JULGAMENTO
BIBLIOGRAFIA
01- A sombra do olmeiro - pág. 26 02 - A vida além do véu - pág. 160
03 - Agenda cristã - pág. 81 04 - Allan kardec - vol. 1 pág. 96
05 - Amizade - pág. 40 06 - Antologia da Espiritualidade - pág. 35
07 - Caminho, verdade e vida - pág. 107, 117, 165 08 - Catecismo Espírita- pág. 105
09 - Celeiro de Bênçãos - pág. 63 10 - Contos e Apólogos- pág. 65
11 - Coragem - pág. 19 12 - Florações evangélicas - pág. 87
13 - Fonte viva - pág. 89 14 - O Livro dos Espiritos - intr. vii q 222, 455,836
15 - Instrumentos do tempo - pág. 37

16 - Nas pegadas do mestre - pág.225

17 - Oferenda - pág. 96 18 - Os funerais da santa sé - pág. 57
19 - Pedaços do cotidiano - pág. 142 20 - Resumo da Doutrina Espírita- pág. 100
21 - Sem medo de ser feliz - pág. 31 22 - Síntese de o novo testamento - pág. 66
23 - Depois da morte - LÉON DENIS, pág. 204 24 - O GRANDE ENIGMA – LÉON DENIS, pág. 197
25 - Nascer e renascer - pág. 23  

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JULGAMENTO – COMPILAÇÃO

07 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 107, 117, 165

46. QUEM ÉS?
"Há só um Legislador e um Juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?" - Tiago, 4:12

Deveria existir, por parte do homem, grande cautela em emitir opiniões relativamente à incorreção alheia. Um parecer inconsciente ou leviano pode gerar desastres muito maiores que o erro dos outros, convertido em objeto de exame. Naturalmente existem determinadas responsabilidades que exigem observações acuradas e pacientes daqueles a quem foram conferidas. Um administrador necessita analisar os elementos de composição humana que lhe integram a máquina de serviços.

Um magistrado, pago pelas economias do povo, é obrigado a examinar os problemas da paz ou da saúde sociais, deliberando com serenidade e justiça na defesa do bem coletivo. Entretanto, importa compreender que homens, como esses, entendendo a extensão e a delicadeza dos seus encargos espirituais, muito sofrem, quando compelidos ao serviço de regeneração das peças vivas, desviadas ou enfermiças, encaminhadas à sua responsabilidade.

Na estrada comum, no entanto, verifica-se grande excesso de pessoas viciadas na precipitação e na leviandade. Cremos seja útil a cada discípulo, quando assediado pelas considerações insensatas, lembrar o papel exato que está representando no campo da vida presente, interrogando a si próprio, antes de responder às indagações tentadoras: "Será este assunto de meu interesse? Quem sou? Estarei, de fato, em condições de julgar alguém?"

51. MENINOS ESPIRITUAIS
"Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, pois é menino". - Paulo, (Hebreus, 5:13

Na apreciação dos companheiros de luta, que nos integram o quadro diário, é útil não haja choques, quando, inesperadamente surgirem falhas e fraquezas. Antes da emisão de qualquer juízo, é conveniente conhecer o quilate dos valores espirituais em exame.

Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza.

Deus cerca os passos do sábio, com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino, o ignorante aprende e o sábio cresce.

Os discípulos de boa-vontade necessitam da sincera atitude de observação e tolerância. É natural que se regozijem com o alimento rico e substancioso com que lhes é dado nutrir a alma; no entanto, não desprezem outros irmãos, cujo organismo espiritual ainda não tolera senão o leite simples dos primeiros conhecimentos.

Toda criança é frágil e ninguém deve condená-la por isso. Se tua mente pode librar no vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nascestee onde estiveste longo tempo, completando a plumagem.

Diante dos teus olhos deslumbrados, alonga-s o infinito. Eles estarão contigo, um dia, e, porque a união integral esteja tardando, não os abandones ao acaso, nem lhes recuses o leite que amam e de que ainda necessitam.

75. NA CASA DE CÉSAR
"Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de Cesar." - Paulo (Filipense, 4:22)

Muito comum ouvirmos observações descabidas de determinados irmãos na crença, relativamente aos companheiros chamados a tarefa mais difíceis, entre as possibilidades do dinheiro ou do poder.

A piedade falsa está sempre disposta a criticar o amigo que, aceitando laborioso encargo público, vai encontrar nele muito mais aborrecimentos que notas de harmonia. A análise desvirtuada tudo repara maliciosamente.

