HOMOSSEXUALISMO
BIBLIOGRAFIA
01- A moça da ilha - pág. 140, 201, 252 02 - A mulher na dimensão espírita- pág. 88
03 - Ação e reação - pág. 209 04 - Alerta - pág. 60
05 - Após a tempestade - pág. 37 06 - Convites da vida - pág. 61
07 - Curso Dinâmico de Espiritismo - pág. 28 08 - De Francisco de Assis para você - pág.136
09 - De Mário a Tiradentes - pág. 78, 213, 289 10 - Dos Hippies aos probl.do mundo - pág. 112
11 - Espírito, perispírito e alma - xviii, 227 12 -EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS - pág. 48, 138
13 - Forças sexuais da alma - pág. 76, 116, 121, 132 14 - Hipnotismo e espiritismo - pág. 143
15 - Gestação sublime intercâmbio - pág. 93, 97

16 - Mediunidade - pág. 60,141

17 - Na era do Espírito - pág. 144 18 - O homem novo - pág. 18
19 - Pinga fogo com Chico Xavier - pág. 54 20 - Saúde e espiritismo - pág. 287, 346
21 - Sexo e evolução - pág. 43, 78, 104 22 - Vampirismo - pág. 18, 29, 44, cap. ii, iv, v
23 - Veladores da luz - pág. 42 24 - Vida e sexo - pág. 89

HOMOSSEXUALIDADE, REENCARNAÇÃO E VIDA MENTAL

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

HOMOSSEXUALISMO – COMPILAÇÃO

03 - Ação e reação -André Luiz - pág. 209

(..) O sexo no corpo humano é assim como um altar de amor puro que não podemos relegar à imundície, sob pena de praticar as mais espantosas crueldades mentais, cujos efeitos nos seguem, invariáveis, depois do túmulo...Meu colega, que ardia no anseio de intensificar indagações, inquiriu, respeitoso:— Silas amigo, assistimos no mundo a todo um acervo de conflitos sentimentais que, por vezes, culminam em pavorosa delinquência... Homens que renegam os sagrados compromissos do lar, mulheres que desertam dos deveres nobilitantes para com a família... Pais que abandonam os filhos... Mães que rejeitam rebentos mal nascidos, quando os não assassinam covardemente... Tudo isso em razão da sede dos prazeres sexuais que, não raro, lhes situam os passos nas sendas tenebrosas do crime... Todas essas falhas acompanham o Espírito, além da armadura de carne que a morte consome?

— Como não? — respondeu o Assistente, tristonho. — Cada consciência é uma criação de Deus e cada existência é um elo sagrado na corrente da vida em que Deus palpita e se manifesta. Responderemos por todos os golpes destrutivos que vibramos nos corações alheios e não nos permitiremos repouso enquanto não consertarmos, valorosos, o serviço de reajuste. Impressionado, meu companheiro persistiu: — Imaginemos que um homem tenha conduzido uma jovem à comunhão sexual com ele, à caça de mero prazer dos sentidos, prometendo-lhe matrimônio digno, para abandoná-la vilmente ao próprio desencanto, depois de saciado em seus desejos... A pobre criatura, desenganada, sem recursos para refugiar-se no trabalho respeitável, entrega-se ao meretrício. O homem é responsável pelos desatinos que a infelicitada companheira venha a praticar, compreendendo-se que ele não terá marchado sozinho para semelhante aventura?

— É preciso reconhecer que todos responderemos pelos atos que efetuamos — explicou o interlocutor —; contudo, no caso em foco, se o homem não é responsável pelos delitos em que venha a falir a mulher desventurada, é ele, inegavelmente, o autor da desdita em que ela se encontra. E, em desencarnando com o remorso da traição praticada, quanto mais luz se lhe faça no entendimento mais agudo lhe será o pesar de haver cometido a falta. Trabalhará, naturalmente, para levantá-la do abismo a que ela se arrojou por segui-lo, confiante, e reconduzi-la-á à reencarnação, em cujos liames se demorará, aceitando-a por esposa ou filha, de modo a entregar-lhe o puro amor prometido, sofrendo para regenerar-lhe a mente em desequilíbrio e resgatando a sua consciência entenebrecida pela culpa.
— Da mesma forma — aduziu Hilário —, notamos na sociedade terrestre homens arruinados por mulheres desleais que os precipitaram na criminalidade e no vício...

— O processo da reparação é absolutamente o mesmo. A mulher que lançou o companheiro nas sombras do mal, em despertando à luz do bem, não descansará, enquanto não o reerguer para a dignidade moral, diante das Leis de Deus. Quantas mães vemos no mundo, engrandecidas pela dificuldade e pela renúncia, morrendo cada dia, entre a aflição e o sacrifício, para cuidar de filhos monstruosos que lhes torturam a alma e a carne? Em muitos desses quadros terríveis e emocionantes, oculta-se, divino, o labor da regeneração que só o tempo e a dor conseguem realizar. — Tudo isso, meu amigo — tornou Hilário com manifesta amargura —, nos obriga a reconhecer que, nas falhas do campo genésico, temos a considerar, acima de tudo, a crueldade mental que praticamos em nome do amor...

— Isso mesmo — aprovou o Assistente. — Na perseguição ao prazer dos sentidos, costumamos armar as piores ciladas aos corações incautos que nos ouvem. .. Contudo, fugindo à palavra empenhada ou faltando aos compromissos e votos que assumimos, não nos precatamos quanto à lei de correspondência, que nos devolve, inteiro, o mal que praticamos e em cuja intimidade as bênçãos do conhecimento superior nos agravam as agonias, de vez que, no esplendor da luz espiritual, não nos perdoamos pelas nódoas e chagas que trazemos na alma. Isso, para não falar dos crimes passionais, perpetrados na sociedade humana, todos os dias, pelos abusos das faculdades sexuais, destinadas a criar a família, a educação, a beneficência, a arte e a beleza entre os homens.

Esses abusos são responsáveis não apenas por largos tormentos nas regiões infernais, mas também por muitas moléstias e monstruosidades que ensombram a vida terrestre, porquanto os delinquentes do sexo, que operaram o homicídio, o infanticídio, a loucura, o suicídio, a falência e o esmagamento dos outros, voltam à carne, sob o impacto das vibrações desequilibrantes que puseram em ação contra si próprios, e são, muitas vezes, as vítimas da mutilação congênita, da alienação mental, da paralisia, da senilidade precoce, da obsessão enquistada, do câncer infantil, das enfermidades nervosas de variada espécie, dos processos patogênicos inabordáveis e de todo um cortejo de males, decorrentes do trauma perispirítico que, provocando desajustes nos tecidos sutis da alma, exige longos e complicados serviços de reparação a se exteriorizarem com o nome de inquietação, angústia, doença, provação, desventura, idiotia, sofrimento e miséria.

Aliás, muito antes da pompa terminológica das escolas psicanalíticas modernas, que se permitem arrojadas conjeturas em torno das flagelações mentais, há quase vinte séculos ensinou-nos Jesus que «todo aquele que comete o mal é escravo do mal» e podemos acrescentar que, para sanar o mal, a que houvermos escravizado o coração, é imprescindível sofrer a purgação que o extirpa. A conversação como que esmorecia, no entanto, Hilário, interessado em dirimir as dúvidas; que lhe escaldavam a cabeça, tomou novamente a palavra e indagou, sem preâmbulos: — E os problemas inquietantes da inversão? Silas deu-se pressa em aclarar: — Não será preciso alongar elucidações. Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher, e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem.

Contudo, em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus, ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinquência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor.

Nessa definição, porém, não incluímos os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, no intuito de operarem com mais segurança e valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que se lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e no progresso espiritual.(..)

10 - DOS HIPPIES AOS PROBLEMAS DO MUNDO - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER - pág. 99

25. Homossexualidade

Pergunta: Chico, nós sabemos atualmente pelos estudos que se fazem no tocante à reencarnação, estudos esses levados a efeito por cientistas de grande gabarito como o professor Ian Setevenson, que é professor de psiquiatria e neurologia da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos. Nós sabemos hoje, com base em observação experimental, que o espírito pode de uma encarnação para outra, mudar de sexo e poderíamos até dar um nome a esse fenômeno de transexualidade. eu pergunto a você: haveria alguma relação entre homossexualismo e transexualidade no sentido reencarnatório?

-Na maioria dos casos sim, conquanto o serralho, na antiguidade, e as guerras de longo curso tenham estimulado determinado tipo de costumes menos construtivos, mas não devemos desconsiderar, de maneira nenhuma, a maioria de nossos irmãos que vieram e que estão na Terra em condições inversivas do ponto-de-vista de sexo, realizando tarefas muito edificantes em caminho da redenção de seus próprios valores íntimos.

Consideramos isso com muito respeito e acreditamos que a legislação do futuro em suas novas faixas de entendimento humano saberá criar dentro da família, sem abalar as bases da família; a legislação humana saberá incorporar à família humana todos os filhos da humanidade, todos os filhos da Terra, sem que um flagelo para milhões de pessoas.

Num congresso de neurologia, realizado há muito pouco tempo, se deu especial destaque ao problema da fome. É verdade que o problema da fome é removível com a redistribuição do trabalho, com a administração criteriosa do trabalho para a criatura humana em todas as idades de sua posição válida no plano físico. Mas a frustração afetiva é um tipo de fome capaz de superlotar os nossos sanatórios e engendrar os mais obscuros processos de obsessão e por isso mesmo, devemos ter esperança de que todos os filhos de Deus na Terra, serão amparados por leis magnânimas com base na família humana para que o caráter impere acima dos sinais morfológicos e haja compreensão humana bastante para que os problemas afetivos sejam resolvidos com o máximo respeito às nossas leis e sem abalar de um milímetro o monumento da família que é base do Estado.

11 - ESPÍRITO, PERISPÍRITO E ALMA - HERNANI G. ANDRADE -

"SANKHARÂ" E HOMOSSEXUALISMO

Não ignoramos que há inúmeras formas de manifestação do homossexualismo. Entre elas, a mais marcante e que nos faz pensar na correlação entre "sankharâ" e homossexualismo é o "transexualismo". O transexual poderia ser descrito como aquele indivíduo que possui a alma de um dado sexo, inserida no corpo de um outro sexo. Por exemplo, uma alma feminina habitando um corpo masculino, e vice-versa.

A realidade do "sankharâ", revelada nos casos que sugerem reencarnação, favorece a hipótese de que pelo menos o transexualismo seja motivado por herança reencarnatória. Neste caso, se um indivíduo, que se reencarnou reiteradas vezes com um determinado sexo, vem a renascer com um sexo oposto, ele provavelmente sofrerá problemas do gênero transexualismo. Pelo menos há uma grande possibilidade de isto ocorrer.

