HADES
BIBLIOGRAFIA
01- AFINAL, QUEM SOMOS?, pag. 59 02 - ANALISANDO AS TRAD. BÍBLICAS, pg. 118, 244
03 - ESPÍRITO, PERISPÍRITO E ALMA, pag. 133 04 - EVOCANDO OS ESPÍRITOS, pag. 22
05 - NAS PEGADAS DO MESTRE, pag. 31 06 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESP., pag. 4, intr
07 - O EXILADO, pg. 199 08 - PSIQ. EM FACE DA REENCARNAÇÃO, pg. 21
09 - REENCARNAÇÃO, pag. 15, 70 10 -

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

HADES – COMPILAÇÃO

01 - HADES

Hades (em grego antigo: ?d??, transl. Hádes), na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos.

Equivalente ao deus romano Plutão, que significa o rico e que era também um dos seus epítetos gregos, seu nome era usado frequentemente para designar tanto o deus quanto o reino que governa, nos subterrâneos da Terra. Consta também ser chamado Serápis (deus de obscura origem egípcia).

É considerado um deus da "segunda geração" pelos estudiosos, oriundo que fora de Cronos (Saturno, na teogonia romana) e de Reia, formava com seus cinco irmãos os Crônidas: as mulheres Héstia, Deméter e Hera, e os homens Posidão e Zeus.

Ele é também conhecido por ter raptado a deusa Perséfone (Koré ou Core) filha de Deméter, a quem teria sido fiel e com quem nunca teve filhos. A simbologia desta união põe em comunicação duas das principais forças e recursos naturais: a riqueza do subsolo que fornece os minerais, e faz brotar de seu âmago as sementes - vida e morte.

Hades costuma apresentar um papel secundário na mitologia, pois o fato de ser o governante do Mundo dos Mortos faz com que seu trabalho seja "dividido" entre outras divindades, tais como Tanatos, deus da morte, ou as Queres (Ker) - estas últimas retratadas na Ilíada recolhendo avidamente as almas dos guerreiros, enquanto Tanatos surge nos mitos da bondosa Alceste ou do astuto Sísifo.6

Como o senhor implacável e invencível da morte, é Hades o deus mais odiado pelos mortais, como registrou Homero (Ilíada 9.158.159). Platão acentua que o medo de falar o seu nome fazia usarem no lugar eufemismos, como Plutão (Crátilo 403a).

O mito possui pequena influência moderna. Entretanto, foi objetivo de análises pela psicologia e adaptações cinematográficas; dentre essas últimas, a Disney recriou-o em dois momentos distintos, um em 1934 de forma experimental7 , e outro em 1997, como adversário de Hércules.

Temendo uma profecia que dizia que seria derrotado por um dos filhos, Cronos passou a devorar os filhos tão logo sua mulher, Reia, os tinha. Assim ocorrera a todos os filhos que teve, à exceção de Zeus que, para ser poupado, foi num ardil materno trocado pela mãe por uma pedra.8

Segundo Apolodoro (i.1.5) e Hesíodo (Teogonia 453-67) Cronos os devorou na seguinte ordem: primeiro a Héstia, em seguida Deméter e Hera e, mais tarde, a Hades e Posidão.4 9

Crescendo, o jovem deus teve novamente a ajuda materna para auxiliá-lo: Reia fez com que o marido engolisse uma beberagem que o forçou a vomitar os filhos presos dentro de si. Uma vez libertos, os irmãos ficaram solidários a Zeus, no combate contra o pai. Postaram-se, então, no monte Olimpo e, com ajuda dos titãs hecatônquiros, combateram os outros titãs, que se posicionaram no monte Ótris, numa batalha que durou dez anos.8

Os titãs solidários aos olímpicos — Briareu, Coto e Giges — deram aos três irmãos suas armas: a Zeus os raios, a Posidão o tridente; a Hades coube um capacete, que o tornava invisível.8 A derrota de Cronos deu-se com o uso das três armas: Hades, invisível com seu elmo, roubou ao pai suas armas e, enquanto Posidão o distraía com o tridente, Zeus o fulminou com seus raios.9

Sendo o mundo dividido em três partes, Zeus procedeu à divisão por sorteio dos reinos entre si e os dois irmãos: para si ficou a Terra e o Céu, a Posidão coube os mares e rios, ao passo que para Hades ficou o domínio sobre o mundo subterrâneo e os seres das sombras.10

Mais tarde Hades desposa Perséfone (a Prosérpina dos romanos, também chamada Core ou Kore), filha de sua irmã Deméter (Ceres, para os romanos), e que ao seu lado tornou-se a rainha dos mortos.11 O casal não teve filhos.6

Hades e Perséfone

O rapto de Perséfone.

Perséfone e Hades Plutão (com a cornucópia): gravura em fundo vermelho num kylix, ca. 440–430 a.C.
A união foi narrada por Thomas Bulfinch como decorrente da luta havida entre os deuses e os gigantes Tífon, Briareu, Encélado e outros: após terem sido aprisionados no Etna, os cataclismos provocados por suas lutas pela liberdade fizeram com que Hades temesse que seu mundo fosse exposto ao Sol.11

Então, a fim de verificar o que estava se passando, finalmente Hades decide sair de seu reino, montado em seu carro de negros corceis. Estava Afrodite, naquele momento, sentada no monte Érix junto a seu filho Eros (então personificado como Cupido) e desafiou-o a lançar suas flechas no deus solitário quando, por ali, a filha de Deméter transitava no vale de Ena (uma pradaria siciliana), igualmente solteira.11

