GÔNADAS
BIBLIOGRAFIA
01- FISIOLOGIA TRANSDIMENSIONAL, pag. 160 02 - TÉCNICA DA MEDIUNIDADE, pag. 108

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GÔNADAS – COMPILAÇÃO

01 - GÔNADAS

2ª pte - XVI - Determinação do sexo (Estudo 37 de 41)

Segunda parte
XVI

Determinação do sexo

- Como devemos encarar a possibilidade de a ciência humana patrocinar a determinação de sexo no início da gestação?
- Compreendendo-se que nos vertebrados o desenho gonadal se reveste de potencialidades bissexuais no começo da formação, é claramente possível a intervenção da ciência terrestre na determinação do sexo, na primeira fase da vida embrionária; contudo, importa considerar que semelhante ingerência na esfera dos destinos humanos traria conseqüências imprevisíveis à organização moral, entre as criaturas, porque essa atuação indébita se verificaria apenas no campo morfológico, impondo talvez inversõesdesnecessárias e imprimindo graves complicações ao foro íntimo de quantos fossem submetidos a tais processos de experimentação, positivamente contrários à inteligência da vida que reflete a Sabedoria de Deus.

Pedro Leopoldo, 15/6/58.

Obs.: gonadal - relativo a gônadas, glândulas sexuais masculinas (testículos) e femininos (ovários)

QUESTÕES PARA ESTUDO

1) Segundo André Luiz, é possível ao homem determinar o sexo do embrião no início da sua formação?

2) Que conseqüências poderiam ser provocadas, uma vez consumada uma intervenção nesse sentido?

2ª pte - XVI - Determinação do sexo - Conclusão Voltar ao estudo

Segunda parte - XVI - Determinação do sexo (Conclusão)

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1) Segundo André Luiz, é possível ao homem determinar o sexo do embrião
no início da sua formação?

R - De acordo com a explicação de André Luiz, nos corpos vertebrados, no começo da formação das gônadas - glândulas sexuais masculina ou feminina - que se dá na primeira fase de vida embrionária, o sexo ainda não se encontra definido, revestindo-se este órgão de potencialidades para ambos os sexos. Desse modo, entende o Autor ser perfeitamente possível aintervenção da ciência terrena com o objetivo de determinar o sexo que será assumido pelo futuro corpo.

2) Que conseqüências poderiam ser provocadas, uma vez consumada uma intervenção neste sentido?

R - André Luiz considera serem imprevisíveis as conseqüências de uma intervenção humana para determinar o sexo do embrião em formação, que embora entenda possível, avalia ser indevida, pois contrária à Sabedoria de Deus. Dando-se esta intervenção tão somente no corpo físico, conseqüências morais negativas poderiam advir para o espírito reencarnante, uma vez que poderia estar sendo imposta uma inversão desnecessária da polaridade sexual definida na sua preparação reencarnatória. Seu psiquismo, voltado para o sexo programado, poderia sofrer perturbação, o que lhe traria complicações de foro íntimo.

Questões surgidas durante o estudo

Sonia Regina: Eu gostaria de perguntar: E qual é a situacão daquelas pessoas que nascem hermafroditas? criancas que apresentam rudimentos de ambos os sexos, mas nenhum deles completamente desenvolvido e onde os médicos muito cedo após o nascimento da crianca tem que optar por uma cirurgia? Já vi na televisão alguns relatos de criancas que passaram por intervencões assim e que foram criadas como mulheres, apesar de depois de adultas se sentirem muito mais homens e etc.

Nesse caso, porque elas nascem com ambos os sexos? Qual o motivo de seus perispíritos terem formado o corpo físico assim? Ou será que não foi operispírito que formou o corpo assim, mas algo externo (agentes químicos, poluicao do meio ambiente, etc. p ex.) que possam ter influenciado o desenvolvimento do feto durante as primeiras semanas da gravidez? Nós costumamos dizer no meio espírita que o espírito pede as provas pelas quais tem que passar e por isso forma o corpo dessa ou daquela forma. Qual seria a lição nesse caso ou a prova?

R - Qualquer anomalia que se expresse no corpo físico resulta da desorganização do perispírito que o plasmou, o que, por sua vez, é conseqüência das ações, pensamentos ou sentimentos praticados pelo espírito reencarnante. É um mecanismo divino de correção, que visa recolocar o espírito no caminho certo da evolução. Sem dúvida, os casos de hermafroditismo são uma prova ou uma expiação, mais comumente esta última.