A troca de sexo de uma encarnação para outra pode não ser exclusivamente a causa do homossexualismo, pois vários fatores educacionais poderiam contribuir para despertar no indivíduo as tendências sepultadas nas profundezas de seu inconsciente espiritual. Deve ter-se em conta, também, outras variáveis que possam influir na equação que define o homossexualismo em função do "sankharâ". Assim por exemplo apontamos duas imediatamente evidentes: 1 - o tempo que o indivíduo passou desencarnado (intermissão); 2 - o número de vezes que ele renasceu e viveu tendo determinado sexo. A intermissão muito prolongada apaga muitos "sankhrâ", especialmente aqueles que poderiam gerar as "birthmarks" resultantes de ferimentos, malformações, moléstias graves, etc.

É possível que as fortes características sexuais se atenuem com uma demorada intermissão. Por outro lado, a reiterada repetição de um mesmo tipo de sexo pode contribuir para acentuar as tendências do indivíduo a determinado comportamento sexual. Se, em sucessivos renascimentos, ele alternou os sexos, talvez seu comportamento sexual venha a depender sobretudo da educação recebida durante a infância e juventude. Isto porque ele é portador aproximadamente de igual carga de sexualidade masculina e feminina. Talvez seja este o motivo pelo qual o número de homossexuais parece aumentar à medida que o meio social se torna mais tolerante e menos repressivo.

Os indivíduos com maior tendência em relação a um dado comportamento sexual e que poderiam proceder normalmente, serão estimulados pelas facilidades do meio social a mudar de atitude. Antigamente a educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo ambisséxuo, em seu sexo natural. O homossexualismo não deve, pois, ser classificado como uma psicopatia ou como um comportamento merecedor de discriminação ou medidas repressivas. O homossexual, especialmente o "transexual", merece toda a nossa compreensão e ajuda, para que ele possa vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento, alguns homossexuais poderão ser reorientados, de maneira a se comportarem normalmente dentro dos padrões impostos pelo meio social. Entretanto, igual reorientação é necessária aos indivíduos normais para que se compenetrem da necessidade de tolerar e aceitar fraternalmente os homossexuais.

15 - EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER (ANDRÉ LUIZ) - pág. 48/138/193

XVIII. SEXO E CORPO ESPIRITUAL. HERMAFRODITISMO E UNISSEXUALIDADE.
Examinando o instinto sexual em sua complexidade nas linhas multiformes da vida, convém lembrar que, por milênios e milênios, o princípio inteligente se demorou no hermafroditismo das plantas, como, por exemplo, nos faneróganos, em cujas flores os estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e femininos. Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a reprodução sexuada, na formação de gametos (anterozóides e oosfera) que muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios análogos aos que observamos nestes últimos seres.

Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogânica, entre as vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os segundos. Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de animais inferiores, alternando-se-lhe os estágios de hermafroditismo com os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na direção dos vertebrados.

HERMAFRODITISMO POTENCIAL. Gradativamente, aparecem novos fatores de diferenciação, guardando-se, no entanto, os distintivos essenciais, como podemos identificar ainda agora, no sapo macho adulto um hermafrodita potencial, apesar dos sinais masculinos com que se apresenta, sabendo-se que carrega na região do seu testículo, positivamente acrescido, um ovário elementar aderente, o conhecido corpo de Bidder.

Se extirparmos o testículo, o ovário atrofiado começa a funcionar, por atuação da hipófise, conforme experimentos comprovados, convertendo-se num ovário adulto. Ocorrência inversa é verificável em cinco a dez por cento das galinhas adultas, isto é, nos indivíduos psiquicamente dispostos, das quais, se retirarmos o ovário direito, rudimentar, transubstancia-se num testículo que se vitaliza e cresce, na sua parte medular, até então inibida pelos estrogênios do ovário esquerdo. Nesse fenômeno, aumenta-se-lhes a crista, cantam tipicamente à maneira do galo e adotam-lhe a conduta sexual masculina.

Registramos esses fatos para demonstrar que entre todos os vertebrados e muito particularmente no homem, herdeiro das mais complicadas experiências psíquicas, nos domínios da reencarnação, apenas os caracteres morfológicos dos implementos sexuais estão submetidos aos princípios da genética. Isso porque não é só a figuração das glândulas sexuais que se mostra bipotencial até certo ponto, pois todo o cosmo orgânico é suscetível de reagir aos hormônios do mesmo sexo ou do sexo contrário, segundo as disposições psíquicas da personalidade.

AÇÃO DOS HORMÔNIOS: Atingindo inequívoco progresso em seus estímulos, o corpo espiritual, desde a protoforma psicossômica nos animais superiores até o homem, conforme a posição da mente em que serve, determina mais ampla riqueza hormonal. As glândulas sexuais que então mobiliza são mais complexas. Exercem a própria ação pelos hormônios que segregam, arrojando-os no sangue, hormônios esses, femininos ou masculinos, que possuem por arcabouço da constituição química, em que se expressam, o núcleo ciclo-pentano-peridrofenantreno, filiando-se ao grupo de esteróis.

Os hormônios estrogênicos, oriundos do ovário, mantêm os caracteres femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo, sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual, incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não os origina.

Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não obstante patentearem essa ou aquela influência de modo mais amplo. Ainda em razão do mesmo princípio que lhes vige na formação, pelo qual obedecem às vibrações incessantes do campo mental, os hormônimos não se armazenam: transformarm-se rapidamente ou sofrem apressada expulsão nos movimentos excretórios.

Entendendo-se os recursos da reprodução como engrenagens e mecanismos de que o Espírito em evolução se vale para a plasmagem das formas físicas, sem que os homens lhe comprovem, de modo absoluto, as qualidades íntimas, é fácil reconhecer que as glândulas sexuais e seus hormônios exibem efeitos relativamente específicos. Inegavelmente, o ovário e os hormônios femininos se responsabilizam pelos distintivos sexuais femininos, mas podem desenvolver alguns deles no macho, prevalecendo as mesmas diretrizes para o testículo e os hormônios que lhe correspondem.

Isso é claramente demonstrável nos experimentos de castração, enxertos e injeções hormonais, porquanto, apesar de a ação sexual específica do testículo e do ovário apresentar-se como fato indiscutível, a gônada, refletindo os estados da mente, herdeira direta das experiências inumeráveis, eventualmente produz certa quantidade de hormônios heterossexuais e, da mesma sorte, ainda que os hormônios sexuais se afirmem com atividade intensa, em determinados acontecimentos realizam essa ou aquela ação em órgãos do sexo oposto. Estes são os efeitos heterossexuais ou bissexuais das glândulas ou dos hormônios.

(..) O sexo é, portanto, MENTAL em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consciências encarnadas permanecem seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção.

17 - Na era do Espírito - Espíritos Diversos - pág. 144

25. Chico Xavier - A Questão 202: "Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher? - Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer. Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.

"Em nossa reunião pública, entre os visitantes amigos que procediam de cidades diversas, predominavam as perguntas sobre os conflitos psicológicos que estão merecendo longos estudos em toda parte. Os comentários em torno do assunto eram os mais animados. Quando as nossas tarefas tiveram início O Livro dos Espíritos nos ofereceu a questão 202 e as explanações prosseguiram.
No fim das atividades programadas o nosso caro Benfeitor Espiritual escreveu a página "Conflitos Psicológicos" que lhe envio para os seus oportunos estudos."

Tão fácil julgar os conflitos sentimentais que surjam nos outros! Habitualmente, a opinião pública na Terra quase que até agora, em assuntos de sexo, se restringia a entender e aprovar os que se davam ao casamento e a estranhar ou reprovar os que se mantinham em celibato. A evolução, no entanto, descortinou as ciências psicológicas da atualidade e as ciências psicológicas empreenderam o estudo das complexidades da alma, quase a lhe operarem o desnudamento. E os problemas do sexo vão sobrando em escala crescente.

Casados e solteiros, jovens e adultos, quando em lutas emocionais apresentam distúrbios afetivos e impulsos ambivalentes, insatisfação e carência de ordem sentimental, dificuldades através de condições inversivas e fenômenos diversos da bissexualidade.
Sempre valiosa a contribuição da psicologia em socorro de quantos se identificam no mundo em situação paranormal, nos domínios do afeto, particularmente quando ensina aos pacientes a conquista da auto-aceitação. Entretanto, sem os princípios reencarnacionistas, definindo a posição de cada espírito segundo as leis de causa e efeito, qualquer tipo de assistência às vítimas de desajustes psicológicos resultará incompleto.

Nesse sentido é preciso recordar que todas as lesões afetivas que tenhamos imposto a alguém repercutem sobre nós, criando lesões consequentes e análogas em nosso campo espiritual. Esse terá traumatizado almas queridas com os assaltos da ingratidão e se corporificou de novo no Plano Terrestre suportando os chamados desequilíbrios congênitos; aquele provavelmente haverá precipitado corações sensíveis em despenhadeiros do sentimento e renasceu carregando frustrações sexuais irreversíveis para todo o curso da própria existência; outro perseguiu criaturas irmãs do sexo oposto, mergulhando-as em desespero e delinquência e terá voltado à Terra em condições inversivas; outros terão solicitado a própria internação em celas morfológicas de formação contrária aos seus impulsos mais íntimos, de modo a se isolarem transitoriamente para o desempenho de tarefas determinadas e nem sempre toleram as provas e empeços da própria escolha; e outros muitos ainda, que impuseram suicídios e crimes, traições e deserções a pessoas que lhes hipotecavam integral confiança, retornam à experiência física sofrendo tribulações complexas que variam conforme o grau da culpa com que dilapidaram a harmonia de si mesmos.

Diante dos nossos irmãos de Humanidade em problemas sexuais, saibamos administrar-lhes amor e esclarecimento ao invés de menosprezo ou condenação. Normalidade física não quer dizer no mundo que os nossos débitos das existências passadas fiquem extintos. Em razão disso, muitas vezes, é possível que amanhã estejamos rogando amparo justamente àqueles aos quais hoje estendamos auxilio.

Encerrando os nossos apontamentos, que Allan Kardec formulou a questão Livro dos Espíritos, indagando da Espiritualidade superior quanto à preferência dos amigos renascimento no mundo, a perguntar para que setor da humana mais se inclinavam: se para o do homem ou da mulher. E os mentores da Codificação Kardequiana responderam convincentes:
— Isso, na essência, não lhes importa, eles, acima de tudo, a prova que lhes compete experimentar.


20 - Saúde e espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 287, 346

Estudo da Sexualidade: Equilíbrio e Desvios - Umberto Ferreira
Embora as manifestações do instinto sexual se façam no corpo físico, o seu controle é atributo do espírito, através da mente. Eis o que nos fala André Luiz:"O instinto sexual vem das profundezas da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução". A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime..." (Evolução em Dois Mundos, 1a parte; cap. XVIII)

A Doutrina Espírita nos ensina que o casamento, a "união de dois seres" representa "um progresso na marcha da Humanidade". (O Livro dos Espíritos - questão 695) Na poligamia, entendida como a união de uma pessoa com duas ou mais e, portanto, englobando a prostituição e o sexo livre, "não há afeição real, mas apenas sensualidade". E o casamento deve se fundamentar na "afeição dos seres que se unem". (O Livro dos Espíritos- questão 701)Emmanuel nos adverte que "relações sexuais, no entanto, envolvem responsabilidade". (Vida e Sexo, cap. 19)

André Luiz nos ensina que "a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, coma alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento..." (Evolução em Dois Mundos, cap. XVIII).
Com base nesses ensinamentos, podemos concluir que a condição ideal para a prática equilibrada do sexo é numa união permanente (casamento) e responsável e que tenha como laço firme, a unir o casal, o sentimento.