Se o irmão é compelido a participar de grandes representações sociais, costuma-se estigmatizá-lo como traidor do Cristo. É necessário despender muita vigilância nesses julgamentos.

Nos tempos apostólicos, os cristãos de vida pura eram chamados "santos". Paulo de Tarso, humilhado e perseguido em Roma, teve ocasião de conhecer numerosas almas nessas condições, e o que é mais de admirar - conviveu com diversos discípulos de semelhante posição, relacionados com a habitação palaciana de César.

Deles recebeu atenções e favores, assistência e carinho. Escrevendo aos filipenses, faz menção especial desses amigos do Cristo. Não julgues, pois, a teu irmão pela sua fortuna aparente ou pelos seus privilégios políticos. Antes de tudo, lembra-te de que havia santos na casa de Nero e nunca olvides tão grandiosa lição.

11 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 19

4. TUAS DIFICULDADES
Imagina como seria difícil de suportar um educandário em que os alunos tão-somente soubessem chorar na hora do ensino. Reportamo-nos à imagem para considerar que sendo a Terra nossa escola multi-milenária, urge receber-lhe as dificuldades por lições aceitando-lhe a utilidade e o objetivo.

Diante dos obstáculos, ninguém precisa fixar-se no lado escuro que apresentem. Um náufrago, faminto de estabilidade, ao sabor das ondas, não se lembrará de examinar o do no fundo das águas, mas refletirá no melhor meio de alcançar a terra firme. Todo minuto de queixa é minuto perdido, arruinando potencialidades preciosas para a solução dos problemas, sobre os quais estejamos deitando lamentação.

Toda prova, seja qual for, aparece na estrada, a fim de elastecer-nos a força e aperfeiçoar-nos a experiência. Em síntese, quase toda dificuldade implica sofrimento e todo sofrimento, notadamente aqueles que não provocamos, redunda em renovação e auxílio para nós mesmos, lembrando a treva noturna, em cujo ápice começa a alvorada nova.

Saibamos arrostar os impedimentos da vida, sem receá-los. Cada qual deles é portador de mensagem determinada. Esse é um desafio a que entesoures paciência, aquele outro te impele à sublimação da capacidade de amar no cadinho da provação. Aprendamos, sobretudo, a decifrar os enigmas da existência, na oficina do Bem Eterno.

Serve e compreende.
Serve e suporta.
Serve e constrói.
Serve e beneficia.

Tuas dificuldades — tuas bênçãos. Nelas e por elas, encontrarás o estímulo necessário para que não te precipites nos despenhadeiros do orgulho, e nem te encarceres nas armadilhas do marasmo, prosseguindo, passo a passo, degrau a degrau, em tua jornada de burilamento e ascensão.
EMMANUEL

13 - Fonte viva -Emmanuel - pág. 89

37. NA OBRA REGENERATIVA

"Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, orientai-o com espírito de mansidão, velando por vós mesmos para que não sejais igualmente tentados." - Paulo. (Gálatas, 6:1)

Se tentarmos orientar o irmão perdido nos cipoais do erro, com aguilhões de cólera, nada mais fazemos que lhe despertar a ira contra nós mesmos. Se lhe impusermos golpes, revidará com outros tantos. Se lhe destacamos as falhas, poderá salientar os nossos gestos menos felizes.

Se opinamos para que sofra o mesmo mal com que feriu a outrem, apenas aumentamos a percentagem do mal, em derredor de nós. Se lhe aplaudimos a conduta errônea, aprovamos o crime. Se permanecemos indiferentes, sustentamos a perturbação. Mas se tratarmos o erro do semelhante, como quem cogita de afastar a enfermidade de um amigo doente, estamos, na realidade, concretizando a obra regenerativa.

Nas horas difíceis, em que vemos um companheiro despenhar-se nas sombras interiores, não olvidemos que, para auxiliá-lo, é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio. Se não é justo atirar petróleo às chamas, com o propósito de apagar a fogueira, ninguém cura chagas com a projeção de perfume. Sejamos humanos, antes de tudo. Abeiremo-nos do companheiro infeliz, com os valores da compreensão e da fraternidade.

Ninguém perderá, exercendo o respeito que de­vemos a todas as criaturas e a todas as coisas. Situemo-nos na posição do acusado e refutamos se, nas condições dele, teríamos resistido às sugestões do mal. Relacionemos as nossas vantagens e os prejuízos do próximo, com imparcialidade e boa intenção.

