HERMAFRODITA
BIBLIOGRAFIA
01- ALQUIMIA DA MENTE, pag. 122, 277 02 - DARWIN E KARDEC , pag. 111
03 - EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, pag. 138 04 - FORÇAS SEXUAIS DA ALMA, 66, 115
05 - GESTAÇÃO SUBLIME INTERCÂMBIO, pag. 91 06 - HIPNOTISMO E ESPIRITISMO,pag. 141
07 - O ESPIRITISMO, pag. 145 08 - SEXO SUBLIME TESOURO, pag. 41, 112
09 - VELADORES DA LUZ, pag. 42 10 -

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

HERMAFRODITA – COMPILAÇÃO

01 - HERMAFRODITA

Sexo e corpo espiritual (Estudo 19 de 41)

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo - CVDEE
Sala de Estudos André Luiz

Livro em estudo: Evolução em dois mundos (Editora FEB)
Autor: Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier
e Waldo Vieira

Primeira parte - Capítulo XVIII - Sexo e corpo espiritual (I)

Comentários: Eurípides Kühl

Sexo e corpo espiritual
(I)

HERMAFRODITISMO E UNISSEXUALIDADE _ Examinando o instinto sexual em sua complexidade nas linhas multiformes da vida, convém lembrar que, por milênios e milênios, o princípio inteligente se demorou no hermafroditismo das plantas, como,

por exemplo, nos fanerógamos, em cujas flores os estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e femininos.

Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a reprodução sexuada, na formação de gametos (anterozóides e oosfera) que muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios análogos aos que observamos nestes últimos seres.

Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogônica entre as vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os segundos.

Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de animais inferiores, alternando-se-lhe os estágios de hermafroditismo com os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na direção dos vertebrados.

Comentários - A palavra _hermafroditismo_ deriva de _hermafrodito_ = na mitologia grega, ser de dupla natureza, ao mesmo tempo masculino e feminina, filho dos deuses Hermes (filho de Zeus) e Afrodite (deusa do amor).

Segundo a Enciclopédia Larousse Cultural é a reunião, no mesmo indivíduo, animal ou vegetal, dos órgãos reprodutores dos dois

sexos.

É uma anomalia congênita excepcionalmente rara.

O princípio inteligente (P.I.), na sua longa jornada evolutiva, demorou-se no hermafroditismo das plantas.

O instinto sexual (masculino e feminino), milênios sobre milênios, perpassou, acoplado, pelas plantas e depois nos animais

inferiores.

De metamorfose em metamorfose estagiou na reprodução assexuada, seja nos seres unicelulares (protozoários, onde ocorreu

divisão e gemação) ou nos seres de várias células (metazoários, onde se deu a cisão), formadoras de tecidos.

Só depois caminhou em direção aos animais com esqueleto cartilaginoso ou ósseo.

HERMAFRODITISMO POTENCIAL _ Gradativamente, aparecem novos fatores de diferenciação, guardando-se, no entanto, os distintivos essenciais, como podemos identificar, ainda agora, no sapo macho adulto um hermafrodita potencial, apesar dos sinais masculinos com que se apresenta, sabendo-se que carrega na região do seu testículo, positivamente acrescido, um ovário elementar aderente, o conhecido corpo de Bidder.

Se extirparmos o testículo, o ovário atrofiado começa a funcionar, por atuação da hipófise, conforme experimentos comprovados, convertendo-se num ovário adulto.

Ocorrência inversa é verificável em cinco a dez por cento de galinhas adultas, isto é, nos indivíduos psiquicamente dispostos, das quais, se retirarmos o ovário esquerdo, também consideravelmente desenvolvido, o ovário direito, rudimentar, transubstancia-se num testículo que se vitaliza e cresce, na sua parte medular, até então inibida pelos estrogênios do ovário esquerdo.

Nesse fenômeno, aumenta-se-lhes a crista, cantam tipicamente à maneira do galo e adotam-lhe a conduta sexual masculina.

Registramos esses fatos para demonstrar que entre todos os vertebrados e muito particularmente no homem, herdeiro das mais complicadas experiências psíquicas, nos domínios da reencarnação, apenas os caracteres morfológicos dos implementos sexuais estão submetidos aos princípios da genética. Isso porque não é só a figuração das glândulas sexuais que se mostra bipotencial até certo ponto, pois todo o cosmo orgânico é suscetível de reagir aos hormônios do mesmo sexo ou do sexo contrário, segundo as disposições psíquicas da personalidade.

Comentários - O sapo macho é um exemplo notável de resquícios do hermafroditismo: com efeito, na região de seu testículo carrega um ovário elementar (não de todo desenvolvido). Extirpado o testículo, o ovário elementar entra automaticamente em crescimento, transformando-se em ovário adulto. E em pleno funcionamento!

O inverso ocorre com pequena porcentagem (5% a 10%) de galinhas adultas: se o ovário esquerdo (desenvolvido) for retirado da

galinha, o direito (rudimentar) se transformará em testículo, que também se desenvolverá até atingir a fase adulta e ela passará

a viver como legítimo galo: com crista, canto e comportamento sexual masculino!

No homem, que tantas e tantas vezes reencarnou e acumulou experiências psíquicas, apenas os órgãos se submetem à

genética. Nele, encontraremos glândulas sexuais com parcial bipotencialidade.

Dependendo do patamar psíquico do indivíduo (personalidade) o seu corpo físico reagirá aos hormônios do mesmo sexo ou do

sexo oposto.

AÇÃO DOS HORMÔNIOS _ Atingindo inequívoco progresso em seus estímulos, o corpo espiritual, desde a protoforma psicossômica nos animais superiores até o homem, conforme a posição da mente a que serve, determina mais ampla riqueza hormonal.

