FRATERNIDADE
BIBLIOGRAFIA
01- Agenda cristã - pág. 29 02 - Ave luz - pág. 222
03 - Cartas e crônicas - pág. 17 04 - Catecismo Espírita - pág. 53
05 - Convites da vida - pág. 83 06 - Deus aguarda - pág. 30
07 - Do país da luz - vol; iv, pág. 285 08 - Emmanuel - pág. 113
09 - Escrínio de luz - pág. 131 10 - Espírito e vida - pág. 133
11 - Estude e Viva - pág. 62, 206 12 - Fonte viva - pág. 43, 89
13 - Libertação - pág. 33 14 - Missionários da Luz - pág. 78
15 - No mundo maior - pág. 63, 81, 206

16 - Nosso Lar - pág. 276

17 - O Espírito da Verdade - pág. 38, 227 18 - O Consolador - pág. 94
19 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. xiii, 9 20 - O fim do mundo - pág. 188
21 - Obras Póstumas - pág. 233 22 - Palavras de vida eterna - pág. 59 (23)
23 - Pérolas do além - pág. 104 24 - Saúde e espiritismo - pág. 313
25 - Seareiros de volta - pág. 57 26 - Segue-me - pág. 119, 127

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

FRATERNIDADE – COMPILAÇÃO

03 - Cartas e crônicas - Irmão X - pág. 17

3. A PETIÇÃO DE JESUS

...E Jesus, retido por deveres constrangedores, junto da multidão, em Cafarnaum, falou a Simão, num gesto de bênção: -Vai, Pedro! Peço-te...Vai à casa de Jeremias, o curtidor, para ajudar. Sara, a filha dele, prostrada no leito, tem a cabeça conturbada e o corpo abatido...Vai sem delonga, ora ao lado dela, e o Pai, a quem rogamos apoio, socorrerá a doente por tuas mãos.

Na manhã ensolarada, pôs-se o discípulo em marcha, entusiasmado e sorridente com a perspectiva de servir. À tarde, quando o Sol cedia as últimas posições à sombra noturna, vinha de retorno enunciando inquietação e pesar no rosto áspero. - Ah! Senhor ! - disse ao Mestre que lhe escutava os apontamentos - todo esforço baldado, tudo em vão!...— Como assim? E o apóstolo explicou amargamente, qual se fora um odre de fel a derramar-se:— A casa de Jeremias é um antro de perdição... Antes fosse um pasto selvagem. O abastado curtidor é um homem que ajuntou dinheiro, a fim de corromper-se. De entrada, dei com ele bebericando vinho num paiol, a cuja porta bati, na esperança de obter informações para demandar o recinto doméstico.

Não parecia um patriarca e sim um gozador desavergonhado. Sentava-se na palha de trigo e, de momento a momento, colava os lábios ao gargalo de pesada botelha, desferindo gargalhadas, ao pé de serva bonita e jovem, que se refestelava no chão, positivamente embriagada... Ao receber-me, começou perguntando quantos piolhos trago à cabeça e acabou mandando-me ao primogênito... Saí à procura de Zoar, o filho mais idoso, e achei-o, enfurecido, no jogo de dados em que perdia largas somas para conhecido traficante de Jope. Acolheu-me aos berros, explicando que a sorte da irmã não lhe despertava o menor interesse... Por fim, expulsou-me aos coices, dando a idéia de uma besta-fera solta no campo...

Afastava-me, apressado, quando esbarrei com a dona da casa. Dei-lhe a razão de minha presença; contudo, antes de atender-me, passou a espancar esquelética menina, alegando que a criança lhe havia surrupiado um figo, enquanto a pequena chorosa tentava esclarecer que a fruta havia sido devorada por galos de estimação... Somente após ensanguentar a vítima, resolveu a megera designar o aposento em que poderia avistar-me com a filha enferma...Ante o olhar melancólico do ouvinte, o discípulo prosseguiu:— A dificuldade, porém, não ficou nisso... Visivelmente transtornada por bagatela, a velha sovina errou na indicação, pois entrei numa alcova estreita, onde fui defrontado por Josué, o filho mais moço do curtidor, que mergulhava a mão num cofre de jóias.

