MEDIUNIDADE
BIBLIOGRAFIA
01- A Gênese - cap. XIV, 40 02 - A mediunidade e a lei - toda a obra
03 - A mediunidade sem lágrimas - pág. 12 04 - A levitação - pág.149
05 - Alerta - pág. 120 06 - As aves feridas na Terra voam - pág. 53, 84
07 - Caminho, verdade e vida - pág. 35 08 - Conduta espírita - pág. 99
09 - Contos desta e doutras vidas - pág. 11 10 - Da alma humana - pág. 62
11 - Dimensões da verdade - pág. 20 12 - Doenças da alma - pág. 53
13 - Dramas da obsessão - pág. 17, 30 14 - Ernesto Bozzano - pág. 129
15 - Espírito e vida - pág. 62

16 - Estante da vida - pág. 109

17 - Estudando a mediunidade - toda a obra 18 - Estude e viva - pág. 176, 210
19 - Estudos Espiritas - pág. 137 20 - Evolução em dois mundos - pág. 130
21 - Florações evangélicas - pág. 208 22 - Grilhões partidos - pág. 102
23 - História do Espiritismo - pág. 114, 151 24 - Lampadário Espírita - pág. 250
25 - Mecanismos da mediunidade - pág. 13, 50,67 26 - Mediunidade e evolução - toda a obra
27 - Na era do Espírito - pág. 115 28 - No invisível - pág. 52, 245, 339
29- O Centro Espírita - pág. 18 30 - O consolador - pág. 141, 213, 223
31 - O Evangelho S.o Espiritismo cap. v-6 32 - o Fenômeno espírita - pág.68, 70
33 - O livro dos Médiuns - cap. xviii, xx 34 - O que é o Espiritismo - pág. 93, 175, 178
35 - Mediunidade e sintonia - pág. 29 36 - Trevo de idéias - pág.41
37 - Temas da vida e da morte- pág. 125, 129, 133 38 - Correnteza de luz - pág. 61, 67, 73 79

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MEDIUNIDADE – COMPILAÇÃO

01- A Gênese - Allan Kardec - cap. XIV, 40

40. MANIFESTAÇÕES FÍSICAS - MEDIUNIDADE
Os fenômenos das mesas girantes e falantes, da suspensão etérea dos corpos pesados, da escrita medianímica, tão antigos quanto o mundo; mais vulgares hoje, dão a chave de alguns fenômenos análogos espontâneos, aos quais, na ignorância da lei que os regia, lhes atribuíram um caráter sobrenatural e miraculoso. Esses fenômenos repousam sobre as propriedades do fluido perispiritual, seja de encarnados, seja de Espíritos livres.

41. - É com a ajuda de seu perispírito que o Espírito age sobre o seu corpo vivo; é ainda com este mesmo fluido que se manifesta agindo sobre a matéria inerte, que produz os ruídos, os movimentos de mesas e outros objetos que levanta, tomba ou transporta. Este fenômeno nada tem de surpreendente, considerando-se que, entre nós, os mais poderosos motores se encontram nos fluidos mais rarefeitos e mesmo imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade.

É igualmente com a ajuda de seu perispírito que o Espírito faz os médiuns escreverem, falarem ou desenharem; não tendo mais corpo tangível para agir ostensivamente, quando quer se manifestar, serve-se do corpo do médium, do qual empresta os órgãos, que faz agir como se fora o seu próprio corpo, e isso pelo eflúvio fluídico que derrama sobre ele.

42. - É pelo mesmo meio que o Espírito age sobre a mesa, seja para fazê-la mover-se sem significação determinada, seja para fazê-la dar golpes inteligentes indicando as letras do alfabeto, para formar palavras e frases, fenômeno designado sob o nome de tiptologia. A mesa não é, aqui, senão um instrumento de que ele se serve, como faz do lápis para escrever; dá-lhe uma vitalidade momentânea pelo fluido com a qual a penetra, mas em nada se identifica com ela.

As pessoas que, em sua emoção, vendo se manifestar um ser que lhe é querido, se abraçam à mesa, fazem um ato ridículo, porque é absolutamente como se abraçassem o bastão de que um amigo se serve para dar pancadas. Ocorre o mesmo com aquelas que dirigem a palavra à mesa, como se o Espirito estivesse encerrado na madeira, ou como se a madeira se tornasse Espírito.

Quando as comunicações ocorrem por este meio, é necessário supor que o Espírito, não na mesa, mas ao lado, tal como era quando vivo, e tal como seria visto, podendo se tornar visível. A mesma coisa ocorre nas comunicações pela escrita; ver-se-á o Espírito ao lado do médium, dirigindo a sua mão ou transmitindo-lhe o seu pensamento por uma corrente fluídica.

43. - Quando a mesa se destaca do solo e flutua no espaço sem ponto de apoio, o Espírito não a ergue com a força do braço, mas a envolve e a penetra com uma espécie de atmosfera fluídica que neutraliza o efeito da gravidade, como o faz o ar com os balões e os papagaios. O fluido com a qual ela está penetrada, lhe dá, momentaneamente, uma leveza específica maior. Quando ela está pregada ao solo, está num estado análogo ao da campânula pneumática sob a qual se faz o vácuo.

Aqui não temos senão comparações para mostrarmos a analogia dos efeitos e não a semelhança absoluta das causas. (O Livro dos Médiuns, cap. IV). Compreende-se, depois disto, que não é mais difícil a um Espírito levantar uma pessoa do que levantar uma mesa, transportar um objeto de um lugar para outro, ou lançá-lo em qualquer parte; estes fenómenos se produzem pela mesma lei.

Quando a mesa persegue alguém, não é o Espírito quem corre, porque ele pode permanecer tranquilamente no mesmo lugar, mas lhe dá impulso por uma corrente fluídica que produz o efeito de um choque elétrico. Ele modifica o ruído como se podem modificar os sons produzidos pelo ar.

44. - Um fenômeno muito frequente na mediunidade é a aptidão de certos médiuns para escrever numa língua que lhes é estranha; o tratar, pela palavra ou pela escrita, de assuntos fora do alcance de sua instrução. Não é raro ver os que escrevem correntemente sem terem aprendido a escrever; outros que fazem poesias sem nunca saberem fazer um verso em sua vida; outros desenham, pintam, esculpem, compõem músicas, tocam um instrumento, sem conhecerem o desenho, a pintura, a escultura, ou a ciência musical.

É muito frequente que um médium escrevente reproduza, a ponto de enganar-se, a escrita e a assinatura que os Espíritos que se comunicam por ele tinham quando vivos, embora nunca os haja conhecido. Este fenômeno não é mais maravilhoso do que o de ver uma criança escrever quando se lhe conduz a mão: pode-se, assim, fazê-la executar tudo o que se quer. Pode-se fazer o primeiro que chegar escrever numa língua qualquer ditando-se-lhe as palavras letra a letra.

Compreende-se que possa ser o mesmo na mediunidade, reportando-se à maneira pela qual os Espíritos se comunicam com os médiuns, que não são para eles, em realidade, senão instrumentos passivos. Mas se o médium possui o mecanismo, se venceu as dificuldades práticas, se as expressões lhe são familiares, enfim, se tem em seu cérebro os elementos daquilo que o Espírito quer fazê-lo executar, ele está na posição do homem que sabe ler e escrever correntemente; o trabalho é mais fácil e mais rápido; o Es­pírito não tem senão que transmitir o pensamento que o seu intérprete reproduz pêlos meios de que dispõe.

Exemplos de manifestações materiais e de perturbações pê­los Espíritos: Revista Espírita, Jovem dos Panoramas, janeiro 1858, pagina 13;- Senhorita Clairon, fevereiro 1858, página 44; - Espírito batedor de Bergzabern, relato completo, maio, junho e julho 1858, páginas 125,153,184;- Dibbelsdorf, agosto 1858, página 219; - Padeiro de Dieppe, março 1860, página 76; - Comerciante de São Petersburgo, abril 1860, pagina 115; - Rua dos Noyers, agosto 1860, página 236; - Espírito batedor de Aube, janeiro 1861, página 23; - Id. no século, dezesseis janeiro 1864, página 32; -Poitiers, maio 1864, página 156, e maio 1865, página 134; — Irmã Maria, junho 1864, página 185; - Marseille, abril 1865, página 121; - Fives, agos­to 1865, página 225; - Os ratos de Equihen, fevereiro 1866, página 55.

A aptidão de um médium para coisas que lhe são estranhas, frequentemente, prende-se também aos conhecimentos que possuiu numa outra existência e dos quais seu Espírito conservou a intuição. Se foi poeta ou músico, por exemplo, terá mais facilidade para assimilar o pensamento poético ou musical que se quer fazê-lo reproduzir. A língua que ignora hoje pode lhe ter sido familiar numa outra existência: daí, para ele, uma aptidão maior para escrever mediunicamente nessa língua.

05 - Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 120

42. NA LAVOURA MEDIÚNICA

Na lavoura da mediunidade, o trabalho de aprimoramento moral do homem é de capital importância. Terreno em desprezo, dá vitória à erva daninha. Solo sem trato é prejuízo na economia da agricultura. Cada médium revela, na aplicação das forças psíquicas, o estado da própria evolução.

Em razão disso, a grande variedade de médiuns é decorrência da larga faixa moral em que transitam os homens. Aprimorem-se o caráter moral e os valores culturais do servidor e defrontaremos resultados superiores, no serviço mediúncio. A faculdade medianímica, como outra qualquer, é neutra, em si mesma. A direção que se lhe dá torna-a dignificada como perniciosa.

Variando de intensidade, de indivíduo para indivíduo, tem as suas raízes no Espírito, onde se fixam as necessidades evolutivas do ser.
Inata, desenvolve-se por criteriosos processos de educação e disciplina, dirigidos para os valores morais, mediante o exercício a que se deve submeter. A mediunidade é inerente ao homem como o conciente intelectual, aguardando correspondente aprimoramento.

Possui-se mediunidade ou não se dispõe de mais amplos recursos medianímicos.
Se és médium, desatrela-te dos impedimentos de qualquer natureza, que te retenham no pórtico da lavoura mediúnica. Se experimentas os sintomas que caracterizam a faculdade abençoada, não tergiverses; ante o labor a ser atendido.

Libera-te das injunções da dúvida e submete-te a um programa disciplinante de aformoseamento moral e educação mediúnica. Estuda a Doutrina Espírita e estuda-te. Exercita a vivência evangélica e pauta as idéias e aspirações na diretriz cristã. Confia no tempo e não te atormentes pelos efeitos apressados.

Sintoniza com o Bem, a fim de que os Espíritos Nobres se afeiçoem ao teu esforço. Afervora-te à vida interior, cultivando a reflexão e a prece de modo que te possas abstrair, quando necessário, da turbulência e da perturbação sem alarde, mantendo equilíbrio psíquico.
Trabalha, na mediunidade e pelo bem de todos quanto possas, tornando-te medianeiro constante da esperança e da paz, do otimismo e da saúde a próprio e a benefício de todos.

Defrontarás dificuldades na lavoura mediúnica. Se, porém, venceres aqueles problemas que se encontram em ti mesmo, superarás os outros, que se te afigurarão de menor gravidade e significado.

07 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 35

10. MEDIUNIDADE
"E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu espírito derramarei sobre toda carne; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos". (Atos, 2:17)

No dia de Pentecostes, Jerusalém estava repleta de forasteiros. Filhos da Mesopotâmia, da Frigia, da Líbia, do Egito, cretenses, árabes, partos e romanos se aglomeravam na praça extensa, quando os discípulos humildes do Nazareno anunciaram a Boa Nova, atendendo a cada grupo da multidão em seu idioma particular.

Uma onda de surpresa e de alegria invadiu o espírito geral. Não faltaram os cépticos, no divino concerto, atribuindo à loucura e à embriaguez a revelação observada, Simão Pedro destaca-se e esclarece que se trata da luz prometida pelos céus à escuridão da carne.