As glândulas sexuais que então mobiliza são mais complexas. Exercem a própria ação pelos hormônios que segregam, arrojando-os no sangue, hormônios esses, femininos ou masculinos, que possuem por arcabouço da constituição química, em que se expressam, o núcleo ciclo-pentano-peridro-fenantreno, filiando-se ao grupo dos estéreis.

Os hormônios estrogênicos, oriundos do ovário, mantêm os caracteres femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo, sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual, incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não os origina.

Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não obstante patentearem essa ou aquela influência de modo mais amplo.

Ainda em razão do mesmo princípio que lhes vige na formação, pelo qual obedecem às vibrações incessantes do campo mental, os hormônios não se armazenam: transformam-se rapidamente ou sofrem apressada expulsão nos movimentos excretórios.

Entendendo-se os recursos da reprodução como engrenagens e, mecanismos de que o Espírito em evolução se vale para a plasmagem das formas físicas, sem que os homens lhe comprovem, de modo absoluto, as qualidades mais íntimas, é fácil reconhecer que as glândulas sexuais e seus hormônios exibem efeitos relativamente específicos.

Inegavelmente, o ovário e os hormônios femininos se responsabilizam pelos distintivos sexuais femininos, mas podem desenvolver alguns deles no macho, prevalecendo as mesmas diretrizes para o testículo e os hormônios que lhe correspondem.

Isso é claramente demonstrável nos experimentos de castração, enxertos e injeções hormonais, porquanto, apesar de a ação sexual específica do testículo e do ovário apresentar-se como fato indiscutível, a gônada, refletindo os estados da mente, herdeira direta de experiências inumeráveis, eventualmente produz certa quantidade de hormônios heterossexuais e, da mesma sorte, ainda que os hormônios sexuais se afirmem com atividade específica intensa, em determinados acontecimentos realizam essa ou aquela ação em órgãos do sexo oposto.

Esses são os efeitos heterossexuais ou bissexuais das glândulas ou dos hormônios.

Comentários - No homem as glândulas sexuais são mais complexas que as dos animais, em razão do progresso e dos estímulos fixados no perispírito.

Tais glândulas segregam hormônios femininos (pelo ovário, os estrogênicos) ou masculinos (pelos testículos, os androgênicos),

que são remetidos para o sangue. E esses hormônios, sob o comando da mente, determinarão estímulos ou inibições. Notável

é o fato de que tais hormônios não são armazenados no corpo físico: ou a breve tempo se transformam em procedimento, com

base na mentalização do indivíduo, ou são logo excluídos, via excreção.

A reprodução é o processo pelo qual o Espírito plasma a forma física.

E somente a reencarnação pode explicar e justificar o fato de surgirem caracteres do sexo oposto, por ação relativamente

específica das glândulas ou dos hormônios, que assim, espelham o que vai pela mente do indivíduo.

Experiências de castração, enxertos e injeções hormonais podem desencadear relativa produção de hormônios heterossexuais,

sob comando da mente; nesse caso, mesmo que seja específica a ação hormonal sexual, aqueles hormônios agirão de alguma

forma em órgãos do sexo oposto. Isso patenteia que glândulas e hormônios trazem, em si mesmos, algo de carga e efeitos

heterossexuais ou bissexuais.

(continua)

QUESTÕES PARA ESTUDO

1) Como se dava a reprodução dos seres anteriomente ao princípio inteligente habitar corpos vertebrados?

2) Segundo a explicação de André Luiz, devemos entender que o hermafroditismo encontra-se presente no reino animal?

3) Podemos entender que também no homem manifesta-se, até certo ponto, o hermafroditismo?

4) De que modo as glândulas sexuais atuam na atividade sexual do homem?

5) Como o Autor explica os efeitos heterossexuais que as glândulas ou os homônio podem produzir?

ELUCIDAÇÃO DE TERMOS USADOS PELO AUTOR ESPIRITUAL

androgênico - referente ao andrógeno, hormônio sexual masculino, produto de secreção dos testículos e das glândulas supra-
-renais, que estimula o desenvolvimento dos caracteres sexuais masculinos secundários

anterozóide - célula reprodutora masculina de vegetais, quase sempre móvel e munida de cílios vibráteis, como o espermatozóide nas plantas criptogâmicas, como musgos e samambaias

ciclo-pentano-peridro-fenantreno - transformação de um tipo de hidrocarboneto (pentano) em outro tipo de hidrocarboneto (fenantreno) pela ação hormonal das glândulas sexuais. Hidrocarboneto é um composto de hidrogênio e carbono

corpo de Bidder - ovário latente ou potencial presente em alguns anfíbios de ambos o sexos, como nos sapos, que se torna ativo após a extirpação das glândulas sexuais funcionais

criptogâmico - referente ao vegetal que não se reproduz por meio de flores e que tem os órgãos reprodutivos imperceptíveis a olho nu. Compreende as algas, os fungos, as ervas rasteiras e as samambaias

estame - órgão em que se forma o pólen (elemento masculino de reprodução) das plantas que possuem flores e sementes

estrobilação - reprodução assexuada por divisão transversal do corpo em segmentos que se transformam em zoóides (estágio do ciclo vital de animais celetrados)

estrogênio - hormônio sexual feminino, produto de secreção do folículo do ovário

excretório - que expele; que segrega

fanerógamo - vegetal que tem órgãos sexuais aparentes, compreendendo, portanto, todas as plantas que têm flores

