dúvida alguma o maior médium do mundo de todos os tempos, e isto se deve ao desenvolvimento perfeito de suas faculdades e a submissão às diretrizes de seus mentores espirituais, notadamente de Emmanuel. Nossos sábios indígenas, quer dizer, os eruditos mestres brasileiros que fazem a glória da ciência oficial, já se dissuadiram de uma tentativa de estudar o fenômeno Chico Xavier, considerando a inanidade dos métodos materialistas que teriam de pôr em prática.

No princípio disseram e escreveram muitas asneiras, declarando mesmo que tudo em Chico eram imposturas, não passavam de endrôminas para iludir os tolos. Afinal aperceberam-se de que iam no rídiculo, e resolveram em tempo estender um véu de silêncio sobre Chico Xavier. E o médium, humilde e desprendido como um santo, prossegue, incansável, na sua faina bendita a serviço dos Espíritos, estes dissipando as trevas da descrença com a luz rutilante da imortalidade. (...)

12 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 213

92. DEMONSTRAÇÕES DO CÉU
"Disseram-lhe, pois: que sinal fazes tu para que o vejamos, e, creiamos em ti?" — (JOÃO, 6:30.)
Em todos os tempos, quando alguém na Terra se refere às coisas do Céu, verdadeira multidão de indagadores se adianta pedindo demonstrações objetivas das verdades anunciadas. Assim é que os médiuns modernos são constantemente assediados pelas exigências de quantos se colocam à procura da vida espiritual. Esse é vidente e deve dar provas daquilo que identifica.

Aquele escreve em condições supranormais e é constrangido a fornecer testemunho das fontes de sua inspiração. Aquele outro materializa os desencarnados e, por isso, é convocado ao teste público. Todavia, muita gente se esquece de que todas as criaturas do Senhor exteriorizam os sinais que lhes dizem respeito.

O mineral é reconhecido pela utilidade. A árvore é selecionada pelos frutos. O firmamento espalha mensagens de luz. A água dá notícias do seu trabalho incessante.) O ar esparge informações, sem palavras, do seu poder na manutenção da vida. E entre os homens prevalecem os mesmos imperativos.

Cada irmão de luta é examinado pelas suas características. O tolo dá-se a conhecer pelas puerilidades. O entendido revela mostras de prudência. O melhor demonstra as virtudes que lhe são peculiares. Desse modo, o aprendiz do Evangelho, ao solicitar revelações do Céu para a jornada da Terra, não deve olvidar as necessidades de revelar-se firmemente disposto a caminhar para o Céu.

Houve dia em que a turba vulgar dirigiu-se aol próprio Salvador que a beneficiava, perguntando;— "que sinal fazes tu para que o vejamos, e creiamos em ti?" Imagina, pois, que se ao Senhor da Vida foi dirigida semelhante interrogativa, que indagação não sei fará do Alto a nós outros, toda vez que rogarmos sinais do Céu, a fim de atendermos ao nosso simples dever?

13 - Guia do Espiritismo - Angelo de Micheli - pág. 23

A FENOMENOLOGIA PARANORMAL À LUZ DO ESPIRITISMO

Nas teorias Espíritas existem três elementos: o corpo material ou físico, o corpo etéreo e o espírito. É oportuno acrescentar uma observação, talvez nova: à luz" das doutrinas de caráter "oculto", o corpo etéreo deve ser entendido como um corpo semimaterial, formado por três componentes ou aspectos (corpo casual, mental, astral). Levando-se em consideração esta classificação, pode-se procurar estudar o que acontece quando se produzem fenômenos, que antes de mais nada devem ser separados em duas classificações: os que ocorrem entre os vivos e os que se verificam com os mortos.

Quanto aos primeiros é possível relacionar o todo a excursões extracorpóreas do corpo etéreo. À luz desta hipótese encontraremos explicação para fenômenos de bilocação, de clarividência, de transmissão do pensamento. De fato, é possível para o corpo etéreo transportar-se, relativamente ao tempo e ao espaço, para ampliar a própria bagagem de noções ou de conhecimentos que o corpo material não tem possibilidade de adquirir.

