FORMAS PENSAMENTOS
BIBLIOGRAFIA
01- A crise da morte - pág. 66, 75, 78 02 - Cristo espera por ti - pág. 18
03 - Da alma humana - pág. 210, 226 04 - Ernesto Bozzano - pág. 92
05 - Fonte viva - pág. 179 06 - Mãos de luz - pág. 79, 146
07 - Mecanismos da mediunidade - pág. 47 08 - Memórias de um suicida - pág. 164, 165
09 - O que há além da morte - pág. 183 10 - Pensamento e vontade - 19ª Ref. esp.
11 - Tambores de Angola - pág. 33, 99 12 - Técnica da mediunidade - pág. 195
13 - Universo e vida - pág. 68, 80

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FORMAS PENSAMENTOS – COMPILAÇÃO

05 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 179

76. FERMENTO ESPIRITUAL

"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? - Paulo. ( I Coríntios, 5:6)

O fermento é uma substância que excita outras substâncias, e nossa vida é sempre um fermento espiritual com que influenciamos as existências alheias. Ninguém vive só. Temos conosco milhares de expressões do pensamento dos outros milhares de outras pessoas nos guardam a atuação mental, inevitavelmente.

Os raios de nossa influência entrosam-se com as emissões de quantos nos conhecem direta ou indiretamente, e pesam na balança do mundo para o bem ou para o mal. Nossas palavras determinam palavras em quem nos ouve, e, toda vez que não formos sinceros, é provável que o interlocutor seja igualmente desleal.

Nossos modos e costumes geram modos e costumes da mesma natureza, em torno de nossos passos, mormente naqueles que se situam em posição inferior à nossa, nos círculos da experiência e do conhecimento. Nossas atitudes e atos criam atitudes e atos do mesmo teor, em quantos nos rodeiam, porquanto aquilo que fazemos atinge o domínio da observação alheia, interferindo no centro de elaboração das forças mentais de nossos semelhantes.

O único processo, portanto, de reformar edificando é aceitar as sugestões do bem e praticá-las intensivamente, por intermédio de nossas ações. Nas origens de nossas determinações, porém, reside a idéia. A mente, em razão disso, é a sede de nossa situação pessoal, onde estivermos.

Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar estabelece atitudes, em segundo gera hábitos e, depois, governa expressões e palavras, através das quais a individualidade influencia na vida e no mundo. Regenerado, pois, o pensamento de um homem, o caminho que o conduz ao Senhor se lhe revela reto e limpo.

13 - Universo e vida - Hernani T. San'Anna - Espírito Áureo - pág. 68, 80

ENERGIA E EVOLUÇÃO
Façamos agora ligeira interrupção no curso normal de nosso estudo, para algumas considerações oportunas, relativas à energia, no campo da evolução.
1. ENERGIA MENTAL
A desagregação atômica por meio de explosão nuclear é apenas uma das formas de conversão da matéria em energia. A Natureza utiliza permanentemente muitos outros processos para essa transformação, sendo a radiação um dos mais estudados pelo homem terreno. A ciência oficial de nossos dias já conhece algo sobre as propriedades da matéria e da energia, quando elas são conversíveis entre si, o que importa dizer: da mesma natureza essencial. Existem, porém, aspectos elementares da estrutura da energia que permanecem desconhecidos da ciência terrestre. Esta lhe identifica variadas formas de manifestação, mas ainda ignora por completo suas formas não conversíveis em matéria, embora já comece a desvendar os segredos da antimatéria.

Inclui-se dentre os mais comuns e constantes tipos de energia não adensável-a energia mental propriamente dita, da qual o pensamento é a mais elevada expressão. No entanto, ela é capaz de agir sobre as diversas formas de energia reconversível, de impressioná-las e transformá-las, através de radiações de potência ainda não humanamente detectável, mas de alto e efetivo poder, traduzível em fenômenos eletromagnéticos inapreciáveis. Essa é basicamente a energia que organiza o tecido perispiritual e, de resto, todos os campos vibratórios que envolvem o espírito humano e nos quais este se movimenta nas dimensões extrafísicas.

