IDÉIAS INATAS
BIBLIOGRAFIA
01- As margens do Eufrates - 265, 279 02 - Chão de flores - pág. 122
03 - Grilhões partidos - pág. 205 04 - O Livro dos Espíritos - q 218,431 2ª p. cap. iv
05 - Pérolas do Além - pág. 115 06 - Revista Espírita - 1868 - pág. 289
07 - Universo e Vida - pág. 54 08 - Vampirismo - pág. 112, cap. xii

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IDÉIAS INATAS – COMPILAÇÃO

04 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 218,431 2ª parte. cap. iv

IX—IDÉIAS INATAS
Perg. 218. - O Espírito encarnado conserva algum traço das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores.
— Resta-lhe uma vaga lembrança, que lhe dá o que chamamos idéias inatas.
Perg. 218-a. - A teoria das idéias inatas não é então quimérica?
— Não, pois os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito, liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente.
Perg. 218-b. - Deve então liaver uma grande conexão entre duas existências sucessivas?
— Nem sempre tão grande como podias pensar, porque as posições são quase sempre muito diferentes, e no intervalode ambas o Espírito pode progredir.
Perg. 219. - Qual é a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos como as línguas, o cálculo etc. ?
— Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do que ela mesma não tem consciência. De onde queres que elas venham? Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque a vestimenta
Perg. 220. - Com a mudança dos corpos, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes?
— Sim, desde que se tenha desonrado essa faculdade, empregando-a mal. Uma faculdade pode, também, ficar adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercer outra, que não se relacione com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde.
Perg. 221. - É a uma lembrança retrospectiva que deve o homem, mesmo no estado de selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e pressentimento da vida futura?
— E' uma lembrança que ele conserva daquilo que sabia como Espírito, antes de encarnar; mas o orgulho frequentemente abafa esse sentimento.
Perg. 221-a. - É à mesma lembrança que se devem certas crenças respectivas à doutrina espírita encontradas em todos os povos ?
— Esta doutrina é tão antiga quanto o mundo. Ë' por isso que a encontramos por toda parte, e é esta uma prova da sua veracidade. O Espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência instintiva do mundo invisível. Mas quase sempre ela é falseada pelos preconceitos, e a ignorância mistura a ela a superstição.

07 - Universo e Vida - Pelo Espírito Áureo - pág. 54

IV - CONSCIÊNCIA E RESPONSABILIDADE
O livro "A Razão", do emérito Professor Gilles-Gaston Granger, da Faculdade de Filosofia de Rennes, é, sem favor, uma das melhores obras ultimamente publicadas sobre esse tema fundamental da Filosofia. O autor desse trabalho de cunho didático e de inegável seriedade declarou, logo nas primeiras páginas, que se propunha realizar exposição sintética, a partir do seguinte esquema: — "Uma primeira sondagem histórica permitir-nos-á esboçar inicialmente, neste preâmbulo, uma genealogia sumária da noção de razão.

O primeiro capítulo poderá em seguida consagrar-se ao esboço de uma espécie de imagem por contraste do conceito, examinando três atitudes negativas em relação à razão: misticismo, "romantismo", existencialismo. No segundo capítulo, estudaremos bastante à vontade os traços mais marcantes do racionalismo da ciência contemporânea. O capítulo seguinte tratará mais brevemente do que se pode chamar a razão histórica. Com o último capítulo enfim aparecerá a preocupação de avaliar em que medida a razão permanece hoje uma das forças vivas da civilização e um dos elementos mais fundamentais de nosso destino."

Assim realmente procedeu, mas acabou chegando a conclusões que se chocam claramente com as idéias que inicialmente defendeu. Enquanto afirmava, no início de seu trabalho, que "a razão se propõe não somente como uma técnica, ou como um fato, mas como um valor" que se opunha ou se justapunha a outros valores, já na metade do livro viu-se obrigado a reconhecer que "a história das idéias demonstra uma evolução da razão", para acabar escrevendo, exatamente na última página, estas palavras fulgurantes: —

"Finalmente, verificamos que a razão, longe de ser uma forma definitivamente fixa do pensamento, é uma incessante conquista."
Nenhum valor teria tal afirmação se fosse feita por qualquer desinformado arrivista, mas seu formulador é um dos mais respeitados catedráticos do mundo cultural hodierno, numa análise estruturada sobre as idéias do Racionalismo na História da Filosofia, de Platão a Marx; da Psico-Sociologia da Razão, de Mannheim a Piaget; e sobre as idéias de Bergson e de Brunschvicg, de Cassirer e de Chestov, de Pradines e de Sartre, de Aron, Cournot e Lefebvre.

