ILUSÃO
BIBLIOGRAFIA
01- CONVITES DA VIDA, pag. 148 02 - FENÔMENOS DE BILOCAÇÃO, pag. 48
03 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS, pag. 29 04 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS, q. 19, 165, 257
05 - O LIVRO DOS MÉDIUNS, q. 91 06 - PÉROLAS DO ALÉM, pag. 120
07 - REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO, pag. 96 08 - REPOSITÓRIO DE SABEDORIA, pag. 15
09 - RUMO CERTO, pag. 55 10 - VIVER EM PLENITUDE, pag. 11

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ILUSÃO – COMPILAÇÃO

01 - ILUSÃO

Ilusão
Escrito por HAMMED

Somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam como imaginamos que devam agir.

A criatura humana modela suas reações emocionais através dos critérios dos outros, estabelecendo para si própria metas ilusórias na vida. Esquece-se, entretanto, de que suas experiências são únicas, como também únicas são suas reações, e de que o constante estado de desencontro e aflição é subproduto das tentativas de concretizar essas suas irrealidades.

Constantemente, criamos fantasias em nossa mente, bloqueamos nossa consciência e recusamos aceitar a verdade. Usamos os mais diversos mecanismos de defesa, seja de forma consciente, seja de forma inconsciente, para evitar ou reduzir os eventos, as coisas ou os fatos de nossa vida que nos são inadmissíveis. A “negação” é um desses mecanismos psicológicos; ela aparece como primeira reação diante de uma perda ou de uma derrota. Portanto, negamos, invariavelmente, a fim de amortecer nossa alma das sobrecargas emocionais.

Quanto mais sonhos ilógicos, mais cresce a luta para materializá-los, levando certamente os indivíduos a se tornarem prisioneiros de um círculo vicioso e, como resultado, a sofrerem constantes frustrações e uma decepção crônica.

Um exemplo clássico de ilusão é a tendência exagerada de certas pessoas em querer fazer tudo com perfeição, aliás, querer ser o “modelo perfeito”. Essa abstração ilusória as coloca em situação desesperadora. Trata-se de um processo neurótico que faz com que elas assimilem cada manifestação de contrariedade dos outros como um sinal do seu fracasso e a interpretem como uma rejeição pessoal.

O ser humano supercrítico tem uma necessidade compulsória de ser considerado irrepreensível. Sua incapacidade de aceitar os outros como são é reflexo de sua incapacidade de aceitar a si próprio. Sua busca doentia da perfeição é uma projeção de suas próprias exigências internas. O perfeccionismo é, por certo, a mais comum das ilusões e, inquestionavelmente, uma das mais catastróficas, quando interfere nos relacionamentos humanos. Uma pessoa perfeita exigirá apenas companheiros perfeitos.

A sensação de que podemos controlar a vida de parentes e amigos também é uma das mais freqüentes ilusões e, nem sempre, é fácil diferenciar a ilusão de controlar e a realidade de amar e compreender.

A ação de controlar os outros se transforma, com o passar do tempo, em um nó que estrangula, lentamente, as mais queridas afeições. Se continuarmos a manter essa atitude manipuladora, veremos em breve se extinguir o amor dos que convivem conosco. Eles poderão permanecer ao nosso lado por fidelidade, jamais por carinho e prazer.

Em outras circunstâncias, agimos com segundas intenções, envolvendo criaturas que nos parecem trazer vantagens imediatas. Em nossos devaneios e quimeras, achamos que conseguiremos lograr êxito, mas, como sempre, todo plano oportunista, mais cedo ou mais tarde, será descoberto. Quando isso acontece, indignamo-nos, incoerentemente, contra a pessoa e não contra a nossa auto-ilusão.

Escolhemos amizades inadequadas, não analisamos suas limitações e possibilidades de doação, afeto e sinceridade e, quando recebemos a pedra da ingratidão e da traição por parte deles, culpamo-nos. Certamente, esquecemo-nos de que somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam como imaginamos que devam agir.

Gostamos de alguém imensamente e alimentamos a idéia de que esse mesmo alguém pudesse corresponder ao nosso amor e, assim, criamos sonhos românticos entre fantasias e irrealidades.

