LIMBO
BIBLIOGRAFIA
01- COMO VIVEM OS ESPÍRITOS, pag. 88 02 - EDUCAÇÃO PARA A MORTE, pag. 11
03 - ENTRE A TERRA E O CÉU, pag. 64 04 -

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LIMBO – COMPILAÇÃO

01 - LIMBO

Enfim, o Limbo acabou

Este e outros conceitos ainda arraigados na crença popular, aos poucos vão sendo reconhecidos como fábulas, de caráter puramente alegórico, dispensáveis e inócuas.

Tanto essa afirmativa é verdadeira que depois de mais de dez séculos a chamada Santa Sé chegou à conclusão lúcida e racional sobre essa fera indomável e temida que destroçou milhares e milhares de corações de mães e familiares, e conhecida, pelos séculos afora, como Limbo. Infeliz o que perdia o filho sem que fosse batizado.

Mas o que vem a ser, de fato, o Limbo?

Considerando que a criação desse mecanismo de penalidade é devida unicamente ao campo eclesiástico, ou seja, nunca pertenceu ao campo teológico, uma vez que sempre esteve restrito ao âmbito exclusivo da igreja católica, também por ela foi desclassificado da categoria que até então ocupava.

O Limbo, considerado um espaço circunscrito fora das cercanias do Céu, foi, por assim dizer, idealizado pelos visionários religiosos da época, com a finalidade de abrigar não só crianças que não haviam sido batizadas, mas também aqueles que “haviam morrido” antes do advento da chegada do Cristo. Foi incorporado aos ensinamentos católicos no século 13, como sendo um lugar sem sofrimento, já que as crianças nada fizeram para merecer o castigo, mas que também não seria um paraíso, uma vez que não estariam em comunhão com Deus. Isso porque, a partir da presença de Jesus na Terra, outra conotação foi dada pelos dirigentes da Igreja em relação àqueles que encontravam a morte sem que tivessem recebido o batismo, um dos sete sacramentos adotados pelo Cristianismo primitivo e considerado como artigo de fé, assim proclamado em 1439, em plena vigência da “Santa Inquisição”.

João Batista, que chegou à vida terrena pouco antes de Jesus, pregava no deserto da Judeia e proclamava o batismo de arrependimento, o fazendo com as águas do rio Jordão.

Acontece, porém, que a Igreja Cristã, pelo ano de 313, foi elevada à condição de religião oficial do Império Romano, cujo decreto foi assinado pelo Imperador Constantino. A partir daí e durante séculos a fio, a religião predominante foi gradativamente se desnaturando e ajustando-se de acordo com os interesses convenientes, uma vez que interferia em todos os atos da vida social e política, chegando mesmo a influenciar ou decidir seriamente em reinados e outras modalidades de governos, por um século.

Com isso, vemos que a presença desse organismo viciado exerceu, com grande e danoso poder de imposição, seus dogmas a todos nós, que certamente já estivemos, um dia, sob o jugo poderoso da estrutura religiosa que se autodenomina “A única religião deixada por Jesus”.

Como diz claramente o texto evangélico, não há nada que não venha à luz, pois nada permanece obscuro por todo tempo.

E assim foi com o Limbo, que deixou de ser o vilão da esperança de vida eterna com Deus.

No final do ano de 2005, veio a público dúvida sobre a existência do Limbo, através da Comissão Internacional de Teologia da Santa Sé, composta por 29 membros. Com essa posição, o Vaticano entendeu que há embasamento teológico e litúrgico para a esperança de que crianças não batizadas sejam salvas.

Diz o texto noticiado pela grande imprensa[1]: “A conclusão a que chegou a comissão, um corpo consultivo da Congregação para a Doutrina da Fé, é a de que o mais provável é que o limbo não exista”. Aliás, essa deve ser entendida com uma sábia posição tomada.

Em tempo aproximado de dois anos após essa reunião, o próprio Papa Bento XVI ratificou a conclusão a que chegou essa Comissão, entendendo que “... é justamente a de que, muito provavelmente, a criança morta entes do batizado será salva – vai para o paraíso. A justificativa, segundo o site “Catholic News Service”, é que a exclusão de bebês inocentes do paraíso não parece refletir o amor especial de Cristo pelos pequeninos”.

Quem estiver presente nos tempos futuros terá oportunidade de constatar muitos outros lampejos de lucidez e coragem para ler, ouvir e ver, publicamente, alto e em bom som, o que essas autoridades terão que dizer em termos de revisão de conceitos, reconhecendo que estavam equivocadas em outros tempos.

