FLAGELOS
BIBLIOGRAFIA
01- Após a tempestade - pág. 11 02 - Coragem - pág. 56
03 - De Francisco de Assis para você - pág. 149 04 - Do país da luz- vol. II pág. 82
05 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 143 06 - Mensagens de além túmulo - pág. 83
07 - O Livro dos Espíritos - q. 737 08 - O Mestre na educação - pág. 77
09 - Pureza Doutrinária - pág. 20 10 - Revista Espírita 1861 - pág. 146
11 - Vozes do grande além - pág. 73 12 - Temas da vida e da morte - pág. 61

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

FLAGELOS – COMPILAÇÃO

02 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 56

16. SE CRÊS EM DEUS
Se crês em Deus, por mais te ameacem os anúncios do pessimismo, com relação a prováveis calamidades futuras, conservarás o coração tranquilo, na convicção de que a Sabedoria Divina sustenta e sustentará o equilíbrio da vida, acima de toda perturbação.

Se crês em Deus, em lugar nenhum experimentarás solidão ou tristeza, porque te observarás em ligação constante com todo o Universo, reconhecendo que laços de amor e de esperança te identificam com todas as criaturas.

Se crês em Deus, nunca te perderás no labirinto da revolta ou da desesperação, ante golpes e injúrias que se te projetem na estrada, porquanto interpretarás ofensores e delinquentes, na condição de infelizes, muito mais necessitados de bondade e proteção que de fel e censura.

Se crês em Deus, jornadearás na Terra sem adversários, de vez que, por mais se multipliquem na senda aqueles que te agridam ou menosprezem, aceitarás inimigos e opositores, à conta de irmãos nossos, situados em diferentes pontos de vista.

Se crês em Deus, jamais te faltarão confiança e trabalho, porque te erguerás, cada dia, na certeza de que dispõe da bendita oportunidade de comunicação com os outros, desfrutando o privilégio incessante de auxiliar e abençoar, entender e servir.

Se crês em Deus, caminharás sem aflição e sem medo, nas trilhas do mundo, por maiores surjam perigos e riscos a te obscurecerem a estrada, porquanto, ainda mesmo à frente da morte, reconhecerás que permaneces com Deus, tanto quanto Deus está sempre contigo, além de provações e sombras, limitações e mudanças, em plenitude de vida eterna.

Emmanuel

07 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questão: 737

II —FLAGELOS DESTRUIDORES
Perg. 737. Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?
— Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? E necessário ver o fim para apreciar os resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são frequentemente necessários para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos.(1) (Ver item 744-)

(1) Esta resposta coloca de maneira bem clara o problema dos "saltos" da Natureza de que tratamos em nota anterior. O "salto qualitativo" a que se refere a dialética marxista, e que para alguns contradiz a ordem evolutiva da doutrina espírita, é exatamente essa espécie de "transtornos" que apressam o desenvolvimento. Como se vê, o Espiritismo reconhece a existência e a necessidade de "transtornos", mas integrados no processo geral da evolução, não os admitindo como quebra desse processo. (N. do T)


Perg. 738. Deus não poderia empregar, para melhorar a Humanidade, outros meios que não os flagelos destruidores?
— Sim, e diariamente os emprega, pois deu a cada um os progredir pelo conhecimento do bem e do mal. E o homem quem não aproveita; então, é necessário castigá-lo em seu orgulho e fazê-lo sentir a sua fraqueza.
Perg. 738-a. Nesses flagelos, porém, o homem de bem sucumbe como os perversos; isso é justo?
— Durante a vida o homem relaciona tudo ao seu corpo, mas após a morte pensa de outra maneira. Como já dissemos: a vida do corpo é um quase nada; um século do vosso mundo é um relâmpago na eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos vossos meses ou dias, nada são; apenas um ensinamento que vos servirá no futuro. Os Espíritos que preexistem e sobrevivem a tudo formam o mundo real. (Ver item 85.) São eles os filhos de Deus e o objetivo de sua solicitude; os corpos não são mais que disfarces sob os quais aparecem no inundo. Nas grandes calamidades que dizimam os homens eles são como um exército que, durante a guerra, vê os seus uniformes estragados, rotos ou perdidos. O general tem mais cuidado com os soldados do que com as vestes.

