GUERRA
BIBLIOGRAFIA
01- A caminho da luz - pág. 103 02 - A luz da oração - pág. 23
03 - Plural.dos Mundos Habitados - pág. 248 04 - A vida além do véu - pág. 45
05 - Após a tempestade - pág. 102 06 - Chico e Emanuel - pág. 22
07 - Emmanuel - pág. 107, 118 08 - Entre o amor e a guerra - pág.50
09 - Estante da vida - pág. 167 10 - Guardiães da verdade - pág. 40,152, 162
11 - Joana D'Arc - pág. 167 12 - Na seara do Mestre - pág. 78, 103
13 - Na sombra e na luz - pág. 95 14 - Nas pegadas do Mestre - pág. 264
15 - Nosso Lar - pág. 131, 225

16 - Novas mensagens - pág. 82, 87

17 - O alvorecer da espiritualidade - pág. 15, 115 18 - O Consolador - pág. 47
19 - O Livro dos Espíritos - q. 542, 671, 738, 742, 1009 20 - O mestre na educação - pág. 100
21 - O que é a morte - pág. 36, 53, 74 22 - Obreiros da vida eterna - pág. 58, 157
23 - Palingênese, a grande lei - pág. 57 24 - Pureza doutrinária - pág. 45
25 - Religião dos Espíritos - pág. 175 26 - Socialismo e espiritismo - pág. 58
27 - Sublimação - pág. 58 28 - Tambores de Angola - pág. 89
29 - Universo e vida - pág. 94 30 - Veladores da luz - pág. 37, 67, 113, 126

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GUERRA – COMPILAÇÃO

01- A caminho da luz - Emmanuel - pág. 103

AS GUERRAS E A MAIORIDADE TERRESTRE
Em breve, porém, a família romana, cheia das tradições de generosa beleza, foi dilacerada pelos gênios militares e pelos espíritos guerreiros . O progresso incessante da cidade formava a tendência geral ao expansionismo em todos os domínios. Entretanto, os pródromos do Direito Romano e a organização da família assinalavam o período da maioridade terrestre. O homem, com semelhantes conquistas, estava a desferir o voo para as mais altas esferas espirituais.

As legiões magnânimas do Cristo aprestam-se para as últimas preparações de seus gloriosos caminhos na face do mundo. O Evangelho deveria chegar como a mensagem eterna do amor, da luz e da verdade para todos os seres.

Todavia, a liberdade pessoal e coletiva é respeitada pelo plano invisível e Roma não se mostra digna das numerosas dádivas recebidas. Em vez de estender os seus laços pela educação e pela concórdia, deixa prender-se por uma legião de espíritos agressivos e ambiciosos, alargando a sua influência pelo mundo com as balistas e catapultas dos seus guerreiros. Depois das conquistas da Península, empreende a conquista do mundo, com as guerras púnicas, terminando por submeter todo o Oriente, onde também se encontrava a Grécia esgotada e vencida.

Os enviados do Cristo harmonizam esses terríveis movimentos no instituto das provações necessárias aos indivíduos e aos seus agrupamentos; todavia, a realidade é que Roma assumia, igualmente, as mais pesadas respon-sabilidades e os mais penosos débitos, diante da Justiça Divina. Suas águias vitoriosas cruzam, então, todos os mares; o Mediterrâneo é propriedade sua e o Império Romano é o Império do homem, ouvindo-se a voz diretora de um só homem para quase todas as regiões povoadas da Terra.

NAS VÉSPERAS DO SENHOR

As forças do invisível, porém, não descansaram. Muitas lágrimas foram vertidas, no Alto, em vista de tão nefastos acontecimentos. O Cristo reúne as assembléias de seus emissários. A Terra não podia perder a sua posição espiritual, depois das conquistas da sabedoria ateniense e da família romana.

E' então que se movimentam as entidades angélicas do sistema, nas proximidades da Terra, adotando providências de vasta e generosa importância. A lição do Salvador deveria, agora, resplandecer para os homens, controlando-lhes a liberdade com a exemplificação perfeita do amor. Todas as providências são levadas a efeito. Escolhem-se os instrutores, os precursores imediatos, os auxiliares divinos.

