HARMONIA
BIBLIOGRAFIA
01- Convites da vida - pág. 89 02 - Correlações espírito matéria - pág. 13
03 - Estude e viva- pág. 156, 194, 200 04 - Hipnotismo e espiritismo - pág. 275
05 - Nas pegadas do Mestre - pág. 72 06 - No limiar do Etéreo - pág. 81, 84
07 - O fenômeno Espírita- pág. 102 08 - O grande enigma - pág. 55
09 - O Livro dos Espíritos - q 8, 70, 113, 119 10 - Os funerais da santa sé - pág. 69
11 - Parapsicologia hoje e amanhã - pág. 176 12 - Revista espírita 1869 - pág. 86
13 - Sessões Práticas e doutrinárias do Esp. - pág. 189 14 -
HARMONIA FLUÍDICA
BIBLIOGRAFIA
01 - Memórias de um suicida - pág. 153 02 - Minha doce casa Espirita - pág. 32
03 - O céu e o inferno - pág. 280 04 - O que é o espiritismo - pág. 178, 199

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

HARMONIA – COMPILAÇÃO

 

03 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 156, 194, 200

No exame do perdão
Observemos o ensinamento do Cristo, acerca do perdão.
Note-se que o Senhor afirma, convincente:
— «Se o vosso irmão agiu contra vós...»
Isso quer dizer que Jesus principia considerando-nos na condição de pessoas ofendidas, incapazes de ofender; ensina-nos a compreender os semelhantes, crendo-nos seguros no trato fraternal.

Nas menores questões de ressentimento, sujeitemo-nos a desapaixonado auto-exame.
Quem sabe a reação surgida contra nós terá nascido de ações impensadas, desenvolvidas por nós mesmos ?
Se do balanço de consciência estivermos em débito para com os outros, tenhamos suficiente coragem de solicitar-lhes desculpas, diligenciando sanar a falta cometida e articulando serviço que nos evidencie o intuito de reparação.

Se nos sentimos realmente feridos ou injustiçados, esqueçamos o mal. Na hipótese de o prejuízo alcançar-nos individualmente e tão-somente a nós, reconheçamo-nos igualmente falíveis e ofertemos aos nossos inimigos imediata: possibilidades de reajuste. Se, porém, o dano em que fomos envolvidos atinge a coletividade, cabendo à justiça e não a nós o julgamento do golpe verificado, é claro que não nos compete louvar a leviandade. Ainda assim, podemos reconciliar-nos com os nossos adversários, em espírito, orando por eles e amparando-os, por via indireta, a fim de que se valorizem para o bem geral nas tarefas que a vida lhes reservou.

De qualquer modo, evitemos estragar o pensamento com o vinagre do azedume. Nem sempre conseguimos jornadear, nas sendas terrestres, junto de todos, porquanto, até que venhamos a completar o nosso curso de autoburilamento no instituto da evolução universal, nem todos renasceremos simultaneamente numa só família e nem lograremos habitar a mesma casa.

Sigamos, assim, de nossa parte, vida afora, em harmonia com todos, embora não possamos a todos aprovar, entendendo e auxiliando, dcsinteressadamente, aqueles diante dos quais ainda não possuímos o dom de agradar em pessoa, e rogando a Bênção Divina para aqueles outros jiinto de quem não nos será lícito apoiar a delinquência ou incentivar a perturbação.

Memorandos

— A balança do bem não tem cópia.
— A vontade adoece, mas nunca morre.
— Quem compensa mal com mal, atinge males maiores.
— O amor real transpira imparcialidade.
— O sofrimento acorda o dever.
— O remédio excessivo faz-se veneno.
— Somos todos familiares de Jesus.
— Nenhum enfeite disfarça a culpa.
— A vida não cansa o coração humilde.
— Toda convicção merece respeito.
— Só a consciência tranquila dá sono calmo.
— Emoções e ideias não existem a sós.
— O tempo não desfigura a beleza espiritual.
— Mediunidade, na essência, é cooperação mútua.
— Para o cristão não existem dores alheias, porque as dores da coletividade pertencem a ele próprio.
— Do erro nasce a correção.
— Lábios vigilantes não alardeiam vantagens.
— A caridade é o pensamento vivo do Evangelho .