As histórias infantis sobre príncipes encantados socorrendo lindas donzelas em perigo são úteis e benéficas, desde que não se transformem em ilusórias bases de existência. Elas podem incitar os delírios de uma espera inatingível em que somente um “príncipe de verdade” tem o privilégio de merecer uma “princesa disfarçada”, ou vice-versa.

A consciência humana está quase sempre envolvida por ilusões, que impossibilitam, por um lado, a capacidade de auto-percepção; por outro, dificultam o contato com a realidade das coisas e pessoas.

Não culpemos ninguém pelos nossos desacertos, pois somos os únicos responsáveis – cada um de nós – pela quantidade de vida que experimentamos aqui e agora.

“O sentimento de justiça está em a Natureza (...) o progresso moral desenvolve esse sentimento, mas não o dá. Deus o pôs no coração do homem...”

Procuremos auscultar nossas percepções interiores, usando nossos sentidos mais profundos e observando o que nos mostram as leis naturais estabelecidas em nossa consciência. Confiar no sentimento de justiça que sai do coração, conforme asseveram os Guias da Humanidade, é promover a independência de nossos pensamentos e viver com senso de realidade. Aliás, são essas as características mais importantes das pessoas espiritualmente maduras.

Estamos na Terra para estabelecer uma linha divisória entre a sanidade e a debilidade; portanto, é imprescindível discernir o que queremos forçar que seja realidade daquilo que verdadeiramente é realidade. Muitas vezes, podemos estar nos iludindo a ponto de negar fatos preciosos que nos ajudariam a perceber a grandiosidade da Vida Providencial trabalhando em favor de nosso desenvolvimento integral.

Espírito: HAMMED

02 - ILUSÃO

Ilusões

Como se demoram no invólucro carnal, em que a ilusão dos sentidos predomina, têm dificuldade de agir com inteireza e crer integralmente, em regime de tranqüilidade.

Graças às equívocas atitudes que no consenso social lhes permitem triunfos enganosos, transferem tal comportamento, quase sempre para a fé que esposam, acreditando-se resguardados nos sentimentos íntimos.

Porque produziram com acêrto nas tarefas encetadas onde se encontram assumindo posições controversas, ora de leviandade, ora de siso, supõem poder prosseguir com o mesmo procedimento quando se adentram nas tarefas espíritas, que os fascinam de pronto. E porque se acostumaram à informação de que os Espíritos são invisíveis ou pertencem ao Imaginoso reino do sobrenatural, tratam-nos como se assim fosse, olvidados de que conquanto invisíveis para alguns homens, estão sempre presentes ao lado de todos, ou apesar de tidos por gênios e encantados pertencem à Criação do Nosso Pai, em incessante marcha evolutiva.

Constituindo o Mundo Espiritual, já estiveram na Terra; são as almas dos homens ora vivendo a existência verdadeira.

Vêem, ouvem, sentem, compreendem e somente têm as diversas faculdades obnubiladas ou entorpecidas quando narcotizados pelas reminiscências do corpo somático, demorando-se em perturbação.

*

Estuda com sinceridade as lições espíritas para libertar-te da ignorância espiritual. Elas te facultarão largo tirocínio e invejável campo de liberdade interior, promovendo meios de ação superior que produz paz e harmonia pessoal. Dir-te-ão o que fazer, como realizar e porque produzir com eficiência.

Cada Espírito é o que aprendeu, o que realizou, quanto conquistou. Não poderá oferecer recursos que não possui nem liberar-te das dores e provas que a si mesmo não se pode furtar.

Se algum te inspirar ociosidade ou apoiar-te em ilício, não te equivoques: é um ser enganado que prossegue enganando. Para poupar-te o desaire mediante a constatação dolorosa neste capítulo, não transfiras para os Espíritos as tuas tarefas, não os sobrecarregues com as tuas lides. Nem exijas, — pois é sandice, — nem te subordines, — pois representa fascinação. Mantém-te em respeitável conduta, em ação enobrecida e êles, os Espíritos bons e simpáticos ao teu esforço, virão em teu auxílio, envolvendo-te em inspiração segura e amparo eficaz.

Rompe com a ilusão e não acredites que te sejam subalternos aos caprichos os Desencarnados, exceto os que são mais infelizes e ignorantes do que tu mesmo.

Evolve e conquista para ser livre.