Perg. 738-b. Mas as vítimas desses flagelos, apesar disso, não são vítimas?
— Se considerássemos a vida no que ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríamos. Essas vítimas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.
Que a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida; a única diferença é que no primeiro caso parte um grande número ao mesmo tempo. Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento de maneira a abranger toda a Humanidade numa visão única, esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

Perg. 739. Esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam? — Sim, eles modificam algumas vezes o estado de uma região; mas o bem que deles resulta só é geralmente sentido pelas gerações futuras.
Perg. 740. Os flagelos não seriam igualmente provas morais para o homem, pondo-o às voltas com necessidades mais duras?
— Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar a sua paciência e a sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo.

Perg. 741 • E' dado ao homem conjurar os flagelos que o afligem?
— Sim, em parte, mas não como geralmente se pensa. Muitos flagelos são a consequência de sua própria imprevidência. À medida que ele adquire conhecimentos e experiências pode conjurá-los, quer dizer, preveni-los, se souber pesquisar-lhes as causas. Mas entre os males que afligem a Humanidade, há os que são de natureza geral e pertencem aos desígnios da Providência. Desses, cada indivíduo recebe, em menor ou maior proporção, a parte que lhe cabe, não lhe sendo possível opor nada mais que a resignação à vontade de Deus. Mas ainda esses males são geralmente agravados pela indolência do homem.

Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, jf.on ser colocados em primeira linha a peste, a fome, as inundações, as imtempéries fatais à produção da terra. Mas o homem não achou na Ciência, nos trabalhos de arte, no aperfeiçoamentos da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas os meios de neutralizar ou pelo menos de atenuar tantos desastres? Algumas regiões vagamente devastadas por terríveis flagelos não estão hoje resguardadas? Que não fará o homem, portanto, pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar todos os recursos da sua inteligência e quando, ao cuidá-lo da sua preservação pessoal, souber aliar o sentimento de uma verdadeira caridade para com os semelhantes? (Ver item 707.)

11 - Vozes do grande além - Espíritos Diversos - pág. 73

16 - AUTOFLAGELAÇÃO
Depois de prolongada ausência, o Espírito Dias da Cruz compareceu em nosso grupo, na noite de 29 de setembro de 1955, e, controlando as faculdades do médium, pronunciou notável estudo em torno da autoflagelação, estudo esse que passamos a apresentar.

Meus amigos: Embora não nos seja possível, por enquanto, apreciar convosco a fisiologia da alma, como seria desejável, de modo a imprimir ampla clareza ao nosso estudo, para breve comentário, em torno da flagelação que muitas vezes impomos, inadvertidamente, a nós mesmos, imaginemos o corpo terrestre como sendo a máquina da vida humana, através da qual a mente se manifesta, valendo-se de três dínamos geradores, com funções específicas, não obstante extremamente ligados entre si por fios e condutos, de variada natureza.

O ventre é o dínamo inferior. O tórax é o dínamo intermediário. O cerebelo é o dínamo superior. O primeiro recolhe os elementos que lhe são fornecidos pelo meio externo, expresso na alimentação usual, e fabrica uma pasta aquosa, adequada à sustentação do organismo. O segundo recebe esse material e, combinando-o com os recursos nutritivos do ar atmosférico, transmuta-o em líquido dinâmico.

O terceiro apropria-se desse líquido, gerando correntes de energia incessante. No dínamo-ventre, detemos a produção do quilo. No dínamo-tórax, presenciamos a metamorfose do quilo em glóbulo sanguíneo. No dínamo-cerebelo, reparamos a transubstanciação do glóbulo sanguíneo em fluido nervoso.

Na parte superior da região cerebral, temos o córtex encefálico, representando a sede do espírito, algo semelhante a uma cabine de controle, ou a uma secretária simbólica, em que o «eu» coordena as suas decisões e produz a energia mental com que governa os dínamos geradores a que nos reportamos.

