HOMICÍDIO
BIBLIOGRAFIA
01- Após a tempestade - pág. 79 02 - Escrínio de luz- pág. 181
03 - Hipnotismo e espiritismo - pág. 250 04 - No limiar do infinito- pág. 103
05 - No mundo maior - pág. 176 06 - O Espírito da Verdade - pág. 101
07 - O exilado- pág. 172 08 - O Livro dos Espíritos - q 709
09 - O martírio dos suicidas - pág. 59 10 - Revista Espírita 1863 - pág. 23

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HOMICÍDIO – COMPILAÇÃO

02 - Escrínio de luz - Emmanuel - pág. 181

DELINQUÊNCIA
Examinando de frente os erros e deficiências que ainda nos caracterizam a tela social no caminho humano, o delinquente confesso é, quase sempre, o fruto envenenado que inadvertidamente ajudamos a surgir e amadurecer, na plantação de nossos próprios desajustes.
Antes de sentenciá-lo a penas de efeitos imprevisíveis, deixa que a compaixão te inspire o juízo inseguro, para que te não falte a bênção da piedade no dia em que a sombra te venha bater à porta.

Lembra-te de que, diante da Lei, a criminalidade não é apenas aquela que comparece à barra dos tribunais que o mundo improvisa...
Recorda, quantas vezes, aniquilamos a esperança do companheiro com a palavra insensata, em quantas ocasiões teremos eliminado a lavoura promissora da fé no espírito dos semelhantes com a lâmina do mau exemplo e rememora as múltiplas estradas em que a alegria dos outros terá desaparecido ao contacto dos raios destruidores de nossa intemperança mental.

Não olvides o furto impensado que em muitas circunstâncias impomos a quem trabalha na fraternidade e na paz, subtraindo-lhe o tempo; relaciona o roubo da tranquilidade e do pão que infligimos a todos os que nos sofrem a pressão do egoísmo e não te esqueças da lama invisível que, em tantas ocasiões, arremessamos, inconscientes e irresponsáveis, ao nome alheio, quando aderimos sem perceber ao propósito escuso de quantos navegam na corrente lodosa de que se derramam injúria e maledicência.

Diante do irmão que a penitenciária corrige ou que o cárcere acolhe, meditemos na Misericórdia Divina que nos impediu a delinquência direta, sempre viva em potencial nas nossas emoções enfermiças e, em testemunho de gratidão e de entendimento, sejamos para o amigo na prova do reajuste, o cirineu que ajuda e compreende, para que sejamos, em verdade, com a lição de Jesus.

05 - No mundo maior - André Luiz - pág. 176

ESTRANHA ENFERMIDADE
Acompanhando o abnegado irmão dos sofredores, penetrei confortável residência, onde Calderaro me conduziu, incontinente, à presença de um nobre cavalheiro em repouso. Achamo-nos em elegante aposento, decorado em ouro-velho. Magnífico tapete completava a graça ambiente, exibindo caprichosos arabescos em harmonia com os desenhos do teto.

Estirado num divã, o enfermo que visitávamos engolfava-se em profunda meditação. Ao lado, humilde entidade de nossa esfera como que nos aguardava. Aproximou-se e cumprimentou-nos, gentil. Às fraternas interpelações do Assistente, respondeu solícita:- Fabrício vai melhorando; no entanto, continuam os fenômenos de angústia. Tem estado inquieto, aflito...

O orientador lançou expressivo olhar ao doente e insistiu: - Mantém ainda o autodomínio? não se abandonou totalmente às impressões destrutivas? A interlocutora, revelando contentamento, informou: - A Divina Misericórdia não tem faltado. O desequilíbrio integral, por enquanto, não erigiu seu império. Em nome de Jesus, nossa colaboração tem prevalecido.

Calderaro, então, fraternalmente indagou, dirigindo-se a mim: - Chegaste, alguma vez, a examinar casos declara dos de esquizofrenia?
Não adquirira conhecimentos especializados da matéria; todavia, não ignorava constituir esse morbo uma das mais inquietantes questões da psiquiatria moderna.

- Este ramo ingrato da Ciência, que estuda a patologia da alma - declarou o companheiro, compreendendo a minha insipiência -, é, há muito tempo, campo de batalha entre fisiologístas e psicologistas; tal conflito é, em verdade, lamentável e bizantino, de vez que ambas as correntes possuem razões substanciais nos argumentos com que se digladiam. Somos, contudo, forçados a reconhecer que a psicologia ocupa a melhor posição, por escalpelar o problema nas adjacências das causas profundas, ao passo que a fisiologia analisa os efeitos e procura remediá-los na superfície.