Desagradàvelmente surpreendido, fêz-se amarelo de raiva, acreditando decerto que eu não passava de alguém a serviço da família, a fim de espionar-lhe os movimentos. Quando ergueu o braço para esmurrar-me, supliquei-lhe considerasse a minha situação de visitante em missão de paz e socorro fraterno... Embora contrafeito, conduziu--me ao quarto da irmã... Ah! Mestre, que tremenda desilusão !... Não duvido de que se trata de uma doente, mas, logo me viu, a estranha criatura se tornou inconveniente, articulando gestos indecorosos e pronunciando frases indignas... Não aguentei mais... Fugi, horrorizado, e regressei pelo mesmo caminho...

Observando que o Amigo Sublime se resguardava, triste e silencioso, volveu Simão, após comprido intervalo :— Senhor, não fui, acaso, bastante claro? Porventura, não terei procurado cumprir-te honestamente os desejos? Seria justo, Mestre, pronunciar o nome de Deus, ali, entre vícios e deboche, avareza e obscenidade? Jesus, porém, depois de fitar longamente o céu, a inflamar-se de lumes distantes, fixou no companheiro o olhar profundamente lúcido e exclamou com serenidade:— Pedro, conheço Jeremias, a esposa e os filhos, há muito tempo!... Quando te incumbi de ir ao encontro deles, apenas te pedi que auxiliasses!...

08 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 113

NECESSIDADE DA COOPERAÇÃO FRATERNA

Nessas aluviões de protestos, ouvem-se os tinidos das armas, e melhor fora que o homem voltasse as vistas para o campo fraterno, antes da destruição que se fará consumar. Seria melhor estudar-se a questão carinhosamente, analisando-se os códigos das leis migratórias e que as nações não se deixassem dominar pelo prurido de mau nacionalismo, tentando estabelecer um plano de concessões racionais e resolvendo-se a questão da troca de produtos entre os países, solucionando-se o enigma da repartição que a economia política não pôde conseguir até hoje, apesar da sua perfeição técnica, no círculo da direção das possibilidades produtoras.

O que verificamos é que, sem a prática da fraternidade verdadeira, todos esses movimentos pró-paz são encenações à revelia das leis misericordiosas do Alto, e estas, no momento oportuno, saberão opor um dique à chacina e ao arrasamento; confiemos nelas, porque os códigos humanos serão sempre documentos transitórios, como o papel em que são registrados, enquanto naõ se associarem, parágrafo por parágrafo ao Evangelho de Jesus.

11 - Estude e Viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 62, 206

Solidariedade
Não exijas, inconsequentemente, que os outros te dêem isso ou aquilo, como se o amor fosse artigo de obrigação. Muitos falam de justiça social nas organizações terrestres, centralizando interesse e visão exclusivamente em si próprios, qual se os outros não fossem gente viva, com aspirações e lutas, alegrias e dores iguais às nossas.

Como entender aqueles que nos compartilham a estrada, sem largarmos a carapaça das vantagens pessoais, a fim de penetrar-lhes o coração? Efetivamente, não possuímos fortuna capaz de suprimir-lhes todos os problemas de ordem material e nem as leis do Universo conferem a alguém o poder de atravessar por nós o dédalo das provas de que somos carecedores; entretanto, podemos empregar verbo e atitude, olhos e ouvidos, pés e mãos, de maneira constante, na obra do entendimento. Inicia-te no apostolado da confrater nização, meditando nas dificuldades aparentemente insignificantes de cada um, se nutres o desejo de auxiliar.

Não reclames contra o verdureiro, que te não reservou o melhor quinhão, atarantado, qual se encontra, no serviço, desde os primeiros minutos do amanhecer; endereça um pensamento de simpatia para a lavadeira, cujos olhos cansados não te viram a nódoa na roupa; considera o funcionário que te serve, apressado ou inseguro, por alguém de idéia presa a tribulações no recinto doméstico; aceita o amigo que te não pode atender numa solicitação como sendo criatura algemada a compromissos que desconheces; escuta os companheiros de ânimo triste, como quem se sabe também suscetível de adoecer e desanimar-se; interpreta o colega irritado por enfermo a rogar-te os medicamentos da tolerância; cala o apontamento desairoso, em torno daqueles que ainda não se especializaram em conversar com o primor da gramática; não te ofendas com o gesto infeliz do obsidiado, que transita na rua, sob a feição de pessoa equilibrada e sadia...