A segunda fenomenologia diz respeito a relacionamentos e intervenções com os mortos. As manifestações podem assumir três formas características: primeiro a forma telepática, com a qual um defunto pode comunicar-se diretamente com o interessado. Tal forma pode se estender ao sonho ou às alucinações de caráter telepático. Poderíamos salientar que existe uma característica que a identifica relativamente à telepatia entre os vivos, ainda que a transmissão ocorra a partir de uma mente fluídica * a recepção esteja em uma mente física.

A segunda forma de comunicação é, certamente, a mais interessante e impressionante. Em seguida teremos ocasião de perceber o porquê desta avaliação. O corpo etéreo do defunto tende a apoderar-se do corpo físico do médium (consenciente ou não). Estabelece-se assim um estado de "transe": o corpo etéreo, através do médium, fala e age como que através de um corpo próprio.

Em geral o médium fala com uma voz que não é a sua, escreve com a caligrafia da entidade e pinta com o estilo da mesma, realiza atividades (como tocar instrumentos musicais) que, em estado de vigília, não seria capaz de fazer. Conversa em línguas que desconhece e manifesta outras fenomenologias interessantes. Tudo isso entra sob a classificação do automatismo falante e escrevente.

A terceira forma de comunicação acontece quando a entidade lira a força do médium e dos participantes para dar consistência ao próprio corpo etéreo, a fim de agir diretamente: transporte (aporte) — voz direta — levitação — telecinese. Como afirmaram diversos estudiosos, muito justamente, alguns esses fenômenos podem se associar resultando em uma soma fenômenos. É o caso, por exemplo, da transfiguração, na qual fervem o fenômeno da possessão, junto com o da materialição. É evidente que nestas fenomenologias, hoje infelizmente tão frequentes, torna-se muito difícil separar o verdadeiro do riso, o autêntico do forjado.

Apenas um trabalho paciente, constante e uma mente livre de preconceitos podem enfrentar esses estudos e preparar-se para ter uma avaliação até mesmo dos fenômenos de tempos passa-as, não rejeitando unicamente pelo prazer em recusar ou por falta de fenomenologia atual, considerando a passada como falsa, mesmo quando não o foi, mistificada onde foi autêntica. Não podemos, ainda que num apanhado rápido, nos descuidar da avaliação do fenômeno sob o enfoque científico.

Assinalei anteriormente que, se quiséssemos estabelecer um confronto entre as colocações históricas do espiritismo e as hipóteses que a parapsicologia atual sustenta, distinguiríamos tanto diferenças abissais quanto interessantes e válidas analogias e afinidades curiosas. De fato, existe para o espiritismo uma energia extrafísica referente ao corpo etéreo, movida e animada pela vontade do espírito. O corpo etéreo tem a capacidade de dominar a matéria, atravessá-la, modificá-la, parcial ou integralmente.

Não foi por acaso que se afirmou que a matéria é a continuação do espírito, ou seja, que a matéria se manifesta de acordo com os desígnios de um plano ou nível superior compreendido como "espírito". À luz desta consideração torna-se simples concluir que a causa de qualquer fenômeno natural ou paranormal pode ser atribuída, com razão, aos mesmos princípios e leis. Justamente, como já foi afirmado diversas vezes, nunca se provou a existência do corpo etéreo de forma tangível, fazendo-se claramente uma exceção nos fenômenos de bilocação e, talvez, também nos de infestação.

Pretendo voltar a este assunto, uma vez que, quanto ao fenômeno de bilocação, gostaria de adiantar uma hipótese interpretativa, que pode se dissociar do processo puramente espírita. Para a ciência oficial não encontra confirmação a hipótese da existência do suposto corpo etéreo no indivíduo vivo, e muito menos no falecido. Os fenômenos paranormais representam um objeto de estudo para a física, a medicina e a psicologia, visto que as diferentes manifestações que se produzem ou se determinam constituem um terreno fértil para abrir, em direção a horizontes cada vez mais vastos, os conhecimentos científicos, na perspectiva de uma meta chamada "verdade".