gameta - célula sexual ou germinal dos seres vivos, encarregada da reprodução mediante a fecundação. Forma variante: gameto

gônada - glândula sexual masculina ou feminina; nela se formam as células sexuais (espermatozóides ou óvulos) e os hormônios sexuais

hermafroditismo - condição de indivíduo com órgãos genitais de ambos os sexos; na maioria dos vegetais e em alguns invertebrados (tênia, minhoca) é normal, porém nos mamíferos é anomalia

hipófise - glândula de secreção interna, também denominada pituitária, situada sob a face inferior do cérebro, e que tem funções múltiplas. Produz hormônios que estimulam o crescimento, as glândulas sexuais, a tiróide, as supra-renais, etc., e controla as demais glândulas, através dos próprios hormônios, pelo processo de "feedback" ou retroalimentação

metazoário - animal de corpo constituído por numerosas células, em geral formando tecidos especializados. É o grupo de todos os animais pluricelulares

oosfera - célula sexual feminina dos vegetais

pistilo - órgão feminino das flores, que consta, quase sempre, de três partes superpostas: ovário, estilete e estigma

protozoário - designação dos animais unicelulares (uma só célula) que constituem um grande sub-reino, tendo-se como exemplo a ameba

(extraído do livro Elucidário de evolução em dois mundos, de José Marques Mesquita, edição da USEERJ, União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro)

Primeira parte - Capítulo XVIII - Sexo e corpo espiritual (II)

Comentários: Eurípides Kühl

Sexo e corpo espiritual
(II)

ORIGEM DO INSTINTO SEXUAL _ Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.

A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.

E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nós ainda inabordáveis, da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução, ao modo de núcleos e eletrões na tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macrocósmicos da Imensidade.

Por ele, as criaturas transitam de caminho a caminho, nos domínios da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito ou cumprindo instruções especiais com fins de trabalho justo.

O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consciências encarnadas permanecem seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção.

Comentários: Tratando-se da criatura humana:

- os caracteres femininos ou masculinos, acentuadamente passivos ou claramente ativos, evidenciam a individualidade sexual,

guardada intrinsecamente na alma;

- o sexo tem como sede o Espírito, ao contrário do que muitos pensam, que seria no corpo físico;

- o instinto sexual _ amor em expansão no tempo _ que o homem apresenta é fruto das longínquas trajetórias existenciais do

Espírito, as quais contemplam o ainda, para nós, inabordável mistério da vida;

- o sexo é sublime veículo que possibilita às criaturas estágios evolutivos experimentais nos variados reinos da vida. Por ele,

alcançada a fase da razão, o homem equilibrará mente e corpo, ajustando-se para vôos rumo a mais conhecimento e emoção.

EVOLUÇÃO DO AMOR _ Entretanto, importa reconhecer que à medida que se nos dilata o afastamento da animalidade quase absoluta, para a integração com a Humanidade, o amor assume dimensões mais elevadas, tanto para os que se verticalizam na virtude como para os que se horizontalizam na inteligência.

Nos primeiros, cujos sentimentos se alteiam para as Esferas Superiores, o amor se ilumina e purifica, mas ainda é instinto sexual nos mais nobres aspectos, imanizando-se às forças com que se afina em radiante ascensão para Deus.

Nos segundos, cujas emoções se complicam, o amor se requinta, transubstanciando-se o instinto sexual em constante exigência de satisfação imoderada do _eu_.

De conformidade com a Psicanálise, que vê na atividade sexual a procura incessante de prazer, concordamos em que uns, na própria sublimação, demandam o prazer da Criação, identificando-se com a Origem Divina do Universo, enquanto que outros se fixam no encalço do prazer desenfreado e egoístico da auto-adoração.

Os primeiros aprendem a amar com Deus.

Os segundos aspiram a ser amados a qualquer preço.

A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnéticas em todos os seres, pela função criadora de

que se reveste, cargas que se caracterizam com potenciais nítidos de atração no sistema psíquico de cada um e que, em se acumulando, invadem todos os campos sensíveis da alma, como que a lhe obliterar os mecanismos outros de ação, qual se estivéssemos diante de usina reclamando controle adequado.

Ao nível dos brutos ou daqueles que lhes renteiam a condição, a descarga de semelhante energia se efetua, indiscriminadamente, através de contactos, quase sempre desregrados e infelizes, que lhes carreiam, em conseqüência, a exaustão e o sofrimento como processos educativos.

Comentários: Deixando o instinto animal o homem potencializa o amor, ao tempo que dilata a inteligência. O homem virtuoso, iluminado e puro, enobrece o instinto sexual e evolui cada vez mais, aprendendo a amar com Deus, integrando-se à obra da Criação. Já o homem apenas inteligente, torna-se ávido de mais prazer e vivencia o egoísmo, querendo que os outros o amem,

a qualquer preço.

A Psicanálise vê na atividade sexual a busca do prazer.

Cumpre destacar que há o prazer que sublima aquele que se integra à Criação, pois aprende a amar com Deus, ao tempo que

há também o prazer daquele que o busca no desejo ególatra de ser amado.

Daí que, sendo o sexo força criadora, o seu emprego indiscriminado, com desregramentos que promovam infelicidades,

resultarão em dolorosos processos reeducativos.

(continua)

QUESTÕES PARA ESTUDO

1) Qual a relação mente-instinto sexual?

2) Segundo André Luiz, como se dá a evolução do amor?

3) De que modo o uso que fazemos das energias sexuais pode influenciar na nossa evolução?