Desde esse dia, as claridades do Pentecostes jorraram sobre o mundo, incessantemente. Até aí, os discípulos eram frágeis e indecisos, mas, dessa hora em diante, quebram as influências do meio, curam os doentes, levantam o espírito dos infortunados, falam aos reis da Terra em nome do Senhor.

O poder de Jesus se lhes comunicara às energias reduzidas. Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos. Contra o seu influxo, trabalham, até hoje, os prejuízos morais que avassalam os caminhos do homem, mas é sobre a mediunidade, gloriosa luz dos céus oferecida às criaturas, no Pentecostes, que se edificam as construções espirituais de todas as comunicações sinceras da Doutrina do Cristo e é ainda ela que, dilatada dos apóstolos ao círculo de todos os homens, ressurge no Espíritismo cristão, como a alma imortal do Cristianismo redivivo.

08 - Conduta espírita - André Luiz - pág. 99

27 - PERANTE A MEDIUNIDADE
Reprimir qualquer iniciativa tendente a assinalar a mediunidade, o médium ou os fatos mediúnicos como extraordinários ou místicos. O intercâmbio mediúnico é acontecimento natural e o médium é um ser humano como qualquer outro.

Certificar-se de que o exercício natural da mediunidade não exime o médium da obrigação de viver profissão honesta na sociedade a que pertence. Não pode haver assistência digna onde não há dever dignamente cumprido.

Precaver-se contra as petições inadequadas junto à mediunidade. Os médiuns são companheiros comuns que devem viver normalmente as experiências e as provas que lhes cabem. Por nenhuma razão elogiar o medianeiro pelos resultados obtidos através dele, lembrando-se que é sempre possível agradecer sem lisonjear.

Para nós, todo o bem puro e nobre procede de Jesus-Cristo, nosso Mestre e Senhor. Ainda mesmo premido por extensas dificuldades, colocar o exercício da mediunidade acima dos eventos efêmeros e limitados que varrem constantemente os panoramas sociais e religiosos da Terra. A mediunidade nunca será talento para ser enterrado no solo do comodismo.

Conversar sobre fenômenos mediúnicos e princípios espíritas apenas em ambientes receptivos. Há terrenos que ainda não estão amanhados para a semeadura. Prosseguir sem vacilações no consolo e no esclarecimento das almas, esquecendo espinheiros e pe
dras do vale humano, para conquistar a luz da imortalidade que fulgura nos cimos da vida.
Desenvolver-se alguém mediunicamente, a bem do próximo, é ascender em espiritualidade.

"E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu espirito derramarei sobre toda carne."(ATos, 2:17.)

09 - Contos desta e doutras vidas -Irmão X - pág. 11

Mediunidade
No limiar do sono, Adelino Saraiva inquiria em prece:"Senhor, por que motivo tanta indiferença dos homens, perante a mediunidade? Prodígios aparecem, maravilhas se fazem. A sobrevivência, para lá da morte, é matéria provada. Há mais de um século, Senhor, medianeiro há inúmeros hão nascido entre os homens, entregando às nações constantes mensagens da vida eterna. Por que razão a distância entre a fé e a ciência? Não seria justo obrigar o poder humano a render-se ?

Porque adiar a padronização da energia mediúnica, através da qual os desencarnados se exprimam, de maneira inequívoca, compelindo os povos a reconhecerem a vida, além? Sob o crivo de mentes múltiplas, a mediunidade parece combater a si própria... Entretanto, Senhor, se controlada pela administração terrestre, indiscutivelmente proporcionará demonstrações matemáticas, afirmando-se em certezas irremovíveis, qual acontece à radiofonia e à televisão."

Saraiva entrou em sonho e, como se fosse arrebatado de improviso, reconheceu-se em cidade enorme. Ele, médium abnegado, continuava médium; contudo, fato estranho, via-se num carro faustoso, escoltado por assessores atentos. Sentia-se nimbado de importância pessoal, mas constrangido por fiscalização rigorosa. Depois de longo trajeto por ruas e praças, em que lhe era dado observar o temor e a veneração que os circunstantes lhe tributavam, atingiu palácio soberbo, onde outros médiuns o esperavam.

Reparou que ele e os demais trajavam roupa a caráter, conforme o grau de autoridade que lhes era atribuído. Túnicas douradas, faixas róseas, auréolas de prata, símbolos, anéis, amuletos...Ante as ordens de um chefe, acomodaram-se em poltronas para a recepção da palavra nascida nos planos superiores. Surpreendido, porém, notou que ali, naquele monumento de governança onde a mediunidade era absolutamente reverenciada e reconhecida, a mensagem dos instrutores desencarnados não encontrava curso livre.

As lições e apelos da Esfera Sublime sofriam podas e enxertos, segundo as conveniências dos maiorais. Espíritos generosos e amigos deviam ceder lugar a vampiros astuciosos que inspiravam projetos de exploração e influência. Conservava-se o nome de Deus e a custódia do Evangelho nas legendas da luzida reunião; contudo, à socapa, os diretores do conclave, não obstante aparente respeito aos dons medianímicos, torciam as revelações na pauta dos interesses políticos.

Finança e prestígio social, luxo e dominação surgiam na ponta. Ninguém queria saber de justiça divina e fraternidade humana. Que a Humanidade ficasse onde estava, que o povo era besta de carga, desde o princípio do mundo. Progredisse quem quisesse. Nada de auxílio espontâneo. Só o grupo prepotente devia mandar. Conversava-se, em nome de Jesus, mas não faltava ali mesmo quem se referisse ao suposto fracasso do Mestre.

Nem o Cristo havia escapado à condenação. Que companheiro algum fosse tão tolo ao ponto de provocar o levantamento de novas cruzes. Que o mundo espiritual existia, era assunto pacífico; no entanto, que ninguém se despreocupasse do bolso cheio e da mesa farta, na própria Terra, ainda que isso custasse suor e sangue dos semelhantes . Ergueu-se Adelino, corajoso, e protestou veemente. Esclareceu que a mediunidade é instrumento do Senhor para alívio e instrução de todas as criaturas.

Não devia sofrer restrições ou converter-se em agente de sindicatos das trevas, à maneira dessa ou daquela preciosa força da Natureza, jugulada pelos empresários do crime e pelos fazedores da morte . . .Saraiva gritou, agitou-se, explicou e indignou-se, mas, por resposta, foi atado de pés e mãos e, em seguida, lançado ao silêncio do cárcere. Debatia-se, apavorado, na laje fria, cercado de aranhas e escorpiões, quando acordou, no leito, suarento e desfigurado, verificando que a experiência não passara de pesadelo...

Saraiva sentou-se e refletiu maduramente. Logo após, colocando-se em prece para agradecer a lição recebida, viu Rogério, o amigo espiritual, que o assistia nas tarefas comuns, a dizer-lhe, bem humorado:— Compreendeu, meu filho? Vocês consideram estranha a atitude do Plano Superior, deixando a mediunidade ao alcance de todos, muitas vezes submetida aos caprichos de cada um, embora com a luz da Doutrina Espírita a plasmar-lhe roteiro; contudo, enquanto os governantes do mundo não se edificarem nos merecimentos do espírito, se não quisermos ser dinamite no carro da perturbação e da violência, é necessário sofrer o desprezo dos poderosos e continuar assim mesmo.

18 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 176, 210

Mediunidade e psicoterapia
Os médiuns, como elementos de ligação entre a vida espiritual e o plano físico, serão sempre solicitados a dar uma palavra orientadora nas questões multiformes que afetam as pessoas que os procuram. Daí a indicação de exercitarem alguns princípios de psicoterapia e relações humanas. A intensa vida moderna na Terra generalizou a carência de roteiros, planos, programas e observações para as criaturas deprimidas, tímidas, cépticas, recalcadas e frustradas em geral.

Com você, que inicia o esforço na tarefa mediúnica, seja pelo passe, pela psicofonia, pela psicografia ou nas formas variadas de assistência aos sofredores da alma e do corpo, estudemos algumas atitudes que favorecem a manifestação das Entidades Amigas, no auxílio a terceiros, pelo conselho simples e natural. Paciência e perseverança no bem devem estar conjugadas constantemente em sua presença e expressão .

Não demonstre estranheza ou perplexidade ante as revelações ouvidas, para que não esmoreça a confiança do coração que se abre a você. Predisponha-se, com todos os recursos do seu campo mental, à simpatia pelos irmãos que lhe pedem a opinião, sem mostrar-se superior. Cultive invariável atenção perante as confidências alheias, testemunhando o maior interesse afetivo pela solução aos problemas do interlocutor, seja ele quem for.

Envide esforços para que a criatura exponha em pormenores e calmamente o caso que lhe motiva a preocupação, a fim de que você possa ajudá-la, através de mais ampla visão dos fatos. Evite julgar ou censurar precipitadamente a quem se confia a você, mesmo com reprovações inarticuladas. Restrinja as indagações aos assuntos e momentos absolutamente necessários. Pesquise os postulados básicos do Espiritismo, argumentando com as ocorrências em exame sob o crivo do discernimento espírita e exaltando a responsabilidade pessoal ante a existência eterna.

Sempre que possa, indique um núcleo de serviço espiritual compatível com as afinidades e necessidades da pessoa que comparece à busca de concurso fraterno. Resguarde em segredo aquilo que não deva ser revelado, mantendo discrição e respeito para com todos os nossos irmãos em experiência.

Jamais force resoluções taxativas, nesse ou naquele sentido, mas exponha os vários caminhos possíveis, com as suas consequências prováveis, e deixe que o livre-arbítrio dos companheiros escolha o que mais lhes convenha. Sustente equilíbrio, entendimento e suas manifestações, para que a autoridade moral e espiritual lhe favoreça o trabalho.

Leia constantemente para melhorar seus processos de análise das almas e suas técnicas de expor as soluções mais justas, conforme o seu modo de entender. Sobretudo, saiba que são inimagináveis as possibilidades de socorro de um encarnado confiante no Alto e consciente de seus recursos íntimos, quando ligado aos Bons Espíritos que nos estendem a inspiração e o amparo da Vida Superior.

Médiuns iniciantes
No intercâmbio espiritual, encontramos vasto grupo de companheiros, carecedores de especial atenção — os médiuns iniciantes. Muitas vezes, fascinados pelo entusiasmo excessivo, diante do impacto das revelações espirituais que os visitam de jato, solicitam o entendimento e o apoio dos irmãos experimentados, para que não se percam, através de engodos brilhantes.

Induzamo-los a reconhecer que estamos todos à frente dos Espíritos generosos e sábios, à feição de cooperadores, perante autoridades de serviço, que nos esperam o concurso eficiente e espontâneo. Não nos compete avançar sem a devida preparação, conquanto supervisionados por mentores respeitáveis e competentes.

Tanto quanto para nós outros, para cada médium urge o dever de estudar para discernir, e trabalhar para merecer. Tão-só porque os seareiros da mediunidade revelem facilidades para a transmissão de observações e mensagens, isso não os exime da responsabilidade na apresentação, condução e aplicação dos assuntos de que se tornam intérpretes.

Indispensável se capacitem de que a morte não altera a personalidade humana, de forma fundamental. Acesso à esfera dos seres desencarnados, ainda ungidos ao plano físico, é semelhante ao ingresso em praça pública da própria Terra, onde enxameiam Inteligências de todos os tipos.

Admitido a construções de ordem superior, o médium é convidado ao discernimento e à disciplina, para que se lhe aclarem e aprimorem as faculdades, cabendo-lhe afastar-se do «tudo querer» e do "tudo fazer" a que somos impelidos quando imaturos na vida, pelos que se afazem à rebeldia e à perturbação.

Ajudemos os médiuns iniciantes a perceber que na mediunidade, como em qualquer outra atividade terrestre, não há conhecimento real onde o tempo não consagrou a aprendizagem, e que todos os encargos são nobres onde a luz da caridade preside as realizações.

