LUTAS
BIBLIOGRAFIA
01- A evolução anímica - pág. 79 02 - A sombra do olmeiro - pág. 114
03 - Antologia da Espiritualidade - pág. 27 04 - Cartilha da Natureza - pág. 157
05 - Do país da luz - vol. iv pág. 290 06 - Escrínio de luz - pág. 173
07 - Espírito e vida - pág. 167 08 - Falando à Terra - pág. 29
09 - Florações evangélicas - pág. 178 10 - Fonte viva - pág. 363
11 - O Livro dos Espíritos - q.119, 133, 214, 511, 871 12 - Instrumentos do Tempo - pág. 13
13 - Justiça divina - pág. 115 14 - Obras póstumas - pág. 384
15 - Pão nosso - pág. 15

16 - Pérolas do além - pág. 141

17 - Seara dos médiuns - pág. 187, 225 18 - Seareiros de volta - pág. 88

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LUTAS – COMPILAÇÃO

01 - A EVOLUÇÃO ANÍMICA - GABRIEL DELANNE - A LUTA PELA VIDA - PÁG. 79

O solo, a atmosfera, a água, são povoados de seres vivos, em número infinito. A massa profunda dos oceanos abriga miríades de organismos vegetais e animais. O ar, que nos parece tão límpido, contém multidões de corpúsculos, germens microscópicos, que servirão para engendrar incontáveis gerações. A gota dágua mostra-nos um mundo que se agita e subsiste nesse minúsculo universo. O solo regurgita de colónias vivas e até nas regiões desertas, nas álgidas solidões polares, nos areais abrasados, tanto quanto nos mais altos píncaros rochosos, por toda parte, enfim, a vida manifesta-se desbordante. Por toda parte seres que nascem, crescem e morrem. Se alguma coisa pode causar-nos admiração é o equilíbrio perfeito que impera nesse formigamento de seres diversamente dotados pela Natureza. Por toda parte os seres vivos se tocam, se comprimem, se abraçam, se alimentam uns dos outros, e quer nos parecer não haja, em nosso globo, um só lugar que eles não tenham invadido. Parece-nos que a vida atingiu o máximo de sua expressão, e, no entanto, tudo nos leva a coligir que assim é há milhares de séculos. Conta-se por períodos milenários a luta dos seres vivos, disputando-se o solo, a água, o ar do nosso mundículo.

Quando consideramos a prodigiosa fecundidade de algumas espécies animais, ou vegetais, aterra-nos a perspectiva da invasão que resultaria do integral desenvolvimento de seus óvulos. O bacalhau, por exemplo, que é muito prolífico, chega a produzir até 4.872.000 ovos. Uma pequena truta, pesando uma libra alemã, põe 6.000 ovos, mais ou menos. O Sr. G. de Sedlitz baseia-se nesses dados para fazer um cálculo curioso. Supondo que uma truta forneça 3.000 descendentes fêmeas (estimativa assaz baixa), e que essa reprodução prossiga, sem obstáculos, por cinco gerações, as trutas, após 25 ou 30 anos, seriam bastantes para cobrir a superfície terráquea, à razão de 10 trutas por pé quadrado. Na oitava geração, teremos um volume igual à massa planetária. Que se faça o cálculo com o salmão (80.000 óvulos), a cavala (500.000), o esturjão comum (l a 2.000.000) — e compreender-se-á a necessidade de causas destrutivas, assaz enérgicas, para impedir a invasão de mares e rios. Mas, é sobretudo no mundo dos infusórios que essa multiplicação se tornaria espantosa, se nada lhe coarctasse o surto. Assim, que há vorticelas cissíparas que se multiplicam a cada hora, com rapidez vertiginosa. Um só desses minúsculos seres daria, em treze dias, um número equivalente a 91 cifras!