Primeira parte - Capítulo XVIII - Sexo e corpo espiritual (III)

Comentários: Eurípides Kühl

Sexo e corpo espiritual
(III)

POLIGAMIA E MONOGAMIA _ O instinto sexual, então, a desvairar-se na poligamia, traça para si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos.
Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da responsabilidade moral para com a vida, mais apreende o impositivo da disciplina própria, a fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos superiores.

O instinto sexual nessa fase da evolução não encontra alegria completa senão em contacto com outro ser que demonstre plena afinidade, porquanto a liberação da energia, que lhe é peculiar, do ponto de vista do governo emotivo, solicita compensação de força igual, na escala das vibrações magnéticas.

Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de forças, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de outras almas

na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina.

Comentários: Poligamia é desvario do instinto sexual, carreando dívidas...

Já o instinto sexual na criatura responsável para com a vida e que cultiva o dom de amar, só encontra integração junto a outro

ser, com o qual tenha afinidade, daí resultando prazerosa troca de vibrações magnéticas. Desponta aí a monogamia, pela qual

o homem consubstancia o seu ideal de realizações profícuas, sendo a constituição de uma família a mais nobre delas.

Na Terra, a conjugação elevada das forças sexuais femininas com as masculinas gera não apenas formas físicas, mas também

as grandes obras do coração e da inteligência, despontando beleza e amor, tanto quanto isso mesmo acontece na Criação

Divina.

ALIMENTO ESPIRITUAL _ Há, por isso, consórcios de infinita gradação no Plano Terrestre e no Plano Espiritual, nos quais os elementos sutis de comunhão prevalecem acima das linhas morfológicas do vaso físico, por se ajustarem ao sistema psíquico, antes que às engrenagens da carne, em circuitos substanciais de energia.

Contudo, até que o Espírito consiga purificar as próprias impressões, além da ganga sensorial, em que habitualmente se desregra no narcisismo obcecante, valendo-se de outros seres para satisfazer a volúpia de hipertrofiar-se psiquicamente no prazer de si mesmo, numerosas reencarnações instrutivas e reparadoras se lhe debitam no livro da vida, porque não cogita exclusivamente do próprio prazer sem lesar os outros, e toda vez que lesa alguém abre nova conta resgatável em tempo certo.

Isso ocorre porque o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos que lhes são necessários ao progresso.

Os espíritos santificados, em cuja natureza superevolvida o instinto sexual se diviniza, estão relativamente unidos aos Espíritos Glorificados, em que descobrem as representações de Deus que procuram, recolhendo de semelhantes entidades as cargas magnéticas sublimadas, por eles próprios liberadas no êxtase espiritual.

De outro lado, as almas primitivas comumente lhe gastam a força em excessos que lhes impõem duras lições.

Entre os espíritos santificados e as almas primitivas, milhões de criaturas conscientes, viajando da rude animalidade para a Humanidade enobrecida em muitas ocasiões se arrojam a experiências menos dignas, privando a companheira ou o companheiro do alimento psíquico a que nos reportamos, interrompendo a comunhão sexual que lhes alentava a euforia, e, se as forças sexuais não se encontram suficientemente controladas por valores morais nas vítimas, surgem, frequentemente, longos processos de desespero ou de delinqüência.

Comentários: São infinitos os quadros espirituais e materiais que podem se apresentar quando da união de dois seres, em comunhão do amor, contemplando primeiro o psiquismo, antes da engrenagem da carne.

Os prejuízos que alguém causa a outrem para atender à volúpia demandam multiplicadas reencarnações para a devida

reparação.

Prudente atentar-se para o fato de que o sexo não é atividade humana apenas para reprodução, mas sim, ainda insuspeitado

reconstituinte das forças espirituais _ para encarnados e desencarnados _, em permuta de raios psíquico-magnéticos,

indispensáveis à evolução.

Espíritos santificados divinizam o instinto sexual e associam-se a Espíritos Glorificados, descobrindo que estes representam

Deus, deles recebendo sublimes cargas magnéticas, em êxtase espiritual

Já os Espíritos que fazem do sexo o seu patamar de prazeres sem fim, agindo com indignidade junto a outrem, a quem privam

do alimento psíquico que emana do sexo responsável, desembocarão em delinqüência e em longos e desesperadores processos

expiatórios.

ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL - As cargas magnéticas do instinto acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro íntimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao bom-senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito. A face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem o progresso no tempo.

Daí nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a _histeria de conversão_, a _histeria de angústia_, os _desvios da libido_, a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio.

Desse modo, por semelhantes rupturas dos sistemas psicossomáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, e que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados de destino, entre as fronteiras domésticas, todos aqueles que constituímos credores do nosso amor e da nossa renúncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.

Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.

Pedro Leopoldo, 30/3/58.

Comentários: Forças sexuais afastadas do bem podem levar à loucura.
Neuroses, fobias, psicoses e idéias obsessivas, quase sempre são oriundas do desregramento sexual, transformando-se em torturas genésicas.
Tais quadros, tipificados mas não de todo resolvidos pela Psicanálise, muitos deles remontam a procedimentos sexuais desvirtuados, ao longo dos séculos (!), espelhando muitos dos conflitos na família.
É o passado, despontando no presente...
Se a irresponsabilidade sexual causa angústia nos outros, chega a hora em que soa a Lei de Ação e Reação, colocando frente a frente cônjuges, filhos ou familiares: tempo de resgate e reconstrução, sob angústias e padecimentos, renúncia e perdão, mas

sobretudo, de luzir o Amor.
Só assim o(s) culpado(s) quita(m)-se dos débitos contraídos pela volúpia, ciúme ou despeito.
Avulta compreendermos que o sexo reside na mente, se expressa no corpo espiritual (perispírito) e, por conseqüência, emerge no corpo físico. Quem lhe desarmoniza as forças desarmoniza a si mesmo.
Graças a Deus o sexo santifica nossa criatividade perante a vida!

