JUÍZO FINAL
BIBLIOGRAFIA
01- A Gênese - pág. Cap.XVII, 62 02 - A plural.dos Mundos Habitados - pág. 180
03 - A reencarnação na Bíblia - pág. 13 04 - A vida além do véu - pág. 160
05 - Depois da morte - pág. 204 06 - Nas pegadas do Mestre - pág. 188
07 - O Livro dos Espíritos - q. 1011 08 - O que é a morte - pág. 57, 59
09 - Revista Espírita - 1868 - pág. 53 10 - Sessões práticas e dout. do Esp. - pág. 203

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JUÍZO FINAL – COMPILAÇÃO

01- A Gênese - Allan Kardec - Cap.XVII, 62

JULGAMENTO FINAL
62. Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os seus anjos, sentar-se-á sobre o trono de sua glória; - e todas as nações estando reunidas diante dele, separará umas das outras como um pastor separa as ovelhas dos bodes e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. - Então o Rei dirá àqueles que estão à sua direita: Vinde, vós, que fostes bendito por meu Pai, etc.. (São Mateus, cap. XXV, v. de 31 a 46 - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XV).

63. Devendo o bem reinar sobre a Terra, é necessário que os Espíritos endurecidos no mal, e que poderiam trazer-lhe perturbação, dela sejam excluídos. Deus deixou-lhes o tempo necessário para a sua melhoria; mas, tendo chegado o momento em que o globo deve se elevar na hierarquia dos mundos, pelo progresso moral de seus habitantes, a estada, como Espíritos e como Encarnados, nele será interditada àqueles que não aproveitaram as instruções que estiveram livres para aí receber. Serão exilados em mundos inferiores, como o foram outrora, sobre a Terra, os da raça adâmica, ao passo que serão substituídos por Espíritos melhores. E essa separação, à qual Jesus presidira, que está figurada por esta palavras o julgamento final: "Os bons passarão a minha direita, e os maus à minha esquerda." (Cap. XI, ns 31 e seguintes).

64. - A doutrina de um julgamento final, único e universal, colocando para sempre fim à Humanidade, repugna à razão, no sentido que ela implicaria a ínatividade de Deus durante a eternidade que precedeu à criação da Terra, e a eternidade que seguirá à sua destruição. Pergunta-se de qual utilidade seria, então, o Sol, a Lua e as estrelas, as quais, segundo a Gênese, foram feitas para clarear o nosso mundo. Admira-se que uma obra tão imensa haja sido feita para tão pouco tempo e para proveito de seres cuja maior parte estava devotada antecipadamente aos suplícios eternos.

65. - Materialmente, a idéia de um julgamento único era, até um certo ponto, admissível para aqueles que não procuravam a razão das coisas, então quando se acreditava toda a Humanidade concentrada sobre a Terra, e que tudo, no Universo, fora feito pelos seus habitantes: ela é inadmissível desde que se sabe que há bilhões de mundos semelhantes que perpetuam as Humanidades durante a eternidade, e entre os quais a Terra é um ponto imperceptível, dos menos considerados.

Só por este fato vê-se que Jesus tinha razão em dizer aos seus discípulos: "Há muitas coisas que não posso vos dizer, porque não as compreenderíeis," uma vez que o progresso das ciências era indispensável para uma sadia interpretação de algumas de suas palavras. Seguramente os apóstolos, São Paulo e os primeiros discípulos, teriam estabelecido de outro modo certos dogmas se tivessem os conhecimentos astronômicos, geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que se possuem hoje. Também Jesus adiou o complemento de suas instruções, e anunciou que todas as coisas deveriam ser restabelecidas.

66. - Moralmente, um julgamento definitivo e sem apelação é inconciliável com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta, sem cessar, como um bom Pai, deixando sempre um caminho aberto ao arrependimento e pronto a estender os seus braços ao filho pródigo. Se Jesus houvesse entendido o julgamento neste sentido, teria desmentido as suas próprias palavras.

E depois, se o julgamento final deve surpreender os homens de improviso, no meio de seus trabalhos comuns e as mulheres grávidas, pergunta-se com qual objetivo Deus, que não faz nada de inútil e nem de injusto, faria nascer crianças e criaria almas novas nesse momento supremo, no termo fatal da Humanidade, para passá-las por um julgamento ao saírem do seio materno, antes que tivessem consciência de si mesmas, enquanto que outros tiveram milhares de anos para se reconhecerem? De que lado, à direita ou à esquerda, passarão estas almas que não são ainda nem boas e nem más e a quem todo caminho ulterior de progresso está doravante fechado, uma vez que a Humanidade não existirá mais? (Cap. II, n° 19).