*

Jesus, antes de assomar ao lado das aflições de qualquer porte, junto a encarnados ou desencarnados, cultivou a prece e a meditação. E ao fazê-lo sempre se revestiu de respeito e piedade. No Tabor ou em Gadara a Sua nobreza se destacava na paisagem emocional dos diálogos inesquecíveis que foram mantidos.

Acende, também, a luz legítima da verdade no coração e, em contato com os Espíritos ou os homens, sê leal sem afetação, franco sem rudeza e nobre sem veleidades. Os Desencarnados te conhecem e os homens te conhecerão hoje ou mais tarde, não valendo, pois, o esfôrço de iludir-se ou iludi-los.

*

"Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçosa a estrada que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.) (Mateus: capítulo 7º, versículo 13.)

"Pelo simples fato de duvidar da vida futura, o homem dirige todos os seus pensamentos para a vida terrestre. Sem nenhuma certeza quanto ao porvir, dá tudo ao presente. Nenhum bem divisando mais precioso do que os da Terra, torna-se qual a criança que nada mais vê além de seus brinquedos". (Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 2º — Item 5, parágrafo 2.)


FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 5.

03 - ILUSÃO

ILUSÃO é fuga

Criamos ilusões para fugir dos nossos compromissos

LEDA MARIA FLABOREA

Existe uma história muito bonita contada pelo Irmão X no livro "Estante da Vida" (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira), psicografada por Francisco Cândido Xavier, com o título “Parábola do Servo”, onde ele narra as dificuldades pelas quais passa um Espírito nobre, até alcançar a condição de servo de Deus, isto é, daquele que traz, dentro de si, o Reino de Deus com a pureza e a humildade que ele representa, às quais Jesus se refere no capítulo 8º de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Nosso narrador fala, em verdade, do nosso caminhar e das ilusões fantasiosas que criamos para fugir ao compromisso assumido, diante das leis divinas, de sermos os gestores de nossa própria evolução espiritual, únicos responsáveis pelas conseqüências de nossos atos, palavras ou ações que podem nos impulsionar ou nos atrasar nesse processo de crescimento.
Assim, segundo a história que o benfeitor espiritual narra, tornamo-nos, primeiramente, provedores, na medida em que nos preocupamos, somente, com nossa apresentação pessoal, com a casa onde moramos, com o ano e o modelo do carro que temos e, até mesmo, com o uso dos recursos materiais na prática do bem, por intermédio da distribuição de alimentos, remédios e agasalhos. É louvável nosso comportamento, mas é necessário que aprendamos a plantar as bênçãos do amor.
E novamente, retornamos ao planeta, em nova oportunidade, mas preocupados, ainda, com a opinião alheia. Muitas vezes, de posse de grandes valores ou de cargos elevados, ajudamos a construir estradas, escolas, casas, estimulamos as artes, ajudando, dessa forma, milhares de pessoas. Realizamos o que nos é possível, naquele momento evolutivo, dentro da nossa capacidade de entender o que seja amar ao próximo como a nós mesmos. Entretanto, mesmo realizando muito, somos, tão somente, administradores porque não cultivamos a lavoura do amor.
Depois, são nos dadas outras novas oportunidades de voltar à matéria, e avançamos mais um pouco, tornando-nos, então, benfeitores, na medida em que por meio de ganhos, podemos assalariar empregados que nos representem junto aos necessitados, distribuindo socorro, consolação, criando instituições que abriguem as misérias humanas. Todavia, apesar de todo o nosso empenho em dar condições para que muitas pessoas possam ajudar, em nosso nome, aos necessitados de todos os quilates, ainda, não conseguimos semear o amor.
Mas Deus, Pai de misericórdia, concede-nos mais retornos, até que aprendamos a abandonar as ilusões. E despreocupados com as aparências, com a posse de bens, renunciando a todas as vantagens que esses bens possam trazer, sejam títulos, nome de família, recursos financeiros, ou posição social, entregamo-nos, pessoalmente, em benefício dos outros, preferindo ser útil: sossegando aflições alheias, apagando discórdias que poderiam levar a crimes, dissipando as trevas da ignorância, lutando para que a luz alcance as criaturas, levantando os caídos da estrada da vida sem nos incomodarmos com a calúnia, a perversidade ou a ingratidão. E agora, mais conscientes dos nossos compromissos junto aos semelhantes, e mesmo acreditando que ainda não merecemos o título de servos, ei-nos, atravessando o lugar onde o céu se encontra com a Terra e onde se inicia a claridade celeste, cobertos de glória, coroados em luzes.
Esta história do Irmão X convida-nos a profunda reflexão acerca da nossa preparação para avançarmos um pouco mais no nosso progresso espiritual. Hoje, ainda, precisamos de balizas que nos coloquem na rota certa. Por isso, os ensinamentos de Jesus são tão importantes, pois não conseguimos caminhar sozinhos por medo de nos soltarmos das ilusões.
A passagem evangélica contida no 8º capítulo, citada acima, tão conhecida e tão mal interpretada, mostra-nos que precisamos ter pureza e humildade em nossos corações – como uma criança, símbolo tomado por Jesus -, deixando de vez esse coração que ainda abriga sentimentos inferiores, que a criança ainda não tem.
O símbolo é importante porque temos, de um lado, essa criança física representando a pureza de coração, que para Jesus quer dizer o “amor a todos os semelhantes”; enquanto que do outro lado, temos o adulto, representando o sentimento contrário, ou seja, o egoísmo, que quer dizer o amor individualista e apego a tudo que signifique posse pessoal.
Por conta disso somos fracos, viciosos, doentes da alma, crianças espirituais que precisam do mestre para que nos tornemos fortes, puros e saudáveis.
A consciência desse amor - existente em nós desde a nossa criação – que nos transformará em servos de Deus requer exercício constante, intenso e prolongado. Necessitamos superar o provedor, o administrador e o benfeitor; é fundamental derrubarmos a muralha que nos separa do Pai, para alcançarmos, em definitivo, o título de servo. O modelo a ser seguido, Jesus; o caminho a ser percorrido, a ação no bem; a bússola a ser seguida, o Evangelho.

