MATÈRIA QUINTESSENCIADA
BIBLIOGRAFIA
01- COMO VIVEM OS ESPÍRITOS, pag. 125 02 - CREPÚSCULO DOS DEUSES, pag. 77
03 - FISIOLOGIA TRANSDIMENSIONAL, pag. 89 04 - O ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA, pag. 206

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MATERIAL QUINTESSENCIADO – COMPILAÇÃO

01 - MATERIAL QUINTESSENCIADO

ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

Podemos definir que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material. (1)

Os Espíritos são obra de Deus, precisamente como acontece com um homem que faz uma máquina; esta é obra do homem, e não ele mesmo. O homem, quando faz uma coisa bela e útil, chama-a sua filha, sua criação. Podemos dizer que dá-se o mesmo com Deus. Somos seus filhos porque somos sua obra.

A lógica nos leva a deduzir que os Espíritos tiveram um começo, pois se os Espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, mas pelo contrário, são sua criação, submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, isso é incontestável: mas quando e como ele criou, não o sabemos. Podemos dizer que não tivemos princípio, se com isso entendermos que Deus, sendo eterno, deve ter criado sem cessar; mas quando e como cada um de nós foi criado, ninguém o sabe; isso é um mistério para ser desvendado.

Uma vez que há dois elementos gerais do Universo: o inteligente e o material (2), podemos dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente (3), como os corpos inertes são formados do material. Os Espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material; a época e a maneira dessa formação é que desconhecemos.

A criação dos Espíritos é permanente, não se verificou apenas na origem dos tempos, o que quer dizer que Deus jamais cessou de criar.

Deus os criou seres inteligentes que chamamos de Espíritos, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade, encarregados de administrar os mundos materiais segundo as leis imutáveis da criação, e que são perfectíveis por sua natureza, mas como já dissemos a sua origem é um mistério para ser desvendado. (4)

Os Espíritos não são, seres abstratos, vagos e indefinidos, mas seres concretos e circunscritos, aos quais não falta senão serem visíveis para assemelharem-se aos humanos (5), assim, não há como dizer se os Espíritos são imateriais. Como iremos definir uma coisa (6), quando não dispomos de termos de comparação e se usamos uma linguagem insuficiente? Um cego de nascença pode definir a luz? Imaterial não é o termo apropriado, a definição incorpóreo, seria mais exato, pois devemos compreender que, sendo uma criação, o Espírito deve ser alguma coisa. É uma matéria quintessenciada (7), para a qual não dispomos de analogia, é tão eterizada, que não pode ser percebida pelos nossos sentidos.

Dizemos que os Espíritos são imateriais porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos pelo nome de matéria. Um povo de cegos não teria palavras para exprimir a luz e os seus efeitos. O cego de nascença julga ter todas as percepções pelo ouvido, o olfato, o paladar e o tato; não compreende as idéias que lhe seriam dadas pelo sentido que lhe falta. Da mesma maneira, no tocante à essência dos seres super-humanos, somos como verdadeiros cegos. Não podemos defini-los, a não ser por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação [8].

Os Espíritos terão fim? Compreende-se que o princípio de que eles emanam seja eterno, mas a sua individualidade terá um termo? E, num dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se desagregará e não retornará a massa de que saíram, como acontece com os corpos materiais?

Realmente, é difícil compreender que uma coisa que teve começo não tenha fim. Porém, há muitas coisas que ainda não compreendemos, porque a nossa inteligência é limitada: mas não é isso razão para as repelirmos. O filho não compreende tudo o que o pai compreende, nem o ignorante tudo o que o sábio compreende, mas neste caso podemos dizer que a existência dos Espíritos não tem fim: é tudo quanto somos levados compreender, por enquanto.

NOTAS:

(1) A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extra-corpóreos e não mais o elemento inteligente Universal. (*)

(2) Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.


02 - MATERIAL QUINTESSENCIADO

O PERISPÍRITO

A VISÃO DO PERISPÍRITO ANTES DO ESPIRITISMO

Através das épocas mais remotas, as religiões e as filosofias procuraram um elemento fluídico ou semi-material que pudesse servir de traço de união entre o corpo físico - material, e o Espírito - quin¬tessenciado e sutil, donde resultou, para o perispírito, uma variada e complexa sinonímia.
No Egito, a mais antiga crença, a dos “começos” (5.000 a.C.) já acreditava na existência de um corpo para o Espírito, denominado "kha", que quer dizer “o duplo”. Na Índia, o livro sagrado dos Vedas refere em seus cânticos ao "Linga Sharira". Na China, Confúcio falava sobre "corpo aeriforme". Para os antigos hebreus era o "Nephesch", que le¬vava no seu íntimo o sopro Divino. Na Grécia, os filósofos adotavam variada nomenclatura para designarem o envoltório do Espírito; Pitágo¬ras - "carne sutil da alma"; Aristóteles - "corpo sutil ou corpo eté¬reo"; Hipócrates - "Eidolon".
Paracelso, precursor da Química moderna, deu-lhe o nome de "corpo astral", baseado na sua cor prateada e luminosidade própria. Para os pensadores da Escola de Alexandria, era denominado, "Astroidê", "corpo aéreo" e "veículo da alma".
Paulo em uma epístola [I Coríntios-cap 15 v.42,44] refere-se ao "corpo espiritual" ou "corpo incorruptível". Tertuliano chama-lhe de "corpo vital da alma". Santo Agostinho, São Bernardo, Santo Hilário e São Basílio, identificaram-no como invólucro da alma, "Pneuma".