Para esse fim, conduzamo-los a se esclarecerem nos princípios salutares e libertadores da Doutrina Espírita. Médiuns para a edificação do aprimoramento e da felicidade, entre as criaturas, são apenas aqueles que se fazem autênticos servidores da Humanidade.

19 - Estudos Espiritas - Joanna de Ângelis - pág. 137

18 - MEDIUNIDADE
conceito
— Faculdade orgânica, a encontra, em quase todos os indivíduos, não constituindo patrimônio especial de grupos nem privilégio de castas; é inerente ao espírito que dela se utiliza, encarnado ou desencarnado, para o ministério do intercâmbio entre diferentes esferas de evolução. A mediunidade têm características próprias por meio das quais, quando acentuadas, facultam vigoroso comércio entre homens e Espíritos, entre as criaturas reciprocamente, bem como entre os próprios Espíritos.

O médium (do latim médium) é aquele que serve de instrumento entre os dois pólos da vida: física e espiritual. "Médium é o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens: Espíritos encarnados", conforme acentuou o Espírito Erasto, em memorável comunicação sobre a mediunidade dos animais, a inserta em "O Livro dos Médiuns", capítulo XXII, item 236.

Todavia, entre os Espíritos já desencarnados médiuns também os há, que exercem o labor, facultando que Entidades de mais elevadas Esferas possam comunicar-se com aqueles que se encontram na retaguarda da evolução, e recebam nesses encontros o auxílio, o impulso estimulador para, a seu turno, ascenderem.

Mais difundido o exercício da mediunidade através das comunicações dos desencarnados com os encarnados, tal faculdade se faz a porta por meio da qual se abrem os horizontes da imortalidade, propiciando amplas possibilidades para positivar a indestrutibilidade da vida, não obstante o desgaste da transitória indumentária fisiológica.

Natural, aparece espontaneamente,
mediante constrição segura, na qual os desencarnados de tal ou qual estágio evolutivo convocam à necessária observância de suas leis, conduzindo o instrumento mediúnico a precioso labor por cujos serviços adquire vasto patrimônio de equilíbrio e iluminação, resgatando, simultaneamente, os compromissos negativos a que se encontra enleado desde vidas anteriores.

Outras vezes surge como impositivo provacional
mediante o qual é possível mais ampla libertação do próprio médium, que, em dilatando o exercício da nobilitação a que se dedica, granjeia consideração e títulos de benemerência que lhe conferem paz. Sem dúvida, poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso.

Não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do médium libera-o da influência dos Espíritos inferiores e perversos, que se sentem, então, impossibilitados de maior predomínio por faltarem os vínculos para a necessária sintonia. Por isso, sendo um inato recurso do espírito, reponta em qualquer meio e em todo indivíduo, aprimorando-se ou se convertendo em motivo de perturbação ou enfermidade, de acordo com a direção que se lhe dê.

desenvolvimento — Em todos os tempos a mediunidade revelou ao homem a existência do Mundo Espiritual, donde todos procedemos e para onde, após o fenômeno morte, todos retornamos. Nos períodos mais primitivos da cultura ética da Humanidade, a mediunidade exerceu preponderante influência, porquanto, através dos sensitivos, nominados como feiticeiros, magos, adivinhos e mais tarde oráculos, pítons, taumaturgos, todos médiuns, contribuindo decisivamente na formação do clã, da tribo ou da comunidade em desenvolvimento, revelando preciosas lições que fomentavam o crescimento do grupo social, impulsionando-o na direção do progresso.

Nem sempre, porém, eram bons os Espíritos que produziam os fenômenos, o que redundava, por sua vez, demorados estágios na barbárie, no primitivismo dos que lhes prestavam culto... À medida que os conceitos culturais e éticos evoluíam, a mediunidade experimentou diferente compreensão. Nos círculos mais adiantados das civilizações orientais e logo depois greco-romana, a faculdade mediúnica lobrigou relevante projeção, merecendo considerável destaque nas diversas comunidades sociais do passado.

No entanto, com Jesus, o Excelso Médium de Deus, que favoreceu largamente o intercâmbio entre os dois mundos em litígio: o espiritual e o material, foi que a mediunidade recebeu o selo da mansidão e a diretriz do amor, a fim de se transformar em luminosa ponte, através da qual passaram a transitar os viandantes do corpo na direção da Vida abundante e os Imortais retornando à Terra, em incessante permuta de informações preciosas e inspiração sublime.

O Cristianismo, nos seus primeiros séculos, desde a Ressurreição até o Concílio de Nicéia (5) se fez um hino de respeito e exaltação à Imortalidade. Depois, enflorescendo incontáveis apóstolos, encarregados de reacenderem as claridades da fé, a mediunidade foi a fonte inexaurível que atendia a sede tormentosa dos séculos, trazendo a "água viva" da Espiritualidade enquanto ardiam as chamas da inquietação e do despotismo, destruindo esperanças, anatematizando, pervertendo ideais...

Os médiuns experimentaram duro cativeiro, demorada perseguição, e a mediunidade foi considerada maldição, exceção feita apenas a uns poucos dotados que receberam ainda em vida física compreensão e respeito de alguns raros espíritos lúcidos do seu tempo. Desde que os intimoratos expoentes da Vida jamais recearam nortear o homem, utilizaram-se da mediunidade, às vezes, com o vigor da verdade exprobrando os erros e os crimes onde quer que se encontrassem.

Todos aqueles, porém, que se encontravam equivocados em relação ao bem e à justiça, por ignorância ou propositadamente, ante a impossibilidade de silenciar o brado que lhes chegava do além-túmulo, providenciavam destruir os veículos, em inútil esforço de conseguirem apoio às irregularidades e intrujices de que se faziam servos submissos. Hoje, porém, após a documentação kardequiana, inserta na Codificação, a mediunidade abandonou as lendas e ficções, os florilégios do sobrenatural e do miraculoso, superando as difamações de que foi vítima, para ocupar o seu legítimo lugar, recebendo das modernas ciências psíquicas, psicológicas e parapsicológicas o respeito e o estudo que lhe desdobram os meios.

(5) Concílio de Nicéia — Primeiro Concílio ecuménico, realizado no ano 325, na cidade de Constantinopla, que condenou a doutrina arianista, o livre exercício da mediunidade e outros pontos mantidos pelos cristãos primitivos, do que redundou constituir-se marco inicial da desagregação e decomposição do Cristianismo nas suas legitimas bases de que se fizeram paradigmas Jesus, os discípulos e os seus sucessores. — Nota da Autora espiritual.

Contribuindo com abençoados recursos de que a Psiquiatria se pode utilizar, como outros ramos das Ciências, para solucionar um sem-número de problemas físicos, emocionais, sociais que afligem a moderna e atormentada sociedade.

conclusão — Ao exercício da mediunidade isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a benefício da criatura, em nome da Caridade, é que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana, na Terra.

Mediumato — eis o ápice do correto exercício da faculdade mediúnica em cuja ação o médium já não vive, antes nele vive o Cristo insculpindo-lhe a felicidade sem jaça de que se adorna, em prol do Mundo Melhor todos laboramos.

ESTUDO E MEDITAÇÃO:
"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos."

20 - Evolução em dois mundos -André Luiz - pág. 13

Mediunidade e corpo espiritual
AURA HUMANA
— Considerando-se toda célula em ação por unidade viva, qual motor microscópico, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos que podemos nomear por "tecidos de força", em torno dos corpos que as exteriorizam.

Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um "halo energético" que lhes corresponde à natureza. No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.

Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda.

Aí temos, nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais, a aura humana, peculiar a cada indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo que parece emergir dele, à maneira de campo ovóide, não obstante a feição irregular em que se configura, valendo por espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas, quando perduram em vigor e semelhança como no cinematógrafo comum.

Fotosfera psíquica, entretecida em elementos dinâmicos, atende à cromática variada, segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em cores e imagens que nos respondem aos objetivos e escolhas, enobrecedores ou deprimentes.

MEDIUNIDADE INICIAL
— A aura é, portanto, a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa.

Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a pensamento, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais. É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que começaram todos os serviços da mediunidade na Terra, considerando-se a mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os homens liberados do corpo físico.

Essa obra de permuta, no entanto, foi iniciada no mundo sem qualquer direção consciente, porque, pela natural apresentação da própria aura, os homens melhores atraíram para si os Espíritos humanos melhorados, cujo coração generoso se voltava, compadecido, para a esfera terrena, auxiliando os companheiros da retaguarda, e os homens rebeldes à Lei Divina aliciaram a companhia de entidades da mesma classe, transformando-se em pontos de contato entre o bem e o mal ou entre a Luz e a Sombra que se digladiam na própria Terra.

Pelas ondas de pensamento a se enovelarem umas sobre as outras, segundo a combinação de frequência e trajeto, natureza e objetivo, encontraram-se as mentes semelhantes entre si, formando núcleos de progresso em que homens nobres assimilaram as correntes mentais dos Espíritos Superiores, para gerar trabalho edificante e educativo, ou originando processos vários de simbiose em que almas estacionárias se enquistaram mutuamente, desafiando debalde os imperativos da evolução e estabelecendo obsessões lamentáveis, a se elastecerem sempre novas, nas teias do crime ou na etiologia complexa das enfermidades mentais.

A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio, facilitando a comunhão das criaturas, mesmo a distância, para transfundi-las no trabalho sutil da telementação, nesse ou naquele domínio do sentimento e da idéia, por intermédio de remoinhos mensuráveis de força mental, assim como na atualidade o remoinho eletrônico infunde em aparelhos especiais a voz ou a figura de pessoas ausentes, em comunicação recíproca na radiotelefonia e na televisão.

SONO E DESPRENDIMENTO
— Releva, contudo, assinalar que, em se iniciando a criatura na produção do pensamento contínuo, o sono adquiriu para ela uma importância que a consciência em processo evolutivo, até aí, não conhecera. Usado instintivamente pelo elemento espiritual, como recurso reparador, no refazimento das células em serviço, semelhante estado fisiológico carreou novas possibilidades de realização para quantos se consagrassem ao trabalho mais amplo de desejar e mentalizar.

Ansiando livrar-se da fadiga física, após determinada quota de tempo no esforço da vigília diária e, por isso mesmo, entregue ao relaxamento muscular, o homem operante e indagador adormecia com a idéia fixada a serviços de sua predileção. Amadurecido para pensar e lançando de si a substância de seus propósitos mais íntimos, ensaiou, pouco a pouco, tal como aprendera, vagarosamente, o desprendimento definitivo nas operações da morte, o desprendimento parcial do corpo sutil, durante o sono, desenfaixando-o do veículo de matéria mais densa, embora sustentando-o, ligado a ele, por laços fluídico-magnéticos, a se dilatarem levemente dos plexos e, com mais segurança, da fossa rombóide.

Encetado o processo de sonolência, com as reações motoras empobrecidas e impondo mecanicamente a si mesma o descanso temporário, no auxílio às células fatigadas de tensão, isto desde as eras remotas em que o pensamento se lhe articulou com fluência e continuidade, permanece a mente, através do corpo espiritual, na maioria das vezes, justaposta ao veículo físico, à guisa de um cavaleiro que repousa ao pé do animal de que necessita para a travessia de grande região, em complicada viagem, dando-lhe ensejo à recuperação e pastagem, enquanto ele se recolhe ao próprio íntimo, ensimesmando-se para refletir ou imaginar, de conformidade com seus problemas e inquietações, necessidades e desejos.

ASPECTOS DO DESPRENDIMENTO — Dessa forma, aliviando o controle sobre as células que a servem no corpo carnal, a mente se volta, no sono, para o refúgio de si mesma, plasmando na onda constante de suas próprias idéias as imagens com que se compraz nos sonhos agradáveis em que saca da memória a essência de seus próprios desejos, retemperando-se na antecipada contemplação dos painéis ou situações que almeja concretizar.

Para isso, mobiliza os recursos do núcleo da visão superior, no diencéfalo, de vez que, aí, as qualidades essencialmente ópticas do centro coronário lhe acalentam no silêncio do desnervamento transitório todos os pensamentos que lhe emergem do seio. Noutras ocasiões, no mesmo estado de insulamento, recolhe, no curso do sono, os resultados de seus próprios excessos, padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade, quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas, cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças.

