LEI
BIBLIOGRAFIA
01- A Constitução Divina - toda a obra 02 - A Gênese - cap. VI, 8
03 - A mediunidade e a lei - toda a obra 04 - A reencarnação na Bíblia - pág. 19
05 - As margens do Eufrates - pág. 125 06 - Caminho, verdade e vida - pág. 177
07 - Catecismo espirita - pág. 105 08 - Ceifa de luz - pág. 95
09 - Depois da morte - pág. 318 10 - Do país da luz - pág. vol. ii pág 52
11 - Estudos Espíritas - pág. 85 12 - Justiça Divina - pág. 77
13 - Mecanismos da mediunidade - pág. 5 14 - Nas pegadas do Mestre - pág. 53, 300
15 - No invisível - pág. 80

16 - O consolador- pág. 161

17 - O Espírito da Verdade - pág. 190 18 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. I , cap. v,5
19 - O Livro dos Espiritos - pág. 3, parte cap. i 20 - Obras póstumas - pág. 383
21 - Parnaso além túmulo - pág. 131 22 - Passos da vida - pág. 14
23 - Pérolas do além - pág. 237 24 - Síntese de o novo testamento - pág. 60, 68

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LEI – COMPILAÇÃO

02 - A Gênese - Allan Kardec - cap. VI, 8

8. Se um desses desconhecidos, que consomem a sua existência efêmera no fundo das regiões tenebrosas do Oceano; se um desses poligástricos, uma dessas nereidas, - miseráveis animálculos que não conhecem da Natureza senão os peixes ictiófagos e as florestas submarinas,- recebesse, de repente, o dom da inteligência, a faculdade de estudar o seu mundo, e de estabelecer, sobre as suas apreciações, um raciocínio conjectural da natureza vivente, que se desenvolve em seu meio, e do mundo terrestre que não pertence ao campo das suas observações?

Se, agora, por um efeito maravilhoso do seu novo poder, esse mesmo ser, chegasse a se elevar acima das suas trevas eternas, à superfície do mar, não longe de costas opulentas, de uma ilha de vegetação esplêndida, ao sol fecundo, dispensador de um benfazejo calor, que julgamento faria, então, sobre as suas teorias antecipadas da criação universal, teoria que apagaria logo diante de uma apreciação mais ampla, mas ainda relativamente tão incompleta como a primeira? Tal é, ó homens! a imagem da vossa ciência toda especulativa.

9. Então, pois, quando venho tratar, aqui, a questão das leis e das forças que regem o Universo, eu que não sou, como vós, senão um ser relativamente ignorante, em comparação com a ciência real, malgrado a aparente superioridade que me dá, sobre os meus irmãos da Terra, a possibilidade de estudar as questões naturais, que estão interditadas em sua posição, meu objetivo é, unicamente, o de vos expor a noção geral das leis universais, sem explicar, com detalhes, o modo de ação e a natureza das forças especiais que delas dependem.

04 - A reencarnação na Bíblia - Herminio C. Miranda - pág. 19

A LEI E OS PROFETAS
A nação judaica era uma teocracia, ou seja, segundo Aurélio Buarque de Holanda, "forma de governo em que a autoridade, emanada dos deuses ou de Deus, é exercida por seus representantes na Terra". Definição irretocável. Em Israel, o povo era governado por líderes essencialmente religiosos que baseavam suas decisões políticas, sociais e económicas nos textos sagrados.

O grosso volume que hoje conhecemos como Antigo Testamento era dividido em dois grupos: A Lei (Tora) e Os Profetas. O primeiro grupo compõe-se de cinco livros — Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio — conhecidos também pelo nome de Pentateuco.

O segundo grupo enfeixa não apenas os livros deixados pelos profetas propriamente ditos, como os textos conhecidos como históricos.
São esses os documentos que regulavam a vida de cada indivíduo e da coletividade como um todo. Por conseguinte, o estudo, a interpretação e a aplicação da lei às inúmeras situações da vida constituíam questões da mais alta relevância.