Para a prática equilibrada do sexo, é indispensável respeitar as leis biológicas e morais que regulam a vida. É, portanto, necessário respeitar a finalidade de cada órgão, determinada pela sabedoria do Criador, utilizando, nas relações sexuais, apenas aqueles órgãos que tem essa finalidade. Além disso, o sexo deve ser um complemento do amor, e não o objetivo maior de uma união. É necessário acrescentar que a prática do sexo, de maneira equilibrada, requer respeito e consideração, de tal forma que uma pessoa não use outra como objeto de seus desejos sexuais. Não vale, portanto, o entendimento de que entre quatro paredes tudo é válido.

Allan Kardec escreveu: "Mudando de sexo, poderá, então, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres". (RevistaEspírita, 1866) Emmanuel afirma: "Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências". E mais "Através da poligamia, o espírito assinala a si próprio longa marca em existências e mais existências sucessivas de reparação e aprendizagem, em cujo transcurso adquire a necessária disciplina do seu mundo emotivo". (Vida e Sexo)

Homossexualidade: Desafios em Psicoterapïa - Roberto Lúcio Vieira de Souza
A homossexualidade há muito vem sendo motivo de preocupação e questionamentos em todos os campos de estudos, entretanto, pouco encontramos de uma literatura realmente idônea acerca do tema, muito provavelmente pela delicadeza do assunto. Na lembrança de Emmanuel, na introdução do livro Vida e Sexo, reafirmamos que nossa Terra não possui elemento humano em condições de mestre no tema sexualidade, pois temos "telhado de vidro" e o nosso posicionamento poderá ser hipócrita, ao querermos julgar ou ensinar o que não vivenciamos ainda.

Ao aceitarmos o desafio do tema, fazemo-lo na condição de simples aprendizes, com a preocupação de que nossa pesquisa e proposições sirvam como alavanca para outros profissionais da área de saúde e companheiros de ideal espírita, objetivando auxiliar, verdadeiramente, aqueles que passam pela provação do desvio sexual. Em nosso trabalho profissional, temos nos deparado com inúmeros casos de homossexualismo, levando-nos a avaliar nossa própria responsabilidade diante do tratamento dessas criaturas, (já que o acaso não existe), e, entendendo nossas dificuldades pessoais no campo do sexo, buscamos direcionar a nossa tarefa nas seguintes diretrizes: "O homem do mundo é mais frágil do que perverso"; " "Misericórdia quero, e não sacrifício"; "Amarás o teu próximo como a ti mesmo".

Pode parecer uma posição um tanto piegas para um profissional médico, mas diante da dor do outro, mais do que teorias e explicações, precisamos nos colocar na verdadeira posição do terapeuta, como nos ensinavam os gregos: verdadeiro sacerdote a buscar caminhos de religação com o Pai. No cotidiano dos consultórios, o que temos encontrado são criaturas conturbadas em suas dores, julgadas e condenadas em si mesmas, consideradas por muitos como párias e classificadas por algumas escolas terapêuticas como sem cura, fadadas a um sofrimento eterno, não muito diferente das realidades infernais, narradas por diversas mitologias. Em sua maioria, são pessoas ignorantes dos conhecimentos espíritas (que nos sustentam os passos), sem condições de tomar atitudes ou posturas radicais, obrigando-nos a procurar meios de auxílio, evitando que muitos se percam em outros vícios ou no abismo do suicídio.

Por outro lado, encontramos na maior parte da literatura posicionamentos radicais. Uns, tendentes a um liberalismo amoral, estimulando as condutas e acreditando que o homossexualismo seria uma opção, ou mesmo uma categoria sexual; outros, opostamente colocados, postulam-no como uma doença e defeito moral grave, exigindo uma atitude de total abstinência e retraimento de todas essas tendências, em sua vida de relação; e ainda outros, que se acercam do tema de forma irresponsável ou jocosa, sem valorizar a situação daquele que vive a problemática.

Nosso trabalho será desenvolvido em três etapas:
• conhecimento científico;
• visão espírita;
• casos clínicos.
A abordagem é a médica - psicológica.

CONCEITO
Homossexualidade é a condição do indivíduo na qual a sua preferência sexual (tanto afetiva quanto genital) está voltada para parceiros do mesmo sexo, sendo que essa preferência pode ser exclusiva ou predominantemente homossexual. Alguns estudiosos tentam diferenciar a homossexualidade do homossexualismo, entendendo a primeira como a simples atração sexual, enquanto o segundo seria a vivência do primeiro, ou seja, uma seria a tendência e o outro, a prática. Em abril de 1974, a Associação Americana de Psiquiatria estabeleceu que a homossexualidade per se não seria mais considerada uma perturbação mental, criando uma nova categoria de "distúrbios de orientação sexual", incluindo a homossexualidade como distúrbio apenas nos casos de distonia do ego. Assim sendo, somente o homossexual que se sinta em conflito com sua identidade anatômica e psíquica deve ser alvo de atendimento ou assistência psicológica. Essa tendência foi mantida nas revisões seguintes do Manual de Diagnóstico e Estatística e na orientação do CID-10.

Os melhores dados sobre uma estatística da presença de homossexuais e bissexuais, em uma população, continuam sendo os de Kinsey, realizado nos Estados Unidos, relatando que 4% dos adultos homens eram exclusivamente homossexuais, durante toda a vida e 13% foram-no pelo menos durante três anos seguidos, entre as idades de 16 e 55 anos. Mostraram também que de cada três homens mais de um teve experiências de interação sexual, seguido de orgasmo, com parceiros do mesmo sexo, durante os anos pós-púberes. A proporção para mulheres, no mesmo relatório, foi aproximadamente a metade da atribuída aos homens.

CAUSAS
Para as ciências tradicionais, o que levaria ao comportamento sexual é ainda enigmático e controverso, tanto no nível hetero como homossexual. No campo da heterossexualidade, a menos controversa das explicações advém da visão darwiniana, que a apresenta como uma predisposição biologicamente programada, necessária à sobrevivência das espécies. Sigmund Freud trata a homossexualidade como uma repressão do desenvolvimento psicossexual. Ela seria o resultado de uma má resolução do Complexo de Édipo, quando o indivíduo se identificaria com a figura materna, dando vazão ao seu componente feminino, buscando sua realização sexual com um parceiro do mesmo sexo.

Os indivíduos que tivessem seu desenvolvimento psicossexual normal transformariam os vestígios da sua primeira fase (homossexualidade latente), por sublimação, em comportamentos afetuosos em relação a pessoas do mesmo sexo ou em tendências passivas nos homens e agressivas nas mulheres. Freud identificava, também, fatores traumáticos vinculados ao temor da castração como elementos importantes no surgimento da homossexualidade. Bieber, outro estudioso da sexualidade, rejeitou a teoria da bissexualidade psíquica, afirmando que a heterossexualidade seria o estado humano biologicamente normal. Relacionou a homossexualidade às experiências familiares patogênicas precoces. No caso da homossexualidade masculina, ela resultaria de vivências com uma mãe sufocante e sedutora e de um pai passivo, hostil, isolado ou ausente. No caso feminino, ele não conseguira padrões familiares bem definidos.

Hatterer relacionou uma lista de situações do início de vida, as quais poderiam resultar no surgimento do homossexualismo masculino, ou sejam:
• forte fixação na mãe;
• falta de cuidados paternos efetivos;
• inibição do desenvolvimento masculino pela mãe;
• fixação ou regressão ao estágio narcísico do desenvolvimento; e
• perdas na competição com os irmãos e irmãs.

No caso da homossexualidade feminina, os pais são vistos como criaturas muito sedutoras, com uma vinculação importante com a filha. As pesquisas não demonstraram posicionamento materno diferente daquele apresentado por mães de heterossexuais.
No momento atual das pesquisas genéticas, é muito cedo para afirmar ou negar o componente hereditário para a homossexualidade, o chamado popularmente gene gay. Na realidade, os estudos são inexpressivos e há uma tendência dos defensores de uma postura liberalizante do homossexualismo para enfatizar esses resultados.

ASPECTOS CLÍNICOS E PSICOPATOLÓGICOS
Os aspectos comportamentais de homens e mulheres homossexuais são tão variados como os do heterossexuais. As práticas sexuais são semelhantes, limitadas pelos aspectos anatômicos e os padrões de experiências variam de par a par. São encontrados casais homossexuais com relacionamentos monogâmicos de longa duração e outros de contatos passageiros, sendo que, conforme as pesquisas, os casais femininos são mais estáveis. Muitos dos relacionamentos masculinos iniciam-se em ambientes homossexuais ou através de encontros em parques e ambientes públicos. No caso feminino, os ambientes exclusivos têm aumentado em menor proporção, fazendo com que os encontros ocorram de outras formas.

Os homossexuais têm conquistado, nos últimos tempos, determinações legais, em diversos países, que tendem progressivamente a desaparecer com as discriminações do ponto de vista civil e social. No Brasil, encontra-se em tramitação, no Congresso Nacional, um projeto de lei que assegura os direitos de herança e assistência aos companheiros homossexuais. O processo de estigmatização social é maior em relação aos homossexuais femininos. Partindo do ponto de vista do qual a homossexualidade não seria um transtorno mental, o grau de psicopatologia que pode ser encontrado entre os homossexuais não seria diferente daquele presente entre os heterossexuais.

O quadro clínico, no caso da homossexualidade, considerado digno de acompanhamento é assim descrito: o indivíduo possui o desejo de adquirir ou aumentar o estímulo heterossexual, de modo que os relacionamentos desse tipo possam ser iniciados ou mantidos e o padrão sustentado de estímulo homossexual manifesto, do qual o indivíduo explicitamente se queixa, é indesejado e fonte de aflição. Os indivíduos com essa perturbação tanto podem não ter estímulo heterossexual como tê-lo muito fraco.

Uma pessoa, para ser diagnosticada como sofrendo de "homossexualidade ego-distônica", deve estar fortemente desejosa de ter o estímulo heterossexual e de estabelecer esses relacionamentos, a fim de conduzir esse estilo de vida e deve ter sido malsucedida no alcance desse objetivo devido aos padrões de estímulo predominantemente homossexual. Além disso, a pessoa deve considerar os padrões homossexuais como uma fonte considerável de sofrimento.

TRATAMENTO
Quanto à terapêutica, existe uma disputa em relação à eficácia de vários procedimentos. Bieber relatou que, com um mínimo de 350 horas de sessões psicanalíticas, aproximadamente um terço de 100 homens bissexuais ou homossexuais conseguiu reorientar-se no sentido da heterossexualidade, num acompanhamento de cinco anos. Terapeutas comportamentais relatam números semelhantes.
MacCulloch e Feldman usaram em seus trabalhos o condicionamento de evitação antecipada. Essa verificação manteve-se em dois anos de acompanhamento. Outros métodos menos detalhados têm produzido resultados menores que um terço. Um deles é o da sensibilização dissimulada.