Uma atividade única registra-se, então, nas esferas mais próximas do planeta, e, quando reinava Augusto, na sede do governo do mundo, viu-se uma noite cheia de luzes e de estrelas maravilhosas. Harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos homens e da Natureza. A manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade, e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a "noite silenciosa, noite santa".

03 - Pluralidade dos Mundos Habitados - Camille Flammarion - pág. 248

As novas gerações trazem sempre consigo um novo poder de entusiasmo, um novo vigor de ação, e saudamos com amor a juventude que acaba de nascer, cuja missão é preparar a aurora do vigésimo século! Mas, por mais fervorosas que sejam nossas aspirações, por mais caras que sejam as nossas esperanças, a história desta própria humanidade nos ensina que, tanto entre os povos como entre os indivíduos, existe a juventude, a virilidade e a decadência e infelizmente sabemos que, daqui a alguns séculos, esta esplêndida capital do mundo onde brilhamos hoje em dia em toda a atividade de nosso trabalho, este santuário das ciências onde se elaboram as conquistas do gênio.

Este campo de liberdade onde o homem aprende a conhecer seus direitos e exercer seu poder individual em benefício de todos, nós sabemos que um dia todos esses esplendores se dissipará que o Sena lamentoso rolará suas águas murmurantes solidão, à sombra dos salgueiros e em meio aos prados silenciosos; e que o viajante, informado de nossa história passada, só poderá aqui e ali reconhecer alguns fragmentos de edifícios elevando-se acima do solo como ossos desnudados alguns capitéis de colunas quebradas, últimos vestígios maravilhas desaparecidas.

A civilização terá elegido uma nova pátria e, do fundo de seu sono, a França ouvirá ao longe os ruídos do mundo e os tumultos das tempestades humanas sonhando com os dias longínquos de sua glória e talvez os dias de sua indolência e seu luxo efeminado, causa de sua queda e sua morte. — É a história da Babilônia dos jardins suspensos, da Tebas de sete muralhas, de Ecbatane, tumba de Alexandre, de Nínive onde Jó profetizou, de Cartago, rival de Roma; Roma, centro do mundo há dois mil anos, tocha da cristandade sob Leão X, hoje tristemente sentada na borda do Tibre, que há muito tempo arrastou ao abismo os antigos troféus de uma era gloriosa.

Sim, como todo indivíduo, a humanidade tem diante dela os limites de sua perfectibilidade, limites distantes, esperamos, mas limites que ela não saberia ultrapassar e que marcarão, tão logo sejam atingidos, o primeiro período da decadência. Se nossas faculdades e nossas forças sobre a Terra parecem ilimitadas, não ocorre o mesmo com os elementos de nossa perfectibilidade, eles são circunscritos: quando se completa a combustão, o fim da chama está próximo.

A história da Terra depende, sem a menor dúvida, de suas condições de habitabilidade. A natureza inanimada é anterior à natureza animada, e esta é submissa à influência da primeira. Ora, não será inútil examinar agora qual é a lei da vida que preside à existência dos habitantes de nosso globo, lei da qual depende a perpetuidade dos seres na superfície da Terra. Reconheçamos sem demora, a lei de vida é a lei de morte. Entre todos os animais que povoam a Terra, não há um só que não viva às expensas dos outros seres vivos, animais ou vegetais; e dos acotiledôneos ou criptógamos, as últimas e as mais simples das plantas, até o bímane, o mais avançado na escala animal, todos os seres vivem para alimentar a vida.

As plantas, de existência ainda tão misteriosa, nas quais a observação ansiosa de Goethe acreditava reconhecer uma alma, as plantas vivem para serem comidas. Os animais que se alimentam das plantas servem por sua vez de alimento a esses cuja existência não é mais que uma longa carnificina, e esses igualmente a outros ainda, e assim por diante. Os seres animados só podem viver aqui sob a condição de se entre-devorarem. A severa lei malthusiana é verdadeira em seu princípio, embora exagerada; ela é a expressão dos fatos que arontecem ao nosso redor.A lei de morte é a lei de todos os que vivem sobre a Terra. É nossa própria lei para nós mesmos.