A VISÃO ESPÍRITA DO PERISPÍRITO


O termo perispírito foi criado por Allan Kardec:
"Envolvendo o gérmen do fruto, há o perisperma; do mesmo modo, um substância que, por comparação, se pode chamar de perispírito, serve de envoltório ao Espírito" [Le-qst 93]
É Allan Kardec que explica ser o perispírito laço de união en¬tre a alma e o corpo físico, laço este semi-material, ou seja, de natureza intermediária entre o Espírito e o corpo físico.
Assim, podemos dizer que o homem é formado de três partes es¬senciais:
a) O corpo físico, ou seja, corpo material, análogo ao dos ani¬mais;
b) A alma, o Espírito encarnado, que tem no corpo sua habitação, o princípio inteligente, em que residem o pensamento, a vontade e o senso moral;
c) O perispírito, substância semi-material que serve de envoltório ao Espírito, ligando a alma ao corpo físico.
A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro, o Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, mas que pode tornar-se visível e mesmo tangível, como sucedem nos fenômenos das aparições.

O Dr. Encause, escritor neo-espiritualista, que foi médico e professor da Escola de Paris, sugere em [Alma Humana] uma engenhosa comparação, própria para a sua época, mas muito explicativa: o homem encarnado é comparado a uma carroça puxada por um animal. O carro da carroça, que por sua na¬tureza grosseiramente material e por sua inércia, corresponde bem ao nosso corpo físico. O cavalo seria nosso perispírito, que unido por tirantes ao carro e por rédeas ao cocheiro, move todo o sistema, sem participar da resolução da direção. O cocheiro é o Espírito, que di¬rige e orienta a direção e a velocidade. O Espírito quer, o perispí¬rito transmite, e o corpo físico executa a ordem na matéria.
O perispírito, ou corpo fluídico do Espírito, é um dos mais im¬portantes produtos do Fluido Cósmico Universal; é uma "condensação" desse fluido em torno de um foco inteligente. Sabemos que o corpo fí¬sico tem o seu princípio de origem nesse mesmo fluido, condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito, a "transformação mo¬lecular" se opera diferentemente, porquanto, o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo perispiritual e o corpo carnal tem, pois, origem no mesmo elemento primitivo - ambos são matéria - ainda que em dois estados diferentes.

Do meio onde se encontra, é que o Espírito extrai do Fluido Cósmico Universal o seu perispírito, dos fluidos do ambiente. Resulta daí que os elementos constitutivos do perispírito, naturalmente variam conforme o mundo.
A natureza do envoltório fluídico, está em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito: nos Espíritos puros será belo e etéreo; nos Espíritos infelizes materializado e grosseiro. O Espírito forma o seu perispírito das partes mais puras ou mais grosseiras do FCU peculiar ao mundo onde vive. Daí deduzirmos que a constituição ín¬tima do perispírito não é a mesma em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que formam a humanidade terrestre. Como afirma Allan Kardec:

"O perispírito passa por transformações sucessivas, tornado-se cada mais etéreo, até a depuração completa, que é a condição dos Espíritos puros."

O perispírito não está absolutamente preso ao corpo do encar¬nado, irradia mais ou menos fora dele, segundo a sua pureza, com diâ¬metros variáveis de indivíduo para indivíduo, em cores e aspectos di¬ferentes, constituindo a "aura do homem encarnado".

Toda a sensação que abala a massa nervosa do corpo físico, des¬prende uma energia, uma vibração, à qual se deu muitos nomes: fluido nervoso, fluido magnético, força psíquica, etc. Esta energia age sobre o perispírito, para comunicar-lhe o movimento vibratório particular, segundo o território cerebral excitado, de maneira que a atenção da alma seja acordada e que se produza o fenômeno de percepção; o Espírito emite então a ordem da resposta, que, através do perispírito atinge o corpo e efetuará a manifestação material da resposta.

A vibração causada no perispírito pelo fluido nervoso ficará armazenada durante algum tempo a nível consciente, para posteriormente passar a ní¬vel inconsciente. Temos assim, no perispírito, um arquivo de todas as experiências do corpo físico, desde o momento da concepção até a desencarnação.
Durante o processo reencarnatório, à medida que o novo corpo vai se formando, a união com o perispírito ocorre molécula a molécula, célula a célula. Assim, o pe¬rispírito vai moldando o corpo físico que se forma, funcionando, segundo Emmanuel, como o
"Mantenedor de união molecular que organiza as configurações típicas de cada espécie."
Outra função importante do perispírito é na mediunidade. Um Espírito só consegue se manifestar em nosso meio, através da combinação de seus fluidos perispirituais com os fluidos perispirituais do médium, que passam a formar uma espécie de "atmosfera fluídico-espiritual" comum às suas individualidades, at¬mosfera esta que torna possível os fenômenos mediúnicos nos seus di¬ferentes tipos.
Resumindo, as principais funções do perispírito são:
1. servir de veículo de união do corpo físico com o Espírito;
2. arquivar nas suas camadas sutis e permanentes, os conhecimentos adquiridos através de nossa evolução individual;
3. irradiar-se em volta do corpo físico, interpenetrando-o, constituindo um dos componentes da aura humana;
4. servir de molde para a formação do corpo físico;
5. permitir a ocorrência dos fenômenos mediúnicos.

