INSPIRAÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A mediunidade sem lágrimas - pág. 32 02 - Allan Kardec - vol. 2 - pág. 113
03 - Auto-desobsessão - pág. 27 04 - Caminho, verdade e vida - pág. 93
05 - Caridade do verbo - pág. 27 06 - Coragem - pág. 149
07 - Forças sexuais da alma - pág. 19 08 - Grilhões partidos - pág. 205
09 - Lázaro redivivo - pág. 29, 154 10 - Mecanismos da mediunidade - pág. 154
11 - O Livro dos Espíritos - q399, 410a,462,463 12 - O porquê da vida - pág. 80
13 - O problema do ser do destino e da dor - pág. 334 14 - Os exilados de Capela - pág. 12
15 - Pérolas do Além - pág. 125

16 - Região em litígio - pág. 188

17 - Seareiros de volta -pág. 167 18 - Síntese de O Novo Testamento- pág. 36, 41
19 - Vida de Jesus - pág. 49 20 - Vozes do grande além - pág. 210

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

INSPIRAÇÃO – COMPILAÇÃO

06 - CORAGEM - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 149

ÍTEM 48 - HORA DIFÍCIL - Os amigos espirituais auxiliam aos companheiros encarnados na Terra, em toda parte e sempre. Sobretudo, com alicerces na inspiração e no concurso indireto. Serviço no bem do próximo, todavia, será para todos eles o veículo essencial. Contato fraterno por tomada de ligação. Suportarás determinadas tarefas sacrificiais com paciência e, através daqueles que se te beneficiam do esforço, os Mensageiros da Vida Superior te estenderão apoio imprevisto. Darás lua contribuição no trabalho espontâneo, em campanhas diversas, a favor dos necessitados, e, pelos irmãos que te cercam, oferecer-te-ão esperança e alegria. Visitarás o doente e, utilizando o próprio doente, renovar-te-ão as idéias. Socorrerás os menos felizes, e, por intermédio daqueles que se lhes vinculam à provação e à existência, dar-te-ão bondade e simpatia. Ajudarás a criança desprotegida e, mobilizando quantos se lhe interessam pelo destino, descerrar-te-ão vantagens inesperadas.

Desculparás ofensas recebidas e, servindo-se dos próprios beneficiários de tua generosidade e tolerância, surpreender-te-ão com facilidades e bênçãos a te enriquecerem as horas. Permaneça o tarefeiro na tarefa que lhe cabe e os Emissários do Senhor encontrarão sempre meios de lhe prestarem assistência e cooperação. Entretanto, eles também, os Doadores da Luz, sofrem, por vezes, a intromissão da hora difícil. Quando o obreiro se deixa invadir pelo desânimo, eis que os processos de intercâmbio entram em perturbação e colapso, de vez que, entorpecida a vontade, o trabalhador descamba para a inércia e a inércia, onde esteja, cerra os canais do auxílio, instalando o deserto espiritual.
EMMANUEL

10 - MECANISMOS DA MEDIUNIDADE - ANDRÉ LUIZ - PÁG. 154

INTERFERÊNCIAS IDEOPLÁSTICAS: Mentalizemos o orientador desencarnado, numa sessão de ectoplasmia regularmente controlada, quando esteja constituindo a forma de um braço como recursos exteriorizados do médium, a planejar maior desdobramento do trabalho em curso. Se, no mesmo instante, o experimentador terrestre, tocando a forma tangível, solicita, por exemplo: - "uma pulseira, quero uma pulseira no braço" -, de imediato a mente do médium recolhe o impacto da determinação e, em vez de prosseguir sob o controle benevolente do operador desencarnado, passa a obedecer ao investigador humano, centralizando, de modo inconveniente, a própria onda mental induzida sobre o braço já parcialmente materializado, aí plasmando a pulseira, nas condições reclamadas. Surgida a interferência, o serviço da Esfera Espiritual sofre enorme dificuldade de ação, diminuindo-se o proveito da assembléia encarnada. E, na mesma pauta, requerimentos fúteis e pedidos desordenados dos circunstantes provocam ocorrências ideoplásticas de manifesta incongruência, baixando o teor das manifestações, por viciarem a mente mediúnica, ligando-a à influência de agentes inferiores que, não raro, passam a atuar com manifesto desprestígio dos projetos de sublimação, a princípio acalentados pelo conjunto de pessoas irmanadas para o intercâmbio.