Flechado pelo Amor, Hades rapta a bela sobrinha que, apavorada, clama por socorro à mãe e suas amigas mas, sem ter como reagir, acaba resignando-se. Hades excita os cavalos a fugirem o mais depressa possível até que chegaram ao rio Cíano, que se recusou a dar-lhe passagem. O deus então feriu-lhe a margem, abrindo a terra e criando uma entrada para o Tártaro.11
Outras variantes do mito colocam a sobrinha e amada de Hades às margens do rio Cefiso, em Elêusis, ou aos pés do Monte Cilene, na Arcádia, local em que uma caverna levava aos Infernos; noutras, próxima a Cnossos, em Creta. Também conta-se que Zeus, para ajudar o irmão na captura de Core, enquanto ela colhia flores, postou um narciso (ou um lírio) na beira dum abismo e ela, ao colher a flor, caiu, pois a Terra se abriu, ao aparecer Hades para capturá-la.4
Deméter parte numa busca inútil à filha, indo de Eos (a Aurora) até as Hespérides (no poente). Em sua peregrinação salva um menino, a quem incumbe de ensinar a agricultura aos homens. Desesperançada, pára à margem do mesmo rio Cíano onde a filha fora levada. A ninfa que ali habitava fica oculta, temendo represálias do deus dos Infernos, mas deixa fluir sobre as águas a guirlanda que Perséfone derrubara ao ser levada. Ao vê-la a deusa se revolta, culpando a terra por seu sofrimento: a maldição que lança provoca a infertilidade do solo e a morte do gado.11

Vendo a desolação provocada pela vingança da deusa, a fonte Aretusa resolveu interceder. Procurando Deméter, conta sua história - de como fora perseguida por Alfeu, no curso do rio de mesmo nome e, ajudada por Artêmis, que lhe abrira um caminho subterrâneo para a fuga até a Sicília, viu então Perséfone sendo levada por Hades — ainda triste, mas já ostentando o semblante de Rainha do Mundo Inferior.11
Uma variante narra a história da seguinte forma: após dez dias Deméter foi auxiliada por Hécate, deusa da lua nova, que a levou até Hélio, o Sol; este ter-lhe-ia contado o que ocorrera, acrescentando que o rapto fora consentido por Zeus. Dissera mais: que aceitasse o ocorrido, pois Hades "não era um genro sem valor". Mas a mãe, em seu desespero, recusa o conselho e, magoada com Zeus, abandona o Olimpo e passa então a vagar na terra como uma velha.12
A deusa de imediato vai ao Olimpo, onde pleiteia a Zeus fosse a filha restituída. O Senhor dos Deuses consente, impondo contudo a condição de que Perséfone não tivesse, no mundo inferior, ingerido alimento algum — uma condição que faria com que as Parcas vedassem-lhe a saída. Hermes, guia das almas, é enviado como mensageiro junto a Primavera. Hades concorda com o pedido mas, num ardil, oferece a Perséfone uma romã, da qual a jovem chupa alguns grãos, selando assim o seu destino, pois jamais poderia se libertar dos Infernos.11 13

Apesar de ter a esposa para sempre presa ao Submundo, o deus das sombras faz um acordo com a sogra, anuindo que Perséfone passasse uma parte do tempo ao seu lado e outra, com a mãe. Deméter concorda com o ajuste, e devolve à terra sua fertilidade.11

Os monarcas Hades e Perséfone não apenas governavam as almas dos mortos, mas tinham o papel de juízes da humanidade depois da vida. Nisto eram auxiliados por três heróis que foram, em vida, reconhecidos por seu senso de justiça e sabedoria: Minos, seu irmão Radamanto e Éaco que, numa versão mais tardia, era o responsável pelas portas do mundo inferior.14

Philip Wilkinson e Neil Philip dizem ser o tempo que Perséfone passa na terra junto à mãe, fazendo germinar e crescer as plantas, o equivalente à primavera e o verão; em contrapartida, quando volta para Hades, tem-se o inverno - quando a Terra é forçada a sofrer uma morte temporária.15

Raizes do mito

Estátua lembra o rapto de Perséfone.
Alexander Murray justifica, quando da divisão dos reinos entre os três irmãos crônidas, que para os antigos gregos, donos de agudo senso de observação das forças naturais, era necessário um poderoso deus a governar o mundo subterrâneo; afinal, uma força "de baixo" impulsionava o crescimento das plantas; das profundezas da terra os preciosos metais eram extraídos; para lá voltavam todos os seres vivos. Esse deus tinha que possuir um duplo caráter: primeiro, como fonte de todas as riquezas (o que é sugerido por seu nome latino Plutão), depois como monarca do obscuro reino, morado pela sombras dos mortos (sugerido pelo nome grego Hades).14

Enquanto a primeira atribuição — aquela de dar energia aos vegetais para erguerem-se a partir da semente mergulhada na obscuridade do solo, Hades é visto até como amigo dos homens, o segundo denotava um caráter severo, onde ele surge como deus implacável e incansável, pois não permite que ninguém saia de seu reino, uma vez ali tendo ingressado — este o destino inexorável de todos os homens: voltar para o reino de Hades.14

Nas versões mais primitivas, não havia qualquer possibilidade de um destino melhor, após a vida: Hades simplesmente reclamava de volta aquilo que dera. Mais tarde, contudo, surge a possibilidade de uma pós-vida de melhor sorte, onde a esperança duma vida futura mais feliz constituía a base dos chamados mistérios eleusinos; este sentido deriva diretamente do casamento de Hades com Perséfone, representando sua esposa a personificação de vida emergente e juventude. A romã, fruto que fizera com que Perséfone ficasse presa ao Hades, é também chamada de maçã do amor.14 O uso desta fruta na simbologia é, em razão do grande número de sementes, como sinal de fertilidade; entretanto, não há descedência da união de Hades e Core: a romã, em contradição ao seu significado, condenara a deusa à infertilidade.4

Relacionamentos

Hacquard registra que Hades permaneceu fiel à esposa Perséfone, salvo em duas ocasiões: a primeira quando teria se deixado enamorar pela ninfa do Cócito, Minta; perseguida pela rainha Core, foi transformada pelo deus em menta. A segunda teria sido o amor por uma oceânida.

