HORÁRIO
BIBLIOGRAFIA
01- Amizade - pág. 28 02 - Cartilha da Natureza- pág. 207
03 - Desenvolvimento Mediúnico- pág. 24 04 - Diálogo com as sombras - pág. 45
05 - Falando à Terra - pág. 185 06 - Minha doce Casa Espírita - pág. 52
07 - O Centro Espírita- pág. 55 08 - O Espiritismo - pág. 112
09 - O Livro dos Médiuns - q. 333 10 - Projeto Manoel P. de Miranda - pág. 30
11 - Revista Espírita 1859 - pág. 397, 403 12 - Sinal Verde - pág. 91

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HORÁRIO – COMPILAÇÃO

07 - O Centro Espírita - J. Herculano Pires - pág. 55

VII— DISCIPLINA FRATERNA
O problema da disciplina no Centro Espírita é dos mais melindrosos e deve ser encarado entre as coordenadas da ordem e da tolerância. Não se pode estabelecer e manter no Centro uma disciplina rígida, de tipo militar. O Centro é, além de tudo o que já vimos, um instrumento coordenador das atividades espirituais. No esquema das suas sessões teóricas e práticas a questão do horário é imperiosa, mas não deve sobrepor-se às exigências do amor fraterno.

Não é justo deixarmos fora da sessão companheiros dedicados ou necessitados, porque chegaram dois ou três minutos atrasados. Vivemos num mundo material e não espiritual, em que as pessoas lutam com dificuldades várias no tocante à locomoção, aos embaraços de compromissos diversos, e é justo que se dê uma pequena margem de tolerância no horário. Essa margem não deve também ser estabelecida com rigor, mas deixada ao critério do dirigente dos trabalhos, que saberá dosar as coisas de acordo com as conveniências.

O rigor exagerado na questão de horário, mormente nas cidades mais populosas, causa aborrecimentos e mágoas a pessoas sensíveis que, depois de aflição e correria para chegar na hora certa, viram-se impedidas de participar da reunião por alguns segundos ou minutos. Temperando-se as exigências da ordem cronológica com o dever da atenção aos companheiros podemos evitar aborrecimentos perfeitamente superáveis. Claro que esse é um problema a ser sempre esclarecido nas reuniões, para que todos possam ter conhecimento da flexibilidade possível no horário.

O simples fato de haver essa flexibidade, já tira à disciplina o seu aspecto opressivo. Essa mesma dosagem de ordem e tolerância deve ser aplicada a outros problemas, de maneira a assegurar-se, o mais possível, um ambiente geral sem prevenções, que muito ajudará na realização dos trabalhos. Tratamos das almas frágeis no capítulo anterior. Devemos agora tratar das almas fortes, as mais apegadas ao problema disciplinar. As almas fortes são aquelas que procedem de linhas evolutivas em que os espíritos se aperfeiçoam no uso da independência e da coragem.

Por isso mesmo trazem consigo um condicionamento disciplinar que não aceita facilmente as concessões a que aludimos. Uma palavra rude de uma alma forte, embora não intencional, pode ferir a susceptibilidade de uma alma frágil, prejudicando-a no seu equilíbrio por uma insignificância. Ora, segundo a regra geral das relações humanas, o forte deve proteger e amparar o fraco, para ajudá-lo a se fortalecer. Os dirigentes de trabalhos devem cuidar de evitar esses pequenos atritos que não raro têm consequências muito maiores do que se pensa.

Por outro lado, as almas fortes precisam controlar os seus impulsos pelo pedido consciencial da fraternidade. Há pessoas que, por se sentirem mais fortes, decisivas e poderosas que as outras, embriagam-se com a ilusão do poder, desrespeitando os direitos alheios e sobrepondo-se, com rompança às opiniões dos outros. Atitudes dessa natureza, no meio espírita e no Centro, causam má impressão e constrangimento no ambiente, fomentando malquerenças desnecessárias.