Cumpre-nos, porém, reconhecer que o conceito de evolução esposado por Granger é de natureza essencialmente histórica e sociológica, e portanto externa e superficial. Não atinge a essência da realidade, porque ignora a evolução do pensamento como função e consequência da evolução da mente que o gera, do ser espiritual que o produz. Somente na Filosofia Espírita a Razão aparece definida como capacidade de entender, de discernir, de escolher, de optar, de agir conscientemente e, portanto, de assumir responsabili­dade — condição "sine qua non" de progresso espiritual.

Ensina "O Livro dos Espíritos" (Parte l.a, Cap. IV) que o instinto é uma inteligência rudimentar que nunca se transvia e que é a razão que permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio. Ensina também (Perguntas/Respostas 122 a 127 e Nota) que "o livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por uma causa independente da vontade do Espirito. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação, outros resistiram.

As influências más que sobre ele se exercem são dos Espíritos imperfeitos, que procuram apoderar-se dele, dominá-lo, e que rejubilam com o fazê-lo sucumbir. Foi isso o que se intentou simbolizar na figura de Satanás. Tal influência acompanha-o na sua vida de Espírito, até que haja conseguido tanto império sobre si mesmo, que os maus desistem de obsidiá-lo. A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que ele deixa a cada um, porquanto, assim, cada um tem o mérito de suas obras".

Essas noções de desenvolvimento progressivo do livre-arbítrio e da consciência são de fundamental importância para o entendimento dos processos da evolução, nos quais tudo se encadeia harmoniosamente, num crescendo infinito. — "A economia de energia, que a lei do mínimo esforço impõe, limita a consciência humana ao âmbito onde se executa o trabalho útil das construções — diz Sua Voz, em "A Grande Síntese".

E acrescenta: — "O que foi vivido e definitivamente assimilado é abandonado nos substratos da consciência, zona que podeis denominar o subconsciente. Nessa conformidade, o processo de assimilação, base do desenvolvimento da consciência, se opera exatamente por transmissão ao subconsciente, onde tudo se conserva, ainda que esquecido, pronto a ressurgir tão logo um impulso o excite, um fato o reclame. O subconsciente é precisamente a zona dos instintos, das idéias inatas, das qualidades adquiridas; é o passado transposto, inferior mas adquirido (misoneísmo).

Aí se depositam todos os produtos substanciais da vida; nessa zona reencontrais o que tendes sido e o que tendes feito; descortinais a estrada percorrida na construção de vós mesmos, assim como nas estratificações geológicas descobris a vida vivida pelo planeta. (...) Assim, pois, a consciência representa apenas a zona da personalidade onde se realiza o labor da construção do Eu e de seu ulterior progresso. Em outros termos: ela se limita só a zona de trabalho; e é lógico. O consciente compreende unicamente a fase ativa, a única que sentis e conheceis, porque é a fase em que viveis e em que a evolução se opera."

(...) Compreendereis agora a estupenda presciência do instinto e de que infinita série de ensaios, incertezas e tentativas, seja ele o resultado. O indivíduo há de ter aprendido alguma vez essa ciência, pois do nada, nada nasce; há de ter-se adestrado na constância das leis ambientes que ela pressupõe, a que correspondiam seus órgãos, e para as quais ele foi feito e proporcionado. Sem uma infinita série de contatos, de ensaios, de adaptações no período das formações, não se explicaria uma tão perfeita correspondência de órgãos e instintos, antecipando-se à ação, no seio de uma natureza que avança por meio de tentativas, nem tampouco se explicaria a sua hereditariedade.

No instinto, a sapiência está conquistada; já foi superada a fase de tentativas; já foi vencida a necessidade de recorrer a uma linha de lógica que, oferecendo diversas soluções, demonstra a fase insegura, incerta, em que entram em jogo os atos raciocinados, mas onde o instinto uma só via conhece, e a melhor. Se é certo que a razão cobre um campo muito mais extenso que o limitado campo do instinto (e nisto o homem supera o animal, dominando zonas que este ignora), não é menos certo que, no seu campo, o instinto alcançou um grau de maturação mais avançado, expresso pela segurança dos seus atos, e um grau de perfeição ainda não atingido pela razão humana que, ao agir por tentativas, revela evidentes características de sua fase de formação.