Se nos fosse possível um dia juntar, ao final de nossa vida, a pilha colossal de seres que serviram para nos alimentar, cada um de nós ficaria verdadeiramente espantado com a imensa hecatombe! E o que dizemos de nós, todo ser animal herbívoro ou carnívoro, pode relacionar a si, em grau maior ou menor: a lei da vida, é a lei da morte. Eis o estado da Terra, estado incontestável, que ninguém sonhará pôr em dúvida e ao qual estão tão habituados i|ur ninguém pensa a respeito!

Essa lei de morte tem, além disso, um triste complemento nossa espécie, complemento não fatal, esperamos. Os homens, que já estão à frente do combate perpétuo que seres vivos travam sobre a Terra, levaram ao extremo essa lei desastrosa virando-a contra eles mesmos; e desde a origem das sociedades, entre as civilizações mais avançadas ou meio à barbárie, a Guerra, iníqua e insensata, tomou as rédeas das nações humanas. — Crê-lo-eis vós, populações pacíficas do espaço! O homem chegou aqui a tal aberração, que fez dessa Guerra uma deusa, e a adora!

Sim, os habitantes Terra contemplam com veneração este Moloch esfomeado; e, por uma convenção mútua, dão a palma das honras diadema da glória aos mais cruéis entre eles, cuja habilídade na carnificina é maior! Eis aí nosso mundo! Glória àquele que amontoa cadáveres nas planícies tingidas de vermelho; glória àquele que enche deles as valas; glória àquele cujo ardor frenético recruta o maior número de tigres ao redor de seu estandarte sangrento, e faz marchar hordas de carrascos sobre o ventre de nações dilaceradas!

Este estado de coisas que nos domina, que há muito tempo se tornou necessário, porque foi consagrado nossas instituições políticas, que têm sua origem na lei do mais forte; este estado de coisas é inerente a nossa espécie cujas necessidades materiais são imperiosas. As primeiras tribos selvagens que o historiador encontra na origem de todas as nações só puderam subsistir, como os animais, pelo direito da eleição natural, ou seja, pela conquista dos elementos de sua existência. Antes de saber falar, antes de haver imaginado alguma arte, antes mesmo de haver pensado, esses povos deviam fazer a guerra contra os animais e contra os homens, no momento em que lhes fosse necessário assegurar-se da propriedade de um território; essa guerra ora ofensiva, ora na defensiva, cujo único objetivo era fornecer aos combatentes os meios de uma vida segura, fundou os primeiros direitos e os primeiros poderes.

As tribos cresceram, mudaram de território, inquietas com os flagelos da natureza e atraídas prlo atrativo de uma vida mais feliz; elas se sucederam, estabeleceram a pátria e a nacionalidade, e, longe de abandonar entre os apetites primitivos a guerra em que nasceram, cada qual alimentou este monstro devorador que devia com a idade tornar-se ainda maior e mais terrível. Há muito tempo, as nações, chegadas à maturidade, armaram a guerra por orgulho e ambição; nossas necessidades primitivas estão satisfeitas mas nossa antiga barbárie permaneceu, agravada pelos refinamentos de uma ciência odiosa.

Assim, os vícios de nossa humanidade têm sua origem na própria organização do nosso mundo; a natureza humana está solidariamente ligada à natureza terrestre; se esta fosse superior ao que é presentemente, a primeira teria a mesma superioridade. Não hesitamos em imputar, a essa lei de morte que governa nosso mundo, a causa primeira do vício social de que falamos. Se essa lei terrível não existisse, a humanidade teria vivido desde o primeiro dia no seio da tranquilidade e da felicidade.

A maioria dos males que nos afligem encontraria sua causa primeira no estado de inferioridade de nosso mundo. Indo ao fundo da questão, reconhece-se que nossos vícios particulares, como nossos vícios sociais, não teriam nenhuma razão de ser sobre uma terra que não os provocasse. (..)

07 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 107, 118

O FANTASMA DA GUERRA
A Europa, na atualidade, é o gigante cansado, à beira do seu túmulo. Infelizmente, o senso arraigado do militarismo envenenou-lhe os centros de força. A Alemanha e a Itália superlotadas apelam para os recursos que a guerra lhes oferece. Não obstante todos os tratados e pactos em favor da tranquilidade européia, nunca, como agora, foi a paz, ali, tão vilipendiada. O Tratado de Versalhes e os Acordos de Locarno nada mais foram que fenômenos diplomáticos da própria guerra em perspectiva.