Como sempre, a lei dos homens terá que se adequar de conformidade com as conveniências e interesses. WLADIMIR POLIZIO

02 - LIMBO

1. A Existência do Céu e do Inferno na Visão Espírita

2. A VISÃO DAS RELIGIÕES TRADICIONAIS Criação do Espírito Nascimento Vida de Relação na Terra Morte do Corpo Físico Análise da Vida Terrestre (julgamento) Foi uma “pessoa boa”? Sim C É U !!! Não Pouco “ruim” ou muito “ruim”? Pouco Muito INFERNO Purga-tório

3. OS PROBLEMAS DESSA VISÃO TRADICIONAL Para analisar os problemas da visão tradicional de Céu e Inferno, devemos iniciar por examinar alguns atributos de Deus: Deus é amor infinito; Deus é bondade e justiça infinita; Deus é perfeito; Deus é Criador de todos os espíritos; Deus é sabedor de todas as coisas em todos os tempos; o destino e o funcionamento de todo o universo é regido pela vontade e amor de Deus.

4. . Considerando que esses atributos Divinos são verdadeiros, e são realmente aceitos por todas as religiões, cabem algumas interrogações: ao criar o espírito Deus já não saberia o seu destino final, ou seja, o céu ou o inferno? Claro que sim pois Deus possui a onisciência. se Deus já sabia o destino de um espírito ao criá-lo, por que cria espíritos destinados ao “inferno”, ao sofrimento eterno? Se Deus criasse espíritos destinados eternamente ao sofrimento e a dor (ao inferno), isso estaria em desacordo com sua infinita bondade, justiça e amor.

5. se for verdade que o mal é necessário, para que os “justos”, que os “bons” o superem, não seria o mal criado também por Deus? Se o mal fosse criado por Deus, este não seria soberanamente justo, bom e amoroso e, portanto, não seria Deus. Se existir uma só vida na terra, e no final dela existir a recompensa para os “bons e justos”, na forma do Céu (Paraíso), ao criar espíritos que vão para o céu e espíritos que vão para o inferno, isso seria justo por parte de Deus? Claro que não, e nesse caso Deus não existiria, pois Deus, necessariamente, é justiça infinita.

6. No “inferno” tradicional, temos a figura do demônio, diabo, satã, belzebu, o anjo decaído, guardião eterno do mal, encarregado de “punir” os “pecadores” no “fogo do inferno”. Isso é coerente com os atributos divinos? Evidentemente que não. Se o demônio existisse, seria criação de Deus e, portanto, o mal teria sido criado por Deus. Além disso se Deus tivesse criado o demônio, teria criado um filho seu destinado ao sofrimento e ao mal eterno. Ele não o faria. Se for verdadeiro que o demônio era um “anjo rebelado”, Deus teria falhado ao criar “anjos”, e com isso não seria perfeito, e sem perfeição, Deus não existiria.

7. No “Céu” ou paraíso tradicional, existe a figura dos anjos, arcanjos, querubins, serafins e outros da plêiade dos “anjos”. Esses seres foram criados por Deus, para trabalhar ao seu lado e para ajudar os Homens. Isso está de acordo com os atributos de Deus? Claro que não. Se Deus tivesse criado os “anjos” de forma diferenciada do que cria os espíritos dos seres humanos, estaria cometendo uma enorme injustiça; teria criado seres privilegiados, os anjos, que nada fizeram para merecerem receber tal título e incumbência, e teria criado os espíritos, seres de segunda classe, destinados ao sofrimento e a dor.

8. Algumas Considerações sobre Inferno, Limbo, Purgatório e Doutrina das Penas Eternas, extraídas do Livro dos Espíritos e do Livro “O Céu e o Inferno”

9. O Inferno cristão conseguiu, em alguns pontos, superar, em exagero, o próprio inferno pagão: “ Se estes tinham o tonel das Danaides, a roda de Íxion, o rochedo de Sísifo, eram estes suplícios individuais; os cristãos, ao contrário, têm para todos, sem distinção, as caldeiras ferventes cujos tampos os anjos levantam para ver as contorções dos supliciados; e Deus, sem piedade, ouve-lhes os gemidos por toda a eternidade. Jamais os pagãos descreveram os habitantes dos Campos Elíseos deleitando a vista nos suplícios do Tártaro ( 1 ) ”.