Ainda que agentes externos tenham contribuído, a desorganização perispiritual é o fator determinante para a formação do corpo físico nesta condição. Os casos citados de crianças que se submeteram a intervenção cirúrgica para determinar o sexo e, depois de adultas, apresentaram seu psiquismo com as características do sexo oposto são aquelas situações previstas por André Luiz, de conseqüências possíveis que podem advir de semelhante intervenção, conforme consta na resposta à questão número 2.

Sandro Roberto: Se o Espirito consegue saber que determinadas coisas irão acontecer na sua próxima encarnação, será que ele ao saber desta mudança de sexo não poderia aceitar isto?

R - Dependendo do grau de evolução em que se encontre, sabemos que o espírito pode participar da sua programação reencarnatória, inclusive da escolha das provas ou da expiação a que se submeterá. Desse modo, é possível que o espírito tenha conhecimento antecipado desta circunstãncia.
Se for uma prova, pode ou não aceitá-la. Porém, sendo uma expiação,
ser-lhe-á imposta, por necessária ao seu progresso.

Noemia: Aproveito para mandar a teoria de um cientista italiano. O que André Luiz está nos informando foi psicografado em 15/06/58, a teoria do cientista italiano está sendo nos informado agora 20/08/2007.

R - O artigo, no nosso modo de ver, ainda que o cientista em questão, provavelmente, não conheça o Espiritismo e tenha analisado o tema unicamente sob a ótica materialista, sem levar em consideração o ser espiritual, formula uma tese que se aproxima do ensinamento dos Espíritos.
O espírito, fora do corpo físico, não tem sexo como o entendemos, pois que o sexo depende de uma organização física. Tem, isto sim, aptidão para ambos os sexos, sendo os mesmos os espíritos que reencarnam ora num corpo masculino, ora num corpo feminino, sempre atendendo às suas necessidades evolutivas. Cada sexo proporciona-lhe novas experiências, novas provações e deveres, possibilitando, com isso, o aprendizado indispensável à sua evolução. Como explica Kardec, se somente reencarnasse num determinado sexo, como homem ou como mulher, não aprenderia o que somente o outro sexo ensina.

Desse modo, à medida que o espírito progride, seu corpo físico também evolui em forma e aptidões, adaptando-se, sempre, às novas necessidades. O instinto sexual que ora portamos são reflexo do momento evolutivo em que nos encontramos. Nosso corpo físico necessita compensar as vibrações magnéticas que emite com outras energias de igual força, a fim de equilibrar-se no campo emotivo, conforme André Luiz explica em capítulo anterior. Em razão disso, faz-se necessário o contacto com outro ser com quem mantenha laços de afinidade, através da prática doato sexual, daí resultando uma troca de energias que vai lhe propiciar sensação de prazer e equilíbrio emocional.

Quando nos tornarmos espíritos puros, livres da influência da matéria, não mais precisaremos da libido sexual, tornando-se desnecessários, em conseqüência, os órgãos responsáveis pela prática do ato sexual como o conhecemos. Não se trata, no entanto, de bissexualismo, como o cientista menciona. Mas de novo direcionamento que será dado às energias sexuais, não mais para a prática do ato sexual, mas para a criatividade e o amor desprovido de necessidades de natureza material.

02 - GÔNADAS

SEXO E MEDIUNIDADE

07-08-2012 09:59
O Espírito, no estado originário, não tem sexo definido, mas, ao encarnar, vai animar um corpo de homem ou de mulher, conforme as experiências por que tem de passar durante a vida na Terra. Caso o Espírito reencarnasse sempre em um determinado sexo, não saberia as provas e deveres específicos de ambos os sexos. O Homem é um composto de Espírito, perispírito e corpo, sendo o perispírito o elemento de ligação entre o primeiro e o último. No Espírito, estão localizados os centros de força denominados chakras, cujos correspondentes, no corpo físico são os plexos. Os chakras e o plexos estão ligados entre si pelos cordões fluídicos. Cada um desses pontos, seja chakra ou plexo, administra determinados órgãos que compõem os corpos espiritual ou físico respectivamente.