O primeiro mito estaria ligado ao próprio rapto de Perséfone: Minta (ou Minte), ninfa que habitava o Submundo, mantinha com Hades um relacionamento, interrompido por seu casamento; a ninfa então, procurando recuperar o amante, passou a se vangloriar, dizendo ser mais bonita que sua rival, despertando a fúria em Deméter, mãe de Core. Deméter então puniu a moça presunçosa, fazendo em seu lugar surgir a menta.17

Noutra passagem, teria se apaixonado por Leuce, filha de Oceano, e que por isso foi transformada no álamo prateado.

Wilkinson e Philip registram que, quando Hades vinha à superfície, não era capaz de dominar os desejos pelas infelizes ninfas. Perséfone, contudo, sempre agia para conter esses impulsos e, assim, quando o marido se apaixonara por Minte, a transforma no hortelã; quando o mesmo ocorrera a Leuce, transformou-a no álamo.

Descendência atribuída

Embora a grande maioria dos relatos deem Hades como infértil, algumas passagens aleatórias atribuem-lhe paternidades esporádicas, sem contudo saber-se pormenores. Assim, segundo o Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, tiveram a paternidade atribuída a Hades: Zagreu (segundo Ésquilo, era o próprio Zeus do Submundo e assemelhado a Hades18 ), Macária, as Erínias (eram originariamente em número indeterminado; posteriormente consolidaram-se em três: Alecto, Tisífone e Megera)18 e Melinoe (ou Melina).19

02 - HADES

Hades, deus do mundo subterrâneo (ou deus do inferno) da mitologia grega (ou Plutão, na mitologia romana), filho de Cronos e Réia, irmão de Zeus, Héstia, Demeter, Hera e Poseidon. Era casado com Perséfone (Cora para os romanos), que raptou do mundo superior, para ter como sua rainha. Este mito ficou muito conhecido como o rapto de Cora . Ele a traiu duas vezes, uma quando teve um caso com a ninfa do Cócito e também quando se apaixonou por Leuce, filha do Oceano.

Hades dominava o reino dos mortos, um lugar onde só imperava a tristeza. Conseguiu esse domínio através de uma luta contra os titãs, que Poseidon, Zeus e ele venceram. Assim Poseidon ficou com o domínio dos mares, Zeus ficou com o céu e a Terra e Hades com o domínio das profundezas.

Era um deus quieto e seu eu nome quase nunca era pronunciado, pois tinham medo, para isso usavam outros nomes como o de Plutão. Um deus muito temido, pois no seu mundo sempre havia espaço para as almas. Seu mundo era dividido em duas partes: o Érebo onde as almas ficavam para ser julgadas para receber seus castigos ou então suas recompensas; e também a parte do Tártaro que era a mais profunda região onde os titãs ficavam aprisionados. Hades era presidente do tribunal, era ele que dava a sentença dos julgamentos.

Além das sombras e almas encontradas em seus domínios, era também cuidadosamente vigiado pelo Cérbero que era seu cão de três cabeças e cauda de Dragão. Era conhecido como hospitaleiro, pois nos seus domínios sempre tinha lugar para mais uma alma. O deus quase nunca deixava seus domínios para se preocupar com assuntos do mundo superior, fez isso duas vezes quando foi raptar sua esposa e a outra quando foi para o Olimpo se curar de uma ferida feita por Heracles.

Hades tinha o poder de restituir a vida de um homem, mas fez isso poucas vezes e muitas delas a pedido de sua esposa. Também conhecido como o Invisível, pois com a ajuda do seu capacete que o protege de todos os olhares. Este capacete também foi usado por outros heróis como Atena e Perseu.

Porém, ao contrário do que muitas pessoas pensam, Hades não é o deus da morte e sim o da pós-morte, ele comanda as almas depois que as pessoas morrem. Apenas Ares e Cronos são responsáveis pela morte e com isso até inimigos da humanidade, o que ele não era e sim temido por sua fama.

Referências:
http://contoselendas.blogspot.com/2005/08/hades.html
http://www.cdz.com.br/sse/index.php?showtopic=1654
http://www.encontroacp.psc.br/mitologia.htm
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/MGHades0.html

03 - HADES

Tema: Socrates e Platao, precursores da idéia crista
e do Espiritismo

A - Texto de Apoio:

* Do fato de haver Jesus conhecido a seita dos essenios, fora erroneo concluir-se que a sua doutrina hauriu-a ele na dessa seita e que, se houvera vivido noutro meio, teria professado outros principios. As grandes ideias jamais irrompem de subito. As que assentam sobre a verdade sempre tem precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos.

* Socrates, como o Cristo, nada escreveu, ou, pelo menos, nenhum escrito deixou. Como o Cristo, teve a morte dos criminosos, vitima do fanatismo, por haver atacado as crencas que encontrara e colocado a virtude real acima da hipocrisia e do simulacro das formas; por haver, numa palavra, combatido os preconceitos religiosos.

* A doutrina de Socrates so´ temos conhecimento pelos escritos de seu discipulo Platão.

* Resumo da doutrina de Socrates e de Platao:

I. O homem e uma alma encarnada.

II.A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ebria, porque se prende a coisas que estao, por sua natureza, sujeitas a mudancas; ao passo que, quando contempla a sua propria essencia, dirige-se para o que e puro, eterno, imortal, e, sendo ela desta natureza, permanece ai´ ligada, por tanto tempo quanto passa.

III. Enquanto tivermos o nosso corpo e a alma se achar mergulhado nessa corrupcao, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade.

IV. A alma impura, nesse estado, se encontra oprimida e se ve^ de novo arrastado para o mundo visivel, pelo horror do que e invisivel e imaterial.

V. Apos a nossa morte, o genio (daimon, demonio), que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reunem todos os que tem de ser conduzidas ao Hades, para serem julgados. As almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessario, sao reconduzidas a esta vida em multiplos e longos periodos.