Amparo espiritual
No plano físico, onde apareça a cultura social, multiplicam-se dispositivos de segurança contra desastres. Isso, porém, deve igualmente ocorrer no reino da alma. Se já acordaste para o conhecimento superior, caminhas à frente com a função de guiar. Convence-te de que quanto mais se te amplie o aperfeiçoamento íntimo, mais dilatado o número dos olhos e dos ouvidos que te procuram ver e escutar, de vez que todos aqueles que se afinam contigo, em subalternidade espiritual, passam, mecanicamente, à condição de aprendizes que te observam . Não te descuides, pois, do amparo aos que te acompanham no educandário da vida, entendendo-se que existem quedas de pensamento determinando lamentáveis acidentes de espírito.

Em toda situação, seleciona palavras e atitudes que possam efetivamente ajudar. Ante as falhas alheias, não procedas irrefle-tidamente, censurando ou aprovando isso ou aquilo, sem análise justa, a pretexto de assegurar a harmonia, mas define-te com bondade, providenciando corretivos aconselháveis, sem alarde e sem aspereza. Se aparece a necessidade de advertência ou repreensão, já que toda escola respeitável reclama disciplina, oferece o próprio exemplo no dever retamente cumprido, antes de falar, e, falando, escolhe, tanto quanto seja possível, lugar, tempo e maneira, segundo os comprometimentos havidos na causa do bem comum.

Lendo noticiários calamitosos ou livros indesejáveis, destaca os assuntos que te pareçam dignos de apreço e examina-os com os irmãos do teu nível de experiência, evitando comentários inconvenientes com os amigos de entendimento imaturo. Espalhando publicações ou divulgando-as, consagra atenção apenas àquelas suscetíveis de beneficiar os leitores. Diante de todas as divergências, conflitos, desesperos e inquietações, articula idéias de paz e pronuncia frases de paz, sem desconhecer embora que todos nos achamos em luta incessante contra o mal e que nenhuma pessoa realmente esclarecida pode acreditar-se em ilusória neutralidade.

Pacifica os outros, através de tua cooperação despretensiosa e espontânea na formação da tranquilidade alheia, sem enganar a ninguém com a expectativa de um sossego que só existe naqueles que fogem das próprias obrigações e que nunca se previnem contra a desordem.

Administra, onde estiveres, o auxílio espiritual com a alavanca do próprio equilíbrio. Vigilância sem violência. Calma sem preguiça. Consolo sem mentira. Verdade sem drama. Se já sabes o que deves fazer, no plano da alma, trazes o coração chamado a instruir, e um professor verdadeiro, enxergando mais longe, não apenas informa e ensina, mas também socorre e vela.

Semeadores de esperança
Possivelmente não terás pensado ainda no verbo formoso e grave a que todos somos chamados: criar para o progresso. O Criador, ao dotar-nos de razão, a nós, criaturas, conferiu-nos o poder de imaginar, promover, originar, produzir. Referimo-nos frequentemente à lei de causa e efeito. Sabemos que ela funciona em termos de exatidão. Utilizamo-la, quase sempre, tão-só para justificar sofrimentos, esquecendo-lhe a possibilidade de estabelecer alegrias.

Causamos isso ou aquilo, geramos acontecimentos determinados. Experimentemos essa força que nos é peculiar, na formação de circunstâncias favoráveis aos homens. Antes do comboio a vapor, a eletricidade já existia. Os transportes arrastavam-se pela tração, mas foi preciso que alguém desejasse criar na Terra a locomotiva, que se converteu a pouco e pouco no trem elétrico, a fim de que a Civilização aprimorasse os sistemas de condução que prosseguem para mais altas expressões evolutivas.

O firmamento era vasculhado pelos olhos humanos há milênios, mas foi necessário que um astrônomo inventasse lentes, para que os povos recolhessem as preciosas informações do Universo, que já havia antes deles. O princípio é idêntico para a vida moral. Precisamos hoje e em toda parte dos criadores de harmonia doméstica e social, dos desenhistas de pensamentos certos, dos escultores de boas obras.

O tempo nos ensinará a entender a necessidade básica de se criarem condições para o entendimento mútuo, como já se estabeleceram normas para o trânsito fácil do automóvel. Inventa em tua existência soluções e conforto, suscita motivos de paz, traça diretrizes de melhoria, faze o que ainda não foi aproveitado na realização da riqueza íntima de todos.