"Tão arrojada é a tentativa de transmitir informes sobre a questão aos companheiros encarnados, quão difícil se faria esclarecer à lar¬garta com respeito ao que será ela depois de vencer a inércia da crisálida colocado no chão, arrastando-se pesadamente, o inseto não desconfia que transporta consigo os germes das próprias asas." (Emmanuel)

Bibliografia

1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2) A Gênese - Allan Kardec
3) Obras Póstumas - Allan Kardec
4) Antologia do Perispírito - José Jorge
5) Correnteza de Luz - José Raul Teixeira
6) Alma Humana - Antônio Freire - CVDEE

03 - MATERIAL QUINTESSENCIADO

Matéria quintessenciada (fluídica)

Vantuil Fazollo

O homem, se visto de uma forma genérica, sempre foi e continuará sendo o centro das atenções de todo o conhecimento humano que paira sobre o globo terráqueo, já que, quando falamos em ser humano, falamos num composto de Força e Matéria que na realidade é, quando encarnado, composto por dois tipos de matéria: matéria quintessenciada e matéria comum do mundo Terra, esta formada pelos mesmos elementos químicos aqui existentes, já detectados e elencados, à exaustão, pela Física e pela Química. Tais matérias são capitaneadas pela Força (espírito), que as coordena desde a formação do corpo humano até a sua inexorável desencarnação, quando o espírito e matéria quintessenciada (corpo fluídico ou perispírito) retornam ao seu mundo de estágio, no Astral Superior.

A matéria quintessenciada ou fluídica é originária do Plano Astral, própria do mundo de estágio de cada ser, mundo este coerente com o estado evolutivo de cada um, onde estagia entre o período de uma encarnação e outra, enquanto a matéria comum de que é constituído o corpo carnal do ser humano é própria do mundo Terra e, em assim sendo, é composta pelos elementos químicos que a ciência conhece e demonstra nos compêndios de Física e Química e de que todos têm conhecimento, como o cálcio, o carbono, o hidrogênio etc.

A Força é o espírito propriamente dito; logo, pode-se dizer que é imaterial e, como tal, no corpo do vivente terráqueo está contida como sendo uma partícula de Inteligência Universal, com as mesmas características da Força Universal. Para ilustrar mais, diz-se que uma gota d'água do oceano tem as mesmas propriedades e características de todo 0 oceano. Do mesmo modo, o espírito, que é a Força-Partícula, que gere os corpos carnal e fluídico, é idêntica à Força da Inteligência Universal. Ora, então é fácil deduzir que, se o ser humano é uma partícula da Inteligência Universal, em evolução, é obvio, evidente e manifesto que tem a mesma essência da Inteligência Universal, porém, por dedução lógica, está o homem, ainda, em estado evolutivo inferior e por isso caminha, de encarnação em encarnação, para um dia integrar, em definitivo, o todo da Inteligência Universal, e continuar daí em diante, em Plano Astral, sua caminhada em direção à perfeição.

Sendo o ser humano composto de matéria comum do mundo Terra, de matéria quintessenciada emanada do mundo de estágio do Plano Astral e de Força (espírito), esta como partícula da Inteligência Universal, podemos, sem medo de errar ou equivocar, dizer que quando um espírito encarna, no Mundo Escola Terra, passa a possuir uma tríade corporal, de forma integrada, a saber:

a. corpo mental ou espiritual, que é propriamente denominado de partícula da Inteligência Universal;

b. corpo astral ou fluídico, constituído de matéria quintessenciada ou fluídica própria do mundo de estágio de cada ser, originária, pois, de dito mundo a que pertence o espírito encarnaste; e

c. corpo carnal, constituído da mesma matéria organizada de que se compõe o mundo Terra.

Feitas estas considerações, voltemos ao nosso tema Matéria Quintessenciada -, sobre o qual se pretende adentrar em maiores minúcias e profundidade.
Ensina-nos o Racionalismo Cristão: "O espírito é imaterial. Material é o seu corpo astral, também conhecido como perispírito ou corpo anímico, composto de fluido quintessenciado mas matéria -, da mesma natureza da substância fluídica do mundo em que estagia no intervalo das encarnações. Semelhantemente, o seu corpo carnal corresponde à matéria componente deste planeta. Quanto mais adiantados forem os mundos de estágio, mais diáfana é a matéria quintessenciada de que são compostos os corpos astrais".

Nessa ordem de raciocínio, perscrutando os compêndios dos dicionários pátrios, deparamo-nos com a palavra composta - "quinta-essência" -, que dá a origem do termo quintessenciado ou matéria quintessenciada, que nada mais é do que um fluido etéreo que enche os espaços e que significaria um extrato levado ao último apuramento, ou seja, o que há de principal, de melhor ou de mais puro, o mais alto grau, o requinte, a plenitude, o auge: a quinta-essência da delicadeza.
Assim, quinta-essenciar significa elevar à quinta essência; apurar até o mais alto grau, requintar, refinar. Como alguém já disse, e fê-lo com muita propriedade e profundidade, é sempre oportuno enfatizar e repetir: "Com a surdez que o levava aos últimos quartetos, Beethoven quinta-essenciou música".