Logo após, o Assistente recomendou-me examinar a esfera mental do visitado. Auscultei-lhe o íntimo, ficando aterrado com as inquietudes que lhe povoavam o ser. O cérebro apresentava anomalias estranhas. Toda a face inferior mostrava manchas sombrias. Os distúrbios da circulação, do movimento e dos sentidos eram visíveis. Calderaro apresentara-me Fabrício, classificando-o como esquizofrênico; mas não estaríamos, ali, perante um caso de neurastenia cérebro-cardíaca?

O instrutor ouviu-me pacientemente e observou: - Diagnóstico exato, no aspecto em que o nosso amigo se apresenta hoje. A esquizofrenia, contudo, originando-se de sutis perturbações do organismo perispirítico, traduz-se no vaso físico por surpreendente conjunto de moléstias variáveis e indeterminadas. No momento, temos aqui a doença de Krishaber com todos os característicos especiais.

Mostrando grave expressão no semblante, acrescentou: - Repara, contudo, além dos efeitos mutáveis. Analisa a mente e os domínios das sensações. Lancei mais profundamente a sonda de minha observação sobre os quadros interiores do enfermo e percebi-lhe imagens torturantes na tela da memória.

Ensimesmado, Fabrício não se dava conta do que ocorria no plano externo. Braços imóveis, olhos parados, mantinha-se distante das sugestões ambientes; no íntimo, todavia, a zona mental semelhava-se a fornalha ardente. A imaginação superexcitada detinha-se a ouvir o passado... Recordava-lhe a figura de um velhinho agonizante. Escutava-lhe as palavras da última hora do corpo, a recomendar-lhe aos cuidados três jovens presentes também ali, na paisagem de suas reminiscências. O moribundo devia ser-lhe o genitor, e os rapazes, irmãos. Conversavam, entre si, lacrimosos. De repente, modificavam-se-lhe as lembranças. O ancião e os jovens pareciam revoltados contra ele, acusando-o. Nomeavam-no com descaridosas designações...

O doente ouvia as vozes internas, ansioso, amargurado. Desejava desfazer-se do pretérito, pagaria pelo esquecimento qualquer preço, ansiava de fugir a si próprio, mas em vão: sempre as mesmas recordações atrozes vergastando-lhe a consciência. Verificava-lhe eu os estragos orgânicos, resultantes do uso intensivo de analgésicos. Aquele homem deveria pstar duelando consigo mesmo, desde muitos anos. Achava-me no exame da situação, quando uma senhora idosa surgiu no aposento, tentando chamá-lo à realidade.-Vamos, Fabrício! não se alimenta hoje?


06 - O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - pág. 101

41 - A TOMADA ELÉTRICA - Cap. VIII — Item 7
De volta à reencarnação, em breve tempo, sou trazido ao vosso recinto de oração e fraternidade por benfeitores e amigos para que algo vos fale de minha história — amargo escarmento aos levianos do ouvido e aos imprudentes da língua. Sem ornato verbal de qualquer natureza, em minha confissão dolorosa, passo diretamente ao meu caso triste, à maneira de um louco que retorna ao juízo, depois de haver naufragado na vileza de um pântano.

Há alguns anos, em minha derradeira romagem na Terra, era eu simples comerciário de hábitos simples. Com pouco mais de trinta anos, desposei Marina, muito mais jovem que eu, e, exaltando a nossa felicidade, construímos nosso paraíso doméstico, numa casa pequena de movimentado bairro do Rio.

Nossa vida modesta era um cântico de ventura, entretecido de esperanças e preces; todavia, porque fosse, de ordinário, desconfiado e inquieto, amava minha esposa com doentia paixão. Marina era muito moça, quase menina... Estimava as cores festivas, o cinema, a vida social, a gargalhada franca e, por guardar temperamento infantil, a curto espaço teve o nome enliçado à maledicência que fustiga a felicidade, como a sombra persegue a luz.

Em torno de nós, fez-se o "disse-me-disse". Se tomávamos um bonde, éramos logo objeto de olhares assustadiços, enquanto se cochichava, lembrando-se-nos o nome...Se passávamos numa praça, éramos, quase sempre, seguidos de assovios discretos... Começaram para mim os recados escusos, os telefonemas inesperados, as cartas anônimas e os conselhos de família, reunindo várias acusações.