O ser humano, desse modo, em sua expressão fisiológica, considerado superficialmente, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida, em câmbio de emissão e recepção. Concentramos, assim, força mental em ação contínua e despendemo-la nos mínimos atos da existência, através dos múltiplos fenômenos da atenção com que assimilamos as nossas experiências diuturnas, atuando sobre as criaturas e coisas que nos cercam e sendo por elas constantemente influenciados.

Toda vez, contudo, em que nos tresmalhamos na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exteriorizamos correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de nossa intemperança, se voltam fatalmente contra nós, pelo princípio inelutável da atração que podemos observar no imã comum.

Em nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, provocamos sobre nós verdadeira tempestade magnética que nos desorganiza o veículo de manifestação, seja nos círculos espirituais em que nos encontramos, ou, na Terra, enquanto envergamos o envoltório de matéria densa, sobre a qual os efeitos de nossas agressões mentais, verbais ou físicas, assumem o caráter de variadas moléstias, segundo o ponto vulnerável de nossa usina orgânica, mas particularmente sobre o mundo cerebral em que as vibrações desvairadas de nossa impulsividade mal dirigida criam doenças neuro-psíquicas, de diagnose complexa, desde a cefalalgia à meningite e desde a melancolia corriqueira à loucura inabordável.

Toda violência praticada por nós, contra os outros, significa dilaceração em nós mesmos. Guardemo-nos, assim, na humildade e na tolerância, cumprindo nossos deveres para com o próximo e para com as nossas próprias almas, porque o julgamento essencial daqueles que nos cercam, em verdade, não nos pertence.

Desempenhando pacificamente as nossas obrigações, evitaremos as deploráveis ocorrências da autoflagelação, em que quase sempre nos submergimos nas trevas do suicídio direto, com graves compromissos.

Preservando-nos, pois, contra semelhante calamidade, não nos esqueçamos da advertência do nosso Divino Mestre no versículo 41, do capítulo 26, das anotações do apóstolo Mateus: — «Orai e vigiai, para não entrardes em tentação.»
Dias da Cruz

12 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - ESPÍRITO MANOEL P. MIRANDA

FLAGELOS E MALES


Em face do impositivo da evolução, o homem enfrenta os flagelos que fazem parte da vida. Os naturais, surpreendem-no, sem que os possa evitar, não obstante a inteligência lhe haja facultado meios de os prevenir e até mesmo de remediar-lhes algumas das conseqüências.

Irrompem, de quando em quando, desafiando-lhe a capacidade intelectual, ao mesmo tempo estimulando-lhe os valores que deve aplicar para os conjurar e impedir.

Enquanto isto não ocorre, constituem-lhe corretivos morais, mecanismos de reparação dos males perpetrados, recursos da Vida para impulsioná-lo ao progresso sem retentivas com a retaguarda.

Inúmeros desses flagelos destruidores já podem ser previstos e alguns têm diminuídos os seus efeitos perniciosos, em razão das conquistas que a Humanidade vem alcançando.

Outros, que constituíam impedimentos aos avanços e à saúde, têm sido minorados e até vencidos, quais a fertilização de regiões desérticas, o saneamento de áreas contaminadas, a correção de acidentes geográficos, a prevenção contra as epidemias que dizimavam multidões, assolando países e continentes inteiros, e, graças ao Espiritismo, a terapia preventiva em relação aos processos obsessivos que dominavam grupos e coletividades ...

Apesar disso, há os flagelos que o homem busca através dos vícios que se permite, sobrepondo as paixões torpes aos sentimentos de elevação, vindo a padecer males que poderiam ser evitados com um mínimo de esforço.

O egoísmo, que não cede lugar às aspirações altruístas, comanda a sua ambição desmedida, levando-o aos excessos que o comprometem.

Agressivo por instinto, não abdica da violência que gera atritos domésticos e de classes, levando as nações às guerras, cada vez mais danosas e de efeitos imprevisíveis, aumentando a sanha de desforços, que se tomam causas de novos enfrentamentos, como se da vida somente lhe interessasse o poder para a destruição ...