É também ela o fulcro de que se origina a energização das idéias, corporificando-as em formas-pensamentos, suscetíveis, como já sabem os pesquisadores do psiquismo, de serem temporárias, mas poderosamente vivificadas, dirigidas e até mesmo materializadas, através de processos de densificação bem mais comumente utilizados do que vulgarmente se presume. É, contudo, bem mais importante assinalarmos o fato de que essa energia mental retrata sempre, como imagens vivas, as emoções e os sentimentos do Espírito humano, encarnado ou desencarnado, condensando e expressando automaticamente, e com rigorosa exatidão, toda e qualquer emoção ou sentimento de qualquer ente espiritual, sob as mais nítidas e diferenciadas características de forma, cor, som, densidade, peso específico, velocidade, frequência vibratória e capacidade de permanência.

Isso significa que as emoções e os sentimentos humanos impregnam e magnetizam o campo energético das vibrações do pensamento, por via de um processo de superenergização, no qual uma espécie de energia mais quintessenciada e poderosa ativa, colora e qualifica outra espécie de energia, sem com ela fundir-se ou confundir-se, e sem que haja entre elas a possibilidade de mútua conversão. Jean-Jacques Rousseau percebeu isso intuitivamente, embora de modo evidentemente imperfeito, quando afirmou a precedência do sentimento sobre a razão. Foi, entretanto, o Divino Mestre quem revelou tal verdade de forma inconfundível, ao alicerçar todo o seu ensino e exemplificação no sentimento do Amor — resumo, como explicou, de "toda a Lei e de todos os Profetas".

Os estudos de Darwin sobre a evolução das espécies abriram caminho a grandes avanços do conhecimento humano no campo da hierarquia das complexidades, que acompanham os processos de aprimoramento dos organismos. Sabe-se hoje que essa crescente complexidade é consequência de funções novas, nascidas de novas necessidades e geradoras de novos poderes. É também assim na ordem da evolução anímica, onde o Espírito, ao desenvolver a sua própria mente, amplia e diversifica sua estrutura, seu espaço e seu tempo individuais, crescendo para Deus, no seio do Universo Infinito. Quanto mais o ser espiritual se sublima, mais recursos desenvolve, em formas cada vez mais altas e nobres de energia sutil, tanto mais poderosas e excelsas, quanto menos densas e mais diferenciadas das formas materializáveis de energia.

Eis por que o Espiritismo Evangélico sobrepõe o esforço de santificação, isto é, de sublimação moral dos sentimentos humanos, a todo e qualquer processo de evolução meramente intelectiva. É que o aprimoramento da inteligência, sob todas as formas, sendo embora imperativo inderrogável da Eterna Lei, é mais fácil de ser realizado, e de modo menos suscetível a erros e quedas, quando produzido sob o ascendente do sentimento enobrecido, que é a força diretriz de todas as energias e potencialidades do Espírito.

2. RADIAÇÕES LUMINOSAS

Mesmo que potentes radiações luminosas, que são ondas eletro-magnéticas, incidam sobre um corpo, delas este somente reterá a quantidade que lhe permitir o seu próprio poder de absorção, embora também seja verdade que parte do poder absorvente de qualquer material depende igualmente do comprimento de onda da radiação incidente. No campo psicoperispirítico, prevalece realidade similar, pois o poder de atuação energética de um espírito sobre outro subordina-se a dupla condição, isto é, ao comprimento de onda da radiação luminosa do atuante e à capacidade de absorção do atuado, sendo fundamental não perdermos de vista que em todos os fenômenos desse tipo o regime inelutável é o das trocas, cujo escopo natural é sempre o do equilíbrio.