Numa e noutra condição, todavia, é a mente suscetível à influenciação dos desencarnados que, evoluídos ou não, lhe visitam o ser, atraídos pelos quadros que se lhe filtram da aura, ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral, ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando, pela própria ociosidade ou intenção maligna, adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante, que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias.

Mas dessa posição de espectador á função de agente existe apenas um passo. O pensamento contínuo, em fluxo insopitável, desloca a organização celular perispiritual, à maneira do córrego que em sua passagem desarticula da gleba em que desliza todo um rosário de seixos. E assim como os seixos soltos seguem a direção da corrente, lapidando-se no curso dos dias, o corpo espiritual acompanha, de início, o impulso da corrente mental que por ele extravasa, conscienciando-se muito vagarosamente no sono,que lhe propicia meia-libertação.

MEDIUNIDADE ESPONTÂNEA - Nessa fase primária de novo desenvolvimento, encontra-se, como é natural, ao pé dos objetos que lhe tomam o interesse. É assim que o lavrador, no repouso físico, retorna, em corpo espiritual, ao campo em que semeia, entrando em contato com as entidades que amparam a Natureza; o caçador volta a floresta; o escultor regressa, frequentemente, no sono, ao bloco de mármore de que aspira a desentranhara obra-prima; o seareiro do bem volve à leira de serviço em que se lhe desdobra a virtude, e o culpado torna ao local do crime, cada qual recebendo de Espíritos afins os estímulos de que se fazem merecedores.

Consolidadas semelhantes relações com o Plano Espiritual, por intermédio da hipnose comum, começaram na Terra os movimentos da mediunidade espontânea porquanto os encarnados que demonstrassem capacidades mediúnicas mais evidentes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual, em certas regiões do corpo somático, passaram das observações durante o sono da vigília, a princípio fragmentárias, mas acentuáveis com o tempo, conforme os graus de cultura a que fossem expostos.

Quanto menos densos os elos de ligação entre o implementos físicos e espirituais, nos órgãos nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e para modalidades outras, no intercâmbio entre as duas esferas, inclusive as peculiaridades da materialização, pelas quais os recursos periféricos do perisféricos do citoplasma a se condensarem no ectoplasma da definição científica vulgar, se exteriorizam do corpo carnal do médium, na conjugação com as forças circulantes do ambiente, para a efêmera constituição de formas diversas.

Desde então, iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas, porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca, ou magia elementar, em que os desencarnados igualmente inferiores eram aproveitados, por via hipnótica, na execução de atividades materialonas, sem qualquer alicerce na sublimação pessoal.

FORMAÇÃO DA MITOLOGIA
— Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as Inteligências Superiores opuseram a religião por magia divina, encetando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal. Numes familiares, interessados em favorecer as tarefas edificantes para levantar a vida humana a nível mais nobre, foram categorizadas à conta de deuses, em diversas faixas da Natureza, e, realmente, através dos instrumentos humanos mobilizáveis, esses gênios tutelares incentivaram, por todas as formas possíveis, o progresso da agricultura e do pastoreio, das indústrias e das artes. A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs. Desde essas eras recuadas, empenharam-se o bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar, com bases na mediunidade consciente ou inconsciente, técnica ou empírica.

FUNÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA
— Forçoso reconhecer, todavia, que a mediunidade, na essência, quanto a energia elétrica em si mesma, nada tem a ver com os princípios morais que regem os problemas do destino e do ser. Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evidencia, sábios e ignorantes, justos e injustos, expressando-se-lhe, desse modo, a necessidade de condução reta, quanto a força elétrica exige disciplina a fim de auxiliar.

Esse o motivo por que os Orientadores do Progresso sustentam a Doutrina Espírita na atualidade do mundo, por Chama Divina, cristianizando fenômenos e objetivos, caracteres e faculdades, para que o Evangelho de Jesus seja de fato incorporado às relações humanas.

Como nas intervenções cirúrgicas em que tecidos são transplantados com êxito para melhoria das condições orgânicas, é indispensável nos atenhamos ao impositivo das operações mediúnicas pelas quais se efetuem proveitosas enxertias psíquicas, com vistas à difusão do conhecimento superior.

MEDIUNIDADE E VIDA
— Eminentes fisiologistas e pesquisadores de laboratório procuraram fixar mediunidades e médiuns a nomenclaturas e conceitos da ciência metapsíquica; entretanto, o problema, como todos os problemas humanos, é mais profundo, porque a mediunidade jaz adstrita à própria vida, não existindo, por isso mesmo, dois médiuns iguais, não obstante a semelhança no campo das impressões.

Por outro lado, espiritualistas distintos julgam-se no direito de hostilizar-lhe os serviços e impedir-lhe a eclosão, encarecendo-lhe os supostos perigos, como se eles próprios, mentalizando os argumentos que avocam, não estivessem assimilando, por via mediúnica, as correntes mentais intuitivas, contendo interpretações particulares das Inteligências desencarnadas que os assistem.

A mediunidade, no entanto, é faculdade inerente à própria vida e, com todas as suas deficiências e grandezas, acertos e desacertos, é qual o dom da visão comum, peculiar a todas as criaturas, responsável por tantas glórias e tantos infortúnios na Terra. Ninguém se lembrará, contudo, de suprimir os olhos, porque milhões de pessoas, à face de circunstâncias imponderáveis da evolução, deles se tenham valido para perseguir e matar nas guerras de terror e destruição.

Urge iluminá-los, orientá-los e esclarecê-los.Também a mediunidade não requisitará desenvolvimento indiscriminado, mas sim, antes de tudo, aprimoramento da personalidade mediúnica e nobreza de fins, para que o corpo espiritual, modelando o corpo físico e sustentando-o, possa igualmente erigir-se em filtro leal das Esferas Superiores, facilitando a ascensão da Humanidade aos domínios da luz.

35 - MEDIUNIDADE E SINTONIA- EMMANUEL - PÁG. 29, 33, 49, 57

MEDIUNIDADE: Mediunidade sem exercício no bem, é semelhante ao título profissional sem a função que lhes corresponde. A medicina é venerável em suas finalidades, mas se o médico abomina os doentes, não lhe vale ingresso no apostolado da cura. A lavoura é serviço que assegura à comunidade o pão de cada dia, contudo, se o homem do campo odeia o arado, preferindo acomodar-se com a inércia, debalde a gleba em suas mãos recolherá o apoio do sol e a bênção da chuva.

Mediunidade não é pretexto para situar-se a criatura no fenômeno exterior ou no êxtase inútil, à maneira da criança atordoada no deslumbramento da festa vulgar. É, acima de tudo, caminho de árduo trabalho em que o espírito, chamado a serví-la, precisa consagrar o melhor das próprias forças para colaborar no desenvolvimento do bem.

O médium, por isso, será vigilante cultor do progresso, assistindo-lhe a obrigação de aprimorar-se incessantemente para refletir com mais segurança a palavra ou o alvitre, o pensamento ou a sugestão da Vida Maior.

Nesse sentido, sabendo que a experiência humana é vasta colméia de luta na qual enxameiam desencarnados de toda sorte, urge saiba ajustar-se à companhia de ordem superior, buscando no convívio de Espíritos Benevolentes e Sábios o clima ideal para a missão que lhe compete cumprir, significando isso disciplina constante no estudo nobre e ação incansável na beneficência em favor dos outros.

Essa é a única senda de acesso à vida mais alta, através da qual, auxiliando sem a preocupação de ser auxiliado, servindo sem exigência e distribuindo, sem retribuição, os talentos que recebe, poderá o medianeiro honrar efetivamente a mediunidade, por ela espalhando os frutos de Paz e Amor que lhe repontam da vida, em marcha gradativa para a Grande Luz.

MÉDIUNS: Não procures o médium dos Espíritos Benfeitores, qual se fosses defrontado por um ser sobrenatural. Quem se empenha a semelhante adoração, copia a atitude dos companheiros de Moisés, quando se devotavam aos ídolos inativos, com a diferença de que a nossa fantasiosa adoração estaria centralizada em torno de um ídolo animado e naturalmente falível.

O médium é um companheiro. É um trabalhador. É um amigo. E é sobretudo nosso irmão, com dificuldades e problemas análogos àqueles que assediam a mente de qualquer espírito encarnado.

O nosso objetivo é buscar a luz do Espírito, que flui da lição que se derrama da Vida Maior, e não o garimpo de fenômenos superficiais, que brilham quais foguetes de artifício, impressionando a imaginação sem proveito real para ninguém.

Lembremo-nos de que nós outros os aprendizes do Evangelho, estamos em torno do Médium de Deus, que é Jesus, há quase dois mil anos, não mais qual Tomé, sondando-lhe as chagas, mas na posição de discípulos redivivos, que procuram e encontram, não a figuração material do Senhor, mas a sua palavra de vida eterna, estruturada no espírito imperecível em que se lhe gravaram os ensinamentos imortais.

MEDIUNIDADE E NÓS: Nem sempre conseguirás materializar os amigos da Vida Maior para satisfazer a sede de verdade que tortura a muitos de nossos companheiros na Terra, mas sempre podes substancializar essa ou aquela providência suscetível de prodigalizar-lhe tranquilidade e consolação.

Nem sempre sonorizarás a voz de desencarnados queridos para reconforto dos que choram de saudade no mundo; no entanto, sempre podes articular a frase calmante que lhes transmita encorajamento e esperança.

Nem sempre obterás a mensagem de determinados amigos que residem no Mais Além, para a edificação imediata dos que sofrem no Plano Físico; entretanto, sempre podes improvisar algum recurso com que se lhes restaurem a energia e o bom ânimo.

Nem sempre lograrás a cura de certas enfermidades no corpo de irmãos padecentes; todavia, sempre podes lenir-lhes o coração e aclarar-lhes a alma, com o apoio fraterno, habilitando-lhes a mente para a cura espiritual.

Nem sempre te evindenciarás como sendo um fenômeno, mas sempre podes, em qualquer tempo, ser o auxílio a quem necessite de amparo. Médium quer dizer intérprete, medianeiro. E dar utilidade à própria vida, transformando-nos em socorro e bênção para os demais, é ser médium do Eterno Bem, sob a inspiração do Espírito de Jesus Cristo, privilégio que cada um de nós pode usufruir.

EM TORNO DA MEDIUNIDADE: Ser médium não é simplesmente fazer-se veículo de fenômenos que transcendem a alheia compreensão. Acima de tudo, é indispensável entendamos na faculdade mediúnica a possibilidade de servir, compreendendo-se que semelhante faculdade é característica de todas as criaturas.

Acontece, porém, que o homem espera habitualmente pelas entidades protetoras em horas de prova e sofrimento, para arremessar-se ao estudo e ao trabalho quase sempre com extremas dificuldades de aproveitamento das lições que o visitam, quando o nosso dever mais simples é o de seguir, em paz, ao encontro da Espiritualidade Superior, movimentando a nossa própria iniciativa, no terreno firme do bem.

A própria natureza é pródiga de ensinamentos nesse particular. A terra é médium da flor que se materializa quanto a flor é medianeira do perfume que embalsama a atmosfera. O Sol é o médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o instrumento do progresso planetário.

Todos os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade através da qual opera o Espírito de Jesus, de mil modos diferentes, em cada setor de nossa marcha evolutiva. Ampara aos teus semelhantes e encontrarás a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento psíquico.

Na plantação da simpatia, por intermédio de uma simples palavra, estabelecemos, em torno de nós, renovadora corrente de auxílio. Não aguardes o toque de inteligência estranhas à tua, para que te transformes no canal da alegria e da fraternidade, a benefício dos outros e de ti mesmo.