Mediunidade e responsabilidade - Decerto não invocamos o relaxamento para o governo das reuniões de ectoplasmia, nem endossamos a irresponsabilidade. Recordamos simplesmente que a bancarrota de muitos círculos organizados para o trato dos efeitos físicos e, notadamente, da materialização, se deve à própria incúria ou impertinência daqueles que os constituem, na maioria das vezes indagadores e pedinchões inveterados que descambam, imperceptivelmente, para a leviandade, comprometendo a obra ideada para o bem, porquanto interpõem os mais estranhos recursos na edificação programada, provocando enganos ou fraudes inconscientes e intervenções menos desejáveis em resposta à irresponsabilidade deles mesmos. Em outros fenômenos - Idênticos fenômenos com a ideoplastia por base são comuns na fotografia transcendente, em seus vários tipos, porque, se o instrumento mediúnico e acompanhantes não demonstram mais alta compreensão dos atributos que lhes cabem na mediação entre os dois planos, preponderando com a força de suas próprias oscilações mentais sobre as energias exteriorizadas, perde-se, como é natural, o ascendente da Esfera Superior, que sulcaria a experiência com o selo de sua presença iluminativa, impondo-se-lhe tão-somente a marca dos encarnados inquietos, ainda incapazes de formar o campo indispensável à receptividade dos agentes de ordem mais elevada. Na mediunidade de efeitos intelectuais, a ideoplastia assume papel extremamente importante, porque certa classe de pensamentos, constantemente repetidos sobre a mente mediúnica menos experimentada, pode constrangê-la a tornar certas imagens, mantidas pela onda mental persistente, como situações e personalidades reais, tal qual uma criança que acreditasse estar contemplando essa paisagem ou aquela pessoa, tão-só por ver-lhes o retrato animado num filme.

11 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES: 399, 410A, 462,463, ...

Perg. 399. Sendo as vicissitudes da vida corpórea ao mesmo tempo uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, da natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se o gênero da existência anterior?— Muito frequentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou. Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências instintivas são um índice mais seguro, porque as provas que um Espírito sofre, tanto se referem ao futuro, quanto ao passado.
Chegado ao termo que a Providência marcou para a sua vida errante, o Espírito escolhe por si mesmo as provas às quais deseja submeter-se para apressar o seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência que acredita mais apropriado a lhe fornecer os meios, e essas provas estão sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se nelas triunfa, ele se eleva; se sucumbe, tem de recomeçar. O Espírito goza sempre do seu livre-arbítrio. E em virtude dessa liberdade que, no estado de Espírito, escolhe as provas da vida corpórea, e no estado de encarnado delibera o que fará ou não fará, escolhendo entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzi-lo à condição de máquina.

Integrado na vida corpórea, o Espírito perde momentaneamente a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. Não obstante, tem às vezes uma vaga consciência, e elas podem mesmo lhe ser reveladas em certas circunstâncias. Mas isto não acontece senão pela vontade dos Espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil, e jamais para satisfazer uma curiosidade. As existências futuras não podem ser reveladas em caso algum, por dependerem da maneira por que se cumpre a existência presente e da escolha ulterior do Espírito. O esquecimento das faltas cometidas não é obstáculo à melhoria do Espírito, porque, se ele não tem uma lembrança precisa, o conhecimento que delas teve no estado errante e o desejo que concebeu de as reparar, guiam-no pela intuição e lhe dão o pensamento de resistir ao mal. Este pensamento é a voz da consciência, secundada pelos Espíritos que o assistem, se ele atende às boas inspirações que estes lhe sugerem.

Se o homem não conhece os próprios atos que cometeu em suas existências anteriores, pode sempre saber qual o gênero de faltas de que se tornou culpado, e qual era o seu caráter dominante. Basta que se estude a si mesmo, e poderá julgar o que foi, não pelo que é, mas pelas suas tendências. As vicissitudes da vida corpórea são, ao mesmo tempo, uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos depuram e nos elevam, se as sofremos com resignação e sem murmúrios. A natureza das vicissitudes e das provas que sofremos pode, também, esclarecer-nos sobre o que fomos e o que fizemos, como neste mundo julgamos os atos de um criminoso pelo castigo que a lei lhe inflige. Assim, este será castigado no seu orgulho pela humilhação de uma existência subalterna; o mau rico e avarento, pela miséria; aquele que foi duro para os outros, pelo tratamento duro que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão dos seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado etc.