Explicaremos noutro capítulo por que razão nos referimos à atuação energética de natureza luminosa, de um espírito sobre outro, mas adiantamos que a luz é a mais nobre das formas de energia. Precisaremos, porém, considerar mais detidamente esse assunto, pois também a luz apresenta variações importantes de tipo e natureza, na hierarquia dos valores do Universo. Retomando, porém, o que dissemos no parágrafo anterior, assinalamos que é aquele o princípio que preside à capacidade de ajudar ou de ferir, e a de ser alguém ajudado ou ferido. Na Natureza, a justiça se realiza de forma automática e perfeita, nos exatos termos do nível evolutivo de cada ser e dos seres que com ele se relacionam.

O poder de Deus é onímodo, onipresente e eternamente atuante no Universo, porque está nele imanente, não podendo ser traído ou alterado por nenhuma força e por nenhum ser da Criação. Define-se tambéirí, em face dessa realidade, o princípio do mérito, porquanto o poder de dar e receber, de agir e de sofrer ação, de auxiliar e de ser auxiliado é sempre rigorosa, natural e automaticamente limitado pela real condição evolutiva de cada ser. Vale considerar, neste capítulo, que as radiações eletromagnéticas chamadas de energia radiante não compreendem tão-só a energia da luz visível, senão também as radiações gama, ultravioleta e infravermelha, as ondas de rádio, os raios X e a energia calorífica irradiada.

Assim não fosse, qualquer pessoa poderia ver, a olho nu, no mundo dos encarnados, o próprio halo, ou campo eletromagnético, e o das demais pessoas, identificando de pronto a condição espiritual de cada um, pela simples coloração de sua luz, embora a atmosfera vital de cada ser esteja também impregnada de outras importantes qualidades dinâmicas. Cumpre, aliás, ter-se em conta que o mundo particular de cada indivíduo é, de certo modo, o que a Física atual denomina, a nosso ver impropriamente, de sistema isolado, que é, por definição, aquele que não troca energia com outro sistema. Ressalvando que somente noutro capítulo examinaremos esse tema, de magna importância, por estar ligado intimamente ao princípio da conservação da energia, deixamos claro que a idéia do sistema isolado não tem, nesta nossa comparação, nenhum sentido de isolamento real ou de refrangibilidade.

Visa apenas a dar idéia dum pequeno universo individuado, pois cada ser é realmente como um pequeno mundo a mover-se no grande sistema de seres a que pertence. Dissemos que o mundo particular de cada indivíduo é, de certo modo, um sistema isolado, porque, em se tratando do espírito encarnado e do desencornado ainda presos às faixas da evolução terrestre, a lei da equivalência de matéria e energia, expressa na fórmula einsteiniana E = me2, onde E é a quantidade de energia equivalente à massa m, sendo c a velocidade da luz, se aplica plenamente.

Como temos, aqui, de ser concisos, deixaremos para mais tarde outras considerações. No entanto, como falamos, linhas acima, em energia calorífica irradiada, ou seja, calor transmitido por meio de irradiação, lembramos que a propagação do calor de um corpo para outro pode processar-se sem que haja necessidade de meio material, bastando se observe, nesse particular, que o calor do Sol, emitido a milhões de quilômetros de distância, chega à Terra depois de atravessar vastas regiões não ocupadas por matéria. Com maior razão, a luz espiritual, a manifestar-se na irradiação das mentes angélicas, prescinde de qualquer veículo material para espraiar-se e atuar em todas as dimensões do Universo.

3. TRANSFORMADORES DE ENERGIA

Exposto às radiações luminosas do Sol, o silício puro absorve fótons que removem os seus elétrons atômicos, os quais, liberados, produzem uma corrente elétrica. Esse processo de funcionamento das baterias solares faz lembrar, de algum modo, aspectos infinitamente superiores, mas até certo ponto tecnicamente assemelhados, da evolução. Submetidos aos raios da experiência, os espíritos compostos, isto é, não puros, que se movem nas faixas da evolução terrestre, absorvem progressivamente quanta de luz, que vão removendo elementos da carga psíquica do ser, os quais, liberados, geram, através das correntes elétricas que produzem, campos magnéticos específicos.