Um estilo alternativo de intervenção é dirigido à capacitação da pessoa para viver mais confortavelmente como homossexual, sem culpa, vergonha, ansiedade ou depressão.
A maioria dos trabalhos é dirigida aos homossexuais masculinos, existindo poucos dados e estudos no campo da homossexualidade feminina.

AVISÃO ESPÍRITA
A pergunta 202 de O Livro dos Espíritos afirma: "Quando errante, que prefere o espírito: encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? Resposta: Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar". Essa colocação da Codificação demonstra a existência da bissexualidade psicológica do Espírito, o que não identifica, entretanto, uma concordância com a vivência bissexual do ser enquanto encarnado no campo da genitalidade. Essa postura doutrinária encontraria posteriormente sua confirmação nos estudos da Psicanálise.

Kardec, na Revista Espírita, assim se expressa quanto às experiências sexuais do Espírito, em suas diversas encarnações:"É com o mesmo objetivo que os Espíritos encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer-lhes as provas. (...) Pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz com que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa".

O Espírito André Luiz, através damediunidade de Francisco C. Xavier, assim esclarece:"O sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o espírito acentuadamente feminino se demore, séculos e séculos, nas linhas evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem. É essa condição de que o sexo seja mental, como bem esclarece a Codificação e as obras subsidiárias, que pode explicar a questão da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a existência de tal condição; a morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas sujeita-se às suas ordens.

E essa estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos, foi manipulada com os ingredientes do sexo, através de milhares de reencarnações, no dizer de Emmanuel, pela psicografia de Francisco C. Xavier. Na vida espiritual, cada Espírito será definido de conformidade com as qualidades masculinas ou femininas que forem predominantes em seu campo mental. Segundo a visão da maioria dos estudiosos espíritas, o Espírito precisa passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo do aprendizado de cada um é diferente. Assim, através de milênios e milênios o Espírito passa por fieira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.

O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminino, sem especificação psicológica absoluta, conforme afirma-nos o Benfeitor Emmanuel. André Luiz, avaliando a situação, assim se expressa: "Na Crosta Planetária os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em Espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de características viris e femininas em cada indivíduo, o que não assegura possibilidade de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabelece para o meio social".

Desse modo, Camilo, Espírito orientador de J. Raul Teixeira, afirma: "Provenientes dos recônditos da alma, onde se alocam reminiscências de desrespeito e de crimes hediondos, cometidos contra as leis morais que são presentes nas consciências humanas, ou, por outro modo, decorrentes de processos educacionais deletérios que se apoiaram em inclinações morais deficitárias, ainda não suficientemente amadurecidas para a verdadeira liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na intimidade das criaturas, largamente". Motivados, ainda, por terríveis programas obsessivos, que antigos inimigos desencarnados engendram por vingança ou, ainda, decorrentes de perturbações psiquiátricas não devidamente diagnosticadas, explodem quadros homossexuais aqui e acolá.

Aproveitemos essas últimas colocações para tentarmos classificar as causas da homossexualidade do ponto de vista doutrinário:
• Causas morais;
• Causas educacionais;
• Causas obsessivas;
• Causas psiquiátricas.

No campo das causas morais, encontraríamos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas, tanto na posição masculina quanto feminina, arruinando a vida de outras pessoas, destruindo uniões e lares diversos, as quais são induzidas a buscarem nova posição em corpos físicos opostos às suas estruturas psicológicas, ao reencarnarem, para aprenderem, em regime de prisão, a reajustarem em seus próprios sentimentos. Encontraríamos, também, aqueles outros que persistem nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso com a vida, que assim reencarnaram na tentativa de retratarem suas posições, em nova oportunidade de resgate. São Espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros, que encontram na questão da inversão sexual uma oportunidade para o refazimento de suas vidas, onde as leis divinas colocam-nos diante de situações semelhantes do passado de faltas, a cobrar-lhes posturas mais éticas perante si e o outro.

As causas educacionais poderiam ser agrupadas em atávicas e atuais. A atávica é resultante de vivências repetitivas dos Espíritos em culturas e comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada, como na Grécia antiga e em tribos indígenas, nos diversos continentes ou nas sociedades culturais e religiosas que segregavam ou segregam seus membros, facilitando nas criaturas esse comportamento; assim, ao reencarnarem em um local onde o homossexualismo não mais fosse aceito como prática livre, esbarrariam com sua condição viciosa.

Dentro das atuais, teríamos aquelas frutos dos defeitos de educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria anteriormente presente, nas quais as paixões deterioradas do passado tenderiam a levar pais e parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao seu estado físico em seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem comportamentos ostensivamente incestuosos .

Encontraríamos, também, os casos de pais contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma condição inversa ao do seu sexo físico ou, ainda, aqueles dos quais a entidade reencarnante ao perceber esse desejo inconsciente dos pais, durante o processo da gestação, buscaria patologicamente adaptar-se a essa situação. Outra causa estaria na presença de segmentos atuais da sociedade e da cultura a estimularem essas condutas, onde uma linguagem mais política e sem comprometimento ético, através dos diversos meios de comunicação, estimularia e condicionaria as criaturas a acreditarem que essas vivências seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha do indivíduo. Esse posicionamento iria de encontro com uma visão social maior, que continua atribuindo ao homossexualismo uma condição de marginalidade, mantendo um processo de segregação social e associando a ele outras posturas marginalizadas, como o abuso das drogas e a prostituição, agravando ainda mais a situação daqueles que optaram por essa postura sexual.

Entre as causas obsessivas podemos citar os casos em que parceiros do passado delituoso, em processos homossexuais ou vivências sexuais heterossexuais pervertidas, reencontram-se em condição de ódio ou paixão doentia, a estimularem no encarnado uma postura homossexual, com o objetivo de atender o desencarnado em suas ânsias viciosas ou de levar a sua vítima a situação constrangedora e de intenso sofrimento. Esses desencarnados poderiam estar numa condição mental de homossexualidade ou não, induzindo o encarnado num projeto de total desestruturação íntima e social.

O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem numa encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os parceiros da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde geralmente o encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente pervertidas ou locais nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos, condicionando-se a essas práticas.

Uma outra situação possível, oriunda de um processo obsessivo, seria aquela na qual um espírito obsediando um encarnado em posição sexual inversa à sua passaria, enfermado por uma interação intensa e duradoura, a sentir prazer sexual semelhante à sua vítima, pervertendo-se nesse campo e condicionando-se, numa próxima encarnação, a uma vivência homossexual. Nesses casos, a situação obsessiva teria existido numa encarnação anterior e a homossexualidade seria a desdita daquele que teria sido o algoz, naquela vivência; seria o famoso caso em que "o tiro saiu pela culatra".

As causas psiquiátricas reúnem os casos onde a criatura, presa a um processo de deficiência mental ou de desestruturação psicótica, vê-se com a crítica comprometida, permitindo-se condutas sexuais das mais diversas, sem necessariamente existir uma escolha do objeto de desejo ou compreensão da condição moral. São relações homossexuais sem necessariamente representarem opções de homossexualidade. Resultam de um passado delituoso, em outras áreas, a influenciar

No campo da psicopatologia, encontramos, ainda, os transtornos psicopáticos, nos quais as criaturas posicionam-se numa condição de amoralidade e imoralidade, optando por uma vida de prazeres sem limites, não se constrangendo, por nenhum motivo, na busca do hedonismo, estimulando em si e nas criaturas psiquicamente influenciáveis a homossexualidade. Teríamos, de maneira especial, os processos frutos de vivências traumáticas na infância, quando a criança seduzida sexualmente por um dos seus ascendentes familiares, viu-se condicionada por ele a um comportamento sexual invertido (por exemplo: um pai que usa sexualmente um filho); ou quando o jogo de sedução e perversão realizado por parentes de sexos opostos provoca uma situação de ódio intenso, levando a criança ou o jovem a fazer uma opção homossexual, como forma de rejeitar aquela vivência.

ATERAPÊUTICA ESPIRITA
A Doutrina dos Espíritos oferece-nos recursos, em diversas áreas de atuação, capazes de facilitar não só a compreensão das pessoas ligadas direta ou indiretamente nos casos de homossexualismo como a proporcionar condições de mudança, para os que buscam se renovar. Do ponto de vista do conhecimento doutrinário, ou seja, do contato do indivíduo com as verdades espíritas, estas facilitam-lhe a compreensão daquilo pelo qual a criatura está passando, despertam-lhe as idé

ias no campo da reencarnação, da lei de causa e efeito, da busca da realidade maior sobre o caminho mais adequado para a melhoria e das técnicas espíritas para o tratamento. Elas abrirão espaço para que a criatura pense por um outro ângulo, conscientizando-se da necessidade de renovação.

Os aspectos filosóficos ampliam-lhe o campo de abordagem, fazem com que a pessoa pense nas possíveis causas que levaram-na à situação da homossexualidade, à real gravidade do seu comportamento e das prováveis consequências de seus atos. O ângulo religioso oferece ao indivíduo oportunidade de conhecer um caminho orientado pela verdadeira ética, o consolo ao aceitar o chamado de renovação e a certeza do Amor Divino através dos mensageiros do Alto, que velam e amparam-no, sustentando-o quando assume propósitos superiores.

A terapêutica espírita proporciona-nos recursos energéticos através do passe, da água fluidificada e da sintonia pela prece. Estes são capazes de asserenar o ser, em sua busca de paz e alegria. Os conhecimentos da ciência espírita demonstram-lhe a realidade do processo em si próprio, as consequências energéticas do corpo físico e dos demais corpos da individualidade espiritual e como seus instrumentos terapêuticos podem ser eficazes. Oferecem, também, a assistência através do esclarecimento e auxílio mediúnico aos desencarnados vinculados ao processo, aliviando os irmãos que se alimentam dessas energias psíquicas viciosas.

TRATAMENTO DA HOMOSSEXUALIDADE: DESAFIOS EM PSICOTERAPIA
A dinâmica do trabalho psicoterapêutico exige-nos recursos para auxiliarmos a quem nos procura, sem, entretanto, exigirmos do indivíduo aquilo que ele ainda é incapaz de dar, não significando essa atitude conivência com o erro. A postura do terapeuta espírita não pode repetir a posição de preconceitos, exigências moralistas ou de permissividade, presentes na maioria das criaturas. O paciente espera uma compreensão de sua dor, de atitudes e auxílio que permitam a ele encontrar o caminho de mudança, sem o constrangimento de nossa intransigência que, na maioria das vezes, afasta a criatura do tratamento, fazendo-a persistir no sofrimento, sem uma chance de encontrar a saída tão esperada.

