FORÇAS
BIBLIOGRAFIA
01- A alma é imortal - pág. 226 02 - A evolução anímica - pág. 33
03 - A Gênese - cap. VI, 8 04 - A levitação - pág. 139
05 - A plural. dos Mundos habitados - pág. 115, 334 06 - Análise das coisas - pág. 71, 79, 99
07 - Da alma humana - pág. 40 08 - Deus na natureza - pág. 21
09 - Do país da luz vol. iv - pág. 128 10 - Guardiães da verdade - pág. 40, 144
11 - Hipnotismo e espiritismo - pág. 12, 38, 51 12 - Nas pegadas do mestre - pág. 57
13 - No invisível - pág. 175 14 - O espiritismo - pág. 175
15 - O fenômeno espírita - pág. 66, 102

16 - O grande enigma - pág. 241

17 - Passos da vida - pág. 14 18 -Revista Espírita 1863 - pág. 104
19 - Rumos libertadores - pág. 187 20 - Segue-me - pág. 61, 183
21 - Universo e vida - pág. 89 22 - Vida e atos dos apóstolos - pág. 65
23 - Voltei - pág. 22 24 -

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FORÇAS – COMPILAÇÃO

01- A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 226

As forças
Citemos de novo o nosso instrutor espiritual.
"Se um desses seres desconhecidos que consomem a efêmera existência nas regiões tenebrosas do fundo do oceano, se um desses poligástricos, dessas nereidas — miseráveis animálculos que da Natureza unicamente conhecem os peixes ictiófagos e as florestas submarinas — recebesse de súbito o dom da inteligência, a faculdade de estudar o seu mundo e de levantar sobre as suas apreciações um raciocínio conjetural, abrangendo a universalidade dás coisas, que idéia faria da Natureza viva que se desenvolve no meio em que ele vive e do mundo terrestre existente fora do campo de suas observações ?

"Se, depois, por um efeito maravilhoso do seu novo poder, esse mesmo ser chegasse a elevar-se acima das suas trevas eternas, a superfície do mar, não longe das margens opulentas de uma ilha de rica vegetação, ao banho fecundante do Sol, dispensador de calor benfazejo, que juízo faria ele dos seus juízos anteriores, acerca da Criação universal? Não substituiria de pronto a teoria que houvesse construído por uma apreciação mais ampla, porém, ainda tão incompleta, relativamente, quanto a primeira. Tal, 6 homens! a imagem da vossa ciência, toda especulativa...

"Há um fluido etéreo, que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é a matéria cósmica primitiva, geratriz do mundo e dos seres. São inerentes ao éter as forças que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Essas forças múltiplas, indefinidamente variadas segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas, diversificadas, quanto ao modo de ação, segundo as circunstâncias e o meio, são conhecidas na Terra sob o nome de gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade. Os movimentos vibratórios do agente são os de: som, calor, luz, etc.

"Ora, assim como uma única é a substância simples, primitiva, geratriz de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações, também todas essas forças dependem de uma lei universal, diversificada em seus efeitos, lei que lhes está na origem e que, pelos decretos eternos, foi soberanamente imposta à Criação, para lhe constituir a harmonia e a estabilidade permanentes.

"A Natureza jamais está em oposição a si mesma. Uma só é a divisa no brasão do Universo: Unidade. Remontando-se à escala dos mundos, encontra-se unidade de harmonia e de criação, ao mesmo tempo que uma variedade infinita nessa imensa platéia de estrelas; percorrendo-se-lhes os degraus da vida, desde o último dos seres até Deus, a grande lei de continuidade se patenteia; considerando-se as forças em si mesmas, pode-se formar com elas uma série, cuja resultante, a confundir-se com a geratriz, é a lei universal...

"Todas essas forças são eternas e universais, como a Criação. Sendo inerentes ao fluido cósmico, elas necessariamente atuam em tudo e em toda parte, modificando, sucessivamente, ou pela simultaneidade, ou pela sucessividade, as ações que exercem. São predominantes aqui, ali apagadas, poderosas e ativas em certos pontos, latentes ou secretas noutros. Mas, finalmente, estão sempre preparando, dirigindo, conservando e destruindo os mundos em seus diversos períodos de vida, governando os maravilhosos trabalhos da Natureza, em qualquer parte onde eles se executem, assegurando para sempre o eterno esplendor da Criação."

Difícil dizer melhor e exprimir de maneira tão elevada í quanto concisa os resultados todos a que a ciência tem chegado e nos há feito conhecer. Escapa ao poder do homem criar qualquer parcela de energia, ou destruir a que existe. Transformar um movimento em outro é tudo o que lhe está ao alcance. O mundo da mecânica, diz Balfour Stewart, não é uma manufatura criadora de energia, mas um como mercado ao qual podemos levar certa espécie particular de energia e trocá-la por um equivalente de energia doutro gênero, que mais nos convenha... Se lá chegarmos sem coisa alguma nas mãos, podemos ter a certeza de voltar sem coisa alguma.

É absurdo, diz o Padre Secchi, admitir-se que o movimento, na matéria bruta, possa ter outra origem que não o próprio movimento. Assim, não se pode criar a energia e firmado está que ela não pode destruir-se. Onde um movimento cessa, imediatamente aparece o calor, que é uma forma equivalente desse movimento. Esta a grande verdade formulada sob o nome de conservação da energia, idêntica à lei de conservação da matéria.