Estruturando desse modo a própria aura, os espíritos criam a atmosfera psíquica que os envolve e penetra; atmosfera carregada de eletricidade e magnetismo, de raios, ondas e vibrações. Trata-se de efetivo e poderoso campo de forças, gerado por circuitos eletro-magnéticos fechados, nos quais se fazem sentir os parâmetros de resistência, indutância e capacitância, asseguradores de compensação, equilíbrio e acúmulo de energias de sustentação. É assim que o campo de forças da própria aura delimita o mundo individual de cada espírito; mas não somente o delimita, como também o caracteriza, porque possui peso específico determinado, densidade própria e condições peculiares de coloração, sonoridade, velocidade eletrônica e ritmo vibratório.

A mente espiritual é o seu fulcro, sua geratriz e seu núcleo de comando, através de todas as transformações que experimenta, inclusive as que decorrem das reciclagens biológicas provocadas pelos fenômenos da morte física, da reencarnação, da ovoidização, da regressão temporal e outros. É, ainda, através de sua aura que o espírito assimila, armazena e exterioriza os princípios cósmicos de que fundamentalmente se alimenta, funcionando nisso como transformador por excelência de energia, para si e para os seus semelhantes, pois cada espírito respira e vive em faixas vibratórias comuns a todas as mentes a que se liga, no plano evolutivo que lhe é próprio.

Em verdade, cada espírito é qual complexa usina integrante de vasta rede de outras inúmeras usinas, cujo conjunto se auto-sustenta, como um sistema autônomo, a equilibrar-se no infinito mar da evolução. Via das trocas incessantes que dinamicamente se processam nesses circuitos de energia viva, manifestam-se os fenômenos da afinidade e os da mediunidade espontânea, a produzirem estímulos de influenciação, fecundação ideológica e atração psíquica, responsáveis pela sequência evolucionária dos sistemas anímicos, no seio da vida universal.

Ninguém, portanto, se prejudica a si mesmo sem lesar a todos quantos se lhe associam na grande economia da vida; e, do mesmo modo, todo aquele que se melhora, enriquece e ascende, beneficia direta e eficazmente a todos os seus companheiros de jornada espiritual. O fenômeno do eco não se restringe à reflexão de um som; é também, na esfera dos pensamentos e dos sentimentos, repercussão de idéias e emoções, na geração infinita de recursos novos e de forças vivas, de efeitos certos, seja nas semeaduras de dor, seja nas plantações sublimes de alegria.

4. TEMPO E VELOCIDADE


Só as poderosíssimas energias de natureza divina que estruturam a mente espiritual são capazes de renovar-se sem desagregar-se,
assegurando vida eterna individuada ao espírito e garantindo-lhe permanência e evolução infinitas. Tudo mais, no universo das formas e das substâncias, se transforma contínua e estruturalmente, sob a tensão das forças pulsantes que impõem inestancável renovação, através de processos dinâmicos de desagregação e de sempre novas agregações elementais que respondem pela conservação, em regime de equilíbrio de trocas, de todos os tipos e estados da energia. Entendido isso, pode-se compreender que, se a morte não existe no Universo, em termos de niilismo, existe nos de transmutação incessante, significando sempre o fim de cada processo temporal, fim que é também, em si mesmo, novo começo, na química das transformações.

Havendo, pois, para tudo quanto é temporal, começo e fim, há, igualmente, para tudo quanto é temporal, nascimento e morte. Daí podermos dizer que o tempo é, por definição, a trajetória de uma onda eletromagnética, do seu nascimento até a sua morte. Por isso ele é uma das dimensões fixas do nosso Universo, porque estável é, em nosso plano, a velocidade das ondas eletromagnéticas. O tempo, porém, somente pode existir em sistemas isolados, ou fechados, e tem a natureza de cada sistema. Como tudo, no macro e no microcosmo, e em todos os Universos, são sistemas, somente em termos de Divindade podemos imaginar a intemporalidade absoluta, que é o conceito extremado e perfeito de eternidade.