Que aqueles cuja razão se contenta com semelhantes crenças as conservem, é seu direito, e ninguém nisso encontre o que censurar; mas que não levem a mal que nem todo o mundo seja de sua opinião.

67. - O julgamento, pela via da emigração, tal qual foi definida acima (63), é racional; está fundado sobre a mais rigorosa justiça, tendo em vista que deixa eternamente ao Espírito o seu livre arbítrio; que não se constitui privilégio para ninguém; uma igual latitude é dada por Deus a todas as criaturas, sem exceção, para progredir; que o aniquilamento mesmo de um mundo, ocasionando a destruição do corpo, não ocasionaria nenhuma interrupção à marcha progressiva do Espírito. Tal é a consequência da pluralidade dos mundos e da pluralidade das existências.

Segundo esta interpretação, a qualificação de julgamento final não é exata, uma vez que os Espíritos passam por semelhantes julgamentos em cada renovação de mundos que habitam, até que tenham atingido um certo grau de perfeição. Não há, propriamente falando, julgamento final, mas há julgamentos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, em consequência das quais se operam as grandes emigrações e imigrações de Espíritos.

02 - A pluralidade dos Mundos Habitados - Camille Flammarion - pág. 180

(...) Os raios luminosos que nos chegam das estrelas nos contam a história antiga de um número infinito de criações cuja história atual é desconhecida desta pobre Terra. Suponhamos, por exemplo, que a magnífica Sírius se apague hoje por uma catástrofe qualquer, e a luz levando 14 anos para nos chegar deste astro, nós o veríamos ainda por 14 anos naquele mesmo ponto do céu de onde teria, na verdade, desaparecido há muito. Se as estrelas fossem aniquiladas hoje, elas brilhariam ainda muitos anos, muitos séculos, muitos milhares de anos sobre nossas cabeças; e é possível que as estrelas das quais ainda nos esforçamos presentemente por estudar seu caminho e sua natureza, não existam mais desde o começo do mundo (o mundo terrestre)!

Não, não conhecemos a história passada do Universo; nossas relações com esses astros resplandecentes que brilham no éter se limitam a alguns raios que se pôde medir por estarem mais próximos; tudo o mais nos é ocultado pela distância. As transformações perpétuas da criação se efetuam sem que nos seja possível estudá-las nem conhecê-las; mundos nascem, vivem e morrem; sóis se acendem ou se extinguem; humanidades crescem e caminham para seus destinos diversos; a obra de Deus se cumpre: e nós, nós somos arrebatados como os outros no eterno abismo, sem nada saber.

Há estrelas cujo brilho diminui. No ano 276 antes de nossa era, Eratóstenes dizia, falando das estrelas da constelação do Escorpião: "Elas são precedidas da mais bela de todas, a estrela brilhante da serra boreal"; ora, atualmente ai serra boreal não domina mais em brilho os asterismos ao seu redor.

Hiparco dizia, 120 anos antes de Cristo: "A estrela da pata da frente do Carneiro é notavelmente bela"; ela é hoje de quarta grandeza. Flamsteed assinalou na constelação da Hidra duas estrelas de quarta grandeza que W. Herschel achou de oitava, no século seguinte. A comparação dos catálogos antigos aos modernos mostra muitos exemplos análogos. O jurisconsulto astrônomo Bayer assinalou Alfa do Dragão como de segunda grandeza; ela agora só é de terceira.

— Há estrelas coloridas cuja luz sofreu alterações de cor. Assim é Sírius, que as obras da antiguidade mencionam como de cor vermelha muito pronunciada, e que atualmente é do mais puro branco. — Há estrelas que se extinguiram, e das quais não se encontra pais nenhum traço onde no passado eram observadas. Jean-Dominique Cassini, o primeiro diretor de nosso Observatório, anunciava no fim do século XVII que a estrela marcada no catálogo de Bayer acima de épsilon da Ursa Menor tinha desaparecido. A nona e a décima do Touro também desapareceram. De 10 de outubro de 1781 a 25 de março de 1782, o célebre astrônomo de Slough assistiu aos últimos dias da 55a de Hércules, que caiu do vermelho ao pálido e se extinguiu logo em seguida.