Os jovens bem dotados consumiam anos e anos debruçados sobre os textos sagrados, sob a orientação dos grandes Mestres em Israel até que pudessem também ser considerados Doutores da Lei. Honra suprema e glória máxima estavam em ser escolhidos para integrarem o Sinédrio, Somente os melhores chegavam lá, pelo talento, o saber e a fidelidade às tradições de Israel, bem como pelas boas conexões políticas e sociais. Era no Sinédrio que todas as grandes e importantes questões eram debatidas e resolvidas. O Sinédrio era, pois, o órgão máximo do poder político-religioso.

06 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 177

ORDENAÇÕES HUMANAS
"Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana, por amor do Senhor." - — (I pedro, 2:13.)
Certos temperamentos impulsivos, aproximando-se das lições do Cristo, presumem no Evangelho um tratado de princípios destruidores da ordem existente no mundo. Há quem figure no Mestre um anarquista vigoroso, inflamado de cóleras sublimes.Jesus, porém, nunca será patrono da desordem.

A novidade que transborda do Evangelho não aconselha ao espírito mais humilhado da Terra a adoção de armas contra irmãos, mas, sim, que se humilhe ainda mais, tomando a cruz, a exemplo do Salvador. Claro está que a Boa Nova não ensina a genuflexão ante a tirania insolente; entretanto, pede respeito às ordenações humanas, por amor ao Mestre Divino.

Se o detentor da autoridade exige mais do que lhe compete, transforma-se num déspota que o Senhor corrigirá, através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno. Essa certeza é mais um fator de tranquilidade para o servo cristão que, em hipótese alguma, deve quebrar o ritmo da harmonia.

Não te faças, pois, indiferente às ordenações da máquina de trabalho em que te encontras. É possível que, muita vez, não te correspondam aos desejos, mas lembra-te de que Jesus é o Supremo Ordenador na Terra e não te situaria o esforço pessoal onde o teu concurso fosse desnecessário.

Tens algo de sagrado a fazer onde respiras no dia de hoje. Com expressões de revolta, tua atividade será negativa. Recorda-te de semelhante verdade e submete-te às ordenações humanas por amor ao Senhor Divino.

09 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 318

LVI - A LEI MORAL:

Nas páginas precedentes expusemos tudo o que colhemos do ensino dos Espíritos relativamente à lei moral. É nessa revelação que reside a verdadeira grandeza do Espiritismo. Os fenômenos espíritas são um prólogo da lei moral. Embora muito imperfeitamente, comparemo-los à casca revestindo o fruto: inseparáveis em sua gestação, têm, entretanto, um valor muito diferente.

O estudo científico deve conduzir ao estudo filosófico, que é coroado pelo conhecimento dessa moral, na qual se completam, se esclarecem e fundem todos os sistemas moralistas do passado, a fim de constituírem a moral única, superior, universal, fonte de toda a sabedoria e de toda a virtude, mas cuja experiência e prática só se adquirem depois de numerosas existências.

A posse, a compreensão da lei moral é o que há de mais necessário e de mais precioso para a alma. Permite medir os nossos recursos internos, regular o seu exercício, dispô-los para o nosso bem. As nossas paixões são forças perigosas, quando lhes estamos escravizados; úteis e benfeitoras, quando sabemos dirigi-las; subjugá-las é ser grande; dëixar-se dominar por elas é ser pequeno e miserável.

Leitor, se queres libertar-te dos males terrestres, escapar às reencarnações dolorosas, grava em ti essa lei moral e pratica-a. Faze que a grande voz do dever abafe os murmúrios das tuas paixões. Dá o que for indispensável ao homem material, ser efêmero que se esvairá na morte. Cultiva com cuidado o ser espiritual, que viverá para sempre. Desprende-te das coisas perecíveis; honras, riquezas, prazeres mudanos, tudo isso é fumo; o bem, o belo, o verdadeiro somente é que são eternos!

Conserva tua alma sem máculas, tua consciência sem remorsos. Todo pensamento, todo ato mau atrai as impurezas mundanas; todo impulso, todi bem centuplica as tuas forças e far-te-á comunicar com
as potências superiores. Desenvolve em ti a vida espiritual, que te fará entrar em relação com o mundo invisível e com a natureza inteira.