Outono/2006 - Eurípedes Kühl

QUESTÕES PARA ESTUDO

1) Como André Luiz explica a necessidade da prática do ato sexual por espíritos do nosso nível evolutivo?

2) Por que a monogamia é considerada mais conveniente ao homem do que a poligamia?

3) Que conseqüências a comunhão sexual com fins menos nobres pode ocasionar no relacionamento entre um homem
e uma mulher?

4) As forças sexuais quando não canalizadas para o bem podem provocar enfermidades?

5) De que modo a má utilização do instinto sexual pode influenciar na reencarnação seguinte?

2 - HERMAFRODITA

UMA VISÃO ESPÍRITA DO HOMOSSEXUALISMO SEM O DISSIMULADO PURISMO CRISTÃO

As múltiplas experiências humanas pela reencarnação e os repetidos contatos com ambos os sexos proporcionam ao espírito as tendências sexuais na feminilidade ou masculinidade e este reencarna com ambas polaridades e se junge, muitas vezes contrariado, aos impositivos da anatomia genital e da educação sexual que acolhe em seu ambiente cultural.

Consoante essas experiências tenderá para qualquer das duas opções e o fará nem sempre de acordo com sua aspiração interior, que poderá ser inverso ao que determina o meio socio-cultural.Emmanuel ensina na obra “Vida e Sexo” que o “Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.” ([1]) Além disso há vários fatores educacionais que poderiam contribuir para despertar no indivíduo as tendências sepultadas nas profundezas de seu inconsciente espiritual.

E, ainda que desempenhe papéis de acordo com a sua anatomia genital e que seu psiquismo se constitua de acordo com sua opção sexual, poderá ocorrer que se desperte com desejos de ter experiências afetivas com pessoas do mesmo sexo. Tal ocorrência poderá lhe tumultuar a consciência caracterizando, por aquele motivo, um transtorno psíquico-emocional.

A convivência do espírito com o sexo oposto ao que adotou em cada encarnação, bem como aquelas na qual exerceu sua opção sexual, irão plasmar em seu psiquismo as tendências típicas de cada polaridade. Explica Emmanuel, a homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.”([2])

Na questão 202 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos: "Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?" "Isso pouco lhe importa” responderam os Benfeitores, “o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar"([3]) esclareceram os Espíritos. A genética tem tentado encontrar genes que explicariam a homossexualidade como sendo desvio de comportamento sexual. A psiquiatria tenta encontrar enzimas cerebrais que poderiam influenciar no comportamento sexual. Mas a sede real do sexo não se acha no veículo físico, porém na estrutura complexa do espírito. É por esse prisma que devemos encarar as questões relacionadas ao sexo. Dia virá que “a coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos”.[4]

Não podemos confundir homossexualismo com desvio de caráter, até porque os deslizes sexuais de qualquer tendência têm procedências diversas. Suas raízes genésicas podem vir de profundidades íntimas insondáveis. “A própria filogênese([5]) do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando pelo vegetal e ao animal, para depois chegar ao homem, apresenta enorme variação de formas, inclusive a autogênese[geração espontânea] dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas”([6]), para alguns pesquisadores justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos.

Com a liberação sexual e a ascensão do feminino na sociedade contemporânea, a tolerância ao homossexualismo aumentou, permitindo que uma grande quantidade de pessoas que viviam no anonimato se expressasse naturalmente. Chico Xavier explica de forma clara o seguinte, “não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais as tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedirá certo número de pessoas de trabalhar e de serem úteis a vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria. (...)Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”([7])

A Doutrina Espírita é libertadora por excelência. Ela não tem o caráter tacanho de impor seus postulados às criaturas, tornando-as infelizes e deprimidas. A energia sexual pede equilíbrio no uso e não abuso ou repressão. O Espiritismo não condena a homossexualidade, contrariamente, recomenda-nos o respeito e fraterna compreensão para com os que têm preferências homoafetivas. Muitas vezes pode até ser alguém tangido pelo apelo permissivo que explode das águas tóxicas do exacerbado erotismo, somados aos diversos incentivadores pseudocientíficos da depravação, que podem estar desestruturando seu sincero projeto de edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.([8]) Por isso mesmo, não pode ser discriminado, nem rejeitado, pois, como admoesta Jesus, "aquele dentre vós que não tiver pecados, que atire a primeira pedra"([9])...

Como já vimos com Emmanuel no início desta exposição, não há masculinidade plena, nem plena feminilidade na Terra. Tanto a mulher tem algo de viril, quanto o homem de feminil. Antigamente a educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo ambisséxuo, em seu sexo natural.

Assumir a homossexualidade não significa mergulhar em um universo de atitudes extremadas e desafiadoras perante seu grupo de relacionamento familiar ou profissional, “mas fazer um profundo exercício de autoaceitação, asserenar-se por dentro a fim de poder reconhecer perante si mesmo e todo seu círculo de amigos e parentes que vive uma situação conflitante. O verdadeiro desafio é a construção interna para superar os desejos. E não estamos aqui referindo-nos exclusivamente a desejo sexual e sim a toda espécie de desejos que comandam a vida das criaturas.” ([10])

Emmanuel enfatiza que “O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie [homossexual], somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade devidos às criaturas heterossexuais.”([11]) O homossexualismo não deve, pois, ser classificado como uma psicopatia ou comportamento merecedor de discriminação ou medidas repressivas. O homossexual, especialmente o "transexual", merece toda a nossa compreensão e ajuda, para que ele possa vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento.