Fora disso, no mundo das mensurações, qualquer que seja o nível, o tempo existirá, com suas cargas eletromagnéticas identificáveis, dimensionáveis, limitadas e, portanto, sujeitas a sofrer a ação das ondas mentais superiores. A rigor, cada mente, à medida que se expande ou se contrai, em sua marcha evolutiva, estrutura e dimensiona o seu espaço e o seu tempo, na exata correspondência dos ritmos vitais que lhe são próprios.

É claro que, assim como só pouco a pouco o espírito vai-se libertando dos automatismos, à medida que desenvolve valores conscienciais e capacidade de autogoverno, também se acomodará inconscientemente ou semi-inconscientemente as suas faixas de tempo e espaço, até atingir estágios superiores de conhecimento e poder. Cada ser vive e atua em faixas próprias de frequência vibratória, na comunhão com os seus afins, forjando a própria economia energética na incessante permuta de forças alimentares, transformadoras e conservadoras, dos mais diferentes tipos e condições. (..)


6. IDÉIAS E EMOÇÕES
O homem terrestre um dia aprenderá que uma onda eletro-magnética não se constitui apenas de eletricidade e magnetismo, mas igualmente de forças que, à falta de melhor terminologia, chamaremos de transcendentais. São essas forças que lhe qualificam a natureza e, independentemente da frequência vibratória, definem-Ihe o teor. Aprenderá, ainda mais, que as ondas eletromagnéticas são, na verdade, veículos dessas forças transcendentais; e, mais ainda, que não existem ondas eletromagnéticas que não estejam carregadas dessas forças.

Para efeito didático, podemos considerar essas forças transcendentais como sendo de duas ordens distintas: as ideais, ou neutras, e as emocionais, que podem ser, tanto umas como outras, positivas ou negativas, isto é, integradoras ou desintegradoras. As ideais estão sempre presentes em qualquer onda eletromagnética, qualquer que seja a sua natureza. Naturalmente não mencionamos as forças divinas, ou plasma divino, que é a própria fonte da vida e o fluido sustentador dos Universos, porque nossos humílimos conhecimentos nada podem conceber, por enquanto, sobre o que alguns imaginam ser o pensamento de Deus.

Quanto às forças ideais, expressam-se no pensamento, que é onda eletromagnética emitida pela mente, de modo direto nos seres incorpóreos; ou através do cérebro, quando se trata de seres humanos, encarnados ou desencarnados. Cremos desnecessário esclarecer que as forças ideais, quando carregadas de emoção, tornam-se ideo-emotivas, traduzindo cargas de emoção dotadas de ativo poder.

Quando, por conseguinte, se fala da força do amor, ou da força do ódio, não se está falando de ficções, e sim de ativíssimas realidades. Sentimento é força que se irradia; força viva, cujo poder, maior ou menor, depende do comprimento da onda mental que a conduz. Enganam-se, portanto, os que supõem que o poder da ação se reduz aos atos físicos visíveis. Pensar é agir, falar é movimentar forças vivas, de consequências por vezes inimagináveis. Compor um artigo, uma carta, um poema ou uma música, produzir um som ou simplesmente divagar idéias, tudo isso é atuar, agir, fazer, emitir e captar forças, agregar e desagregar formas mentais, participar da economia da vida, seja para o bem ou seja para o mal.

Nem tudo o que fazemos num plano repercute visivelmente, de imediato, noutro plano, mas ninguém se engane quanto à natureza das forças vivas que alguém move quando anseia, deseja ou quer seja o que for, porque a vida, através dos mecanismos automáticos de sua justiça, jamais deixará de entregar-nos o resultado de nossas ações, ainda que sejam ações apenas mentais, pois a mente é que comanda a vida. Cumpre, além disso, nos lembremos de que a responsabilidade é sempre rigorosamente proporcional à capacidade de cada um.