Provavelmente estamos na atualidade em estágio obscuro de lições, sob a atuação imperiosa de ações passadas. Mas não nos será correto esquecer que somos Inteligências com raciocínio claro e que, se antigamente nos foi possível colocar em ação as causas que neste momento e neste local nos infelicitam, retemos conosco a sublime faculdade de idear, planejar e construir.
Ajamos na construtividade de Jesus, sejamos semeadores de esperança.

Ambiente espiritual
Há, sem dúvida, uma tarefa especial, particularmente destinada aos espíritas, à margem das obrigações que lhes são peculiares: a formação de ambiente adequado ao trabalho edificante dos Bons Espíritos. Conscientes de que somos sustentados por legiões de instrutores, domiciliados em planos sublimes, e informados de que eles se propõem amparar a Humanidade, será justo relegar tão-somente a médiuns e fenômenos a cooperação com eles?

Aliás, é necessário considerar que a mediunidade deve ser laboriosamente burilada, a fim de refleti-los, e que os fenômenos quase sempre se perdem na cinza da dúvida ou na corrente tumultuaria da discussão . Todos nós estamos convocados a colaborar com os Mensageiros do Senhor, notadamente no sentido de preparar-lhes ambiente favorável à manifestação . Para isso, principiemos por banir do cérebro toda idéia de crueldade, violência, pessimismo, azedume. .. Diante de qualquer pessoa, sintamo-nos à frente de criatura irmã que aguarda de nossa parte o amor com que fomos quinhoados pela Providência Divina.

No repouso ou na atividade, no lar ou na via pública, atendamos à harmonização e à serenidade. Conversando, evitemos imagens de irritação ou maledicência. Fujamos de repisar comentários em torno de escândalos e crimes, detendo-nos em casos escabrosos apenas o tempo imprescindível ao esclarecimento da verdade, sem converter a sinceridade em botija de fel. Comuniquemos alegria e confiança aos que convivem conosco. Tenhamos a coragem de praticar o bem que apregoamos, buscando com diligência a ocasião de servir.

Se surge o impositivo de alguma retificação, em nosso círculo de trabalho, coloquemo-nos no lugar do corrigido para que a brandura nos aconselhe, e, doando algo, situemo-nos na posição de quem recebe, para que a vaidade não se nos insinue na plantação de solidariedade.

Ë' forçoso recordar, sobretudo, que os alicerces de qualquer ambiente espiritual começam nas forças do pensamento. Todos nós, os desencarnados e encarnados que nos vinculamos à seara espírita-cristã, contamos com o apoio dos Instrutores da Vida Maior. Isso é mais que natural, ante as necessidades que nos assinalam a senda, mas não nos será lícito esquecer que eles também esperam por nosso auxílio, a fim de que possam mais amplamente auxiliar.

Influenciações espirituais sutis
Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurando há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil. Seja claro consigo para auxiliar os Mentores Espirituais a socorrer você. Essa é a verdadeira ocasião da humildade, da prece, do passe. Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

— dificuldade de concentrar idéias em motivos otimistas;
— ausência de ambiente íntimo para elevar os sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;
— indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastre imediato;
— aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;
—— pessimismos sub-reptícios, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;
— interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;
— hiperemotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;
— ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de automartírio;
— teimosia em não aceitar, para você mesmo, que haja influenciação espiritual consigo, mas, passados minutos ou horas do acontecimento, vêm-lhe a mudança de impulsos, o arrependimento, a recomposição do tom mental e, não raro, a constatação de que é tarde para desfazer o erro consumado.

São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo. O Espírito responsável pode estar tão inconsciente de seus atos que os efeitos negativos se fazem sentir como se fossem desenvolvidos pela própria pessoa.

Quando o influenciador é consciente, a ocorrência é preparada com antecedência e meticulosidade, às vezes, dias e semanas antes do sorrateiro assalto, marcado para a oportunidade de encontro em perspectiva, conversação, recebimento de carta, clímax de negócio ou crise imprevista de serviço.

Não se sabe o que tem causado maior dano à Humanidade: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões de quase-obsidiados, despercebidas, contudo bem mais frequentes, que minam as energias de uma só criatura incauta, mas influenciando o roteiro de legiões de outras.

Quantas desavenças, separações a fracassos não surgem assim ? Estude em sua existência se nessa última quinzena você não esteve em alguma circunstância com características de influenciação espiritua sutil. Estude e ajude a você mesmo.