Assim como esta não pode ser aniquilada e apenas passa por transformações, também a energia é indestrutível: experimenta tão-só mudanças de forma. Até ao século XIX, a prática diuturna dava, na aparência, motivos para crer-se que a energia era parcialmente suprimida.

Pertence a J. R. Mayer, médico de Heilbronn (reino do Wurtemberg), ao dinamarquês Colding e ao físico inglês Joule a glória de terem demonstrado que nem uma só fração de energia se perde e que é invariável a quantidade total de energia de um sistema fechado. Essa demonstração, conhecida sob a denominação de teoria mecânica do calor, constitui uma das mais admiráveis e fecundas obras do século XIX.

Descobrindo a que quantidade exata de calor corresponde um certo trabalho, isto é, uma certa quantidade de movimento, a Ciência fez que a indústria mecânica desse um passo gigantesco. Aplicando semelhante descoberta à Química, fez esta entrasse para o rol das ciências finitas, isto é, daquelas cujos fenômenos se podem reduzir todos a fórmulas matemáticas. Finalmente, em Fisiologia, as noções de que tratamos deram lugar a que se achasse a medida precisa da intensidade da força vital.

Mas, não se limitou a isso o estudo experimental da energia. Conseguiu-se demonstrar que todas as diferentes formas que ela assume: calor, luz, eletricidade, etc., podem transformar-se umas nas outras, de maneira que uma daquelas manifestações é capaz de engendrar todas as demais.

Dessas descobertas experimentais decorre que as forças naturais, conforme ainda hoje se chamam, não são mais do que manifestações particulares da energia universal, ou, em última análise, dos modos de movimento. O problema da unidade e da conservação da força foi, pois, resolvido pela ciência moderna.

Possível se tornou comprovar no universo inteiro a unidade dos dois grandes princípios: força e matéria. A luneta e o telescópio permitiram se visse que os planetas solares são mundos quais o nosso, pela forma, pela constituição e pela função que preenchem. Nem só, porém, o nosso sistema obedece a tais leis, todo o espaço celeste está povoado de criações semelhantes, evidenciando a semelhança de organização das massas totais do Universo, ao mesmo tempo que a uniformidade sideral das leis da gravitação.

Os sóis ou estrelas, as nebulosas e os cometas foram estudados pela análise espectral, que demonstrou serem compostos esses mundos, tão diversos, de materiais semelhantes aos que conhecemos na Terra. A mecânica química e física dos átomos é a mesma lá, que neste mundo. É, pois, em tudo e em toda parte, a unidade fundamental incessantemente diversificada.

Que confirmação magnífica daquela voz do espaço que, há cinquenta anos, afirmava que eterna é a força e que as séries dissemelhantes de suas ações têm uma resultante comum, que se confunde com a geratriz, isto é, com a lei universal!

Assim, portanto: força única, matéria única, indefinidamente variadas em suas manifestações, tais as duas causas do mundo visível. Existirá outro, invisível e sem peso? Interroguemos de novo os nossos Instrutores do Além. Eles respondem a afirmativamente e cremos que também quanto a isso a Ciência não os desmentirá. (...)

02 - A evolução anímica - Gabriel Delanne - pág. 33

A força vital
Até aqui só temos estudado o funcionamento da vida, a maneira pela qual o organismo vivo entra em conflito com o seu meio ambiente, mas nada sabemos ainda da natureza mesma dessa vida. Se compreendemos como, por exemplo, se exercem as funções digestivas, cumpre notar que é num aparelho vivo que elas se operam, isto é, num organismo que produziu, por processos peculiarmente seus, as matérias necessárias a essa combinação química, e, se as leis de afinidade são as mesmas no laboratório vivo como no mundo exterior, não deixa de ser por processos particulares, inteiramente diferentes dos que agem sobre a matéria bruta, que a vida opera.

Eis, a propósito, o que diz Claude Bernard, juiz competente nestes assuntos: "Posto que os fenômenos orgânicos, manifestados pelos elementos dos tecidos, estejam todos submetidos às leis gerais da físico-quimica, não deixam, contudo, de completar-se com o concurso de processos vitais peculiares à matéria organizada, e, neste sentido, diferem, constantemente, dos processos minerais que produzem os mesmos fenômenos nos corpos brutos. Esta última proposição fisiológica, tenho-a como fundamental. O erro dos físico-quimistas procede de não haverem feito essa distinção e acreditarem preciso religar os fenômenos apresentados por seres viventes, não apenas às mesmas leis, mas também aos mesmos processos e formas pertinentes aos corpos brutos."

Tem, pois, a vida um modo especial, vivente, de proceder, para manter o seu funcionamento; existe no ser organizado algo inexistente nos corpos inorgânicos, algo operante por métodos particulares, sui generis, e que não só fabrica, como repara os órgãos. A esse algo chamamos força vital. Essa observação tem sido feita por muitos naturalistas. Stahl imaginou, para explicar a vida, uma força vital extrínseca à matéria viva, seja uma espécie de substância imaterial — a alma —, causa fundamental da vida e dos movimentos que se lhe prendem.