Nunca houve um propósito sincero de fraternidade e de igualdade nessas alianças. Em 1928, foi assinado o Pacto Briand-Kellogg, como se fora uma esperança para todas as nacionalidades. Entretanto, jamais, como nestes últimos anos, o armamentismo tomou tanto incremento, em todos os países do planeta. Só a França, nas suas estatísticas do ano passado, acusava uma despesa de mais de treze bilhões de francos, invertidos nos programas de sua defesa.

E, atrás dos grandes vasos de guerra, das metralhadoras de pesado calibre, das granadas destruidoras, escondem-se os novos gases asfixiantes e os terríveis elementos da guerra bacteriológica, que os algozes da ciência engendraram criminosamente para suplício dos povos. O momento é de angústia justificável. A própria Inglaterra, que nunca se encontrou tão poderosa e tão rica quanto agora, sente de perto a catástrofe; sua missão colonizadora toca, igualmente, o fim. Ao lado dos bens que os ingleses prodigalizaram a diversas regiões do planeta, houve de sua parte lamentável esquecimento: o de que cada povo tem a sua personalidade independente.

ÂNSIA DE DOMÍNIO E DE DESTRUIÇÃO

Diz-se que todo o Oriente se ocidentaliza na atualidade; todavia, o Oriente apenas aproveita o fruto de experiências que hoje lhe entrega a Civilização Ocidental, pressentindo o sintoma de sua decadência. O Cristianismo, deturpado na Europa, degenerado pela influenciação dos bispos romanos, não conseguiu ser o baluarte dessa civilização que, aos poucos, vai desmoronando.

As nações do Velho Mundo apenas cuidaram de dominar os outros países como seus vassalos; mas, é passada a época desses domínios injustificáveis. Os pretextos de expansionismo não se justificam dentro dos princípios da paz internacional e os movimentos de conquista apenas servem para enfraquecer a economia dos povos que se abandonam aos seus excessos.

A Europa moderna esqueceu-se de que a Ásia tem a massa considerável de setecentos milhões de almas, como elementos de energia potencial, aguardando igualmente o instante de sua necessária expansão; olvidou que a América é consciente, agora, de sua importância e de suas infinitas possibilidades, prescindindo da sua tutela e dos seus estatutos e, no momento atual, o continente europeu reconhece a ineficácia de suas teorias de paz, diante da sua necessidade irrevogável de guerra, de destruição.

Integrada no conhecimento de seus falsos princípios, edificados, todos eles, na base armamentista, a Civilização Ocidental reconhece o seu próprio desprestígio; há muitos anos, o vírus do morticínio lhe vem solapando os alicerces, e as épocas de aflição e de crise periodicamente se repetem. A França que, em 1870, foi procurar socorro às portas da Rússia poderosa dos czares, acossada pela Alemanha, volta-se hoje para a união pseudocomunista de Stalin, pedindo a mesma aliança para conjurar o perigo germânico.

A Grã-Bretanha observa, da sua tribuna, o movimento e prepara-se para surpresas eventuais; tentando conservar seu poderio, volve à política de conciliação; todavia, a guerra é inevitável no ambiente dessa civilização de monumentos grandiosos de ciência no plano material, mas feita de fogos-fátuos no domínio da espiritualidade. Os povos, em virtude da organização de suas leis, têm necessidade de deflagração dos movimentos bélicos. Não poderão viver muito mais tempo sem eles. A destruição lhes é necessária. A quem caberá então o cetro da cultura, a liderança do pensamento? Sabe-o Deus

NA DEPENDÊNCIA DA GUERRA
Terminada a última guerra, todos os povos ponderaram a necessidade de paz, dentro de uma política regeneradora. Esgotadas e empobrecidas, as nações européias idealizaram tratados, conferências e institutos que equilibrassem o continente, prevenindo-se contra a possibilidade de futuros arrasamentos. Alterou-se a carta geográfica do mundo europeu repartindo-se colônias, criou-se uma literatura antibélica e iniciaram-se novas experiências políticas com a formação das repúblicas soviéticas.