A mente frágil que pensa o mal produz estragos de pequenas proporções, porque seu poder de ação é reduzido; a mente evolvida e poderosa que pensa o mal produz uma soma muito maior de destruição. Pessoas existem cujos pensamentos repercutem, de imediato ou a longo prazo, sobre um número imenso de outras mentes, numa semeadura de sugestões de imprevisíveis resultados, no tempo e no espaço. Ninguém há, no entanto, que se possa considerar fora do grande comércio das trocas vitais, porque ninguém pensa, fala, escreve ou age em vão. Pensamento é sempre luz. Uma mente poderosamente intelectualizada, que pensa em ondas de alta frequência vibratória, produz radiações que podem, por exemplo, ser verdes ou azuis; mas o verde pode ser encantador ou tétrico, e o azul pode ser tenebroso ou sublime.

Quando os Gênios da Espiritualidade Superior insistem em que a maior necessidade humana, a mais urgente e a mais decisiva, é a da aquisição de amor e das virtudes morais, não o fazem por pieguismo desarrazoado e inconsequente. Desenvolvimento mental sem correspondência equilibradora na bondade é quase sempre caminho aberto a terríveis precipícios, onde infelizmente não poucos se projetam, por tempo indeterminado, impelidos pelas forças monstruosas do orgulho cego e da impiedade arrasadora, no remoinho de alucinantes paixões.

Por isso, o Mestre Inesquecível nos deixou a poderosa advertência daquelas palavras graves: "Se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas!" E também por isso Ele nos disse, no seu emulador e sublimal carinho: "Brilhe a vossa luz!"

7. INFECÇÃO E PURGAÇÃO
Acionados os mecanismos do gravador comum, a fita magnética vai sendo sensibilizada pelas vibrações sonoras que nela se registram. Quando termina a gravação, se se quer ouvir o que foi gravado, deve-se reenrolar a fita em sentido contrário. Mutatis mutandis, ocorre também assim com os registros da memória. Nela se vão gravando automaticamente todos os acontecimentos da vida, até que o choque biológico da desencarnação desata os mecanismos de revisão e arquivamento de todas as experiências gravadas ao longo da etapa existencial encerrada.

Acontece que nem sempre todas as experiências então revistas podem ser simplesmente arquivadas na memória profunda da mente, por não haverem sido por esta absorvidas. São os casos pendentes, ainda não encerrados, que traduzem, na maioria das vezes, realidades que a consciência não consegue aceitar. Essa rejeição consciencial gera conflito mental interno, ou indigestão psíquica, provocando no espírito o reconhecimento do erro e o consequente remorso, ou, o que é pior, a orgulhosa ou cega ratificação do erro, causadora de revolta e empedernimento.

De qualquer modo, a rejeição consciencial tem como inelutável consequência a não assimilação das concentrações energéticas correspondentes às formas-pensamentos que duplicam os fatos, mantendo-os "vivos" e atuantes na aura do espírito, à maneira de tumores autônomos, simples ou em rede, a afetarem o corpo espiritual e o lesarem. No caso do remorso, o tumor se transforma em abscesso energético, a exigir imediata drenagem; no caso do empedernimento, o tumor cria carnicão e se estratifica, realimentado pela continuidade dos pensamentos-força da mente, arrastando o espírito a longas incursões nos despenhadeiros da revolta, onde não raro se transforma transitoriamente em demónio, a serviço mais ou menos prolongado das Trevas.

As operações de drenagem psíquica são dolorosas e variam de tempo e intensidade, caso por caso, mas resultam sempre na recuperação relativa do espírito para futuras retificações de conduta, sem prejuízo da continuidade, a breve trecho, de sua marcha evolutiva ascensional. Quando a revolta se cristaliza no monoideísmo, onde as ideias fixas funcionam como escoadouros de energia, em excessivo dispêndio de forgas vitais, pode o espirito chegar facilmente à perda do psicossoma, ovoidizando-se, caso em que se reveste tão-só da túnica energética mental, à maneira de semente em regime de hibernação. Chegue ou não a esse extremo, o espírito responderá, naturalmente, perante si mesmo, pêlos fulcros de lesões mento-psicofísicas que gera, para seu próprio prejuízo, imediato e futuro.