Foi partindo da falsa ideia de que as forças naturais estão em antagonismo com o corpo vivo que ele acreditou residir nessa força anímica a faculdade de resistência às influências destrutivas. Nada obstante haverem Descartes e Van Helmont sustentado doutrinas análogas, Stahl desenvolveu e levou tão longe a sua teoria que deve ser olhado como o fundador do animismo em fisiologia.

Stahl estabelecera uma diferença radical entre os fenômenos da natureza bruta e os da natureza viva. Conservaram esse fato interessante, mas abandonaram a teoria da alma. Não houve como deixar de recorrer a uma outra força fundamental, da qual dependem todas as manifestações de vida, nos vegetais como nos animais, designada por força ou princípio vital.

Essa força, que rege todos os fenômenos vitais, dá irritabilidade às partes contrateis de animais e plantas, ou seja, como vimos, a propriedade de serem afetadas pêlos irritantes exteriores. Admitiam, nos animais, a alma de Stahl, que, combinada ao princípio vital, presidia aos fenômenos intelectuais. Essa teoria teve como principais defensores, na França, Barthez; e, na Alemanha, Hufeland e Blumenbach.

A força vital de que falamos liga-se a esta última forma de ver, pois, de fato, cremos que haja uma força de natureza especial, que provê a matéria organizada do que inexiste na matéria bruta: — a irritabilidade; ela diverge, porém, desde logo, porque nós não vemos nessa força mais do que uma modificação da energia, ainda desconhecida, modalidade da força universal, quais o calor, a eletricidade, a luz. Não fazemos dessa força uma entidade imaterial, surgida ao acaso, sem antecedentes, ou melhor, uma criação sobrenatural.

Diferimos também dos vitalistas em não vermos entre os animais e o homem mais do que uma diferença de grau, não de natureza. Tudo o que existe na Terra provém de inumeráveis modificações da força e da matéria. A força vital deve entrar no quadro das leis gerais, e a nós compete evidenciar a sua presença nos seres vivos.

Flourens parece compartilhar dessa opinião quando escreve: "Acima de todas as propriedades particulares e determinadas, há uma força, um princípio geral, comum, que todas as propriedades particulares implicam e de que se fazem presumidas, e o qual, sucessivamente, pode ser isolado, destacado de cada uma, sem deixar de existir. Que princípio será esse? Seja qual for, é essencialmente uno. Há uma força geral e una, da qual todas as forças particulares mais não são que expressões ou modalidades."

Por que se morre?
Com Claude Bernard, temos constatado a originalidade de processos da matéria organizada para fabricação das substâncias necessárias ao funcionamento vital, atribuindo essas propriedades aos órgãos dotados de uma virtude especial, inencontrável nos corpos brutos. A existência de uma força animante do organismo torna-se, porém, mais evidente ainda, ao examinarmos a evolução de todos os seres vivos.

Tudo o que tem vida nasce, cresce e morre. É fato geral que quase não padece exceção. Mas, por que morrer? Excetuando-se os casos de acidentes, ou de enfermidades que destroem irremediavelmente os tecidos, como se dá que, mantendo constantes as mesmas condições gerais, indispensáveis ao entretenimento da vida, isto é, a água, o ar, o calor e os alimentos, o ser depereça até à dissociação total?

Dizer que os órgãos se gastam é indicar apenas uma fase da evolução, é demonstrar um fato. Neste caso, pergunta-se: mas, por que se gastam os órgãos, e por que se mantêm perfeitos na idade viril, do mesmo passo que aumentam de energia na juventude? São interrogativas diante das quais a ciência materialista emudece. Sem embargo, uma explicação se oferece e nós vamos expô-la. Desde que admitamos na célula fecundada uma certa quantidade de força vital, tudo se torna compreensível.

A vida total de um indivíduo é o resultado de um trabalho a completar-se, trabalho esse mensurável pelas incessantes reconstituições da matéria desgastada pela função vital, e a força para isso necessária pode considerar-se como uma função contínua, que aumenta, atinge um máximo e baixa a zero. Se projetamos no ar uma pedra, comunicamos à pedra a força dos nossos músculos. A pedra eleva-se rápida, a despeito da atração centrípeta, até que as duas forças contrárias se equilibrem. Depois, a atração predomina, a pedra cai, e, quando chega ao ponto de partida, toda a energia a ela comunicada tem desaparecido.

Pode conceber-se que algo de analógico se passe com os seres vivos. O reservatório de energia potencial, proveniente dos genitores, e que se encontra na célula original, transforma-se em energia natural, à medida que organiza a matéria. De começo, a ação é assaz enérgica, a assimilação, o agrupamento das moléculas, ultrapassam a desassimilação, o indivíduo cresce; a seguir, vem o equilíbrio de perdas e ganhos: é a maturidade, a estabilidade do corpo, até que, chegada a senectude, esgotada a força vital, não mais suficientemente alimentados os tecidos, a morte sobrevêm, o organismo desagrega-se, a matéria retorna ao mundo inorgânico.

Assim, pois, acreditamos haja uma certa quantidade de força vital distribuída por toda criatura que surge na Terra; e, como a geração espontânea não existe em nossa época, é por filiação que se transmite essa força, aliás, só manifesta nos seres animados. Mas, não só na matéria e no seu condicionamento residem as propriedades da vida orgânica. Há que lhe presumir, ainda, uma força vital renovadora, ou seja, refectiva das partes destruídas. Daí, o absoluto erro dos sábios, que imaginam surpreender o segredo da vida em promovendo a síntese da matéria orgânica.