Todos sonhamos com o império da fraternidade, todos ansiamos por ver funcionando, vitoriosa, a solidariedade entre todos os seres, na exaltação dos mais nobres princípios da Humanidade... Quase todos, porém, aguardamos palácios e milhões, títulos e honrarias, para contribuir, de algum modo, na grande realização, plenamente esquecidos de que um rio se compõe de fontes pequenas e que nenhum de nós, no que se refere a fazer o melhor, em louvor do bem, deve esperar o amanhã para começar.

Até o fim

Já sentiu você o prazer de ajudar alguém, sem interesse secundário, de modo absoluto, do início ao fim da necessidade, presenciando um sucesso ou uma recuperação? Por exemplo, encontrar um enfermo, sem possibilidades de tratamento, endereçado ao fracasso, e providenciar-lhe a melhoria, simplesmente em troca da satisfação de vê-lo restituído às oportunidades da existência ? Ressuma desse fato bem-estar sem paralelo em qualquer outra ação humana, por exprimir-se em regozijo íntimo inviolável.

Você já pensou nos resultados incalculáveis de se proteger uma criança impelida ao abandono, desde as primeiras iniciações da vida até a obtenção de um título profissional que lhe outorgue liberdade e respeito a si mesma, sem intuito de cobrança ? Já refletiu na importância inavaliável de um serviço sacrificial sustentado em benefício de outrem, do princípio ao remate, sem pedir ou esperar a admiração de quem quer que seja? Só aqueles que já passaram por essas realizações conseguem julgar a pureza da euforia e a originalidade da emoção que nos dominam, ao cumprirmos integralmente os deveres assistenciais do começo ao acabamento, sem a mínima ideia de compensação.

Ocasiões não faltam. Ombreamos diariamente com multidões de doentes, desabrigados, famintos, nus, obsessos e desorientados. Você pode até mesmo escolher a empreitada que pretenda chamar a si. Há um encanto particular em sermos protagonistas ou colaboradores efetivos das vitórias do próximo. Em muitas ocasiões, não há melhor estimulante à vida e ao trabalho. Para legiões de criaturas essa obra de benemerência completa e oculta é a fórmula para restaurarem a confiança em Deus, cujas leis de amor funcionam pela marca do anonimato, em bases impessoais.

Nessas empresas do bem por dedicação ao bem, almas inúmeras encontram a cura de males, o esquecimento de sombras, a significação da utilidade pessoal e a equação ideal do contentamento de viver. Quando inconformidade ou monotonia lhe desfigurem a paisagem interior, dinamize o seu poder de auxiliar. Semeie sacrifícios e colha sorrisos. Dê suas posses e receba a alegria que não tem preço. Tome a iniciativa de oferecer a sua hora e outros virão espontaneamente trazer dias e dias de apoio ao trabalho em que você se empenhou. Experimente. Desencadeie a causa do bem e o bem responderá mecanicamente com os seus admiráveis efeitos.

O espírita na equipe
Numerosos companheiros estarão convencidos de que integrar uma equipe de ação espírita se resume em presenciar os atos rotineiros da instituição a que se vinculam e resgatar singelas obrigações de feição econômica. Mas não é assim. O espírita, no conjunto de realizações espíritas, é uma engrenagem inteligente com o dever de funcionar em sintonia com os elevados objetivos da máquina.

Um templo espírita não é simples construção de natureza material. É um ponto do Planeta onde a fé raciocinada estuda as leis universais, mormente no que se reporta à consciência e à justiça, à edificação do destino e à imortalidade do ser. Lar de esclarecimento e consolo, renovação e solidariedade, em cujo equilíbrio cada coração que lhe compõe a estrutura moral se assemelha a peça viva de amor na sustentação da obra em si. Não bastará frequentar-lhe as reuniões.