10. Os bem-aventurados, sem deixarem o lugar que ocupam, poderão afastar-se de certo modo em razão do seu dom de inteligência e da vista distinta, a fim de considerarem as torturas dos condenados, e, vendo-os, não somente serão insensíveis à dor, mas até ficarão repletos de alegria e renderão graças a Deus por sua própria felicidade, assistindo à inefável calamidade dos ímpios." ( S. Tomás de Aquino ) Quanto aos limbos, Kardek coloca: “ A simples lógica repele uma tal doutrina em nome da justiça de Deus, que se contém integralmente nestas palavras do Cristo: "A cada um, segundo as suas obras." Obras, sim, boas ou más, porém praticadas voluntária e livremente, únicas que comportam responsabilidade. Neste caso não podem estar a criança, o selvagem e tampouco aquele que não foi esclarecido ”.

11. O Purgatório: “ O Evangelho não faz menção alguma do purgatório, que só foi admitido pela Igreja no ano de 593. É incontestavelmente um dogma mais racional e mais conforme com a justiça de Deus que o inferno, porque estabelece penas menos rigorosas e resgatáveis para as faltas de gravidade mediana. Jamais foram determinados e definidos claramente o lugar do purgatório e a natureza das penas aí sofridas. A Nova Revelação estava reservado o preenchimento dessa lacuna, explicando-nos a causa das terrenas misérias da vida, das quais só a pluralidade das existências poderia mostrar-nos a justiça ”.

12. Doutrina das Penas Eternas: Segundo o profeta Ezequiel: ( 20 ) A alma que tem pecado morrerá ela mesma: o filho não sofrerá pela iniqüidade do pai e o pai não sofrerá pelo iniqüidade do filho; a justiça do justo verterá sobre ele mesmo, a impiedade do ímpio verterá sobre ele. ( 21 ) Se o ímpio fez penitencia de todos os pecados que tem cometido, se observou todos os meus preceitos, se obra segundo a eqüidade e a justiça,ele viverá certamente e não morrerá.

13. Eu não me lembrei mais de todas as iniqüidades que ele tenha cometido; viverá nas obras de justiça que houver praticado. ( 23 ) É que eu quero a morte do ímpio? disse o Senhor Deus, e não quero antes que se converta e desgarre do mau caminho que trilha? ( Ezequiel, cap. XVIII .) Dizei-lhes estas palavras: Eu juro por mim mesmo que não quero a morte do ímpio, mas que o ímpio se converta, que abandone o mau caminho e que viva. ( Ezequiel, cap. XXXIII, v. 11 .)

14. Confrontando-se os atributos Divinos com a teoria da unicidade da existência (uma só vida) e que após esta, espera o espírito ou alma o castigo eterno no Inferno, ou o repouso eterno no Céu ou Paraíso, podendo existir uma breve passagem pelo “purgatório”, destinado a “purificar” aqueles que “pecaram pouco”, vemos que isso é incoerente e excludente da existência de Deus. O próprio conceito de “Céu” ou paraíso dessa visão, é abstrato, incoerente com os anseios e necessidades do ser humano, pois um paraíso de “felicidade eterna”, onde nada se tenha que fazer, crescer, evoluir ou aprender, além de ficar “num estado de felicidade”, não é possível, e seria um verdadeiro “inferno” para o ser humano.

15. A Visão Espírita da Vida Futura

16. Não Sim Ciclo de Aprendizado Evolução do Princípio Inteligente Criação do Espírito por Deus Vida de Relação na Terra Morte do Corpo Físico Volta ao Plano espiritual Necessita novo Ciclo de Aprendizado na Matéria? Continua Evolução no Plano Espiritual Construção Eterna do Conhecimento e da Felicidade auxiliando a Deus Reencarnação

17. O Espírito exercita o aprendizado da felicidade no processo de encarnação / reencarnação na matéria; Tem para lhe guiar as leis Divinas ou naturais, que regem o funcionamento do Universo; Conforme “transita”, de acordo com o seu livre arbítrio, nas leis naturais, o espírito registra, energicamente, em seu perispírito, os erros e acertos, sendo que as infrações as leis naturais determinam suas encarnações futuras e mesmo seu estado no plano espiritual;

18. o espírito tem um inviolável livre arbítrio, sendo que tudo lhe é permitido fazer, mas cada infração as leis naturais implicarão em necessidade automática de “resgate”, como parte do processo de aprendizado, de construção do conhecimento e da felicidade verdadeira; o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória, visto que “plantamos” em nosso próprio espírito. O Próprio Mestre Jesus nos disse que “ não ficará um só centil sem ser pago ”, ou seja temos que responder por todos os nossos erros, por menor que sejam; o único determinismo a que está sujeito o espírito é o da evolução, pois o Universo evolui constantemente, mas o ritmo dessa evolução é ditado por nós mesmos.

