MATÉRIA RADIANTE
BIBLIOGRAFIA
01- CIÊNCIA E ESPIRITISMO, pag. 87 02 - O ALÉM E A SOBR. DO SER, pag. 23
03 - OS ANIMAIS TEM ALMA ?, pag. 110 04 -

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

MATÉRIA RADIANTE – COMPILAÇÃO

01 - MATÉRIA RADIANTE

William Crookes - 1832-1919

William Crookes nasceu em Londres, Inglaterra, no dia 17 de junho de 1832. Foi o maior químico da Inglaterra, segundo afirmativa de "Sir" Arthur Conan Doyle, o que ficou constatado pela trajetória gloriosa que esse ilustre homem de ciência desenvolveu no campo científico. Mencionado como sendo um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos supranormais, desenvolveu importante trabalho na área da fenomenologia espírita.

No ano de 1855, Willian Crookes assumiu a cadeira de química na Universidade de Chester. Como conseqüência de prolongados estudos, no ano de 1861 descobriu os raios catódicos e isolou o Tálio, determinando rigorosamente suas propriedades físicas. Após persistentes estudos em torno do espectro solar, descobriu, em 1872, a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, o que o levou à construção do Radiômetro, em 1874. No ano seguinte descobriu um novo tratamento para o ouro. No entanto, a coroação do seu trabalho científico foi a descoberta do quarto estado da matéria, o estado radiante, no ano de 1879. Foram-lhe outorgadas várias medalhas pelas relevantes descobertas no campo da física e da química.

A rainha Vitória, da Inglaterra, nomeou-o com o mais alto título daquele país: "Cavalheiro".

A par de todas as atividades, ocupou a presidência da Sociedade de Química, da Sociedade Britânica, da Sociedade de Investigações Psíquicas e do Instituto de Engenheiros Eletricistas.

Dotado de invejável fibra de investigador, acabou por pesquisar os fenômenos mediúnicos, a princípio, com o fim de demonstrar o erro em que incidiam os ditos "médiuns" e todos aqueles que acreditavam piamente em suas mediunidades.

Em 1869, os médiuns J.J.Morse e Sra. Marshall serviram de instrumento para que Crookes realizasse as suas primeiras investigações.

As mais notáveis experiências mediúnicas, levadas a efeito por esse ilustre cientista, foram realizadas através da médium Florence Cook, quando obteve as materializações do Espírito que dava o nome de Katie King, fato que abalou o mundo científico da época.

A jovem Florence Cook tinha apenas 15 anos de idade quando se apresentou a Sir Willian Crookes, a fim de servir de medianeira para as pesquisas científicas que vinha realizando. São dela as seguintes palavras: "Fui à casa do Senhor Crookes, sem prevenir a meus pais e nem a meus amigos. Ofereci-me em sacrifício voluntário sobre o altar de sua incredulidade." Ela pediu a proteção da Sra. Crookes e submeteu-se a toda sorte de experimentações, objetivando comprovar a sua mediunidade, pois que um cavalheiro, de nome Volckmann, havia lhe imputado suspeitas de fraude.

No dia 22 de abril de 1872, aconteceu, pela primeira vez, a materialização do Espírito Katie King, estando presente na sessão, a genitora, alguns irmãos da médium e a criada.

Após várias sessões, nas quais o Espírito Katie King se manifestava com incrível regularidade, a Srta. Florence afirmou a Willian Crookes que estava decidida a submeter-se a todo o gênero de investigações.

Na sua obra "Fatos Espíritas", faz completo relato de todas as experiências realizadas com o Espírito materializado de Katie King, que não deixa dúvida quanto ao poder extraordinário que possui o Espírito de dar a forma desejada, utilizando a matéria física.