VI. Os demonios ocupam o espaco que separa o ceu da Terra; constituem o laco que une o Grande Todo a si mesmo. Nao entrando nunca a divindade em comunicacao direta com o homem, e por intermedio dos demonios que os deuses entram em comercio e se entretem com ele, quer durante a vigilia, quer durante o sono.
Obs.: A palavra daimon designava tanto seres malfazejos quanto todos os Espiritos, em geral, dentre os quais se destacavam os Espiritos superiores, chamados deuses, e os menos elevados, ou demonios propriamente ditos, que comunicavam diretamente com os homens.

VII. A preocupacao constante do filosofo (tal como o compreendiam Socrates e Platao) e, a de tomar o maior cuidado com a alma, menos pelo que respeita a esta vida, que nao dura mais que um instante, do que tendo em vista a eternidade.

VIII. Se a alma e imaterial, tem de passar, apos essa vida, a um mundo igualmente invisivel e imaterial, do mesmo modo que o corpo, decompondo-se, volta a materia.

IX. Se a morte fosse a dissolucao completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vicios. Aquele que guarnecer a alma, nao de ornatos estranhos, mas com os que lhe sao proprios, so´ esse podera aguardar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo.

X. O corpo conserva bem impressos os vestigios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Da-se o mesmo com a alma.

XI. De duas uma: ou a morte e uma destruicao absoluta, ou e passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte sera como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciencia de nos mesmos. Todavia, se a morte e apenas uma mudanca de morada, a passagem para o lugar onde os mortos se tem de reunir, que felicidade a de encontrarmos
la aqueles a quem conhecemos!

XII.Nunca se deve retribuir com outra uma injustica, nem fazer mal a ninguem, seja qual for o dano que nos hajam causado.

XIII. E pelos frutos que se conhece a arvore. Toda acao deve ser qualificada pelo que produz: qualifica-la de ma, quando dela provenha mal; de boa, quando de^ origem ao bem.

XIV. A riqueza e um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza nao ama a si mesmo, nem ao que e seu; ama a uma coisa que lhe e ainda mais estranha do que o que lhe pertence.

XV. As mais belas preces e os mais belos sacrificios prazem menos a Divindade do que uma alma virtuosa que faz esforcos por se lhe assemelhar.

XVI. Chamo homem vicioso a esse amante vulgar, que mais ama o corpo do que a alma.

XVII. A virtude nao pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que a possuem.

XVIII. E disposicao natural em todos nos a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos, do que dos de outrem.

XIX. Se os medicos sao mal sucedidos, tratando da maior parte das molestias, e que tratam do corpo, sem tratarem da alma.

XX. Todos os homens, a partir da infancia, muito mais fazem de mal, do que de bem.

XXI. Ajuizado seras, nao supondo que sabes o que ignoras.

B - Questão para estudo e dialogo virtual:

1 - Sendo Jesus um espirito de tao grande envergadura, por que haveria de enviar Socrates e Platao para serem seus precursores?
CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

04 - HADES

A Região do Umbral
Gilberto Schoereder

As histórias que chegam até nós a respeito do Umbral mostram um local de sofrimento como dificilmente podemos imaginar. Para falar mais sobre o assunto e esclarecer alguns pontos, conversamos com o médium e escritor Alceu Costa Filho, que vem publicando seus livros pela Petit Editora.

Natural de Bicas, Minas Gerais, o médium Alceu Costa Filho não apenas tem psicografado vários livros, mas também é capaz de realizar efeitos mediúnicos de natureza física, entre eles a materializaçào de espíritos. Foi por orientação de seus mentores espirituais que passou a se dedicar com exclusividade ao seu lado intelectual.

A mediunidade já foi percebida na adolescência e, segundo ele explica, não lhe faltou apoio da família. Foi nessa época que Alceu viajou com um amigo até Pedro Leopoldo, com o objetivo de conhecer Chico Xavier. Também teve a oportunidade de entrar em contato com José Pedro de Freitas, mais conhecido como Zé Arigó, que já chegou a ser conhecido como o médium de cura mais famoso do Brasil. Incorporando o dr. Fritz, Arigó dirigiu-se a Alceu, incentivando-o a prosseguir em seu caminho espiritual e dizendo-lhe para estudar. Os estudos e o trabalho espiritual resultaram, em 1983, na fundação do Cenáculo Espírita Fraternidade, em Belo Horizonte.

Alceu diz que os espíritos preparam-no para o trabalho de psicografia. "Sempre trabalhei com a psicofonia, emprestando minha voz aos espíritos, e recebendo, pela vidência e audiência, instruções e orientações, das quais sempre me considerei apenas e tão-somente um simples mensageiro". A tarefa da psicografia é seu objetivo fundamental, hoje. Já foi médium de efeitos físicos, atividade permitida, segundo explica, pelas entidades misericordiosas. Mas a mesma espiritualidade orientou-o no sentido de se afastar dessa linha de atuação, concentrando-se na obra literária. "Eu sou aposentado", ele explica, "e disponho, portanto, de tempo para me dedicar a essa tarefa, que realizo com muito carinho e respeito pelos espíritos, todos os dias, a partir das seis e quinze da manhã".

Ele diz que, no início, recebeu muitas mensagens, procurando orientação nas pessoas que sempre considerou médiuns exemplares. No entanto, foi a própria espiritualidade que se encarregou de motivá-lo e ampará-lo. "Eu vejo e ouço os amigos do outro lado, e não posso deixar de registrar minha gratidão pelas lições de vida que deles recebi. Os espíritos Filipe, Xisto Vinheiros, Cornélio Pires e Nina Arueira são aqueles aos quais estou servindo de intermediário, no momento".

O médium mineiro participou ativamente do movimento espírita mineiro e, hoje em dia, realiza seu trabalho de mediunidade no grupo que ajudou a fundar, realizando também tarefas de assistência social.