É preciso auscultar as necessidades dessas mesmas reuniões, oferecendo-lhes solução. Respeitar a orientação da casa, mas também contribuir, de maneira espontânea, com os dirigentes, na extinção de censuras e rixas, perturbações e dificuldades, tanto quanto possível no nascedouro, a fim de que não se convertam em motivos de escândalo. Falar e ouvir construtivamente. Efetuar tarefas consideradas pequeninas, como sejam sossegar uma criança, amparar um doente, remover um perigo ou fornecer uma explicação, sem que, para isso, haja necessidade de pedidos diretos.

Sobretudo, na organização espírita, o espírita é chamado a colaborar na harmonia comum, silenciando melindres e apagando ressentimentos, estimulando o bem e esquecendo omissões no terreno da exigência individual. Todos nós, encarnados e desencarnados, comparecemos no templo espírita no intuito de receber o concurso dos Mensageiros do Senhor; no entanto, os Mensageiros do Senhor esperam igualmente por nosso concurso, no amparo a outros, e a nossa cooperação com eles será sempre, acima de tudo, trabalhar e servir, auxiliar e compreender.

Depois
Depois de ouvir a palestra esclarecedora, cultive-a junto dos companheiros ausentes. Ensinamento ouvido, riqueza de aprendizado.

Depois da notícia edificante, transmita-a sem demora aos irmãos carecentes de estímulo. Ânimo levantado, rendimento em serviço.

Depois de ler a publicação doutrinária, passe-a adiante, clareando outras consciências. Palavra escrita, idéia gravada.

Depois de entender as frases do livro edificante, imprima-as no próprio verbo. Estudo assimilado, conversação enobrecida.

Depois de reconhecer o próprio erro, conserve a experiência, divulgando-a no instante oportuno. Queda de alguém, apelo a muitos.

Depois de observar o acontecimento digno de atenção, saliente o aviso que ficou. Fato proveitoso, lição de vida.

Depois de substituir o objeto usado por outro novo, conduza-o a mãos em maiores necessidades. Traste velho na frente, auxílio na retaguarda.

Depois de um dia, de uma tarefa, de uma crise de uma enfermidade, de uma viagem ou de um encontro, algo se modifica em nosso espírito, para melhor, e devemos ofertar aos outros o melhor ao nosso alcance, sem deixar qualquer auxílio para depois.

12 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 43, 89

15.FRATERNIDADE

"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros". - Jesus (João, 13:35)

Desde a vitória de Constantino, que descerrou ao mundo cristão as portas da hegemonia política, temos ensaiado diversas experiências para demonstrar na Terra a nossa condição de discípulos de Jesus. Organizamos concílios célebres, formulando atrevidas conclusões acerca da natureza de Deus e da alma, do Universo e da Vida.

Incentivamos guerras arrasadoras que implantaram a miséria e o terror naqueles que não podiam crer pelo diapasão da nossa fé. Disputamos o sepulcro do Divino Mestre, brandindo a espada mortífera e ateando o fogo devorador. Criamos comendas e cargos religiosos, distribuindo o veneno e manejando o punhal. Acendemos fogueiras e erigimos cadafalsos, inventamos suplícios e construímos prisões para quantos discordassem dos nossos pontos de vista.

Estimulamos insurreições que operaram o embate de irmãos contra irmãos, em nome do Senhor que testemunhou na cruz o devotamento à Humanidade inteira. Edificamos palácios e basílicas, famosos pela suntuosidade e beleza, pretendendo reverenciar-lhe a memória, esquecidos de que ele, em verdade, não possuía uma pedra onde repousar a cabeça. E, ainda hoje, alimentamos a separação e a discórdia, erguendo trincheiras de incompreensão e animosidade, uns contra os outros, nos variados setores da interpretação.