Ehremberg calculou que um microscópico galional, (galionàl ferruginea) engendra, por cissiparidade, 8 milhões de individuos em 48 horas, e 140 bilhões em 4 dias! As bactérias da lepra, do tifo, da pneumonia, etc., prolificam com celeridade terrificante. No espaço de uma hora, esses bacilos engendram dois novos rebentos, e assim por diante, em progressão geométrica, de sorte que, ao fim de três dias, haverá nada menos de 47 trilhões de monerianos! Segundo Davaine, um simples pique inoculante de uma única bactéria pode, dentro de 72 horas, determinar o nascimento de 71 milhões de indivíduos. Finalmente, Cohn estimou que, ao quinto dia, o oceano se repletaria com a prole de uma só bactéria, se as condições mesológicas a isso se prestassem. Felizmente, para nós, elas de raro se encontram no corpo humano. As plantas oferecem-nos os mesmos exemplos de proliferação progressivamente formidável. Um campo que produza trigo em abundância, com as espigas pressionadas entre si, não poderia nutrir maior número delas; por isso, e contendo cada uma das espigas várias sementes, importa que grande parte das novas pereça. É a lei inelutável. Em nosso orbe, a evolução se processa por meio de lutas renascentes. Seja ela surda e quase imperceptível, como no reino vegetal; ou seja ostensiva e terrível, como entre os grandes carnívoros, não deixa de operar, incessante, em todos os graus da escala.

Uma necessidade inelutável combate a fecundidade pela destruição, e todas essas ações simultâneas redundam na sobrevivência do mais apto a suportar a luta pela vida. Nem sempre os mais bem aparelhados são os que resistem. Mudanças térmicas, tais como invernos rigorosos e tórridos estios, não permitirão subsistam senão os capazes de resistir a essas alternativas extremas. A fome, as enfermidades, são fatores que se conjugam para uma seleção rigorosa entre as espécies vivas, e só às mais robustas é dado subsistir e transmitir aos descendentes as qualidades assecuratórias de sua posteridade. Desde o aparecimento do protoplasma no seio dos mares primitivos, desde que as primeiras mônadas manifestaram fenómenos vitais, essa luta jamais teve um hiato, e sempre, e por toda parte, prossegue, imperturbável, no facetamento dos organismos, com uma perseverança implacável. Dessa concorrência encarniçada é que resultou a vitória dos melhores, dos mais aptos, dos mais robustos. E foram esses esforços perpétuos do ser, reagindo às influências destrutivas no afã de adaptar-se ao meio para lutar com os seus inimigos, que engendraram o progresso evolutivo das formas e das inteligências.

A seleção natural atua, exclusivamente, conservando e acentuando as variações acidentais, vantajosas ao indivíduo nas condições do ambiente em que é chamado a viver. Resulta, pois, da seleção, que toda forma vivente deve aperfeiçoar-se sempre, relativamente, pelo menos, ao seu modo de existir. Ora, esse contínuo aperfeiçoamento dos seres organiza­dos deve, inevitavelmente, conduzir ao progresso geral do organismo em todos os seres disseminados na superfície da terra. Podemos, então, concluir com Darwin, dizendo: "Assim é que a guerra natural, a fome e a morte, originam diretamente o efeito mais admirável que possamos conceber: — a formação lenta dos seres superiores. Há grandeza em prismar assim a vida e seus diversos poderes, que animam originariamente muitas ou uma única forma, sob o influxo do Criador. E enquanto o planeta continuou a preencher ciclos perpétuos, adstrito às leis fixas da gravitação, essas formas se desenvolveram, inumeráveis, e, cada vez mais belas, mais mara­vilhosas, seguirão desenvolvendo-se num evoluir sem fim." Se a doutrina evolucionista encontrou tantos adversários, é que o preconceito religioso deixou vinco profundo nos espíritos, nativamente rebeldes, ao demais, a toda novidade. É que nos temos habituado a ver por toda parte o dedo de Deus, a interessá-lo em nossos negocinhos, a fazer da vontade divina um macio travesseiro para a nossa ignorância. Em lugar de procurar na própria natureza a causa de suas transformações, era sempre mais cómodo atribuí-las a uma intervenção sobrenatural, que dispensava longos e fatigantes estudos.

Certos naturalistas, observando seres aproximados da série animal, incapazes de fecundação por cruzamentos, concluíram pela imutabilidade das espécies. A teoria transformista, porém, leva-nos a compreender que os animais contemporâneos não são mais que os últimos produtos de uma elaboração de formas transitórias, desaparecidas na voragem dos tempos, para deixar remanescer apenas os atuais. As devassas da paleontologia aí estão a descobrir, todos os dias, as ossadas de animais pré-históricos, que formam os elos dessa cadeia infinda cuja origem se confunde com a da própria vida. E, como se não bastara demonstrar essa filiação pelos fósseis, a Natureza encarregou-se de fornecer um exemplo em cada nascimento. Todo animal que nasce, reproduz, no início da sua vida fetal, todos os tipos anteriores pelos quais passou a raça, antes dele. É como que uma história sumária e resumida da evolução dos seus ancestrais, e ela estabelece, irrevocavelmente, o parentesco animal do homem, em que pesem todos os protestos mais ou menos interessados.