Suponhamos que, em consequência de manipulações químicas, tão sábias e complicadas quanto as possamos imaginar, e movimentando todos os agentes físicos — calor, eletricidade, pressão, etc. —, chegássemos a fabricar protoplasma artificial...Mas... a vida? Tê-la-ia tal produto? Não, certo, porque o que caracteriza a vida é a nutrição reparadora do dispêndio.

Essa massa protoplásmica há de ser inerte, insensível às excitações exteriores, qual se não dá com a massa viva. Mas, ainda supondo que assim não fora, só pudéramos justificá-lo em detrimento da estrutura íntima, destruindo-se. Essa massa artificial poderia subsistir a título precário, mas, uma vez exausta, não haveria como reproduzir-se, não viveria mais.

Citamos o protoplasma porque ele representa a matéria simples por excelência; mas, se tomássemos uma célula, a complicação aumentaria, visto que a célula tem forma determinada e a Ciência é absolutamente incapaz de explicar essa forma, como veremos dentro em breve. Aqui, importa definir precisamente o que pensamos, para que fique bem clara a nossa concepção.

Máquina delicada e complexa é o corpo humano; os tecidos que o formam originam-se de combinações químicas muito instáveis, devido aos seus componentes; e nós não ignoramos que as mesmas leis que regem o mundo inorgânico regem os seres organizados. Assim, sabemos que, num organismo vivo, o trabalho mecânico de um músculo pode traduzir-se em equivalente de calor; que a força despendida não é criada pelo ser, e lhe provém de uma fonte exterior, que o provê de alimentos, inclusive o oxigênio; e que o papel do corpo físico consiste em transformar a energia recebida albergando-a em combinações instáveis que a emanciparão à menor excitação apropriada, isto é, sob ação volitiva, ou pelo jogo de irritantes especiais dos tecidos, ou de ações reflexas. (...)

03 - A Gênese - Allan Kardec - cap. VI, 8

AS LEIS E AS FORÇAS
8. - Se um desses desconhecidos, que consomem a sua existência efêmera no fundo das regiões tenebrosas do Oceano; se um desses poligástricos, uma dessas nereidas,- miseráveis animálculos que não conhecem da Natureza senão os peixes ictiófagos e as florestas submarinas, -recebesse, de repente, o dom da inteligência, a faculdade de estudar o seu mundo, e de estabelecer, sobre as suas apreciações, um raciocínio conjecturai extensivo à universalidade das coisas, que idéia se formaria da natureza vivente, que se desenvolve em seu meio, e do mundo terrestre que não pertence ao campo das suas observações?

Se, agora, por um efeito maravilhoso do seu novo poder, esse mesmo ser, chegasse a se elevar acima das suas trevas eternas, à superfície do mar, não longe de costas opulentas, de uma ilha de vegetação esplêndida, ao Sol fecundo, dispensador de um benfazejo calor, que julgamento faria, então, sobre as suas teorias antecipadas da criação universal, teoria que se apagaria logo diante de uma apreciação mais ampla, mas ainda relativamente tão incompleta como a primeira? Tal é, ó homens! a imagem da vossa ciência toda especulativa (1).

(1) Tal é, também, a situação dos pegadores do mundo dos Espíritos,: quando, depois de se despojarem do seu envoltório carnal, os horizontes desse mundo se expõem aos seus olhos. Compreendem, então, o vazio das teorias pelas quais pretendiam tudo explicar unicamente com a matéria. Entretanto, esses horizontes têm, para eles, mistérios que não se revelam senão sucessivamente, à medida que se elevam pela depuração. Mas, desde os seus primeiros passos, nesse mundo novo, são forçados a reconhecerem a sua cegueira e o quanto estavam longe da verdade.

9. - Então, pois, quando venho tratar, aqui, a questão das leis e das forças que regem o Universo, eu que não sou, como vós, senão um ser relativamente ignorante, em comparação com a ciência real, malgrado a aparente superioridade que me dá, sobre os meus irmãos da Terra, a possibilidade de estudar as questões naturais, que estão interditadas em sua posição, meu objetivo é, unicamente, o de vos expor a noção geral das leis universais, sem explicar, com detalhes, o modo de ação e a natureza das forças especiais que delas dependem.

10. - Há um fluido etéreo que preenche o espaço e penetra os corpos; esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres.. São inerentes ao éter as forças que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Essas formas múltiplas, indefinidamente variáveis segundo as circunstâncias e os meios, são conhecidas, na Terra, sob os nomes de gravidade, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa; os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob o de som, calor, luz, etc. Em outros mundos, elas se apresentam sob outros aspectos, oferecem outros caracteres, desconhecidos neste, e, na imensa amplidão dos céus, forças em número indefinido se desenvolvem sobre uma escala inimaginável, da qual somos, também, pouco capazes de avaliar a grandeza, igual ao crustáceo, no fundo no Oceano, não o é de abarcar a universalidade dos fenômenos terrestres (1).