Várias linhas espirituais falam sobre um lugar de trevas, para onde criaturas que desencarnam em situação de muita dor, ódio, suicídio, etc. acabam indo. Como e quando surgiu a palavra Umbral no espiritismo?

Amplamente usada por André Luiz através da psicografia de Chico Xavier, hoje faz parte da linguagem espírita para definir zonas de dor e sofrimento. Definida nos dicionários (Aurélio) como: “Limiar da Entrada”, este sempre existiu como conseqüência natural da mente humana. Na obra Nosso Lar encontramos, nas palavras de Lísias: “O Umbral começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram atravessar as portas dos deveres sagrados a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano de erros numerosos”.

Via de regra, até quanto tempo uma alma pode passar no Umbral? Em que circunstâncias a alma pode ser resgatada e ir para uma dimensão mais elevada?

A) O tempo que sua consciência determinar.

B) A partir de seu despertar para as verdades eternas. Um espelho sujo não pode refletir a luz.

O Umbral também possui vários planos de existência?

No Livro dos Espíritos, as questões 101 a 106 e seguintes, tratam bem do assunto, explicando-nos as diferentes categorias de espíritos. Portanto, os agrupamentos são determinados pelas afinidades vibratórias formando núcleos pela concentração de tendências e desejos gerais. Compreendemos que cada criatura vive daquilo que cultiva em qualquer dos planos da vida.

No livro Memórias de um Suicida nós temos um relato no mínimo tétrico dessa região e dos espíritos que ali habitam. Alguns videntes dizem que quem ali se encontra, muitas vezes não consegue enxergar espíritos consoladores, de tão densos que são os seus corpos etéricos. O senhor poderia nos falar um pouco sobre isso?

Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, capítulo Ensino Teórico das Sensações dos Espíritos, questão 257, cita: “Não possuindo órgãos sensitivos, eles podem, livremente, tornar ativas ou nulas suas percepções". Uma só coisa são obrigados a ouvir: os conselhos dos Espíritos bons. A vista, essa é sempre ativa; mas eles podem fazer-se invisíveis uns aos outros. Conforme a categoria que ocupem podem ocultar-se dos que lhes são inferiores, porém não dos que lhes são superiores.

Muitos dizem que o Umbral é o pensamento global dos sofredores plasmado no éter próximo à crosta da Terra. Isso é verdade?

Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Divaldo, em Nas Fronteiras da Loucura, assim o descreve: “Composta de elementos que me escapavam, eram e são, no entanto, vitalizadas pelas sucessivas ondas mentais dos habitantes do planeta, que de alguma forma sofrem-lhe a condensação perniciosa”.

Existem espíritos além de qualquer possibilidade de resgate? É possível um espírito, de tão maligno, ter sua centelha divina extinta para sempre ou então reencarnar no corpo de um animal?

Seria negar a justiça divina. Todos nós, por momentos ou séculos, atravessamos estas regiões. Todos fomos criados com o objetivo de evolução, e sermos condenados a penas eternas ou retroagirmos por castigo, é negar os princípios de amor e perdão pregados pelo Cristo. Na questão 194 do Livro dos Espíritos encontramos: “A alma não pode regredir, afirmar ao contrário seria negar a lei de progresso.”

Como se dá a reencarnação de espíritos que não conseguem sair do Umbral?

A questão 330 do Livro dos Espíritos nos responde: “A reencarnação é então uma necessidade, assim como a morte é uma necessidade da vida corporal". Ainda no Livro dos Espíritos, questão 1006, encontramos o ensinamento de São Luís de que “ninguém é totalmente mau”. E em João, cap. 1 a 12: “Em verdade vos digo, ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo”. Cedo ou tarde todos despertamos para a luz. Deus oferece a todos oportunidades iguais, facultando a cada um o que melhor lhe aprouver, enquanto assim o deseja, dentro do céus ou do inferno que construiu para si. Somos escravos de nossas culpas, mas também construtores de nosso amanhã.

Qual dos seus livros trata mais de perto da existência do Umbral?

À Sombra da Luz.

Existe uma hierarquia entre os habitantes desse plano?

Sim, dentro das conquistas de cada um, de conformidade com os ideais que alimentam.

Qual é o elo de ligação entre essas entidades?

Através da psicografia de Chico Xavier, em Ação e Reação, André Luiz nos relata, no capítulo 19: “...situado entre dolorosa região de sombra cultivada pelas mentes, em geral, rebelde e ociosa, desvairada e enfermiça.” Em Nosso Lar, capítulo 12: “Lá vivem e agrupam-se os revoltados de toda espécie, formam igualmente, núcleos invisíveis de notável poder, pela concentração de afinidades comuns.”

É verdadeira a informação de que o plano umbralino envolve o nosso planeta, num verdadeiro “cinturão” vibratório?

Em nossa busca pelo aprendizado, encontramos a palavra esclarecedora de Manoel Philomeno de Miranda, em sua obra Nas Fronteiras da Loucura, psicografado por Divaldo. No capítulo 19 lemos: “...percebi haver em torno da Terra, faixas vibratórias concêntricas, que a envolviam, desde as mais condensadas, próximas à esfera física, até as mais sutis, distanciadas do movimento humano da crosta”.

É possível mencionar algumas das fraternidades que se dedicam a amparar e a resgatar os espíritos que, se encontrando no Umbral, arrependem-se dos seus erros, rogando a misericórdia de Deus?

Nossos amigos espirituais nos orientam que estes postos de socorro, núcleos de atendimento e apoio são criados e sustentados por aqueles voltados ao bem que já de há muito dispõem de condições para trabalho em esferas mais elevadas, no entanto preferem servir na prática do amor onde a dor é mais aguda. Note-se que nos referimos às equipes existentes no plano espiritual. Como são inúmeras e evitando incorrer em erro, pois naturalmente omitiríamos, por esquecimento e por desconhecê-las, muitas, preferimos não citar aquelas que são de nosso conhecimento.