Mas a verdade é que cada país multiplicou os seus organismos de guerra; cada qual pensou na paz, trabalhando na sombra para as lutas do porvir. E quando, depois de anos a fio de conversações diplomáticas e de citações de determinados artigos dos supostos estatutos da tranquilidade coletiva, caíram os sonhos de um desarmamento geral e diminuíram em eficácia os processos da Sociedade de Genebra, o mundo viu, aterrado, aumentar os efetivos das forças armadas de todas as nações.

Vê-se, mais que nunca, que toda a vida do Ocidente depende da guerra. Milhares de operários têm suas atividades postas ao serviço da manufatura das armas homicidas. Milhares de homens estão empregados no trabalho de militarização. Milhares de criaturas se movimentam e ganham o pão cotidiano nas indústrias guerreiras.

SENTENÇA DE DESTRUIÇÃO

A civilização está em crise porque conheceu a sua sentença de destruição. A guerra, no seu mecanismo industrial, econômico e político, é imprescindível e inevitável. Comunismo e fascismo, nas suas oposições ideológicas, só poderão apressá-la. Ainda há pouco tempo, um jovem europeu exclamava para um colega americano: "Ai de nós! se nos prepararmos pelo estudo para a luta de nossas próprias edificações! bem sabemos que o Estado exigirá, amanhã, as nossas vidas. Temos de rir e beber para esquecer essas fatalidades irremediáveis."

Essa observação caracteriza, de fato, as calamidades morais da sociedade moderna. A ausência de um apoio espiritual estabelece a vacilação moral das criaturas. O sentimento dos homens requer uma base religiosa, e a transformação de quase todos os valores religiosos do Velho Mundo, em forças de política transitória, deu causa às fundas inquietações contemporâneas. As criaturas vivem a sua tragédia de pessimismo e descrença, à sombra dos governos de experiências tão penosas às coletividades e encaminham-se, com indiferença, para a subversão e para a desordem.

O FUTURO PERTENCERÁ AO EVANGELHO

A Civilização está em crise, repetimos com os observadores do mundo. Pode-se apontar como uma das causas desse estado caótico a defecção espiritual da Igreja Católica, negando-se a cumprir as determinações divinas para disputar um lugar de dominação, no banquete dos poderes temporários do mundo. Se houvesse mantido a sua posição espiritual, fortificando as almas no seu longo caminho evolutivo, como mediadora entre o Céu e a Terra, as transições sociais, inevitáveis, não seriam tão penosas para as gerações do século XX.

A estabilidade da Civilização Ocidental, sua evolução para o socialismo de Jesus, dependiam da fidelidade da Igreja Católica aos princípios cristãos. Mas, a Igreja negou-se ao cumprimento de sua grandiosa missão espiritual e o resultado temo-lo na desesperação das almas humanas, em face dos problemas transcendentes da vida. A luta está travada.

A Civilização em crise, organizada para a guerra e vivendo para a guerra, há de cair inevitavelmente; mas o futuro nascerá dos seus escombros, para viver o novo ciclo da Humanidade, sem os extremismos anti-racionais, na época gloriosa da justiça econômica. Não duvidemos, dentro da nossa certeza incontestável. O porvir humano pertence à vitória do Evangelho.

12 - Na seara do Mestre - Vinícius - pág. 78, 103

A Evolução da Guerra
"Julgais que vim trazer paz à Terra?' Não vim trazer paz, mas espada. Vim atear-fogo. E que mais quero se esse fogo está aceso?"
EVANGELHO

O homem põe e Deus dispõe — reza um conhecido rifão popular. Esse adágio é muito verdadeiro, revelando sua sabedoria em vários aspectos da vida humana. Basta que tenhamos "olhos de ver" para verificarmos o seu acerto. A conflagração que ora assola o mundo é do mais requintado egoísmo sob suas expressões de cobiça, conquistas, imperialismo, hegemonia. Nada obstante, no desenrolar dos acontecimentos, a guerra evolveu, do plano rasteiro e ignóbil onde foi gerada, para as esferas elevadas da espiritualidade, convertendo-se em luta da Luz contra as trevas; da Verdade contra a hipocrisia e as imposturas; da Liberdade contra a opressão declarada ou mascarada; da razão contra a força; do Direito contra o arbítrio e os privilégios; da Justiça contra a iniquidade, — finalmente — do Amor contra o egoísmo.