(1) Tudo reportamos ao que conhecemos, e não compreendemos o que escapa à percepção dos nossos sentidos, mais do que o cego de nascença não compreende os efeitos da luz e a utilidade dos olhos. Pode ocorrer, pois, que, em outros meios, o fluido cósmico tenha propriedades, combinações das quais não temos nenhuma idéia, efeitos apropriados a necessidades que nos são desconhecidas, dando lugar a percepções novas ou a outros modos de percepção. Não compreendemos, por exemplo, que se possa ver sem os olhos do corpo e sem a luz; mas quem nos diz que não existem outros agentes, além da luz, aos quais estão destinados organismos especiais?

A visão sonambúlica, que não se detém nem pela distância, nem pelos obstáculos materiais, nem pela obscuridade, disso nos oferece um exemplo. Suponhamos que, em um mundo qualquer, os seres sejam normalmente o que os nossos sonâmbulos não são senão excepcionalmente, não terão necessidade nem da nossa luz, nem dos nossos olhos, e, entretanto, verão o que não podemos ver. Ocorre o mesmo com todas as outras sensações. As condições de vitalidade e de perceptibilidade, as sensações e as necessidades, variam segundo os meios.

Ora, do mesmo modo que não há senão uma única substância simples, primitiva, geradora de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações, todas essas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efeitos, e que, nos decretos eternos, foi soberanamente imposta à criação para constituir-lhe a harmonia e a estabilidade.

11.- A Natureza não está, jamais, oposta a si mesma. O brasão do Universo não tem senão uma divisa: UNIDADE/VARIEDADE. Remontando à escala dos mundos, encontra-se a unidade de harmonia e de criação, ao mesmo tempo que uma variedade infinita nesse imenso canteiro de estrelas; percorrendo os degraus da vida, desde o último dos seres até Deus, a grande lei de continuidade se faz reconhecer; considerando as forças em si mesmas, pode-se delas formar uma série cuja resultante, se confundindo com a geratriz, é a lei universal.

Não saberíeis apreciar, essa lei, em toda a sua extensão, uma vez que as forças que a representam, no campo das vossas observações, são restritas e ilimitadas; todavia, a gravidade e a eletricidade podem ser consideradas como uma larga aplicação da lei primordial, que reina mais além dos céus.

Todas essas forças são eternas - explicaremos esta palavra, - e universais como a criação; sendo inerentes ao fluido cósmico, atuam, necessariamente, em tudo e por toda a parte, modificando a sua ação pela sua simultaneidade ou sua sucessão; predominante aqui, se apagando mais adiante; poderosas e ativas em certos pontos, latentes ou ocultas em outros; mas, finalmente, preparando, dirigindo, conservando e destruindo os mundos, em seus diversos períodos devida, governando os trabalhos maravilhosos da Natureza, em qualquer ponto que se executem, assegurando, para sempre, o eterno esplendor da criação. (...)

08 - Deus na natureza - Léon denis - pág. 21

TOMO I - A Força e a Matéria
Numeri regunt Mundum.

I - POSIÇÃO DO PROBLEMA
SUMARIO — Papel da Ciência na sociedade moderna. — Sua potência e grandeza. — Seus limites e tendência a ultrapassá-los. — As Ciências não podem dar nenhuma deílnlcão de Deus. — Processo geral do ateísmo contemporâneo. — Objeções à existência divina, inferidas da Imutabilidade das leis e da intima união entre a força e a matéria. — Ilusão dos que afirmam ou negam. — Erros de raciocínio. — A questão geral resume-se em estabelecer as relações recíprocas da força e da substância.

O século que vivemos está desde já inscrito com caracteres indeléveis nas páginas da História. A partir dos mais remotos tempos, das velhas civilizações, nenhuma época viu, qual a nossa, esse magnífico despertar do espírito humano, para simultaneamente afirmar os seus direitos e a sua força. O mundo já não é o vale de lágrimas medieval, onde a alma vinha expiar a falta do primitivo pai e, confundindo-se no isolamento e na oração, acreditava conquistar um lugar no paraíso, ciliciando o corpo e cobrindo-se de cinzas.

Os frutos da inteligência já não atestam as longas, abstrusas e infindáveis discussões de estéril metafísica, construídas de palitos e escoradas em sutilezas escolásticas, a que se entregaram cegamente poderosos gênios, consagrando-lhes uma preciosa vida de estudos e despercebidos de assim perderem não apenas o seu tempo, mas o de algumas gerações. Lá, onde em murados claustros se concentravam monjes e oratórios, ouve-se agora o ruído das máquinas, o ranger das engrenagens e o silvo do vapor das caldeiras combustas.

Se as instituições monásticas tiveram o seu papel no período das invasões bárbaras, nem por isso deixou de soar a sua hora extrema, como sucede a todas as coisas perecíveis: o trabalho fecundo do operário e do agricultor substitui a decadência senil pela juvenilidade operosa e fecunda. No anfiteatro das Sorbonnes, onde se discutiam exaustivamente os seis dias da Criação, as línguas de fogo da Pentecoste, o milagre de Josué, a passagem do Mar Vermelho, a forma da graça atual, a consubstancialidade, as indulgências parciais ou plenárias, etc., etc., e mil assuntos outros difíceis de profundar, vemos hoje instalar-se o laboratório químico, no ambiente do qual a Matéria se faz docilmente pesar e mensurar; a mesa do anatomista, sobre cujo mármore se desvendam o mecanismo orgânico e as funções vitais; o microscópio do botânico, que surpreende os primeiros, oscilantes passos da esfinge da Vida; o telescópio do astrônomo, que deixa entrever, para além dos céus transparentes, o movimento majestoso dos sóis gigantescos, regulados pelas mesmas leis que acionam a queda de um fruto; a cátedra de ensinamento experimental, à volta da qual as inteligências populares vêm grupar suas filas atentas.