É recomendável vibrar ou fazer preces pelos espíritos que se encontram no Umbral?

Jesus nos afirma através de Mateus, no capítulo 9, vers. 10 a 12 do Evangelho Segundo o Espiritismo: “Não são os que gozam de saúde que precisam de médico”. Veja-se ainda, no capítulo 27, questão 18 (prece pelos mortos e espíritos sofredores): “... a prece tem sobre eles uma ação mais direta, reanima-os, incute-lhes o desejo de se elevar pelo arrependimento e pela reparação...”. Como espíritas, compreendemos ser a prece uma sublime oportunidade de praticar a caridade.

Os espíritos em condição mais elevada transitam – se assim o desejarem – pelas regiões umbralinas?

Na obra Ação e Reação, de André Luiz, encontramos no capítulo 15 a descrição de uma destas muitas incursões feitas por aqueles que ali vão na prática do serviço fraterno em nome de Jesus, o que nos faz compreender que em parte alguma é escasso o amparo do Mais Alto.

Aqueles que lá se encontram conseguem influenciar os encarnados? Descreva, se possível, como acontece essa influenciação.

Manoel Philomeno de Miranda descreve, através da psicografia de Divaldo, em Nas Fronteiras da Loucura: “Em muitos desses sítios programam-se atentados sórdidos contra os homens e elaboram-se atividades que objetivam a extinção do bem, assim como a instalação do primado da força bruta no mundo. Pelo processo de sintonia, desencarnados imantam-se àqueles que lhe são afins, sempre conjugando os valores morais que os caracteriza”.

Os encarnados – em sonhos ou em desdobramentos – conseguem penetrar nessas regiões sofredoras?

Buscamos no Livro dos Espíritos, capítulo 8, a questão 402, que ilustramos a seguir: “... os espíritos dedicados ao bem, ao se libertar da vestimenta carnal vão reunir-se a outros espíritos com os quais se instruem e trabalham. Todavia, a massa de homens vai seja para regiões ou mundos inferiores onde velhas afeições os evocam”.

O Vale dos Suicidas – citado por muitos espíritas – existe realmente?

Acreditamos que sim, pois a sintonia atrai as vibrações similares que aproximam e vinculam as almas. Vive-se, portanto, em comunhão constante com aqueles aos quais nos afinamos psiquicamente.

Existem trabalhos de desobsessão no Cenáculo Espírita Fraternidade para auxiliar os espíritos que se encontram nas regiões umbralinas?

As reuniões de ajuda e esclarecimento a irmãos sofredores fazem parte da rotina de atividades de nossa casa. As de desobsessão são realizadas atendendo às orientações de nossos mentores, quando as julgam necessárias e se estivermos aptos para tal.

O Umbral corresponderia ao Hades grego ou ao purgatório da Igreja Católica?

A descrição de nossos mentores e irmãos espirituais, nas muitas obras que tratam do assunto, nos levam a crer que sim. Citaremos para referência as obras de André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, e ilustraremos com as palavras de Manoel Philomeno de Miranda através de Divaldo, em Nas Fronteiras da Loucura: “...colônias específicas por sua maldade construídas, nas quais fazem supor tratar-se de purgatórios e infernos governados por verdadeiros gênios do mal...”.

Fale sobre o seu último livro, que está sendo lançado pela Petit Editora.

Filipe nos relata com detalhes a formação de um posto de socorro junto às sombras, descrevendo com riqueza de detalhes essas regiões de dor e sofrimento, quando nos é dada ainda a oportunidade de conhecer um de seus lideres, à frente de inúmeros seguidores. Todo o relato feito por nosso irmão se passa nestas regiões de dor e sofrimento.

Finalize, Alceu, com uma mensagem para os leitores da revista Espiritismo & Ciência.

Se nos fosse possível conhecer a extensão do nosso hoje, certamente saberíamos melhor aproveitar as oportunidades que nos são ofertadas por Deus. O Consolador prometido por Jesus veio em tempo certo, encontrando muitos já prontos para assimilar seus princípios, enquanto outros ainda à margem da estrada, insistem em manter-se ausentes dos compromissos que lhes cabem em sua oportunidade de evolução. Outros ainda, ao se aproximarem da doutrina consoladora, o fazem moldando-a a seu critério, esquecendo-se de que esta é a única que pode encarar a razão face a face, em qualquer época da humanidade. Portanto, como espíritas, cumpre-nos o dever de execução das palavras de Jesus, que nos determina “Amar a Deus sobre todas a coisas e ao próximo como a nós mesmos”, e o Espírito de Verdade nos fornece o direcionamento que é a luz, o caminho correto para nos beneficiarmos da oportunidade de sermos espíritas cristãos. “Espíritas, amai-vos, espíritas instrui-vos”; estes princípios são imprescindíveis a qualquer ação que nos leve à conquista de nossa evolução. Tornemo-nos, portanto, a ponte entre a dor e a esperança, a sombra e a luz do esclarecimento, o pão e a fome, o ódio e o amor, encurtando as distâncias entre nós e Jesus.

Livros de Alceu Costa Filho:

Nas Margens do Grande Rio
O Diário de Sofia
Ao Entardecer de uma Existência
Do Amor Nasce o Perdão
Entre Amigos
À Sombra da Luz

05 - HADES

Sobre os Anjos guardiães

Segundo a doutrina espírita, os anjos não são seres à parte, de uma natureza especial: são Espíritos da primeira ordem, isto é, aqueles que chegaram ao estado de puros Espíritos, depois de
terem passado por todas as provas.

“Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos guardiães. Pensar que tendes sempre perto de vós seres que vos são superiores, que estão sempre aí para vos aconselhar, vos amparar, para vos ajudar a subir a áspera montanha do bem, que são amigos mais fiéis e mais devotados que as mais íntimas ligações que se pode contrair nesta Terra, não é uma ideia bem consoladora? Esses seres estão ao vosso lado por ordem de Deus; foi ele que os colocou perto de vós, e eles aí estão por amor a Deus e cumprem junto de vós uma bela e penosa missão. Sim, onde quer que estejais ele estará convosco: os calabouços, os hospitais, os lugares de devassidão, a solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mascujo suave influxo vossa alma sente, e ouve seus sábios conselhos.”