Numerosos cientistas de renome, mesmo diante dos fatos mais convincentes, hesitaram em proclamar a verdade, com receio das conseqüências que isso poderia acarretar aos olhos do povo. Crookes, porém, não agiu assim. Ele penetrou o campo das investigações com o intuito de desmascarar, de encontrar fraudes, entretanto, quando constatou que os casos eram verídicos, insofismáveis, ele rendeu-se à evidência, curvou-se diante da verdade, tornou-se espírita convicto e afirmou: - "Não digo que isto é possível; digo: isto é real!"

Willian Crookes desencarnou em 04 de abril de 1919, em Londres, Inglaterra.

Fonte: ABC do Espiritismo, de Victor Ribas Carneiro e Personagens do Espiritismo,
de Antonio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy.

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SIR WILLIAM CROOKES

(Londres, Inglaterra, 17.06.1832-04.04.1919)

"Sir" William Crookes, cientista, químico e psiquista do último século.

Reencarnou, em Londres, Inglaterra, no dia 17 de Junho de 1832; desencarnou em 4 de abril de 1919, na cidade em que nasceu.

Educado sob a influência inglesa, concorreu, brilhantemente, para aumentar a projeção da Inglaterra perante o mundo; mas, William Crookes, por sua vez, é um nome universal, uma glória que está acima das divisões territoriais ou das confinações geográficas.

Estudou no Colégio de Química e foi professor substituto do Colégio Real, com apenas vinte anos.

Em 1855 obteve a Cadeira de Química da Universidade de Chester. Em 1861 descobriu o "Tálio", cujas propriedades determinou rigorosamente, dando, em 1885, um novo procedimento para o beneficiamento do ouro.

Em 1863, foi eleito membro da Sociedade Real, recebendo da mesma, em 1875, a medalha real de ouro; em, 1888, a medalha Davy, e, em 1904, a comenda de "Sir", como justo prêmio às suas descobertas no campo da Física e da Química.

Em 1864, foi nomeado inspetor da Seção de Meteorologia do Observatório de Radcliffe e, em 1874, fundou e dirigiu o "Quartely Journal of Science".

Em 1869, iniciou suas investigações sobre os fenômenos espíritas, contando com um médium excepcional: Daniel Dunglas Home. Foram seus assistentes seu irmão Walter, "Sir" William Huggins, eminente físico e astrônomo, ex-presidente da "Royal Society", e Serjeant Cox, um conhecidíssimo advogado, e, em 1870, admitindo suas investigações do "Spiritualism", ele fez um anúncio público.

Em 1872, descobriu a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, e, em 1873 - 1874, quando já estava seriamente preocupado com os fenômenos espíritas, inventou e construiu o Radiômetro.

Em 1878, Crookes apresentou à Sociedade Real o seu célebre trabalho sobre o quarto estado da matéria, que denominou "matéria radiante", acontecimento científico de repercussão internacional, que lhe proporcionou uma recompensa pela Academia de Ciências da França.

Tal conquista, porém, não se realizaria sem os fenômenos de materialização de Katie King (1870-1873), obtidos com o concurso mediúnico da jovem Florence Cook, pois foi, através da observação desses fenômenos, que pode ter despertada a sua atenção, para verificar, na matéria tangível, estados especiais, ainda não explorados, no quadro geral do conhecimento humano, e que teriam grande influência na Física moderna.

Admitido na Sociedade Química de Londres, tornou-se uma das maiores figuras dessa importante sociedade, especialmente depois de seu estudo sobre a natureza dos corpos simples.

Foi Presidente da "Royal Society" (1913-1915) e de várias sociedades de cultura e consultor científico do Governo Britânico.

Em 1870, com suas experiências com Daniel Dunglas Home, Kate Fox (uma das célebres irmãs Fox e, depois do seu casamento, Sra. Jenken), Mrs. Guppy, Mrs. Clayer; Eva Annie Fay; J.J. Morse, Prof. Stainton Moses, William Hope, David Duguid e com Florence Cook, deu um impulso, rigorosamente científico, às pesquisas psíquicas.