Consiste verdadeiro poder, e, ao mesmo tempo, a dos gozos e das sensações delicadas, que irão aumentando à medida que as sensações da vida exterior se enfraquecerem com a idade e com o desprendimento das coisas terrestres. Nas horas de recolhimento, escuta a harmonia que se eleva das profundezas do teu ser, como eco dos mundos sonhados, entrevistos, e que fala de grandes lutas m morais e de nobres ações. Nessas sensações íntimas, nessas inspirações, desconhecidas dos sensuais e dos maus, reconhece o prelúdio da vida livre dos espaços e um prelibar das felicidades reservadas ao Espírito justo, bom e valoroso.

11 - Estudos Espíritas - Joanna de Ângelis - pág. 85

10. LEI
CONCEITO — Qualquer diretriz ou norma estabelecida no seio de uma comunidade constitui intrinsecamente a Lei. Desde as primeiras agregações humanas, no recuado dos tempos, surgiram, por exigência do progresso, impositivos para o comportamento social que, a pouco e pouco, adquiriram dimensão jurídica. Assim, hábitos, conceitos, modos e modas, formulações éticas e religiosas surgiram paulatinamente, estabelecendo bases para os conglomerados sociais, com os altos objetivós de preservação do indivíduo, da família, da sociedade.

Os primeiros códigos surgiram da necessidade de o homem manter padrões de equilíbrio individual e geral, impondo-se linhas de segurança, através das quais o grupo se unia para progredir. Na defesa e preservação da vida, em face dos fatores climatéricos, das agressões animais, os instintos inerentes à individualidade compulsoriamente estabeleceram os primeiros deveres, que foram criando raízes e transformando-se em hábitos — estruturas primeiras das leis humanas. Higiene, convívio comunitário, respeito a si mesmo e aos outros, intercâmbio entre os grupamentos, em prol da sobrevivência, e negociações para preservação grupal lentamente se transmitiram, gerando leis que, aceitas ou não, se transformaram em códigos estruturadores da ética, da religião, da justiça.

Pela intuição pura e simples, graças à interferência dos Espíritos Superiores, o homem hauriu nas imutáveis leis da Natureza, por refletirem as Leis de Deus, definições para a conduta e aprendeu, pela multiplicidade de impositivos que lhe escapavam ao controle, que a própria sobrevivência dependia da solidariedade, do amor, do respeito, deveres que brotavam e se desdobravam como abençoadas flores em extenso campo de esperança.

O natural respeito às forças cósmicas que o dominavam no período primário, em forma de medo, com as consequentes manifestações de culto religioso, a se materializarem em holocaustos, transitando do bárbaro ao sutil, desde a imolação de criaturas à oferenda de flores, construiu a identificação lenta e segura entre o homem aparentemente desarmado e o Criador Paternal.

Pelo mesmo processo — mediante a mediunidade natural — os antepassados retornaram e falaram da Imortalidade, propondo conceitos libertadores e, ao mesmo tempo, de sabedoria sobre os quais se estabeleceriam as futuras normas humanas que se iriam transformar em legislação terrena.

DESENVOLVIMENTO
•— Mesmo nas guerras em que os grupos se entredevoravam, o impulso gregário fê-los abandonar a antropofagia na tribo, transferindo-a para aquele que considerava adversário, do que surgiram preceitos de combate que, hoje, nas nações civilizadas, se discutem tendo em vista os acordos firmados em Genebra, no respeito aos prisioneiros, e dos quais se faz mediadora a Cruz Vermelha Internacional.

Sem dúvida, há muito ainda por fazer, nesse capítulo da legislação humana, pertinente à guerra. Todavia, merece considerar que o homem sofre a "predominância da natureza animal sobre a espiritual", que lhe constitui lamentável fator preponderante de guerra. Belicoso para consigo mesmo, expande as paixões irrefreadas e desarticula-se, agredindo, malsinando e engendrando a própria desdita.

No que diz respeito à evolução dos códigos da justiça humana, a Hamurabi se deve o mais antigo conjunto de leis conhecidas pela Humanidade. Reinando de 2067 a 2025 antes de Cristo (4), (4) Segundo outras fontes, seu reinado deu-se entre 1792-1750 ou 1730-1685 a.C. — Nota da Editora (FEB), fez gravar numa coluna de diorito preto, com aproximadamente 2,5 metros de altura, quatro mil linhas, nas quais se encontravam exarados os princípios que diziam respeito ao indivíduo e às propriedades, dividindo-se em subcapítulos, sucessivamente, nos quais se tem uma visão de equidade avançada para a época em que predominava o poder sobre o direito, a supremacia do vencedor sobre o vencido.