— Há estrelas cuja intensidade luminosa aumenta. Dentre estas: a 31a do Dragão, cujas observações constataram o crescimento da sétima à quarta grandeza; a 34a do Lince, que subiu da sétima para a quinta, e a 38a de Perseu, que se elevou da sexta para a quarta.
—Há estrelas cujo brilho varia periodicamente, e que passam regularmente de um máximo a um mínimo de intensidade segundo um ciclo constante. Tais são, para longos períodos: a estrela misteriosa omicron da Baleia, cuja periodicidade, muito irregular, varia da segunda grandeza à desaparição completa; do pescoço do Cisne, cuja periodicidade é de treze meses e meio, e que varia da quinta à décima primeira grandeza; a 30a da Hidra de Hevélius, que, no intervalo de quinhentos dias, varia da quarta grandeza à desaparição.

Tais são ainda, para curtos períodos: delta de Cefeu, cuja periodicidade é de cinco dias e oito horas, e a variação da terceira à quinta grandeza; beta da Lira, cuja periodicidade é de seis dias e nove horas, e a variação, da terceira à quinta, igualmente; gama de Antínoo, que varia em sete dias e quatro horas, da quarta à quinta grandeza. — Há estrelas que apareceram subitamente, brilharam com fulgor mais intenso, e desapareceram para não mais reaparecer. Tais são as estrelas novas que se acenderam sob o imperador Adriano e sob o imperador Honório, no segundo e no quarto século; a estrela imensa observada no quarto século no Escorpião por Albumazar, e a que apareceu no décimo, sob o imperador Othon I.

Assim foi a memorável estrela de 1572, que enriqueceu durante dezessete meses a constelação de Cassiopéia, ultrapassando Vega, Sírius e Júpiter em brilho, fenômeno que fez a estupefação dos astrônomos e o terror dos fracos. Nos primeiros dias de sua aparição, ela podia ser discernida em pleno dia; seu brilho enfraqueceu gradualmente mês a mês, passando por todas as grandezas até a desaparição completa. Para dizer de passagem, poucos acontecimentos históricos causaram tanto barulho quanto esse misterioso enviado do céu. Era 11 de novembro de 1572, poucos meses após o massacre de São Bartolomeu; o mal-estar geral, a superstição popular, o medo dos cometas, o temor pelo fim do mundo, anunciado havia muito pelos astrólogos, eram um excelente pano de fundo para uma tal aparição.

Também logo foi anunciado que a estrela nova era a mesma que conduzira os Magos a Belém, e que sua vinda pressagiava a volta do Homem-Deus à Terra e o juízo final. Pela centésima vez, quiçá, este tipo de prognóstico foi dado como absurdo; isto não impediu que os astrólogos tivessem grande crédito doze anos mais tarde, quando anunciaram de novo o fim do mundo para o ano de 1588; essas predições tiveram no fundo a mesma influência sobre as massas populares, até nosso século e — por que não dizê-lo? — não produziram muito bem o seu pequeno efeito muito recentemente, por ocasião do cometa imaginário de 13 de junho de 1857? Ai de nós! A história de nossa humanidade a história de suas fraquezas!

— Mas retornemos ao nosso tema. Entre as estrelas que apareceram subitamente para não mais reaparecer, mencionemos ainda a de 1604, que, a 10 de outubro do mesmo ano, ultrapassava em sua brancura resplandecente as mais brilhantes estrelas, e o brilho de Marte, Júpiter e Saturno, perto dos quais se encontrava; no mês de abril de 1605, ela decaíra para a terceira grandeza, e em março de 1606, tornara-se completamente invisível. Citemos por fim a famosa estrela da Raposa, que apareceu igualmente em 1604, e ofereceu o singular fenômeno de se enfraquecer e se reanimar várias vezes antes de se apagar completamente. Aparições análogas se manifestaram em 1848,1866 e 1876.