Tendo como base numerosas observações foi possível apenas concordar em manter válida a hipótese da Existência de uma forma de "energia", decididamente impessoal, colocada em nível das dimensões do inconsciente humano que, talvez, represente a chave da fenomenologia paranormal. Convencionou-se, portanto, julgar a existência de uma "força" ou "energia" ligada à existência física, mas independente desta, com a finalidade de identificar as causas da fenomenologia paranormal.

É evidente que esta hipotética (nem tanto) energia pode encontrar a sua estrutura paralela no corpo etéreo. Esta energia considerada indiferentemente como energia parapsíquica, inconsciente coletivo, eu sublimado, nível PSI, representa, em termos diversos, aquilo que os esoteristas e os espíritas definem como corpo etéreo, enquanto lhes é comum uma natureza com características extrafísicas.

Não é este o lugar para uma tal consideração, uma vez que desejo fazer apenas um apanhado, o mais sintético possível, sobre a história e a estrutura do espiritismo. Sobre o problema científico da credibilidade das teorias espíritas se poderia fazer um longuíssimo discurso, que desejo resumir na resposta à pergunta que surge espontânea em cada um de nós, ou seja, se com autoridade e credibilidade a hipótese espírita pode ser posta de lado e considerada superada.

Certamente, deve haver um grande número de pesquisadores e estudiosos que julgam em sã consciência que a ciência anulou a hipótese espírita, mas devemos deixar claro que, no caso de alguns fenômenos, até os dias de hoje, não se pode demonstrar ausência de intervenção espírita. É justo e necessário admitir que para alguns fenômenos que, no passado, foram impropriamente atribuídos a uma intervenção sobrenatural, pode-se formar que uma interpretação científica, mas isso não deve representar a regra absoluta, ou seja, fazer com que tudo se encaixe em leis físicas das quais ainda não se conhecem a existência, os imponentes e as forças que regem suas estruturas.

Demasiadas vezes se fez uma avaliação parcial e imperfeita de um fenômeno mas, atualmente, parece que, superada uma dificuldade inicial de confiança e de convivência, se possa, com o devido senso crítico, procurar indagar seriamente a respeito dos fenômenos paranormais. É justamente neste sentido que se orientam essas páginas, isto é, para consentir que um número cada vez maior de pessoas possa tomar contato direto com esses fenômenos.

Em seguida às experiências que poderão nascer deste livro, espero que se abra uma fase nova de pesquisa sobre indivíduos que têm, de forma latente ou manifesta, capacidades de caráter paranormal, a fim de podermos, depois, avaliar, selecionar, pesquisar e classificar todas aquelas fenomenologias que, no passado, despertaram interesse, curiosidade e espanto, mas que hoje, à luz investigadora de novas teorias e horizontes científicos, poderiam obter respostas novas e interessantes.

Uma vez superado o enfoque monopolista de caráter espírita, pode-se comparar a fenomenologia, o conteúdo que expressa e as grandes possibilidades que oferece na pesquisa referente, aos fenômenos paranormais. Eu afirmo que não se deve aceitar cegamente um enfoque de tipo espírita, unicamente porque este emerge de informações sérias que chegaram até nós do além, mas que é preciso usar, chave de pesquisa e de confiável e qualificável avaliação, toda fenomenologia que deriva do espiritismo.

Hoje, tende-se para um espiritismo corrente identificado COE "ultrafania", onde o sentido das revelações se projeta para horizontes espirituais e místicos, sobre o conteúdo dos quais faço; reservas mais cautelosas, por ser um terreno que se presta enorme facilidade a hábeis mistificações ou a cômodas manipulações. É certamente verdade que, se os espíritos existem, sua função não é fazer pequenos fenômenos físicos, conceder "passes", ver objetos, predizer o futuro ou reunir amores que se acabara. Seria uma triste tarefa para assumir por toda a eternidade.