04 - ILUSÃO

O blog "Espiritismo na Rede" veiculou uma estorinha muito interessante, mostrando-nos o resultado da ilusão do reflexo. É um exemplo de como devemos ter os nossos comportamentos. Diz a estória: " Conta-se que um pai deu a sua filha um colar de diamantes de alto preço. Misteriosamente, alguns dias depois o colar desapareceu. Falou-se que poderia ter sido furtado. Outros afirmaram que talvez um pássaro tivesse sido atraído pelo seu brilho e o levado embora. Fosse como fosse, o pai desejava ter o colar de volta e ofereceu uma grande recompensa a quem o devolvesse: 50 mil reais.

A notícia se espalhou e, naturalmente, todos passaram a desejar encontrar o tal colar. Um rapaz que passava por um lago, próximo a uma área industrial, viu um brilho no lago. Colocou a mão para proteger os olhos do sol e certificou-se: era o colar. O lago, entretanto, era muito sujo, poluído, e cheirava mal. O rapaz pensou na recompensa. Vencendo o nojo, colocou a mão no lago, tentando apanhar a jóia. Pareceu pegá-la, mas sentiu escapulir das suas mãos. Tentou outra vez. Outra mais. Sem sucesso.

Resolveu entrar no lago. Emporcalhou toda sua calça e mergulhou o braço inteiro no lago. Ainda sem sucesso. O colar estava ali. Mas ele não conseguia agarrá-lo. Toda vez que mergulhava o braço, ele parecia sumir. Saiu do lago e estava desistindo, quando o brilho do colar o atraiu outra vez. Decidiu mergulhar de corpo inteiro. Ficou imundo, cheirando mal. E ainda nada conseguiu.

Deprimido por não conseguir apanhar o colar e conseqüentemente, a recompensa polpuda, estava se retirando, quando um velho passou por ali. "O que está fazendo, meu rapaz?" O moço desconfiou dele e não quis dizer qual o seu objetivo. Afinal, aquele homem poderia conseguir apanhar o colar e ficar com o dinheiro da recompensa. O velho tornou a perguntar, e prometeu não contar a ninguém. Considerando que não conseguia mesmo apanhar o colar, cansado, irritado pelo fracasso, o rapaz falou do seu objetivo frustrado.
A felicidade material se assemelha ao reflexo do colar no lago imundo. Na conquista de posses efêmeras, quase sempre mergulhamos no lodo das paixões inconseqüentes. A verdadeira felicidade, no entanto, não está nas posses materiais, nem no gozo dos prazeres. Ela reside na intimidade do ser. Nada ruim em se desejar e batalhar por uma casa melhor, um bom carro, roupas adequadas às estações, uma refeição deliciosa. Nada ruim em desejar termos coisas. A forma como as conquistamos é que fará a grande diferença.