Assistiu, por 3 anos, em seu laboratório, em Londres, à materialização integral de Katie King. Mediu, pesou e examinou meticulosamente o Espírito, constatando a realidade tangível da imortalidade da alma e o poder extraordinário que possui o Espírito, em utilizar-se da matéria física para se tornar tão real e vivo como os encarnados.

Sua investigação com Miss Florence Cook e "Katie King" pareceu tão fantástica para seus contemporâneos, que nem podiam acreditar.

É bem verdade que certos homens de Ciência, que não têm, todavia, o verdadeiro "espírito científico", também investigaram a fenomenologia espírita, chegaram a resultados positivos, mas não tiveram a coragem de Crookes, porque se subordinaram às conveniências do preconceito.Crookes não procedeu assim, não usou subterfúgios, não criou termos ambíguos. Ele afirmou, deu testemunho...

Basta dizer que o seu livro "Researches into the Phenomena of Spiritualism" , vertido para o português com o título "Fatos Espíritas observados por W. Crookes e outros sábios", durante nos anos de 1870-1873, tradução e prefácio de Oscar D´Argonnel, editado pela FEB - Federação Espírita Brasileira, ainda não teve desmentido!

De fato, esse grande livro, que poderia muito bem ter o nome de tratado de ciência espírita - como tantos outros livros de títulos simples, inclusive "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec - reúne as publicações feitas pelo cientista inglês no "Quartely Journal of Science" , em 1874.

Durante muito tempo, com o rigor dos homens que fazem, de fato, Ciência, Crookes realizou experiências com a médium Florence Cook, tendo deixado depoimento irrespondível.

A materialização do Espírito Katie King é um fato científico em que William Crookes empenha toda a glória de seu nome.

Discursando, em 1898, no Congresso da Associação Britânica. Crookes fez referências às suas investigações, no terreno do Espiritismo, e afirmou, solenemente: "Nada tenho que retratar dessas experiências, e mantenho minhas verificações, já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa".

Escreveu as seguintes obras:

"Rapport on Spiritualism of the Committee of the London Dialectical", London, 1871;

"Spiritualism in the Light of Modern Science";

"Experimental Investigations on Psychic Force", London, 1871, H. Gillman. Trata das experiências realizadas com a médium Miss Florence Cook, familiarmente Florie, então uma menina de quinze anos de idade, e, após casada, Mrs. Elgie Corner, que se tornou célebre por contribuir para a formação de agêneres. A sua mediunidade produziu a materialização dos Espíritos de Henry Owen Morgan e Annie Owen Morgan, conhecidos como John King e Katie King.

Esta obra foi publicada em diversos idiomas, com seguidas reedições. Em francês, por Alidel, Paris, 1877, Librarie des Sciences Psychiques; em russo, por A. Aksakof e prefaciada por ele mesmo; e em espanhol, por Emílio de Mársico, Barcelona, Espanha, em 1888. No Brasil, como atrás já nos referimos.

"Letters", London, 1873 - 1874 (provável). Convite à Sociedade Real de Londres para observar e intervir nas experiências referidas, com a médium Miss Cook.

"Researches into the Phenomena of Spiritualism". London, 1874, Burns. Traduzido: em 1874, para o alemão, editado em Leipzig; em 1877, para o italiano, em Lucarno; em 1878, para o francês, em Paris; em 1900, para o português, com o título "Fatos Espíritas", tradução de Oscar D´Argonnel, ed. FEB - Federação Espírita Brasileira - Brasil, Rio de Janeiro, e para outros idiomas.

"Notes sur des Recherches", traduzido do inglês. Paris, 1874, Librairie Spírite, "in" 8;

"Spiritualism Scientifically Examined, with Proof. of the Evidence of a Psychic Force". - London, 1874, Folhetim;

"Nouvelles Expériences sur la Force Psychique". Paris, 1897. Originariamente publicada na Inglaterra, em 1893;

"Experiencies on Repulsion From Radiation Vaccum Molecular Fisics", 1879;

"Select Methodes of Chimical Analisis".