— "Marina desertara dos compromissos do lar." — "Marina era ingrata e infiel."— "Marina respirava numa poça de lama."— "Marina tornara-se irregular." Muita vez, minha própria mãe, zelosa de nosso nome, chamava-me a brios, indicando-me providências. Amigos segredavam-me anedotas irreverentes com sentido indireto.

Lutas enormes do sentimento ditavam-me desesperados conflitos. Acabou-se em casa a alegria espontânea. Debalde, a companheira se inocentava, alertando-me o coração; entretanto, densas trevas possuíam-me o raciocínio, induzindo-me a criar assombrosos quadros em torno de faltas inexistentes.

Como se eu fora puro, exigia pureza em minha mulher. Qual se fosse santo, reclamava-lhe santidade. Deplorável cegueira humana! Foi assim que, numa tarde inesquecível para o remorso que me vergasta, tilintou o telefone, buscando-me para aviso. Três horas da tarde... Anuncia-me alguém ao cérebro atormentado que um estranho se achava em meu aposento íntimo.

Desvairado, tomei de um revólver e busquei minha casa. Sem barulho, penetrei nossa câmara e, de olhos embaciados no desespero, vi Marina curvada, ao lado de um homem que se curvava igualmente a dois passos de nosso leito. Não tive dúvida e alvejei-os, agoniado... Vi-lhes o sangue a misturar-se, enquanto me deitavam olhares de imensa angústia, e, porque não pudesse, eu mesmo, resistir a tamanha desdita, estilhacei meu crânio, com bala certa, caindo, logo após, para acordar no túmulo, agarrado a meu corpo, mazelento e fedentinoso, que servia de engorda a vermes famintos.

Em vão, busquei desvencilhar-me do arcabouço de lama, a emparedar-me na sombra. Gargalhadas irônicas de Espíritos infelizes cercavam -me a prisão. Descrever minha pena é tarefa impossível no vocabulário dos homens, porque o verbo dos homens não tem bastante força para pintar o inferno que brame dentro da alma.

Por muito tempo, amarguei meu cálice de aflição e pavor, até que mãos amigas me afastaram, por fim, do cárcere de lodo. Vim, então, a saber que Marina, sem culpa, fora sacrificada em minhas mãos de louco. Esposa abnegada e inocente que era, simplesmente pedira a um companheiro da vizinhança consertasse, em nosso quarto humilde, a tomada elétrica desajustada, a fim de passar a roupa que me era precisa para o dia seguinte.

Transido de vergonha e enojado de mim, antes de suplicar perdão às minhas pobres vítimas, implorei, humilhado, a prova que me espera... E é assim que, falando às almas descuidadas que cultivam na Terra da calúnia, venho dizer a todas, na condição de um réu, que para me curar da própria insensatez roguei ao Pai Celeste e me foi concedida a bênção de meio século de doença e martírio, luta e flagelação na dor de um corpo cego.

08 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questão: 709

Perg. 709 - Aqueles que,em situações críticas, se viram obrigados a sacrificar os semelhantes para matar a fome cometeram com isso um crime? Se houve crime, é ele atenuado pela necessidade de viver que o instinto de conservação lhes dá?
- Já respondi, ao dizer que há mais mérito em sofrer todas as provas da vida com abnegação e coragem. Há homicídio e crime de lesa-natureza, que deve ser duplamente punido.

10 - Revista Espírita 1863 - Allan Kardec - pág. 23

BARBÁRIE NA CIVILIZAÇÃO - HORRÍVEL SUPLÍCIO DE UM NEGRO
Uma carta de New York, datada de 5 de novembro e dirigida à Gazette dês Tribunaux, contém os seguintes e horríveis detalhes da terrível tragédia ocorrida em Dalton, condado de Carolina, no Maryland: "Recentemente um jovem negro havia sido preso sob a acusação de atentado ao pudor, na pessoa de uma jovem branca. Graves suspeitas pesavam sobre ele.

A mocinha, objeto de suas violências criminosas, declarava reconhecê-lo, perfeitamente, O acusado tinha sido recolhido à prisão de Dalton. Ali estava apenas há algumas horas, quando uma grande multidão, aos gritos de cólera e vingança, reclamava a entrega do pobre negro.

"Os representantes da ordem e da autoridade, vendo a impossibilidade de defender, à viva força, o seu prisioneiro contra a multidão irritada, em vão tentaram acalmá-la com discursos. Os assovios cobriram suas palavras em favor da lei e da justiça regular.