19. Nessa ótica, o espírito foi criado por Deus, simples e ignorante, com uma centelha divina a impulsionar sua consciência, com livre arbítrio inviolável, destinado a apreender a ser feliz e a ajudar a Deus na transformação, evolução e mesmo na criação da natureza; como existe o livre arbítrio, muitos podem se transviar pelo caminho, trilhar as vias do mal, do erro e do sofrimento, mas dependendo apenas de si mesmo para “resgatar” as “dívidas” contraídas com a lei Divina, sem necessidade de castigos que não o do sofrimento e da dor auto-imposto, e com isso, galgar novamente a evolução no sentido da perfeição relativa, da felicidade do trabalho ao lado de Deus, do prazer indiscritível do conhecimento da verdade.

20. A reencarnação e a vida futura decorrente dessa possibilidade restabelecem nossa compreensão da justiça Divina, pois entendemos que os anjos, arcanjos e outros seres evoluídos da Criação, assim mesmo como o Mestre Jesus, são espíritos que foram criados exatamente como nós, com os mesmos potenciais, com os mesmos deveres, obrigações e oportunidades, e que evoluíram através dos séculos, recebendo a felicidade de trabalhar na construção do bem, do amor, ao lado de Deus. Aquele irmão transviado, com o mal dentro de si, mais dia, menos dia, entenderá que precisa evoluir, crescer e ser feliz, e para estimulá-lo a isso, terá o mecanismo inexorável da dor, a lhe dizer que está no caminho errado.

21. A EVOLUÇÃO DOS ESPÍRITOS Uma cadeia ascendente e contínua liga todas as criações Assim sendo, o Espírito evolui constantemente, desde que foi criado por Deus, a partir da evolução do princípio inteligente, destinando-se a se tornar espirito puro e a ser feliz, auxiliando a Deus. Todos os estados anteriores são transitórios e destinados ao aprendizado. Aí está a justiça da reencarnação. evolução evolução evolução evolução

22. Roteiro de Palestra de Carlos Augusto Parchen Apresentado no Centro Espírita Luz Eterna

03 - LIMBO

As crianças não-batizadas

As crianças não-batizadas e sua destinação


Em abril de 2012 fará cinco anos desde que foi publicado o documento "A esperança de salvação para bebês que morrem sem serem batizados", no qual a Comissão Teológica Internacional da Igreja Católica considerou inadequado o conceito de limbo.

Originária do latim, a palavra limbo – limbu, 'orla' – tem vários significados, mas, no âmbito da religião, é o nome que se dava ao lugar onde, segundo a teologia católica posterior ao século XIII, se encontrariam as almas das crianças muito novas que, embora não tivessem alguma culpa pessoal, morreram sem o batismo que as livrasse do pecado original.

O texto publicado em abril de 2007 pela Igreja “diz que a graça tem preferência sobre o pecado, e a exclusão de bebês inocentes do céu não parecia refletir o amor especial que Cristo tinha pelas crianças". O documento, de 41 páginas, considera que o conceito de limbo refletia uma "visão excessivamente restritiva da salvação". Segundo seus autores, "Deus é piedoso e quer que todos os seres humanos sejam salvos". E aduziram: "Nossa conclusão é que os vários fatores que analisamos fornecem uma base teológica e litúrgica séria para esperar que os bebês não-batizados que morrerem sejam salvos".

Em face deste novo entendimento da Igreja, os bebês que morrem sem batismo são considerados inocentes e sua destinação, portanto, passa a ser o céu, verificando-se o mesmo com os chamados infiéis, ou não-batizados, desde que tenham levado uma vida justa.

O pensamento acima traz algumas implicações que pouca atenção mereceram dos estudiosos em matéria de religião.

Uma delas diz respeito diretamente ao batismo, conhecido sacramento da Igreja Católica, considerado indispensável para apagar os efeitos do pecado original e as faltas cometidas pela pessoa antes de sua admissão, o qual passa a não ser mais condição necessária para a salvação, fato que representa uma evolução do pensamento católico e faz justiça à bondade e à misericórdia de Deus.