É intrigante constatar que uma verdade tão suave e consoladora, tão importante para o progresso moral, quase não encontre eco no coração do homem.

A doutrina dos Anjos guardiães é muito antiga. Ela se encontra na filosofia grega, como se pode ler na Doutrina de Sócrates e Platão: Após a nossa morte, o gênio (daimon, demônio), que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que têm de ser conduzidos ao Hades, para serem julgados. As almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos.

Eis aí a ideia de um Espírito superior designado para acompanhar as almas durante a vida, após a morte e também reconduzi-las a uma nova encarnação. Sócrates, um dos mais sábios filósofos de que se tem notícia, consultava constantemente seu daimon, seu bom gênio, seu anjo guardião. O grande filósofo não escondia sua estreita relação com um amigo invisível. Santo Agostinho, filósofo cristão muito respeitados ainda nos dias de hoje, dialogava com uma voz que lhe falava na acústica da alma. Diz ele, em seu Solilóquios:

“Desde muito tempo eu repassava mil pensamentos diversos; constantemente e com todos os meus esforços eu procurava saber quem eu sou, qual é meu bem, qual mal eu devo evitar, quando, de repente escutei uma voz – se era eu mesmo ou uma voz estranha surgindo em mim, eu não sei, pois é precisamente o que ardentemente eu trabalho para saber.”

Agostinho chamou aquela voz misteriosa de Razão; estabeleceu com ela diálogos profundos e publicou-os num livro que, por sugestão dessa mesma Razão, intitulou: Solilóquios.

“Todos os homens são médiuns; todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Pouco importa que alguns se comuniquem diretamente com ele por uma mediunidade particular e que outros não o ouçam senão pela voz do coração e da inteligência; nem por isso ele deixa de ser o seu Espírito familiar que os aconselha.
Chamai-o Espírito, razão, inteligência, é sempre uma voz que responde à vossa alma e

1 Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas - Vocabulário Espírita – ANJO.

2 O Livro dos Espíritos, item 495, e Revista Espírita, janeiro de 1859.

3 O Evangelho segundo o Espiritismo - Introdução - Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão

4 Soliloques de Saint Augustin, traduite par M. Pellissier, Paris, 1853.

5 Como ela [a conversação] se passa somente entre nós, tenho intenção de a chamar e intitular: Solilóquios; a palavra é nova, e talvez bábara, mas é bem própria para mostrar o que eu quero dizer. (Soliloques de Saint Augustin, Livre II) vos dita boas palavras. Só que nem sempre as compreendeis. Nem todos sabem agir segundo os conselhos dessa razão, não dessa razão que se avilta e se arrasta ao invés de marchar; dessa razão que se perde em meio aos interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de si mesmo; que o transporta para regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o artista e o poeta; pensamento divino que eleva o filósofo; sopro que arrasta os indivíduos e os povos; razão que o vulgo não pode compreender, mas que aproxima o homem da divindade mais que qualquer outra criatura; entendimento que sabe conduzi-lo do conhecido para o desconhecido e o faz executar os atos mais sublimes. Escutai, pois, essa voz interior, esse bom gênio que vos fala sem cessar e chegareis, progressivamente, a ouvir o vosso anjo da guarda que do alto do Céu vos estende as mãos.”

Essas palavras de Channing, repassadas de sabedoria, são mais que um incentivo para que busquemos comungar constantemente com o nosso Anjo guardião. Não buscá-lo é grande ingratidão para com esse amigo solícito e para com o Criador que o colocou ao nosso lado para nos conduzir ao bem e à felicidade suprema. Quantos tropeços não evitaríamos se buscássemos ouvir sempre os conselhos desse amigo invisível, sempre atento e disposto a nos ajudar! Allan Kardec, mesmo com toda sua capacidade intelecto-moral, não deixou de se aconselhar sempre com seu Guia, seu Anjo guardião.

Após sua morte, seus amigos publicaram, em obras póstumas, alguns diálogos que o Mestre teve com seu Guia espiritual, já em 1856, quando Kardec iniciava suas pesquisas sobre os Espíritos. Consta que numa noite em que ele escrevia sobre a ciência espírita, sozinho em sua casa, ouviu pancadas insistentes que não sabia de onde vinham. A Sra. Allan Kardec chegou em casa e também ouviu as pancadas; ambos procuram de onde vinham, mas sem êxito. No dia seguinte, em casa do Sr. Baudin, Kardec contou o fato e pediu explicações. Um Espírito lhe disse, pela mediunidade da Sra. Baudin, que era seu Espírito familiar que desejava se comunicar com ele. Kardec então perguntou se ele poderia dizer quem era, ao que o Espírito respondeu: Ele está aqui, pergunta tu mesmo. Eis algumas poucas passagens desses diálogos:

P. - Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos por terdes vindo me visitar. Consentiríeis em dizer-me quem sois? R. - Para ti, eu me chamarei A Verdade, e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.

P. - Ontem, quando batestes, enquanto eu trabalhava, tínheis alguma coisa de particular a me dizer? R. - O que eu tinha a te dizer era sobre o trabalho que tu fazias; o que tu escrevias me desagradava, e eu queira te fazer cessar.

Observação - O que eu escrevia era precisamente relativo aos estudos que estava fazendo sobre os Espíritos, e suas manifestações.

P. - A vossa desaprovação era precisamente relativa ao capítulo que eu escrevia, ou sobre o conjunto do trabalho? R. – Sobre o capítulo de ontem; submeto-o ao teu juízo; relê-o esta noite; tu reconhecerás tuas faltas e as corrigirás.