"A massa, cujo número crescia sempre, começou a atirar pedras na cadeia. Alguns tiros de pistola foram disparados contra os agentes da autoridade, sem os atingir. Compreendendo que a resistência era impossível, abriram as portas da prisão. Após um imenso hurrah! de satisfação, a multidão precipitou-se com furor. Apoderou-se do prisioneiro, arrastou-o, em meio aos gritos de cólera dos assistentes e de súplicas da vítima, para o centro da praça principal.

Constituiu-se um júri imediatamente. Depois de examinado pró-forma, os fatos do processo, o acusado foi declarado culpado e condenado à forca, imediatamente. Passaram uma corda por uma árvore e o executaram. Enquanto o corpo do negro se debatia nas convulsões da morte era vítima dos insultos e violências dos espectadores. Deram-lhe vários tiros de pistola, assim aumentando a tortura da morte.

"Ébria de cólera e vingança, a multidão não esperou que o corpo estivesse completamente imóvel para tirá-lo da corda. Passeou o seu troféu ignóbil pelas ruas de Dalton. Homens e mulheres, e até crianças, aplaudiam os ultrajes feitos ao cadáver do pobre negro.

"Mas o furor do povo não devia parar aí. Depois de percorrida a vila em todos os sentidos, foi para a frente de uma igreja de negros. Foi feita uma enorme fogueira; o cadáver foi mutilado e, em meio a ruidosas manifestações, os membros e os fragmentos de carne foram atirados às chamas".

Este relato deu lugar à seguinte pergunta, feita na sociedade Espírita de Paris, a 28 de novembro de 1862:"Compreendem-se exemplos de ferocidade isolados e individuais entre gente civilizada. O Espiritismo os explica, dizendo provirem de Espíritos inferiores, de certo modo extraviados numa sociedade mais avançada. Mas então tais indivíduos, em toda a sua vida, revelaram a sua baixeza de instintos.

O que não se compreende mais dificilmente é que uma população inteira, que deu provas de superioridade de inteligência e, mesmo, em outras circunstâncias, de sentimentos humanitários, que professa uma religião de suavidade e paz, possa ser tomada por tal vertigem sanguinária, e se repaste, em raiva selvagem, nas torturas de uma vítima. Eis aqui um problema moral sobre o qual pediremos aos Espíritos a bondade de nos instruir".
(SOCIEDADE ESPIRITA DE PARIS, 28 DE NOVEMBRO DE 1862 — MÉDIUM: SR. A. DE B.)

O sangue derramado nas regiões célebres até hoje por suas tendências para o progresso humano é uma chuva de maldição, e a ira do Deus justo não tardará muito a se abater sobre a região onde, com tanta frequência, se realizam abominações semelhantes a esta, cuja leitura acabaram de ouvir.

Em vão tenta-se a si mesmo dissimular as consequências que forçosamente determinam; em vão quer-se atenuar o alcance do crime. Se este é por si mesmo horroroso, não o é menos pela intenção que o faz cometer com tão horríveis refinamentos e com encarniçamento tão bestial.

O interesse! o interesse humano! os prazeres sensuais, as satisfações do orgulho e da vaidade ainda foram o seu móvel, como em todas as outras, e as mesmas causas originarão efeitos semelhantes, causas, por sua vez, dos efeitos da cólera celeste, de que são ameaçadas tantas- iniqüidades. Credes que não haja progresso real senão o da indústria, de todos os recursos e de todas as artes que tendem a atenuar os rigores da vida material e a aumentar os prazeres de que se querem saciar?

Não. Aí não é só onde se acha o progresso necessário à elevação dos Espíritos, que só temporariamente são humanos e que não devem ligar às coisas humanas senão o interesse secundário que elas merecem. O aperfeiçoamento do coração, as luzes da consciência, a difusão dos sentimentos de solidariedade universal dos seres, o da fraternidade entre os humanos, são as únicas marcas autênticas que distinguem um povo na marcha do progresso geral. Só por estes caracteres se reconhece uma nação como a mais adiantada.

Mas as que em seu seio alimentam sentimentos de orgulho exclusivo e não vêem tal porção da humanidade senão como uma raça servil, feita para obedecer e sofrer, experimentarão — não tenhais dúvidas — o nada de suas pretensões e o peso da vingança do Céu.
TEU PAI, v. DE B.

LEMBRETE:

1° - Homicida- (...) o homicida é um desventurado que sacrifica uma vida preciosa, e claro tem de ressarcir a sua crueldade; mas, às vezes, tem atenuantes, conforme o agravo de seu contendor. Muitas vezes fere para defender a própria honra ou a da prole amada. (...) Victor Hugo

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