Toda vez que assim procedermos, o quadro se modifica nos mínimos aspectos. De outro modo será sempre fácil zurzir e condenar, para cairmos, com certeza, nos mesmos delitos, quando formos, por nossa vez, visitados pela tentação.

14 - O Livro dos Espiritos -Allan Kardec - intr. vii questões: 222, 455, 836, 904, 919, 964, concl. I

VII — A CIÊNCIA E O ESPIRITISMO
A oposição das corporações científicas é, para muita gente, senão uma prova, pelo menos uma forte presunção contrária. Não somos dos que levantam a voz contra os sábios, pois não queremos dar motivo a nos chamarem de estouvados; temo-los, pelo contrário, em grande estima e ficaríamos muito honrados se fôssemos contados entre eles. Entretanto, sua opinião não poderia representar, em todas as circunstân ias, um julgamento irrevogável.

Quando a Ciência sai da observação material dos fatos e trata de apreciá-los e explicá-los, abre-se para os cientistas o campo da ponjecturas: cada um constrói o seu sistemazinho, que deseja sustenta encarniçadamente. Não vemos diariamente contraditórias serem preconizadas e rejeitadas, repelidas com erros absurdos e depois proclamadas como verdades o verdadeiro critério dos nossos julgamentos, o argumento sem réplica. Na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem prudente.

No tocante às coisas evidentes, a opinião dos sábios é justamente digna de fé, porque eles as conhecem mais e melhor que o vulgo. Mas, no tocante a princípios novos, a coisas desconhecidas, não é mais do que hipotética, porque eles não são mais aceitos que os outros. Direi mesmo que o sábio terá, talvez mais preconceitos que qualquer outro, pois uma propensão natural o leva a tudo subordinar ao ponto de vista de sua especialidade: o matemático não vê nenhuma espécie de prova, senão por meio de uma demonstração algébrica, o químico relaciona tudo com a ação dos elementos, e assim por diante.

Todo homem que se dedica a uma especialidade escraviza a ela as suas idéias. Afastai-o do assunto e ele quase sempre se confundirá porque deseja tudo submeter ao seu modo de ver; é esta uma consequência da fragilidade humana. Consultarei, portanto, de bom grado e com absoluta confiança, um químico sobre uma questão de análise; um físico sobre a força elétrica; um mecânico sobre a força motriz; mas eles me permitirão, sem que isto afete a estima que lhes devo por sua especialização, que não tenha em melhor conta a sua opinião negativa sobre o Espiritismo do que a de um arquiteto sobre questões de música.

As ciências comuns se apoiam nas propriedades da matéria, que pode ser experimentada e manipulada à vontade; os fenômenos espíritas se apoiam na ação de inteligências que têm vontade própria e nos provam a todo instante não estarem submetidas ao nosso capricho. As observações, portanto, não podem ser feitas da mêsma maneira que num e noutro caso. No Espiritismo elas requerem condições especiais e outra maneira de encará-las: querer sujeitá-las aos processos ordinários de investigação, seria estabelecer analogias que não existem. A Ciência propriamente dita, como Ciência, é incompetente para se pronunciar sobre a questão do Espiritismo: não lhe cabe ocupar-se do assunto e seu pronunciamento a respeito, qualquer que seja, favorável ou não, nenhum peso teria.

O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal que os sábios podem ter como indivíduos, independente de sua condição de sábios. Querer, porém, deferir a questão à Ciência seria o mesmo que entregar a uma assembléia de físicos ou astrônomos a solução do problema da existência da alma. Com efeito, o Espiritismo repousa inteiramente sobre a existência da alma e o seu estado após a morte. Ora, é supinamente ilógico pensar que um homem deve ser grande psicólogo pelo simples fato de ser grande matemático ou grande anatomista.

O anatomista, dissecando o corpo humano, procura a alma e, porque não a encontra com o seu bisturi, como se encontrasse um nervo, ou porque não a vê evolar-se como um gás, conclui que ela não existe. Isto, em razão de colocar-se num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se daí que ele esteja com a razão, contra a opinião universal? Não. Vê-se, portanto, que o Espiritismo não é da alçada da Ciência.