Entretanto, a palavra do Cristo é insofismável. Não nos faremos titulares da Boa Nova simplesmente através das atitudes exteriores ...
Precisamos, sim, da cultura que aprimora a inteligência, da justiça que sustenta a ordem, do progresso material que enriquece o trabalho e de assembleias que favoreçam o estudo; no entanto, toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras ...Seremos admitidos ao aprendizado do Evangelho, cultivando o Reino de Deus que começa na vida íntima.

Estendamos, assim, a fraternidade pura e simples, amparando-nos mutuamente... Fraternidade que trabalha e ajuda, compreende e perdoa, entre a humildade e o serviço que asseguram a vitória do bem. Atendamo-la, onde estivermos, recordando a palavra do Senhor que afirmou com clareza e segurança: — "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros."

37. NA OBRA REGENERATIVA

"Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, orientai-o com espírito de mansidão, velando por vós mesmos para que não sejais igualmente tentados." - Paulo (Gálatas, 6:1)

Se tentamos orientar o irmão perdido nos cipoais do erro, com aguilhões de cólera, nada mais fazemos que lhe despertar a ira contra nós mesmos. Se lhe impusermos golpes, revidará com outros tantos. Se lhe destacamos as falhas, poderá salientar os nossos gestos menos felizes.

Se opinamos para que sofra o mesmo mal com que feriu a outrem, apenas aumentamos a percentagem do mal, em derredor de nós. Se lhe aplaudimos a conduta errónea, aprovamos o crime. Se permanecemos indiferentes, sustentamos a perturbação. Mas se tratarmos o erro do semelhante, como quem cogita de afastar a enfermidade de um amigo doente, estamos, na realidade, concretizando a obra regenerativa.

Nas horas difíceis, em que vemos um companheiro despenhar-se nas sombras interiores, não olvidemos que, para auxiliá-lo, é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio. Se não é justo atirar petróleo às chamas, com o propósito de apagar a fogueira, ninguém cura chagas com a projeção de perfume. Sejamos humanos, antes de tudo. Abeiremo-nos do companheiro infeliz, com os valores da compreensão e da fraternidade.

Ninguém perderá, exercendo o respeito que devemos a todas as criaturas e a todas as coisas. Situemo-nos na posição do acusado e refutamos se, nas condições dele, teríamos resistido às sugestões do mal. Relacionemos as nossas vantagens e os prejuízos do próximo, com imparcialidade e boa intenção. Toda vez que assim procedermos, o quadro se modifica nos mínimos aspectos. De outro modo será sempre fácil zurzir e condenar, para cairmos, com certeza, nos mesmos delitos, quando formos, por nossa vez, visitados pela tentação.

17 - O Espírito da Verdade -Espíritos Diversos - pág. 38, 227

12. EM PLENA ERA NOVA - Gap. XVIII — Item 9
Há criaturas que deixaram, na Terra, como único rastro da vida robusta que usufruíram na carne, o mausoléu esquecido num canto ermo de cemitério.
Nenhuma lembrança útil.
Nenhuma reminiscência em bases de fraternidade.
Nenhum ato que lhes recorde atitudes como padrões de fé.
Nenhum exemplo edificante nos currículos da existência.
Nenhuma ideia que vencesse a barreira da mediocridade.
Nenhum gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o orvalho da gratidão.

A terra conservou-lhes, à força, apenas o cadáver — retalho de matéria gasta que lhes vestira o espírito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo às ervas bravas.
Usaram os empréstimos do Pai Magnânimo exclusivamente para si mesmos, olvidando estendê-los aos companheiros de evolução e ignorando que a verdadeira alegria não vive isolada numa só alma, pois que somente
viceja com reciprocidade de vibrações entre vários grupos de seres amigos.

Espíritas, muitos de nós já vivemos assim!
Entretanto, agora, os tempos são outros e as responsabilidades surgem maiores.
O Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpecidas largos horizontes de ideal superior, nos impele para a frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.
A Humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos conclama ao trabalho.