Estou convencido de que depois da passagem haja aquele "algo" que, no fundo, todos esperamos que exista, pois ninguém fica satisfeito com esta limitada experiência terrena e, se alguma coisa existe, é obrigatório conhecê-la dentro dos limites do possível, a fim de tornar a nossa vida atual cada vez mais adequada e adaptada à futura. Enfrentaremos o problema do "espiritismo" estudando todos os fenômenos, em suas possíveis, diferentes classificações, avaliações e considerações, a fim de que, na prática, mesmo aquele que se recuse a aceitar a sobrevivência depois da morte, e que limitar seu conhecimento à fenomenologia física ou parafísica possa se declarar satisfeito com tudo aquilo que tiver aprendido com a leitura deste livro.

Meu desejo, repito, é permitir a todos experimentar (naturalmente expondo-se aos menores riscos possíveis). Não desejo vencer ninguém, nem arrastar legiões de iniciados. Pretendo apresentar metodologias para "experimentar", independentemente das orientações que cada um alimenta no interior da própria experiência. Ê natural que aqueles que não se sentem preparados para enfrentar um encontro com este tipo de fenomenologia devem abster-se de qualquer contato com essas experiências.

Aconselhamos àqueles que se consideram impressionáveis ou sugestionáveis, ou que têm apenas uma curiosidade superficial e perigosa, que evitem esses conhecimentos: poderiam ficar impressionados, condicionados e indefesos, seduzidos por um vórtice que se torna cada vez mais perigoso quanto mais for estimulado, como o som de uma corda musical quando a percussão se torna mais intensa e rápida.

Querer fazer experiências com o mundo paranormal e, sobretudo, com aquilo que em geral é definido como "espiritismo", comporta não apenas uma discreta dose de coragem, como também uma lucidez e uma racionalidade válida e preparada, uma capacidade de participação consciente e objetiva (certamente nada fácil de se conseguir). Não se pode brincar com certas fenomenologias, sejam elas derivadas de profundos dinamismos da mente, ou gratuitas manifestações do inconsciente individual ou coletivo, ou atinjam sua autêntica energia no mundo dos "que passaram", para uma margem onde o tempo se chama eternidade.

Deve-se procurar experimentar e verificar, com o desejo único de encontrar a resposta que o homem espera desde sua aurora distante: o que será de mim depois da morte? Enquanto esperamos, podemos apenas supor, mas é nosso dever PROCURAR: é o que pretendemos fazer. Falar de "espiritismo" quer dizer enfrentar um terreno escaldante, um terreno talvez perigoso, sobretudo quando emerge alguma referência (que será obrigatória) da concepção do espiritismo kardecista. Isso pode criar uma hostilidade por parte de pesquisadores inspirados, pode constituir um apoio fácil para aqueles que mergulham em um conformismo doutrinário, como Infelizmente acontece com frequência no caso de numerosos expoentes daquela que é considerada a ciência OFICIAL.

Dou-me conta de que a ciência, sobretudo a oficial, encontra dificuldades em aceitar e formular novos esquemas de pensamento sobre os quais consolidar princípios e interpretações fundamentais com a finalidade de uma contínua análise das leis que coordenam e governam a Natureza, essencialmente naquilo que é representado como seu aspecto físico. (...)

PARTE III - Experiências fundamentais - Os fenômenos mediúnicos
Querer estabelecer uma classificação precisa dos fenômenos mediúnicos é praticamente impossível, uma vez que apresentam características diferentes. A única grande classificação que se pode estabelecer é a que os diferencia pelos efeitos que produzem: efeito psíquico ou efeito físico. Em decorrência disso adotou-se uma classificação para os indivíduos que os determinam: são definidos SENSITIVOS, aqueles que produzem fenômenos de tipo psíquico, MÉDIUNS, aqueles que produzem fenômenos de tipo físico.

Considero que estas classificações, propostas e aceitas por muitíssimos estudiosos, têm a vantagem de fornecer uma rápida diferenciação, pois nem sempre é possível estabelecer uma fronteira precisa entre os fenômenos e, principalmente, sobre as causas que os determinam. Portanto, embora aceitando em linhas gerais esta subdivisão, prefiro olhar para a figura do médium em seu todo psicofísico, procurando enquadrá-la por aquilo que é e consegue realizar, sem limitar-me a considerações parciais.