O próprio globo terrestre transformou-se. Circunavegaram-no, mediram-no, e já não haverá Carlos Magnos que pretendam enfeixá-lo na mão. O compasso do geômetra destituiu o cetro imperial. Oceanos e mares, em todas as latitudes, fendem-se ao impulso das quilhas levadas por velas pandas, ou pela rotação das hélices potentes e trepidantes. Também — dragão flamívomo — a locomotiva percorre célere os continentes e, graças ao telégrafo, podemos falar de um a outro hemisfério. O vapor deu vida nova e inesperada a inúmeros motores; a eletricidade nos permite auscultar, num momento e de conjunto, as pulsações da Humanidade inteira.

Certo, a Humanidade jamais conheceu fase como esta; jamais se repletou em seu seio, de tanta vida e tanta força; jamais seu coração enviou, com tamanha pujança, a luz e o calor às mais longínquas artérias. Nem nunca o seu olhar se iluminou de um tal clarão. Por mais vastos que se deparem os progressos ainda conquistáveis, nossos descendentes serão sempre forçados a reconhecer que a Ciência deve à nossa época o estribo do seu Pégaso e que, embora engrandecendo-se e vendo o Sol ascender ao zênite, brilhante não lhes fora o dia se o não precedera a nossa aurora.

Mas, o que à Ciência outorga força e poder, convém sabê-lo, é ter por base de estudo elementos determinados, que não abstrações e fantasmas. Assim é que, na Química, ela investe com o volume e peso dos corpos, examina-lhes as combinações, determina-lhes as relações; na Física, investiga-lhes as propriedades, observa-lhes as relações e as leis que as regem; na Botânica, aborda o estudo das primeiras condições da vida; na Zoologia, acompanha as formas existenciais e regista as funções orgânicas peculiares, os princípios da circulação da matéria nos seres vivos, sua manutenção e metamorfoses; na Antropologia, constata as leis fisiológicas em atividade no organismo humano e determina o papel dos diversos aparelhos que o compõem; na Astronomia, inscreve o movimento dos corpos celestes e dai deduz a noção de leis directivas universais; e na Matemática, finalmente, formula essas leis e reconduz à unidade as relações numéricas das coisas.

Essa exata determinação de objetivo dos seus estudos é que dá valor e autoridade à Ciência. Aí temos como e porque a Ciência se engrandece. Mas, esses títulos também lhe acarretam um imperioso dever. Se, deslembrada dessa condição de poderio ela se desvia desses objetivos fundamentais para divagar no vácuo imaginário, perde simultaneamente o seu caráter e a sua razão de ser. E, desde então, os argumentos que pretende impor, nesses domínios exorbitantes do seu alcance e finalidades, deixam de ter valor científico, e mais ainda do que isso, porque ela se desqualifica e já não pode reivindicar o nome de ciência. Torna-se, por assim dizer, em soberana que acaba de abdicar e não é mais a ela que se ouve, mas aos sábios que peroram, o que nem sempre é a mesma coisa. E estes sábios, seja qual for o seu valor, já não serão mais intérpretes da Ciência, uma vez operando fora da sua esfera.

Ora, esta é, precisamente, a situação dos defensores do Materialismo contemporâneo, aplicando a Astronomia, a Química, a Física, a Fisiologia, a problemas que elas não podem resolver. E note-se que tais sábios não só constrangem essas ciências a responderem a problemas que lhes escapam à alçada, como ainda as torturam, quais pobres servas, para que confessem a seu mau grado, e falsamente, proposições de que jamais cogitaram. São, assim, inquisidores do fato, e não da palavra. Mas, dessarte, não é a Ciência, é um simulacro de ciência que manejam.

Nas seguintes controvérsias, demonstraremos que esses cientistas se encontram absolutamente fora da Ciência, que se enganam e nos enganam, que os seus raciocínios, deduções e consequências são ilegítimos, e que no seu louco amor por essa virginal ciência eles a comprometem simplesmente e chegariam a lhe alienar de todo a estima pública, se não houvesse o cuidado de mostrar que, ao invés da realidade, eles não possuem dela mais que uma ilusória sombra.

A circunstância mais penosa e a razão predominante que nos impelem a protestar contra as explorações de um falso rótulo, radicam-se ao fato de estarmos vivendo um tempo em que se sente, ou pelo menos se pressente, universalmente, o papel e a finalidade da Ciência. Compreende-se que, fora dela, é que não há salvação, e que a Humanidade tanto tempo balouçada no oceano do ignorantismo, só tem um porto a proejar — o da terra firme do saber. Também por isso, o espírito público se volta, convicto e esperançoso, para a Ciência.

Tantas provas de seu poder e riqueza tem ele recebido, de um século a esta parte, que se predispôs a acatar-lhe, com simpatia e reconhecimento, todos os ensinos e teorias. Mas, nisso está, precisamente, uma armadilha para o Espiritualismo. E' que um certo número de cultores da Ciência, que a representam ou que se fazem dela intérpretes, ensinam falsas e funestas doutrinas. Os espíritos sôfregos e despercebidos, que procuram em seus livros os conhecimentos de que necessitam, absorvem neles um tóxico pernicioso e suscetível de lhes destruir no âmago uma parte dos benefícios do saber. Eis porque se impõe sobrestar um tão deplorável arrastamento, aliás, tendente a universalizar-se.