É papel fundamental do terapeuta entender o homossexual como um ser fragilizado, complicado pelo seu passado e pela ilusão na crença do prazer a qualquer custo, e não como uma criatura má, sem escrúpulos, que contamina a sociedade como epidemia grave e fatal. Relembrar que no campo da sexualidade a imensa maioria da humanidade encontra-se no mesmo lodaçal, precisando rever conceitos e atitudes, pois a realidade é que o sexo precisa ser dignificado e divinizado, onde quer que se manifeste. Compreender que, antes de tudo, a questão dos desvarios da sexualidade não parte somente da escolha do parceiro sexual, mas da postura íntima da criatura, que vê no sexo simples mecanismo de prazer e no outro o instrumento para alcançar esse fim.

Sabemos, como o apóstolo Paulo lembra-nos em sua Epístola aos Romanos, que existe um uso dito natural para o sexo, o qual não compreenderia apenas a questão da escolha do parceiro, mas também uma postura mais radical (em relação aos moldes vividos pela nossa sociedade), na qual os parceiros sexuais deveriam entregar-se ao relacionamento apenas para a procriação e com mútuo consentimento como opção diante das dificuldades de se manterem castos e sempre voltados aos aspectos espirituais (vide I Cor.,7).
O sexo deve ser uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma, conforme as palavras do espírito André Luiz, em Conduta Espírita. Assim, toda a postura de orientação deve visar às condições que possibilitem à criatura alcançar esse estado de bênçãos.
A mentora Joanna de Ângelis concita-nos:

"Enriquece o teu sexo com o estímulo do amor, a fim de que este o controle com sabedoria e nobreza; sendo assim o instrumento fundamental para a transformação é o amor". É necessário, portanto, buscar na criatura a presença do amor, para que ele possa conduzir a vivência sexual num campo de sublimação. Na realidade, o que encontramos, entre a maioria dos homens, é um posicionamento leviano diante da vida sexual. O sexo é, na atualidade, simples meio de prazer e a sua função procriativa tem sido relegada a segundo plano, transformando as criaturas em objeto e o relacionamento sexual em um jogo de trocas, com desrespeito aos sentimentos, conturbando as pessoas, estimulando uma busca desenfreada e patológica de um orgasmo duradouro e acentuando a baixa estima naqueles que se vêem como mero instrumento de satisfação do outro.

O ângulo da criatividade superior do sexo é desconhecido pela maioria, sendo, portanto, preocupação de poucos, exigindo um trabalho de esclarecimento e de estímulo quanto à necessidade de buscá-lo, objetivando a felicidade. Acreditamos, portanto, que todo trabalho no campo da sexualidade deve enfatizar a postura íntima do indivíduo quanto à sua própria vivência sexual, buscando dignificar esse instrumento de crescimento evolutivo e, dessa forma, os desvios de qualquer espécie nessa área serão progressivamente corrigidos, possibilitando à criatura alçar voos em direção à Felicidade. É comum buscarmos atuar diretamente nos grandes problemas, tentando combatê-los, sem bases seguras para vencer o intento. Nesse aspecto da abordagem, reportamo-nos ao Evangelho de Lucas( 14:31-32), quando Jesus assim se expressa:

"Ou, qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz".
Diante dessa fala, questionaríamos se não seria prudente oferecer tratamento? A criatura teria condições de adotar mudanças de atitudes tão radicais, como abandonar a opção da homossexualidade através da abstinência, antes da aquisição de conhecimentos e virtudes tão importantes para essa transformação? A problemática maior é a da opção pelo parceiro do mesmo sexo ou encontra-se na desestruturação do componente afetivo da criatura a influenciar toda a sua vida?

É novamente Joanna de Ângelis que nos afirma:" O homem que se candidata a uma existência feliz tem a obrigação de vigiar as suas emoções perturbadoras, a fim de se evitarem desarmonias perfeitamente dispensáveis, na economia de seu processo de evolução. As emoções perturbadoras decorrem do excesso da auto-estima, do apego aos bens materiais e às pessoas e do orgulho, entre outros
fatores negativos". Dentro dessa visão, não seria mais conveniente trabalharmos com as dificuldades que determinam essas emoções perturbadoras? Seria incorreto ou inadequado buscar condições para a criatura que, apesar de não refletir o ótimo, corresponderia ao melhor possível, naquele determinado momento?

O processo de sublimação é contínuo, como já determina a palavra "processo", por isso é imperioso que busquemos com a criatura, em terapia, um caminho a seguir, etapas a se vencerem, de modo que ela possa alcançar o fim tão esperado: a felicidade. No campo da homossexualidade propomos, depois do acompanhamento de diversos casos, alguns itens para se trabalhar:

• Buscar, através de anamnese criteriosa as características do quadro do paciente, identificando a sua condição ou real preferência sexual, percebendo as suas possibilidades de estímulo tanto no campo da homossexualidade quanto no da heterossexualidade;
• Perceber o grau de insatisfação do cliente quanto à sua possível homossexualidade e os seus anseios diante do tratamento;
• Fazer uma avaliação minuciosa, procurando as possíveis causas do ponto de vista espírita, facilitando o entendimento e conseqüentemente o tratamento;
• Esclarecer progressivamente o paciente sobre os diversos aspectos da homossexualidade e das possibilidades terapêuticas, enfatizando a necessidade da renovação dos conceitos de prazer e felicidade, sem os quais não serão possíveis as medidas a serem tomadas;

• Afastar o paciente de viciações outras que entorpecem a sensibilidade , impedindo que o indivíduo perceba os aspectos transcendentais de mudança;
• Na presença de comportamentos que caracterizem prostituição, estimular relacionamentos afetivos e amorosos;
• No caso de relacionamentos com diversos parceiros, procurar a diminuição gradual desse número, até alcançar a monogamia, caso não seja possível dar esse passo de forma mais rápida;
• Nos relacionamentos homossexuais monogâmicos, incentivar a busca do amor mais espiritualizado e menos sensual, mostrando que os afetos têm formas mais sublimes e verdadeiras de manifestar-se, até que a criatura possa optar pelo celibato, dentro de uma visão transcendental da sexualidade;

• Nos casos de possível encaminhamento ou busca de vivência heterossexual, auxiliar o mesmo no encontro da melhor forma, sempre tendo em mente a preocupação com os sentimentos e a fidelidade consigo e com o outro;
• Levar o paciente a auxiliar o companheiro de relacionamento na conquista desses mesmos passos, de forma que o crescimento seja mútuo e o resgate possa ser feito simultaneamente. Quando o companheiro mostrar-se resistente a essas mudanças, respeitá-lo em suas dificuldades, não o abandonando, entendendo a sua responsabilidade junto a ele, nesse processo de crescimento, sem entretanto desviar-se do seu caminho de renovação;
• Trabalhar, simultaneamente, os aspectos positivos do sexo oposto, auxiliando-o, assim, a ver de forma mais digna o seu próprio sexo;

• Orientá-lo sobre as várias técnicas facilitadoras do processo de sublimação, tais como as artes, leituras edificantes e meditação; e, quando ele aceitar a utilização dos métodos espíritas, encaminhá-lo para reuniões de estudos, fluidoterapia, atividades de assistência social e tratamento desobsessivo;
• Pacientemente, auxiliá-lo em suas possíveis recaídas, sempre lhe oferecendo recursos de esperança, tendo sempre em vista não ser conivente com a manutenção de atitudes que ofendam a Ética. Um trabalho psicoterápico, como descrevemos acima, envolve um relacionamento profundamente baseado no Amor, dentro do sentido mais crístico da palavra, por isso, acreditamos que seja de fundamental importância certas posturas do terapeuta, de modo que ele não venha se tornar móvel de complicação, tais como:

• Buscar no recurso da prece o auxílio dos mentores espirituais, ao iniciar cada sessão;
• Trabalhar intensamente os aspectos da sua própria sexualidade, de maneira que ele não encontre na atitude do outro forma de realização das suas próprias fantasias;
• Postar-se dignamente na sua vivência sexual, não abrindo campo para atuação de espíritos obsessores, ligados ou não ao seu cliente, evitando assim ser motivo de escândalo e infelicidade do outro;
• Procurar oferecer sempre uma abordagem mais espiritualizada da sexualidade, do prazer e da felicidade, tendo em mente a capacidade de compreensão do paciente, evitando interpretações que levem ao remorso destruidor, mas sim a um entendimento do erro com busca de reconstrução;
• Entender que as dificuldades presentes em todas as criaturas são, na maioria das vezes, fruto da fragilidade da criatura, auxiliando-nos (num trabalho bilateral) a encontrar a força divina que reside em nosso Espírito;
• Compreender que o Amor é o instrumento imprescindível para a cura, em qualquer setor da Vida e, em especial, no campo da sexualidade. (...)

21 - Sexo e evolução - Walter Barcelos - pág. 43, 78, 104


3.9 — A identificação sexual do Espírito nas comunicações psicofônicas
Notemos também que o escritor espiritual André Luiz nos adverte quanto à necessidade, quando no intercâmbio com os Espíritos, no trabalho de desobsessão, de deduzirmos qual o sexo que tal Espírito possui na Terra, pois este permanece com as mesmas características em sua estrutura psicológica, como vemos neste trecho:"Os médiuns esclarecedores, pelo que ouçam do manifestante necessitado, deduzam qual o sexo a que ele tenha pertencido, para que a conversação elucidativa se efetue na linha psicológica ideal (...)." (20.33)

A sexualidade continua profundamente viva em cada Espírito. A nossa personalidade, hoje, tanto no plano físico como no espiritual, é resultado das funções executadas nos milênios, através dos recursos abençoados do sexo, que a Providência Divina nos oferece para a nossa evolução. O sexo, portanto, está na base da formação das características de nossa individualidade.

3.10 — Personalidade sexual: soma de milênios de experiências
O mentor espiritual Emmanuel esclarece-nos:
"(...) Toda a estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos, foi manipulada com os ingredientes do sexo, através de milhares de reencarnações". (17.14)

3.11 —A sexualidade nos órgãos genitais

Os órgãos genitais não são os elementos básicos para definir a sexualidade das criaturas humanas, pois eles são instrumentos passivos, obedecendo ao comando mental. Não são eles que decretam a nossa sexualidade, mas sim a nossa estrutura psicológica. É o que nos explica André Luiz: "O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime." (23.18-1 P)
Nossos desejos, sonhos, ideais, sensibilidade, hábitos, aptidões, impulsos afetivos, tendências e reações íntimas, tanto na feminilidade quanto na masculinidade, continuam conosco na vida espiritual, pois estão registrados na mente.

3.12 — Homossexualidade: o sexo é mental

Uma prova de que o sexo é mental está no problema da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a homossexualidade. O Espírito, voltando à Terra em um novo corpo físico em desacordo com as características marcantes guardadas na mente, é o que explica o fenómeno do homossexualismo. A morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas sujeita-se às suas ordens. André Luiz dilata o nosso conhecimento a respeito, dizendo:

"(...) o sexo, analisado na essência, é a soma das qualidades femininas ou masculinas que caracterizam a mente, razão por que é imprescindível observá-lo, do ponto de vista espiritual, enquadrando-o na esfera das concessões divinas que nos cabe movimentar com respeito e rendimento na produção do bem". (18.15). Na vida espiritual, cada Espírito será, em matéria de masculinidade ou de feminilidade, definido de conformidade com as qualidades que forem predominantes no seu campo mental. O Espírito, no curso das reencarnações, precisa habitar em corpo de homem ou de mulher, para a aquisição das experiências que lhe possibilitarão alcançar a perfeição.