Interessa-nos, porém, mais de perto, nesta página, o papel de William Crookes no Espiritismo, uma vez que a sua obra no campo da Física e da Química é tão imensa, tão notável, tão comentada pelo mundo em fora, notadamente quando se fala na matéria radiante, que a sua biografia já se tornou largamente conhecida.

(Da Revista ICESP, nº 12 - autoria Dr. Paulo Toledo Machado)

02 - MATÉRIA RADIANTE

A descoberta do estado radiante da matéria foi, sem a menor dúvida, um dos maiores acontecimentos científicos do século XIX.

Tal descoberta consagrou mundialmente o nome de William Crookes, cuja fama, aliás, já vinha correndo o mundo em virtude de outros grandes serviços prestados à ciência pelo insigne físico inglês. Os autores didáticos e os biógrafos de Crookes não fazem, naturalmente por preconceito, qualquer menção das experiências do glorioso cientista com a médium FLorence Cook. Entretanto foi através dessas experiências que William Crookes encontrou o campo que o levou a descobrir o estado radiante da matéria. Neste particular, queiram ou não queiram os homens, e Espiritismo contribuiu grandemente para o progresso da Física. A descoberta de Crookes abriu um capítulo novo, e de grande projeção, no campo da Física, porque revelou e existência de mais um estado da matéria, além dos três estados conhecidos: sólido, líquido e gasoso.

Sem os fenômenos de materialização de Katie King (1870 - 73), obtidos pela mediunidade, aliás bem documentada, de Florence Cook, não teria tido William Crookes a oportunidade (tão benéfica para a Ciência) de verificar, na matéria tangível, estados especiais, ainda inexplorados no quadro geral dos conhecimentos humanos.

Assim, pois, os fenômenos de além túmulo, submetidos ao rigor de um homem como William Crookes, espíritos afeito à ciência de laboratório e, por isso, isento de qualquer idéia preconcebida, tiveram grande influência na Física moderna, embora ainda hoje* se façam certas restrições a tal descoberta. A verdade histórica, porém, não pode ficar soterrada pelos caprichos do convencionalismo acadêmico. Escreve-se muito sobre a matéria radiante, fala-se tanto de William Crookes, mas não se diz que o cientista inglês tirou do ectoplasma (1) elementos até então desconhecidos. Crookes verificou distintamente, claramente que o médium Cook era uma e Katie King era outra entidade, depois de haver levantado as suas dúvidas honestas sobre as materializações. Dizia ele: "Tenho a mais absoluta certeza de que a Senhorita Cook (médium) e Katie (Espírito materializado) são duas individualidades distintas, pelo menos no que diz respeito aos seus corpos".

Deolindo Amorim - Revista Espírita do Brasil / Maio de 1950 - CEAK

03 - MATÉRIA RADIANTE

William Crookes
Marco Túlio Laucas

Nosso objetivo, neste artigo, é prestar uma justa homenagem a William Crookes, nascido em 17 de junho de 1832 e falecido em 04 de abril de 1919, honorável cientista inglês, com enormes contribuições em diversos campos da química e da física, sendo particularmente conhecido dos espíritas, em geral, devido aos seus famosos estudos, desenvolvidos na década de 1870, acerca dos fenômenos espiritualistas, em especial, através de sessões de materialização com os médiuns Daniel Danglas Home, Kate Fox e, posteriormente, Florence Cook, que trouxeram importantíssimas contribuições para a Doutrina dos Espíritos e, sobretudo, para toda a humanidade. Vale comentar que, quando Crookes iniciou estes estudos, não era adepto do espiritualismo, mas, após confirmar a sua veracidade, teve a coragem de se declarar publicamente um espiritualista. É claro que esta atitude trouxe-lhe enormes dissabores. Algumas críticas se dirigiram aos procedimentos metodológicos1 adotados durante suas investigações, enquanto outras, ao próprio caráter e integridade do cientista. Houve até mesmo aqueles que, mal intencionados, procurando ferir e malsinar, alegaram que o pesquisador estaria encerrando sua carreira científica. Para estes, a resposta de Crookes foi simplesmente continuar suas pesquisas, impressionando a todos não somente pela quantidade de trabalhos apresentados, mas, sobretudo, pela sua qualidade; valendo um destaque especial para o conhecido tubo de raios catódicos.