Um largo sorriso desenhou-se no rosto do interlocutor. "Seria interessante - falou em seguida - que você olhasse para cima, em vez de somente para dentro do lago". Surpreso, o moço fez o recomendado. E lá, entre os galhos da árvore, estava o colar brilhando ao Sol. O que o rapaz via no lago era o reflexo dele.

Se para as conseguir, necessitamos entrar no lodaçal da corrupção, da mentira, da indignidade, somente sairemos enlameados, e infelizes. Esse tipo de felicidade é como o reflexo do colar na água: pura ilusão. Somente existe verdadeira felicidade nas conquistas que a honra dignifica, que a consciência não nos acusa. Pensemos nisso. E, antes de sairmos à cata desesperada de valores materiais expressivos, analisemos o que necessitamos dar em troca. Porque nada vale que mereça sacrificar a honra, a dignidade pessoal, a auto-estima, a vida espiritual.

05 - ILUSÃO

“(...) Desperta tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará.” (Efésios 5: 14)

Muitos de nós viajamos do berço ao túmulo mergulhados no completo sono da ilusão.Por mais sejamos sacudidos pelas aflições e mensagens superiores, ainda não conseguimos despertar.

Assim, nos iludimos em variados campos da vida:

Na fé, sem base racional, depositada em ídolos de carne e osso em busca de salvação sem esforço próprio.

No orgulho infantil, que produz preconceitos múltiplos, próprios daqueles que se julgam superiores, privilegiados e isentos de provas semelhantes.

Na fuga da realidade, por intermédio das drogas ditas lícitas e ilícitas, evidenciando fraqueza e desequilíbrio.

Na lamentação improdutiva, esterilizando expiações e denotando falta de confiança em Deus.

No desperdício de tempo, ocupando-se com futilidades em detrimento do trabalho nobre.

No exercício equivocado da profissão, corrompendo-se, se esquivando dos deveres e infringindo a ética.

Nas relações afetivas aventureiras, deixando de lado redentores compromissos assumidos antes da encarnação.

No desconhecimento da natureza espiritual e dos porquês da vida.

Na procura da felicidade por caminhos indevidos, tais como culto ao corpo, dinheiro, beleza, fama e poder.

E por tantas e tantas outras más inclinações de que somos portadores...

Instruem-nos os benfeitores espirituais, na questão 909 de O livro dos espíritos, que podemos vencer estas más inclinações, fazendo esforços muito insignificantes. O que falta é a vontade. Por mais que desejemos ser felizes, colocamos a vontade em sentido oposto a este objetivo, pois que, ações em desacordo com as leis de Deus tornam o homem infeliz, conforme orientação na pergunta 614, da obra citada.

Quando do retorno ao mundo espiritual a ilusão cessa, originando vergonha, pesar e remorso. Imploramos então nova volta ao corpo e ficamos neste ciclo vicioso. Até quando?...

Por tudo isso, conclama-nos o apóstolo Paulo a despertarmos e a levantarmos dentre os “mortos”, que são aqueles que vivem se comprazendo com as exigências da carne, desprezando as necessidades do espírito. Acrescenta ainda que Jesus iluminará, com seus ensinamentos, a nossa existência.

Portanto, ser conhecedor das realidades espirituais, através de estudo metódico e regular, empregar a vontade na vigilância do comportamento e mudar de conduta e de sentimentos são atitudes características daqueles que acordam do sono da ilusão.

Os amigos espirituais aguardam que tenhamos firmeza em seguir a direção adequada para apoiarem a caminhada, justificando a máxima “ajuda-te que o céu te ajudará!”

Façamos a parte que nos compete, do contrário somente a nós caberá o ônus do infortúnio.

Autor:Alberto Leitão Rosa

Jornal “O Espírita Fluminense”