E, assim como o animal raciocina, porém rudimentarmente, no período da construção do seu instinto, a razão humana alcançará, quando a sua formação estiver completa, uma forma de instinto complexa, maravilhosa, que revelará a mais profunda sabedoria. No homem subsiste todo instinto animal, de que a razão não é mais do que continuação. Podeis agora compreender que instinto e razão mais não são do que duas fases de consciência."

"Com a evolução —, diz ainda Sua Voz — o ser se subtrai progressivamente aos limites do determinismo físico, que no nível da matéria é geométrico, inflexível e idêntico em qualquer sentido. A vida começa a se libertar das cadeias desse absolutismo; o seu psiquismo crescente se constitui em nova causa que se sobrepõe estabelecida pelas leis físicas. O animal adquire, já, uma liberdade de ação ignorada no mundo físico. Chega-se, assim, ao reino humano do espírito, e ultrapassa-se esse reino, quando então o livre-arbítrio se afirma definitivamente. A lei do baixo mundo da matéria é determinismo; por evolução, opera-se a passagem do determinismo ao livre-arbítrio. (...) Só há responsabilidade onde há liberdade."

Absolutamente concordante é, a respeito, o ensino de André Luiz, em seu livro "No Mundo Maior" (Cap. 3, FEB, Rio): — "Não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio. Não há favoritismo no Templo Universal do Eterno, e todas as forças da Criação aperfeiçoam-se no Infinito.

A crisálida de consciência, que reside no cristal a rolar na corrente do rio, aí se acha em processo liberatório; as árvores que por vezes se aprumam centenas de anos, a suportar os golpes do Inverno e acalentadas pelas carícias da Primavera, estão conquistando a memória; a fêmea do tigre, lambendo os filhinhos recém-natos, aprende rudimentos do amor; o símio, guinchando, organiza a faculdade da palavra.

Em verdade, Deus criou o mundo, mas nós nos conservamos ainda longe da obra completa. Os seres que habitam o Universo ressumbrarão suor por muito tempo, a aprimorá-lo. Assim também a individualidade. Somos criação do Autor Divino, e devemos aperfeiçoar-nos integralmente. o Eterno Pai estabeleceu como lei universal que seja a perfeição obra de cooperativismo entre Ele e nós, os seus filhos. (...)

LEMBRETE:

O Espírito evolui incessantemente e em cada encarnação acumula uma parcela considerável de novos conhecimentos; quando renasce em um novo corpo, mantém, de forma inata, muito daquilo que aprendeu em existências precedentes. — O Espírito encarnado conserva algum traço das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências sucessivas?

— Resta-lhe uma vaga lembrança, que lhe dá o que chamamos idéias inatas (LÊ, perg. 218). Realmente, o Espírito não pode lembrar-se de tudo o que aprendeu em vidas passadas; seus gostos, propensões, conhecimentos adquiridos, posição social; não obstante, vêem-se pessoas nascerem em condições paupérrimas que, apesar disto, pelo próprio esforço e determinação em virtude de vagas reminiscências do passado, tudo fazem para se elevarem na vida, graças às tendências que adquiriram em existências anteriores e que são conservadas de forma inata.

Existem numerosos casos de pessoas que nasceram em condições obscuras e, no entanto, conquistaram destaque na ciência, na política, nas artes, e outros ramos do conhecimento humano. É notória também a existência de crianças precoces que, desde a mais tenra idade, manejam instrumentos musicais, tornando-se exímias artistas, matemáticos ou portadores de uma tendência para determinada arte, conhecimentos esses que somente seriam admissíveis quando adultos.

Considerando-se ter o Espírito a necessidade de evoluir moral e intelectualmente, pode acontecer que numa encarnação suas faculdades intelectuais, por exemplo, permaneçam adormecidas, para que ele possa evoluir mais no campo moral, pois nem sempre a evolução é simultânea.

Assim, idéias inatas são reminiscências de vidas passadas que afloram no decurso de novas existências corporais. Muitas pessoas chegam mesmo a reconhecer lugares onde parece terem estado anteriormente, e mesmo o encontro de pessoas que, logo à primeira vista, lhes parecem familiares ou já conhecidas, o que pode representar uma indicação de que conviveram com elas em encarnações anteriores. Curso de Espiritismo- Edições FEESP.

- As idéias inatas são o resultado dos conhecimentos adquiridos nas existências anteriores, são idéias que se conservaram no estado de intuição, para servirem de base à aquisição de outras novas. Allan Kardec

2° - (..) As idéias inatas não são mais que a herança intelectual e moral que vêm das nossas vidas passadas. Léon Denis

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