Perg.410 - Têm-se às vezes, durante o sono ou o cochilo, idéias que parecem muito boas, e que, apesar dos esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. De onde vêm essas idéias?— São o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Frequentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos.
410-a. De que servem essas idéias ou esses conselhos, se a sua recordação se perde e não se pode aproveitá-los ?— Essas idéias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corpóreo, mas o mais frequente é que, se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a idéia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento.

Perg. 462 - Os homens de inteligência e de gênio tiram sempre suas idéias de si mesmos?
Algumas vezes as idéias surgem de seu próprio Espírito, mas frequentemente lhes são sugeridas por outros Espíritos, que os julgam capazes de as compreender e dignos de as transmitir. Quando eles não as encontram em si mesmos, apelam para a inspiração; é uma evocação que que fazem, sem o suspeitar.
Se fosse útil que pudéssemos distinguir claramente os nossos próprlos pensamentos daqueles que nos são sugeridos, Deus nos teria dado o meio de fazê-lo, como nos deu o de distinguir o dia e a noite. Quando uma coisa permanece vaga é que assim deve ser para o nosso bem.
Perg. 463. Diz-se algumas vezes que o primeiro impulso é sempre bom; isto é exato?-Pode ser bom ou mau, segundo a natureza do Espírito encarnado. É sempre bom para aquele que ouve as boas inspirações.
Perg. 472 - Os Espíritos que desejam incitar-nos ao mal limitam-se a aproveitar as circunstâncias? - Eles aproveitam a circunstância, mas frequentemente a provocam, empurrando-vos sem o perceberdes para o objeto da vossa ambição. Assim, por exemplo, um homem encontra no seu caminho um certa quantia; não acrediteis que foram os Espíritos que puseram o dinheiro ali, mas eles podem dar ao homem o pensamento de dirigir-se àquela direção, e então lhe sugerem apoderar-se dele, enquanto outros lhe sugerem devolver o dinheiro ao dono. Acontece o mesmo em todas as outras tentações.
Perg. 525. Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida! — Seguramente, pois que te aconselham.
Perg. 525-a. Exercem essa influência de outra maneira, além dos pensamentos que sugerem, ou seja, têm uma ação direta sobre a realização das coisas?— Sim, mas não agem nunca fora das leis naturais.
Pensamos erradamente que a ação dos Espíritos só deve manifestar-se por fenômenos extraordinários; desejaríamos que viessem em nosso auxílio por meio de milagres e sempre os representamos armados de uma varinha mágica. Mas assim não é, e eis por que a sua intervenção nos parece oculta, e o que se faz pelo seu concurso nos parece inteiramente natural. Assim, por exemplo, eles provocarão o encontro de duas pessoas, o que parece dar-se por acaso; inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; chamarão sua atenção para determinado ponto, se isso pode conduzir ao resultado que desejam; de tal maneira que o homem, não julgando seguir senão os seus próprios impulsos, conserva sempre o seu livre-arbítrio.
Perg. 528 - Um homem mal intencionado dispara um tiro contra outro, mas o projétil passa apenas de raspão, sem o atingir. Um Espírito benfazejo pode ter desviado o tiro? - Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espírito benfazejo lhe inspirará o pensamento de se desviar, ou ainda poderá ofuscar o seu inimigo, de maneira a lhe perturbar a pontaria; porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha de sua trajetória.
Perg. 545 - O general pode, algumas vezes, ser guiado por uma espécie de dupla vista, uma visão intuitiva que lhe mostre por antecipação o resultado dos seus planos? - É frequentemente o que acontece com o homem de gênio. É o que ele chama inspiração e lhe permite agir com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem e se servem das faculdades de que ele é dotado.