E o que "O Livro dos Espíritos" nos esclarece na pergunta:"Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou de uma mulher?"Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar." Não há problema para o Espírito encarnar em corpo de homem ou de mulher. O que o governa é a necessidade de experimentar as provas e obedecer à lei do progresso que o impulsiona a melhorar sempre. O mestre Allan Kardec também nos ensina:

"É com o mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem, poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer-lhes as provas." O Espírito precisa passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo de aprendizado de cada um é diferente. Nenhum Espírito chegará ao porto da perfeição, sem antes ter acumulado em sua estrutura psíquica as qualidades de ambos os sexos.

3.13 — Caráter psicológico predominante

Esta alternância do Espírito, ora em corpo de homem, ora em corpo de mulher, não é automática e nem uniforme: varia de Espírito para Espírito. Na maioria dos casos, permanece o Espírito longo tempo nas experiências de homem ou de mulher, consolidando características bastante fortes, na sua estrutura mental. É o que nos explica ainda Allan Kardec: "(...) pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o ca-ráter de homem ou de mulher, cuja marca nete ficou impressa".

Na atualidade, diz-nos com outras palavras o Espírito André Luiz:"Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos, nas linhas evolutivas da mulher e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem". A sexualidade em cada criatura humana será sempre a soma das experências adquiridas em corpo de homem e de mulher, embora uma delas seja o percentual maior no campo mental, determinando a condição de masculinidade ou feminilidade.

3.14 — Evolução incessante da estrutura psicológica sexual

Como somos chamados pela Lei de Deus ao aperfeiçoamento incessante, é natural que não vamos permanecer com a nossa vida mental estacionada e limitada indefinidamente em seu poder. A modificação das funções do Espírito na escola terrena, habitando em corpo de homem ou de mulher, faz com que a estrutura mental vá assimilando valores novos e transformando a sua personalidade, com o passar dos séculos. A posição mental de cada Espírito na feminilidade ou na masculinidade não é fixa, mas, transitória, porque evolui sempre. Como nos diz Emmanuel:

"(...) Espíritos que aspiram a realizar tarefas específicas na elevação de grupamentos humanos, reencarnam "em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem"." Com o revezamento das experiências, cada vez mais acentuadas, de homem ou de mulher, na rota dos milênios, o Espírito vai acumulando as qualidades dos dois sexos, fazendo que a entidade imortal enriquecida apresente características femininas e masculinas, não na organização física, mas na sua estrutura psicológica, manifestando virtudes de ambos os sexos, mas com predominância de uma delas.

É o que aprendemos com Emmanuel:"(. - -) através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciada, em quase todas as criaturas".

3.15 — A bissexualidade na estrutura psicológica do Espírito

As ciências psicológicas da atualidade não conseguem determinar uma personalidade com normalidade integral, no sentido de feminilidade ou de masculinidade, em grande parte das criaturas humanas. O fenômeno da bissexualidade é a pessoa apresentar em sua personalidade, em seus hábitos, em suas aptidões e tendências, qualidades tanto femininas quanto masculinas. Quanto mais virtudes de ambos os sexos possuir o Espírito, maior será o seu grau de evolução na hierarquia espiritual.

Desenvolve o nosso entendimento o Instrutor do Espírito André Luiz:"(...) na Crosta Planetária, os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico.

Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de características viris e feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social".

3.16 — Aquisição de qualidades
André Luiz nomeia as qualidades a serem adquiridas, tanto na masculinidade quanto na feminilidade: "Compreendemos, destarte, que na variação de nossas experiências adquirimos, : gradativamente, qualidades divinas, como sejam a energia e a ternura, a fortaleza e a humildade, o poder e a delicadeza, a inteligência e o sentimento, a iniciativa e a intuição, a sabedoria e o amor, até lograrmos o supremo equilíbrio em Deus."

Na sucessão ininterrupta das reencarnações, o Espírito é chamado pela Lei de Evolução a conquistar qualidades divinas, executando funções tanto na condição de feminilidade quanto de masculinidade. O Espírito não pode ficar estacionado numa única característica, pois ficará sempre deficiente e não se alçará a voos mais altos, na caminhada de ascensão para Deus.

Se o Espírito tem característica marcadamente feminina e não reencarnar em corpo de homem, para novas experiências, ficará impossibilitado de enriquecer de virtudes que somente em corpo de homem poderá o Espírito adquirir, e assim também no caso inverso. Para o Espírito chegar à perfeição, é necessário que acumule qualidades que ambos os sexos oferecem, no campo da existência humana.

3.17 — Perfeição do Espírito e os característicos sexuais

À medida que o Espírito vai alcançando graus mais altos na hierarquia do aperfeiçoamento espiritual, vai ele perdendo as características acentuadas dos dois sexos, porque elas vão se fundindo para surgirem muito mais belas e superiores às qualidades humanas. É o que afirma André Luiz:

"Quanto à perda dos característicos sexuais, estamos informados de que ocorrerá, espontaneamente, quando as almas humanas tiverem assimilado todas as experiências necessárias à própria sublimação, rumando após milênios de burilamento, para a situação angélica, em que o indivíduo deterá todas as qualidades nobres inerentes às masculinidade e à feminilidade, refletindo em si, nos degraus avançados da perfeição, a glória divina do Criador".

O Espirito, em chegando à pereição, não apresentará, portanto, características masculinas ou femininas, como as conhecidas na Terra, mas, sim a síntese gloriosa dessas virtudes desenvolvidas inifintamente, em plenitudes de luz, sabedoria e amor.


22 - Vampirismo - José Herculano Pires - pág. 18, 29, 44

COMPORTAMENTO HUMANO

O comportamento humano depende de muitos fatores que tentaremos alinhar no quadro abaixo
1 - 0 grau de evolução do ser em sentido gera.
2 - As diferenciações de graus evolutivos, em cada ser, nas diferentes áreas das faculdades humanas. Exemplo: inteligência, moralidade, afetividade, acuidade, responsabilidade, sensibilidade, idealidade, praticidade, integralidade (no sentido de integração na realidade), materialidade e espiritualidade.
3 - Hereditariedade genética.
4 - Heranças de encarnações anteriores.
5 - Condições da encarnação atual (meio em que nasceu e cresceu, educação, profissão, etc).
6 - Enfermidades atuais, situações financeiras difíceis ou boas, vícios adquiridos e assim por diante.

Nesse quadro, apenas esboçado, podemos ver como é variado o quadro determinante do comportamento humano, tornando-se difícil à elaboração de um esquema, universalmente aplicável. Desse fato se valem os corifeus da Psicologia e da Psiquiatria Libertinas para contestarem os padrões de normalidade do comportamento humano e incluírem nas faixas de normalidade os processos anormais verificados na História das Civilizações e considerados, em épocas pregressas, como normais.

Alegando a impossibilidade de uma classificação precisa do normal e do anormal, conseguem impressionar as criaturas ingênuas ou desprevenidas, que acabam se conformando com as suas anormalidades, entregando-se às garras insaciáveis do parasitismo ou do vampirismo. Vidas que poderiam ser nobres, dignas, proveitosas, tornam-se vergonhosas e inúteis, e o que é pior, servindo apenas de exemplos negativos, estimulantes de capitulações desastrosas. Famílias inteiras são às vezes afetadas por esses desastres morais de profunda repercussão.

O homossexualismo, nos dois sexos, por sua intensidade nas civilizações antigas e sua revivescência brutal em nosso tempo, é a mais grave dessas anormalidades que hoje se pretende declarar normais. E é precisamente nesse campo, o mais visado pelo vampirismo - desde os íncubus e súcubus da Idade Média até os nossos dias -, que incidem hoje os destemperas criminosos dos libertinos diplomados.

A própria palavra normal, tendo vários sentidos, oferece margem a interpretações ambíguas. Mas no plano cultura não se justifica a extensão da ambiguidade comum do linguajar popular aos conceitos filosóficos e científicos claramente definidos. Examinando o termo em seus vários significados, a partir das origens latinas, os filósofos definiram a palavra normal como designativa de ocorrências naturais e habituais numa determinada espécie ao longo das civilizações. Vindo de norma, o adjetivo normal significa regra, modelo, e é assim aplicado em todas as línguas. Durkheim lhe deu maior precisão ao lembrar que só se torna norma o que é bom e justo.

Há dois critérios seguros para se definir a normalidade dos fatos: o quantitativo, que se funda estatisticamente na maioria, e o qualitativo, que se baseia na qualidade ou valor dos fatos dentro de um contexto determinado. Através desse conceito chegamos à equivalência do normal com o natural, ao que corresponde às exigências naturais e, portanto necessárias das coisas e dos fatos no tocante a uma espécie ou ao conjunto das várias espécies em determinado plano.

Em todas as espécies: minerais, vegetais, animais, com plena consciência, na espécie humana o critério teleológico, referente à finalidade, o normal é o que se enquadra na definição de Durkheim; ou seja, o que é bom e justo. O bom e o justo correspondem a finalidades claras e evidentes. A finalidade genética do sexo define de maneira irrevogável a sua normalidade. Toda prática sexual que não corresponda à sua finalidade ao mesmo tempo equilibradora, produtora e reprodutora do organismo humano é anormal, acusando disfunções e desvios mórbidos no indivíduo e no grupo social.

Qualquer justificativa dessas anormalidades não passa de sofisma atentatório da própria existência da espécie. O crime cometido pelos que se utilizam desses sofismas para disfarçar a sua incapacidade profissional é o de traição à verdade, à ética profissional e individual, à moral social, à dignidade humana, as exigências da consciência, culminando, por sua extensão à humanidade, no crime de genocídio.

Não estamos exagerando, os desvarios recentes de um psiquiatra levou-o a considerar a prática homossexual como possível meio de controle da natalidade. A Nação que aceitasse essa tese estaria cometendo o crime de aviltamento de si mesma, de condenação sumária de seus cidadãos à desvirílização e à indignidade mais abjeta. Todos os valores humanos seriam reduzidos à lama dos chiqueiros, ante os homens transformados em porcos pela Circe moderna da Psiquiatria dementada. A varinha mágica da Circe de Ulisses, no poema homérico, seria transformada na bomba de nêutrons do genocídio covarde dos físicos inconscientes desta hora amarga do mundo.

O comportamento humano foi profundamente abalado e em grande parte subvertido pelas rápidas transformações deste século em todos os setores vitais, mas os fundamentos conscienciais desse comportamento não se abalaram nem se subverteram. A consciência humana define o humano, é ela que caracteriza o homem como poder e como ser. Ela, portanto, e só ela, sustenta e garante a uniformidade do comportamento humano básico em todo o planeta.