Quando as crenças espíritas estiveram vulgarizadas, quando forem aceitas pelas massas, — o que, a julgar pela rapidez com que se propagam, não estaria muito longe, — dar-se-á com elas o que se tem dado com todas as idéias novas que encontraram oposição: os sábios se renderão à evidência. Eles as aceitarão individualmente, pela força das circunstâncias. Até que isso aconteça, seria inoportuno desviá-los de seu trabalhos especiais para constrangê-los a ocupar-se de coisa estranha que não está nas suas atribuições nem nos seus programas.

Enquanto isso, os que, sem estudo prévio e aprofundado da questão, pronunciam-se pela negativa e zombam dos que não concordam com a sua opinião esquecem que o mesmo aconteceu com a maioria das grandes descobertas que honram a Humanidade. Arriscam-se a ver os seus nomes aumentando a lista dos ilustres negadores das ideias novas, inscritos ao lado dos membros da douta assembléia que, em 1752, recebeu com estrondosa gargalhada o relatório de Franklin sobre os pára-raios, julgando indigno de figurar entre as comunicações da pauta, e daquela outra que fez a França perder as vantagens da navegação a vapor ao declarar o sistema de Fulton um sonho impraticável.

Não obstante, eram questões de alçada da Ciência. Se essas assembléias, que contavam com os maiores sábios do mundo, só tiveram zombaria e sarcasmo para as idéias que ainda não compreendiam e que alguns anos mais tarde deviam revolucionar a Ciência, os costumes e a indústria, como esperar que uma questão estranha aos seus trabalhos possa ser melhor aceita?

Esses erros lamentáveis não tirariam aos sábios, entretanto, os títulos com que, noutros assuntos, conquistam o nosso respeito. Mas é necessário um diploma oficial para se ter bom senso? E fora das cátedras acadêmicas não haverá mais do que tolos e imbecis? Basta olhar para os adeptos da doutrina espírita, para se ver se entre eles só existem ignorantes e se o número imenso de homens de mérito que a abraçaram permite que a releguemos ao rol das simples crendices. O caráter e o saber desses homens autorizam-nos a dizer: pois se eles o afirmam, deve pelo menos haver alguma coisa.

Repetimos ainda que, se os fatos de que nos ocupamos estivessem reduzidos ao movimento mecânico dos corpos, a pesquisa da causa física do fenômeno seria do domínio da Ciência; mas desde que se trata de uma manifestação fora do domínio das leis humanas, escapa à competência da Ciência material, porque não pode ser explicada por números, nem por forças mecânicas. Quando surge um fato novo, que não se enquadra em nenhuma Ciência conhecida, o sábio, para o estudar, deve lazer abstração de sua ciência e dizer a si mesmo que se trata de um estudo novo, que não pode ser feito com idéias preconcebidas.

O homem que considere a sua razão infalível está bem próximo do erro; mesmo aqueles que têm as mais falsas idéias apoiam-se na própria razão e é por isso que rejeitam tudo quanto lhes parece impossível. Os que ontem repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade hoje se orgulha, apelaram a esse juiz para as rejeitar. Aquilo que chamamos razão é quase sempre o orgulho mascarado, e quem quer que se julgue infalível coloca-se como igual a Deus. Dirigimo-nos, portanto, aos que são bastante ponderados para duvidar do que não viram e, julgando o futuro pelo passado, não acreditam que o homem tenha chegado ao apogeu nem que a Natureza lhes tenha virado a última página do seu livro. (...)

Perg. 836 - O homem tem o direito de opor entraves à liberdade de consciência?
- Não mais do que à liberdade de pensar, porque somente a Deus pertence o direito de julgar a consciência. Se o homem regula pelas suas leis as relações de homem para homem, Deus, por suas leis naturais, regula as relações do homem com Deus.

Perg. 904 - É culpado o que sonda os males da sociedade e os desvenda?
- Isso depende do sentimento que o leva a fazê-lo. Se o escritor só quer fazer escândalo, é um prazer pessoal que se proporciona, apresentando quadros que são, em geral, antes um mau do que um bom exemplo. O Espírito faz uma apreciação, mas pode ser punido por essa espécie de prazer que sente em revelar o mal.

Perg. 919 - Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?
- Um sábio da Antiguidade vos disse: "Conhece-te a ti mesmo".