No que tange à drenagem a que nos referimos, importa consideremos que o pus energético a ser expelido decorre das transformações psicofísico-químicas das energias degeneradas que foram segregadas pela mente e incorporadas à economia vital do ser, representando forças ídeo-emotivas de teor e peso específicos. Necessário entendamos que as formas-pensamentos nem sempre são concentrações energéticas facilmente desagregáveis. Conforme a natureza ídeo-emotiva de sua estrutura e a intensidade e constância dos pensamentos de que se nutrem, podem tornar-se verdadeiros carcinomas, monstruosos "seres" automatizados e atuantes, certamente transitórios, mas capazes, em certos casos, de subsistir até por milênios inteiros de tempo terrestre, antes de desfazer-se.

Á expiação, de que fala a Doutrina Espírita, não é senão a purgação purificadora do mal que infeccionou o espírito. Este, através dela, restaura a própria saúde e se liberta das impurezas que o afligem e lhe retardam a felicidade. Notemos, porém, que os mecanismos expiatórios não obedecem a uma fórmula única. Se a dor dissolve o mal, o amor consegue transformá-lo. Lembremo-nos de que tudo o que existe é suscetível de servir ao bem, sob o comando soberano da mente espiritual. O mal, seja qual for a sua natureza, é sempre apenas uma degenerescência do bem (*), porque a essência de toda a Criação repousa na Suprema Perfeição do Amoroso Criador dos Universos.

8. MENTE E SEXO

A mente e o sexo são as mais divinas características do ser humano. Fontes por excelência de ação criadora, atuam, basicamente, uma nas portentosas dimensões do espírito, e o outro nos imensuráveis domínios da forma.
A mente elabora o pensamento, norteia a razão, gera a técnica, comanda a vida. O sexo garante e renova a vivência das formas, em que as essências se revelam e se acrisolam, através de longuíssima fieira de planos evolutivos.
A mente evolve para a sabedoria, por meio de incessantes apurações do instinto. O sexo evoluciona para o amor, depurando a libido, no crisol das experiências sublimadoras. (...)

N.B.: (*) Irmão Thiesen, Paz conosco.
Realmente, o bem absoluto Jamais degenera. Entretanto, o bem absoluto é exclusividade divina. A lição de Jesus é clara: "Só Deus é bom." Na relatividade dos valores universais tudo está sempre evoluindo, o que importa dizer: tudo está em permanente transformação, longe daquela definitividade ideal do absoluto. Uma enfermacão, uma degenerescência, um aviltamento do bem, sempre de natureza transitória. Ele surge da livre ação filiada à ignorância ou à viciação, e correspondente a uma amarga experiência no aprendizado ou no aprimoramento do espirito imortal.

Ê necessário termos em conta que Deus só cria o bem. E como é Deus o Pai de toda a Criação, tudo é sempre essencialmente bom. O bem ê a substancia intrínseca de tudo quanto existe. O mal é a sua deformação transitória, que sempre é reparada por quem lhe dá causa, rigorosamente de acordo com a lei de justiça, Imanente na Criação Divina.

Apesar disso, sempre que uma idéia exige mais tempo para ser compreendida ou aceita pelos companheiros de nossa equipe, entendo de meu dever evitar insistir em sua enunciação, para não suscitar dificuldades evitáveis ou constrangimentos sem proveito. Ademais, nenhum de nós é infalível e, no meu caso particular, reconheço-me de muito poucas luzes e sujeito a frequentes enganos. Peço-lhe, desse modo, retirar do texto n°7, da série que assino, as expressões que foram objeto de reparo.
Agradecendo pela cooperação e pela tolerância com que tenho sido honrado, peço ao Senhor Jesus que -nos abençoe, agora e sempre.
ÁUREO