As variações decorrentes de condições raciais, de tradições, de estruturas políticas, sociais, e econômicas são apenas de superestruturas, praticamente superficiais. O gangster, a prostituta, o ladrão, o assassino profissional, o homem de bem e o santo, possuem todos o mesmo tipo de consciência e por isso são sempre reconhecidos, em toda parte, como seres humanos. Um homem cruel e um homem santo são ambos homens, com os mesmos direitos e os mesmos deveres. O comportamento de ambos é profundamente diverso, mas a sua essência é a mesma.

No santo existe a tendência ao bem e no cruel a tendência ao mal. E ambos estão sujeitos a se transformarem no contrário, às vezes por motivos insignificantes, que não justificam a mudança. Mal e bem são potências do espírito que podem passar a ato, desenvolver-se, atualizar-se. O segredo da conversão e da reversão dorme nos recessos do inconsciente, nesse arquivo submerso das experiências anteriores em que as emoções mais intensas e os impulsos mais vigorosos esperam apenas um toque, um pequeno motivo para subirem em tumulto à tona da consciência.

Essa permeabilidade assustadora, entretanto, é a garantia da liberdade, o livre-arbítrio é o tribunal da consciência, que como todos os tribunais dispõe de recursos para conter as invasões perigosas e repeli-las, mas também de fraqueza suficiente para capitular no primeiro assalto das forças deletérias.(...)

24 - Vida e sexo - Emmanuel - pág. 89

21. - Homossexualidade

«Pergunta — Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?»
«Resposta — Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.»
Item n.° 202, de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».

A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação. Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.

A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência. A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milÊnios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenómeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.

O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta. À face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice-ver-sa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias.

Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, tatre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de lição, como também no que concerne a obrigações regenerativas.

O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins.

E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam.

Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.

HOMOSSEXUALISMO

A homossexualidade na visão espírita. - Dr. Ricardo Di Bernardi

Ao contrário do que muitos possam imaginar, a posição da doutrina espírita não é de condenação ao homossexual. Aliás, a filosofia espírita não possui a característica da condenação de quaisquer atos ou posturas. Ao invés disto, estuda e compreende a origem dos problemas, procurando esclarecer os indivíduos e não condená-los.

Todas as tendências, vocações ou inclinações psicológicas não são decorrentes apenas das experiências da nossa vida atual. Nossa história é muito mais antiga e complexa do que possa parecer. Se é verdade que a gestação é uma fase extremamente importante na transmissão de energias mentais da mãe para o filho e vice-versa, se é real que nosso psiquismo se consolida através das experiências das diversas etapas infantis e juvenis. há muito além disto. Trazemos nos mais profundos arquivos do inconsciente um somatório de vivências tanto felizes como desagradáveis. Alegrias, decepções, momentos de enlevo ou traumas violentos foram por nós assimilados em vidas passadas. Construímos energias, em nós mesmos, que poderão permanecer conosco durante séculos.

Não é possível, segundo a ótica do conhecimento reencarnacionista, nos limitarmos a uma visão reducionista relativa a poucas décadas de uma existência quando temos informação que somos seres humanos que reencarnam há muitos milhares de anos.

Não se trata de dogma de fé ou crença cega. Trata-se de documentação através de relatos de espíritos desencarnados, documentação através de processos de memória extracerebral na qual pessoas se recordam espontaneamente de vidas passadas e documentação obtida por terapias regressivas a vivências pretéritas. Há uma infinidade de experiências, das mais diversas ordens, que comprovam ser nosso psiquismo a resultante de uma longa caminhada.

Assim, qualquer peculiaridade comportamental nossa, seja na esfera sexual, seja em qualquer outra esfera, necessita ser entendida pelo cosmo da visão espírita. A homossexualidade, portanto, não fará exceção, pois trata-se de uma característica bastante expressiva e determinante de importantes repercussões individuais, familiares e sociais.

Torna-se importante frisar que a homossexualidade não ocorre, simplesmente. pela mudança de sexo biológico de uma encarnação para a seguinte. Isto quer dizer, se uma mulher necessitar renascer como homem, ou vice-versa, este fato por si só jamais determinará qualquer comportamento na esfera da homossexualidade.

Homem e mulher que estão harmonizados e em sintonia com sua sexualidade, ao reencarnarem no sexo oposto continuarão a emitir harmoniosamente sua energia sexual. O chacra genésico que trabalha em equilíbrio expressará esta normalidade pelo veículo corporal conforme a sua fisiologia e anatomia pelas quais se expressa na nova existência física.

"A adaptação faz-se automaticamente quando não há distúrbios anteriores.
A espiritualidade superior sempre nos esclarece que a reencarnação em sexo
diferente do anterior não acarreta distúrbios homossexuais, e a própria lógica
nos leva a esta conclusão, pois a lei universal do renascimento visa harmonizar
as criaturas e não gerar dificuldades e conflitos desnecessários."

A adaptação faz-se automaticamente quando não há distúrbios anteriores. A espiritualidade superior sempre nos esclarece que a reencarnação em sexo diferente do anterior não acarreta distúrbios homossexuais. e a própria lógica nos leva a esta conclusão, pois a lei universal do renascimento visa harmonizar as criaturas e não gerar dificuldades e conflitos desnecessários.

Conforme já comentamos em outros escritos, em nosso planeta existem apenas 2 sexos biológicos: o masculino, proveniente da união de um espermatozóide Y com um óvulo, e o feminino, proveniente da união de um espermatozóide X também com um óvulo. Apesar de, em sua natureza íntima, o espírito não ter sexo, as experiências das vidas passadas determinam uma nítida polarização energética do espírito reencarnante, com características masculinas ou femininas. É verdade, também, que o espírito humano possui nas energias sexuais um dos mecanismos de seu próprio progresso espiritual mesmo porque são aquisições seculares e constantemente renovadas pelas novas encarnações. Espíritos em fase evolutiva compatível com o planeta Terra possuem, normalmente, as forças sexuais inclinadas ou para a polarização masculina ou para a polarização feminina. Quem visualiza a respeitável figura de Bezerra de Menezes sempre o vê como uma figura masculina, inclusive com barba. etc ... Da mesma forma, nas visões que podemos ter dos espíritos da falange de Maria eles são tipicamente femininos. Em nível mais periférico, e pessoal diria que não há como confundir a figura do meu pai desencarnado com, por exemplo, da minha tia. Observamos, portanto, que os espíritos masculinos bem como os femininos expressam em suas energias a tendência sexual que lhes é natural e de conformidade com suas inclinações psíquicas.

As peculiaridades psico-sexuais de um espírito determinam, desta forma, a sua expressão física ou sua organização biológica no que tange ao aspecto do seu corpo astral. Portanto, o corpo espiritual é reflexo de sua mente. Conforme já estudamos, ao reencarnar o espírito ligando-se ao óvulo transmite suas vibrações tipificando, automaticamente, sua polaridade sexual. Em razão desta polaridade sexual transmitida pelo corpo espiritual ao óvulo, este irá atrair o espermatozóide X (feminino) ou Y (masculino) que determinará o sexo biológico da futura encarnação.

Conclui-se, por este motivo, que o sexo biológico será sempre o adequado às características psicosexuais do espírito.

A homossexualidade é uma dificuldade de adaptação do espírito à sua condição biológica. Neste grupo estamos incluindo todos os indivíduos em desequilíbrio sexual com seu organismo que procuram exercer a fisiologia sexual com parceiros do mesmo sexo, em prática incompatível com a natureza que elaborou dois sexos opostos e complementares.

Trata-se de um desajuste, algo a ser corrigido, amparado com respeito e tratado. Não perseguido ou discriminado mas também não encoberto sob a falsa interpretação de "uma livre opção sexual". Não existe 3º, 4º ou outro sexo. Existem, em nosso planeta, apenas dois de polaridades opostas.

A não discriminação do homossexual e o respeito que se deve ter para com estes irmãos não exclui, no entanto, que se trata de uma dificuldade sexual dos mesmos. Dificuldades ou desajustes emocionais (ou físicos) constituem-se sempre em uma patologia. Quando se menciona o termo patologia há, imediatamente, uma reação de determinados grupos, pois logo associam à discriminação. Voltamos a insistir, o homossexual não está sendo, pela doutrina espírita, excluído, pelo contrário, compreendido e amparado. O que constitui patologia é, pois, sua inadaptação psíquica a uma realidade biológica programada para a existência atual.

"Voltamos a insistir, o homossexual não está sendo, pela doutrina espírita,
excluído, pelo contrário, compreendido e amparado. O que constitui patolo-
gia é, pois, sua inadaptação psíquica a uma realidade biológica programada
para a existência atual."

A origem do comportamento homossexual deve-se a um conflito entre a estrutura do consciente, ou organização biológica, e as regiões do inconsciente ou estruturas espirituais, em desarmonia energética. Conforme sabemos, qualquer postura mental gera núcleos de vibração nas estruturas do inconsciente. Posturas mentais, reforçadas por atitudes, intensificam esses campos de vibração. Desta forma, compreende-se que atitudes de exacerbação sexual com desvios de conduta, especialmente quando prejudicam outros indivíduos, gravam-se indelevelmente nos campos energéticos do espírito. Ao reencarnar, estes desvios energéticos, ou exacerbações da polaridade sexual, determinam conflitos psico-sexuais sérios especialmente se o espírito necessitar renascer em sexo oposto ao da encarnação anterior.

Os conflitos entre o consciente (físico) e o inconsciente (espírito) podem ter, também, origem em vivências desta existência atual.

Se é verdade que distúrbios das vidas anteriores podem ser determinantes de desarmonias energéticas na esfera psico-sexual, o inconsciente também registra inúmeros fatos da existência presente. Podemos dividir, didaticamente, o inconsciente em duas faixas principais: inconsciente presente e inconsciente pretérito. No inconsciente presente, ou atual, estão arquivadas as experiências desta encarnação que, por serem recentes, possuem grande influência na configuração psicológica de todos nós. O inconsciente pretérito constitui uma faixa muito mais ampla, porém, em certos casos, podem ter uma expressão menos preponderante que as vivências mais recentes. Cada caso é estritamente pessoal, portanto diferente de um indivíduo para outro.

Desde o início da gestação, passando pela infância e adolescência, o espírito vivencia as mais diferentes situações na área da sexualidade. Assim como muitos problemas têm origem na vida atual, freqüentemente situações pregressas são relembradas ou reforçadas nesta vida por erros de educação, pais violentos, abandono, agressões do meio ambiente etc, que conforme as particularidades de cada psiquismo geram repulsa ou identificação com o sexo oposto.

A homossexualidade, ou inadaptação ao sexo biológico,é, portanto, decorrente de um conflito entre zonas do inconsciente (atual e ou pretérito) com as estruturas da zona consciencial. Em determinada ocasião, quando fomos convidados para proferir uma palestra sobre o tema a um grupo de adolescentes, um jovem solicitou-me uma explicação, sob o ponto de vista energético, do porquê a homossexualidade não ser normal. Surgiu-me uma idéia que na ocasião me pareceu adequada:

- Se você olhar aquela tomada na parede, observará que há dois orifícios: por quê?

- Todo o mundo sabe, um é para o fio positivo e o outro para o negativo.

- Por que não podem ser dois fios positivos ou dois negativos?