Perg. 964 - Deus tem necessidade de se ocupar de cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? A maioria desses atos não são para Ele insignificantes?
- Deus tem as suas leis, que regulam todas as vossas ações. Se as violardes, a culpa é sua. Sem dúvida, quando um homem comete um excesso, Deus não expende um julgamento contra ele, dizendo-lhe por exemplo: tu és um glutão e eu te vou punir. Mas Ele traçou um limite: as doenças e, por vezes, a morte são consequências dos excessos. Eis a punição: ela resulta da infração da lei. Assim se passa em tudo.

CONCLUSÃO I
Aquele que só conhecesse de magnetismo terrestre o jogo dos patinhos imantados, que fazemos nadar na água de uma bacia, dificilmente poderia compreender que esse brinquedo encerra o segredo do mecanismo do Universo e do movimento dos mundos. Acontece o mesmo com o que só conhece do Espiritismo o movimento das mesas; ele não vê mais que um divertimento, um passatempo das reuniões sociais e não compreende que esse fenômeno tão simples e tão vulgar, conhecido da Antiguidade e até mesmo dos povos semi-selvagens, possa estar ligado aos mais graves problemas da ordem social.

Para o observador superficial, com efeito, que relação pode ter uma mesa que gira com a moral e o futuro da Humanidade? Mas quem quiser refletir se lembrará de que de uma simples panela cuja tampa se erguia com o vapor, fato que também se verificava desde toda a Antiguidade, saiu o possante motor com que o homem atravessa o espaço suprimindo as distâncias.

Pois bem: vós que não acreditais em nada fora do mundo material, sabei que dessa mesa que gira e provoca o vosso sorriso de desdém saiu toda uma Ciência, com a solução de problemas que nenhuma filosofia pudera resolver. Apelo ai todos os adversários de boa-fé e lhes suplico dizerem se tiveram o trabalho de estudar o que criticam. Porque em boa lógica a crítica só tem valor quando o crítico conhece o assunto.

Zombar de uma coisa que não se conhece, que não se sondou com o escalpelo do observador consciencioso não é criticar, mas dar prova de leviandade e um pobre idéia de sua capacidade de julgamento. Seguramente, se tivéssemos apresentado esta, filosofia como sendo uma obra do cérebro humano, ela teria menos desdém e teria merecido as honras de um exame dos que pretendem dirigir a opinião. Mas ela vem dos Espíritos, que absurdo!

É muito que mereça um olhar. Julgam-na pelo título, como o macaco da fábula que julgava a noz pela casca. Fazei, se o quiserdes, abstração da origem que este livro seja obra de um homem e dizei no vosso íntimo ciência, depois de o ler seriamente, se encontrastes matéria para zombaria.(...)

17- OFERENDA- JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG.96

ÁREA PERIGOSA

O problema do julgamento das aparências, das atitudes do próximo e da pessoa em si mesma é sempre um cometimento ingrato, para quem se coloca na condição de juiz. Exceção feita aos nobres togados pelas leis de cada país, encarregados da delicada quão difícil tarefa de exercerem a Justiça entre os homens, a fim de preservarem a ordem, a moral e a dignidade humana, pois a ninguém mais compete a insensata posição de julgador.

As ocorrências observadas são sempre resultado de acontecimentos desconhecidos. Julgar um sucesso, quando este eclode, tomando uma posição apriorística, não deixa de ser precipitação em área perigosa. Quem julga, naturalmente se crê em condição de absolver, quanto de condenar.

Para tal cometimento ser-lhe-iam necessárias estrutura moral e a autoridade, decorrentes de uma vivência exemplar. Os dados de que se dispõem nos julgamentos das atitudes alheias são sempre deficientes, e a alta carga emocional da simpatia ou da antipatia pessoal responde pela apreciação do que se examina com benignidade ou rudeza.

O erro é sempre desvio de rota. Dependendo da pessoa que nele incide, há que se considerar fatores que escapam, de natureza sociopsicológica, econômica, moral, espiritual. Quando explode uma situação ou alguém delinque, justo que se tenham em mente as raízes do problema que estruge, lamentável. Atitude ideal será sempre a do amor.

A mulher adúltera, apresentada a Jesus pelo farisaísmo hipócrita, antes que uma pecadora, era vítima em si mesma, que derrapara na insensatez por vários motivos que infelicitavam... A traição de Judas resultou de ser ele um Espírito débil e obsesso que, inobstante o carinho do Mestre, não conseguiu vencer a própria pusilanimidade.