Outra questão extremamente controvertida, para muitos cristãos, é a possibilidade da união estável (casamento) entre duas pessoas do mesmo sexo. Ante a miopia preconceituosa do falso purismo religioso da esmagadora maioria de cristãos supostamente “puros”, isso é uma blasfêmia. Isto torna o tema bastante complexo e, portanto, aberto para discussões. Porém, após refletir bastante sobre o assunto e, sobretudo, tendo como alicerce as opiniões de Chico Xavier, entendemos que a união estável (casamento) entre homossexuais é perfeitamente normal, sim.

Só conseguiremos entender melhor a questão homossexual depois que estivermos livres dos (pré)conceitos que nos acompanham há muitos milênios. Arriscaríamos a afirmar, que a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, é um avanço da sociedade, que estará apenas regulamentando o que de fato já existe.

Seria lícito a duas pessoas do mesmo sexo viverem sob o mesmo teto, como marido e mulher?A propósito, vasculhando fontes sobre esta mesma indagação encontramos em Folha Espírita a resposta de Emmanuel “A esta indagação o Codificador da Doutrina Espírita formulou a Questão 695, em O Livro dos Espíritos, com as seguintes palavras: ‘O casamento, quer dizer, a união permanente de dois seres, é contrário a lei natural?’ Os orientadores dos fundamentos da Doutrina Espírita responderam com a seguinte afirmação: ‘É um progresso na marcha da humanidade.’ Os amigos encarnados no plano físico com a tarefa de sustentar e zelar pelo Cristianismo Redivivo, na Doutrina Espírita, estão aptos ao estudo e conclusão do texto em exame.”([12]) (grifamos)

Tanto o homossexual como o heterossexual devem buscar a sua reforma interior, não cedendo aos arrastamentos provocados pelos impulsos instintivos e sensuais. O que é ilícito ao hetero, também o é ao homossexual, ambos precisam “distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-las contra os desvios suscetíveis de corrompê-las. O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma”([13])

Mister, portanto, reconhecer que ao serem identificadas os pendores homossexuais das pessoas nessa dimensão de prova ou de expiação, é imperioso se lhes oferte o amparo educativo pertinente, nas mesmas condições que se administra instrução à maioria heterossexual da sociedade.

Acreditamos, por fim, que estas idéias poderão levar, a quantos as lerem, a meditar, em definitivo, sobre o assunto , lembrando que o homossexualismo transcende em si mesmo a simples questão da permuta sexual.

Fontes de Referência

([1])Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

([2])______, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

([3])Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. Feb, 2000, perg. 202

([4])_______, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

([5]) Filogenia (história evolucionária das espécies) opõe-se à ontogenia (desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação até a maturidade para a reprodução.)

([6])Disponível em <http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/homossexualismo-e-vampirismo.html>acessado em 21/04/06

([7]) Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Março de 1984

([8]) A recomendação do Espiritismo para o respeito e a compreensão para com os irmãos que transitam em condições sexuais inversivas (homossexualismo) ocorre em função do sentimento de fraternidade ou caridade que deve presidir o relacionamento humano, mas igualmente pelo fato de que nenhum de nós tem autoridade suficiente para condenar quem quer que seja, pois todos temos dificuldades morais e/ou materiais graves que precisam de educação.

([9])João, cap. VIII, vv. 3 a 11

([10])Disponível em <http://www.irc-espiritismo.org.br/irc_resp_sexualidade.html>acessado em 21/04/2006

([11]) _______, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

([12]) Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Julho de 1984.

([13]) Xavier, Francisco Cândido. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

Artigo gentilmente cedido por Jorge Luiz Hessen

03 - HERMAFRODITA

Chama-se hermafrodita (do nome do deus grego Hermafrodito, filho de Hermes e de Afrodite – respectivamente representantes dos gêneros masculino e feminino) um ser ou animal que possui órgãos sexuais dos dois sexos, numa espécie dióica (ou seja, em que normalmente os sexos se encontram em indivíduos separados) podem aparecer indivíduos hermafroditas, mas geralmente por um processo teratológico, ou seja, por uma má formação embrionária.

Generalidades do hermafroditismo

Nas plantas verdes, a norma é a monoica, ou seja, cada indivíduo possuir os órgãos sexuais dos dois sexos.

Em muitas espécies de peixes, como as garoupas, verifica-se um tipo de hermafroditismo insuficiente, ou seja, os indivíduos possuem órgãos sexuais masculinos e femininos, mas apenas um dos tipos se encontra activo num determinado momento. Normalmente, o animal atinge a maturidade sexual com um determinado sexo e, no processo de crescimento, as gónadas convertem-se no outro sexo e tornam-se activas mais tarde.

Nas espécies em que o sexo feminino é o primeiro a se tornar activo, diz-se que a espécie é protogínica. No caso inverso, diz-se protândrica.