Acabamos de traçar sumariamente a história de algumas das transformações ocorridas no universo visível, e que se observaram daqui; percebemos que esta história é apenas um sinal do que se passa cotidianamente na universalidade do céu, mas basta para destruir em nós a idéia antiga da aparente imobilidade de um céu solitário. O hábito que temos de forçosamente só contemplar os mundos do espaço durante as trevas de nossas noites, o silêncio e a solidão que nos envolvem na letargia da natureza e no sono dos seres, dão-nos uma falsa impressão do espetáculo que se estende além da Terra, '' e somos levados a observar o céu estrelado como participando do estado de coisas que nos rodeia.

É uma ilusão que devemos a nossos sentidos, mas que é importante corrigir pelo raciocínio. Todo planeta tendo um hemisfério escuro e um iluminado, pois só um lado do globo pode receber de cada vez os raios solares, o dia e a noite se sucedem constantemente para todos os pontos do globo, seguindo o movimento de rotação do planeta, e a noite é, por conseguinte, um fenômeno parcial, ao qual o resto do Universo é totalmente estranho. (...)

03 - A reencarnação na Bíblia - Hermínio C.Miranda - pág. 13


O PROFETA
Não é, porém, para assustar o leitor e nem para impressioná-lo que estamos aqui a projetar imagens de um conflito nuclear. Propositadamente deixamos no texto duas palavras-chave: apocalíptica e profético. Tomemos essas chaves, abramos as portas e penetremos no vestíbulo de uma especulação.

Suponhamos que algum profeta antigo, vidente, sensitivo ou médium — chame-o como quiser — tivesse tido a visão antecipada da "hora final" há cerca de dois mil anos. Como iria ele relatar o que viu ? Nada sabe ele de energia nuclear. Não pode, sequer, imaginar que estranhos aparelhos metálicos mais pesados do que o ar sejam capazes de voar a incrível velocidade, com enorme estrondo e melhor do que pássaros e gafanhotos. Desconhece explosivos poderosos, radiações mortíferas, radares vigilantes e computadores obedientes.

E, no entanto, o profeta precisa contar tudo o que viu, pois assim lhe ordenaram. Para que haveriam de mostrar-lhe o que está para acontecer senão para que ele informasse aos homens dos trágicos acontecimentos que os aguardam ? Por isso, ao retornar de seu "arrebatamento em espírito ao céu" — isto que hoje se chama transe — o profeta está bem consciente de que tem de descrever, o melhor que puder, suas enigmáticas visões.

Para ele próprio, elas são incompreensíveis e até absurdas, mas ele sabe, sem saber por que, que, para alguém, em algum tempo, em algum lugar, suas visões seriam claras como a água da fonte. Era preciso, pois, traduzir todas aquelas imagens puramente visuais em símbolos gráficos. Não há palavras apropriadas para descrevê-las e, mais sério ainda, o profeta nem mesmo sabe o que se passou ante seus aturdidos olhos — sabe apenas que, um dia, aquilo seria uma trágica e implacável realidade.

Então, ele sentou-se pensativo, desenrolou o pergaminho diante de si, tomou do estilete, mergulhou-o no tinteiro de pedra e começou assim: — Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência por Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em espírito, e ouvi, por trás de mim, voz forte como trombeta, que dizia: "O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas . . ."

Por que remeter o mesmo relato a sete igrejas diferentes ? Era para que se multiplicassem por sete as chances de sobrevivência do texto que precisava vencer a inexorável passagem dos séculos. Bastava que dois deles, apenas, fossem preservados e um poderia servir para conferir o outro. Em último caso, bastaria um só. O importante era que a mensagem resistisse ao tempo para que, na época certa, produzisse o resultado para o qual estava sendo elaborada.

Assim nasceu o Apocalipse ou Revelação, com as misteriosas visões de João, o Discípulo Amado, o Apóstolo, o Vidente de Patmos, o Profeta do Apocalipse. Abrimos este estudo com a exata "tradução" em linguagem moderna do mesmíssimo texto escrito por João em Patmos, ao findar-se o primeiro século da era cristã. Vamos reler, para confrontar, o relato de João, tal como se encontra no Capítulo 9, versículos 1 a 12: — Tocou o quinto anjo a sua trombeta. Vi, então, uma estrela que caíra do céu sobre a terra.