A inteligência, nesses momentos, fica obnubilada os vapores do ódio intoxicam a razão, bloqueando os sentimentos. O homem, desgovernado, tomba, então, no flagelo por ele mesmo criado, quando, no entanto, está fadado à glória do bem e ao remanso da paz.

Tal ocorrência se dá por efeito da sua imantação animal, desse predomínio da matéria sobre o Espírito, enleamento das paixões perturbadoras que cultiva, atrasando-lhe a marcha que deveria prosseguir sem interrupções ou retardamento.

Entretanto, está no desejo dele mesmo evitar os males nos quais se enreda, caso se dispusesse a seguir o Estato divino, cujas leis são de fácil acesso e de perfeita assimilação no seu dia-a-dia.

Rebelando-se contra a ordem, afasta o bem, e, quando este se encontra ausente, enxameia o mal. Assim age por pretender privilégios e prerrogativas que lhe exaltam o orgulho, fazendo-o posicionar-se acima do seu próximo a quem passa a explorar e ferir, distante de qualquer respeito e dignidade pela vida e pelas demais criaturas. Na raiz desse comportamento extravagante e insensato encontra-se o atavismo ancestral, cujas imposições materiais têm primazia, dominando completamente a paisagem emocioonal.

O abuso das paixões, e não o uso correto que leva aos ideais do amor e ao arrebatamento pelas causas nobres, é o agente dos flagelos e males que se voltam contra o próprio homem e o infelicitam.

É, porém, através da dor - aguilhão que o propele para a frente - que ele aprende a valorizar as oportunidades da sua existência corporal e desperta para o bem, a que se entrega, após a exaustão que o sofrimento lhe impõe.

Não sendo o mal uma realidade, senão um efeito transitório, que pode ser alterado a partir do momento que se lhe modifique a causa, ele se transforma num futuro bem, porque vacina a vítima, que a partir daí melhor compreende a finalidade da vida na Terra, empenhando-se por alcançá-la no mais breve prazo.

Não importa em que classe social ou posição cultural estagie, porquanto a característica nele prevalecente é a de ordem moral, responsável pelo tipo de aspiração a que se entrega e da conduta que mantém.

Lord Byron, por exemplo, cuja poesia romântica influenciou toda uma época e criou um mito, poderia ter-se utilizado dos recursos de que dispunha para enobrecer-se e felicitar as vidas. Considerado belo e de corpo perfeito, culto e inteligente, assumiu comportamento excêntrico e individualista, sensual e vulgar, com uma genialidade asselvajada que ora pertencia às suas personagens e noutros momentos parecia refletir-lhe o próprio ser.

Carlos Steinmetz, por sua vez, com algumas deformidades físicas, mas belo nos ideais de solidariedade humana, refugiando-se na América para salvar-se das perseguições de ideologia político-social, contribuiu de maneira extraordinária para o progresso das ciências elétricas, chegando a patentear duzentas invenções e escrever diversos trabalhos científicos e alguns livros que promoveram o progresso tecnológico da Humanidade.

Na direção que o homem encaminha os passos, surgem os comportamentos que lhe assinalam a marcha. Isto, porém, é decorrência do seu mundo mental, característica do seu estágio evolutivo. Gerando hábitos, a eles se submete, porquanto ninguém há que viva sem esses condicionamentos. Quem não os tem bons, não fica deles isento, passando a tê-los maus.

Ideal será, então, iniciar-se nas experiências da vida por uma forma de neutralidade, isto é, não praticar o mal, o que não é suficiente, porquanto, em certas ocasiões não propiciar o bem toma-se uma forma de desenvolver o mal. Primeiro passo, faculta outros mais audaciosos até que a atração do bem passa a envolver o indivíduo levando-o ao comprometimento com as ações superiores.

Desse modo, evitar o mal, que nele mesmo reside e, mediante o livre-arbítrio, firmado no conhecimento ; obediência às divinas leis, conquistar espaço para as ações meritórias, empenhando-se por vivenciá-las a partir de então - eis o caminho a trilhar.