Queremos aproveitar a oportunidade para alertar alguns amigos bem intencionados que, procurando elogiar o douto pesquisador, baseiam-se em referências equivocadas, e acabam provocando um desserviço à causa que abraçam. Uma destas falsas afirmativas é dizer que ele teria sido laureado com o Prêmio Nobel.

Sérgio Aleixo2 disserta longamente acerca do conhecido tríplice aspecto do Espiritismo: científico, filosófico e religioso. Ora, esta junção torna poderosa a Doutrina em seus fundamentos analíticos, possibilitando-nos inspecionar, de forma coerente e verdadeira, a realidade que nos cerca. Não é à-toa que, dentre todos os agrupamentos religiosos, o espírita é reconhecidamente o que mais lê e busca se informar sobre o desenvolvimento da ciência. Por isso, cabe-nos a responsabilidade maior de evitar a propagação de idéias equivocadas, ou mal fundamentadas.

Léon Denis3 e Paul Gibier4 afirmam ser Crookes o descobridor da “matéria radiante”. Gibier vai mais além, comentando ser esta “matéria radiante” o “quarto estado da matéria” quando, na verdade, o plasma, reconhecemos hoje, é o quarto estado da matéria. Mais de uma vez, temos escutado palestras nas quais o orador, talvez tentando embelezar o termo “matéria radiante”, troca matéria por energia e enuncia ser Crookes o descobridor da “energia radiante”. Não conhecemos nenhum livro de física que faça menção a qualquer destes dois termos. Então, não tem sentido fazer-se, na atualidade, uma afirmação destas. O termo “matéria radiante” foi sugerido por Crookes para designar um fenômeno novo, mas não foi aceito pela comunidade científica. Desta forma, repetimos, são aceitáveis as afirmativas de Denis e Gibier, porque eles são contemporâneos de Crookes e fizeram estas declarações quando esta teoria ainda estava sob avaliação. Mas, atualmente, é um descalabro falar sobre isso e, pior ainda, usar o termo “energia radiante”, pois o calor, o som e a luz, por exemplo, são energias que se irradiam. Assim, trata-se de um erro afirmar que Crookes tenha descoberto a “energia radiante”.

É muito comum, nos meios científicos, o surgimento de alguma teoria que é aceita em princípio, para depois ser descartada, após se verificar que ela está errada ou por não se ajustar perfeitamente ao fenômeno que a teoria tenta descrever. Um bom exemplo disso é o conceito de éter, que explicaremos a seguir.