O espírito é um monumento vivo de Deus — o Criador Amorável. Honremos a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bênçãos ao longo de nossas próprias pegadas.
Irmãos, sede os vencedores da rotina escravizante.
Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões.
O espírito deve ser conhecido por suas obras.
É necessário viver e servir.
É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!
EURÍPEDES BARSANULFO

100. VOCÊ E OS OUTROS - CAP. XIII - ÍTEM 9

Amigos, atendamos ao apelo da fraternidade. Abra a própria alma às manifestações para com todos os seres, sem trancar-se na torre das falsas situações perante o mundo.
A pretexto de viver com dignidade, não caminhe indiferente ao passo dos semelhantes.
Busque relacionar-se com as pessoas de todos os níveis sociais, tendo amigos além das fronteiras do lar, da fé religiosa e da profissão.
Evite a circunspecção constante e a tristeza sistemática que geram a frieza e sufocam a simpatia.
Não menospreze a pessoa mal vestida nem a pessoa bem-posta.
Não crie exceções na gentileza para com o companheiro menos experiente ou menos educado, nem humilhe aquele que atenta contra a gramática.
Não deixe correr meses sem visitar e falar aos irmãos menos favorecidos, ignorando a dor que acaso exista.
Não condicione as relações com os outros ao paletó e à gravata, às unhas esmaltadas ou aos sapatos brilhantes que possam mostrar.
Não se escravize ao título convencional e nem exagere as exigências da sua posição em sociedade.
Dê atenção a quem lha peça, sem criar empecilhos.
Trave conhecimento com os vizinhos, sem qualquer solenidade.
Faça amizade desinteressadamente.
Aceite o favor espontâneo e preste serviço também sem pensar em remuneração.
Ninguém pode fugir à convivência da Humanidade.
Saiba, pois, viver com todos para que o orgulho não lhe solape o equilíbrio.
Quem se encastela no próprio espírito é assim como o poço de água parada que envenena a si mesmo.
Seja comunicativo.
Sorria à criança.
Cumprimente o velhinho.
Converse com o doente.
Liberte o próprio coração, destruindo as barreiras de conhecimento e fé, título e tradição, vestimenta e classe social, existentes entre você e as criaturas, e a felicidade que você fizer para os outros será luz da felicidade sempre maior brilhando em você.
ANDRÉ Luiz


22 - Palavras de vida eterna - Emmanuel - pág. 59 (23)

23. ADORAÇÃO E FRATERNIDADE

"Ora, temos da parte dele este mandamento, que aquele que ama a Deus, ame também a seu irmão"s. -João (I Jão, 4:21)

Construirás santuários primorosos no culto ao Senhor da Vida... Pronunciarás orações sublimes, exaltando-Lhe a glória Excelsa...

Tecerás com cintilações divinas a palavra comovente e bela com que Lhe definirás a grandeza... Combinarás com maestria os textos da Escritura Divina para provar-Lhe a existência...

Exibirás dons mediúnicos dos mais excelentes de modos a falares d'Ele, com eficiência e segurança, às criaturas irmãs... Escreverás livros admiráveis, comentando-Lhe a sabedoria...

Comporás poemas preciosos, tentando ornamentar-Lhe a magnificiência...Clamarás por Ele, em súplicas ardentes, revelando confiança e fidelidade...

Adora-Lo-ás com a tua prece, com a tua ardente, com o teu carinho e com a tua inteligência.. Contudo, se não amas o a teu irmão, por amor a Ele, Pai Amoroso e Justo, de que te vale o culto filial, estéril e egoísta?

Um simples pai de família, no campo da Humanidade imperfeita, alegra-se e dilata-se nos filhos que, em lhe compreendendo a dedicação, se empenham no engrandecimento da própria casa, através do amparo constante aos irmãos menos felizes.

Incontestavelmente, a lealdade de tua fé representa o perfume de alegria nas tuas relações com o Eterno Senhor, mas não olvides que o teu incessante serviço na plantação e extensão do bem, é a única maneira pela qual podes realmente serví-Lo.

Seja qual for a igreja em que externas a tua reverência à Majestade Divina, guarda, pois, a oração por lâmpada acesa em tua luta de cada dia, mas não te esqueças de que somente amparando os nossos irmãos inexperientes e frágeis, caídos e desditosos, é que, de fato, honraremos a Bênção de Nosso Pai.