Deu-se a ela a chave do poço do Abismo. Abriu o poço do Abismo e subiu do poço uma fumarada como a de um forno grande e o sol e o ar se escureceram com a fumarada do poço. Da fumarada saíram gafanhotos sobre a terra e lhes foi dado o poder que têm os escorpiões da terra. E lhes foi dito que não causassem dano à erva da terra, nem a nada verde e nem a nenhuma árvore, mas somente aos homens que não trouxessem na fronte o sinal de Deus.

Foi-lhes dado não o poder para matá-los mas para atormentá-los durante cinco meses (João não viu a imediata destruição da vida e, por isso, entendeu que, a despeito da terrível explosão, aquilo não passaria de um horrendo tormento). O tormento era semelhante ao da picada do escorpião em alguém. E naqueles dias os homens buscarão a morte e não a encontrarão; desejarão morrer e a morte fugirá deles (Admirável precisão de linguagem para figurar um bando apavorado de condenados, agitando-se insensatamente daqui para acolá).

A aparência desses gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; sobre suas cabeças traziam coroas que pareciam de ouro; seus rostos eram como rostos humanos; tinham cabelos de mulheres e seus dentes eram como os do leão; tinham couraças como couraças de ferro e o ruído de suas asas era como o estrondo de carros de muitos cavalos (curiosa expressão essa - muitos cavalos - que é, precisamente, como se mede hoje a potência dos motores de avião e outros) que correm em combate; e tinham caudas parecidas com a dos escorpiões com aguilhões em suas caudas e o poder de causar danos aos homens durante cinco meses.

Tem sobre si, como rei, ao Anjo do Abismo, chamado em hebraico Abadon e em grego Apolion. O primeiro, Ai!, já passou. Veja que atrás vêm contudo outros dois (maneira indireta, mas corretíssima, de descrever a fantástica velocidade dos aparelhos. No espaço de um "ai" o primeiro jato já passou, enquanto outros vêm atrás desabalados).

05 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 204

XXXI — O JULGAMENTO
Uma lei tão simples em seus princípios quanto admirável em seus efeitos preside à classificação das almas no espaço. Quanto mais sutis e rarefeitas são as moléculas constitutivas do perispírito tanto mais rápida é a desencarnação, tanto mais vastos são os horizontes que se rasgam ao Espírito. Devido ao seu peso fluídico e às suas afinidades, ele se eleva para os grupos espirituais que lhe são similares. Sua natureza e seu grau de depuração determinam-lhe nível e classe no meio que lhe é próprio.

Com alguma exatidão tem-se comparado a situação dos Espíritos no espaço à dos balões cheios de gases de densidades diferentes que, em virtude de seus pesos específicos, se elevam a alturas diversas. Mas, cumpre que nos apressemos em acrescentar que o Espírito é dotado de liberdade e, portanto, não estando imobilizado em nenhum ponto, pode, dentro de certos limites, deslocar-se e percorrer os paramos etéreos.

Pode, em qualquer tempo, modificar suas tendências, transformar-se pelo trabalho ou pela prova, e, conseguintemente, elevar-se à vontade na escala dos seres. É, pois, uma lei natural, análoga às leis da atração e da gravidade, a que fixa a sorte das almas depois da morte. O Espírito impuro, acabrunhado pela densidade de seus fluidos materiais, confina-se nas camadas inferiores da atmosfera, enquanto a alma virtuosa, de envoltório depurado e sutil, arremessa-se, alegre, rápida como o pensamento, pelo azul infinito.

É também em si mesmo — e não fora de si, é em sua própria consciência que o Espírito encontra sua recompensa ou seu castigo. Ele é seu próprio juiz. Caído o vestuário de carne, a luz penetra-o e sua alma aparece nua, deixando ver o quadro vivo de seus atos, de suas vontades, de seus desejos. Momento solene, exame cheio de angústia e, muitas vezes, de desilusão. As recordações despertam em tropel e a vida inteira desenrola-se com seu cortejo de faltas, de fraquezas, de misérias. Da infância à morte, tudo, pensamentos, palavras, ações, tudo sai da sombra, reaparece à luz, anima-se e revive.

O ser contempla-se a si mesmo, revê, uma a uma, através dos tempos, suas existências passadas, suas quedas, suas ascensões, suas fases inumeráveis. Conta os estágios franqueados, mede o caminho percorrido, compara o bem e o mal realizados. Do fundo do passado obscuro, surgem, a seu apelo, como outros tantos fantasmas, as formas que revestiu através das vidas sucessivas. Em uma visão clara, sua recordação abraça as longas perspectivas das idades decorridas; evoca as cenas sanguinolentas, apaixonadas, dolorosas, as dedicações e os crimes; reconhece a causa dos processos executados, das expiações sofridas, o motivo da sua posição atual.