Antes disso, sob o pontificado de João Paulo II, o inferno deixara de ser considerado um lugar determinado, para tornar-se, segundo palavras do próprio papa, um estado de espírito. Os anos se sucederam e, com o documento ora em exame, a ideia de limbo deixou também de existir.

A Igreja, porém, insiste ainda em um equívoco lamentável ao ensinar a seus fiéis que a alma é criada por ocasião da concepção, o que explicaria sua condição de inocência no período da infância, quando sabemos, com base em fatos inúmeros, que a alma de uma criança pode chegar a uma nova existência corpórea trazendo um longo passivo de erros e enganos.

Segundo os ensinamentos espíritas, criado simples e ignorante, o Espírito tem de passar pela experiência da encarnação para progredir. A perfeição é sua meta, mas o caminho até ela é árduo e longo, o que significa que terá de passar por uma série de existências até que esteja depurado o suficiente para desligar-se dos liames materiais.

A Igreja, ao não reconhecer o limbo, avança para uma visão mais justa da vida humana e rompe com o sectarismo que caracteriza a necessidade do batismo para a destinação feliz do homem. Esta nova visão está, além disso, de conformidade com a lógica, porquanto, como sabemos, apenas um terço dos que habitam nosso planeta professa as ideias cristãs, enquanto dois terços as ignoram e, evidentemente, não se submetem ao batismo cristão.

Não sendo batizadas, para onde irão essas pessoas?

Até abril de 2007, segundo a Igreja, não poderiam ir para o céu. Mas, agora, com as novas ideias contidas no documento em exame, sim. Basta que tenham levado uma vida justa.

Lembremo-nos, porém, sempre que falarmos em céu e em inferno, das palavras proferidas pelo saudoso papa João Paulo II.

"Nem o inferno é uma fornalha nem o céu um lugar”, afirmou o papa.

“O céu não é o paraíso nas nuvens nem o inferno é aterradora fornalha. O primeiro é uma situação em que existe comunhão com Deus e o segundo é uma situação de rejeição.” (Correio da Manhã, de 29/7/1999.)

Editorial da Revista Eletrônica "O Consolador"

04 - LIMBO

Da animalidade à angelitude
Richard Simonetti

Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.

Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.

As pessoas que têm animais domésticos surpreendem-se com seu comportamento.

Em algumas iniciativas parecem dotados de discernimento, particularmente o cão, o que melhor se relaciona com o Homem. São incontáveis as histórias sobre sua vivacidade.

No entanto, as religiões tradicionais situam os irracionais por simples máquinas comandadas por programações biológicas – os instintos.

Não seriam, portanto, imortais.

***

Em círculos religiosos obscurantistas, na Idade Média, acreditava-se que as crianças com sérias limitações mentais não possuíam alma. Daí se aproximarem do comportamento instintivo dos irracionais.

Ainda hoje, superada essa aberração, a questão constitui sério problema para a teologia ortodoxa, envolvendo a situação dos excepcionais após a morte.

Não podem ir para suposto inferno. Sem condições para exercitar o livre-arbítrio, não assumem responsabilidade por suas ações.

Mas, pela mesma razão, também não fazem por merecer o Céu.

Por outro lado, há as crianças que morrem ao nascer.

Para onde vão suas almas, se não tiveram tempo para opções condenáveis ou louváveis?

A solução encontrada por teólogos medievais não satisfaz à lógica.

As almas das crianças, bem como dos excepcionais, iriam parar no limbo, região intermediária isenta dos tormentos infernais, mas sem a plenitude das venturas celestiais.

Certamente não estariam satisfeitas. Haveriam de reclamar pelo fato de Deus não lhes ter oferecido a possibilidade de conquistar as etéreas paragens.

***

Assim como os animais seriam seres à parte, na Criação, outros haveria, seres especiais, denominados anjos, superiores em inteligência, cuja principal função seria a de atuar como intermediários entre Deus e os homens.

Cada ser humano teria o seu, designado pelo Criador para protegê-lo.

Poderíamos perguntar, como o fariam os animais se falassem:

– Por que Deus não me fez anjo? Por que a existência desses seres privilegiados, situados em patamar superior à Humanidade, não por méritos pessoais, mas por escolha divina?

É como um pai que, por vontade própria, gerasse filhos irracionais, ou débeis mentais, ou precariamente racionais, ou inteligências geniais, conforme lhe desse na veneta.