Eis porque se torna absolutamente indispensável discutir essas doutrinas e demonstrar que longe estão elas de entrosar na Ciência, com tanto rigor e facilidade, quanto pregoam, mas, ao invés, que são o produto grosseiro de pensamentos sistemáticos, que, perpetuamente voltados sobre si mesmos, têm a ilusão de se crerem fecundados pela Ciência, embora do radioso sol que ela simboliza não hajam recebido mais que um ténue raio desviado de sua direção natural. Há umas tantas questões profundas que, no curso da vida humana, nas horas de silêncio e solitude, se nos apresentam como outros tantos pontos de interrogação, inquietantes e misteriosos. Tais os problemas da existência da alma, do seu futuro destino, da existência de Deus e das suas relações com a Criação.

Vastos e imponentes problemas, estes nos envolvem e dominam em sua imensidade, pois sentimos que nos aguardam e, na ignorância deles, não poderemos razoavelmente alienar um tal ou qual temor do desconhecido. Assim é que, já o dizia Pascal, um desses problemas — o da mortalidade da alma — é tão importante, que é preciso haver perdido toda a consciência para ficar indiferente ao conhecimento de si mesmo. O mesmo se poderá dizer quanto à existência de Deus. Quando meditamos essas verdades, ou apenas na possibilidade da sua existência, elas nos aparecem sob aspecto tão grandioso que a nós mesmos interrogamos como podem criaturas inteligentes, seres racionais, pensantes, entregar-se uma vida inteira a interesses transitórios, sem se abstraírem uma que outra vez da sua apatia para atender a essas interrogativas preciosas.

Se é verdade, qual o temos observado, que há neste mundo homens absolutamente indiferentes, que jamais sentiram a magnitude desses problemas, menos não é que eles nos inspiram verdadeira piedade. Aqueles que, no entanto, mais agravam a bruteza da indiferença e, de caso pensado, desdenham alçar-se ao nível destes assuntos importantes, preferindo-lhes os doces gozos da vida material, esses, — declaramo-lo alto e bom som — nós os deixamos sem pesar, entregues à sua inércia, para considerá-los fora da esfera intelectual.

O problema da existência de Deus é primacial a todos. Nem por outro motivo é que, contra ele, se assestam as principais, as mais possantes baterias do Materialismo que nos propomos combater. Pretende-se provar, com a ciência positiva, a inexistência de Deus e que uma tal hipótese não passa de aberração da inteligência humana. Um grande número de homens sérios, convencidos do valor desses pretensos raciocínios científicos, enfileiraram-se ao redor desses inovadores recidivos, engrossando desmesuradamente as hostes materialistas, primeiro na Alemanha e depois na França, na Inglaterra, na Suíça e na própria Itália.

Ora, nós não tememos dizer que, mestres ou discípulos, quantos se apoiam em testemunhos da ciência experimental para concluir que Deus não existe, cometem a mais grave inconsequência. Acusando-os dessa erronia, haveremos de justificar-nos, ainda que os incriminados possam, sob outro prisma, ser considerados homens eminentes e respeitáveis. De resto, é mesmo em nome da ciência experimental que vimos combatê-los.

Deixamos de lado toda a ciência especulativa e colocamo-nos, exclusivamente, no mesmo terreno dos adversários. Não pensamos com Demócrito que, vazar os olhos, para evitar as seduções do mundo exterior, seja o melhor meio de cultivar frutuosamente a Filosofia, e, muito pelo contrário, permanecemos firme na esfera da observação e da experiência. Nessa posição, declaramos que por um lado não se prende imediatamente à existência de Deus, mas, por outro lado, desde que venhamos aplicar ao problema os atuais conhecimentos científicos, longe de conduzirem à negativa, afirmam eles a inteligência e sabedoria das leis da Natureza.

A elevação para Deus, mediante o estudo científico da Natureza, nos mantém em situação equidistante dos dois extremos, isto é: — dos que negam e dos que se permitem definir, simplòriamente, a causa suprema como se houveram sido admitidos ao seu conselho. Assim, com as mesmas armas, combatemos duas potências opostas: — o materialismo e a ilusão religiosa. Pensamos que é igualmente falso e perigoso crer num Deus infantil, quanto negar uma causa primária. Em vão se nos objetará não podermos afirmar a existência de uma entidade que não conhecemos. (...)

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13. SISTEMAS E SOIS
No imenso viveiro de forças em tensão, que é o espaço sideral, onde os sóis viajam à velocidade média de cem quilômetros por segundo, os Cristos de Deus, parteiros de mundos e pastores de humanidades, não só vigiam e governam as Vias-Lácteas, como organizam e protegem os ovos cósmicos de que nascem as galáxias.

Microscópicos sóis de sistemas atômicos, que são estruturalmente similares aos sistemas solares e aos sistemas anímicos, os complexos núcleos dos átomos primordiais cercam-se de elétrons, cuja poderosa ação, chamada eletricidade, desencadeada pela extrema velocidade de seus movimentos orbitais, gera o que se denomina magnetismo.