12 - O PORQUÊ DA VIDA -LÉON DENIS - PÁG. 78

Carta de um defunto a seu amigo, habitante da Terra, sobre o estado dos Espíritos desencarnados: Foi afinal permitido, querido amigo, satisfazer, ainda que só em parte, o desejo que eu tinha e também partilhavas, de comunicar-te alguma coisa sobre o meu estado atual. Desta vez só poderei dar-te alguns pormenores, e, depois, tudo dependerá do uso que fizeres de minhas comunicações. Sei que muito grande é o desejo que nutres de saber notícias minhas e, em geral, do estado dos Espíritos desencarnados; mas, não é menor a minha vontade de dar-te a conhecer tudo quanto for possível neste sentido. O poder de amar, compatível ao ser humano no mundo material, avoluma-se de um modo extraordinário quando ele passa a viver no mundo espiritual. Com o amor, aumenta-se proporcionalmente o desejo de transmitir, às pessoas que conheceu na Terra, tudo o que lhe é permitido. Começo por explicar, meu bem-amado, qual o meio por que me é dado escrever-te sem tocar o papel, sem conduzir a pena, ou mesmo, como posso falar-te numa língua que aí não compreendia. Basta isto para fazeres uma idéia aproximada do nosso estado presente.

Imagina que o meu estado atual, em relação àquele que tinha na Terra, é pouco mais ou menos como o da borboleta que, depois de abandonar o casulo da lagarta, fica voejando nos ares. Sou, portanto, essa lagarta transformada, emancipada, depois de passar por duas fases. E, assim, voamos algumas vezes, porém nem sempre, ao derredor das cabeças dos homens. Uma luz invisível aos mortais, conquanto visível a alguns, brilha e irradia-se docemente do cérebro de todo homem bom, amante e religioso. A auréola que imaginaste para os santos é essencialmente verdadeira e racional. Essa luz torna feliz todo ser humano que a possuir, pois ela se combina com a nossa em laços de simpatia, e segundo o grau de claridade que lhe for correspondente. Nenhum Espírito impuro pode ou ousa aproximar-se dessa luz santa. Por meio dela, pode-se perscrutar facilmente as almas, a fim de serem lidas ou vistas em toda a sua realidade. Assim, cada pensamento que parte dos seres humanos é para nós uma palavra e às vezes um completo discurso.

Respondemos aos seus pensamentos, porém eles ignoram que somos nós que estamos falando. Sopramos idéias que, sem o nosso concurso, eles não poderiam conceber, embora lhes fossem inatas a disposição e a aptidão para recebê-las. O homem digno de receber a luz torna-se deste modo um instrumento útil para o Espírito simpático que a deseja comunicar. Encontrei um Espírito, ou antes, um homem acessível à luz, do qual me pude aproximar, e é por seu órgão que me dirijo a ti. Sem sua mediação, impossível seria entender-me contigo verbalmente, palpavelmente, ou mesmo por escrito. Recebes por este modo uma carta anônima da parte de um homem que não conheces, porém que alimenta em si grande tendência para as coisas ocultas e espirituais. Pouso sobre a fronte dele, da mesma forma que o mais divino de todos os Espíritos pousou sobre a fronte do mais divino de todos os homens, no ato do seu batismo; suscito idéias e ele as descreve sob a minha inspiração, sob a minha direção, por efeito de minha irradiação.

Por ligeiros toques, faço vibrar as cordas de sua alma, de um modo conforme com a sua individualidade e com a minha. As minhas idéias tornam-se suas, e, assim, ele se considera ditoso em escrever o que eu desejo, sente-se mais livre, mais animado, mais rico de idéias, julga viver e pairar num elemento mais alegre e claro, anda como um amigo pela mão de outro amigo, e deste modo é que te foi dado receber uma carta minha. Quem a escreve se considera livre e realmente o é, pois nenhuma violência sofre, são como dois amigos que, de braço dado, se assistem reciprocamente. Deves sentir que meu espírito se encontra em relação direta com o teu, concebes o que te digo e compreendes os meus mais íntimos pensamentos. Basta por esta vez. O dia em que inspirei esta carta se chama, entre vós, 15 de setembro de 1798.