Vê a correlação que existe, unindo suas vidas passadas aos anéis de uma longa cadeia desenrolando-se pelos séculos. Para si, o passado explica o presente e este deixa prever o futuro. Eis para o Espírito a hora da verdadeira tortura moral. Essa evocação do passado traz-lhe a sentença temível, a increpação da sua própria consciência, espécie de julgamento de Deus. Por mais lacerante que seja, esse exame é necessário porque pode ser o ponto de partida de resoluções salutares e da reabilitação.

O grau de depuração do Espírito, a posição que ocupa no espaço representam a soma de seus progressos realizados e dão a medida do seu valor moral. É nisto que consiste a sentença infalível que lhe decide a sorte, sem apelo. Harmonia profunda! Simplicidade maravilhosa que as instituições humanas não poderiam reproduzir; o princípio de afinidade regula todas as coisas e fixa a cada qual o seu lugar. Nada de julgamento, nada de tribunal, apenas existe a lei imutável executando-se por si própria, pelo jogo natural das forças espirituais e segundo o emprego que delas faz a alma livre e responsável.

Todo pensamento tem uma forma, e essa forma, criada pela vontade, fotografa-se em nós como em um espelho onde as imagens se gravam por si mesmas. Nosso envoltório fluídico reflete e guarda, como em um registro, todos os fatos da nossa existência. Esse registro está fechado durante a vida, porque a carne é a espessa capa que nos oculta o seu conteúdo. Mas, por ocasião da morte, ele abre-se repentinamente e as suas páginas distendem-se aos nossos olhos.

O Espírito desencarnado traz, portanto, em si, visível para todos, seu céu ou seu inferno. A prova irrecusável da sua elevação ou da sua inferioridade está inscrita em seu corpo fluídico. Testemunhas benévolas ou terríveis, as nossas obras, os nossos desígnios justificam-nos ou acusam-nos, sem que coisa alguma possa fazer calar as suas vozes.

Daí o suplício do mau que, acreditando estarem os seus pérfidos desejos, os seus atos culpáveis profundamente ocultos, os vê, então, brotar aos olhos de todos; daí os seus remorsos quando, sem cessar, repassam diante de si os anos ociosos e estéreis, as horas impregnadas no deboche e no crime, assim como as vítimas lacrimosas, sacrificadas a seus instintos brutais. Daí também a felicidade do Espírito elevado, que consagrou toda a sua vida a ajudar e a consolar seus irmãos.

Para distrair-se dos cuidados, das preocupações morais, o homem tem o trabalho, o estudo, o sono. Para o Espírito não há mais esses recursos. Desprendido dos laços corporais, acha-se incessantemente em face do quadro fiel e vivo do seu passado. Assim, os amargores e pesares contínuos, que então decorrem, despertam-lhe, na maior parte dos casos, o desejo de, em breve, tomar um corpo carnal para combater, sofrer e resgatar esse passado acusador.

09 - Revista Espírita - Allan Kardec - 1868 - pág. 53

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - OS MESSIAS DO ESPIRITISMO
1. -Já vos foi dito que um dia todas as religiões confundir-se-ão numa mesma crença. Ora, eis como isto acontecerá. Deus dará um corpo a alguns Espíritos superiores, e eles pregarão o Evangelho puro. Um novo Cristo virá; porá fim a todos os abusos que duram há tanto tempo, e reunirá os homens sob uma mesma bandeira. Nasceu o novo Messias, e ele restabelecerá o Evangelho de Jesus Cristo. Glória ao seu poder!

Não é permitido revelar o lugar onde nasceu; e se alguém vier j vos dizer: "Ele nasceu em tal lugar"; não acrediteis, porque ninguém o saberá antes que ele seja capaz de se revelar, e daqui até lá, éj preciso que grandes coisas se realizem, para aplainar os caminhos. Se Deus vos deixar viver bastante, vereis pregar o verdadeiro! Evangelho de Jesus Cristo pelo novo Missionário de Deus, e umal grande mudança será feita pelas pregações desse Menino abençoado; à sua palavra poderosa, os homens de diferentes crenças dar-se-ãof as mãos.