A peleja generalizou-se, abrangendo todos os setores: é de nação contra nação e de povo contra povo; é de grupo contra grupo no seio do mesmo povo; é de indivíduo contra indivíduo dentro do mesmo lar; é, em suma, do sentimento do bem contra o sentimento do mal, no recesso de cada coração, cumprindo-se assim o vaticínio daquele que é a luz do mundo e o caminho da verdadeira vida: "Eu não vim trazer paz à Terra, mas espada.

Vim atear fogo, e o que mais quero se esse fogo já está aceso?" Realiza-se, pois, a profecia do Vidente de Nazaré. O fogo está aceso! Suas chamas lançam às alturas imensuráveis os rubros clarões do incêndio que envolve o orbe terráqueo. Esse abrasamento só cessará após haver cumprido sua missão purificadora, destruindo as misérias e as injustiças sociais, preparando, ao mesmo tempo, a ambiência propícia à frutificação de uma nova humanidade que se regerá pelo Direito iluminado pelas claridades do Amor.

Os problemas sociais do pauperismo, do desemprego, da enfermidade, do crime e do vício revelados na parábola dos cabritos e das ovelhas, sob as figuras dos famintos, sedentos e nus, dos forasteiros que perambulam sem trabalho e sem lar e dos doentes sem assistência, constituem questões de grande relevância até aqui esquecidas e negligenciadas, conforme se deduz desta justa recriminação do Juiz julgador: "Tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; estive nu e não me vestistes; forasteiro e não me recolhestes; encarcerado e enfermo e não me visitastes."

O efeito desse criminoso descaso recai sobre todos, começando nos dirigentes, que são os mais responsáveis, estendendo-se, de grau em grau, até àqueles que possuem a menor parcela de autoridade. Os miseráveis, os desempregados, os enfermos e as vítimas do crime e do vício clamam, onde quer que se encontrem, em nome do Cristo, de Deus, contra o abandono a que foram votados, por isso que Jesus encarna seus males e suas dores, debaixo desta significativa expressão:

"Em verdade vos digo que todas as vezes, que deixastes de assistir a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer." Os párias e os órfãos protestam, pois, com ardor e veemência, como encarnações que são do Rei julgador, contra os foros da civilização materialista, ostentada pelas grandes e ricas-nações através dos arranha-céus, palácios, rodovias, monumentos, indústria, comércio e arte; protestam, ainda, em nome da moral e do espírito cristão, contra o Cristianismo que se diz reinar numa sociedade onde o Cristo se apresenta faminto, sedento, nu, enfermo, encarcerado e forasteiro, jazendo esquecido e abandonado! A espada foi desembainhada! O fogo está aceso! A profecia se cumpre!

18 - O Consolador - Emmanuel - pág. 47

Perg. 56 — Pode admitir-se, em Sociologia, o conceito de igualdade absoluta?
— A. concepção igualitária absoluta é um erro grave dos sociólogos, em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço.

Nessa questão existe uma igualdade absoluta de direitos dos homens perante Deus, que concede a todos os seus filhos uma oportunidade igual nos tesouros inapreciáveis do tempo. Esses direitos são os da conquista da sabedoria e do amor, através da vida, pelo cumprimento do sagrado dever do trabalho e do esforço individual. Eis por que cada criatura terá o seu mapa de méritos nas sendas evolutivas, constituindo essa situação, nas lutas planetárias, uma grandiosa escala progressiva em matéria de raciocínios e sentimentos, em que se elevará naturalmente todo aquele que mobilizar as possibilidades concedidas à sua existência para o trabalho edificante da iluminação de si mesmo, nas sagradas expressões do esforço individual.

Perg. 57 — Poderão os homens resolver sem atritos as chamadas questões proletárias?
— Sim, quando se decidirem a aceitar e aplicar os princípios sagrados do Evangelho. Os regulamentos apaixonados, as greves, os decretos unilaterais, as ideologias revolucionárias, são cataplasmas inexpressivas, complicando a chaga da coletividade. O socialismo é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não resvala para os pólos do extremismo.