Hermafroditismo humano

Existem três tipos de hermafroditismo humano: o hermafroditismo verdadeiro, o pseudo-hermafroditismo masculino e o pseudo-hermafroditismo feminino:
No hermafroditismo verdadeiro as crianças nascem com os dois órgãos sexuais bem formados, possuindo os orgãos sexuais internos e externos de ambos os sexos, incluindo ovários, útero, vagina, testículos e pênis. No hermafroditismo verdadeiro a maioria das pessoas são geneticamente do sexo feminino (cromossomos XX) e a formação dos órgãos sexuais masculinos é atribuída a causas ainda não totalmente conhecidas.1
No pseudo-hermafroditismo masculino a criança nasce geneticamente como do sexo masculino (cromossomos XY) embora os órgãos sexuais externos não se desenvolvam completamente.
No pseudo-hermafroditismo feminino a criança nasce geneticamente como do sexo feminino (cromossomos XX) embora o clítoris desenvolva-se excessivamente adquirindo um formato semelhante a um pênis (Clitoromegalia). Atribui-se uma suposta causa não genética para o pseudo-hermafroditismo feminino aos efeitos dos medicamentos utilizados no tratamento da hiperplasia congênita das supra-renais (HCSR) por deficiência da 21-Hidroxilase, uma doença genética que necessita de tratamento permanente e que em alguns casos não é interrompido por gestantes que não sabem se estão grávidas.

Uma teoria genética recente busca explicar várias anomalias sexuais do hermafrotitismo humano com sequências palíndromos presentes no cromossomo Y. Segundo essa teoria as sequências palíndromos presentes no cromossomo Y, que supostamente protegeriam esse cromossomo de mutações genéticas, poderiam ocasionalmente se esticar e formar uma atração fatal com o palíndromo similar de seu vizinho, alterando o tamanho e/ou deslocando o centrômero do gene: os cromossomos gerados nessas divisões celulares teriam comprimentos variáveis, curtos e longos, com centrômeros deslocados ora para o centro, ora para as extremidades. Nessa teoria, os pacientes nos quais a distância entre os dois centrômeros do Y é curta, seriam homens, ao passo que quanto maior a distância entre os centrômeros, maior a tendência de que os pacientes sejam anatomicamente feminilizados. Essa pesquisa incluiu alguns pacientes do sexo masculino (cromossomos XY) portadores da síndrome de Turner, uma condição só então conhecida em mulheres que nascem com um único cromossomo X (cromossomos 45-XO).2

Convém notar também que os hermafroditas são frequentemente estéreis (e que todos os hermafroditas verdadeiros são estéreis).

Tratamento

No tratamento do hermafroditismo humano, também chamado intersexualidade (neologismo relacionado a outros términos que se referem a estilos-de-vida, condições ou identidades – dependendo do ponto-de-vista – de pessoas estigmatizadas por serem de sexualidade e expressão/identidade de género historicamente e a um certo ponto presentemente não-normativas, como homossexualidade, bissexualidade e transexualidade), recorre-se muitas vezes a uma cirurgia para se definir o sexo. Segundo especialistas a maior dificuldade está em se definir o momento correto da cirurgia.1 3 De todo o modo a opinião crescente é de que a pessoa intersexual (termo corrente para humanos com hermafroditismo) possa escolher por si mesma se ela deseja a cirurgia e, nesse caso, qual o sexo desejado.1

04 - HERMAFRODITA

Dra. Sheila Sedicias (Ginecologista)

O que é:

O hermafrodita humano é o indivíduo que nasce com dois órgãos genitais, tanto masculino quanto feminino, ao mesmo tempo.

Outra forma de hermafoditismo é aquele onde a criança nasce com a região genital externa bem definida, mas possui outras alterações gonadais importantes, como é o caso de um menino que quando chega à adolescência menstrua e desenvolve mamas, por exemplo.

Portanto, existem duas formas de hermafroditismo, o hermafrodita verdadeiro e o pseudo-hermafrodita.

Hermafrodita verdadeiro

O hermafrodita verdadeiro é um distúrbio raro em que a criança nasce com ambos os órgãos sexuais femininos e masculinos internos e externos bem formados, embora somente um se desenvolva normalmente deixando o outro atrofiado.

Pseudo-Hermafrodita

O pseudo-hermafrodita também chamado de pseudo-hermafroditismo, é o distúrbio mais comum entre os hermafroditas.

Pseudo-hermafrodita feminino

O pseudo-hermafrodita feminino é aquele que nasce com ovários, mas que possui a genitália masculina externa aparentemente bem definida.

Pseudo-hermafrodita masculino

O pseudo-hermafrodita masculino é aquele que nasce com a genitália feminina, mas os testículos estão alojados dentro da cavidade pélvica e não possui ovários nem útero.

Causas do hermafroditismo humano

As causas do hermafroditismo humano ainda não foram totalmente esclarecidas mas acredita-se que o óvulo possa ter sido fertilizado por 2 espermatozóides diferentes ou que tenha havido alterações genéticas importantes durante o desenvolvimento do bebê.

Como diagnosticar o hermofroditismo humano

Pode-se identificar o hermafroditismo humano logo ao nascer ou durante a adolescência. Confirma-se o diagnóstico através de exames laboratoriais e de imagem.

Tratamento para hermafroditismo humano

O tratamento para o hermafroditismo humano é a cirurgia. Há uma crescente aceitação de que o indivíduo deva assumir sua característica masculina ou feminina, e então ser submetido às cirurgias necessárias para caracterizá-la.

Referências Bibliográficas
•AGUIAR MFM et al. Hermafroditismo verdadeiro: relato de caso. Acesso em Maio, 2012.
•DAMIANI D et al. Hermafroditismo verdadeiro:experiência de 36 casos.

05 - HERMAFRODITA

Divaldo Pereira Franco, o maior orador espírita contemporâneo, é figura de destaque a nível mundial, seja no meio espírita, seja fora dele. A sua cultura, o seu saber, bem como a sua mediunidade (tem mais de cem livros psicografados - ditados pelos espíritos - cujas receitas revertem integralmente para auxiliar os meninos da rua) são os cartões de visita que lhe granjeiam respeito e credibilidade. Mais de 40 anos ao serviço do próximo fazem dele um foco de atenção, mesmo por parte dos cépticos. Em entrevista que nos concedeu, aborda questões cruciais.