Quando falamos em substância fluídica, ligamo-nos, incontinenti, à matéria quintessenciada da qual, como foi dito, é constituído o Corpo Astral, ou perispírito, ou corpo anímico - invisível, por sinal, à maioria dos seres humanos encarnados -, que todo vivente humano terrestre tem e que emanou do seu mundo de estágio, em Plano Astral, vindo, juntamente com o espírito, que é força-partícula da Inteligência Universal, com o colimado objetivo de, usando a matéria terráquea (elementos químicos), constituir ("construir" por assim dizer) um corpo carnal. Formada, então, a tríade - corpo mental (espírito), corpo fluídico quintessenciado corpo carnal -, vive este complexo, na Terra, o período de uma encarnação, período este que, via de regra, dura 100 anos, ou um pouco mais ou um pouco menos, e que, diante da imortalidade e eternidade do espírito, não significa, sequer, frações de, segundos. Porém é nas oportunidades reencarnatórias que o espírito-corpo mental evolui, aliás como acontece com todos os espíritos que se dirigem, com a mesma finalidade para outros planetas de inumeráveis galáxias e sistemas solares que compõem a vastidão do universo.

Nessas circunstâncias, após o período encarnatório ou reencarnatório, já que a morte, ou melhor dizendo, a desencarnação é inexorável, uma vez gravados instante por instante de toda a história do ser humano na vivência terráquea, gravação esta feita exatamente na matéria quintessenciada, fluídica, ou perispírito, retornam os dois corpos (mental ou espiritual e fluídico) ao respectivo mundo de estágio, no Astral Superior, levando esse material suficiente para a obrigatória análise de todos os momentos da última encarnação, para, em seguida, programar nova encarnação, quando escolherá continente, país, local e pais onde pretende pôr em ação as metas de progresso, já que, na pureza do mundo de estágio a que pertence o espírito, está este livre de todos os Labéus, estigmas ou mazelas vivenciadas na Terra, no decorrer da encarnação.

Indispensável dizer aqui o que acontece ao corpo carnal que viveu a encarnação juntamente com os corpos mental e fluídico que se foram para o mundo de estágio, mas é sempre bom enfatizar que o corpo carnal, perdendo a manutenção de suas células, em termos de vida, pelo desligamento dos cordões fluídicos do corpo astral ou fluídico que, durante a existência, se ligavam ao coração e ao cérebro, entra em decomposição logo em seguida, tanto que, após um período de 24 horas, inicia outro processo natural de transformação, de vez que, em função das reações químicas dos elementos químicos que o constituíam, dá origem a novas formas de vida no planeta Terra e, de imediato, inicia nova escala evolutiva. Aliás, tem apenas lugar a vigência da Lei Natural há muito descoberta e propalada: "Na natureza nada se perde, tudo se transforma".

Mister se faz ressaltar, também, que, sendo o tema central destes escritos a matéria quintessenciada de que é composto o Corpo Astral, transcreve-se, a seguir, a célebre e esclarecedora definição do ilustrado, culto e saudoso médico racionalista cristão, Dr. João Baptista Cottas, a saber: "O corpo astral, também denominado duplo-etéreo, subconsciente ou perispírito, é o laço de união entre o corpo mental e o corpo carnal. Ao corpo mental ele está ligado através das vibrações permanentes; ao corpo carnal, por cordões fluídicos. A composição do corpo astral correspondente à natureza da matéria fluídica do mundo a que pertence o espírito, da mesma forma que o corpo carnal corresponde à matéria de que se compõe o planeta Terra. O corpo astral varia de acordo com a zona a que pertence o espírito, e, quanto maior for a evolução deste, mais diáfano é o seu corpo astral".

Por derradeiro, é interessante aduzir, ainda, que é de capital importância, na evolução, a matéria quintessenciada, e que o espírito, ao desencarnar, deixa, definitivamente, o corpo carnal, só restando como detentores da vida o espírito e o corpo astral (matéria quintessenciada), época em que ambos ascendem ao seu mundo de estágio, que se situa no Astral Superior, mas isto se, por ventura, não ficarem presos por algum tempo no astral inferior, que se situa na atmosfera da Terra (mundo-escola), em virtude de desvios de conduta experimentados e assimilações de anômalos comportamentos no decorrer da reencarnação que acaba de vivenciar.