No que se refere à área sexual física, predomina o PLEXO SACRO, situado na pequena bacia, limitado, à frente, pela pélvis, influenciando o ânus, a glande do pênis, o períneo, as nádegas, o clitóris entre outros no Espírito encarnado. Correspondendo ao PLEXO SACRO no corpo físico, temos o CHAKRA FUNDAMENTAL no corpo perispiritual, também chamado de MULADHARA pelos indus que o descrevem como uma hélice de 4 pétalas localizada no períneo (entre o ânus e os órgãos sexuais). Como um exaustor, possui uma força poderosa a que dão o nome de KUNDALINI. Ela tem, como função primordial, revigorar o sexo e pode ser canalizada para alimentar outros centros de força. Há, porém, uma advertência para o perigo da utilização dessa força por quem não tenha conhecimento, nem idoneidade, nem perícia para tal. Um desequilíbrio nessa área pode levar o indivíduo a desregramentos sexuais, como exacerbação das sensações ou, ao contrário, causar frigidez, insensibilizando, sobretudo as mulheres, e provocando, até, destruição de lares. Dessa situação aproveitam-se os Espíritos obsessores para também aumentar o gozo sexual e a insatisfação permanente que poderá levar o indivíduo a cometer crimes de fundo sexual.

Na região central do encéfalo, encontra-se a glândula pineal. Conhecida pelos gregos como CONARIUM, exerce extrema importância no organismo, mantendo relações íntimas com as gônadas (glândulas sexuais). Do mesmo modo, ela exerce importante função no mais expressivo fenômeno do Universo: a criação da vida. Os antigos gregos consideravam a pineal “a sede da alma”, a glândula da vida espiritual. Na área sexual, as gônadas são responsáveis pelo funcionamento e desenvolvimento dos órgãos sexuais. O desequilíbrio de suas energias causam o sexo desenfreado e comportamentos aberrantes nessa área, a exemplo dos estupradores e pedófilos que agem de forma perversa contra vítimas indefesas somente para satisfazer seus instintos bestiais.

As gônadas constituem os aparelhos genitais masculino e feminino e são servidas pelos nervos oriundos do PLEXO SACRO. No homem, compreendem os testículos, que produzem os espermatozoides; na mulher, são constituídos pelos ovários, que produzem os óvulos, e órgãos anexos. Essas áreas são as preferidas pelos espíritos desequilibrados que influenciam os encarnados através do CHAKRA FUNDAMENTAL (obsessores) ou do CHAKRA ESPLÊNICO (vampiros). Quando o indivíduo é muito animalizado e mantém uma afinidade moral com o mesmo tipo de Espírito, esse pode levá-lo a praticar abusos sexuais inimagináveis ao tempo em que se locupleta de sua vitalidade. Força-o a estabelecer ligações sexuais de baixo teor vibratório jamais satisfeitas, obrigando-o a praticar o ato sexual repetidas vezes. Torna-o, portanto, num obcecado pelo sexo.

Geralmente quando o indivíduo é assediado por um Espírito do sexo oposto com um profundo sentimento de posse pela vítima, seus sistemas hormonais são afetados. O obsessor provoca desequilíbrios de toda ordem nos aparelhos genitais do homem ou da mulher, chegando a exercer uma verdadeira possessão sobre o ser encarnado. Não é raro ocorrerem conflitos entre parceiros matrimoniais ou seus parentes próximos, com destruição de relacionamentos, uma vez que o Espírito maldoso geralmente odeia os cônjuges, às vezes sem nenhum motivo e muitas vezes por causas oriundas de outras vidas. Tem-se observado em trabalhos mediúnicos que entidades desse jaez provocam sempre grande perturbação familiar e desequilíbrios no que diz respeito à área sexual. Somente um tratamento espiritual sério e se possível em fase inicial pode auxiliar na cura desses males que atingem grande parte da Humanidade que muitas vezes ignora a sua existência.