- Porque a corrente para se processar necessita de pólos opostos.

- O que aconteceria se eu colocasse só fios de polaridade igual?

"um casal normalmente adaptado à sua fisiologia, ao se amar e manter relações sexuais,
intercambiam, Intensamente, ondas de energia que ao se completarem absorvem
outras, por sintonia, dos planos energéticos superiores. "

- Ou o Sr. leva um bruto choque (disse ele rindo), ou a lâmpada não vai acender.

- Pois é isto mesmo que acontece com relação à sexualidade. É preciso entender que também há comunhão de energia entre os parceiros.

Estabelece-se um circuito fluídico-vibratório intenso entre os envolvidos. Um homem e uma mulher permutam cargas magnéticas de polarização complementar que os realimenta psiquicamente. Um casal, normalmente adaptado à sua fisiologia, ao se amar e manter relações sexuais, intercambiam, intensamente, ondas de energia que ao se completarem absorvem outras, por sintonia, dos planos energéticos superiores. O próprio êxtase sexual é uma abertura magnética para a absorção destas energias que os amparam em termos de vibração psíquica. Como nas ligações homossexuais a polaridade energética não é complementar, há dificuldade em ocorrer o processo descrito. É comum nos homossexuais uma insatisfação íntima ou sensação de vazio interior por ausência da complementaridade energética nas relações, o que pode determinar conseqüências mais ou menos graves.

Não pretendemos esgotar tema tão complexo e doloroso. Em termos de terapêutica, recomendaríamos um acompanhamento minucioso, psicológico e espiritual que fosse feito aos irmãos com esta dificuldade. Tomemos por exemplo um homossexual do sexo masculino. Ao invés de buscar relações sexuais na qual desempenharia o papel inverso ao de sua fisiologia, deverá drenar estas forças para atividades compatíveis com esta energia feminina. Um erro comum, cometido por muitos pais, é matricular o garoto em aulas de box ou outro esporte para "machos". Tal atitude agrava as dificuldades do jovem que está a precisar de uma canalização sadia dos instintos opostos à sua morfologia. Devem ser-lhe oferecidas atividades que se afinizem com seu psiquismo. Não abafar ou reprimir, mas direcionar sob supervisão, para a arte, a música, ou até para a ciência, conforme, o caso.

Revista Internacional de Espiritismo.

LEMBRETE:

1° - Homossexualismo
O Espiritismo sempre tratou a questão sexual com o maior respeito e seriedade, por ser o sexo a sede da atividade procriadora e não um mero instrumento de prazer. No trato dessa delicada questão, não devem ser desconsiderados os fatores de ordem psicológica e psicossomática, bem como o meio social e familiar em que se manifesta o espírito reencarnado, às vezes lutando contra disfunções e desequilíbrios hormonais, situados no campo das enfermidades físicas. O homossexualismo, como uma disfunção psicológica e emocional, requer tratamento especializado, visando ao reequilíbrio das estruturas psíquicas do indivíduo, com vistas ao correto direcionamento das funções geradoras do sexo, dentro dos padrões aceitos como "normais". Para o Dr. Jorge Andréa dos Santos, médico psiquiatra, autor de vários livros espíritas e professor do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, a questão do homossexualismo requer muita compreensão, sob as luzes da dinâmica espírita, cabendo aos que se encontram em tal situação evitar o confronto e a absorção de energias do mesmo sexo, e buscar o caminho não só do entendimento de sua situação, mas principalmente de sua libertação. A estes, sugere o redirecionamento de suas energias sexuais para os campos construtivos das artes, literatura, trabalhos técnicos, assistência social, etc. Deolindo Amorim, em seu "O Espiritismo e os Problemas Humanos" (1.* edição, USE, 1985), define o homossexualismo como sendo o resultado de um jogo desequilibrado das energias criadoras da alma, afirmando: "Somos espíritos e estamos num corpo físico. O espírito não tem sexo, como entendemos, e sim uma poderosa energia criadora, suscetível, como toda força natural, ao uso e ao abuso".

2° - No homossexualismo teríamos os casos típicos de desvios patológicos em que os indivíduos procurariam atender às solicitações sexuais com o parceiro do mesmo sexo, em atitudes ativas ou passivas. Jorge Andréa Santos

2° - Uma prova de que o sexo é mental está no problema da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a homossexualidade. O Espírito voltando à Terra em um novo corpo físico em desacordo com as características marcantes guardadas na mente, é o que explica o fenômeno do homossexualismo. A morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas sujeita-se às suas ordens. (...) Walter Barcelos

3° - Aqui, citamos apenas que o homossexualismo "genuíno" tem origem em desequilibradas experiências sexuais vivenciadas em vidas passadas. Ao citarmos o homossexualismo "genuíno" referimo-nos àquele cujos sintomas são evidentes desde tenra idade. Os desvarios sexuais praticados por criaturas devassas, muitas delas heterossexuais ou as chamadas "bissexuais", não são objeto nem das pesquisas nem deste trabalho.

O Espírito tem em si os componentes sexuais masculinos e femininos; em cada existência preponderará aquele consentâneo com seu programa reencarnatório. Isso, em condições de equilíbrio sexual. Havendo necessidade de reajustamentos no campo da libido, a polarização sexual será compulsoriamente invertida, ensejando ao Espírito duros embates na carne, face os apelos eróticos exarcerbados, dirigidos ao mesmo sexo. Reajustar-se, essa a tarefa maior do homossexual, não se entregando a novas dissipações.
Temos, assim, que o homossexual é um ser em difícil condição expiatória ou provacional, motivo pelo qual necessita de compreensão e muito apoio moral. Eurípedes Kuhl

Edivaldo

25 - HOMOSSEXUALISMO

Marco Tulio Michalick

Uma vida sexual saudável desempenha um importante papel para nossa evolução, além da reprodução, procriação e continuidade da espécie humana. Uma relação sexual constitui-se de liberação de energias que devem ser canalizadas em benefício de nós mesmos.

Por isso, a prática desregrada do sexo não é recomendada por dispersar nossas energias que acabarão por enfraquecer nosso corpo e mente. Manter a mente sã por meio de bons pensamentos e a realização de boas ações contribuirão para se estabelecer relações harmoniosas que facilitarão uma elevada sintonia com o plano maior.

O homossexualismo é um comportamento que intriga a sociedade, a ciência e as religiões. A homossexualidade não é uma doença e nem um caso genético. Pois estudos realizados no campo da ciência não registram comprovação alguma sobre a condição, embora na avaliação dos estudiosos esta tendência comece a se manifestar desde cedo.

A homossexualidade, para alguns companheiros encarnados de jornada espiritual, é considerada obsessão. Um instante de descuido abre espaço para legiões de Espíritos trevosos penetrarem em nossa mente e desencadearem uma série de males à alma.

No entanto, em uma situação de vibração elevada se caracteriza pela emissão de pensamentos benéficos e vem acompanhada de ações positivas em prol de nossos semelhantes, certamente este algoz encontrara uma barreira de proteção e não seríamos presas fáceis. À luz da Doutrina, o homossexualismo pode ser considerado como uma obsessão, expiação ou provação, pois o Espírito não tem sexo e reencarna conforme suas necessidades evolutivas.

Emmanuel em Vida e Sexo, psicografado por Chico Xavier, descreve o seguinte: “a vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas (...) ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias”.

Para completar o pensamento de Emmanuel, André Luiz, no livro Ação e Reação, psicografado por Chico Xavier, fornece o seguinte relado do Assistente Silas: “sabemos que o sexo, analisando na essência, é a soma das qualidades femininas ou masculinas que caracterizam a mente, razão por que é imprescindível observá-lo, do ponto de vista espiritual, enquadrando-o na esfera das concessões divinas que nos cabe movimentar com respeito e rendimento na produção do bem (...) O sexo no corpo humano é assim como um altar de amor puro que não podemos relegar à imundice, sob pena de praticar as mais espantosas crueldades mentais, cujos efeitos nos seguem, invariáveis, depois do túmulo...”.

É importante lembrar e ter presente na nossa consciência essas palavras: “o sexo no corpo humano é assim como um altar de amor puro que não podemos relegar à imundice, sob pena de praticar as mais espantosas crueldades mentais, cujos efeitos nos seguem, invariáveis, depois do túmulo...”.


Por isso, nunca devemos esquecer que somos responsáveis por nossos atos e mesmo inconscientemente podemos diferenciar o certo do que é errado. Porém, as nossas falhas do passado podem ser minimizadas a cada reencarnação que representa uma oportunidade ou chance para lapidarmos a “pedra” que ainda existe em nosso perispírito. Nesse processo de lapidação contamos com a ajuda da espiritualidade amiga que nos dará o suporte necessário para deixar o labirinto que um dia habitamos e receber os ensinamentos do mestre Jesus que em muito contribuirão para nossa reforma íntima e mental, até que a luz brilhe em nosso ser.

Neste caminhar, os homossexuais encontram resistência por parte de dirigentes espíritas que lhes negam a oportunidade de desenvolver seu trabalho mediúnico ou mesmo de praticar “boas obras” conforme ensinou nosso Mestre. Esta é uma situação bastante delicada que exige do dirigente muita sensibilidade para manter uma postura alheia aos preconceitos.

Para Joanna de Ângelis em Dias Gloriosos, psicografado por Divaldo Pereira Franco, “a questão sexual é muito delicada e profunda, estando a exigir estudos sérios, sem as soluções da vulgaridade, apressadas e levianas, que pretendem resolver as situações conflitivas mediante sugestões para comportamentos insensatos, que violentam as estruturas morais do próprio ser, que passa então a experimentar distonia psíquica íntima ou desprezo por si mesmo, embora mantendo a aparência de triunfo que se encontra distante de o haver conseguido”.

Joanna de Ângelis considera que “a questão é muito delicada”. Ao tratarmos deste assunto temos a intenção de alertar as pessoas para que o homossexualismo não deve ser abordado, simplesmente, como obsessão. O processo obsessivo é resultado de um desregramento moral que compromete o comportamento de uma pessoa. Para tratar desses problemas espirituais, o centro espírita possui um conjunto de procedimentos como passes, desobsessão, fluidificação da água, palestras ou reuniões abertas ao público, sessões de leitura sobre a Doutrina Espírita, além do incentivo para o culto do Evangelho no lar.

Porém, nada disso surtirá efeito, se não partir da pessoa aquele esforço de querer se libertar como diz Kardec: “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para dominar as suas más tendências”.

É importante reconhecer e ter consciência do que somos e de que temos débitos do passado e resgates a serem cumpridos no Mundo Material. No entanto, essas adversidades não devem ser encaradas como um peso maior que nossas forças. E que não sejam razão para fugas como suicídio e drogas que trarão sérias conseqüências ao nosso perispírito acarretando novos resgates. Para vencermos estes embates contrários, somente fé e perseverança, capazes de nos conduzir em direção à evolução espiritual.

Essa postura encontra apoio nas sábias palavras de Emmanuel: “observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para o mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso por que todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um”.


Texto publicado no livro "Pronto para Vencer sem Medo de Tentar", DPL Editora, 2003.