Os anjos, embora superiores aos seres humanos, nem sempre foram virtuosos e obedientes. Muitos se rebelaram. Ao invés de ajudar os homens em nome de Deus, passaram a persegui-los em nome de suas ambições, procurando arrastá-los ao mal na Terra, para aprisionar e torturar suas almas no Além.

O diabo seria esse anjo rebelde.

***

Essas idéias são questionadas na atualidade, quando o homem vai atingindo sua maturidade intelectual, tornando-se mais exigente quanto aos princípios religiosos, esperando que sejam, sobretudo, racionais, que atendam à lógica.

Ideal seria uma teoria mais abrangente, uma idéia que permitisse explicar melhor a vida, os seres vivos e os propósitos de Deus, atendendo aos imperativos da Justiça.

É exatamente essa a proposta da Doutrina Espírita a partir de informações colhidas da Espiritualidade, sem especulações teológicas.

Segundo o Espiritismo, todos os seres vivos têm um princípio espiritual em evolução.

Poderíamos situá-lo como a “alma” dos irracionais.

Submetido à experiência reencarnatória, com breves estágios na Espiritualidade, obedece à sintonia vibratória que o liga a determinada espécie.

Desenvolvendo-se, habilita-se a encarnação em espécies superiores, como quem sobe os degraus de uma escada.

O princípio espiritual chegará um dia à complexidade necessária para conquistar a capacidade de pensar.

Será, então, um Espírito, um ser pensante.

Uma senhora, ouvindo a respeito do assunto, suspirou:

– Ah! Agora está explicado por que meu marido parece um gorila mal educado. É o próprio!

E ele:

– Agora sei por que minha mulher comporta-se como uma jararaca! Venenosa como ela só!

Ambos estão equivocados, caro leitor.

A transição entre o princípio espiritual e o Espírito ocorre em outros planos do Infinito, demandando largo tempo.

Entre o irracional e o homem, há longos caminhos a percorrer, fora da Terra.

***

A idéia de que os animais têm um princípio espiritual que evolui, explica por que alguns demonstram lampejos de inteligência.

Estão mais perto dela. Já a possuem, de forma rudimentar.

Pode parecer estranho, mas é perfeitamente lógico.

Segundo Darwin, o corpo que usamos levou bilhões de anos para ser preparado por Deus, na oficina da Natureza.

Ora, por que o Espírito, a personalidade imortal, que é incomensuravelmente mais complexo, deveria ser criado num passe de mágica por Deus, dotado da capacidade de pensar e de decidir seu destino?

***

Como não fomos criados todos ao mesmo tempo, já que Deus o faz incessantemente, é natural que encontremos Espíritos encarnados e desencarnados, menos evoluídos, mais evoluídos ou no estágio de evolução em que nos encontramos.

A todo momento, no contato com as pessoas, constatamos essa realidade. Não somos iguais, como diferentes são uma criança de cinco anos e um ancião de oitenta.

Os Espíritos mais evoluídos moral e intelectualmente tornam-se intermediários de Deus para ajudar seus irmãos menos experientes.

Daí a existência dos anjos protetores.

Não são seres privilegiados. Apenas irmãos nossos mais vividos, mais esclarecidos e conscientes, a cumprir os programas de Deus.

Como a evolução dos Espíritos está subordinada às suas iniciativas, pode ocorrer que avancem intelectualmente e se atrasem moralmente. Não raro, seguindo por caminhos de rebeldia, pretendem impor a desordem na Terra e o domínio sobre aqueles que se rendem à sua influência.

O diabo nada mais é que a representação desses Espíritos.

Situação transitória, porque Deus nos criou para a perfeição e lá chegaremos quer queiramos ou não, porque essa é a sua vontade.

O demônio de hoje será o anjo de amanhã, quando a vida lhe impuser penosas experiências de reajuste, reconduzindo-o aos roteiros do Bem.

***

Da irracionalidade à angelitude há longa jornada.

A Doutrina Espírita nos diz que poderemos caminhar mais depressa, com mais segurança, com menos sofrimento, com menos problemas.

Sobretudo, podemos caminhar felizes e confiantes.

Como?

É simples.

Basta que nos disponhamos a desenvolver o conhecimento das Leis Divinas, com o estudo, e a sensibilizar o coração, com a prática do Bem.

(Extraído do Livro ESPIRITISMO, UMA NOVA ERA)