Resumo: Temos que é inútil e anticientífico imaginar teorias mais ou menos fantasistas para explicar os fenômenos naturais, quando podemos recorrer à Ciência para compreendê-los. A descendência animal do homem impõe-se com evidência luminosa a todo pensador imparcial. Somos, evidentemente, o último ramo aflorado da grande árvore da vida, e resumimos, acumulando-os, todos os caracteres físicos, intelectuais e morais, assinalados isoladamente em cada um dos indivíduos que perfazem a série dos seres. Que se considerem os animais como existindo de maneira invariável desde a origem das idades, ou que os acreditemos derivados uns dos outros, menos certo não é que os espécimes da nossa época se ligam entre si de modo tão íntimo, que podemos passar do homem à célula mais simples, sem encontrarmos soluções de continuidade. Do ponto de vista anímico, as manifestações do espírito em todos os seres são graduadas de modo a identificar uma progressão ascendente, que se vai acentuando maiormente, à proporção que nos aproximamos da humanidade. De modo que, posto exista entre os antropóides e os selvagens grandes diferenças intelectuais, não variam elas, contudo, senão no grau das manifestações, e não bastam para fazer crível no animal um princípio diferente do conhecido no homem. Estudar esse princípio, determinar o mais exatamente possível como pode ele desenvolver-se; mostrar, em seguida, as modificações que o tornam mais apto, em cada passagem terrena, a dirigir organismos de mais a mais aperfeiçoados.

10 - FONTE VIVA - EMMANUEL - PÁG. 363 - ÍTEM 162 - DENTRO DA LUTA

"Não peço para que os tires do mundo, mas que os livres do mal." — Jesus. (JOÃO, 17:15.)
Não peças o afastamento de tua dor.
Roga forças para suportá-la, com serenidade e heroísmo, a fim de que lhe não percas as vantagens do contacto.
Não solicites o desaparecimento das pedras de teu caminho.
Insiste na recepção de pensamentos que te ajudem a aproveitá-las.
Não exijas a expulsão do adversário.
Pede recursos para a elevação de ti mesmo, a fim de que lhe transformes os sentimentos.
Não supliques a extinção das dificuldades.
Procura meios de superá-las, assimilando-lhes as lições.
Nada existe sem razão de ser.
A Sabedoria do Senhor não deixa margem à inutilidade.
O sofrimento tem a sua função preciosa nos planos da alma, tanto quanto a tempestade tem o seu lugar importante na economia da natureza física.
A árvore, desde o nascimento, cresce e produz, vencendo resistências.
O corpo da criatura se desenvolve entre perigos de variada espécie.
Aceitemos o nosso dia de serviço, onde e como determine a Vontade Sábia do Senhor.
Apresentando os discípulos ao Pai Celestial, disse o Mestre: — "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal."
A Terra tem a sua missão e a sua grandeza; libertemo-nos do mal que opera em nós próprios e receber-lhe-emos o amparo sublime, convertendo-nos junto dela em agentes vivos do Abençoado Reino de Deus.

11 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES: 119, 133,214, 511,871