08 - O grande enigma - Léon Denis - pág. 55


IV - AS HARMONIAS DO ESPAÇO
Uma das impressões que nos causa, à noite, a observação dos céus, é a de majestoso silêncio; mas esse silêncio é apenas aparente; resulta da impotência dos nossos órgãos. Para seres mais bem aquinhoados, portadores de sentidos abertos aos ruídos sutis do Infinito, todos os mundos vibram, cantam, palpitam, e suas vibrações, combinadas, formam um imenso concerto. Esta lei das grandes harmonias celestes podemos observá-la em nossa própria família solar.

Sabe-se que a ordem de sucessão dos planetas no Espaço é regulada por uma lei de progressão, chamada lei de Bode. As distâncias dobram, de planeta a planeta, a partir do Sol. Cada grupo de satélites obedece à mesma lei. Ora, este modo de progressão tem um princípio e um sentido. Esse princípio se liga ao mesmo tempo às leis do número e da medida, às matemáticas e à harmonia.

As distâncias planetárias são reguladas segundo a ordem moral da progressão harmônica; exprimem a própria ordem das vibrações desses planetas e as harmonias planetárias; calculadas segundo estas regras, resultam em perfeito acordo. Poder-se-ia comparar o sistema solar a uma harpa imensa, da qual os planetas representam as cordas. Seria possível, diz Azbel, "reduzindo a cordas sonoras a progressão das distâncias planetárias, construir um instrumento completo e absolutamente afinado".

No fundo (e nisso reside a maravilha), a lei que rege as relações do som, da luz, do calor, é a mesma que rege o movimento, a formação e o equilíbrio das esferas, de igual maneira que lhes regula as distâncias. Esta lei é, ao mesmo tempo, a dos números, das formas e das idéias. É a lei da harmonia por excelência: é o pensamento, é a ação divina vislumbrada! A palavra humana é muito pobre; é insuficiente para exprimir os mistérios adoráveis da harmonia eterna. A escrita musical somente pode fornecer a sua síntese, comunicar a sua impressão estética. A música, idioma divino, exprime o ritmo dos números, das linhas, das formas, dos movimentos.

É por ela que as profundezas se animam e vivem. Ela enche com suas ondas o edifício colossal do Universo, templo augusto onde retine o hino da vida infinita. Pitágoras e Platão acreditavam já perceber "a música das esferas". No sonho de Cipião, narrado por Cícero em uma das suas belas páginas, que nos legou a antiguidade, o sonhador entretém-se com a Alma de seu pai, Paulo Emílio, e a de seu avô, Cipião, o Africano; contempla com elas as maravilhas celestes e o diálogo seguinte se estabelece:— "Que harmonia é essa, tão poderosa e tão doce que me penetra?" — pergunta Cipião. Responde-lhe o avô:

— "É a harmonia que, formada de intervalos desiguais, mas combinados, de acordo com justa proporção, resulta do impulso e do movimento das esferas; fundidos os tons graves e os tons agudos em um acorde comum, faz de todas essas notas, tão variadas, um melodioso concerto. Tão grandes movimentos não se podem executar em silêncio." Quase todos os compositores de gênio que ilustraram a arte musical, assim os Bach, os Beethoven, os Mozart, etc., declararam que-percebiam harmonias muito superiores a tudo que se pode imaginar, harmonias impossíveis de serem descritas.

Beethoven, enquanto compunha, ficava fora de si, arrebatado numa espécie de êxtase, e escrevia febrilmente, ensaiando em vão reproduzir essa música celeste que o deslumbrava. É preciso uma faculdade psíquica notável para possuir a tal ponto o dom da receptividade. Os raros humanos que a possuem afirmam que, quantos já surpreenderam o sentido musical do Universo, encontraram a forma superior, a expressão ideal da beleza e da harmonia eternas. As mais elevadas concepções do gênero humano são, apenas, um eco longínquo, uma vibração enfraquecida da grande sinfonia dos mundos.

É a fonte dos mais puros gozos do Espírito, o segredo da vida superior, cuja potência e intensidade os nossos sentidos grosseiros nos impedem, ainda, de compreender e sentir. Para aquele que os pode gozar plenamente, o tempo não tem medida e a série dos dias inumeráveis não parece mais que um dia. Mas essas alegrias, ainda ignoradas, no-las dará a evolução, à medida que nos formos elevando na escala das existências e dos mundos. Já conhecemos médiuns que percebem, em estado de transe, suaves melodias. As lágrimas abundantes que vertem testemunham não serem ilusórias suas sensações.