Todavia a função principal das gônadas é das mais importantes: a produção de corpos para a reencarnação de Espíritos e, desse modo, contribuir para o progresso do Universo. O homem e a mulher são co-criadores da obra divina, possibilitando a procriação da espécie. Para isso, Deus dotou o Homem de sentimentos amorosos elevados que são cultuados e desenvolvidos, conforme o livre arbítrio de cada um na união de casais em que impera o respeito e o desejo de constituir família o que é muito natural e saudável. A abstenção do sexo nem sempre é indício de virtude. A sexualidade praticada pelos casais que se amam nada tem de imoral. Os Espíritos que participaram da codificação da Doutrina Espírita, em esclarecimento a Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, afirmam que o celibato voluntário não é considerado como perfeição aos olhos de Deus. Os que assim decidem viver, apenas por egoísmo, “desagradam a Deus e enganam todo mundo” (KARDEC, Allan, p. 281). Portanto não há nenhum mérito nessa opção de vida, excetuando-se, apenas, os que renunciam às alegrias da família em benefício da Humanidade. Herculano Pires, reportando-se à Idade Média quando os povos eram dominados pelo poder absoluto da Igreja, lembra que

“...o misticismo favoreceu as manifestações vampirescas nos conventos e mosteiros, com o episódio dos íncubos e súcubus, demônios sensuais que atormentavam frades e freiras [muitos deles prováveis médiuns], na suposta santidade dos mosteiros e conventos, não raro levando-os à loucura, ao suplício das flagelações e das práticas do exorcismo. E ainda hoje, no mundo inteiro, o flagelo do vampirismo ronda e devasta os campos minados do misticismo religioso, onde resíduos da formação igrejeira superam o racionalismo.”

Uma vez que a faculdade mediúnica tem fortes ligações com o corpos físico e espiritual através dos plexos e chakras, muitos médiuns, em reuniões de desobsessão, queixam-se de incômodos nas áreas sexuais durante certas manifestações psicofônicas. Os indivíduos que não são médiuns recebem influência dos Espíritos, porém não distinguem os emissores invisíveis delas nem têm condições de transmiti-las. As ideias ficam confusas e as sensações, indefinidas. São por isso considerados “condensadores fixos”, enquanto os possuidores de faculdade mediúnica são como “condensadores variáveis” com capacidade de perceber, de forma distinta, as comunicações emitidas por cada Espírito. Quando um médium, em trabalho de desobsessão, recebe influência de Espíritos perturbados que se ligam através do CHAKRA FUNDAMENTAL, ele experimenta vibrações bastante incômodas em sua região sexual, acompanhadas de sensações profundamente desagradáveis e doloridas que se expandem pelas nádegas e membros inferiores, dificultando-lhe, às vezes, a locomoção após o transe. Nesse caso, é aconselhável que o dirigente da reunião evite que o médium receba outra comunicação espiritual logo em seguida, orientando-o a orar até que se recupere e reequilibre os centros nervosos atingidos. Um Espírito de baixo teor vibratório, a fim de satisfazer-se, excita o ânus ou a vagina do indivíduo, provocando, da mesma forma, comichão e excitação nervosa bastante irritáveis nos médiuns.

A desobsessão é um serviço de caridade a pessoas que sofrem esse tipo de assédio pertinaz de entidades das sombras que necessitam de um esclarecimento e que, dificilmente, libertariam sua vítima sem um atendimento espiritual de atração mediúnica. É indicado que não se deve provocar nos médiuns a abertura do CHAKRA FUNDAMENTAL. Alguns médiuns já trazem os chakras abertos; são os chamados “espontâneos”. Esses não podem se afastar de reuniões mediúnicas por muito tempo, pois o exercício da faculdade, pelo menos uma vez por semana, funciona como uma catarse que alivia as tensões provocadas pelo assédio dos Espíritos.

É inegável, portanto, a ligação que o sexo tem com o exercício da mediunidade, principalmente quando suas forças são canalizadas para auxiliar o próximo. Também já se observou a sua interferência nos fenômenos de materialização de Espíritos. Na administração do passe, em auxílio a doentes e necessitados de amparo espiritual, os fluidos nervosos transferidos das regiões genitais do passista para socorro aos enfermos exercem, efetivamente, a recriação da vida. Nos casos em que a saúde esteja prestes a extinguir-se, as energias sexuais, bem administradas, revigoram o enfermo e se reverterão ao médium em forma de saúde e harmonia.

Por Lúcia Loureiro

03 - GÔNADAS

Evolução em Dois Mundos

André Luiz

(Parte 34)

Damos continuidade ao estudo da obra Evolução em Dois Mundos, de André Luiz, psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier e publicada em 1959 pela Federação Espírita Brasileira.