Da mesma maneira que o som necessita de um meio material (como o ar, a água, etc.) para se propagar, pensava-se, antigamente, que a luz necessitaria de um meio material para se locomover. Assim, na falta de algo, inventou-se o nome “éter” para designar o suposto meio material através do qual a luz se propagaria. Mesmo que ninguém tivesse conseguido observar o tal éter, seu conceito persistiu por vários séculos. No ano de 1887, Albert Michelson e Edward Morley, dois físicos desconhecidos, realizaram um experimento cujo objetivo era medir a variação da velocidade da luz no sentido de translação da Terra e perpendicular a este movimento. Este experimento era aparentemente sem importância, pois todos pensavam, naquela época, que a velocidade da luz seria diferente quando esta trafegasse em sentidos diferentes. Para espanto deles, bem como de todo o establishment, a velocidade da luz não variou. Hoje, sabemos que a velocidade da luz é uma constante universal, ou seja, por mais incrível que possa parecer, não há como aumentar ou diminuir a velocidade da luz em um meio material específico qualquer. A mesma coisa não se dá, por exemplo, com o som. Se uma locomotiva apitando se aproxima, o som é mais agudo do que quando ela está se afastando. No primeiro caso, a velocidade do som é maior (som mais agudo). No segundo caso, a velocidade do som é menor (som mais grave). Este experimento de 1887 acabou imortalizando os autores e liquidando completamente com a hipótese da existência do éter. Kardec refere-se ao éter em duas ocasiões5,6: duas vezes 1865, e, novamente em 1868, por quatro vezes. Poder-se-ia pensar que haveria algum engano na codificação? Obviamente que não, por pelo menos dois motivos. Primeiro que naquela época era nestes termos que a ciência se expressava. Além disso, Kardec mesmo afirmou que se novas descobertas demonstrassem estar o Espiritismo errado em algum ponto, ele se modificaria para se adequar à ciência. Em segundo lugar é preciso saber separar o ponto de vista dos Espíritos daqueles de Kardec. Este fato pode ser bem explanado analisando-se André Luiz7, espírito. Em 1959, já consciente de ter Einstein sugerido o conceito de campo para substituir o conceito de éter, escrevendo da esfera extrafísica, André Luiz, ao invés de “campo einsteniano” prefere usar Fluido Cósmico ou Hálito Divino como o meio no qual o universo se equilibra. O mais curioso de tudo isso é que ainda encontramos, mormente no meio espírita, o uso corrente do errôneo conceito de éter.

William Crookes está longe de ser um cientista comum. Permita-me o leitor amigo enaltecer este expoente da ciência de forma conveniente. Ele ocupou vários cargos importantes como as presidências da British Association for the Advancement of Science e da Royal Society of London. Editor do douto Quaterly Journal of Science, foi ele o descobridor do elemento químico Tálio. Crookes, na verdade, era uma figura eminente da sociedade científica britânica, possuindo uma parede repleta de honrarias profissionais. Foi feito cavaleiro em 1897 e recebeu a Ordem do Mérito em 1910. Tendo sido destacado membro da Society for Psychical Ressearch (Sociedade para a Pesquisa Psíquica), mais tarde tornou-se presidente desta instituição que, vale dizer, não era bem vista pela comunidade científica, por motivos óbvios. Mas, sob sua influência, veio a participar dela um número verdadeiramente espantoso de proeminentes cientistas de renome internacional. Peço vênia por nos estendermos um pouco neste item, mas vale lembrar que Johann Zollner, destacado físico alemão, professor de física e astronomia na Universidade de Leipzig, também membro desta instituição, foi convertido ao espiritualismo por Crookes, em 1875, quando o visitou em seu laboratório. Ainda vale a pena citar os seguintes membros desta instituição: Wilhelm Weber (cujo nome “weber”, hoje, denomina a unidade internacional de magnetismo), Lord Rayleigh, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1904, e J. J. Thompson, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1906. Somente isto já seria o suficiente para nos vergarmos em reverência à estatura intelectual deste homem ímpar entre os grandes. Porém, a história não pára por aí. O que realmente o imortalizou foi a invenção do tubo de raios catódicos. Por uma questão de curiosidade, vamos explicar, rapidamente, o significado do tubo de raios catódicos.