A dúvida contumaz de Tomé decorria da fragilidade dos seus valores espirituais em torno da reflexão e da fé... Não foram julgados pelo Senhor, antes amados e ajudados com carinho, a fim de que não voltassem a reincidir, sendo outras vezes infelizes-infelicitadores.

Os julgamentos sobre o comportamento do próximo, antes de pretenderem ajudar, degeneram na maledicência que pretendem denegrir. Não há lugar para essa situação perniciosa no coração do discípulo do Cristo. O que vês suceder nem sempre é conforme se te ocorre. Não precipites, portanto, apontamento.

Melhor será que concedas um crédito de confiança e tenhas em bom conceito quem não os merece, pois que, se te defraudar a si mesmo se engana, do que negando, oportunidade e ajuda a quem te parece sem valor, no entando, é credor de confiança e de respeito.

Quanto possas, evita que o julgamento dos pérfidos te apresente uma imagem negativa do teu irmão, desconhecido, armando-te contra ele. Acautela-te daqueles cuja boca vã somente te envenena o coração e te perturba a mente, técnicos em acusações, pessimismos e acrimônias, muitas vezes disfarçados, habilmente sutis mas, de qualquer forma, cruéis, perniciosos.

Não julgues e sê generoso com todos, embora a recíproca não te seja outorgada. Área perigosa, a do julgamento.

Unge-te de amor pelos ingratos, os fracos, os caídos, os delinquentes, os desditosos, os perversos, nossos irmãos necessitados de fraternidade, pois que "com a medida com que os julgares, assim também serás julgado" e como os receberes também Nosso Pai de misericórdia te receberá.

22 - Síntese de o novo testamento - Mínimus pág.61, 66

Justiça. Injúrias. Reconciliação.
(Mat., 5:20 a 26; Luc., 12:54 a 59)
"Declaro-vos, pois, que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus. Aprendestes o que foi recomendado aos antigos: Não matarás, e: quem quer que mate, estará sujeito a julgamento. E eu vos digo que quem quer que se encha de cólera contra seu irmão, estará sujeito a julgamento; que aquele que disser ao seu irmão: Raça, estará sujeito ao julgamento do Sinédrio; e quem lhe chamar: Insensato, esse estará em perigo da geena de fogo.

Se, pois, quando apresentares no altar a tua oferenda, te lembrares de que teu irmão tem qualquer coisa contra ti, deixa-a diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com ele; depois então vem apresentar a tua oferta. Faze o mais depressa possível as pazes com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para não suceder que ele te entregue ao juiz, este ao oficial de justiça e que sejas metido na prisão. Em verdade te digo que dali não sairás enquanto não houveres pago até o último centavo."

"Quando vedes formar-se uma nuvem do lado do poente, dizeis: vai chover, e com efeito chove. Quando sopra o vento sul, dizeis que vai fazer calor e assim acontece. — Hipócritas! Sabendo reconhecer o que pressagiam os aspectos do céu e da terra, como é que não reconheceis os tempos que correm? E porque, por vós mesmos, não julgais o que é justo?"

NÃO JULGUEIS. O ARGUEIRO E A TRAVE - ( Mat, 7:1 a 6; Mar, 4:24; Luc, 6:37 e 38; 41, 42)

"Não julgueis para que não sejas julgados; porquanto, com o juízo com que julgardes, sereis julgados; e a medida de que usardes, dessa usarão convosco, e ainda se vos acrescentará. - Porque vêdes o argueiro no olho de vosso irmão e não enxergais a trave que tende no vosso? Ou como podereis dizer ao vosso irmão: - Deixai-me tirar um argueiro do vosso olho - quando tendes no vosso uma trave? - Hipócritas!tirai primeiro a trave do vosso olho, e então vereis claramente para tirardes o argueiro do olho de vosso irmão.

-Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis as vossas pérolas diante dos porcos, para que não suceda que as pisem e , voltando-se, vos estraçalhem." "Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; tolerai, e sereis tolerados; daí, e se vos dará; boa medida, recalcada, sacudida, extravasando, pôr-vos-ão no regaço; porquanto a medida de que usais, dessa tornarão a usar convosco".

23 – DEPOIS DA MORTE – LÉON DENIS, parte 4-Além túmulo, item XXXI, pág. 204

Uma lei tão simples em seus princípios quanto admirável em seus efeitos preside à classificação das almas no espaço. Quanto mais sutis e rarefeitas são as moléculas constitutivas dos perispírito tanto mais rápida é a desencarnação, tanta mais vastos são os horizontes que se rasgam ao Espírito. Devido ao seu peso fluídico e às suas afinidades, ele se eleva para os grupos espirituais que lhe são similares.