04 - MATERIAL QUINTESSENCIADO

Doação de Órgãos
Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: José Roberto Santos
Vitória
26/02/1999

Organizadores da palestra:
Moderador: "Luno" (nick: [Moderador])
"Médium digitador": Teresa Cristina (nick: José_Roberto_Santos)

Oração Inicial:
<Dilma_away> Senhor, Pai de infinita bondade, Jesus mestre querido, aqui estamos, mais uma vez reunidos, para mais uma palestra onde buscamos aprender um pouco mais. Ampara, Senhor, nosso irmão José Roberto, inspira-o, bem como ajuda-nos, a abrir nosso entendimento, nossa compreensão. Sabemos que muito nos falta, sabemos que somos ainda pequenos, imperfeitos. Mas confiamos muito em Tua bondade, em Tua proteção. Estende Tua mão amiga para nos guiar. Que possamos estar sempre prontos para servir em Teu nome. Que a paz reine nestes instantes. Envia Teus mensageiros, amigos espirituais, para que a harmonia e a serenidade se faça em cada coração. E fica sempre conosco. Derrama Tua paz sobre todas as criaturas. Que a Tua luz se faça em cada canto do universo. Assim seja.

Apresentação do palestrante:
<Jose_Roberto_Santos> Boa noite aos amigos do Canal #Espiritismo. Que a paz do Mestre Jesus esteja conosco e que a espiritualidade amiga nos ampare na discussão do tema de hoje. (t)

Considerações iniciais do palestrante:
<Jose_Roberto_Santos> A doação de órgãos é um tema de importância muito grande e que deve ser discutido nas casas espíritas. Na época da codificação, não existia tal problemática, mas hoje encontramos diversos espíritas ansiosos por respostas em relação ao problema de doar ou não seus órgãos. Nos últimos anos tivemos a oportunidade de estudar o assunto e vivenciar na prática médica, o problema dos transplantes de órgãos, pois sou médico e trabalho em centro de terapia intensiva e, freqüentemente, lido com pacientes em morte encefálica que são possíveis doadores de órgãos. Há relatos de espíritos encarnados e desencarnados sobre a questão da doação. Algumas opiniões, até conflitantes. É importante que, com o conhecimento da Doutrina Espírita, tenhamos o nosso entendimento próprio baseado na razão e orientado para o bem. (t)

Perguntas/Respostas:
<[Moderador]> [1] (duas perguntas interligadas) <mei/PB> O que acontece com o nosso perispírito em caso da doação dos órgãos? <Wal> Doar órgãos pode trazer alguma complicação para o espírito após o desencarne?

<Jose_Roberto_Santos> O corpo espiritual ainda é pouco entendido por nós, espíritos encarnados. Mas, como o corpo de material energético quintessenciado não é atingido por traumas físicos, isto é, não será uma cirurgia que levará à uma lesão no perispírito, nem a retirada de um órgão. O comprometimento do perispírito se dá pela vontade, ou seja, pela intenção do ato. Em relação ao transplante de órgãos, a retirada de um órgão não causará dano ao perispírito, mas se um órgão for atingido por um ato de suicídio, aí sim teremos uma lesão perispiritual. Neste caso, houve uma intenção de dano, o que não ocorre na doação de órgãos, quando o indivíduo em morte encefálica não tem participação na retirada de seus órgãos. (t)

<[Moderador]> [2] <Homeover> Caro irmão. A paz de Jesus! Segundo o eminente pesquisador e projeciologista Waldo Vieira, não seria aconselhável a recepção de órgãos de suicidas em um transplante, devido a graves prejuízos para a economia pisíquica do transplantado. O que pensa disso, meu irmão?

<Jose_Roberto_Santos> O suicida leva uma mensagem de não vida. É provável, por hipótese, que o seu órgão esteja impregnado desta energia e isto poderá causar problemas para o receptor. É importante que, neste caso, haja interação vibratória entre o órgão doado e o receptor, podendo tal mecanismo levar aos fenômenos de rejeição. Isto dependerá de como estará "vibrando" o receptor. Não podemos esquecer do merecimento de cada um que também é um fator primordial. Temos visto órgãos de um mesmo doador (exemplo: os rins) que são doados para pessoas diferentes com resultados totalmente opostos, ou seja, sucesso total em um e rejeição em outro. (t)

<[Moderador]> [3] <Valeryy> Quando a pessoa se desprende completamente de tudo que é material, torna-se fácil a doação de órgãos, mas e quando a pessoa não tem base espírita e torna-se doador, terá um tratamento especial quando retornar a pátria espiritual?

<Jose_Roberto_Santos> É importante que todo doador esteja convicto do ato de doar através do seu entendimento. Por isso, condenamos a lei que torna todos os indivíduos doadores compulsórios. Isto facilita todo processo de doação. Mas, em qualquer situação, a doação é um ato de amor, a não ser que envolva o comércio de órgãos, o que ocorre com freqüência em alguns países, em doadores vivos. Mesmo o espírito que foi contra a doação em vida, mas teve órgãos doados por um familiar na ocasião de sua morte, terá ajuda no plano espiritual e, principalmente, pelas preces que lhe são endereçadas pelo indivíduo que foi beneficiado e por seus familiares. Chico Xavier psicografou uma mensagem de um jovem desencarnado que sofrera um acidente automobilístico e acabou na situação de morte encefálica. Na ausência da mãe, sua irmã autorizou a doação do seu coração para um necessitado. Mesmo não sendo doador em vida, esse espírito foi amparado pelo pai e amigos no mundo espiritual. Inicialmente, sentiu uma dor na altura do peito que logo foi aliviada pelos espíritos amigos. Depois veio a saber que esta dor teve relação com o momento em que seu coração físico estava sendo retirado. Mas com o entendimento no mundo espiritual, pelas explicações de seu pai, entendeu que a atitude da irmã fora correta e via o seu coração perispiritual bater firme e vibrante. Termina a mensagem solicitando à mãe que entendesse o ato da irmã e que se novamente reencarnasse seria um doador de todos os seus órgãos. Este foi o primeiro transplante cardíaco realizado no Rio Grande do Sul. (t)

<[Moderador]> [4] <_Mara_> Com relação às possíveis complicações de um doador suicida, pergunto se a Espiritualidade amiga não poderia atuar de forma a harmonizar essas energias, para que esta pudesse se tornar compatível com o receptor, sem danos maiores?