Podes traduzir a mensagem do Senhor, onde quer que te encontres, aprendendo, amando, construindo e servindo sempre, porque acima dos médiuns dessa ou daquela entidade espiritual, desse ou daquele fenômeno que muitas vezes espantam ou comovem, sem educar e sem edificar, permanecem a consciência e o coração devotados ao Supremo Bem, através dos quais o Senhor se manifesta, estendendo para nós todos a bênção da vida melhor.

PRÁTICA MEDIÚNICA: Tudo na vida é afinidade e comunhão, sob as leis magnéticas que lhe presidem os fenômenos. Tudo gravita em torno dos centros de atração e sustentação de forças determinadas e específicas, no plano em que evoluímos para a Ordem Superior. A mediunidade não pode igualmente escapar a semelhantes impositivos. Almas ignorantes atraem criaturas ignorantes. Doentes afinam-se com doentes.

Há entidades espirituais que se dedicam ao serviço do próximo, em companhia daqueles que estimam a prática da beneficência, tanto quanto existem inteligências desencarnadas que, em desequilíbrio, se devotam lamentáveis alterações da tranquilidade alheia, junto das pessoas indisciplinadas e insubmissas.

Obsessores vivem com quem estima perseguir e vampirizar e comunicantes irônicos somente encontram guarida nos companheiros do sarcasmo. Eis porque, acima da prática mediúnica, examinada sob qualquer aspecto, situamos o imperativo da educação em nossos círculos doutrinários.

Amontoam-se vermes onde se congregam frutos desaproveitados ou apodrecidos, assim como a luz brilha onde encontra força ou material que lhe sirvam de combustíveis. O médium receberá sempre de acordo com as atitudes que adota para si mesmo, perante a vida. Se irado, sintoniza-se com as energias perturbadas do desespero; se preguiçoso, vive à vontade com os desencarnados ociosos.

Quem deseje crescer para a Espiritualidade Superior não pode menosprezar o alfabeto, o livro, o ensinamento e a meditação. Mediunidade não é exaltação da inércia ou da ignorância.

O médium, para servir a Jesus de modo positivo e eficiente, no campo da Humanidade, precisa afeiçoar-se à instrução, ao conhecimento, ao preparo e à própria melhoria, a fim de que se faça filtro de luz e paz, elevação e engrandecimento para a vida e para o caminho das criaturas.

Jesus é o nosso Divino Mestre. Eduquemo-nos com Ele, a fim de que possamos realmente educar.

36 - TREVO DE IDÉIAS - EMMANUEL - PÁG. 41

PERSONALIDADE MEDIÚNICA

Orientação para desenvolvimento mediúnico - esclarecimento solicitado às dezenas. Justo ponderar que, se a mediunidade pode ser definida em seus característicos gerais, cada médium é um instrumento por si reclamando diferentes medidas de educação. Assim como o avião, até certo ponto, depende da inteligência que o dirige, até certo limite, a mediunidade depende do médium.

Observe em cada medianeiro dos espíritos as impropriedades de que se veja portador e busque suprimi-las com sinceridade, melhorando os próprios recursos de ligação com os Instrutores Espirituais, a fim de interpretá-los devidamente.

Por preceitos atribuíveis à conduta de qualquer médium espírita, enumeremos alguns daqueles de que nenhum se afastará sem desvincular-se das influências edificantes:

1 - Acolher os talentos mediúnicos de que seja depositário, com a responsabilidade de quem recolhe determinados valores dos quais prestará contas no momento oportuno;

2 - Cultivar a prática mediúnica, situando-a acima de tudo, em construções morais de consolo e esperança, instruções e benefiência;

3 - Zelar pela saúde do corpo físico;

4 - Praticar a higiene mental, evitando qualquer indução à irritabilidade e à malícia;

5 - Atender ao exato desempenho dos deveres que abraçou;

6 - Devotar-se ao próprio equilíbrio;

7 - Auxiliar sem a pretensão de convencer;

8 - Respeitar a seara de serviço que lhe foi confiada;

9 - E fugir de suscetibilidades, aceitando o sofrimento e a crítica por agentes naturais e indispensáveis ao burilamento das faculdades que lhe digam respeito.

Decerto que, no aperfeiçoamento mediúnico, é preciso que se faça sempre mais e mais esforço nos domínios da elevação, no entanto, apenas nos reportamos aos pontos indicados para considerar que, se é necessário especializar o trabalhador para garantir o rendimento da máquina, é imprescindível construir a personalidade mediúnica, a fim de que a mediunidade apresente todo o bem que seja capaz de produzir.

37 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - MANOEL P. DE MIRANDA - PÁG. 125, 129, 133

OBSTÁCULOS À MEDIUNIDADE:

A mediunidade tem, como fim providencial, a elevação espiritual da Humanidade e do planeta que habita. Como consequência, faculta o intercâmbio dos desencarnados com os homens, rompendo a cortina que aparentemente os separa, destruindo na base a negação e o cepticismo a que muitos se aferram. Da mesma forma, oferece a correta visão da realidade de ultratumba, ampliando a compreensão em torno do mundo primeiro e causal onde todos se originam e para o qual retornam; dá ensejo ao esforço de promoção cultural e moral, graças ao qual se torna possível a libertação dos vícios e dos atavismos mais primários que lhe predominam em a natureza.

A faculdade mediúnica propicia o esclarecimento dos que se demoram na rebeldia espiritual, num ou noutro lado da vida, auxiliando a terapia das alienações e, sobretudo, da desagregação interior que resulta do desconhecimento das Leis que os Espíritos Superiores explicam e ajudam a ser respeitadas, em face da finalidade que têm de manter a ordem e o equilíbrio, que constituem fundamento primacial no Universo.

Assim, o exercício mediúnico fortalece os laços da fraternidade entre os habitantes das duas esferas de diferentes vibrações, ampliando a área do afeto e eliminando o ódio cáustico que infelicita grande faixa de seres; estimula a humildade, pois que demonstra, diante da grandeza da Vida, a pequenez do homem, não obstante ser o grande investimento do Amor que o promove e eleva através dos milênios, trabalhando pelo seu engrandecimento.

A mediunidade bem exercida leva o trabalhador ao mediumato, que tem, em Jesus, o Modelo, por haver sido, por excelência, o perfeito Médium de Deus, graças à sintonia ideal mantida com o Pai. Apesar de tais objetivos, há escolhos graves que se lhe antepõem, intentando impedir-lhe os logros elevados. O mais cruel são as imperfeições morais do próprio médium, que permitem a interferência dos maus Espíritos como dos frívolos, que com ele se afinam, mantendo identificação de propósitos, naturalmente de natureza inferior. Concomitantemente, esse intercâmbio de características negativas ou vulgares determina o aparecimento das síndromes obsessivas que, não cuidadas em tempo próprio, se transformam em malsinada fascinação e subjugação, com graves riscos, inclusive, de vida para o invigilante.

Essa inferioridade em a natureza moral do médium, quando não encontra conveniente educação e aprimoramento, responde por incontáveis males que não deixam o medianeiro alcançar o elevado mister a que está destinado. Por essas razões, variam os graus de mediunidade, em decorrência dos registros que tipificam as credenciais intelecto-morais de cada um. Da mesma forma, diferem os tipos de mediunidade, e graças à sua larga faixa, a documentação da sobrevivência melhor se afirma, fazendo que se esboroem as hipóteses que se lhe contrapõem com arroubos de negação da sua real procedência.

O médium deve, como efeito dos perigos a que está exposto, trabalhar pelo aprimoramento íntimo constante, exercendo o seu ministério com abnegação e desinteresse, mediante o que granjeia a simpatia dos Bons Espíritos, que passam a assisti-lo, ao mesmo tempo em que haure recursos fluídicos entre aqueles que lhe recebem os benefícios, adquirindo mais segurança e capacidade de autodoação. Assim se fortalece e sai das frequências mais baixas vivendando, então, os ideais relevantes e altruísticos.

O orgulho e a presunção, a indolência e a irresponsabilidade, tão do agrado das pessoas descuidadas em relação aos compromissos de alto porte, não devem vigernas atitudes de quem abraça a tarefa mediúnica, pois que aquelas qualidades perniciosas do caráter tornam-se-lhe escolhos perigosos. Vemos, no dia-a-dia, esses indivíduos instáveis e incorretos, exercendo a mediunidade com insegurança e descontrole, com altibaixos que bem denotam a sua conduta reprochável e o seu deplorável estado íntimo.

Não é a mediunidade responsável por esses comportamentos ridículos e perigosos, conforme fazem crer alguns médiuns inescrupulosos, mas eles mesmos, por serem de constituição moral frágil e emocionalmente atormentados, tenteando com os episódios obsessivos que terminarão por vitimá-los, mais tarde. Exercem a faculdade mediúnica para autopromoção, sem escrúpulo nem consciência correta dos próprios atos.

Acreditando-se criaturas especiais, permitem-se contínuas leviandades, brincando com as forças da vida, que atiram aos jogos espúrios dos interesses imediatos, descambando para graves situações nas quais se infelicitam e aos demais prejudicam. Ardilosos, mentem, dissimulam, disfarçando esses sentimentos inferiores como sendo influência dos Espíritos maus, o que realmente sucede às vezes, porém pela simples razão de serem eles mesmos os responsáveis pela ocorrência, em face da afinidade recíproca existente, assim se comprazendo em permanecer na postura que fingem deplorar.

Os médiuns seguros, conforme definiu Allan Kardec, ouvem as comunicações de que se fazem intermediários, aplicando-as em favor do próprio progresso, cônscios dos compromissos dignos que assumiram e buscam desincumbir-se com dignidade. São, por isso mesmo, homens honrados, que mais facilmente se engrandecem pelos exemplos de que dão mostras, tornando-se merecedores de ser seguidos pelo bem-estar que exteriorizam, porque o fruem na sua vivência cotidiana.

O diluente eficaz para esses obstáculos da mediunidade é, desse modo, o aprimoramento moral do sensitivo, que encontrará no trabalho da edificação do bem e da caridade, na oração e no estudo edificante, as forças para romper os impedimentos próprios da sua natureza em estágio de progresso, alcançando os patamares da libertação.

EDUCAÇÃO ÍNTIMA
A prática da mediunidade espírita consciente proporciona inimagináveis satisfações. Não apenas dulcifica aquele que se lhe propõe ao ministério como enseja a paz interior que decorre do prazer de servir, repartindo emoções saudáveis e distendendo esperanças de consolação. Acrescente-se a esses valores o aprendizado que decorre da convivência psíquica com os Espíritos Superiores e a impregnação de energias hauridas enquanto se operam os fenômenos nas suas diversas expressões, e pode-se ter idéia das bênçãos que se recolhe.

Para que, no entanto, se atinja essa situação, todo um largo período de experimentação se faz indispensável, como técnica de educação das forças latentes que devem ser canalizadas com o equilíbrio próprio para cometimento de tal jaez. A mediunidade, que se encontra presente em todos os indivíduos, requer cuidados especiais que lhe facultem o conveniente desabrochar, ou, a posteriori, o correto conduzir.

Excetuam-se, naturalmente, os casos em que ocorrem as obsessões, quando, pela violência, os sensitivos são dominados pela interferência do invasor da sua casa mental, conforme o grau em que se estabeleça a parasitose psíquica.
Outras vezes, em razão do descurado comportamento moral do médium, há intercorrêncías que se estabelecem como condições viciosas, levando-o a estados de alienação ou dependência perniciosa, nas quais desestrutura a personalidade e marcha para a consumpção dos objetivos dignifi-cantes da vida.

Para que ocorra uma educação desejável, é necessário o estudo da própria faculdade, assim como da Doutrina Espírita, a fim de identificar-se o mecanismo das forças de que se dispõe, bem como dos valores éticos e instrutivos do Espiritismo, que devem ser incorporados ao dia-a-dia, gerando conquistas morais que libertam o médium das paixões inferiores e atraem os Seres Espirituais interessados no progresso da Humanidade.