Sua natureza e seu grau de depuração determinam-lhe nível e classe no meio que lhe é próprio. Com alguma exatidão tem-se comparado a situação dos Espíritos no espaço à dos balões cheios de gases de densidades diferentes que, em virtude de seus pesos específicos, se elevam a alturas diversas. Mas cumpre que nos apressemos em acrescentar que o Espírito é dotado de liberdade e, portanto, não estando imobilizado em nenhum ponto, pode, dentro de certos limites, deslocar-se e percorrer os páramos etéreos.

Pode, em qualquer tempo, modificar suas tendências, transformar-se pelo trabalho ou pela prova, e, conseguintemente, elevar-se à vontade na escala dos seres. É, pois, uma lei natural, análoga às leis da atração e da gravidade, a que fixa a sorte das almas depois da morte. O Espírito impuro, acabrunhado pela densidade de seus fluídos materiais, confina-se nas camadas inferiores da atmosfera, enquanto a alma virtuosa, de envoltório depurado e sutil, arremessa-se, alegre, rápida como o pensamento, pelo azul infinito.

É também em si mesmo – e não fora de si, é em sua própria consciência que o Espírito encontra sua recompensa ou seu castigo. Ele é o seu próprio juiz. Caído o vestuário de carne, a luz penetra-o e sua alma aparece nua, deixando ver o quadro vivo de seus atos, de suas vontades, de seus desejos. Momento solene, exame cheio de angústia e, muitas vezes de desilusão. As recordações despertam em tropel e a vida inteira desenrola-se com seu cortejo de faltas, de fraquezas, de misérias.

Da infância à morte, tudo, pensamentos, palavras ações, tudo sai da sombra, reaparece à luz, anima-se e revive. O ser contempla-se a si mesmo, revê, uma a uma, através dos tempos, suas existências passadas, suas quedas, suas ascensões, suas fases inumeráveis. Conta os estágios franqueados, mede o caminho percorrido, compara o bem e o mal realizados. Do fundo do passado obscuro, surgem, a seu apelo, como outros tantos fantasmas, as formas que vestiu através das vidas sucessivas.

Em uma visão clara, sua recordação abraça as longas perspectivas das idades decorridas; evoca as cenas sanguinolentas, apaixonadas, dolorosas, as dedicações e os crimes, reconhece a causa dos processos executados, das expiações sofridas, o motivo da sua posição atual.

Vê a correlação que existe, unindo suas vidas passadas aos anéis de uma longa cadeia desenrolando-se pelos séculos. Para si, o passado explica o presente e este deixa prever o futuro. Eis para o Espírito a hora da verdadeira tortura moral. Essa evocação do passado traz-lhe a sentença temível, a increpação da sua própria consciência, espécie de julgamento de Deus. Por mais lacerante que seja, esse exame é necessário porque pode ser o ponto de partida de resoluções salutares e da reabilitação

O grau de depuração do Espírito, a posição que ocupa no espaço representam a soma de seus progressos realizados e dão a medida do seu valor moral. É nisto que consiste a sentença infalível que lhe decide a sorte, sem apelo. Harmonia profunda ! Simplicidade maravilhosa que as instituições humanas não poderiam reproduzir; o princípio de afinidade regula todas as coisas e fixa a cada qual o seu lugar. Nada de julgamento (como proposto pela I.C.), nada de tribunal, apenas existe a lei imutável executando-se por si própria, pelo jogo natural das forças espirituais e segundo o emprego que delas faz a alma livre e responsável.

Todo pensamento tem uma forma, e essa forma, criada pela vontade, fotografa-se em nós como em um espelho onde as imagens se gravam por si mesmas. Nosso envoltório fluídico reflete e guarda, como em um registro, todos os fatos da nossa existência. Esse registro está fechado durante a vida, porque a carne é a espessa capa que nos oculta o seu conteúdo. Mas, por ocasião da morte, ele abre-se repentinamente e as suas páginas distendem-se aos nossos olhos.