13 - O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR - LÉON DENIS - PÁG. 334

O Espiritismo demonstra até certo ponto a exatidão destas apreciações. A mediunidade, em suas formas tão variadas, é também a resultante de uma exaltação psíquica, que permite entrem os sentidos da alma em ação, substituam por um momento os sentidos físicos e percebam o que é imperceptível para os outros homens. Caracteriza-se e desenvolve-se segundo as aptidões que tem o sentido íntimo para predominar, de uma forma ou de outra, e manifestar-se por uma das vias habituais da sensação. O Espírito que desejar fazer uma comunicação reconhece, à primeira vista, o sentido orgânico que, no médium, lhe servirá de intermediário e atua sobre este ponto. Umas vezes é a palavra ou também a escrita pela ação mecânica da mão; outras, é o cérebro, quando se trata da mediunidade intuitiva. Nas incorporações temporárias é a posse plena e inteira e a adaptação dos sentidos espirituais do possessor aos sentidos físicos do "sujet". A faculdade mais comum é a clarividência, isto é, a percepção, estando fechados os olhos, do que se passa ao longe, quer no tempo quer no espaço, no passado como no futuro; é a penetração do Espírito do clarividente nos meios fluídicos onde são registrados os fatos consumados e onde se elaboram os planos das coisas futuras. A clarividência exerce-se as mais das vezes inconscientemente, sem preparação alguma. Neste caso resulta da evolução natural do percipiente; mas, é possível também provocá-la, assim como a visão espírita.

Sobre este assunto, o Coronel de Rochas exprime-se da maneira seguinte: "Mireille descrevia-me assim os efeitos, sobre si, das minhas magnetizações: Quando estou acordada, minha alma está ergastulada ao corpo e eu me sinto como uma pessoa que, encerrada no pavimento térreo de uma torre, não vê o exterior senão através das cinco janelas dos sentidos, tendo cada uma vidros de cores diferentes. Quando me magnetizais, livrais-me pouco a pouco das minhas cadeias e minha alma, que deseja sempre subir, penetra na escada da torre, escada sem janela, e não percebo que me guiais, senão no momento em que desemboco na plataforma superior. A minha vista estende-se em todas as direções com um sentido único muito aguçado que me põe em relação com objetos que ele não podia perceber através dos vidros da torre." Pode também adquirir-se a clariaudiência, a audição das vozes interiores, modo de comunicação possível com os Espíritos. Outra manifestação dos sentidos íntimos é a leitura dos acontecimentos registrados, fotografados de algum modo na ambiência de um objeto antigo ou moderno.

Por exemplo, um pedaço de arma, uma medalha, um fragmento de sarcófago e uma pedra de ruínas evocarão na alma do vidente uma série completa de imagens referentes aos tempos e aos lugares a que pertenceram esses objetos. Ê o que se chama psicometria. Acrescentemos também os sonhos simbólicos, os premonitórios e mesmo os pressentimentos obscuros que nos advertem de um perigo de que não desconfiamos. Já dissemos que muitas pessoas têm, sem o saberem, a possibilidade de comunicar com seus amigos do Espaço por intermédio do sentido íntimo. Deste número são as almas verdadeiramente religiosas, isto é, idealizadas, em que as provações, os sofrimentos, uma longa preparação moral apuraram os sentidos sutis, tornando-os mais sensíveis às vibrações dos pensamentos externos. Muitas vezes, dirigiram-se a mim almas humanas aflitas para, do Além, solicitar avisos, conselhos, indicações que não me era possível proporcionar-lhes. Recomendava-lhes, então, a experiência seguinte que, às vezes, dava bom resultado. Concentrai-vos, dizia-lhes eu, em retiro e no silêncio; elevai os pensamentos para Deus; chamai o vosso Espírito protetor, o guia tutelar, que Deus nos dá para a viagem da Vida. Interrogai-o sobre as questões que vos preocupam, desde que sejam dignas dele, livres de todo o interesse vil; depois, esperai! escutai em vós mesmos, atentamente, e, ao cabo de um instante, ouvireis nas profundezas de vossa consciência como que o eco enfraquecido de uma voz longínqua ou, antes, percebereis as vibrações de um pensamento misterioso que expulsará vossas dúvidas, dissipará vossas angústias, embalar-vos-á e consolará.