Adicione-se a disciplina como fator relevante, graças ao contributo da qual se fixam os hábitos salutares no exercício da faculdade, para que se colimem os fins específicos dessa função a que denominam de natureza extra-sensorial. Outrossim, são fatores de considerável significação a vida interior do medianeiro, a sua capacidade de concentração, de fixação de propósitos na área da meditação, com o objetivo de libertação das sensações mais grosseiras que respondem por vasta cópia de prejuízos na conduta e na individualidade profunda do ser.

Numa sociedade que se apaixona pelos ruídos e que se movimenta em torno da balbúrdia, atravancando-se de coisas-nenhumas que perturbam a paz e a integração nos ideais relevantes, faz enorme falta o silêncio íntimo e o equilíbrio das emoções. Para o conveniente registro das comunicações espirituais é exigível que se estabeleça, mediante a concentração, o aquietamento das ansiedades e das turbações constantes, ruidosas e insensatas, de modo que ocorram espaços mentais silenciosos, nos quais se captam as informações, os pensamentos das Entidades desencarnadas.

A mente deve tornar-se um espelho que refuta sem sinuosidades nem distorções as imagens que lhe sejam projetadas, o que requer uma lâmina correta, de elaboração bem cuidada. Num psiquismo irrequieto, caracterizado pela irreflexão e por suscetibilidades, não se encontram áreas de paz, de silêncio, que ensejem a tranquila captação das paisagens e mensagens que se lhe transmitam.

Certamente, esta não é uma tarefa para ser realizada de um golpe, em momento de empatia ou de entusiasmo, antes decorre de um processo de autocontrole de largo curso, que se logra mediante exercício constante, gerador do clima emocional harmonioso que favorece o silêncio mental indispensável. Ninguém estabelece que o médium deva ser um espírito perfeito para atingir esse estado; no entanto, é desejável que ele se esforce por melhorar-se sempre, galgando mais altos degraus da evolução, aspirando por mais significativas conquistas morais.

O silêncio íntimo preserva a paz do indivíduo em todo lugar, sem que ele seja atingido pelos petardos da ira ou do ciúme, pelos gravames da maledicência ou da calúnia, que lhe sejam atirados. Da mesma forma, pouco importa a balbúrbia em sua volta, conseguindo transitar em qualquer clima físico e mental sem perturbação ou desordem, não se afinando com as ondas de violência que se entrechocam em torno da sua atividade.

O estudo doutrinário estimula a criação de um estado íntimo otimista, equaciona os problemas afugentes que cedem lugar à confiança na fatalidade do bem, que a todos se destina. Origina-se aí a autoconfiança, com o consequente libertar-se das preocupações exageradas e da valorização de insignificâncias que se responsabilizam por muitas aflições.

Nesse campo de harmonia mental estabelecem-se o silêncio, a quietação interior, a passividade mediúnica, responsáveis pelo registro e fidelidade do intercâmbio. Os outros fatores morais completam a qualidade do conteúdo da mensagem, como efeito da sintonia do médium com os seus Instrutores, que se deixam atrair pelo esforço por ele desenvolvido, assim como pelo aproveitamento e aplicação das lições recebidas.

Não se levando em consideração esses requisitos mínimos, o fenômeno mediúnico não vai além de trivialidades e incongruências, perturbações e distonias, quando a função, em si mesma, não sofre bloqueios decorrentes do baixo teor vibratório das companhias psíquicas do próprio médium. Desse modo, a prática espírita da mediunidade não se restringe a momentos, a situações e lugares, mas a um permanente estado de sintonia com o Alto e de equilíbrio pessoal, porquanto o intermediário, onde se encontre, não se apresenta dissociado nem liberado das forças e faculdades paranormais de que está investido.

A sua atuação deve ser constante, embora não se faça necessária a interferência ostensiva dos Espíritos, tendo em vista ser ele mesmo um Espírito em processo de crescimento para a Vida e para Deus.

PSIQUISMO MEDIÚNICO

A hipótese de que o subconsciente é o responsável pelas personificações parasitárias e anômalas foi a primeira levantada contra a mediunidade, dando surgimento às conceituações negativas apressadas, como patologias inerentes ao indivíduo, por cujo intermédio pareciam comunicar-se as almas dos mortos. A histeria, por sua vez, foi posta para coadjuvar tão aberrante diagnóstico, que teria fundamento fisiológico no polígono cerebral, de Wundt, encarregado de arquivar os conflitos e as frustrações que se corporificariam como estados de alienação, credora de tratamento especializado, em detrimento da possibilidade de comunicação espiritual.

Mais tarde, o inconsciente, de Freud, assumiu a responsabilidade por tal degradação da personalidade, que ocultava, na sua gênese, qualquer tipo de distúrbio da libido. Além dessas explicações, foram adicionadas as hipóteses da fraude, da dissimulação, da telepatia, da hiperestesia, em vãs tentativas de negar a veracidade do intercâmbio entre os encarnados e os desencarnados.

Não afirmamos que sejam totalmente destituídas de respeito tais possibilidades, porquanto o fenômeno anímico é ocorrência presente, como se pode depreender, na estrutura do mediúnico, sem prejuízo para este. Todavia, sobrepondo-se a toda a gama de mecanismos automatistas do inconsciente e das interferências psíquicas outras, flui cristalina a mensagem dos imortais, confirmando a sua realidade e oferecendo largo campo de estudos a respeito da vida e do homem em si mesmo.

Descartamos as inconsistentes hipóteses da dissimulação e da fraude, porque são parte integrante de determinados caracteres morais do homem, sempre presentes nos diversos setores nos quais se encontram, e que, por aí remanescerem, não invalidam os valores legítimos e nobres das atividades de outra natureza. A mediunidade é expressão fisiopsíquica inerente ao homem, por cujo meio é-lhe possível entrar em contacto com outras faixas vibratórias, além e aquém daquelas que são captadas pelos seus equipamentos sensoriais.

A percepção sensorial humana se encontra adstrita a pequena faixa de vibrações. Somente as eletromagnéticas que transitam entre o vermelho, que é a mais baixa frequência visível, e o violeta que lhe é o oposto, portanto, a mais alta, podem ser captadas em razão de permitirem vibrar as terminais do nervo óptico na retina. As microondas, as caloríferas, as de rádio, porque não correspondem a frequências cuja ressonância atinjam a visão, não são percebidas, embora sejam portadoras da mesma natureza das cores registradas.

Assim, no imenso espectro de frequências que abrange as ondas longas de rádio, chegando aos raios gama e cósmicos, a limitada visão do homem apenas seleciona mui pequena faixa, conforme referido. A audição, da mesma forma, é-lhe muito reduzida, Captando sons que ocorrem entre 16 e 20.000 vibrações por segundo, perde a criatura para os animais, com capacidade muito maior de percepção, qual lhes ocorre também, na área da visão.

Não obstante, a desinformação ou má vontade teimam em associar à loucura e à neurose a presença dos registros mediúnicos. As disposições pessoais para os desequilíbrios são inatas no homem, que neles estão em gérmen, assomando e predominando como psicopatologias em todos os campos de atívidade nos quais se encontram esses indivíduos. Desse modo, é destituído de realidade o conceito que se vulgariza entre os desconhecedores do Espiritismo e, por extensão, da mediunidade, que o exercício dessa predisposição leva o seu possuidor à desarmonia mental, ou propicia-lhe má sorte, desconcertos sociais e econômicos.

O desenvolvimento ou educação da mediunidade oferece uma instrumentação a mais, um sexto sentido de grande valor para complementar a precaridade de recursos e funções de que dispõe o Espírito encarnado. Certamente que um instrumento deixado ao abandono termina por perder a capacidade para a qual foi construído, danificando-se sob a ação perniciosa do tempo e do desmazelo. Com qualquer função sensorial ou paranormal ocorre o mesmo. O órgão não exercitado se atrofia, assim como a mediunidade não exercida perde os registros, a percepção paranormal.

De tal realidade, para se afirmar com leviana convicção que a mesma é geradora de danos e prejuízos vai um largo pego. Os danos e insucessos, as dificuldades e os desafios, que o homem se vê compelido a enfrentar, resultam da sua conduta passada ou presente que lhe proporciona colheita equivalente às ações distribuídas. Convenhamos que a atividade mediúnica bem executada, posta a serviço do engrandecimento das criaturas da sociedade — a mediunidade espírita—, propicia goze e respeito que felicitam aquele que a aplica no bem, conforme é fácil de compreender-se, porquanto a ocorrência idêntica nas demais faixas do comportamento humano.

Adicione-se que o médium diligente e generoso, sempre a serviço do bem e da iluminação das consciências além das simpatias que granjeia entre as criaturas atrai a amizade e o devotamento dos Bons Espíritos, que passar a protegê-lo e guiá-lo com sabedoria, promovendo-o, moral e espiritualmente, como efeito dos sentimentos de amor que os une na tarefa que fomenta o progresso de todos.

Instrumento delicado, a mediunidade mais se afirma quanto mais exercida, granjeando melhores e mais sutis possibilidades como decorrência do exercício a que vá ser submetida. Não procedem, desse modo, as alegações a respeito de que a mediunidade é miséria psicológica ou responsável pelos danos que afligem aquelas pessoas dotadas. O conhecimento de tão peregrina função ou dom da vida auxilia o crescimento moral e o desenvolvimento psíquico, criando um clima de paz invejável, que passa a desfrutar aquele que a respeita e a utiliza corretamente.

Allan Kardec afirmou com altas razões que ela é manifestação anômala, às vezes, na personalidade humana, porque especial; jamais, porém, de natureza patológica, visto que "há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas".

38 - CORRENTEZA DE LUZ - J. RAUL TEIXEIRA - (espírito CAMILO) - PÁG. 61, 67, 73, 79

MEDIUNIDADE SALUTAR:

Incontestável é o fato de que no mundo, amiúde, muitos dos que buscam a informação mediúnica fazem-no movidos por interesses particulares, nem sempre nobres. Diferentes são as razões que aproximam as pessoas do fenômeno mediúnico. Quando não se acham
pruridos vaidosos, personalistas, demarcadores de estupenda enfermidade do caráter, assistimos às buscas em torno de questões de saúde; ansiosa sede de notícias, quando do passamento de algum ente caro; melhoria das condições econômico-financeiras; perdas de objetos ou benefícios nos relacionamentos sociais, onde se pretende obter lucros de vários tipos; onde se pretende obter lucros de vários tipos; afastamento daqueles que são aparentes empeços aos interesses comuns, muitas vezes escusos.

E, aí, desfilaríamos um sem-número de outros motivos que levam indivíduos à procura de médiuns e mediunidades, considerados como lixívia, capaz de limpar de todos os males a alma, ou como beberagem rápida de efeito paliativo, para aqueles que se associaram aos circuitos do imediatismo ou da vulgaridade, embasados em desconcertante ignorância. Alguns movimentam-se por entre diversos cultos mediúnicos, mimoseando médiuns e contemplando os que os cercam, como se quisessem garantir direitos não conquistados, perante Entidades que se lhes associam, que valorizam adulações, prometendo auxílios que não se acham no seu campo de possibilidades, uma vez que tudo está submetido à lei de causalidade. São enganados-enganadores, sem dúvida.

Geram nefárias dependências; manietam criaturas
incipientes que desconhecem a necessidade dos esforços diários, pessoais e intransferíveis, para o encontro com a ventura. Forja-se, então, a mediunidade enfermiça, pestilenta, qual se fora um foco miasmático, onde o intercâmbio com o Além se converte, em cadeia retentora, envilecedora, conduzindo o ser para os pauis de loucura iminente, nos dédalos das obsessões, ao invés de tornar-se seara de saúde e de bênçãos.

Não terá sido outro o motivo que levou o célebre Lider dos Judeus a pronunciar-se peremptório, decretando proibição e ameaças à continuidade dos contatos entre os dois planos da Vida. Em realidade, Moisés se expressa, no Deuteronômio, no capítulo dezoito, em seu versículo onze, contrariamente ao intercâmbio espiritual. Tal atitude, entrementes, é demonstrativa de que tal intercâmbio pode ocorrer, que o fenômeno pode dar-se, verdeiramente, entre os homens encarnados e os desenfaixados da carne, caso contrário, não teria sentido a referida proibição.