O Espírito desencarnado traz, portanto, em si, visível para todos, seu céu ou seu inferno. A prova irrecusável da sua elevação ou da sua inferioridade está inscrita em seu corpo fluídico. Testemunhas benévolas ou terríveis, as nossas obras, os nossos desígnios justificam-nos ou acusam-nos, sem que coisa alguma possa fazer calar as suas vozes. Daí o suplício do mau que, acreditando estarem os seus pérfidos desejos, os seus atos culpáveis profundamente ocultos, os vê, então, brotar aos olhos de todos; daí os seus remorsos quando, sem cessar, repassam diante de si os anos ociosos e estéreis, as horas impregnadas no deboche e no crime, assim como as vítimas lacrimosas, sacrificadas a seus instintos brutais.

Daí também a felicidade do Espírito elevado, que consagrou toda a sua vida a ajudar e a consolar seus irmãos. Para distrair-se dos cuidados, das preocupações morais, o homem tem o trabalho, o estudo, o sono.
Para o Espírito não há mais esses recursos. Desprendidos dos laços corporais, acha-se incessantemente em face do quadro fiel e vivo do seu passado. Assim, os amargores e pesares contínuos, que então decorrem, despertam-lhe na maior parte dos casos, o desejo de, em breve, tomar um corpo carnal para combater, sofrer e resgatar esse passado acusador.

24 – O GRANDE ENIGMA – LÉON DENIS, p. 3, cap. 15, pág. 197

(...) julgamento espiritual (...) não é mais que o balanço instantâneo da consciência, que faz pronunciemos, nós mesmos, o veredicto que nos fixa a sorte no novo mundo onde vamos ingressar.

25 - NASCER E RENASCER - PÁG. 23

JULGAMENTO MENOR: Não olvides que, antes do Julgamento Maior, que vergasta o corpo das civilizações, alterando, muita vez, a golpes de sangue e lágrimas, o destino das nações e dos povos, usufruímos todos pela Misericórdia Divina, o privilégio do Julgamento Menor, a cujas decisões nos expomos todos os dias. Referimo-nos ao renascimento na vida física, com a prerrogativa de recapitular e reaprender.

Aí dentro, nos círculos da reencarnação, encontramo-nos, de novo, à frente da lição, no reajuste dos próprios erros. Nosso berço, no Plano Físico, por isso mesmo, na maioria das circunstâncias, surge no campo de nossos adversários, para que venhamos a reencontrar nos elos consanguíneos os nossos credores do pretérito para a quitaçã das dívidas que nos ensombram a consciência.

Nessa fase de trabalho, a Terra, com o corpo que nos detém, toma a feição de tribunal, em cujas celas somos provisoriamente detidos para criar atenuantes às nossas culpas, quando não passamos extinguí-las de todo, a preço de abnegação e sacrifício.

Nossos desafetos assumem as funções da promotoria que nos reprova e nossos benfeitores se elevam à condição de nossos advogados, encaminhando-nos ao resgate e à recuperação clara e justa. O serviço incessante no bem, no entanto, é a única força capaz de modificar o ânimo de nossos acusadores e de fortalecer as disposições daqueles que nos defendem.

Eis porque, no Julgamento Menor a que nos submetemos, quando na posição de encarnados, convém lembrar a preciosidade do tempo, por fator de socorro às nossas próprias necessidades, mobilizando-o, integralmente, na plantação do amor e da luz, para que as nossas obras falem por nós, ante a Justiça Divina, alijando-nos, enfim, as algemas que trazemos do passado para a libertação de amanhã.

LEMBRETE:

1° - (...) julgamento espiritual (...) não é mais que o balanço instantâneo da consciência, que faz pronunciemos, nós mesmos, o veridicto que nos fixa a sorte do novo mundo onde vamos ingressar. Léon Denis

2° - O dia do julgamento, em que os homens prestarão contas (...) é aquele em que o Espírito culpado, após a morte, faz uma instrospecção, observa a sua passada existência, seus crimes ou faltas e, tocado pelo remorso e pelo arrependimento, sofre à expiação, inevitavelmente seguida da reencarnação. J. B Roustaing

3° - (...) É a lei imutável do sofrimento que, cedo ou tarde atinge o culpado, provocando-lhe o remorso. (..) O juízo de Deus é, finalmente, a luta sem resultado em que o Espírito permanece, enquanto não toma o propósito firme de renunciar ao mal e entrar na senda do bem (...) J.B. Roustaing

4° - O julgamento de Deus (...) não tem o sentido das decisões da justiça humana. Significa a ausência temporária do progresso, podendo corresponder a sofrimentos, dores, remorsos. Juvanir B.de Souza