Antes de ler as questões e o texto indicado para leitura, sugerimos ao leitor que veja, primeiro, as notas constantes do glossário pertinente ao estudo desta semana.

Questões preliminares
A. O processo de purgação, após a morte física, é importante para a libertação dos desencarnados?

Sim. A alma culpada sofre, depois da morte física, minucioso processo de purgação, que é tanto mais produtivo quanto mais se lhe exteriorize a dor do arrependimento. Apenas depois disso ela conseguirá elevar-se a esferas de reconforto e reeducação. Se a moléstia experimentada por ela na veste somática foi longa e difícil, abençoadas depurações terão sido feitas, pelo ensejo de autoexame, no qual as aflições suportadas com paciência lhe alteraram sensações e refundiram ideias. Contudo, se essa operação natural não foi possível no círculo carnal, mais se lhe agravam os remorsos depois do túmulo, por recalcados na consciência, a aflorarem, todos eles, através de reflexão, renovando as imagens com que foram fixados na própria alma. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XIX, pp. 147 e 148.)

B. Nesse processo de purgação pós-morte, qual a situação dos criminosos?

Os criminosos que mal ressarciram os débitos contraídos, instados pelo próprio arrependimento, plasmam, em torno de si mesmos, as cenas degradantes em que arruinaram a vida íntima, alimentando-as à custa dos próprios pensamentos desgovernados. Os caluniadores que aniquilaram a felicidade alheia vivem pesadelos espantosos, regravando nas telas da memória os padecimentos das vítimas, como no dia em que as fizeram descer para o abismo da angústia, algemados ao pelourinho de obsidentes recordações. Os tiranetes volvem a sentir nos tecidos da própria alma os golpes que desferiram nos outros, e os viciados de toda sorte, quais os dipsômanos e morfinômanos, experimentam agoniada insatisfação, qual ocorre também aos desequilibrados do sexo, que acumulam na organização psicossomática as cargas magnéticas do instinto em desvario, pelas quais se localizam em plena alienação. As vítimas do remorso padecem, assim, por tempo correspondente às necessidades de reajuste, larga internação em zonas compatíveis com o estado espiritual que demonstram. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XIX, pp. 147 e 148.)

C. Que funções exercem as regiões infernais que cercam o plano terráqueo em que vivemos?

Tais regiões, presentes no clima espiritual das várias nações do Globo, podem ser tidas na conta de imenso cárcere-hospital, em que a diagnose terrestre encontrará realmente todas as doenças catalogadas na patologia comum, inclusive muitas outras, desconhecidas do homem, não propriamente oriundas ou sustentadas pela fauna microbiana do ambiente carnal, mas nascidas de profundas disfunções do corpo espiritual e, muitas vezes, nutridas pelas formas-pensamentos em torturado desequilíbrio, classificáveis por larvas mentais, de extremo poder corrosivo e alucinatório. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XIX, pp. 148 e 149.)

Texto para leitura

133. Alimento espiritual - Há, por isso, consórcios de infinita gradação no Plano Terrestre e no Plano Espiritual, nos quais os elementos sutis de comunhão prevalecem acima das linhas morfológicas do vaso físico, por se ajustarem ao sistema psíquico, antes que às engrenagens da carne, em circuitos substanciais de energia. Contudo, até que o Espírito consiga purificar as próprias impressões, além da ganga sensorial, em que habitualmente se desregra no narcisismo obcecante, valendo-se de outros seres para satisfazer a volúpia de hipertrofiar-se psiquicamente no prazer de si mesmo, numerosas reencarnações instrutivas e reparadoras se lhe debitam no livro da vida, porque não cogita exclusivamente do próprio prazer sem lesar os outros, e toda vez que lesa alguém abre nova conta resgatável em tempo certo. Isso ocorre porque o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam, mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos que lhes são necessários ao progresso. Os Espíritos santificados, em cuja natureza superevolvida o instinto sexual se diviniza, estão relativamente unidos aos Espíritos Glorificados, em que descobrem as representações de Deus que procuram, recolhendo de semelhantes entidades as cargas magnéticas sublimadas, por eles próprios liberadas no êxtase espiritual. De outro lado, as almas primitivas comumente lhe gastam a força em excessos que lhes impõem duras lições. Entre os Espíritos santificados e as almas primitivas, milhões de criaturas conscientes, viajando da rude animalidade para a Humanidade enobrecida, em muitas ocasiões se arrojam a experiências menos dignas, privando a companheira ou o companheiro do alimento psíquico a que nos reportamos, interrompendo a comunhão sexual que lhes alentava a euforia, e, se as forças sexuais não se encontram suficientemente controladas por valores morais nas vítimas, surgem, frequentemente, longos processos de desespero ou de delinquência. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XVIII, pp. 144 e 145.)