<Jose_Roberto_Santos> A espiritualidade sempre tenta ajudar, mas nós sabemos que muitos de nós precisamos passar por experiências de sofrimento como processo educativo do ser. Nesses casos, apesar de toda ajuda dos amigos espirituais, naquele momento não há um merecimento para um resultado satisfatório. Em relação ao suicida, mesmo esse espírito que praticou ato tão terrível contra si próprio, poderá ser ajudado no plano espiritual, caso tenha um de seus órgãos doados. Em outra mensagem psicografada por Chico Xavier, há o relato de um jovem suicida que atirou contra o próprio peito. Ao acordar no mundo espiritual, visualizou um terrível quadro em que jorrava sangue incessantemente do seu peito. Alguns dias após, assistido pelos irmãos espirituais, acordou sem nada sentir e com aquele quadro modificado, pois o sangue se estancara. Veio a saber que a prece de um irmão encarnado, que recebera uma de suas córneas, funcionou como um tampão, materializado, que cobriu a ferida em seu peito perispiritual. Vejam que, mesmo no caso de um suicida, houve benefício com a doação de órgãos. (t)

<[Moderador]> [5] <Wal> A pessoa que recebe a doação de um órgão fica com algum vínculo com o perispírito do doador?

<Jose_Roberto_Santos> Há hipóteses de que energias perispirituais que envolvem o órgão doado acompanhem este órgão e possa desempenhar algum papel nos fenômenos da rejeição, como dissemos anteriormente. Em relação ao receptor, espera-se que sempre haja um vínculo de gratidão em relação ao doador. Já o doador, se muito ligado às coisas materiais, poderá se vincular ao receptor com cobranças sobre aquele órgão que lhe foi retirado, o que poderá gerar processos obsessivos. Isto dependerá da "abertura" dada pelo receptor. (t)

<[Moderador]> [6] <Quinto> Havendo tanta controvérsia concernente ao padrão da morte cerebral, o que nos coloca a questão da incerteza se o espírito já se acha desligado da matéria, você não entende que a doação de órgãos alcançará maiores resultados quando os médicos do futuro puderem trabalhar também no plano espiritual?

<Jose_Roberto_Santos> Em relação à morte cerebral, melhor definida como morte encefálica, pois há morte do cérebro e do tronco encefálico, para defini-la, a controvérsia que existe é muito mais de pessoas que não tem entendimento do processo, ou seja, da realidade médica do assunto. A morte encefálica, bem entendida com seus parâmetros todos preenchidos, na atualidade significa o momento em que a ciência define a irreversibilidade da morte, ou seja, atingido tal ponto, não há mais retorno à vida, que será mantida por algumas horas, através de aparelhos e medicamentos. É claro que todo indivíduo em morte encefálica, está em coma, mas nem todo indivíduo em coma está em morte encefálica. Em relação ao desligamento do espírito no momento da morte, a Doutrina Espírita nos ensina que isto se dará em questão de minutos, horas, dias, meses e até anos, o que vai depender da evolução moral do ser em desencarne. Pode ocorrer que, no momento do diagnóstico de morte encefálica, o espírito já não esteja mais ligado naquele corpo, mas se estiver, não será o ato de transplante que afetará negativamente esse processo de desligamento. Poderá, sim, até ajudá-lo, de acordo com os mecanismos citados anteriormente: prece, prece do receptor, etc. Em "O Livro dos Espíritos", questão 156, Alan Kardec faz a seguinte pergunta aos espíritos superiores: "A separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica?" Os espíritos respondem: "Na agonia, a alma, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica. O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica. O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma." Por hipótese, podemos inferir que hoje a situação referida pelos espíritos superiores se ajusta à condição do indivíduo em morte encefálica, pois na morte encefálica, o indivíduo é como uma máquina que o coração (mantida sua atividade através de drogas e uso de respirador) faz circular o sangue que manterá, temporariamente, os outros órgãos em funcionamento. Como espíritas, nós devemos nos preocupar com o momento atual, e não como vai se dar a nossa morte, pois poderemos encontrá-la a qualquer instante e teremos que estar preparados. O indivíduo que respeita as leis de Deus, através dos ensinamentos e da prática mostrada por Jesus, estará preparado para ser enterrado, cremado, retirados seus órgãos, ou outras situações de desencarne que tanto aflige a muitos. Já o indivíduo apegado às coisas materiais, aos vícios, prazeres fáceis, sofrerá de qualquer maneira, em qualquer das situações citadas. (t)