Posteriormente, as Civilizações, pela necessidade de estabelecerem códigos destinados a regerem seus membros, ora subordinados às diretrizes religiosas, ora aos impositivos éticos sobre que colocavam suas bases, formaram seus estatutos de justiça e ordem, nem sempre felizes... Pensadores e profetas de todos os tempos, refletindo a mensagem eterna ou as disposições humanas, não obstante os malogros do passado, criaram as determinações através das quais se levantaram impérios e se construíram povos, sem o que teria dominado o caos e a sobrevivência periclitado.

Dos primeiros moralistas, da escola ingênua, aos grandes legisladores, ressaltam as figuras de Moisés, instrumento do Decálogo, e Jesus, o excelso paradigma do amor, que consubstanciaram as necessidades humanas, ao mesmo tempo facultando os meios liberativos para o ser que marcha na direção da imortalidade.

Adaptando as Leis Divinas, identificadas na Natureza, às faculdades humanas, aquelas permanecem modelos a que o homem, vagarosa, porém, infalivelmente, se adaptará, para a própria felicidade. Do Direto Romano aos modernos tratados, as fórmulas jurídicas evoluem, apresentando dispositivos e artigos cada vez mais concordes com o espírito de justiça do que com as ambições do comportamento individual e grupal.

Francesco Garrara, o insigne mestre do Direito italiano, deslumbrado com a magnitude da vida imperecível, já preceituava: "O dogma sobre o qual assenta nossa doutrina é o da criação operada pela mente de um Ser eterno e infinito no saber, na bondade e no poder. Renegado este princípio, tudo no Direito se torna arbitrário, ou melhor: o Direito perde a razão de ser, a soberana do mundo é a força. Aceito o princípio, dele deflui como consequência necessária o reconhecimento de uma lei de ordem imposta pelo Criador à criatura."
E, dominado pela Presença Divina, prossegue, espiritualista: "A alma não está submetida à lei física, mas a compreende e a percebe e dela deseja o melhor, mercê da aspiração do belo."

Complementando o raciocínio, expõe: "Esta alma inteligente e livre que Deus deu ao homem, a fim de que, com suas obras, pudesse merecer ou desmerecer, sujeitou-o, como ser moralmente livre, a uma outra lei: a lei moral." Ora, as leis morais estão estruturadas na lei natural ou Lei de Deus. Por serem imperfeitas, as leis elaboradas pelos homens sofrem diariamente modificações, variando de povo para povo e, ao mesmo tempo, adaptando-se a situações compatíveis com os dias da sua vigência.

Todas as criaturas têm, na sua maioria, no atual estágio da evolução da vida na Terra, consciência da Lei de Deus, sabendo o de que necessita para a própria felicidade. Os desmandos a que se entrega, os abusos que perpetra, os excessos a que se expõe não lhe permitirão tranqüilizar-se, porque, inscrita na consciência, aquela lei superior, a seu turno, no momento justo, convocará o infrator ao reajuste, de que ninguém se furta.

ESPIRITISMO E A LEI
— Sendo o Espiritismo revelação divina para o reencontro do homem com a verdade (noutras palavras: para o religamento da criatura com o seu Criador), todos os seus ensinos se assentam na Lei Natural, aquela que dimana do Pai.

À semelhança de Jesus, que não veio destruir a Lei, antes submeter-se ao seu estatuto, o Espiritismo respeita as instituições humanas e os códigos dos homens, oferecendo, porém, sublimes normas de evolução, todas fundamentadas no amor ao próximo e na caridade, de cujo exercício o homem aprende, mediante o estudo contínuo e sistemático, quais as suas obrigações na Terra, as razões das vidas sucessivas, a justiça e sabedoria celestes, contribuindo, eficazmente, pela submissão e pela ação dinâmica, através do impulso dado ao progresso de todos, para a sua total libertação da dor, do desequilíbrio, da sombra, da morte...

Mediante a observância das leis morais que fluem dos exemplos e da palavra do Cristo, o homem constrói a Nova Era, na qual os códigos da intolerância e do preconceito, fomentadores do mal e do ódio, empalidecem, para que fulgurem as luminosidades do bem e da verdade. Dia virá em que o homem, amando ao seu irmão, elaborará códigos mais generosos e leis mais justas, em cujas malhas evoluirá, até o momento de plenitude espiritual.