Voltemos ao estudo do movimento das esferas, e notemos que não há, até mesmo tratando das próprias exceções à regra universal de harmonia, e dos desvios aparentes dos planetas, nada há que não se explique e não seja assunto de admiração. Elas constituem espécies de "diálogos de vibrações tão aproximados quanto possível do uníssono" e apresentam um encanto estético a mais nesse prodígio de beleza que é o Universo.

Um exemplo, dos mais incisivos, é o dos pequenos planetas, chamados telescópicos, que evolvem entre Marte e Júpiter, em número de cerca de 520, ocupando um espaço de oitava inteiro, dividido em outros tantos graus; de onde a probabilidade de que esse conjunto de mundículos não constitua, como se tem acreditado, um universo de destroços, mas o laboratório de muitos mundos em formação, mundos dos quais o estudo do céu nos dirá a gênese futura.

As grandes relações harmônicas que regulam a situação respectiva dos planetas de nosso sistema solar, são em número de quatro e encontram sua aplicação: Em primeiro lugar: do Sol a Mercúrio; neste ponto também as forças harmônicas estão em trabalho; planetas novos se esboçam.

Depois, de Mercúrio a Marte. É a região dos pequenos planetas, em que se move a nossa Terra, representando o papel de dominante local, com tendência a afastar-se do Sol para se aproximar das harmonias planetárias superiores. Marte, componente deste grupo e do qual podemos distinguir, ao telescópio, os continentes, os mares, os canais gigantescos, todo o aparelho de uma civilização anterior à nossa, Marte, embora menor, é mais bem equilibrado que a nossa morada. (..)


09 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 8, 70, 113, 119, 132, 251, 455, 536, 607, 616,687, 712

Perg. 8 - Que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou seja, ao acaso?
- Outro absurdo! Que homem de bom senso pode considerar o acaso como um ser inteligente? E, além disso, o que é o acaso?
Perg. 70 - Em que se transformama matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, após a morte?
- A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o principio vital retorna à massa.
Perg. 119 - Deus pode livrar os Espíritos das provas que devem sofrer para chegar à primeira ordem?
- Se eles tivessem sido criados perfeitos, não teriam merecimento para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito, sem a luta? De outro lado, a desigualdade existente entre eles é necessária à sua personalidade; e a missão que lhes cabe, nos diferentes graus, está nos desígnios da Providência, com vistas à harmonia do Universo.

Perg. 132 - Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos?
- Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição. Para uns é uma expiação; para outros uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea: nisto é que está a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da criação. É para executá-la que ele toma um aparelho em cada mundo, em harmonia com a matéria essencial deste mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E dessa maneira, concorrendo para a obra geral, também progride.

Perg. 251 - Os Espíritos são sensíveis à música?
- Queres falar da vossa música? O que é ela perante a música celeste, essa harmonia da qual ninguém na Terra pode ter idéia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Não obstante, os Espíritos vulgares podem provar um certo prazer ao ouvir a vossa música, porque não estão ainda capazes de compreender outra mais sublime. A música tem para os Espíritos, encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo quanto a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e mais suave.

Perg. 536 - Os grandes fenômenos da Natureza, esses que se consideram como perturbações dos elementos, são devidos a causas fortuitas ou têm, pelo contrário, um fim providencial? - Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus.

Perg. 607 - Ficou dito que a alma do homem, em sua origem, assemelha-se ao estado de infância da vida corpórea, que a sua inteligência apenas desaponta e que ela ensaia para a vida. Onde cumpre o Espírito essa primeira fase? - Numa série de existências que precedem o período que chamais de Humanidade.

Perg. 616 - Deus teria prescrito aos homens, numa época, aquilo que lhes proibiria em outra? - Deus não se engana; os homens é que são obrigados a modificar as suas leis, que são imperfeitas, mas as leis de Deus são perfeitas. A harmonia que regula o universo material e o universo moral se funda nas leis que Deus estabeleceu por toda a eternidade.

Perg. 687 - Se a população seguir sempre a progressão constante que vemos, chegará um momento em que se tornará excessiva na Terra? - Não. Deus provê isso, mantendo sempre o equilíbrio. Ele nada faz de inútil. O homem, que só vê um ângulo do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.