É esta, com efeito, uma das formas de mediunidade e não é das menos belas. Todos podem obtê-la, participando daquela comunicação dos vivos e dos mortos, que está destinada a estender-se um dia a toda a Humanidade. Pode-se até, por este processo, corresponder com o plano divino. Em circunstâncias difíceis de minha vida, quando hesitava entre resoluções contrárias a respeito da tarefa que me foi confiada, de difundir as verdades consoladoras do Neo-Espiritualismo, apelando para a Entidade Suprema, ouvia sempre ressoar em mim uma voz grave e solene que me ditava o dever. Clara e distinta, contudo, esta voz parecia provir de um ponto muito distante. Seu acento de ternura enternecia-me até às lágrimas. A intuição não é, pois, as mais das vezes, senão uma das formas empregadas pelos habitantes do mundo invisível para nos transmitirem seus avisos, suas instruções. Outras vezes será a revelação da consciência profunda à consciência normal. No primeiro caso pode ser considerada como inspiração. Pela mediunidade o Espírito infunde suas idéias no entendimento do transmissor. Este fornecerá a expressão, a forma, a linguagem e, na capacidade de seu desenvolvimento cerebral, o Espírito achará meios mais ou menos seguros e abundantes para comunicar seu pensamento com todo o desenvolvimento e relevo.


O pensamento do Espírito agente é uno em seu princípio de emissão, mas varia em suas manifestações, segundo o estado mais ou menos perfeito dos instrumentos que emprega. Cada médium marca com o cunho de sua personalidade a inspiração que lhe vem de Mais Alto. Quanto mais cultivado e espiritualizado é o intelecto do "sujet", tanto mais comprimidos são nele os instintos materiais e com tanto mais pureza e fidelidade será transmitido o pensamento superior. A larga corrente de um rio não pode escoar-se através de um canal estreito. O Espírito inspirador não pode, semelhantemente, transmitir pelo organismo do médium senão aquelas de suas concepções que por ele puderam passar. Por um grande esforço mental, sob a excitação de uma força externa, o médium poderá exprimir concepções superiores a seu próprio saber; mas, na expressão das ideias sugeridas, ir-se-á encontrar seus termos preferidos, seus modos de dizer habituais, ainda que o estimulante que nele atua lhe dê, por momentos, mais amplitude e elevação a linguagem. Vemos, assim, quantas dificuldades, quantos obstáculos opõe o organismo humano à transmissão fiel e completa das concepções da alma e como é necessária uma longa preparação, uma educação prolongada para o tornar flexível e adaptá-lo às necessidades da Inteligência que o move. E isso não se aplica somente ao Espírito desencarnado que quer manifestar-se por meio de um intermediário mortal, mas também à própria alma encarnada, cujas concepções profundas nunca conseguem vir plenamente à luz no plano terrestre, como o afirmam todos os homens de gênio e, particularmente, os compositores e poetas.

A princípio, a inspiração é consciente; mas, desde que a ação do Espírito se acentua, o médium acha-se sob a influência de uma força que o faz agir independentemente de sua vontade; ou, então, invade-o uma espécie de peso; velam-se-lhe os olhos e perde a consciência de si mesmo para passar a um domínio invisível. Neste caso, o médium não é mais do que um instrumento, um aparelho de recepção e transmissão. Qual máquina que obedece à corrente elétrica que a põe em movimento, assim também obedece o médium à corrente de pensamentos que o invade. No exercício da mediunidade intuitiva no estado de vigília, muitos desanimam diante da impossibilidade de distinguir as idéias que nos são próprias das que nos são sugeridas. Cremos, todavia, que é fácil reconhecer as idéias de proveniência estranha. Brotam espontaneamente, de improviso, como clarões súbitos que derivam de foco desconhecido; ao passo que nossas idéias pessoais, as que provêm do nosso cabedal, estão sempre à nossa disposição e ocupam de maneira permanente nosso intelecto. Não somente as idéias inspiradas surgem como por encanto, mas seguem, encadeiam-se por si mesmas e exprimem-se com rapidez, às vezes de maneira febril. Quase todos os autores, escritores, oradores e poetas são médiuns em certos momentos; têm a intuição de uma assistência oculta que os inspira e participa de seus trabalhos. Eles mesmos assim o confessam nas horas de expansão.(...)