Todos os absurdos das teorias sociais decorrem da ignorância dos homens relativamente à necessidade de sua cristianização. Conhecemos daqui os maus dirigentes e os maus dirigidos, não como homens ricos e pobres, mas como a avarentos e a revoltados. Nessas duas expressões, as criaturas operaram o desequilíbrio de todos os mecanismos do trabalho natural. A verdade é que todos os homens são proletários da evolução e nenhum esforço de boa realização na Terra é indigno do espírito encarnado.

Cada máquina exige uma direção especial, e o mecanismo do mundo requer o infinito de aptidões e de conhecimentos. Sem a harmonia de cada peça na posição em que se encontra, toda produção é contraproducente e toda boa tarefa impossível. Todos os homens são ricos pelas bênçãos de Deus e cada qual deve aproveitar, com êxito, os "talentos" recebidos, porquanto, sem exceção de um só, prestarão um dia, além-túmulo, contas de seus esforços.

Que os trabalhadores da direção saibam amar, e que os da realização nunca odeiem. Essa é a verdade pela qual compreendemos que todos os problemas do trabalho, na Terra, representam uma equação de Evangelho.

19 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 542, 671, 738, 742, 1009

Perg. 542 - Numa guerra, a justiça está sempre de um lado, como os Espíritos tomam partido a favor do errado?
- Sabeis perfeitamente que há Espíritos que só buscam a discórdia e a destruição. Para eles a guerra é a guerra; a justiça da causa pouco lhe importa.

Perg. 671 - Que devemos pensar das chamadas guerras santas? O sentimentoque leva os povos fanáticos a exterminar o mais possível os que não partilham de suas crenças, com o fim de agradar a Deus, não teria a mesma origem do sentimento que antigamente provocaria os sacrifícios humanos?
- Esses povos são impulsionados pelos maus Espíritos. Fazendo a guerra aos seus semelhantes, vão contra Deus, seja sob este, seja sob aquele nome. Como promover uma guerra de extermínio, porque a religião de um é diferente ou não atingiu ainda o progresso religioso dos povos esclarecidos? Os povos são escusáveis por não crerrem na palavra daquele que estava animado pelo Espírito de Deus e fora enviado por Ele, sobretudo, quando não o viram e não testemunharam os seus atos, e como querei que eles creiam nessa palavra de paz, quando os procurais de espada em punho? Eles devem esclarecer-se, e devemos procurar fazê-los conhecer a sua doutrina pela persuasão e a doçura, e não pela força e o sangue. A maioria de vós não acredita nas nossas comunicações com certos mortais; por que quereis então que os estranhos acreditarem nas vossas palavras, quando os vossos atos desmentem a doutrina que pregais?

Perg. 738 - Deus não poderia empregar, para melhorar a Humanidade, outros meios que não os flagelos destruidores?
- Sim, e diariamente emprega, pois deu a cada um os progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem quem não aproveita; então, é necessário castigá-lo em seu orgulho e fazê-lo sentir a sua fraqueza.

III—GUERRAS
Perg. 742. Qual a causa que leva o homem à guerra?
— Predominância da natureza animal sobre a espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie os povos só conhecem o direito do mais forte, e é por isso que a guerra, para eles, é um estado normal. A medida que o homem progride ela se torna menos frequente, porque eles evita as suas causas, e quando ela se faz necessária ele sabe adicionar-lhe humanidade.
Perg. 743. A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?
— Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticar a lei de Deus. Então, todos os povos serão irmãos.
Perg. 744. Qual o objetivo da Providência ao tomar a guerra necessária?
— A liberdade e o progresso.
Perg. 744-a. Se a guerra deve ter como efeito conduzir à liberdade, como se explica que ela tenha geralmente por fim e por resultado a escravização?
— Escravização momentânea para sovar os povos, a fim de fazê-los andar mais depressa.
Perg. 745. Que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito?
— Esse é o verdadeiro culpado e necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado para satisfazer a sua ambição.


25 - Religião dos Espíritos - Emmanuel - pág. 175

Meditemos - Reunião pública de 14-9-59 Questão n° 4
Revelando avançada paranóia, pela hipertrofia do orgulho ante as conquistas da civilização atual, há quem pretenda banir a idéia de Deus do pensamento humano, encastelando-se na demência disfarçada de grandeza. No torvo cometimento, situam-se todos os mentores do ateísmo histórico e prático, notadamente entre os povos-polvos, sequiosos de hegemonia e influência.