No caso de ser confirmada a presença de uma Entidade, a famosa "mesa" é capaz de responder às perguntas através do alfabeto tiptológico: batidas em número progressivo, iguais às letras do alfabeto. É uma forma bastante demorada, que exige muita atenção e paciência. A única vantagem é ser simples se obter e permitir enormes possibilidades de controle. Os fenômenos FÍSICOS não são apenas desta natureza, tendem começar com o deslocamento de móveis, objetos, quadro vasos que giram pelo ar de forma tranquila, enquanto, sob controle da Entidade presente, outros fenômenos acontecem, vezes a maneira é desordenada e violenta. Produzem-se sons sinos, pequenas lâmpadas saltam dos seus soquetes, campam que levitam no ar, em especial girando nos cantos das paredes.

Famosos e interessantes são os sons produzidos por instrumentos musicais, pianos, acordeões, violinos, sem nenhum contato direto. Interessantíssimas as experiências com mesas de madeira cobertas com uma camada de fósforo que, como macias bailam, movem-se pairando no ar. Podemos também ter fenômeno de formação de braços fluídicos, produtos semi-sólidos, aos quais é atribuída, na maioria dos casos, a sensação de ser tocados qualquer coisa mole, úmida, por vezes, viscosa.

Famosíssimas as impressões obtidas com moldagens em argila e gesso. Característicos são os fenômenos de levitação, nos que o médium e às vezes os participantes e, de modo especial, objetos se elevam no ar sem motivo, como se se neutralizasse força de gravidade ou fossem seguros por um braço invisível. Eram desse tipo os fenômenos que o célebre Flammarion conguiu fotografar em plena luz.

Lembremos todas as diferentes formas de transporte (aporte) produzidos em locais com fechamento controlado. Na verificação encontravam-se objetos que antes não estavam no cômodo. As teses a este respeito são múltiplas: afirma-se que objetos estão presentes em outros lugares e que, através do processo da desmaterialização, são reduzidos a formas fluídicas nesta condição, podem entrar no local, onde são, em seguida recompostos. Tais hipóteses não estão muito distantes das avançadas teorias da física a respeito da estrutura da matéria e da energia.

Podemos concluir este rápido apanhado introdutório às diferentes fenomenologias, considerando a produção dos fantasmas que, certamente, representa um dos fenômenos mais interessantes e reais. Infelizmente, esta é uma realidade temporária porque, com o encerramento da sessão, sua consistência também desvanece. Ao se examinar as diferentes experiências acompanho uma escala de dificuldades, tendo em mente permitir uma compreensão progressiva dos fenômenos.

Escrita direta
Podemos defini-la como uma forma de escrita que se obtém sessão mediúnica, com o uso de um lápis ou de um giz, sobre papel ou sobre uma lousa. A origem deste fenômeno parece estar ligada às capacidades médium americano Simmonds, por volta dos anos 1850-1852. relatos dão conta de como em sua famosa "câmara espírita", as folhas em branco e o lápis deixados no final do dia sobre a mesa foram encontradas, na manhã seguinte, escritas com uma longa mensagem. Por ocasião do retorno à Europa do barão Guldenstubbe, a escrita mediúnica foi conhecida também dos médiuns europeus.

Muitos foram capazes de produzi-la: lembro-me de Slade, Moses, Home e da italiana Paladino. Inclusive um dentre os mais qualificados sensitivos italianos dos dias de hoje é capaz produzir tais manifestações: refiro-me ao Dr. Adolfo Gustavo Roll, de Turim. Naturalmente, também não faltaram polêmicas acerca da autenticidade destes fenômenos. Mesmo atualmente muitos o consideram um truque, mas a favor da verdade estão os fatos e as muitíssimas documentações produzidas.

O célebre astrônomo Zollner (famoso pela hipótese da quarta dimensão) conseguiu obter interessantíssimos escritos diretos, invés do médium Slade, submetendo-o a rigorosíssimos controles. O estudioso Gibier fez experiências com o mesmo médium:
"... Levei comigo duas lousas pequenas e me sentei em cima delas. Em seguida pousei as mãos sobre a mesa, com as de Slade e, de repente, senti que uma escrita era traçada sobre os quadros-negros quando eu os tocava. (...)