12 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 77

DIANTE DA LEI - REUNIÃO PÚBLICA DE 15/5/61 - 1ª PARTE, CAP. iii, ÍTEM 6

O espírito consciente, criado através dos milênios, nos domínios inferiores da natureza, chega à condição de humanidade, depois de haver pago os tributos que a evolução lhe reclama. À vista disso, é natural compreendas que o livre-arbítrio estabelece determinada posição para cada alma, porquanto cada pessoa deve a si mesma a situação em que se coloca.

Possuis o que deste. Granjearás o que vens dando. Conheces o que aprendeste. Saberás o que estudas. Encontraste o que buscavas. Acharás o que procuras. Obtiveste o que pediste. Alcançarás o que almejas. És hoje o que fizeste contigo ontem. Serás amanhã o que fazes contigo hoje.

Chegamos, no dia claro da razão, simples e ignorantes diante do aprimoramento e do progresso, mas com liberdade interior de escolher o próprio caminho. Todos temos, assim, na vontade a alavanca da vida, com infinitas possibilidades de mentalizar e realizar. O governo do Universo é a justiça que define, em toda parte, a responsabilidade de cada um.

A glória do Universo é a sabedoria, expressando luz nas consciências. O sustento do Universo è o trabalho que situa cada inteligência no lugar que lhe compete. A felicidade do Universo é o amor na forma do bem de todos.

O Criador concede às criaturas, no espaço e no tempo, as experiências que desejem, para que se ajustem, por fim, às leis de bondade e equilíbrio que O manifestam. Eis por que, permanecer na sombra ou na luz, na dor ou na alegria, no mal ou no bem, é ação espiritual que depende de nós.

17 - O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - pág. 190

82 NEM CASTIGO, NEM PERDÃO - Cap. V — Item 5
O espírita encontra na própria fé — o Cristianismo Redivivo — estímulos novos para viver com alegria, pois, com ele, os conceitos fundamentais da existência recebem sopros poderosos de renovação. A Terra não é prisão de sofrimento eterno. É escola abençoada das almas. A felicidade não é miragem do porvir. É realidade de hoje. A dor não é forjada por outrem. É criação do próprio espírito.

A virtude não é contentamento futuro. É júbilo que já existe. A morte não é santificação automática. É mudança de trabalho e de clima. O futuro não é surpresa atordoante. É consequência dos atos presentes. O bem não é o conforto do próximo, apenas. É ajuda a nós mesmos. Deus é Equidade Soberana, não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas.

Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal. Não nos esqueçamos, portanto, de que, se a Doutrina Espírita dilata o entendimento da vida, amplia a responsabilidade da criatura. As raízes das grandes provas irrompem do passado — subsolo da nossa existência — e, na estrada da evolução, quem sai de uma vida entra em outra, porque berço e túmulo são, simultaneamente, entradas e saídas em planos da Vida Eterna.
André Luiz

LEMBRETE:

A LEI DIVINA OU NATURAL
A) Caracteres, Divisão e Conhecimento da Lei Natural
Caracteres da Lei Natural

O início da história do pensamento é marcado pela passagem do pensamento mítico ao pensamento racional. Esse momento repete-se na história da humanidade com o surgimento da Doutrina Espírita, mar­cando agora a passagem das religiões formais para uma filosofia racionalista, fruto do momento de efervescência intelectual que caracterizou o chamado "Século das Luzes". Não se trata, no entanto, de uma negação do passado histórico religioso, mas sim de uma racionalização das concepções fídeísta-dogmáticas. Dessa forma, O Livro dos Espíritos consiste em uma busca de racionalização do Evangelho, em uma tentativa de trazer a religião do domínio mítico e cultural para o plano natural.

Conseqüentemente, se em uma perspectiva dogmática toda lei moral advém de uma realidade transcendente, advinda de um ser sobrenatural, para a Doutrina Espírita, porém, a lei é divina mas natural: A Lei Natural é a Lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem (LÊ, 614). Por Natural entende-se a Lei que se funda no direito natural, comum a todos os homens e não por cultura, convenção. Por Natural entende-se a Lei deduzida também da natureza humana, que se funda sobre a luz natural: a razão.