Quando o Legislador Hebreu tomou essa providência, não tinha, certamente, a intenção de desacreditar a mediunidade, que raia como flor dos Céus sobre o mundo conturbado, naquilo que ela guarda de autêntico e sagrado. Entretanto, o seu escopo era o de coibir o excesso abusivo. Seu povo estava deseducado e a ele cabia reeducá-lo; sua gente estava limitada no discernimento, sendo seu empenho o de fazer que distinguissem do mal o bem. Formara-se uma situação em que os indivíduos não se davam mais ao esforço de pensar por si mesmos, de decidir, de ampliar-se, desejando, para todos os fins, a consulta indiscriminada ao Mundo Espiritual. Era contínua a cata das informações oniromânticas, por demais comuns ao seu tempo, da nicromancia, da hidromancia e quejandos.

Era de praxe, ainda, o uso dos objetos sagrados como o urim e o tumim, complexos, que revelavam as respostas dos Espíritos. De diversos modos exoravam às orientações do Invisível, deixando de lado, muitas
vezes, o dever de responsabilizar-se pelos próprios atos, de dirigir a embarcação da própria vida.

Na imensa esteira do tempo que passa insofreável, muitos afirmam, vitoriosos, que Moisés proibia a dialogação com os Espíritos Defuntos, sem que compreendam suas razões, na obsessão de contestar os que reverenciam a Vida Imortal nos dias de hoje, valorizando o contato com o Além, pelas luzes do Evangelho, onde Jesus decantou as mais belas páginas de salutar mediunidade, na Sua condição de tirete luminoso entre o Criador e a criatura.

A prova cabal de que Moisés nada tinha contra o intercâmbio, em si, encontramo-la nos escritos do livro dos Números , quando no seu capítulo onze, nos versos vinte e sete a vinte e nove, perante a admoestação do filho de Num, Josué, contra Eldade e Medade que, nos campos de Israel, se punham na prática mediúnica, sem que estivessem fazendo parte do grupo dos setenta anciãos, selecionados pelo Grande Líder, que, no Tabernáculo, apenas eles poderiam servir de instrumentos do Mais Além. No auge do diálogo, retruca o "salvo das águas": "Quem dera se todo o povo de Israel pudesse profetar e que o Espírito do Senhor o inspirasse..." Analisados, sem cuidado, parecerão paradoxais os pronunciamentos feitos pelo mesmo homem.

A proibição enérgica e, ao mesmo tempo, o louvor à mediunidade. Observamos, contudo, qual era a preocupação do Missionário Hebreu. Desejaria que a mediunidade grassasse com equilíbrio, com claridade, sobre toda a gente do seu povo, mas que fosse inspirada pelo Senhor, utilizada, para o progresso e para o bem. Nos dias em que se derrama sobre a Terra a bênção do Consolador, que representa Jesus de retorno ao convívio humano, insuflando-nos bom ânimo, esperança, coragem para encetar a marcha renovadora, evocamos a figura do Guia Israelita, para concluir que, também na atualidade, carece o exercício mediúnico da disciplina, que norteia; do respeito, que valoriza; dos dedicados estudos, que geram entendimento; das meditações elevadas, que equilibram, a fim de que se consigam frutos sazonados da árvore da mediunidade.

Foi com o Mestre Galileu, o luminoso médium de Deus, no entanto, que a Humanidade se encontrou diante dos episódios com o médium atormentado da Sinagoga de Cafarnaum; com Legião, nas montanhas da Decápolis; com o Espírito surdo-mudo, ao descer do Tabor, onde partilhara de momento de luz e paz, ladeado por Elias e pelo próprio Moisés, que retornava do Invisível, após quase um milênio e meio, como que a afirmar a grande realidade do intercurso, tanto com as almas sofredoras quanto com os Numes Eleitos.

Perante a Doutrina Espírita que revive o Evangelho de Jesus, saudamos a Allan Kardec, o Apóstolo do Consolador na Terra, aquele que cantou para os ouvidos humanos as mensagens alentadoras da Codificação, norteando a lide mediúnica, balizando-a para que, com Cristo, se emancipasse pela prática do bem e pela vivência do amor ao próximo, a fim de que jamais viesse a sofrer proibições restritivas, mesmo que tentadas pêlos adversários da Verdade, em função da amadurecida e saudável atuação dos que se ofereceram para demonstrar a pujante Imortalidade, ainda que com sacrifícios, na condição de médiuns espíritas, inspirados pelo amor a Deus e ao próximo.

DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE

Os Centros Espíritas dignos dessa titulação, enquanto realizam amadurecido trabalho na esfera dos estudos, das reflexões, para o aclaramento das concepções de vida dos indivíduos, atuam em outros variados campos, atendendo a lides bastante nobres, que exigem disposição e responsabilidade, bom senso e prontidão. No conjunto desses serviços de cooperação com a evolução gradual do ser humano, as Instituições mantêm, quase sempre, um quadro de servidores da mediunidade, prestando-se a intermediar as vozes da imortalidade que falam do Invisível para a Terra.

É na faixa dessa atividade mediúnica que se apresentam inumeráveis indivíduos desejosos de se candidatar ao mister mediúnico, ansiosos por desenvolver suas faculdades psíquicas. Se o ensinamento espírita em nada se opõe a semelhante desejo, quando honesto e racional, também é certo que previne os lidadores da Doutrina para que não se enredem nas tolices de muitos que anelam por desenvolver as ditas faculdades, com o objetivo de solucionar dificuldades que lhes assinalam as existências ou mesmo por torvos pruridos da vaidade.

Muitas pessoas apelam para o desenvolvimento da sua mediunidade porque não estão bem ajustadas nas questões amorosas, nas situações financeiras ou profissionais, ou, por outro lado, carregam enfermidades que lhes maceram o corpo ou que lhes acicatam a mente. Pensam, então, ouvindo conselhos aqui ou acolá, que para suprimir tudo isso têm que desenvolver-se, pois, supõem, estejam sendo castigadas por seus pretensos 'guias' ou mesmo punidos por Deus.

Alguns chegam ao Centro Espírita e dizem portar um problema mediúnico para o qual necessitam encontrar solução, e o desenvolvimento se lhes apresenta como a saída mais indicada. Vale saber-se, primeiro, que a mediunidade, enquanto recurso que permite aos homens da Terra os contatos com os homens do Além, com vistas ao progresso comum, não é um problema em si mesma, podendo, isso sim, servir de filtro para os problemas trazidos por seu portador, o que ocorre, invariavelmente.

De outra maneira torna-se indispensável que os diretores das tarefas mediúnicas das Instituições Espíritas, com o dever de deter acendrado conhecimento da teoria do Espiritismo, não transformem as sessões práticas que dirigem ou orientam em palcos para encenações indébitas ou em salas de tratamento de mazelas psiquiátricas ou psicológicas de pseudo-médiuns ou de médiuns verdadeiros, mas que necessitam de ajustamentos e cuidados médicos, e muitas vezes hospitalares, antes de qualquer outra coisa.

Propõe O Livro dos Médiuns que não se deve forçar nenhuma eclosão de qualquer mediunidade, permitindo-se que a espontaneidade seja o selo da autenticidade, evitando-se, então, a maior incidência de explosões anímicas ou a desarvorada mistificação, todas de consequências danosas para o grupo mediúnico, uma vez que já o será, antes, para os elementos que lhes dão azo. Quando surjam esses candidatos ao desenvolvimento mediúnico, que se lhes faça conhecer as bases da Doutrina Espírita que os nortearão, pois que saberão o que sentem, porque o sentem e como deverão agir, em termos psíquicos, sempre que instigados em seus campos de registros.

Os acurados estudos do Espiritismo, as discussões felizes sobre a mediunidade, a troca das vibrações afetivas entre os companheiros, tudo isso ajudará o autocontrole daqueles em quem a faculdade já se apresentou com seus matizes iniciais e fará ver aos candidatos que nunca hajam sentido qualquer expressão mediúnica, o quanto existe a fazer-se para lá da sessão mediúnica, esperando as mãos e a boa vontade.

Daqui como dali virão pessoas dizer que estão sofrendo crises de angústia e depressão. Não será isso mediunidade, propriamente, podendo exprimir algum desgaste psicológico, alguma atuação obsessiva, a pedir vigilância e oração ou, ainda, um processo inconsciente de regressão, solicitando ajuda de conveniente terapia. Ocorrerão casos de indivíduos que estarão sempre de corpos suados e álgidos. Não será tal coisa indício obrigatório de mediunidade a desenvolver-se. Poderá indicar distúrbios do sistema nervoso vegetativo, que uma segura orientação médica resolverá.

Haverá exemplos desse e daquele que sofre desmaios em momentos os mais inesperados, constatando-se arritmias nas pulsações elétricas do cérebro. Tão pouco isso será, fatalmente, motivo para desenvolver-se mediunicamente. Um exame detido e sério poderá acenar com a necessidade de tratamento médico para processos esquizofrênicos ou epilépticos e outros, que podem forjar um falso quadro mediúnico.

Fortes cefalalgias, que foram progredindo sem que os analgésicos comuns conseguissem mais dar conta, longe estão de ser mostra de mediunidade, forçosamente. As providências tomadas a tempo poderão sustar processos tumorosos do cérebro ou de outras partes do sistema nervoso central, que se fariam inoperáveis, quando se relaxassem cuidados. Escutar zumbidos indefinidos e sofrer banzeiras, podem mostrar danos no labirinto; "ver estrelas" ou vultos sem sentido, pode apontar dificuldades de visão, problemas oftálmicos, sem que expressem necessariamente faculdade mediúnica.

No entanto, nas faixas de ocorrências mediúnicas, podem mesclar-se esses múltiplos episódios, na dependência da intensidade dos débitos espirituais do indivíduo, sem que, a seu turno, a eclosão da mediunidade tenha que se estabelecer com um lastro de perturbações de variada ordem, como passou a ser moda admitir-se.

Importante considerar, ainda que, à medida que se aperfeiçoa o indivíduo, quanto mais aprende, cresce e se ilumina, mais se desenvolve como pessoa, mais sua faculdade mediúnica assimila esse aprimoramento, fazendo com que os candidatos ao desenvolvimento mediúnico anelem, paralelamente, por avançar para Deus, com alegria e coragem, para converter o ser vicioso e acomodado em decidido estafeta da operosidade e da luz.

INSTRUMENTO MEDIÚNICO

No esforço de cooperar com os Prepostos de Jesus, no socorro aos irmãos enfermos do Mundo Invisível e aos atormentados do carreiro humano, não se deve descurar das responsabilidades que cabem a cada um. Compreendendo-se transe mediúnico como um processo de ligação psicoelétrica, baseada na estrutura do sistema nervoso central e nas diferentes propriedades do corpo perispiritual, é notória a participação do ser humano, como um todo, a fim de que tudo ocorra dentro dos níveis de maturidade e engrandecimento que se fazem necessários.

O cirurgião atenderá à cirurgia, previamente marcada, a fim de socorrer o paciente necessitado. Porém, se esse paciente não se impuser as disciplinas devidas, orientadas pelo profissional, não poderá aguardar bom êxito do empreendimento médico, e, certamente, estará correndo riscos imprevisíveis que seriam desnecessários.

O engenheiro calculará todo o material a utilizar-se em importante construção, para o progresso coletivo e para o benefício geral. Entretanto, se os empregados utilizarem material de má qualidade, fora das especificações, e não respeitarem as bases calculadas e as normas prescritas, não se queixarão, mais tarde, dos prejuízos conseguidos ou dos desastres havidos em função da incúria. O professor tudo fará pelo aprendizado do aluno, orientando estudos, indicando literaturas, acompanhando-lhe os passos na esfera dos seus conhecimentos e habilidades. No entanto, se o discípulo se apresenta negligente, irresponsável à frente das lições com que deveria se ilustrar, não poderá admirar-se das reprovações nem dos processos de dependência, que o impedirão de avançar.