Imagine um filamento (tal qual o filamento de uma lâmpada) percorrido por uma corrente elétrica. Chamemos este filamento de cátodo. Imagine agora uma placa metálica um pouco afastada do filamento. Chamemos esta placa de ânodo. Quando um filamento é percorrido por uma corrente elétrica, uma nuvem de elétrons circunda este filamento. Se uma diferença de potencial (ddp) for criada entre este filamento (ou cátodo) e uma placa carregada positivamente (ou ânodo), então esta nuvem eletrônica será arrancada celeremente das proximidades do cátodo em direção ao ânodo. Quanto maior for a ddp, mais velozes serão os elétrons. O que nosso Crookes construiu foi isto, que é conhecido como tubo de raios catódicos. Colocou um filamento e uma grade dentro de uma ampola de vidro e estabeleceu uma enorme ddp entre os dois componentes, fazendo com que os elétrons fossem brutalmente arrancados das proximidades do filamento. A aceleração e a velocidade final dos tais elétrons era tanta que, quando eles se aproximavam da grade (que efetivamente era quem os atraía), a maior parte dos elétrons ultrapassava os buracos da grade, indo se chocar violentamente contra a parede de vidro da ampola.

Num tubo de raios catódicos, enquanto a corrente elétrica circular pelo filamento, elétrons serão emitidos pelo cátodo, atraídos pelo ânodo e virão a se chocar contra o vidro. O interessante de tudo isso é que, no local onde os elétrons se chocam, cria-se um ponto luminoso, cuja intensidade luminosa varia com o valor nominal da corrente no filamento. Se aumentarmos a corrente, mais elétrons serão liberados, por segundo, elevando a luminosidade na parede de vidro. Já a cor deste ponto luminoso é dependente da força de impacto dos elétrons e, conseqüentemente, do valor da ddp. Assim, ao variarmos a ddp, notamos a mudança de cor no ponto luminoso.
Há cerca de vinte anos, tivemos a oportunidade de estudar este experimento e, apesar de alegrarmo-nos ante o ponto luminoso e fazê-lo movimentar-se sob a ação de um ímã, reconhecemos que, por demais atentos à frieza dos cálculos, não demos ao fenômeno a devida importância. Somente agora, lembrando de Crookes, emocionamo-nos ante este estrondoso espetáculo da mãe natureza. Neste momento, conseguimos aquilatar uma nesga da enorme alegria que deve ter se apossado dele. É bastante
provável que, gargalhando de alegria, Crookes tivesse dito: “Encontrei a matéria radiante”. Este fenômeno é real, com muitas e fundamentais aplicações práticas, mas, não se trata de qualquer matéria radiante.
Quanto ao termo “quarto estado da matéria”, proposto por Crookes para designar a “matéria radiante”, tornou-se de uso corrente, mas, usado no plasma. Não foi Crookes quem encontrou o quarto estado da matéria, mas foi ele que inventou o nome. Observe-se ainda que, em 1925, Albert Einstein fez uma proposição teórica que, se correta, redundaria em um novo estado da matéria e, há pouco menos de dez anos, esta hipótese einsteniana foi testada e confirmada em laboratório, sendo hoje designada como o “quinto estado da matéria”.

Possivelmente o maior prêmio que um cientista pode receber é o famoso Prêmio Nobel. Alguns de nós queremos engrandecer a Doutrina Espírita afirmando ter sido ela corroborada por algum cientista laureado com tal prêmio, mas, no fundo, o Espiritismo não necessita de nada disso. A verdade é que William Crookes nunca foi laureado com qualquer prêmio Nobel. Não possuímos bastante conhecimento nesta área, mas parece-nos que o nome de Crookes jamais tenha sido cogitado para o Nobel em qualquer época, isto, aliás, é uma enorme falta de consideração para com um cientista desta envergadura. A retumbância do tubo de raios catódicos é tanta que o eminente físico Michio Kaku, professor de Física Teórica do City College of New York University, apresentador de diversos programas no famoso canal de televisão Discovery Channel, afirmou:8 O tubo de raios catódicos de Crookes revolucionou a ciência; quem quer que assista à televisão, use um monitor de computador, jogue um vídeo game, ou já tenha se submetido a (um exame de) raios X tem uma dívida para com a famosa invenção de Crookes.