Por este princípio, A Lei Natural è a Lei de Deus (LÊ. 614). percebe-se uma identidade de origem das leis com Deus. Pelo princípio: a Lei de Deus é eterna e imutável como o próprio Deus, estabelece-se uma identidade de natureza entre Deus e suas leis. Efetivamente, Deus é origem, permanência e manifestação de si mesmo nas próprias leis que são imutáveis. Deus não se engana; os Homens é que são obrigados a modificar as suas leis, que são imperfeitas, mas as leis de Deus são perfeitas (LÊ, 616). A lei de Deus é perfeita e imutável, pois Ele é a própria perfeição; as leis humanas, ao contrário, são mutáveis, temporárias, variam de cultura para cultura, são reflexo da realidade relativa ao homem, que ainda está distante da perfeição.

Divisão da Lei Natural

A ordem e a harmonia do Universo revelam uma força inteligente; atribuí-las ao acaso seria um contra-senso, pois o acaso não produz
que regula o universo efeitos inteligentes. Dessa foma, a harmonia material e o universo moral se funda nas leis que Deus estabeleceu por toda a eternidade (LÊ, 616). As leis de Deus revelam-se, assim, no plano físico e no plano moral:

Leis Físicas: regulam o movimento e as relações da matéria bruta.(...) Seu estudo pertence ao domínio da Ciência

Leis Morais: concernem especialmente ao homem e às suas relações com Deus e com seus semelhantes. Compreendem as regras da vida do da alma (LÊ, 617a).

A Lei natural divide-se em dez partes: Lei da Adoração, do Trabalho, de Reprodução, de Conservação, de Destruição, de Sociedade, de
Progresso, de Igualdade, de Liberdade, e por fim, a Lei da Justiça, Amor e Caridade.

Essa divisão da lei de Deus em dez partes é a de Moisés e pode abranger todas as circunstâncias da vida, o que ? essencial (...) A última lei é a mais importante; é por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela resume todas as outras (LE648)

Conhecimento da Lei Natural
Deus proporcionou a todos os homens os meios de conhecerem a Sua lei. Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem; os que melhor a compreendem são os homens de bem e os que desejam pesquisá-la (LÊ, 619). Para conhecer a lei divina importa uma certa elevação de sentimentos, uma certa maturidade interior; não se trata apenas de raciociná-la intelectivamente, mas compreender a lei implica em identificar-se com ela.

Por isso afirma Jesus no Sermão da Montanha, Bem-aventurados os puros de coração, esses verão a Deus (Mt, V: 8); da mesma forma os homens de bem compreenderão a Lei Divina ou Natural por uma conquista e elevação de si mesmos. Isso implica que o conhecimento da Lei Divina é equivalente ao grau de evolução do Espírito; no entanto, todos um dia compreenderão, porque é necessário que o progresso se realize (LÊ, 619).

A Lei de Deus não está escrita em nenhuma pedra, em nenhum lugar, mas está na consciência dos próprios homens. Por consciência aqui não se entende meramente a condição pensante, mas antes uma consciência inata que reflete sobre si a lei de Deus. Todos a possuem imanente em si mesmos, qual lembrança intuitiva e que tende a revelar-se à medida que o Espírito se depura. Esta imanência da Lei Divina nos homens consiste na própria marca do obreiro na sua obra, ou seja, a própria essência divina na criação.

Esta lembrança intuitiva revela-se segundo o grau de perfeição dos Espíritos. É assim que, para fazer progredir a humanidade, os Espíritos superiores vêm com a missão de revelar a lei de Deus, sejam eles homens de gênio ou profetas. No entanto, o verdadeiro profeta é um ho­mem de bem, inspirado por Deus. Podemos reconhecê-lo por suas pa­lavras e por suas ações (LÊ, 624). E o profeta mais perfeito que nos serviu de guia e modelo foi Jesus.

A doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de Sua lei, porque ele estava animado do Espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra (LÊ, 625). No entanto, o ensino de Jesus era frequentemente alegórico e em forma de parábolas. Daí a missão dos Espíritos de explicar e desenvolver essas leis: Estamos encarregados de preparar o Reino de Deus anunciado por Jesus, e por isso é necessário que ninguém venha a interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei que é toda amor e caridade (LE, 627) - Curso de Espiritismo - Edições FEESP

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