Glória a esse divino enviado, que vai restabelecer as leis mal compreendidas e mal praticadas do Cristo! Glória ao Espiritismo, que o precede e que vem esclarecer todas as coisas! Crede, meus irmãos, que não sois senão vós que receberei semelhantes comunicações; mas conservai esta secreta até nova ordem. SÂO JOSÉ (Sétif, Argélia, 1861)

OBSERVAÇÃO: Esta revelação é uma das primeiras no gênerc que nos foram transmitidas. Mas outras a tinham precedidc Depois,foi dado espontaneamente um grande número de comunicí coes sobre o mesmo assunto, em diferentes centros Espíritas da Era e do estrangeiro, todas concordantes no fundo do pensamento, como por toda a parte se compreendeu a necessidade de não divulgar e como nenhuma foi publicada, não podiam ser o reflex de umas sobre as outras. É um dos mais notáveis exemplos da simultaneidade e da concordância do ensino dos Espíritos quando chegado o momento de uma questão.

2. - Está incontestavelmente constatado que a vossa é uma ép ca de transição e de fermentação geral; mas ainda não chegou àqi lê grau de maturidade que marca a vida das nações. E ao vigésir século que está reservado o remanejamento da humanidade; tod as coisas que se vão realizar daqui até lá não são senão preliminar da grande renovação. O homem chamado a consumá-la ainda maduro para realizar sua missão; mas já nasceu e sua estrela apareceu em França marcada por urna auréola e vos foi mostrada há pouco tempo, na África. Sua rota está previamente marcada.

A Corrupção dos costumes, as desgraças que serão a consequência do desenvolvimento das paixões, o declínio da fé religiosa serão os sinais precursores de sua vinda. A corrupção no seio das religiões é o sintoma de sua decadência, como é o da decadência dos povos e dos regimes políticos, porque ela é o índice de uma falta de fé verdadeira; os homens corrompidos arrastam a humanidade por uma rampa funesta, de onde ela não pode sair senão por uma crise violenta. Dá-se o mesmo com as religiões que substituem o culto da Divindade pelo culto do dinheiro das honras, e que se mostram mais ávidas dos bens materiais da Terra do que dos bens espirituais do céu. FÉNELON (Constantine, dezembro de 1861)

3 - Quando uma transformação da humanidade deve operar-se, Deus envia em missão um Espírito capaz, por seus pensamentos e por sua inteligência superior, de dominar seus contemporâneos e de imprimiràs gerações a vir as idéias necessárias para uma revolução moral civilizadora. De tempos em tempos vêm-se assim elevar-se acima do comum homens seres que, como faróis os guiam na via do progresso e os fazem transpor em alguns anos as etapas de vários séculos.

O papel de alguns é limitado a uma região ou uma raça; são como oficiais sob o comando, conduzindo cada um uma divisão do exército; mas há outros cuja missão é agir sobre a humanidade inteira, e que não aparecem senão nas épocas mais raras, que marcam a era das transformações gerais. Jesus Cristo foi um desses enviados excepcionais; do mesmo modo, tereis, para os tempos chegados, um Espírito superior que dirigirá o movimento de conjunto e dará uma coesão poderosa às forças esparsas do Espiritismo.

Deus sabe em tempo modificar nossas leis e nossos hábitos, e quando um fato novo se apresentar, esperai e orai, porque o Eterno nada faz que não seja segundo as leis de divina justiça, que regem o Universo. Para vós que tendes fé, e que consagrastes a vossa vida à propagação da idéia regeneradora, isto deve ser simples e justo; mas só Deus conhece aquele que está prometido. Limito-me a dizer-vos: Esperai e orai, porque o tempo é chegado e o novo Messias não vos faltará: Deus saberá designá-lo a seu tempo. E, aliás, e por obras que ele se afirmará.

Podeis vos dedicar a muitas coisas, vós que vedes tantas estranhas em relação às idéias admitidas pela civilização moderna. Baluze (Paris, 1862).
As comunicações deste gênero são inúmeras; aqui apenas publicamos algumas e se as publicamos hoje é que é chegado o momento de levar o fato ao conhecimento de todos, e porque é útil para os Espíritas saber em que sentido se pronunciam os Espíritos em maioria.