José Carlos Lucas - Há quem defenda a tese de que a telecinésia, os poltergeists, são fruto de mentes desequilibradas (os epicentros) presentes nos locais em que tal acontece, mesmo que desconheçam a sua contribuição para os fenómenos. Tem alguma validade científica esta tese?

Divaldo Pereira Franco - De maneira nenhuma. Seria transformar o fenómeno paranormal em anomalia psíquica ou histérica, conforme ocorreu a partir de 1889 onde o Prof. Pièrre Janet, ao publicar o seu livro "Automatismo Psicológico", pretendeu reduzir todos os fenómenos para-psíquicos, naquela época, metapsíquicos, e mais tarde parapsicológicos e psicobiofísicos, ao estado de patologia histérica ou de desdobramento da personalidade. Naturalmente, os factos da anomalia estão abaixo do nível do equilíbrio.

Desde que eles transcendem a esfera da normalidade para cima eles são portanto paranormais. Acontece que observadores apressados, para negarem a interferência dos espíritos, as comunicações mediúnicas, preferem apelar para os estados patológicos, porque de uma vez crêem anular a realidade dos factos que constituem as evidências demonstrativas da sua realidade.

JCL - A precognição, como funciona o conhecimento do futuro? E o livre-arbítrio, neste caso, como fica?

DPF - Muitos pontos capitais, estão a ser determinados. As nossas atitudes actuais programam os acontecimentos futuros. A melhor imagem de que disponho para dar uma ideia da precognição é esta: imaginemos alguém no cume de uma montanha, que se atinge através de uma estrada que vai circulando o rochedo. Alguém, lá em cima, observando um automóvel que vai subindo, pode ver o futuro daquela viagem, o lugar em que a estrada esteja interrompida, alguma ponte caída, algumas pedras que ruíram, impedindo, ou a estrada completamente livre, e poderá dizer que ele vai ter este ou aquele obstáculo. Isto, porque ele está a ter uma visão global além do tempo, que é limitado para quem está dentro do automóvel e dispõe apenas do horizonte visual, enquanto o outro dispõe de um horizonte relativamente infinito. Esse observador poderá dizer, com acerto, o tempo que o automóvel vai demorar a lá chegar, examinando a probabilidade de uma avaria mecânica. Na precognição, a mente, que não é física, entra no campo das percepções dos acontecimentos que as nossas atitudes actuais já elaboraram, como uma sementeira, que nos permite antever o momento da colheita. E, por isso mesmo, nem sempre os fenómenos proféticos e precognitivos ocorrem exactamente como estabelecidos. Devido às variações do comportamento, do livre-arbítrio do indivíduo, das massas ou dos países.

JCL - Quais as causas da homossexualidade? Físicas ou espirituais? É considerada uma patologia?

DPF - Os geneticistas têm tentado encontrar genes que explicariam o problema da homossexualidade, como sendo um desvio de comportamento sexual. Outra corrente, na área da psiquiatria, tenta encontrar enzimas cerebrais, que influenciariam no comportamento sexual. Os espíritos, no entanto, dizem-nos que o próprio ser realiza experiências em quatro áreas da sexualidade: na assexualidade, em que um indivíduo tem anatomia, mas a sua psicologia é tranquila, vive em muita paz e não sente a presença da libido; na heterossexualidade, que tem a finalidade precípua de preservar a vida, de multiplicá-la, de perpetuá-la; na homossexualidade, em que um indivíduo elege um parceiro do seu próprio sexo, ou na bissexualidade, que, de alguma forma, não tem o carácter fisiológico. Enquanto que na homossexualidade o indivíduo tem uma anatomia que não corresponde à sua psicologia, na bissexualidade não encontraremos o indivíduo dotado dos dois sexos. No caso do hermafroditismo, estaremos contemplando uma anomalia biológica. Seja porém, em que faixa se movimente o espírito, estamos diante de um processo de evolução. O que o espiritismo considera negativo para o espírito é o seu comportamento nesta ou naquela área: uma vida promíscua, a pederastia, a entrega sem nenhum respeito por si mesmo nem pelo próximo, mas não apenas no homossexual mas também no heterossexual. Um indivíduo promíscuo na heterossexualidade não passa de alguém que está indo contra a sua própria constituição física e psíquica. O homossexualismo, portanto, não é uma doença, não é uma patologia. Dizem os melhores sexólogos, que é uma preferência sexual. No entanto, sabemos que é uma experiência a que o espírito se impõe, ou que vai imposto, por causa de uma conduta anterior na qual não soube manter o seu equilíbrio. Imaginemos uma mulher que vive exclusivamente para o sexo, sem emoções, que perverte homens, que destrói lares. Numa próxima reencarnação retornará com a anatomia masculina e, no entanto, com as tendências psicológicas femininas. Veremos um homossexual, um homem que de alguma forma se utilizou do sexo para o prazer, para perverter, para levar à corrupção, reencarna-se com tendências femininas e uma anatomia masculina. O oposto, portanto, da mulher que se reencarna com uma anatomia feminina e tendências masculinas. Cabe ao espírito reencarnando-se, respeitar o “vaso”, o corpo físico. Então, pergunta-se se esse ser tem o direito de experimentar o amor, de experimentar o sexo. É um problema de consciência.

O espiritismo não estabelece normas de conduta para os outros. Cada um responde pelo comportamento que tem, no entanto, uma lei é incontestável: temos o dever de nos respeitarmos e de respeitarmos o nosso próximo. Não se trata, portanto, de uma patologia, mas, de uma experiência.