Perg. 119. Deus pode livrar os Espíritos das provas que devem sofrer para chegar à primeira ordem?— Se eles tivessem sido criados perfeitos, não teriam merecimento para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito, sem a luta? De outro lado, a desigualdade existente entre eles é necessária à sua personalidade; e a missão que lhes cabe, nos diferentes graus, está nos desígnios da Providência, com vistas à harmonia do Universo. Como na vida social todos os homens podem chegar aos primeiros postos, também poderíamos perguntar por que motivo o soberano de um país não faz de cada um dos seus soldados um general; por que todos os empregados subalternos não são superiores; por que todos os alunos não são professores. Ora, entre a vida social e a espiritual existe a diferença de que a primeira é limitada e nem sempre permite a escalada de todos os seus degraus, enquanto a segunda é indefinida e deixa a cada um a possibilidade de se elevar ao posto supremo.
Perg. 120. Todos os Espíritos passam pela fieira do mal, para chegar ao bem!— Não pela fieira do mal, mas pela da ignorância.
Perg. 133. Os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem, têm necessidade da encarnação? - Todos são criados simples e ignorantes e se instruem por meio das lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a alguns, sem penas e sem trabalhos, e por conseguinte sem mérito.
Perg. 214. Que pensar das histórias de crianças que lutam no ventre da mãe? - Imagem! Para figurar que o seu ódio era muito antigo, fazendo remontar à fase anterior ao nascimento. Geralmente não percebeis bem as imagens poéticas.
Perg. 511. Além do Espírito protetor, um mau Espírito é ligado a cada indivíduo, com o fim de impulsioná-lo ao mal e de lhe propiciar uma ocasião de lutar entre o bem e o mal? - Ligado, não é bem o termo. É bem verdade que os maus Espíritos procuram desviar o homem do bom caminho, quando encontram ocasião, mas quando um deles se liga a um indivíduo o faz por si mesmo, porque espera ser escutado; então, haverá luta entre o bom e o mau, vencerá aquele a cujo domínio o homem se entregar.
Perg. 871. Desde que Deus tudo sabe, também sabe se um homem deve ou não sucumbir numa prova. Nesse caso, qual a necessidade da prova, que nada pode revelar a Deus sobre aquele homem?
— Tanto valeria perguntar por que Deus não fez o homem perfeito e realizado, por que o homem passa pela infância, antes de chegar à idade madura. A prova não tem por fim esclarecer a Deus sobre o mérito do homem, porque Deus sabe perfeitamente o que ele vale, mas deixar ao homem toda a responsabilidade da sua ação, uma vez que ele tem a liberdade de fazer ou não fazer. Podendo o homem escolher entre o bem e o mal, a prova tem por fim colocá-lo ante a tentação do mal, deixando-lhe todo o mérito da resistência. Ora, não obstante Deus saiba muito bem, com antecedência, se ele vencerá ou fracassará não pode puni-lo nem recompensá-lo, na sua justiça, por um ato que ele não tenha praticado. É assim entre os homens. Por mais capaz que seja um aspirante, por mais certeza que se tenha do seu triunfo, não se lhe concede nenhum grau sem o exame, o que quer dizer sem prova. Da mesma maneira, um juiz não condena um acusado senão pela prova de um ato consumado e não pela previsão de que ele pode ou deve praticar esse ato.
Quanto mais se reflete sobre as consequências que teria para o homem o conhecimento do futuro, mais se vê como a Providência foi sábia ao ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz o atiraria na inação; a de um acontecimento desgraçado, no desânimo; e num caso como no outro suas forças seriam paralisadas. Eis por que o futuro não tem mostrado ao homem senão como um alvo que ele deve atingir pelos seus esforços, mas sem conhecer as vicissitudes por que deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes da rota lhe tiraria a iniciativa e o uso do livre-arbitrio; ele se deixaria arrastar pelo declive total dos acontecimentos sem exercitar as suas faculdades. Quando o sucesso de uma coisa está assegurado, ninguém mais se preocupa com ela.

13 - JUSTIÇA DIVINA - EMMANUEL- POR NÓS MESMOS - PÁG. 115

Por nós mesmos: Reunião pública de 11-8-61 1ª Parte, cap. VII, § 18: Quando a morte do corpo terrestre nos conduz à sociedade dos Espíritos, muitas vezes somos cercados pelo amor puro, a mergulhar-nos em divino clarão. Antigos afetos, que o tempo não nos riscou da memória, ressurgem, de improviso, envolvendo-nos na melodia da ventura ideal; amigos, a quem supúnhamos haver servido com algum pequenino gesto beneficente, repontam do dia novo, descerrando-nos os braços; sorrisos espontâneos, por flores de carinho, desabrocham em semblantes nimbados de esplendor. Quase sempre, contudo, ai de nós!... Reconhecemo-nos no festival da alegria perfeita, à feição de lodo movente, injuriando o carro solar. Quanto mais a bondade fulgura em torno, mais nos oprime o peso da frustração. Temos o peito, qual violino de barro, que não consegue responder ao arco de estrelas que nos tange as cordas desafinadas, e, do coração, semelhante a címbalo morto, apenas arrancamos lágrimas de profundo arrependimento para chorar. Lamentamos então as lutas recusadas e as oportunidades perdidas! Deploramos a passada rebeldia, ante os apelos do bem que nos teriam conquistado merecimento, e a fuga deliberada aos testemunhos de humildade que nos haveriam propiciado renovação.