Nessas equações de força e luz, eletricidade e magnetismo, o traço de união e de equilíbrio é sempre o Amor Divino, fonte suprema de que toda vida nasce e se alimenta. O Universo é o Império Divino dos Raios e das Forças, onde tudo e todos se intercomunicam e se sustentam. As árvores, os animais, a terra, as águas e o ar, tudo, enfim, que circunda o ser humano, o atinge com as suas irradiações e é igualmente atingido pelas irradiações dele.

Se das profundezas da terra partem raios gama, de um décimo bilionésimo de milímetro, na direção do Sol, o coração que singulta no peito de um homem é um gerador de raios que opera na frequência de uma oscilação por segundo. Estrelas gloriosas, semeadas por todos os quadrantes do Espaço, expedem, sem cessar, em todas as direções, uma aluvião de raios cósmicos, da fantástica pequenez de um trilionésimo de milímetro, tão penetrantes e poderosos que nenhuma barreira material pode detê-los.

Não fossem as radiações solares de luz alaranjada, de 0,0066mm de comprimento, as células vegetais não conseguiriam realizar a síntese de substâncias orgânicas, mediante a fixação do gás carbônico do ar; e sem esse trabalho fundamental, nenhum homem ou animal terrestre viveria, pois todos dependem, para sobreviver, dos alimentos primários que somente os vegetais são capazes de elaborar.

Trono do Cristo, o Sol controla e alimenta o nosso pequeno planeta, a 150 milhões de quilômetros de distância, que a sua luz percorre em cerca de oito minutos e meio. Para manter sua família planetária, ele gera aproximadamente 83.000 cavalos-vapor, i.e., mais de 61.000.000W de energia, em cada metro quadrado de sua superfície, que envia ao espaço ao seu redor, ao mesmo tempo que converte por volta de 616 milhões de toneladas de hidrogênio em hélio, por segundo.

É das 3.600.000 por metro quadrado, que o Sol fornece, que são absorvidas, pelas águas de nossos oceanos, rios e lagos, as calorias que se transformam nas nuvens que precipitam as chuvas. Tudo isso é, porém, palidíssima imagem do grande sistema anímico de que os nossos Espíritos fazem parte, o grande sistema cujo Sol é Cristo-Jesus, de cujo amor e de cuja força vivemos, no Infinito Império Universal, cuja alma é Deus, o Pai Eterno.

Consolemo-nos de não ser, nesse sistema, os menos evolvidos, pois mesmo em termos estritamente físicos, a relação é a mesma entre um átomo e um corpo humano e entre este último e o Sol, já que, segundo cálculos razoáveis, o corpo humano é constituído por cerca de dez nonilhões de átomos, o mesmo número de homens que se imagina seriam precisos para povoar, se isso fosse possível, o espaço interno do Sol. Foi por essa razão que disse, certa vez, ilustre cientista, que, nos domínios do Universo, está o homem "entre o átomo e as estrelas".

LEMBRETE:

1° - FORÇA: (...) é apenas o agente, o modo de ação de uma vontade superior. É o pensamento de Deus que imprime o movimento e a vida ao Universo. Léon Denis

2° - Força é o ato, que significa compromisso no bem ou no mal. Francisco C. Xavier

3° - Força é determinação que ampara ou menospreza. Francisco C. Xavier

4° - A força é palavra que edifica ou destrói. Francisco C. Xavier

5° - Força Divina: Força universal que liga os mundos e abraça todas as outras forças. Gabriel Delanne

6° - Força Ectênica: (...) força nervosa especial, análoga ao éter dos sábios, que transmite a luz (...).Paul Gibier

7° - Força Nervosa "- "A força nervosa do médium é matéria plástica e profundamente sensível às nossas criações mentais." Martins P.

8° - Força Nêurica: (...) a força nêurica [é] uma força essencialmente física análoga às que são conhecidas: som, calor, luz e eletricidade. Albert de Rochas

9° - Força Ódica: O barão von Reichenbach designa sob o nome de força ódica (Od-Kraft) o fluido imponderável e penetrante de todos os corpos, por meio do qual ele explica diferentes fenômenos misteriosos. Alexandre Aksakof

10° - Força Psíquica: Segundo ela [a teoria da força psíquica], supõe-se que o médium ou o círculo das pessoas reunidas para formar um todo, possui uma força, um poder, uma influência, uma virtude ou um dom, por meio dos quais seres inteligentes podem produzir os fenômenos Observados. (...) William Crookes

11° - Força Psíquica: (...) certos indivíduos possuem em alto grau uma faculdade especial que se acha mais ou menos desenvolvida em cada um de nós, e que, por meio desta faculdade por uns denominada "força psíquica" (Cox, W. Crookes, etc.) e por outros ectênica ou ódica, é possível obter certos fenômenos inexplicáveis no estado atual da ciência. (...) Paul Gibier

12° - Força Vital: (...) existe no ser organizado algo inexistente nos corpos inorgânicos, algo operante por métodos particulares, sui generis, e que não só fabrica, como repara os órgãos. A esse algo chamamos força vital. Gabriel Delanne

13° - (...) a força vital é simultaneamente um princípio e um efeito: princípio, por tornar-se preciso um ser já vivente para comunicara vida; e efeito porque, uma vez completada a fecundação de um gérmen, as leis físico-químicas servem ao entretenimento da vida. Gabriel Delanne

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