Todavia, quantos se consagram a semelhante monstruosidade do raciocínio esquecem-se de que apenas há quatro lustros as nações mais cultas do Globo se empenharam em pavorosa carnificina. No prélio terrível, salientavam-se os países superalfabetizados do mundo... Bastaram, porém, simplesmente alguns meses de luta para que se rebaixassem à condição de feras, fazendo renhir as garras sanguissedentas e fulminando as aquisições do espírito, com o objetivo de aniquilar a soberania da razão.

Quanto acontece agora, dispunham todos eles de tratados que lhes salvaguardavam as instituições livres... Isso, no entanto, não impediu esquecessem os compromissos internacionais, arrasando cidades abertas e incendiando vilarejos pacíficos. Enfileiravam largas bibliotecas de ciências sociais, em louvor da dignidade humana, mas caíram como chacais sobre mulheres e crianças indefesas, cruentando populações inermes.

Contavam com alevantado progresso da navegação marítima e com elevados princípios a lhes nortearem os movimentos, mas converteram os oceanos em teatros de pirataria e de sangue. Possuíam as mais nobres invenções, quais o avião e o rádio, o cinema e a grande imprensa, inclusive o domínio iniciante da energia nuclear; contudo, mobilizaram todos esses recursos no assalto a lares e hospitais, escolas e templos.

Nos campos reservados à concentração de prisioneiros, o envenenamento e o suplício da fome, a bestialidade e o assassínio foram considerados atos legais. Do sinistro balanço constaram milhões de cadáveres, milhões de mutilados, milhões de órfãos, milhões de feridos, milhões de desajustados... Não valeram descobertas da indústria, avanços da ciência, alturas filosóficas, ajustes políticos ou exaltações das letras. Tudo desceu às trevas da carnagem.

É que, quando a ambição se desregra entre os homens, cresce a força da injustiça, e, quando a injustiça se erige como poder supremo na face da Terra, habitualmente aparece o esquecimento de Deus, no âmago das elites. E, com o esquecimento do Criador, desentendem-se as criaturas, gerando conflito e destruição. Entregue ao livre-arbítrio, nos recessos da própria alma, pode o homem olvidar a Paternidade Divina e escarnecer a idéia religiosa que lhe traça roteiro moral, mas tomba nos arrastamentos da irresponsabilidade e da delinquência; pode, com ingratidão e crueldade, pregar à vida o desrespeito a Deus, mas a vida lhe responde com as trevas do caos.

LEMBRETE:

1° - O mundo cogitou de ciência, mas esqueceu a consciência, ilustrou o cérebro e olvidou o coração, organizou tratados de teologia e de política, fazenda tábua rasa de todos os valores da sinceridade e da confiança. É por isso, que vemos o polvo da guerra envolver os corações desesperados, em seus tentáculos monstruosos, enquanto há gigantes da nova barbaria, proferindo discursos bélicos, em nome de Deus, e sacerdotes abençoando, em nome do Céu, as armas da carnificina. Emmanuel

2° - Guerras
Ao contrário dos flagelos naturais, as guerras são provocadas pelo egoísmo e pela dureza dos sentimentos do homem. Neste caso, a destruição caracteriza-se como sendo abusiva porque atenta contra a vida dos seus semelhantes, revelando toda a inferioridade e a ignorância do ser humano das leis divinas. Os povos ainda primitivos em seu desenvolvimento espiritual não conhecem outro direito que não seja o do mais forte; por isso, a guerra para eles é tida como sendo um estado normal; porém, quando estes povos evoluírem e souberem promulgar suas leis de acordo com as leis de Deus, haverá então a fraternidade entre todos os homens.

Quando a Humanidade atingir tal patamar evolutivo, a guerra tornar-se-á necessária apenas para fundamentar as bases da liberdade e da evolução, pois este é o objetivo do Criador ao torná-la um mal necessário. Porém, todo aquele que incentivar a guerra objetivando apenas interesses pessoais, movido pelo egoísmo e pela ambição, será culpado pelas consequências que dela advier e necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado para satisfazer sua ambição (LÊ, 745). Grupo de Estudos

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