134. Enfermidades do instinto sexual - As cargas magnéticas do instinto, acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro íntimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao bom-senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito. À face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem o progresso no tempo. Nascem daí as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a “histeria de conversão”, a “histeria de angústia”, os “desvios da libido”, a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio. Assim, por semelhantes rupturas do sistemas psicossomáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados de destino, entre as fronteiras domésticas, todos aqueles que constituímos credores do nosso amor e da nossa renúncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso. Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e consequentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida. Em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XVIII, pp. 145 e 146.)

135. Depois da morte - Efetivamente, logo após a morte física, sofre a alma culpada minucioso processo de purgação, tanto mais produtivo quanto mais se lhe exteriorize a dor do arrependimento, e apenas depois disso consegue elevar-se a esferas de reconforto e reeducação. Se a moléstia experimentada na veste somática foi longa e difícil, abençoadas depurações terão sido feitas, pelo ensejo de autoexame, no qual as aflições suportadas com paciência lhe alteraram sensações e refundiram ideias. Mas, se essa operação natural não foi possível no círculo carnal, mais se lhe agravam os remorsos, depois do túmulo, por recalcados na consciência, a aflorarem, todos eles, através de reflexão, renovando as imagens com que foram fixados na própria alma. Criminosos que mal ressarciram os débitos contraídos, instados pelo próprio arrependimento, plasmam, em torno de si mesmos, as cenas degradantes em que arruinaram a vida íntima, alimentando-as à custa dos próprios pensamentos desgovernados. Caluniadores que aniquilaram a felicidade alheia vivem pesadelos espantosos, regravando nas telas da memória os padecimentos das vítimas, como no dia em que as fizeram descer para o abismo da angústia, algemados ao pelourinho de obsidentes recordações. Tiranetes diversos volvem a sentir nos tecidos da própria alma os golpes que desferiram nos outros, e os viciados de toda sorte, quais os dipsômanos e morfinômanos, experimentam agoniada insatisfação, qual ocorre também aos desequilibrados do sexo, que acumulam na organização psicossomática as cargas magnéticas do instinto em desvario, pelas quais se localizam em plena alienação. As vítimas do remorso padecem, assim, por tempo correspondente às necessidades de reajuste, larga internação em zonas compatíveis com o estado espiritual que demonstram. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XIX, pp. 147 e 148.)

136. Conceito de inferno - O inferno das várias religiões, nesse aspecto, existe perfeitamente como órgão controlador do equilíbrio moral nos reinos do Espírito, assim como a penitenciária e o hospital se levantam na Terra, como retortas de recuperação e de auxílio. Além-túmulo, no entanto, o estabelecimento depurativo como que reúne em si os órgãos de repressão e de cura, porquanto as consciências empedernidas aí se congregam às consciências enfermas, na comunhão dolorosa, mas necessária, em que o mal é defrontado pelo próprio mal, a fim de que, em se examinando nos semelhantes, esmoreça por si na faina destruidora em que se desmanda. É assim que as Inteligências ainda perversas se transformam em instrumentos reeducativos daquelas que começam a despertar, pela dor do arrependimento, para a imprescindível restauração. O inferno, dessa maneira, no clima espiritual das várias nações do Globo, pode ser tido na conta de imenso cárcere-hospital, em que a diagnose terrestre encontrará realmente todas as doenças catalogadas na patologia comum, inclusive muitas outras, desconhecidas do homem, não propriamente oriundas ou sustentadas pela fauna microbiana do ambiente carnal, mas nascidas de profundas disfunções do corpo espiritual e, muitas vezes, nutridas pelas formas-pensamentos em torturado desequilíbrio, classificáveis por larvas mentais, de extremo poder corrosivo e alucinatório, não obstante a fugaz duração com que se articulam, quando não obedecem às ideias infelizes, longamente recapituladas no tempo. (Evolução em dois Mundos, 1a Parte, cap. XIX, pp. 148 e 149.)