P - Eu mesmo não estava satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor? R. - Está melhor, mas não bastante bom. Lê da 3ª à 30ª linha e reconhecerás um grave erro.

P. – Eu rasguei o que havia feito ontem. R. - Não importa! O fato de teres rasgado não
impede que a falta persista; relê e tu verás.

P. - O nome de Verdade que tomastes é uma alusão à verdade que eu busco? R. - Talvez; pelo menos é um guia que te protegerá e te ajudará.

P. - Poderei evocar-vos em minha casa?

R. - Sim, para te assistir pelo pensamento; mas, para respostas escritas, em tua casa, só daqui a muito tempo poderás obtê-las.

6 Revista Espírita, janeiro de 1861 - Ensino espontâneo dos Espíritos - A voz do anjo da guarda, e O Livro dos Médiuns

- Segunda parte - Das manifestações espíritas, cap. XXXI - Dissertações espíritas - Sobre os médiuns, X.

Observação - Com efeito, durante cerca de um ano não pude obter, em minha casa, nenhuma comunicação escrita, e cada vez que ali se encontrava um médium, do qual eu esperava obter alguma coisa, uma circunstância imprevista a isso se opunha. Eu não obtinha comunicações senão fora de minha casa.
No dia 9 de abril de 1856, novamente em casa do Sr. Baudin, Kardec teve mais um diálogo com seu Guia:

Pergunta (à Verdade) - Criticastes o trabalho que eu havia feito outro dia, e tínheis razão.
Eu o reli e encontrei na 30ª linha um erro contra o qual protestastes por meio de pancadas. Isso me levou a descobrir outras faltas e a refazer o trabalho. Estais agora mais satisfeito?

R. - Acho-o melhor, mas aconselho-te que esperes um mês para divulgá-lo.

P. - Que entendeis por divulgá-lo? Não tenho, certamente, a intenção de publicá-lo ainda, se por ventura deverei fazê-lo.

R. - Eu quis dizer mostrá-lo a estranhos. Busca um pretexto para recusá-lo aos que te pedirem para vê-lo. Daqui até lá melhorarás o trabalho. Faço-te esta recomendação para evitar a crítica; é de teu amor-próprio que cuido.

P. - Dissestes que sereis para mim um guia, que me ajudareis e protegereis. Compreendo essa proteção e seu objetivo, numa certa ordem de coisas, mas poderíeis me dizer se essa proteção também se estende às coisas materiais da vida?

R. - Nesse mundo, a vida material é para ser levada em conta; não te ajudar a viver seria não te amar. Não se encontra aí a terna e amorosa proteção de um Anjo solícito a velar por seu protegido, até mesmo nas questões relativas à vida material?

Imaginemos como seria se Kardec não tivesse dado ouvidos ao seu Guia, que era o próprio Espírito de Verdade...

Em sua sábia humildade, o Mestre recorria sempre ao Amigo invisível, sempre presente e solícito, e assim nos legou o exemplo de como deve ser nossa relação com os nossos Anjos guardiães. Vejamos um pequeno trecho em que Kardec, em um de seus discursos aos Espíritas de Bordeaux, se refere ao seu Guia espiritual com muita naturalidade:

(...)“Sim, senhores, o fato não só é característico, mas providencial. Eis, acerca deste assunto, o que ainda ontem, antes da sessão, dizia meu guia espiritual, o Espírito de Verdade:”
“Deus marcou com o cunho de sua vontade imutável a hora da regeneração dos filhos desta grande cidade. À obra, pois, com confiança e coragem. Esta noite os destinos de seus habitantes vão começar a sair da rotina das paixões que sua riqueza e seu luxo faziam germinar como joio junto ao bom grão, para atingir, pelo progresso moral que lhe vai imprimir o Espiritismo, a altura dos destinos eternos. Tu vês que Bordeaux é uma cidade amada pelos Espíritos, pois vê multiplicar-se em seus muros os mais sublimes devotamentos da caridade, sob todas as formas. Assim, eles estavam aflitos por vê-la na retaguarda do movimento progressivo que o Espiritismo acaba de impor à Humanidade.

Mas os progressos vão ser tão rápidos, que os Espíritos bendirão o Senhor por ter-te inspirado o desejo de vir ajudá-los a entrar nesta via sagrada” A Doutrina Espírita é repleta de textos que nos convidam a nos aproximar de nossos Anjos guardiães. Ah, se pais e mães evocassem sempre seus Anjos, e também os Anjos aos quais Deus confiou a guarda dos Espíritos encarnados como seus filhos, para pedir-lhes conselhos sobre a melhor condução desses Espíritos, a quantos enganos e dores não se poupariam! Certamente a missão dos Anjos guardiães seria mais amena e lograria mais êxito.

Banquete oferecido a Allan Kardec - Discurso e brinde do Sr. Allan Kardec.

Se todos os homens, não importando a classe social a que pertençam, ouvissem sempre esses Espíritos superiores, a humanidade estaria melhor, mais justa e mais feliz.
E aqueles que desejam orar aos seus Anjos, e não sabem o que lhes dizer, encontrarão um modelo de prece deixado pelos Guias da humanidade, em o Evangelho segundo o Espiritismo.
Finalizando, reproduzimos aqui um conselho de dois Anjos, amigos sempre solícitos:

“Não receeis fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco. Sereis assim mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada um com o seu Espírito familiar que fazem sejam médiuns todos os homens, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão qual oceano sem margens, levando de roldão a incredulidade e a ignorância. Homens doutos, instruí os vossos semelhantes; homens de talento, educai os vossos irmãos. Não
imaginais que obra fazeis desse modo: a do Cristo, a que Deus vos impõe. Para que vos outorgou Deus a inteligência e o saber, senão para os repartirdes com os vossos irmãos, senão para fazerdes que se adiantem pela senda que conduz à bem-aventurança, à
felicidade eterna?”10 São Luís, Santo Agostinho.