Em mediunidade dá-se algo muito similar. Os Irmãos do Infinito recomendam cuidados e disciplinas, reflexão e estudo, vivência sã e bom senso, a fim de proporcionar excelentes ocasiões de bom atendimento, com Cristo, bem como dando oportunidade ao próprio crescimento do intermediário encarnado. Mas, se tais sugestões não forem atendidas, se o medianeiro não se dá ao trabalho do brunimento próprio, estudando para melhor compreender, meditando, a fim de conhecer o próprio íntimo, não se poderá queixar da faixa de tormentos em que se fixará, nem deverá evocar proteção superior se, ao seu turno, deixa-se à matroca, aconselhando-se com a preguiça e a intemperança que são, entre outros fatores, portas abertas às obsessões.

Todo e qualquer médium é responsável pela qualidade do fenômeno que veicula. Assim, na tua movimentação diária, ouvirás sobre todos os assuntos e temas que chegarão aos teus ouvidos por meio de conversas variadas e noticiários, agradáveis uns, enfadonhos outros, infelizes muitos. Entretanto, procurarás selecionar os elementos que te possam enriquecer o entendimento das coisas, deixando em plano secundário, quando não os consigas esquecer, tudo que te possa perturbar a mente, considerando os teus compromissos psíquicos.

Recolherás na retina as imagens variadas do cotidiano. As cenas grotescas da violência nas ruas; a crueza da indiferença e do desrespeito em muitos setores de atendimento público; os rituais apelativos do erotismo nas bancas de revistas e jornais, nos gestos e nas vestimentas; a miséria que habita sarjetas e guetos infectos quanto os excessos dos que exibem poder e pompa, em pleno delírio da vaidade. Saberás classificar cada quadro e seus matizes a fim de que não te aturdas, nem te desequilibres, embora nem sempre te possas evadir dos constrangimentos e indignações compreensíveis na tua experiência humana, mas que deverás controlar pensando na interferência perturbatória que poderás sofrer em teus deveres psíquicos.

Viverás os conflitos do próprio íntimo, perante as circunstâncias mais diferentes. A medida que passem os dias, buscarás aprofundar o conhecimento de ti mesmo, evitando que tais embates, entre os valores e os desvalores da alma, provoquem desarmonias nas experiências do psiquismo sob tua responsabilidade. Desse modo, os comunicantes espirituais poderão ser alucinados de dor ou de revolta, poderão estar embotados pela amargura ou se encontrar em explosões de violência, porque o médium contará com a possibilidade de vigilância, procurando filtrar devidamente, coerentemente, o comunicado de que se vê instrumento, em virtude dos exercícios de orgazação mental e disciplina moral que realiza todos os dias, na pauta da sua atividade humana.

Muitos são os que procuram informações quanto aos modos pelos quais se poderá melhor desenvolver a mediunidade, ou educá-la, para servir com maior proveito. É necessário se entenda, nesse caso, que à medida que o indivíduo com deveres mediúnicos se renova e se amplia, como criatura humana, quanto mais se aprimora como ser, mais conhecendo, mais amando, mais sentindo e sendo melhor pessoa, obviamente suas características mediúnicas, sejam quais forem, igualmente se desenvolverão.

Não há milagres sob os Céus. Tudo é fruto de ingentes esforços, de árduos trabalhos em prol da evolução desejada. Quando te ponhas no labor da mediunidade, saibas que os pruridos de inarmonia que te visitem, vindos do exterior, os excessos de que sejas veículo ou as impropriedades morais às quais te acomodes, correrão por tua conta, uma vez que o Senhor te confia os talentos mediúnicos para que, sabendo usá-los para o teu e para o bem de todos, faças-te cooperador consciente e digno da construção do Reino de Luz a ser inaugurado na Terra, logo mais, com a tua participação efetiva.

MEDIUNIDADE E ORGANISMO

Por mais que um grande contingente de companheiros das lides mediúnicas continue a afirmar a sua estranheza ou incompreensão, ante os ensinamentos apresentados nas páginas lúcidas de O Livro dos Médiuns, o fato é que as expressões de Allan Kardec seguem eivadas de lógica e correção, que necessitam do devido entendimento.

O referido ensino é o que se reporta à mediunidade como uma faculdade radicada no organismo. A partir daí sobrevêm uma série de acaloradas discussões ou pertinazes processos de frieza à frente de tal pronunciamento do Codificador. O costume do indivíduo de não associar a experiência mediúnica ao organismo do médium, vendo-a somente como algo relativo ao Espírito, absolutizando indevidamente a situação, provoca-lhe dificuldades na compreensão da questão.

O que ocorre, porém, por outro lado, é que tudo está correto e nobremente situado pelo notável mestre de Lion. Sem qualquer dificuldade, compreender-se-á que toda percepção do Invisível, isto é, toda captação da presença dos Sempre Vivos, é detectada pelo Espírito. É a alma que possui os instrumentos para fazer os registros provenientes de outras almas. No entanto, parece-nos de fácil compreensão que a exteriorização dessa captação estará em função do corpo somático.

A sistematização neurológica deverá ser
responsável por deixar jorrar para o exterior a luz da apreensão espiritual. Todo o material assimilado pela alma do médium escorrerá por meio dos canais nervosos, pelo organismo que ele enverga, a ponto de sentir que não haveria a corporificação do fenômeno sem a cooperação do corpo fisiológico. Utilizemo-nos de algum exemplo singelo, mas que tem tudo para ajudar na compreensão da questão.

Um exímio pianista, detentor de grandiosos talentos, de admirado virtuosismo, somente poderá exprimir a sua arte, com perfeição, no caso em que lhe seja oferecido um piano de excelentes qualidades. Caso não se dê tal oferecimento, deveremos admitir que, por mais notável seja o intérprete, não logrará dar provas da sua capacidade uma vez que se utiliza de um instrumento inferior, defeituoso, impróprio para o mister desejado. Cada corpo funciona como um instrumento e cada Espírito será o intérprete da mensagem captada.

Qualquer indivíduo que reencarne com projeto de atuar na esfera da mediunidade ostensiva, portando, então, o compromisso mediúnico em sua folha de deveres, necessitará de um corpo físico que lhe possibilite a exteriorização da faculdade psíquica.

O sistema nervoso do futuro médium, tanto o central quanto o periférico, e aqui não nos deteremos em minúcias que poderiam tornar mais complexa a compreensão do que desejamos aclarar, é ajustado de tal maneira que o mínimo contato fluídico ou envolvimento psíquico dos desencarnados sobre ele, imponha-lhe percepções automáticas do Invisível. Daí o encontrarmos portadores da faculdade mediúnica que exprimem seu descontentamento com a sua condição. Dizem, agora que estão na Terra esquecidos do seu pretérito de enormes carências, que desejariam sustar esses registros, pelos incômodos que lhes proporcionam, e desfilam um rosário de irrefletidas razões.

Outros, não obstante, vivem ansiando por semelhantes registros mediúnicos, sem que a sua organização neuro-psíquica lhes permita. Não sentem coisa alguma num nível que se possa considerar mediúnico. Tendo-se a mediunidade como passível de exteriorizar-se, graças ao perispírito, a túnica eletromagnética do Espírito, e sendo ele ligado ao corpo físico célula por célula, é compreensível que, quando um Espírito comunicante faz vibrar o perispírito, por meio das energias que consegue movimentar, as células orgânicas acompanhem-no num processo de ressonância perfeito.

É por causa dessa ressonância que as células liberam suas substâncias, desde os processos de sudorese abundante e fria até os componentes citoplásmicos, que formarão o ectoplasma, segundo a nomenclatura de Charles Richet, componentes esses que podem ser ricos em moléculas de A.D.P ou de A.T.P , que propiciarão as ocorrências de ectoplasmias luminosas, quando os médiuns sejam de efeitos físicos.

A intensidade de vibração do perispírito determinará a intensidade de ressonância celular que, por seu turno, expressará a intensidade da exteriorização do fenômeno. É essa interação perispírito-corpo físico que imporá o nível de aprofundamento do transe mediúnico, observando-se que se há maior liberação nervosa dos registros perispirituais, a mostragem do comunicante é mais nítida, mais comprobatória, enfim.

Se em todos os fenômenos mediúnicos é o organismo, representado pelo sistema nervoso, que dá o tom da ocorrência, sem qualquer hesitação, podemos crer que os ditos fenômenos dependem do corpo do médium para que se manifestem. É por isso que na formosura de O Livro dos Médiuns, no item 159, do capítulo XIV, o Codificador informa que "usualmente, só se qualificam como médiuns, aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva".

Uma vez que a maior ou menor interação perispírito-corpo físico está na dependência das conquistas gerais anteriores, das necessidades, méritos e deméritos de cada pessoa, teremos aí um maior ou menor grau de sensibilidade dos médiuns, chegando a compreender o porquê da variedade enorme de médiuns, tanto no tipo de manifestações que produzem quanto na intensidade em que as podem produzir.

Urge estudar mais detidamente a questão, para que o entendimento se faça e o brilho transcendente desse Tratado de Espiritismo Experimental seja percebido, definitivamente, como roteiro seguro para todos os que se lançam nesses labores felizes da mediunidade a serviço da implantação do Bem sobre o mundo.

39 - CARTAS DO CORAÇÃO - FCO. C. XAVIER

MEDIUNIDADE

Mediunidade com Jesus é serviço aos semelhantes.

Desenvolver esse recurso é, sobretudo, aprender a servir.

Aqui, alguém fala em nome dos Espíritos desencarnados; ali, um companheiro aplica energias curadoras; além, um cooperador ensina o roteiro da verdade; acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações. Contudo, é o mesmo poder que opera em todos. É a divina inspiração do Cristo, dinamizada através de mil modos diferentes por reerguer-nos da condição de inferioridade ou de sofrimento ao título de herdeiros do Eterno Pai.

E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama o título convencional do mundo qualquer que seja, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu a derramar benefícios na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.

Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações sublimes da alma podem ser encontradas.

Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros; quem procure a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.

Dar para receber.

Ajudar para ser amparado.

Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para alcançar a divindade do amor.

Eis a lei que impera, igualmente, no campo mediúnico, sem cuja observação, o colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de vida eterna.

Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do auxílio mútuo.

Nesse terreno, portanto, há muito que fazer nos círculos da Doutrina Cristã rediviva, porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as bênçãos da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a sua aplicação no esforço da sementeira.

A tarefa pede fortaleza no serviço, com ternura no sentimento.

Sem um raciocínio amadurecido para superar a desaprovação provisória da ignorância e da incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho fraterno para socorrê-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para a frente.

Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os flancos e imprescindível se torna ao instrumento humano das verdades divinas armar-se convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.

Age, assim, com isenção de ânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu apostolado de curar.

Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmã dos infortunados, convicta de que o Senhor é o Manancial de todas as bênçãos.

O lavrador semeia, mas é a bondade Divina que faz desabrochar a flor e preparar-se o fruto. É indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, apesar das serpes e dos espinhos que povoam o chão.

Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e não seria justo que a hesitação te paralisasse os impulsos mais nobres, tão somente porque a opinião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.

Não importa que o templo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica de extrema simplicidade.

O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava ministrar os dons celestiais sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.

Não te apoquentes, minha irmã, e segue sem serenidade.

Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do sacrifício.

A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da subida, calvário acima, os acúleos se transformaram em flores e os braços da cruz se convertem em asas de luz para a alma livre na eternidade.

Não desprezes a tua oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.

A carne é uma estrada breve.

Aproveitemo-la sempre que possível na sublime sementeira da caridade perfeita.

Em suma, ser médium no roteiro cristão é dar de si mesmo em nome do Mestre. E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida verdadeira aqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.

Segue, pois, para diante, amando e servindo.

Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão. Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme o Amigo Celeste nos ensinou.

Que Ele nos proteja, nos fortifique e abençoe.

Bezerra de Menezes