Glossário:

Biológico: relativo ao desenvolvimento e às condições de vida dos seres vivos.

Bissexual: referente à bissexualidade, existência de dois sexos no mesmo organismo, como o hermafroditismo em animais e plantas.

Colapso circulatório: estado de choque por insuficiência circulatória.

Colapso pulmonar: estado do pulmão que, parcial ou totalmente, não tem conteúdo aéreo.

Colapso: falência de função, de força, ou de estado geral; esgotamento. Estado anormal em que as paredes de um órgão, normalmente afastadas, entram em contato. Alteração brusca e danosa; situação anormal e grave; crise.

Congênito: nascido com o indivíduo.

Corpo Espiritual: o perispírito, psicossoma.

Cosmo: a contextura de um todo.

Cromossômico: relativo ao cromossomo, cada um dos corpúsculos de cromatina (substância corável) que se evidenciam no núcleo da célula durante a divisão celular (mitose), os quais contêm os genes ou fatores hereditários.

Currículo: conjunto de dados pessoais e sobre os antecedentes relacionados com as qualificações de um indivíduo.

Desmandar: transgredir; abusar; cometer desregramento.

Dipsômano: alcoólatra; dipsomaníaco.

Disfunção: função que se efetua de maneira anômala.

Elétron: corpúsculo carregado de eletricidade negativa, fundamental na composição do átomo, e que é o constituinte mais numeroso de matéria. É partícula orbital, porque gira em torno do núcleo atômico.

Faina: atividade intensa; agitação.

Fauna Microbiana: o conjunto dos microorganismos causadores de fermentações e doenças infecciosas, conhecidos como micróbios.

Fausto: que apresenta fausto, isto é, luxo, pompa.

Fibra: cada uma das estruturas alongadas que, dispostas em feixes, constituem os tecidos orgânicos.

Formas-pensamento: formas plasmadas pela mente, ou seja, produzidas e animadas pela energia mental que constitui o pensamento.

Ganga: resíduo mineral não aproveitável numa jazida metalífera; figurativamente, coisa residual ou de menor importância.

Genésico: relativo ao impulso sexual ligado à função de reprodução dos órgãos sexuais.

Genética: ramo da Biologia que estuda as leis da transmissão dos caracteres hereditários, e as propriedades das partículas (genes) que asseguram essa transmissão.

Glândula Sexual: gônada; testículo no sexo masculino, e ovário, no feminino.

Gônada: glândula sexual masculina ou feminina; nela se formam as células sexuais (espermatozoides ou óvulos) e os hormônios sexuais.

Histeria: psiconeurose que se manifesta através de um conjunto variado de distúrbios psíquicos, sensoriais e motores, considerados como expressão orgânica de conflitos inconscientes.

Hormônio: substância produzida pela atividade das glândulas de secreção interna (endócrinas), ou pela atividade de tecidos de secreção interna. É lançado, em parte, no sangue ou na linfa, e, em parte, nos tecidos. Atua sobre as funções orgânicas como excitante ou como regularizador.

Ideologia: ciência que trata das ideias ou conceitos, cujas consequências podem influir na maneira de pensar de um indivíduo ou de uma classe.

Imanizar: imantar, submeter a um efeito semelhante ao da ação do ímã.

Larva: forma pós-embrionária, em numerosos grupos de animais, correspondente ao estágio inicial de vida.

Libido: instinto ou desejo sexual. Em Psicanálise, é a energia motriz dos instintos de vida, isto é, de toda a conduta ativa e criadora do homem.

Limiar: início, começo.

Macrocósmico: relativo ao mundo das coisas grandes (macrocosmo), por oposição ao das coisas pequenas.

Mônada: organismo muito simples, que se poderia tomar por uma unidade orgânica; microorganismo unicelular (uma só célula).

Monogamia: condição do macho em acasalar-se com uma só fêmea; que tem apenas um cônjuge.

Monoideísmo: estado de alma dominado por uma ideia central, fixa.

Morfinômano: viciado em morfina e outros alcaloides do ópio.

Morfológico: referente às características da forma.