Sentindo-se impelido ao mal, em razão dos remanescentes do primitivismo que nele jaz, deve e pode evitar praticá-lo, educando a vontade e canalizando as forças morais para o bem, que nele igualmente se encontra em germen, graças à sua origem divina. Procedente do mundo espiritual para ali retomará, fadado ao bem vitorioso que conseguirá ao fim da pelejas travadas.

LEMBRETE:

Destruição Abusiva
A destruição que ultrapassar os limites de segurança e necessidade, como o da caça enquanto mero lazer, por exemplo, revela o atraso moral do Espírito, pois que toda destruição sem um objetivo útil denota uma transgressão às Leis de Deus. O homem tem direito de destruição sobre os seres inferiores da Criação, como os animais e as plantas, a fim de prover sua nutrição e segurança; mas o abuso desse direito, por interesse econômico, poder ou crueldade, é prejudicial, e ele responderá pelos seus excessos. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus (LÊ, 735).

Por outro lado, o escrúpulo exagerado na preservação de animais ou plantas pode levar à idolatria e ao fanatismo, gerando medo e superstição; portanto, tal preservação não chega a ser um mérito para o homem, que estará entravando seu progresso espiritual.

Flagelos Destruidores

Para se entender porque ocorrem os flagelos destruidores é preciso abstrair-se das coisas puramente materiais que compõem o curto espaço de uma encarnação, para adentrar através do pensamento no contexto da vida espiritual. Só assim o homem verá que até mesmo na destruição existe harmonia e equilíbrio, enquanto transformação regenerativa, porque tudo revela uma necessidade evolutiva que escapa aos olhos materiais, e que tudo tem uma razão de ser.

Dessa perspectiva, os flagelos são apenas transtornos inevitáveis no processo geral de evolução do planeta, porque eles propiciam, de um lado, a regeneração moral dos Espíritos, e de outro, a aceleração do progresso intelectual da humanidade. Tais flagelos naturais como as inundações, as intempéries que obstruem a agricultura, os terremotos, vendavais etc., são agentes transformadores da Terra, e que por certo haverão de ser amenizados no futuro, quando o homem, já mais espiritualizado, souber respeitar as leis da natureza.

Os homens de bem que sucumbem aos abalos físicos não sofrem tanto quanto os que ainda estão em condição moral inferior, pois após a desencarnação em tais circunstâncias têm consciência da transitoriedade da matéria e compreendem que a verdadeira vida é a do Espírito. Deus concede ao homem, certamente, outros meios de apressar o seu progresso, que não necessariamente tais flagelos, através do conhecimento do bem e do mal; contudo, a própria condição humana impede ao homem compreender a extensão da misericórdia divina.

Os flagelos destruidores, portanto, representam tão somente ajustes, que fazem parte do perfeito mecanismo dos mundos que povoam o Universo, onde cada inteligência tem o seu papel a cumprir, segundo os impulsos das leis divinas, que mantêm a unidade na Criação.

Apesar do aparente mal que ocasionam, determinam significativas mudanças físicas, porque frequentemente alteram as condições de uma determinada região, proporcionando, no futuro, melhores condições de aproveitamento para a humanidade. Conseqüentemente, beneficiam fisicamente o planeta, não apenas pela renovação de seus elementos, mas principalmente porque despertam no homem, pela dor, sua consciência religiosa, tanto para os que desencarnam em circunstâncias traumáticas, quanto para os que vivenciam as consequências dolorosas de tal devastação.

Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo (LÊ, 740).

Além dos flagelos naturais, há os que decorrem da imprudência e ignorância do próprio homem, como o desmatamento, as poluições ambientais, a fome, a guerra etc. À medida que seus conhecimentos se alargam, que a Ciência se coloca ao seu alcance, o homem concebe meios adequados de prevenção ou neutralização de tais flagelos. E assim que o caminho evolutivo a ser percorrido pelo Espírito será a conquista, não apenas da inteligência, que irá lhe conferir o bem-estar material ao contornar os transtornos físicos, mas principalmente promover a caridade, a fraternidade e a solidariedade entre todos seus irmãos, para assegurar finalmente seu bem-estar moral.

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