Considerações finais do palestrante:
<Jose_Roberto_Santos> O Espiritismo, esta doutrina maravilhosa, nos ensina o caminho do bem. No momento de uma decisão importante em nossas vidas, coloquemo-nos no lugar de quem dela vai depender. No caso do transplante, analisemos a situação de um familiar de uma criança com doença grave, só resolvida com o transplante, e que está definhando e morrendo a cada dia, e não encontra um doador. As leis de Deus são perfeitas, o não doador de hoje pode ser um receptor amanhã. (t)

Oração Final:
<Quinto> Senhor, tratando de questões que envolvem a vida e os seus reflexos na nossa trajetória como espíritos. Pedimos, Senhor, que sempre ilumine o nosso irmão José Roberto para que ele possa, como médico do corpo, ajudar também a alma daqueles que necessitem do concurso do seu trabalho. Senhor, nos ilumine as mentes e corações para que possamos auferir com conhecimento e com o coração deste momento vivido por todos nós. Assim Seja!

05 - MATERIAL QUINTESSENCIADO

O perispírito e a lei de causa e efeito

“A cada um será dado de acordo com as suas obras”. - Jesus. (Mt., 16:27.)

A Alma está durante a vida material, assim como depois da “morte”, sempre revestida de um invólucro fluídico, mais ou menos sutil e etéreo que Allan Kardec denominou perispírito. Na verdade, ele é um conglomerado energético, constituído de várias camadas de campos de força, que se liga ao Espírito pelo lado mais quintessenciado e pelo lado mais denso ao corpo somático.

Com toda razão informa o ínclito Mestre Lionês[1], que o perispírito é o mais importante produto do fluido cósmico, em torno de um foco de inteligência ou Alma.

Ao mesmo tempo em que o perispírito transmite à Alma as impressões dos sentidos, ele comunica ao corpo físico as vontades do Espírito. Compreendemos assim que sem o perispírito somos todos inviáveis: nada funcionaria, pois ele é também o modelador plástico das formas que mantêm o complexo somático em harmonia.

Ensina Léon Denis[2]: “(...) Como o carvalho que guarda em si os sinais de seus desenvolvimentos anuais, assim também o perispírito conserva, sob suas aparências presentes, os vestígios das Vidas anteriores, dos estados sucessivamente percorridos. Esses vestígios repousam em nós muitas vezes esquecidos, porém, desde que a Alma os evoca, desperta a sua recordação, eles reaparecem, com outras tantas testemunhas, balizando o caminho longa e penosamente percorrido.

Os Espíritos atrasados têm envoltórios impregnados de fluidos materiais. Sentem ainda depois da morte as impressões e as necessidades da Vida terrestre. A fome, o frio e a dor subsistem entre aqueles que são mais grosseiros. Seu organismo fluídico, obscurecido pelas paixões, só pode vibrar fracamente e, portanto, suas percepções são mais restritas. Nada sabem da Vida do Espaço. Em si e ao seu redor tudo são trevas. A Alma pura, livre das atrações bestiais, forma um perispírito semelhante a si própria. Quanto mais sutil for esse perispírito, tanto maior força expende, tanto mais se lhe dilatam suas percepções...

(...) No momento da morte, destaca-se da matéria tangível, abandona o corpo às decomposições do túmulo, porém, inseparável da alma, conserva a forma exterior da personalidade desta. O perispírito é, pois, um organismo fluídico; é a forma preexis­tente e sobrevivente do ser humano, sobre a qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla e invisível, constituída de matéria quintessenciada, que atravessa todos os corpos por mais impenetráveis que estes nos pareçam.

A matéria grosseira, incessantemente renovada pela circulação vital, não é a parte estável e permanente do homem. O perispírito é que garante a manutenção da estrutura humana e dos traços fisionômicos, e isto em todas as épocas da Vida, desde o nascimento até a morte. Exerce assim a ação de um molde con­trátil e expansível sobre o qual as moléculas se vão incorporar.

Esse corpo fluídico não é, entretanto, imutável; depura-se e enobrece-se com a alma; segue-a através das suas inumeráveis encarnações; com ela sobe os degraus da escada hierárquica, torna-se cada vez mais diáfano e brilhante para, em algum dia, resplandecer com essa luz radiante de que falam as bíblias antigas e os testemunhos da História a respeito de certas aparições. É no cérebro desse corpo espiritual que os conhecimentos se armazenam e se imprimem em linhas fosforescentes, e é sobre essas linhas que, na reencarnação, se modela e se forma o cérebro da criança.

A elevação dos sentimentos, a pureza da Vida, os nobres impulsos para o bem e para o ideal, as provações e os sofrimentos pacientemente suportados depuram pouco a pouco as moléculas perispiríticas, desenvolvem e multiplicam as suas vibrações. Como uma ação química, eles consomem as partículas grosseiras, e só deixam subsistir as mais sutis, as mais delicadas...

Por efeito inverso, os apetites materiais, as paixões baixas e vulgares reagem sobre o perispírito e o tornam mais pesado, denso e obscuro. A atração dos globos inferiores, como a Terra, exerce-se de modo irresistível sobre esses organismos espi­rituais, que em parte conservam as necessidades do corpo e não podem satisfazê-las. As encarnações dos Espíritos que sentem tais necessidades sucedem-se rapidamente, até que o progresso pelo sofrimento venha atenuar suas paixões, subtraí-los às influências terrestres e abrir-lhes o acesso de mundos melhores.