Sentimo-nos amparados por indizíveis exaltações de claridade e ternura; no entanto, por dentro, carregamos ainda remorso e necessidade. É assim que nos excluímos, por nós mesmos, da assembléia gloriosa, suplicando o retorno às arenas do mundo, até que a reencarnação nos purifique, nas aquisições de experiência e valor. Alma que choras na teia física, louva o tronco de sofrimento a que te encontras temporariamente agrilhoada na Terra! Abençoa os espinhos que te laceram. Abençoa o pranto que te lava os escaninhos do ser. Executa com paciência o trabalho que a vida te pede, porque, um dia, os companheiros amados que te precederam na vanguarda de luz estarão contigo, em preces de triunfo, a desatarem-te as últimas algemas, de modo a que lhes partilhes os cânticos de vitória, na grande libertação.

15 - PÃO NOSSO- EMMANUEL -

ITEM 1 - MÃO À OBRA: !Que farei, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação." — Paulo. (I CORlNTlOS, 14:26.)
A igreja de Corinto lutava com certas dificuldades mais fortes, quando Paulo lhe escreveu a observação aqui transcrita.
O conteúdo da carta apreciava diversos problemas espirituais dos companheiros do Peloponeso, mas podemos insular o versículo e aplicá-lo a certas situações dos novos agrupamentos cristãos, formados no ambiente do Espiritismo, na revivescência do Evangelho.
Quase sempre notamos intensa preocupação nos trabalhadores, por novidades em fenomenologia e revelação. Alguns núcleos costumam paralisar atividades quando não dispõem de médiuns adestrados. Por quê?
Médium algum solucionará, em definitivo, o problema fundamental da iluminação dos companheiros. Nossa tarefa espiritual seria absurda se estivesse circunscrita à frequência mecânica de muitos, a um centro qualquer, simplesmente para assinalarem o esforço de alguns poucos. Convençam-se os discípulos de que o trabalho e a realização pertencem a todos e que é imprescindível se movimente cada qual no serviço edificante que lhe compete. Ninguém alegue ausência de novidades, quando vultosas concessões da esfera superior aguardam a firme decisão do aprendiz de boa-vontade, no sentido de conhecer a vida e elevar-se. Quando vos reunirdes, lembrai a doutrina e a revelação, o poder de falar e de interpretar de que já sois detentores e colocai mãos à obra do bem e da luz, no aperfeiçoamento indispensável.
ÍTEM 2 - PENSA UM POUCO: "As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testificam de mim." — Jesus. (João, 10:25.)
É vulgar a preocupação do homem comum, relativamente às tradições familiares e aos institutos terrestres a que se prende, nominalmente, exaltando-se nos títulos convencionais que lhe identificam a personalidade. Entretanto, na vida verdadeira, criatura alguma é conhecida por semelhantes processos. Cada Espírito traz consigo a história viva dos próprios feitos e somente as obras efetuadas dão a conhecer o valor ou o demérito de cada um. Com o enunciado, não desejamos afirmar que a palavra esteja desprovida de suas vantagens indiscutíveis; todavia, é necessário compreender-se que o verbo é também profundo potencial recebido da Infinita Bondade, como recurso divino, tornando-se indispensável saber o que estamos realizando com esse dom do Senhor Eterno.

A afirmativa de Jesus, nesse particular, reveste-se de imperecível beleza. Que diríamos de um Salvador que estatuísse regras para a Humanidade, sem partilhar-lhe as dificuldades e impedimentos?O Cristo iniciou a missão divina entre homens do campo, viveu entre doutores irritados e pecadores rebeldes, uniu-se a doentes e aflitos, comeu o duro pão dos pescadores humildes e terminou a tarefa santa entre dois ladrões. Que mais desejas? Se aguardas vida fácil e situações de evidência no mundo, lembra-te do Mestre e pensa um pouco.