Em se tratando de Espiritismo, tudo se deve fazer para manter-se um ambiente de compreensão e fraternidade, sem exageros, tocado o quanto possível de alegria e camaradagem. Num ambiente assim arejado, desprovido de tensões, a espiritualidade flui com facilidade e os Espíritos orientadores encontram mais oportunidades de tocar os corações e iluminar as mentes. Por menor que seja, o Centro dispõe sempre de mais de um setor de atividades. Deve-se fazer o possível para que em todos eles reine um ambiente fraterno, que é o mais poderoso antídoto dos desentendimentos.

A disciplina desses trabalhos, mesmo quando exija maior severidade, como no caso das sessões de desobsessão, deve ser tocada pela boa-vontade e a compreensão fraterna. Sem isso, particularmente em se tratando de desobsessão, dificilmente conseguiríamos resultados satisfatórios. Mas a franqueza também é elemento importante na boa solução dos problemas. Quando necessário, o dirigente deve chamar o obsedado em particular e expor-lhe com clareza o que observou a seu respeito, aconselhando-o a mudar de comportamento para poder melhorar.

A verdade deve estar presente em todos os momentos das atividades espirituais, mas a verdade nunca pode ser agressiva, sob pena de produzir o contrário do que se deseja. Não queremos esmiuçar todos os problemas e todas as situações no funcionamento de um Centro, pois isso seria cansativo e desnecessário. Tocamos apenas em alguns pontos para abrir diretrizes aproveitáveis, segundo a experiência de longos anos nas lides doutrinárias. Outros, com mais capacidade e mais penetração, poderão complementar o nosso trabalho com suas contribuições.

Nosso desejo é apenas ajudar os companheiros que tantas vezes se aturdem com as dificuldades encontradas. Não propomos regras como possível autoridade, que não somos e ninguém o é, num campo de experiências em que quanto mais se aprofunda mais se tem a aprender. A disciplina de um Centro Espírita é principalmente moral e espiritual, abrangendo todos os seus aspectos, mas tendo por constante e invariável a orientação e a pureza de intenções.

Os que mais contribuem para o Centro são os que trabalham, frequentam, estudam e procuram seguir um roteiro de fidelidade à Codificação Kardeciana. Muito estardalhaço, propaganda, agitação só pode prejudicar as atividades básicas e essenciais do Centro, humanitárias e espirituais, portanto recatadas e silenciosas. Os problemas do Centro são de ordem profunda no campo do espírito. Mas apesar disso não se pode desprezar as oportunidades de divulgação e principalmente de orientação doutrinária para o para o povo em geral. (...)

09 - O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - questão:. 333

(...) Ë' necessário representar cada indivíduo como cercado por um certo número de companheiros invisíveis, que se identificam com o seu caráter, os seus gostos e as suas tendências. Assim, toda pessoa que entre numa reunião leva consigo os Espíritos que lhes são simpáticos. Segundo o seu número e a sua natureza, esses companheiros podem exercer sobre a reunião e sobre as comunicações uma influência boa ou má. Uma reunião perfeita seria aquela em que todos os membros, animados do mesmo amor pelo bem, só levassem consigo Espíritos bons. Na falta da perfeição, a melhor reunião será aquela em que o bem supere o mal. Tudo isso é muito lógico para que seja necessário insistir.

331. Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a soma de todas as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo. Se ficou bem compreendido o que foi dito no n.° 282, pergunta 5, sobre a maneira porque os Espíritos são avisados quando os chamamos, será fácil entender o poder da associação de pensamento dos assistentes. Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas, para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim, é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não se pode dar sem concentração.

Por outro lado, o Espírito, chegando a um meio que lhe é inteiramente simpático, sente-se mais à vontade. Só encontrando amigos, comparece de boa vontade e mais dis-posto a responder. Quem quer que tenha seguido, com ai-guma atenção, as manifestações espíritas inteligentes, pode certamente se convencer desta verdade. Se os pensamentos forem divergentes, provocam um entrechoque de ideias desagradável para o Espírito e, portanto, prejudicial à manifestacão.

Acontece o mesmo com um homem que deve falar numa reunião. Se sentir que todos os pensamentos lhe são simpáticos e favoráveis, a impressão que recebe, age sobre as suas idéias e lhe dá maior vivacidade. A unanimidade dessa influência exerce sobre ele uma espécie de ação magnética que decuplica os recursos, enquanto a indiferença ou a hostilidade o perturbam e paralisam. Ë' assim que os atores sentem-se eletrizados pelos aplausos. Ora, sendo os Espíritos bem mais impressionáveis que os homens, devem sofrer muito mais a influência do meio.

Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível. Falamos, bem entendido, das que desejam chegar a resultados sérios e verdadeiramente úteis. Se simplesmente se quer obter quaisquer comunicações, não se importando com a qualidade é evidente que todas essas precauções não são necessárias. Mas, então, não se deve lamentar a qualidade do produto.

332. A concentração e a comunhão de pensamentos sendo como as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que, quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições. Ë, aliás, um fato provado pela experiência que os pequenos círculos íntimos são sempre mais favoráveis às boas comunicações, e isso pelos motivos que expusemos.

333. Outra exigência não menos necessária é a de regularidade das sessões. Em todas sempre encontramos Espíritos que poderíamos chamar de frequentadores habituais, mas não nos referimos a esses Espíritos que estão por toda parte e em tudo se intrometem. Falamos dos Espíritos protetores ou dos que são mais frequentemente evocados. Não se pense que esses Espíritos nada mais tenham a fazer do que nos dar atenção.

Eles têm as suas ocupações e podem, às vezes, encontrarem-se em condições desfavoráveis à evocação. Quando as reuniões se realizam em dias e horas fixos, eles se colocam à disposição nesses momentos e, raramente, faltam. Há mesmo os que levam a pontualidade ao excesso. Ofendem-se com o atraso de um quarto de hora, e, se foram eles que marcaram uma reunião, será inútil iniciá-la alguns minutos antes.

Mas acentuemos que, embora os Espíritos prefiram a regularidade, os verdadeiramente superiores não são tão meticulosos. A exigência de rigorosa pontualidade é sinal de inferioridade, como tudo o que é pueril. Mesmo fora das horas marcadas eles podem comparecer, e na verdade comparecem espontaneamente quando a finalidade é útil. Nada entretanto, é mais prejudicial à recepção de boas comunicações do que evocá-las a torto e a direito, por simples capricho ou sem um motivo sério. Como não estão sujeitos aos nossos caprichos, poderiam não nos atender. E é sobretudo nessas ocasiões que outros podem tomar-lhes o lugar e o nome.

12 - Sinal Verde - André Luiz - pág. 91

38. SEPARAÇÕES
Nas construções do bem, é forçoso contar com a retirada de muitos companheiros e, em muitas ocasiões, até mesmo daqueles que se nos fazem mais estimáveis. É preciso aguentar a separação, quando necessária, como as árvores toleram a poda.

Erro grave reter conosco um ente amigo que anseia por distância. Em vários casos, os destinos assemelham-se às estradas que se bifurcam para atender aos desígnios do progresso.

Não servir de constrangimento para ninguém. Se alguém nos abandona, em meio de empreendimentos alusivo à felicidade de todos e se não nos é possível atender à obra, em regime de solidão, a Divina Providência suscita o aparecimento de novos companheiros que se nos associam à luta edificante.

Nunca pedir ou exigir de outrem aquilo que outrem não nos possa dar. Não menosprezar a quem quer que seja. Saibamos orar em silêncio, uns pelos outros. Apenas Deus pode julgar o íntimo de cada um.

39. QUESTÕES A MEDITAR
Você dominará sempre as palavras que não disse, entretanto, se subordinará àquelas que pronuncie. Zele pela tranquilidade de sua consciência, sem descurar de sua apresentação exterior.

No que se refere à alimentação, é importante recordar a afirmativa dos antigos romanos: "há homens que cavam a sepultura com a própria boca". Tanto quanto possível, em qualquer obrigação a cumprir, esteja presente, pelos dez minutos antes, no lugar do compromisso a que você deve atender.

A inação entorpece qualquer faculdade. O sorriso espontâneo é uma bênção atraindo outras bênçãos. Servir, além do próprio dever, não é bajular e sim ganhar segurança.

Cada pessoa a quem você preste auxílio, é mais uma chave na solução de seus problemas. É natural que você faça invejosos, mas não inimigos.

Cada boa ação que você pratica, é uma luz que você acende, em torno dos próprios passos. Quem fala menos ouve melhor, e quem ouve melhor aprende mais.