Estreita correlação liga os três elementos constitutivos do ser. Quanto mais elevado é o Espírito, tanto mais sutil, leve e brilhante é o perispírito, tanto mais isento de paixões e moderado em seus apetites ou desejos é o corpo. A nobreza e a dignidade da alma refletem sobre o perispírito, tornando-o mais harmônico em for­mas e mais etéreo; revelam-se até sobre o próprio corpo; a face então se ilumina com o reflexo de uma chama interior.

É pelas correntes magnéticas que o perispírito se comunica com a alma. É pelos fluidos nervosos que ele está ligado ao corpo. Esses fluidos, posto que in­visíveis, são atilhos poderosos que o prendem à matéria, do nascimento à morte, e mesmo, nos sensuais, assim o conservam, até a dissolução do organismo. A agonia nos re­presenta a soma de esforços realizados pelo perispírito a fim de se desprender dos laços carnais. O fluido nervoso ou vital, de que o perispírito é a origem, exerce um papel considerável na economia orgânica. Sua existência e seu modo de ação podem ex­plicar bastante a questão dos problemas patológicos”.

Em outro livro, ensinou o nobre cidadão de Foug[3]:

“(...) O perispírito é o transmissor de nossas impressões, sensações e lembranças. Anterior à vida atual, inacessível à destruição pela morte, é o admirável instrumento que para si mesma a alma constrói e que aperfeiçoa através dos tempos; é o resultado de seu longo passado. Nele se conservam os instin­tos, se acumulam as forças, se fixam as aquisições de nossas múltiplas existências, os frutos de nossa lenta e penosa evolução.

A substância do perispírito é extremamente sutil, é a matéria em seu estado mais quintessenciado, é mais rarefeita que o éter, suas vibrações, seus movimentos ultrapassam em rapidez e penetração os das mais ativas substâncias. Daí a facilidade de os Espíritos atravessarem os corpos opacos, os obstáculos materiais e transporem consideráveis distâncias com a rapidez do pensamento.

Insensível às causas de desagregação e destruição que afetam o corpo físico, o perispírito assegura a estabilidade da Vida em meio da contínua renovação das células. É o modelo invisível através do qual passam e se sucedem as partículas orgânicas, obedecendo as linhas de força, cuja reunião constitui esse desenho, esse plano imutável, reconhecido por Claude Bernard como necessário para manter a forma humana em meio das constantes modificações e da renovação dos átomos.

O perispírito é o organismo fluídico completo; é ele que, durante a Vida terrestre, pelo grupamento das células, ou no espaço, com o auxílio da força psíquica que absorve nos médiuns, constitui sobre um plano determinado, as formas, duradouras ou efêmeras, da Vida. É ele, e não o corpo ma­terial, que representa o tipo primordial e persistente da forma humana.

O corpo fluídico é um foco de energias. A força magnética, por certos homens projetada em abundância, e que pode, de perto ou de longe, fazer sentir sua influên­cia, aliviar, curar, é uma de suas propriedades. Nele tem sua sede a força psíquica indis­pensável à produção dos fenômenos espíritas.

O perispírito não é somente um receptáculo de forças, mas também o registro vivo em que se imprimem as imagens e lembranças: sensações, impressões e fatos, tudo aí se grava e fixa.

As vibrações do perispírito se reduzem sob a pressão da carne; read­quirem sua amplitude logo que o Espírito se desprende da matéria e reassume a liberdade. Sob a intensidade dessas vibrações, as impressões acumuladas no perispírito res­surgem.

O nosso perispírito, sutil ou grosseiro, radiante ou obscuro, representa o valor exato e a soma de nossas aquisições. Os nossos atos e pensa­mentos pertinazes, a tensão de nossa vontade em determinado sentido, todas as volições do nosso ser mental repercutem no perispírito e, conforme a sua natureza, inferior ou elevada, generosa ou vil, assim dilatam, purificam ou tornam grosseira a sua substância. Daí resulta que, pela constante orientação de nossas ideias e aspirações, de nossos ape­tites e procedimentos em um sentido, ou noutro, pouco a pouco fabricamos um envoltório sutil, recamado de belas e nobres imagens, accessível às mais delicadas sensações, ou um sombrio domicílio, uma lôbrega prisão, em que, depois da morte, a alma restringida em suas percepções se encontra sepultada como num túmulo. Assim cria o homem para si mesmo o bem ou o mal, a alegria ou o sofrimento. Dia a dia, lentamente, edifica ele seu destino. Em si mesmo está gravada sua obra, visível para todos no Além.

É por esse admirável mecanismo das coisas, simples e grandioso ao mesmo tempo, que se executa, nos seres e no mundo, a lei de causalidade ou de consequência dos atos, que outra coisa não é senão o cumprimento da justiça.

[1] - KARDEC, Allan. A Gênese. 43. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. XIV.

[2] - DENIS, Léon. Depois da Morte. 23. ed. Rio [de Janeiro]: 2004, capítulos XXI e XXII, 3ª parte.

[3] - DENIS, Léon. No Invisível. 19. ed. Rio [de Janeiro]: 2000, 1ª parte, cap. III.